0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações23 páginas

Estrutura e Funções do Ministério Público

O documento é um guia de estudo sobre o Ministério Público e os órgãos de polícia criminal no contexto do Direito Processual Penal em Portugal. Ele abrange a estrutura, funções, competências e a legislação que regula a atuação do Ministério Público, além de discutir a relação entre este e os órgãos de polícia criminal. O conteúdo inclui princípios fundamentais, a história do Ministério Público e aspectos práticos do exercício da ação penal.

Enviado por

Diana Fernandes
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações23 páginas

Estrutura e Funções do Ministério Público

O documento é um guia de estudo sobre o Ministério Público e os órgãos de polícia criminal no contexto do Direito Processual Penal em Portugal. Ele abrange a estrutura, funções, competências e a legislação que regula a atuação do Ministério Público, além de discutir a relação entre este e os órgãos de polícia criminal. O conteúdo inclui princípios fundamentais, a história do Ministério Público e aspectos práticos do exercício da ação penal.

Enviado por

Diana Fernandes
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1

DIREITO PROCESSUAL PENAL I


ANA PAULA PINTO LOURENÇO

GUIA DE ESTUDO
MINISTÉRIO PÚBLICO E ÓRGÃOS DE POLÍCIA CRIMINAL

SUMÁRIO

O Ministério Público;
O estatuto do Ministério Público;
A organização do Ministério Público;
Competências e funções do Ministério Público;
Do exercício da ação penal em especial;
O Ministério Público e os Órgãos e Polícia Criminal.

CONTEÚDOS

Sede legal das normas (ver abaixo- legislação)


reguladoras da actuação Ponto de partida:
do Ministério Público • Constituição da República Portuguesa (artigo 219.º)
• Código de Processo Penal;
• Estatuto do Ministério Público;
• Lei de Organização da Investigação Criminal
• Lei Quadro da Política Criminal
• Leis que definem os objetivos, prioridades e orientações da política
criminal (Lei n.º 51/2023, de 28 de agosto – lei que define os objetivos,
prioridades e orientações da política criminal para o biénio de 2023-2025,
em cumprimento da Lei n.º 17/2006, de 23 de maio, que aprova a Lei
Quadro de Política Criminal)

Notas introdutórias Origem e evolução do Ministério Público


O Ministério Público como magistratura
O Ministério Púbico como órgão autónomo da administração da justiça
Funções do Ministério Público constitucionalmente consagradas
O princípio da legalidade e o princípio de oportunidade na promoção da acção penal
O princípio da oficiosidade

O estatuto do Ministério A autonomia do Ministério Público (art. 219.º CRP)


Público A vinculação a critérios de legalidade e objectividade
A responsabilidade dos agentes do Ministério Público
O carácter hierarquizado da organização do Ministério Público

Órgãos do Ministério Órgãos do Ministério Público


Público A Procuradoria-Geral da República
As Procuradorias-Gerais Regionais
Procuradorias de República de Comarca – 23: uma por cada comarca
2

Os agentes do Ministério O Procurador-Geral da República


Público O Vice-Procurador-Geral da República
(art. 13.º EMP) Os procuradores-gerais-adjuntos
Os procuradores da República
(Os procuradores do MP na qualidade de procuradores europeus delegados)
(os procuradores do MP enquanto representante de Portugal no EUROJUST e
respectivos assistentes)

Os DIAP Regionais (Departamento de Investigação e Acção Penal) um em cada uma


das Procuradorias-gerais Regionais (art. 70.º e 71 do Estatuto do Ministério Público)
O DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal) (art. 57.º ss EMP)

Outros órgãos O Conselho Superior do Ministério Público (art. 21.º EMP)


O Conselho Consultivo do Ministério Público (art. 43.º EMP)

O exercício da acção Introdução


penal A legitimidade para a promoção do processo
Os princípios rectores: princípio da legalidade (vs princípio de oportunidade);
princípio da oficiosidade (CRP, CPP, LOIC, leis de prioridades...) art. 48.º a 50.º CPP
A legitimidade no caso dos crimes públicos
A legitimidade nos crimes semi-públicos
A legitimidade nos crimes particulares
A legitimidade no caso de concurso de crimes de diferente natureza

Posição e atribuições do Sede legal: artigo 53.º e outras


Ministério Público no Colaborar com o tribunal na descoberta da verdade
Processo Penal Colaborar com o tribunal da realização do direito
Receber denúncias, queixas e participações
Apreciar o seguimento a dar à notícia do crime
Dirigir o inquérito
Pratica e assegura os meios de prova necessários à realização das finalidades do
inquérito art. 267.º
Encerrar o inquérito;
Proferir despacho de suspensão provisória do processo
Deduzir a acusação;
Proferir despacho de arquivamento;
Proferir despacho de arquivamento em caos de dispensa de pena
Interpor recursos (podendo ser no interesse exclusivo da defesa)
Promover a execução das penas e das medidas de segurança [art. 53.º, e) + art.
469.º CPP]

Outras normas de relevo:


• Declarações para memória futura – artigo 271.º + 294.º
• Suspensão provisória do processo e arquivamento em caso de dispensa de
pena na instrução – art. 307.º + 281.º; 280.º, n.º 2.
• (...)
A problemática da admissibilidade dos acordos de sentença

Modos de impugnação O requerimento de abertura da instrução


dos actos do Ministério A impugnação hierárquica (constitui reclamação)
Público
3

A notícia do crime Distinção entre queixa, denúncia e participação


Legitimidade para a apresentação da queixa: titulares do direito (art. 113.º CP) +
mandatário munido de procuração com poderes especiais conferida elo titular do
direito (art. 48.º, n.º 3 CPP + Lei n.º 59/2019, de 8 de Agosto)
Legitimidade no caso de concurso de crimes (art. 52.º)
A razão de ser do regime tripartido: a natureza bagatelar, a relevância ao bem
jurídico, a inconveniência de promover a acção contra a vontade dos titulares do
bem jurídico
Distinção entre desistência e renúncia ao direito
A natureza mista do direito da queixa: substantiva e processual
Titulares do direito de queixa e extensão da queixa; a possibilidade de apresentação
por mandatário munido de procuração com poderes especiais
Extinção do direito de queixa
Da desistência de queixa (legitimidade para a desistência, prazo, formalidades)
Efeitos da desistência de queixa
Impedimentos e Remissão para o regime regulador da matéria quanto aos magistrados, com as
suspeições necessárias adaptações
Declaração de impedimento e requerimento de recusa e pedido de escusa- dirigidos
e decidido pelo imediato superior hierárquico
Art. 54.º CPP

Competência do Art. 264.º


Ministério Público Regra: Ministério Público do local onde o crime tiver sido cometido
Critérios subsidiários:
1. Quando seja ainda desconhecido local
2. Quando seja praticado no estrangeiro
3. Competência no caso de conexão (art. 264.º, n.º 5 + 24.º a 30.º)
4. Inquérito contra magistrado judicial ou do Ministério Público – designado
procurador de categoria igual ou superior à do visado – art. 265.º
5. A competência do DCIAP – Departamento Central de Investigação e Acção
Penal
Competência para a prática de actos urgentes

Incompetência do Art. 266.º, n.º 1


procurador Identificada a incompetência, os autos são transmitidos ao procurador competente
Aproveitamento dos atos praticados, excepto quando não puderem ser
aproveitados; nesse caso serão repetidos
Conflitos de competência Art. 266.º, n.º
Decisão pelo imediato superior hierárquico que superintenda os procuradores em
conflito
Crimes contra a justiça Crimes praticáveis no exercício das funções:
crime de Favorecimento pessoal (artigo 367.º CP);
Crime de denegação de justiça e prevaricação (art. 369.º CP);
crime de violação do segredo de justiça (art. 371.º CP).
4

Órgãos de polícia criminal


Conceito

Distinção com figuras Conceito de órgão de polícia criminal, autoridades de polícia criminal,
próximas autoridades policiais e entidades policiais

Atribuições dos órgãos A competência genérica e a competência específica dos órgãos de polícia
de polícia criminal criminal

O relacionamento Sentido e alcance da dependência funcional dos OPC face ao MP


entre o Ministério A “autonomia técnica e táctica”: sentido e alcance
pública e os órgãos de A extensão a outras autoridades judiciais
polícia criminal A competência: leis específicas de cada OPC;
A Lei de Organização de Investigação Criminal (LOIC)
A orientação e dependência funcional dos magistrados do processo (GMS,
262)
A competência geral dos OPC
A competência específica dos OPC
A delegação de competências nos OPC
A competência própria e a competência delegada (breves noções
Possibilidade de o Procurador-Geral da República deferir a competência da
PJ, nos casos dos crimes do n.º 3 do artigo7.º da LOIC, a outra entidade
quando reunidas certas condições– artigo 8.º da LOIC
Competência dos Art. 3.º, n.º 4 LOIC: + 56.º CPP
Órgãos de Polícia 1. Coadjuvar as autoridades judiciárias na investigação;
Criminal 2. «Desenvolver as acções de prevenção e investigação da sua
competência ou que lhes sejam cometidas pelas autoridades
judiciárias» art. 3.º, n.º 4 LOIC

Órgãos e polícia criminal de competência genérica (não investigam crimes


que estejam a ser investigados pelos OPC de competência específica,
excepto quando a competência tenha sido determinada pelo PGR)
Órgãos de Polícia Criminal de Competência específica
Deveres de Art. 10.º da LOIC
colaboração entre OPC O Conselho Coordenador dos órgãos de polícia criminal: art. 13.º da LOIC
A fiscalização dos órgãos de polícia criminal – Competência do Procurador-
Geral da República (art. 16.º LOIC) e dos Departamentos de cada ministério
(exemplo: IGAI, quanto à Administração Interna)
Atos que podem ser Art. 270.º do CPP
delegados pelo MP nos A possibilidade de despacho de delegação genérica
OPC
5

Actos que não podem Art. 270.º, n.º 2 a 4 do CPP


ser delegados pelo MP A excepção à delegação e a excepção da excepção com reposição da
nos OPC interdição

Conflitos de Art. 9.º LOIC


competência dos OPC Conflito dirimido pela autoridade judiciária competente em cada fase
(Obra de referência: SILVA, Germano Marques da - Direito Processual Penal, ver FUC))

MATERIAIS COMPLEMENTARES DE ESTUDO AUTÓNOMO


PowerPoint disponível na plataforma

Procurar informação complementar no sítio do Ministério Público


aqui

NOTAS COMPLEMENTARES DE APOIO AO ESTUDO

Breve introdução histórica:

Lei de Solon (Grecia) - Função acusadora cabia a todos os cidadãos. Exemplo pode ler-se na obra de
Platão Apologia de Sócrates.
Roma adoptou este modelo, mas desdobrando: por um lado uma acção popular (a que veio a
corresponder o procurador da coroa na época medieval) e uma acção de defesa do fisco, confiada a
procuradores de Cesar (também designados rationales (modelo adoptado pelos Estados medievais sob a
designação de procuradores da Fazenda)
Nem na Grécia, nem em Roma, estes acusadores constituíam uma magistratura.
A acção pública desapareceu temporariamente - durante o tempo das Invasões dos bárbaros, sendo
substituída pela vingança privada – mas ressurgindo de novo
6

Existem referências a procuradores do Rei no reino de Afonso II (1211-1216), mas apenas com Afonso III
(Decreto de 14 de Janeiro de 1289) foi criado um corpo permanente de procuradores do rei com
características de magistratura, exercendo diversas funções.
A par dos procuradores do Reino, foram criados promotores de Justiça junto da Casa da Suplicação.

O período iluminista e liberalista veio trazer a nova conformação ao Ministério Público.


O Regime francês criado por Napoleão serviu de modelo (modelo francês, de um MP dependente do
executivo vigoraria até meados do século XX – com uma diferença: não adoptou o princípio da
oportunidade, mas da legalidade - , quando se adopta um modelo italiano de um MP independente do
poder político, que não o representa, constituindo uma magistratura inamovível e independente)1

Em Portugal, deve-se a Mouzinho da Silveira (Maio de 1832) a criação do procurador-geral da Coroa, que
assumia o topo da hierarquia da magistratura do Ministério Público.
Um dos diplomas mais relevantes foi o Decreto de 15 de Dezembro de 1835, que regula a competência
dos membros do MP e unifica, sob o poder de um único procurador-geral, a Procuradoria-Geral da Coroa
e a Procuradoria-Geral da Fazenda.
Século XIX – criação de uma estrutura burocrática de Ministério Público, que cobre a totalidade do
território nacional

E, 1927 é estabelecido o Estatuto Judiciário (decreto-lei n.º 13 809, de 22 de Julho). O M está dependente
do poder executivo.

Após 1976 – deixa de ser magistratura preambular e passa a magistratura paralela.

1
Alberto dos Reis; Paulo dá Mesquita, José António Barreiros, são alguns dos autores que se debruçaram
sobre o tema.
7

MINISTÉRIO PÚBLICO

Artigo 219.º
Constituição da República Portuguesa

1. Ao Ministério Público compete representar o Estado e defender os interesses que a lei determinar, bem
como, com observância do disposto no número seguinte e nos termos da lei, participar na execução da
política criminal definida pelos órgãos de soberania, exercer a ação penal orientada pelo princípio da
legalidade e defender a legalidade democrática.

2. O Ministério Público goza de estatuto próprio e de autonomia, nos termos da lei.

3. A lei estabelece formas especiais de assessoria junto do Ministério Público nos casos dos crimes
estritamente militares.

4. Os agentes do Ministério Público são magistrados responsáveis, hierarquicamente subordinados, e não


podem ser transferidos, suspensos, aposentados ou demitidos senão nos casos previstos na lei.

5. A nomeação, colocação, transferência e promoção dos agentes do Ministério Público e o exercício da ação
disciplinar competem à Procuradoria-Geral da República.

Estatuto do Ministério Público

Princípios que enformam a intervenção do Ministério Público:

Princípio da autonomia face aos demais órgãos do poder central, regional e local (art. 219.º
CRP + art. 3.º EMP) – o MP é um órgão autónomo da administração da Justiça2; insere-se na
função e poder judicial (CRP); Antes de 1974 existia uma vinculação ao poder executivo,
uma vez que dependia do Governo. Essa dependência não existe hoje3.
Não pode haver ingerência política na intervenção do Ministério Público

2
«Entendemos por administração da justiça ou administração judiciária toda a actividade, estadual ou não,
que se deixa caracterizar – como se exprime H. HENKEL – pela sua estreita relacionação com o direito (no
sentido e com o fim da sua realização no caso concreto), basicamente subordinada aos valores da verdade
e da justiça, e da qual participam entidades como os tribunais, os notários, os defensores em processo
penal, etc.». Figueiredo Dias, Direito Processual Penal, 1.ª edição reimpressão, p. 367.
3
Não obstante, regula o artigo 37.º do EMP que «O membro do Governo responsável pela área da justiça
comparece às reuniões do Conselho Superior do Ministério Público a convite ou quando entender
oportuno, para fazer comunicações e solicitar ou prestar esclarecimentos» e, nos termos do artigo 101.º
do mesmo diploma, «Compete ao membro do Governo responsável pela área da justiça:
a) Transmitir, por intermédio do Procurador-Geral da República, instruções de ordem específica nas ações
cíveis e nos procedimentos tendentes à composição extrajudicial de conflitos em que o Estado seja
interessado;
b) Autorizar o Ministério Público, ouvido o departamento governamental de tutela, a confessar, transigir
ou desistir nas ações cíveis em que o Estado seja parte;
c) Solicitar ao Procurador-Geral da República relatórios e informações de serviço;
d) Solicitar ao Conselho Superior do Ministério Público informações e esclarecimentos e fazer perante ele
as comunicações que entender convenientes;
e) Solicitar ao Procurador-Geral da República inspeções, sindicâncias e inquéritos, designadamente aos
órgãos de polícia criminal»
8

o A autonomia do MP «caracteriza-se pela vinculação do MP a critérios de estrita


legalidade e objectividade» (art. 3.º EMP)
o Princípio da legalidade em geral – o Ministério Público pauta a sua actividade seguindo
critérios de estrita legalidade
o Princípio da legalidade quanto à promoção processual (ver abaixo)
o Princípio da objetividade e imparcialidade – o MP deve pautar a sua actuação pela
isenção face às questões sobre que deva ocupar-se, actuando com imparcialidade.
§ Ver impedimentos e suspeições no CPP e do EMP4
§ Nos termos do artigo 104.º do EMP, o MP está submetido ao dever de isenção
e objectividade5.

4
Artigo 107.º do EMP – incompatibilidades - « 1 - Os magistrados do Ministério Público em efetividade
de funções ou em situação de jubilação não podem desempenhar qualquer outra função pública ou privada
de natureza profissional.
2 - Para os efeitos do número anterior, não são consideradas de natureza profissional as funções diretivas
não remuneradas em fundações ou associações das quais os magistrados sejam associados que, pela sua
natureza e objeto, não ponham em causa a observância dos respetivos deveres funcionais.
3 - O exercício das funções previstas no número anterior deve ser precedido de comunicação ao Conselho
Superior do Ministério Público.
4 - A docência ou a investigação científica de natureza jurídica, não remuneradas, são compatíveis com o
desempenho das funções de magistrado do Ministério.
5 - O exercício das funções referidas no número anterior não pode envolver prejuízo para o serviço e carece
de autorização do Conselho Superior do Ministério Público.
6 - Carece ainda de autorização do Conselho Superior do Ministério Público o exercício de funções:
a) Em quaisquer órgãos estatutários de entidades públicas ou privadas que tenham como fim específico
exercer a atividade disciplinar ou dirimir litígios;
b) Em quaisquer órgãos estatutários de entidades envolvidas em competições desportivas profissionais,
incluindo as respetivas sociedades acionistas.
7 - A autorização a que se refere o número anterior apenas é concedida se o exercício das funções não for
renumerado e não envolver prejuízo para o serviço ou para a independência, dignidade e prestígio da
função de magistrado do Ministério Público.
8 - Os magistrados do Ministério Público podem receber as quantias resultantes da sua produção e criação
literária, artística, científica e técnica, assim como das publicações derivadas».
Artigo 109.º - IMPEDIMENTOS - Os magistrados do Ministério Público não podem exercer funções:
a) No mesmo tribunal de competência territorial alargada, juízo, secção de departamento ou tribunal
administrativo de círculo, tributário ou administrativo e fiscal em que desempenhem funções juízes de
direito ou funcionários de justiça a que estejam ligados por casamento ou união de facto, parentesco ou
afinidade em qualquer grau da linha reta ou até ao 2.º grau da linha colateral;
b) Na mesma procuradoria de comarca, tribunal de competência territorial alargada, juízo, secção de
departamento ou tribunal administrativo de círculo, tributário ou administrativo e fiscal em que fiquem em
relação de hierarquia com magistrado do Ministério Público a que estejam ligados por casamento ou união
de facto, parentesco ou afinidade em qualquer grau da linha reta ou até ao 2.º grau da linha colateral;
c) Na mesma secção do Supremo Tribunal de Justiça ou dos tribunais da Relação em que exerçam funções
magistrados judiciais a que estejam ligados por casamento ou união de facto, parentesco ou afinidade em
qualquer grau da linha reta ou até ao 2.º grau da linha colateral;
d) Em procuradorias de comarca ou procuradorias administrativas e fiscais cuja área territorial abranja o
concelho em que, nos últimos cinco anos, tenham desempenhado funções de advogado ou defensor
nomeado no âmbito do apoio judiciário ou em que, em igual período, tenham tido escritório de advogado,
solicitador, agente de execução ou administrador judicial»
Artigo 104.º do Estatuto do Ministério Público - 1 - Os magistrados do Ministério Público devem atuar
sempre com independência em relação a interesses de qualquer espécie e às suas convicções políticas,
religiosas ou filosóficas, abstendo-se de obter vantagens indevidas, direta ou indiretamente, patrimoniais
ou outras, para si ou para terceiro, das funções que exercem.
2 - Os magistrados do Ministério Público devem igualmente desempenhar as suas funções tendo
9

• Colaboração – Todas as entidades públicas e privadas devem colaboração ao MP no exercício das


suas atribuições (art. 5.º EMP) (a colaboração no âmbito penal é regulada nos termos da lei
processual)
• Publicidade – Público e meios de comunicação social têm acesso à informação relativa à actividade
do MP (art. 6.º EMP), com as reservas impostas pelo regime do segredo de Justiça art. 86.º ss CPP)
e outros que a lei estabeleça
• A magistratura do MP é paralela à magistratura judicial – antes do regime democrático, a
magistratura do MP era vestibular, isto é, constituía o primeiro patamar da magistratura. Quem
quisesse seguir a carreira de juiz tinha de exercer sempre as funções de procurador e apenas
depois podia transitar para a magistratura judicial.

• Subordinação hierárquica – o Ministério Público é uma magistratura hierarquizada, nesse âmbito,


os magistrados do MP encontram-se sujeitos às diretivas, ordens e instruções previstas no
respetivo estatuto (art. 14.º EMP)
o A este propósito, ver no sítio da PGR a tipologia de documentos hierárquicos e sua
delimitação: Directivas, Instruções e Ordens e circulares

O artigo 53.º do CPP estabelece a posição e atribuições do Ministério Público no processo:


• Promoção do processo
• Exercício da acção penal
• Receber as denúncias, queixas e participação e apreciar o seguimento a dar-lhes
• Deduzir acusação e sustentá-la no processo
Estas funções estão ligadas a uma função persecutória, repressiva.
A função do Ministério Público não se esgota aí (o sistema português não é adversarial, - como o
public prossecutor norte-americano - de partes em que o MP desempenha funções de promoção
penal não vinculadas à descoberta da verdade.
Por isso:
• Pode recorrer mesmo que no interesse exclusivo da defesa
• Pode pedir a absolvição do arguido no final
• Produz prova “à charge et à décharge” – tanto contra como a favor do arguido, uma vez que está
vinculado a princípios de estrita legalidade e”.

Artigo 97.º do Estatuto do Ministério Público


Estatuto

1 - Com respeito pelo princípio da autonomia do Ministério Público, os seus magistrados são
responsáveis e hierarquicamente subordinados, nos termos da Constituição e do presente
Estatuto.
2 - A responsabilidade consiste em responderem, nos termos da lei, pelo cumprimento dos seus
deveres e pela observância das diretivas, ordens e instruções que receberem.

exclusivamente em vista a realização da justiça, a prossecução do interesse público e a defesa dos direitos
dos cidadãos.
3 - Os magistrados do Ministério Público devem ainda cumprir e fazer cumprir as ordens ou instruções
legítimas que lhes sejam dirigidas pelos superiores hierárquicos, dadas no âmbito das suas atribuições e
com a forma legal, sem prejuízo do disposto no artigo 100.º
4 - Os magistrados do Ministério Público, no exercício da ação penal, devem velar pela correta aplicação
da lei, averiguando todos os factos que relevem para o apuramento da verdade, independentemente de
estes agravarem, atenuarem ou extinguirem a responsabilidade criminal.
10

3 - A hierarquia é de natureza funcional e consiste na subordinação dos magistrados aos seus


superiores hierárquicos, nos termos definidos no presente Estatuto, e na consequente obrigação
de acatamento por aqueles das diretivas, ordens e instruções recebidas, sem prejuízo do
disposto nos artigos 100.º e 101.º
4 - A intervenção hierárquica em processos de natureza criminal é regulada pela lei processual
penal.
5 - Salvaguardado o disposto no número anterior, as decisões finais proferidas pelos magistrados
do Ministério Público em procedimentos de natureza não criminal podem ser objeto de
reapreciação pelo imediato superior hierárquico.
6 - A impugnação judicial dos atos administrativos praticados pelos magistrados do Ministério
Público é precedida de impugnação administrativa necessária, nos termos do presente Estatuto.

Artigo 98.º do estatuto do Ministério Público


Efectivação da responsabilidade
1 - Fora dos casos em que a falta constitua crime, a responsabilidade civil apenas pode ser
efetivada, mediante ação de regresso do Estado, em caso de dolo ou culpa grave.
2 - A decisão de exercer o direito de regresso sobre os magistrados do Ministério Público, nos
termos do artigo 6.º do regime da responsabilidade extracontratual do Estado e demais
entidades públicas, aprovado em anexo à Lei n.º 67/2007, de 31 de dezembro, na sua redação
atual, cabe ao Conselho Superior do Ministério Público, a título oficioso ou por iniciativa do
membro do Governo responsável pela área da justiça.

No âmbito do exercício da acção penal

• Princípio da oficiosidade
• Princípio da legalidade (vs oportunidade)
o Ver momentos de discricionariedade vinculada, de oportunidade e de consenso
o A título de exemplo, veja-se a Directiva 1/2014, que visa apoiar e incrementar a utilização
da suspensão provisória do processo e promover uma actuação mais eficaz e homogénea
do Ministério Público
§ Sobre a suspensão provisória do processo ver, ainda: texto de Paulo Maurício:
o instituto da suspensão provisória do processo.
o Quando a notícia do crime lhe chegue da forma legalmente prescrita, o MP e obrigado a
actuar.
• A legitimação depende da natureza do crime (público, semi-público e particular)
• Quando o MP receba a notícia de vários crimes de natureza diferente, poderá
promover de imediato a acção penal em relação a tofos? Não, apenas em relação
àqueles para que esteja legitimado, porém:
Art. 52.º - legitimidade no caso de concurso de crimes
• Se o crime pelo qual puder promover o processo for o de natureza pública à
promove de imediato pelos crimes para os quais tiver legitimidade
• Se o crime mais grave for semi-público ou particular – notificam-se as pessoas
titulares do direito de queixa para saber se pretendem exercer esse direito (têm
5 dias)
o Se pretenderem apresentar queixa, considera-se apresentada e
promove-se o processo por todos os factos;
o Se não pretenderem apresentar, promove-se por aqueles para os
quais o MP tiver legitimidade
11

Representação do Ministério Público (processo penal)

• Nos tribunais superiores: Tribunal Constitucional e no Supremo Tribunal de Justiça- Procurador-


Geral da República
• Nos Tribunais da Relação – Procuradores-Gerais-adjuntos
• Nos tribunais de 1.ª instância – procuradores-gerais adjuntos e procuradores da República

Atribuições do Ministério Público em geral e em especial no âmbito criminal


Art. 219.º CRP + art. 4.º EMP

Art. 4.º EMP


Atribuições
1 - Compete, especialmente, ao Ministério Público:
a) Defender a legalidade democrática;
b) Representar o Estado, as regiões autónomas, as autarquias locais, os incapazes, os incertos e os ausentes em parte
incerta;
c) Participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de soberania;
d) Exercer a ação penal orientado pelo princípio da legalidade;
e) Dirigir a investigação e as ações de prevenção criminal que, no âmbito das suas competências, lhe incumba
realizar ou promover, assistido, sempre que necessário, pelos órgãos de polícia criminal;
f) Intentar ações no contencioso administrativo para defesa do interesse público, dos direitos fundamentais e da
legalidade administrativa;
g) Exercer o patrocínio oficioso dos trabalhadores e suas famílias na defesa dos seus direitos de caráter social;
h) Assumir, nos casos previstos na lei, a defesa de interesses coletivos e difusos;
i) Assumir, nos termos da lei, a defesa e a promoção dos direitos e interesses das crianças, jovens, idosos,
adultos com capacidade diminuída, bem como de outras pessoas especialmente vulneráveis;
j) Defender a independência dos tribunais, na área das suas atribuições, e velar para que a função jurisdicional se
exerça em conformidade com a Constituição e as leis;
k) Promover a execução das decisões dos tribunais para que tenha legitimidade;
l) Fiscalizar a constitucionalidade dos atos normativos;
m) Intervir nos processos de insolvência e afins, bem como em todos os que envolvam interesse público;
n) Exercer funções consultivas, nos termos da presente lei;
o) Fiscalizar a atividade processual dos órgãos de polícia criminal, nos termos do presente Estatuto;
p) Coordenar a atividade dos órgãos de polícia criminal, nos termos da lei;
q) Recorrer sempre que a decisão seja efeito de conluio das partes no sentido de fraudar a lei ou tenha sido
proferida com violação de lei expressa;
r) Exercer as demais funções conferidas por lei.
2 - A competência referida na alínea j) do número anterior inclui a obrigatoriedade de recurso nos casos e
termos previstos na Lei de Organização, Funcionamento e Processo do Tribunal Constitucional.
3 - Para cumprimento das competências previstas nas alíneas i), j), k), l) e q) do n.º 1, deve o Ministério Público
ser notificado das decisões finais proferidas por todos os tribunais.

Lei da Organização da Investigação Criminal

Artigo 2.º da Lei de Organização da Investigação Criminal


Direcção da Investigação criminal
12

1 - A direcção da investigação cabe à autoridade judiciária competente em cada fase do processo.


2 - A autoridade judiciária é assistida na investigação pelos órgãos de polícia criminal.

Competência do Departamento Central de Investigação Criminal

Art. 57.º ss EMP – Definição


«O DCIAP é um órgão de coordenação e de direção da investigação e de prevenção da
criminalidade violenta, económico-financeira, altamente organizada ou de especial
complexidade»
Art. 58.º Competência
Criminalidade mais grave ou dispersão territorial
Existe relação com a competência do Tribunal Central de Instrução Criminal (JIC deste tribunal
desempenha funções no âmbito do inquérito que corra termos no DCIAP e exerce as funções de
instrução relativamente a estes processos)

Competência das Procuradorias-Gerais Regionais

Art. 65.º EMP - Estrutura


Existem 4 PGRegionais com sede em Lisboa, Porto, Coimbra, Évora
Cada PGRegional:
• assegura a representação do Ministério Público junto do Tribunal da Relação e fiscaliza a
actividade do MP na respectiva área territorial
• Abrange abrange a Procuradoria junto do tribunal da Relação (a PGRegional do Porto abrange o
TRP e o TRG), o DIAP regional e as Procuradorias da comarca
Art. 66.º EMP
Competência das Procuradorias-Gerais Regionais:

Modos de impugnar as decisões do Ministério Público

Tratando-se de decisões judiciárias, obedecem ao princípio da legalidade do processo (art. 2.º CPP) , tanto
na sua prolação como na sua impugnação.
• Intervenção hierárquica (art. 278.º. CPP) - do imediato superior hierárquico, da decisão de encerrar
o inquérito para que decida o encerramento ou mande prosseguir o inquérito.
• Reclamação hierárquica
o Art. 162.º, n.º 3 – reclamação hierárquica relativa ao valor de remuneração a perito fixada
por MP
o (art. 279.º CPP) – impugnação do despacho que deferir ou recusar a reabertura do
inquérito)
• Requerimento de abertura a instrução (art. 287.º CPP) - (visa comprovação judicial da decisão do MP
de acusar ou arquivar o inquérito

Outras intervenções dos superiores hierárquicos (não para impugnação, mas para
decisão)
• Art. 54.º, n. º 2 - Intervenção do superior no caso de impedimentos e escusas
13

• Art. 89.º, n. º5 CPP – comunicação ao superior hierárquico da falta de devolução do processo requerido
para exame, para que intervenha.
• Art. 108.º, n.º 2, alínea a) – intervenção hierárquica para decidir a aceleração processual (deferida,
neste caso, ao PGR)
• Art. 116.º, n.º 3 – informação ao superior hierárquico da falta de MP a acto para o qual esteja
notificado.
• Art. 266.º, n.º 3 – cabe ao superior hierárquico decidir sobre o conflito de competências
• Art. 276.º, n.º 6 – o titular do processo deve comunicar ao superior hierárquico a violação de qualquer
prazo relativo ao encerramento do inquérito.

NOTA: tendo em consideração o conceito de hierarquia, quando a lei fala em “superior hierárquico”,
deve entender-se que se trata do imediato superior hierárquico (excepto quando a lei determine
expressamente a competência ao PGR).

Competência, incompetência e conflitos de competência


Para dirimir
• conflitos de competências entre órgãos do Ministério Público: Procuradoria-geral regional
(ex-Procuradoria-geral distrital).
• Conflitos entre MP de comarca do mesmo distrito judicial

• Conflitos entre MP de comarca e DIAP com sede no mesmo distrito judicial Procuradoria-geral da
• Conflitos entre MP de comarca de distritos judiciais diferentes República
• Conflitos entre DIAP e DCIAP

ÓRGÃOS DE POLÍCIA CRIMINAL

«A polícia é antes de tudo o braço do monopólio estatal da violência tendo no moderno Estado de direito
um núcleo funcional: segurança, ordem pública e prevenção de perigos de acordo com a lei, à luz de uma
ideia de limitação do poder policial, que naturalmente repugna aos Estados totalitários.
No processo penal português os órgãos de polícia criminal são integrados por todas as entidades e agentes
policiais a quem caiba levar a cabo quaisquer actos ordenados por uma autoridade judiciária ou
determinados pelo Código de Processo Penal».6

Não obstante os OPC serem referidos no CPP como sujeitos processuais, eles são, na realidade, auxiliares
dos sujeitos processuais (juízes e procuradores), embora haja quem os catalogue como sujeitos processuais
secundários.

Coadjuvam as autoridades judiciárias no âmbito das investigações criminais (art. 55.º e 56.º do CPP)
Coadjuvação do MP em particular (art. 7.º EMP)

Alguns dos órgãos de polícia criminal de que falaremos desempenham também funções de Forças de
Segurança ou de Serviços de Segurança.

6
Paulo Dá Mesquita – Direcção do Inquérito Penal e Garantia Judiciária, p. 121.
14

Se tiver curiosidade em aprofundar esta matéria, pode ver Lei de Segurança Interna. Não será matéria de
que nos ocuparemos na nossa Unidade Curricular, mas convirá ter uma visão integrada da matéria,
sobretudo para aqueles de vós que pretendam seguir percursos profissionais ligados à investigação ou ao
foro.

O processo penal inicia-se com a fase de inquérito, não devendo admitir-se fases pré-processuais7.
Logo que receba a notícia do crime, os OPC devem comunica-la de imediato ao MP. No entanto, podem e
devem praticar os actos cautelares necessários à preservação da prova e de outros elementos com
relevância para o processo (perigo de mora). Estes actos irão integrar o processo se a autoridade judiciária
assim o determinar.
Assim, devem ser consideradas duas ordens de actos:
1. Actos praticados por iniciativa dos OPC (ope legis – por força da lei)
2. Actos praticados por delegação genérica ou específica do MP (por força de determinação da
autoridade judiciária)

Relação dos órgãos de polícia criminal com o Juiz de instrução criminal (OPC_JIC) no inquérito:
1. O Ministério Público exerce controlo sobre os atos dos OPC. Não obstante, pode haver controlo
de determinados atos dos OPC, por parte do JIC no inquérito
a. (buscas domiciliárias realizadas nos termos do art 174.º CPP
b. Escutas telefónicas
2. Os OPC podem solicitar directamente ao JIC autorização para a aprática de alguns actos que sejam
da competência do JIC – quando exista urgência e o contacto com o MP possa fazer perigar a
utilidade e desde que os actos sejam da competência do JIC.

Artigo 2.º a Lei de Organização da Investigação Criminal


Direcção da Investigação Criminal
1 - A direcção da investigação cabe à autoridade judiciária competente em cada fase do processo.
2 - A autoridade judiciária é assistida na investigação pelos órgãos de polícia criminal.
3 - Os órgãos de polícia criminal, logo que tomem conhecimento de qualquer crime, comunicam o facto ao
Ministério Público no mais curto prazo, que não pode exceder 10 dias, sem prejuízo de, no âmbito do
despacho de natureza genérica previsto no n.º 4 do artigo 270.º do Código de Processo Penal, deverem
iniciar de imediato a investigação e, em todos os casos, praticar os actos cautelares necessários e urgentes
para assegurar os meios de prova.
4 - Os órgãos de polícia criminal actuam no processo sob a direcção e na dependência funcional da
autoridade judiciária competente, sem prejuízo da respectiva organização hierárquica.
5 - As investigações e os actos delegados pelas autoridades judiciárias são realizados pelos funcionários
designados pelas autoridades de polícia criminal para o efeito competentes, no âmbito da autonomia
técnica e táctica necessária ao eficaz exercício dessas atribuições.
6 - A autonomia técnica assenta na utilização de um conjunto de conhecimentos e métodos de agir
adequados e a autonomia táctica consiste na escolha do tempo, lugar e modo adequados à prática dos
actos correspondentes ao exercício das atribuições legais dos órgãos de polícia criminal.
7 - Os órgãos de polícia criminal impulsionam e desenvolvem, por si, as diligências legalmente admissíveis,
sem prejuízo de a autoridade judiciária poder, a todo o tempo, avocar o processo, fiscalizar o seu
andamento e legalidade e dar instruções específicas sobre a realização de quaisquer actos.

7
«Em contraponto, pré-inquéritos na sequência da aquisição da notícia do crime não têm enquadramento
jurídico-legal, pois a notícia do crime determina o dever de comunicação ao Ministério Público e, para este
órgão, a obrigatoriedade de abertura do processo penal. Sublinhe-se, ainda, que tal obrigação implica a
efetivação de controlo sobre todas as eventuais atividades heurísticas baseadas em suspeitas de crimes
levadas a cabo por órgãos de polícia criminal (independentemente do nome que em termos de
procedimentos burocráticos se lhes atribua)» - Parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da
República, de 28 de novembro de 2012. Relator: Paulo Dá Mesquita.
15

*Forças e Serviços de Segurança Apenas para conhecimento

Atenção: algumas destas organizações também são órgãos de polícia


criminal e é nesta qualidade que nos interessarão

Segundo o artigo 25.º da Lei de Segurança Interna, «As forças e os serviços de segurança são organismos
públicos, estão exclusivamente ao serviço do povo português, são rigorosamente apartidários e concorrem
para garantir a segurança interna»

Artigo 25.º
Lei da Segurança Interna
Forças e Serviços de Segurança
1 - As forças e os serviços de segurança são organismos públicos, estão exclusivamente ao serviço do povo português, são
rigorosamente apartidários e concorrem para garantir a segurança interna.
2 - Exercem funções de segurança interna: [esta ordem segue a cronologia da criação das instituições]
a) A Guarda Nacional Republicana; [Ministério da Administração Interna]
b) A Polícia de Segurança Pública; [Ministério da Administração Interna]
c) A Polícia Judiciária; [Ministério da Justiça]
d) (Revogado – referia-se ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras)
e) O Serviço de Informações de Segurança. [SIS. Um dos dois serviços de Intelligence. O outro é o SIED (Serviço de Informações
Estratégicas de Defesa). Ambos se subordinam ao Secretário-Geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP),
integrado na Presidência do Conselho de Ministros e dependente diretamente do Primeiro-Ministro)
3 - Exercem ainda funções de segurança, nos casos e nos termos previstos na respectiva legislação:
a) Os órgãos da Autoridade Marítima Nacional; [Ministério da Defesa Nacional]
b) Os órgãos do Sistema da Autoridade Aeronáutica [Ministério da Defesa Nacional]
4 - A organização, as atribuições e as competências das forças e dos serviços de segurança constam das respectivas leis orgânicas e
demais legislação complementar.
16

Órgãos de Polícia Criminal de competência genérica


Artigo 3.º LOIC
Órgãos de polícia criminal

1 - São órgãos de polícia criminal de competência genérica:


a) A Polícia Judiciária;
b) A Guarda Nacional Republicana;
c) A Polícia de Segurança Pública.
2 - Possuem competência específica todos os restantes órgãos de polícia criminal.
3 - A atribuição de competência reservada a um órgão de polícia criminal depende de previsão legal expressa.(ver
Lei orgânica de cada um dos OPC)

4 - Compete aos órgãos de polícia criminal:


a) Coadjuvar as autoridades judiciárias na investigação;
b) Desenvolver as acções de prevenção e investigação da sua competência ou que lhes sejam cometidas pelas
autoridades judiciárias competentes.

Artigo 7º LOIC
(ter apenas noção e saber onde encontrar)
Competência da Polícia Judiciária

1 - É da competência da Polícia Judiciária a investigação dos crimes previstos nos números seguintes e dos crimes
cuja investigação lhe seja cometida pela autoridade judiciária competente para a direcção do processo, nos termos
do artigo 8.º
2 - É da competência reservada da Polícia Judiciária, não podendo ser deferida a outros órgãos de polícia criminal, a
investigação dos seguintes crimes:
a) Crimes dolosos ou agravados pelo resultado, quando for elemento do tipo a morte de uma pessoa;
b) Escravidão, sequestro, rapto e tomada de reféns;
c) Contra a identidade cultural e integridade pessoal e os previstos na Lei Penal Relativa Às Violações do Direito
Internacional Humanitário;
d) Contrafacção de moeda, títulos de crédito, valores selados, selos e outros valores equiparados ou a respectiva
passagem;
e) Captura ou atentado à segurança de transporte por ar, água, caminho de ferro ou de transporte rodoviário a que
corresponda, em abstracto, pena igual ou superior a 8 anos de prisão;
f) Participação em motim armado;
g) Associação criminosa;
h) Contra a segurança do Estado, com excepção dos que respeitem ao processo eleitoral;
i) Branqueamento;
j) Tráfico de influência, corrupção, peculato e participação económica em negócio;
l) Organizações terroristas, terrorismo, terrorismo internacional e financiamento do terrorismo;
m) Praticados contra o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro, os
presidentes dos tribunais superiores e o Procurador-Geral da República, no exercício das suas funções ou por causa
delas;
n) Prevaricação e abuso de poderes praticados por titulares de cargos políticos;
o) Fraude na obtenção ou desvio de subsídio ou subvenção e fraude na obtenção de crédito bonificado;
p) Roubo em instituições de crédito, repartições da Fazenda Pública e correios;
q) Conexos com os crimes referidos nas alíneas d), j) e o).
3 - É ainda da competência reservada da Polícia Judiciária a investigação dos seguintes crimes, sem prejuízo do
disposto no artigo seguinte:
a) Contra a liberdade e autodeterminação sexual de menores ou incapazes ou a que corresponda, em abstracto,
pena superior a 5 anos de prisão;
b) Furto, dano, roubo ou receptação de coisa móvel que:
i) Possua importante valor científico, artístico ou histórico e se encontre em colecções públicas ou privadas ou em
local acessível ao público;
ii) Possua significado importante para o desenvolvimento tecnológico ou económico;
iii) Pertença ao património cultural, estando legalmente classificada ou em vias de classificação; ou
iv) Pela sua natureza, seja substância altamente perigosa;
17

c) Burla punível com pena de prisão superior a 5 anos;


d) Insolvência dolosa e administração danosa;
e) Falsificação ou contrafacção de cartas de condução, livretes e títulos de registo de propriedade de veículos
automóveis e certificados de matrícula, de certificados de habilitações literárias e de documento de identificação ou
de viagem;
f) Incêndio, explosão, libertação de gases tóxicos ou asfixiantes ou substâncias radioativas, desde que, em qualquer
caso, o facto seja imputável a título de dolo;
g) Poluição com perigo comum;
h) Executados com bombas, granadas, matérias ou engenhos explosivos, armas de fogo e objectos armadilhados,
armas nucleares, químicas ou radioativas;
i) Relativos ao tráfico de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, tipificados nos artigos 21.º, 22.º, 23.º, 27.º e
28.º do Decreto-Lei n.º 15/93, de 22 de Janeiro, e dos demais previstos neste diploma que lhe sejam participados ou
de que colha notícia;
j) Económico-financeiros;
l) Informáticos e praticados com recurso a tecnologia informática;
m) Tráfico e viciação de veículos e tráfico de armas;
n) Relativos ao exercício ilícito da atividade de segurança privada;
o) Conexos com os crimes referidos nas alíneas d), j) e l).
4 - Compete também à Polícia Judiciária, sem prejuízo das competências da Unidade de Acção Fiscal da Guarda
Nacional Republicana, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e da Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários, a
investigação dos seguintes crimes:
a) Tributários de valor superior a (euro) 500 000;
b) Auxílio à imigração ilegal e associação de auxílio à imigração ilegal;
c) Tráfico de pessoas;
d) Falsificação ou contrafacção de documento de identificação ou de viagem, falsidade de testemunho, perícia,
interpretação ou tradução, conexos com os crimes referidos nas alíneas b) e c);
e) Relativos ao mercado de valores mobiliários.
5 - Nos casos previstos no número anterior, a investigação criminal é desenvolvida pelo órgão de polícia criminal que
a tiver iniciado, por ter adquirido a notícia do crime ou por determinação da autoridade judiciária competente.
6 - Ressalva-se do disposto no presente artigo a competência reservada da Polícia Judiciária Militar em matéria de
investigação criminal, nos termos do respectivo Estatuto, sendo aplicável o mecanismo previsto no n.º 3 do artigo 8.º

Competência da Polícia Judiciária

(ter apenas noção e saber onde encontrar)

• Decreto-lei n.º 137/2019, aprova a nova estrutura organizacional da Polícia Judiciária - (sobretudo
artigos 5.º - competência investigação criminal; art. 6.º - competências processuais; art. 12.º -
dever de cooperação; art. 13.º - dever de comparência;
• Decreto-lei n.º 138/2019, de 13 de Setembro - Estabelece o estatuto profissional do pessoal da
Policia Judiciária, bem como o regime das carreiras especiais de investigação criminal e de apoio
à investigação criminal.
o art. 25.º - deveres profissionais especiais
o art. 26.º - deveres especiais na investigação criminal
o art. 27.º - adopção de providências urgentes (mesmo que se encontrem fora do horário
normal de trabalho)
• art. 39.º - competência para a investigação criminal
• anexo I – conteúdo funcional das categorias profissionais da PJ (coordenador superior de
investigação criminal; coordenador de investigação criminal; inspector-chefe; inspector)
18

o São autoridade policial: coordenador superior de investigação criminal; inspector


coordenador de investigação criminal; inspector chefe. O inspector pode praticar actos
de autoridade de polícia criminal «para efeitos do disposto no Código de Processo Penal,
quando nomeado para o exercício de funções de chefia de brigada»;

• Artigo 7.º da LOIC

Art. 12.º LOIC – Cooperação Internacional


1 - Compete à Polícia Judiciária assegurar o funcionamento da Unidade Nacional EUROPOL e do Gabinete
Nacional INTERPOL.
2 - A Guarda Nacional Republicana, a Polícia de Segurança Pública e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
integram, através de oficiais de ligação permanente, a Unidade e o Gabinete previstos no número anterior.
3 - A Polícia Judiciária, a Guarda Nacional Republicana, a Polícia de Segurança Pública e o Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras integram, através de oficiais de ligação permanente, os Gabinetes Nacionais de
Ligação a funcionar junto da EUROPOL e da INTERPOL.
4 - Todos os órgãos de polícia criminal têm acesso à informação disponibilizada pela Unidade Nacional
EUROPOL, pelo Gabinete Nacional INTERPOL e pelos Gabinetes Nacionais de Ligação a funcionar junto da
EUROPOL e da INTERPOL, no âmbito das respectivas competências.

Guarda Nacional Republicana

(ter apenas noção e saber onde encontrar)

• Lei n.º 63/2007, de 6 de Novembro - Lei Orgânica da GNR


o Art. 1.º Definição

1 — A Guarda Nacional Republicana, adiante designada por Guarda, é uma força de segurança
de natureza militar, constituída por militares organizados num corpo especial de tropas e dotada
de autonomia administrativa.

2 — A Guarda tem por missão, no âmbito dos sistemas nacionais de segurança e protecção,
assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, bem
como colaborar na execução da política de defesa nacional, nos termos da Constituição e da lei.

Art. 3.º - atribuições da GNR


«Desenvolver as acções de investigação criminal [...] que lhe sejam atribuídas por lei, delegadas
pelas autoridades judiciárias ou solicitadas pelas autoridades administrativas»

Artigo 12.º - Autoridades e órgãos de polícia criminal


1 - Para efeitos do Código de Processo Penal, consideram-se:
a) «Autoridades de polícia criminal» as entidades referidas no n.º 1 do artigo anterior;
b) «Órgãos de polícia criminal» os militares da Guarda incumbidos de realizar quaisquer actos
ordenados por autoridade judiciária ou determinados por aquele Código.
2 - Enquanto órgãos de polícia criminal e sem prejuízo da organização hierárquica da Guarda, os
militares da Guarda actuam sob a direcção e na dependência funcional da autoridade judiciária
19

competente.
3 - Os actos determinados pelas autoridades judiciárias são realizados pelos serviços e militares
para esse efeito designados pela respectiva cadeia de comando, no âmbito da sua autonomia
técnica e táctica.

• Decreto-lei n.º 30/2017, de 22 de Março – Estatuto da Guarda Nacional Republicana


o Art. 15.º - poder de autoridade
o Art. 19.º - categorias, carreiras e postos
1. Categoria de oficiais
a. Subcategoria de Oficiais generais, que compreende os postos de tenente-
general e major-general
b. Subcategoria de Oficiais superiores, que compreende os postos de Coronel,
Tenente-coronel e Major
c. Subcategoria de Capitães (posto de capitão)
d. Oficiais subalternos com os postos de tenente e alferes
2. Categoria de sargentos com os postos de sargento-mor, sargento-ajudante,
primeiro-sargento e segundo-sargento)
3. Categoria de guardas com os postos de cabo-mor, cabo-chefe, cabo, Guarda-
principal e guarda)
• LOIC

Polícia de Segurança Pública

(ter apenas noção e saber onde encontrar)

• Decreto-lei n.º 53/2007, de 31 de Agosto - Lei Orgânica da PSP


o Art. 3.º - atribuições
o Art. 6.º - deveres de colaboração
o
Art. 11.º - Autoridades de polícia criminal
1 - Para efeitos do disposto no Código de Processo Penal, consideram-se:
a) «Autoridades de polícia criminal», as entidades referidas no n.º 1 do artigo anterior;
b) «Órgãos de polícia criminal», todos os elementos da PSP com funções policiais incumbidos de realizar
quaisquer actos ordenados por autoridade judiciária ou determinados por aquele Código.
2 - Enquanto órgãos de polícia criminal, e sem prejuízo da organização hierárquica da PSP, o pessoal com
funções policiais da PSP actua sob a direcção e na dependência funcional da autoridade judiciária
competente.
3 - Os actos determinados pelas autoridades judiciárias são realizados pelos elementos para esse efeito
designados pela respectiva cadeia de comando, no âmbito da sua autonomia técnica e táctica.

Art. 10.º - Autoridades de polícia


1 - São consideradas autoridades de polícia:
a) O director nacional;
b) Os directores nacionais-adjuntos;
c) O inspector nacional;
d) O comandante da Unidade Especial de Polícia;
e) Os comandantes das unidades e subunidades até ao nível de esquadra;
f) Outros oficiais da PSP, quando no exercício de funções de comando ou chefia operacional.
2 - Compete às autoridades de polícia referidas no número anterior determinar a aplicação das medidas
de polícia previstas na lei.
20

• Decreto-lei n.º 243/2015, de 19 de Outubro - Estatuto profissional do pessoal com funções


policiais da Polícia de Segurança Pública.
• Art. 10.º - deveres profissionais – n.º 3 - Os polícias, ainda que se encontrem fora do período normal de
trabalho e da área de responsabilidade da subunidade ou serviço onde exerçam funções, devem, até à
intervenção da autoridade de polícia criminal competente, tomar as providências necessárias e urgentes,
dentro da sua esfera de competência, para evitar a prática ou para descobrir e deter os autores de qualquer
crime de cuja preparação ou execução tenham conhecimento.

• Art. 11.º - poder de autoridade;


• Art. 13.º - deveres especiais;
• Art. 61.º - hierarquia de comando;
• Art. 62.º - carreiras e categorias
o Oficial de polícia: superintendente-chefe, superintendente, subintendente, comissário,
subcomissário)
o Chefe de polícia – chefe coordenador, chefe principal, chefe;
o Agente de polícia – agente coordenador, agente principal, agente.
• Art. 66.º - funções policiais
• LOIC

Órgãos de polícia criminal de competência específica (alguns)


• Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
• ASAE – Autoridade de Segurança Alimentar
• Comissão Nacional do Mercado de Valores Mobiliários
• Polícia Judiciária Militar
• Polícia Marítima

O Procurador-Geral da República pode deferir a competência a outro OPC


artigo 8.º LOIC

Competência deferida para a investigação criminal


1 – Na fase do inquérito, o Procurador-Geral da República, ouvidos os órgãos de polícia criminal envolvidos, defere a investigação
de um crime referido no n.º 3 do artigo anterior a outro órgão de polícia criminal desde que tal se afigure, em concreto, mais
adequado ao bom andamento da investigação e, designadamente, quando:
a) Existam provas simples e evidentes, na acepção do Código de Processo Penal;
b) Estejam verificados os pressupostos das formas especiais de processo, nos termos do Código de Processo Penal;
c) Se trate de crime sobre o qual incidam orientações sobre a pequena criminalidade, nos termos da Lei de Política Criminal em
vigor; ou
d) A investigação não exija especial mobilidade de actuação ou meios de elevada especialidade técnica.
2 – Não é aplicável o disposto no número anterior quando:
a) A investigação assuma especial complexidade por força do carácter plurilocalizado das condutas ou da pluralidade dos agentes
ou das vítimas;
b) Os factos tenham sido cometidos de forma altamente organizada ou assumam carácter transnacional ou dimensão
internacional; ou
c) A investigação requeira, de modo constante, conhecimentos ou meios de elevada especialidade técnica.
3 – Na fase do inquérito, o Procurador-Geral da República, ouvidos os órgãos de polícia criminal envolvidos, defere à Polícia
Judiciária a investigação de crime não previsto no artigo anterior quando se verificar alguma das circunstâncias referidas nas
alíneas do número anterior.
4 – O deferimento a que se referem os n.ºs 1 e 3 pode ser efectuado por despacho de natureza genérica do Procurador-Geral da
República que indique os tipos de crimes, as suas concretas circunstâncias ou os limites das penas que lhes forem aplicáveis.
5 – Nos casos previstos nos n.ºº 4 e 5 do artigo anterior, o Procurador-Geral da República, ouvidos os órgãos de polícia criminal
envolvidos, defere a investigação a órgão de polícia criminal diferente da que a tiver iniciado, de entre os referidos no n.º 4 do
mesmo artigo, quando tal se afigurar em concreto mais adequado ao bom andamento da investigação.
6 – Por delegação do Procurador-Geral da República, os procuradores-gerais distritais podem, caso a caso, proceder ao
deferimento previsto nos n.ºs 1, 3 e 5.
7 – Na fase da instrução, é competente o órgão de polícia criminal que assegurou a investigação na fase de inquérito, salvo
quando o juiz entenda que tal não se afigura, em concreto, o mais adequado ao bom andamento da investigação.
21

Conflitos negativos de competências nos OPC – artigo 8.º LOIC


Se dois ou mais órgãos de polícia criminal se considerarem incompetentes para a investigação criminal do mesmo
crime, o conflito é dirimido pela autoridade judiciária competente em cada fase do processo.

*Coordenação dos OPC – Conselho coordenador (art. 13.º LOIC)

*Fiscalização dos OPC – Procurador – Geral da República (artigo 16.º da LOIC)

BIBLIOGRAFIA JURÍDICA COMPLEMENTAR

ANDRADE, Manuel da Costa – Consenso e oportunidade: reflexões a propósito da suspensão provisória do


processo e do processo sumaríssimo. In: O novo Código de Processo Penal. Jornadas de Direto
Processual Penal. Coimbra: Almedina.
ANDRADE, Manuel da Costa – “Bruscamente no Verão passado”. A reforma do Código de Processo Penal:
Observações críticas sobre uma lei que podia e devia ter sido diferente. Coimbra: Coimbra Editores,
2009. (sobretudo na parte em que se ocupa da análise crítica da Lei Quadro de Política Criminal);
BELEZA, Teresa Pizarro – A recepção das regras de oportunidade penal português: resolução de problemas
substantivos? Revista Jurídica, AAFDL, n,º 21, Junho 1997.
CAEIRO, Pedro – Legalidade e oportunidade: a perseguição penal e o mito da “justiça absoluta” e o fetiche
da “gestão eficiente” do sistema. Revista do Ministério Público, ano XXI, n.º 84 (Out. Dez. 2000), p.
31-47.
CALADO, António Marcos – Legalidade e oportunidade na investigação Criminal. Edições Almedina.
CARDOSO, Rui - Intervenção hierárquica no processo penal no novo Estatuto do Ministério Publico –
primeiras notas para a revisitação da questão. Revista do Ministério Público, n.º 159.
CARMO, Rui do – A autonomia do Ministério Público e o exercício da acção penal. Revista do CEJ, n.º 1.
Dossier temático Acusar/Julgar. 2.º semestre (2004).
CENTRO DE ESTUDOS JUDICIÁRIOS - Âmbito da direção efetiva do inquérito pelo Ministério Público e a
delegação de competências nos OPC. Enquadramento jurídico, prática e gestão processual. Limites
à faculdade do Ministério Público em ordenar a detenção de arguido para interrogatório judicial. E-
book. Outubro 2020.
COSTA, Eduardo Maia – Princípio de oportunidade: muitos vícios, poucas virtudes. Revista do Ministério
Público, ano XXII, n.º 85, p. 37-49.
COSTA, José de Faria – As relações entre o ministério público e a polícia: a experiência portuguesa. Boletim
da Faculdade de Direito, vol. LXX. Coimbra: Faculdade de Direito de Coimbra, p. 221-246.
COSTA, José Gonçalves da – Legalidade versus Oportunidade: Legalidade atenuada, oportunidade regulada.
Revista do Ministério Público n.º 83, p. 83-95.
CUNHA, José Damião da – O Ministério Público e os Órgãos de Polícia Criminal: no novo Código de Processo
Penal. Porto: Universidade Católica, 1993.
CUNHA, José Damião da – O relacionamento entre a autoridade judiciária e as polícias no processo penal.
I Congresso de Processo Penal. Coimbra: Almedina, 2005, p. 99-112.
DÂMASO, Euclides – Poderes de hierarquia do Ministério Público em matéria penal à luz do novo Estatuto
do Ministério Público. Revista do Ministério Público, n.º 159.
DIAS, Jorge de Figueiredo; BRANDÃO – Direito Processual Penal: os sujeitos processuais.
Gestlegal.
FERRAJOLI, Luigi – Para um Ministério Público como instituição de garantia. Revista do Ministério Público,
n.º 153. (Jan -Março 2018), p. 9-27.
22

MESQUITA, Paulo Dá – Direcção do Inquérito Penal e Garantia judiciária. Coimbra: Coimbra Editora, 2003.
(sobretudo p. 121 a 164 – relação entre MP e OPC).
MESQUITA, Paulo Dá – Repressão Criminal e iniciativa própria dos órgãos de polícia criminal. I Congresso
de Processo Penal, p. 55-90.
MESQUITA, Paulo Dá –Repressão criminal e iniciativa própria dos órgãos de polícia criminal. I Congresso de
Processo Penal. Coimbra: Almedina, 2005, p. 55 – 90.
MORÃO, Helena – O fundamento constitucional do poder funcional de recurso do Ministério Público em
Processo Penal: a propósito do Acórdão n.º 361/2016 do Tribunal Constitucional. RMP n.º 147 (Jul-
Set 2016), p. 17-190.
LOPES, José Mouraz – Dos actos do Ministério Público e do juiz no inquérito. I Congresso de Processo Penal.
Coimbra: Almedina, 2005, p. 193-214.
PALMA, Fernanda – Da acusação e da pronúncia e a suficiência indiciária. I Congresso de Processo Penal.
Coimbra: Almedina, 2005, p. 113 – 130.
PEDRO, Ricardo - O novo Estatuto do Ministério Público:
O fim da função de representação do Estado pelo MP (?): Killing me softly with this song… with these
(legal) words… Revista do Ministério Público, n.º 159.

LEGISLAÇÃO NACIONAL E INSTRUMENTOS NORMATIVOS INTERNACIONAIS

Constituição da República Portuguesa – artigos 219.º e 220.º);


Código de Processo Penal
• Artigo 48.º a 56.º
• Artigos 39.º a 47.º, com as necessárias adaptações, ex vi legis artigo 54.º
• Art. 241.º - 247.º - notícia do crime
• Artigo 262.º - 285.º - inquérito (por alto, a tramitação será objecto de estudo de Direito Processual
Penal II)
• Outros artigos dispersos pelo Código que estabelecem o âmbito de actuação do Ministério Público
(exemplo: art. 297.º e 302.º na instrução; art. 330.º e 341.º na fase de julgamento, como meros
exemplos)
Lei Quadro de Política Criminal – Lei n.º 17/2006, de 23 de Maio
Lei n.º 96/2017, de 23 de Agosto – Lei de política criminal, que define os objectivos, prioridades e
orientações de política criminal para o biénio 2017-2019
Lei da Organização da Investigação Criminal (LOIC) – Lei n.º 49/2008, de 27 de Agosto;
Despacho n.º 5863/2015, Diário da República de 2 de Junho – Condições de detenção em
estabelecimento prisional (ver em especial artigo 24.º - comunicação da verificação de actos de
violência)
Lei n.º 5/2002, de 11 de Janeiro – Estabelece Medidas de combate à criminalidade organizada
Regime da mediação penal – Lei n.º 21/2007, de 12 de Junho
Página institucional do Ministério Público
Estatuto do Ministério Público – Lei n.º 68/2019, de 27 de Agosto
Pareceres do Conselho Consultivo do Ministério Público
23

JURISPRUDÊNCIA

• Acórdão do Tribunal da Relação de Guimarães, de 25/05/2020. Relator: Paulo Serafim. Descritor:


competência do MP e do JIC no inquérito. No caso, competência para decidir sobre irregularidade de
apreensão efectuada no decurso do inquérito.
o Texto de José António Barreiros, no blog Patologia Social – Pecar e absolver-se do pecado - sobre a
discussão desta questão na comissão revisora do CPP
• Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, de 06/11/2007. Relator: Agostinho Torres. Descritores:
nulidade da acusação por omissão de acto obrigatório.
• Acórdão do Tribunal Constitucional n.º 395/2004. DR n.º 238/2004, de 09 de Outubro. Descritor:
nulidade ou insuficiência de inquérito.
• Acórdão do Tribunal da relação de Lisboa, de 20/03/2018. Relator: Artur Vargues. Descritor:
Declarações prestadas por arguido perante magistrado do Ministério Público na fase de inquérito.
Leitura obrigatória em audiência das aludidas declarações. Prova nula.
• Natureza da Polícia Municipal
• Parecer do Conselho Consultivo da PGR nº28/2008 , DR, II Série de 12-08-2008
o 4.ª As polícias municipais não constituem forças de segurança, estando-lhes vedado o exercício de competências próprias
de órgãos de polícia criminal, excepto nas situações referidas no artigo 3.º, n.ºs 3 e 4, da Lei n.º 19/2004;
o 7.ª Os agentes de polícia municipal podem exigir a identificação dos infractores quando necessário ao exercício das suas
funções de fiscalização ou para a elaboração de autos para que são competentes (artigos 14.º,n.º 2, da Lei n.º 19/2004,
e 49.º do regime geral das contra -ordenações, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 433/82, de 27 de Outubro;
8.ª O não acatamento dessa ordem pode integrar a prática do crime de desobediência previsto e punido pelos artigos
14.º, n.º 1, da Lei n.º 19/2004, 5.º, n.º 2, do Decreto -Lei n.º 40/2000, de 17 de Março, e 348.º, n.º 1, alínea a), do
Código Penal;
9.ª As polícias municipais, no exercício das suas competências de fiscalização do cumprimento das normas de
estacionamento de veículos e de circulação rodoviária [artigos 4.º, n.º 1, alínea b), da Lei n.º 19/2004, e 5.º, [Link] 1,
alínea d), e 3, alínea b), do Decreto -Lei n.º 44/2005, de 23 de Fevereiro], podem exigir aos agentes das contra -
ordenações que verifiquem a respectiva identificação, podendo a sua recusa implicar o cometimento de um crime de
desobediência, nos termos do artigo 4.º, n.º 1, do Código da Estrada e das disposições legais citadas na conclusão
anterior;
10.ª O infractor que tenha recusado identificar -se pode ser detido em caso de flagrante delito pelo agente de polícia
municipal para ser apresentado ao Ministério Público e, eventualmente, ser submetido a julgamento sob a forma de
processo sumário, nos termos dos artigos 255.º, n.º 1, alínea a), do CPP, e 4.º, n.º 1, alínea e), da Lei n.º 19/2004;
11.ª Os agentes das polícias municipais somente podem deter suspeitos no caso de crime público ou semipúblico punível
com pena de prisão, em flagrante delito, cabendo -lhes proceder à elaboração do respectivo auto de notícia e detenção
e à entrega do detido, de imediato, à autoridade judiciária, ou ao órgão de polícia criminal;
• Acórdão do Tribunal da Relação do Porto, de 15/01/2020. Relator: Pedro Vaz Pato
o Sumário:
o I - A validação pela autoridade judiciária da constituição como arguido pelo órgão de polícia criminal justifica-se
como forma de supervisionar a avaliação dos pressupostos da constituição de arguido, ou seja, a correlação entre
a prática do crime indiciado e o suspeito a constituir arguido.
II - Não se torna necessária essa validação quando a constituição se verifica a solicitação do Ministério Público,
depois de este ter avaliado a correlação entre a prática do crime indiciado e o suspeito a constituir arguido.
III - Verificada tal avaliação prévia pela autoridade judiciária, a constituição como arguido perante órgão de polícia
criminal, mesmo que não validada posteriormente, tem efeito interruptivo do prazo de prescrição.

OUTRAS REFERÊNCIAS

Parecer do Conselho Consultivo do Ministério Público de 25/9/2019, sobre impedimentos


Conselho Superior do Ministério Público – 1997 – proposta de maior aposta na formação sobre
investigação criminal no CEJ e que a GNR e PSP assumam as suas competências de investigação
criminal ao mesmo nível que as demais funções.
Conselho Superior do Ministério Público, sobre a relação entre MP e OPC – dependência funcional,
mas independência técnica e táctica

Você também pode gostar