MIMA RENARD
Nascida na França, a jovem tinha um rosto delicado, que era emoldurado pelos seus
cabelos sedosos e bem penteados. Ela sabia se portar em público e, junto de sua beleza
avassaladora, sabia usar sua personalidade para conseguir tudo o que queria.
Assim, já na idade adulta, conheceu e se casou com um belo pretendente chamado René.
Juntos, o casal apaixonado logo tratou de se mudar para o Brasil. Como imigrantes, eles
foram direto até a terra das oportunidades: a Vila de São Paulo.
Uma vez instalados, René e Mima chamaram atenção de toda a comunidade,
principalmente por se tratar de um belo e jovem casal recém-chegado de terras
estrangeiras. Eles eram interessantes demais para escaparem dos brutais boatos da época.
Tudo piorou, contudo, quando as mulheres da vizinhança começaram a prestar atenção no
rosto angelical de Mima. A jovem forasteira logo se tornou uma ameaça: ela era tão bonita
que, apesar de casada, tinha uma fila de pretendentes ao seu dispor.
Companheiro de uma jovem tão bela e cobiçada, René logo se tornou alvo de diversas
agressões e, segundo relatos da época, acabou morto por um homem que estava
interessado em Mima. De repente, a jovem viu-se sozinha, viúva e sem amor.
Sem nunca ter levantado a mão para trabalhar, Mima não teve outra opção a não ser
começar a se prostituir para sobreviver. Seu corpo era seu bem mais precioso, mas a linda
dama precisava se alimentar, precisava de um teto para morar.
Não demorou muito para que o serviço já mal visto da jovem se tornasse sua ruína. Outras
mulheres de São Paulo começaram a duvidar da índole de Mima e, assim, as primeiras
acusações de bruxaria foram feitas.
Na época, a comunidade enxergou em Mima uma mulher ardilosa que, através de bruxaria
e ocultismo, atraía os homens para a sua armadilha. Para elas era mais do que óbvio: Mima
jogava feitiços em todos os pretendentes da vila.
O caso da jovem bruxa se espalhou rapidamente, assim como os boatos a seu respeito, e
Mima logo se tornou um dos nomes mais conhecidos na Caça às bruxas brasileiras. Nesse
momento, ela imaginava que as coisas não poderiam piorar.
Sozinha e inocente, é claro, ela estava errada. Um dia, dois dos clientes de Mima, ambos
casados, entraram em conflito. Da briga, um deles saiu sem vida e foi a jovem quem levou
a culpa pelo assassinato, sendo denunciada pelo crime.
Acusada de bruxaria, Mima Renard foi levada até a paróquia local, onde foi julgada e
condenada por supostos atos de bruxaria. No ano de 1692, então, ela foi executada em
uma fogueira pública, na mesma Vila de São Paulo que a recebeu tão bem de início.