Introdução
O cultivo do tomateiro está presente em diversas regiões agrícolas do
continente africano, destacando-se países como Moçambique, África do
Sul, Quênia e Nigéria. Considerado uma das hortaliças mais difundidas no
mundo, o tomate é uma commodity mundial importante. A tomaticultura
apresenta uma demanda crescente de mercado, destacando-se como
uma cultura que ainda não atingiu o ponto máximo de expansão,
especialmente com o avanço da produção em ambientes protegidos. No
entanto, essa cultura enfrenta desafios significativos, como pragas e
doenças, além da elevada necessidade de insumos agrícolas.
O uso indiscriminado de fertilizantes químicos e pesticidas na agricultura
convencional tem contribuído para o aumento dos custos de produção e
levantado preocupações sobre a qualidade e segurança do consumo in
natura de produtos agrícolas. Em Moçambique e outros países africanos,
há um aumento progressivo no uso de adubos minerais, o que acarreta
impactos ambientais, como a sobrecarga de nutrientes no solo e
contaminação.
Além disso, a murcha bacteriana, causada pelo patógeno Ralstonia
solanacearum, é uma das principais doenças que afetam o tomateiro,
causando prejuízos significativos à produção e impedindo o cultivo
sucessivo na mesma área. Assim, torna-se necessário identificar práticas
agrícolas sustentáveis que aumentem a produtividade e reduzam os
impactos ambientais.
Problema de Estudo
O tomate ocupa um lugar de destaque na alimentação da população
moçambicana e africana. No entanto, a produção enfrenta desafios
consideráveis relacionados a fatores ambientais e nutricionais que
dificultam o desenvolvimento da cultura, como altas temperaturas,
elevada umidade, déficit nutricional e incidência de doenças do solo,
especialmente a murcha bacteriana, que pode causar perdas superiores a
50% das plantas.
Essa situação levanta a necessidade de adotar práticas agrícolas mais
sustentáveis, como o uso de compostos orgânicos, para evitar perdas,
melhorar a produtividade e reduzir os impactos ambientais e econômicos
associados à produção convencional de tomate.
Justificativa
A utilização de adubos orgânicos representa uma alternativa viável para
mitigar os problemas enfrentados na produção de tomate. Esses
compostos promovem a sustentabilidade do solo, reduzem a necessidade
de insumos químicos e contribuem para a biodiversidade. Além disso, o
uso de adubos orgânicos pode ser uma solução econômica para os
pequenos agricultores, pois reduz os custos de aquisição de fertilizantes e
promove a produção de alimentos mais seguros e saudáveis.
Este estudo busca avaliar diferentes compostos orgânicos para identificar
o mais eficiente em termos de rendimento, desenvolvimento fenológico e
qualidade dos frutos, considerando as condições edafoclimáticas de
Moçambique.
Objectivos
Objectivo Geral
Avaliar o efeito de compostos orgânicos (esterco bovino e esterco de
galinha) na produtividade da cultura de tomate da variedade Starke Ayres
em solos arenosos na região de Vilankulo, Moçambique.
Objectivos Específicos
Analisar o desenvolvimento das plantas (altura e vigor) em diferentes
tratamentos com compostos orgânicos.
Determinar a quantidade de flores e frutos por planta nos diferentes
tratamentos.
Avaliar a massa e a qualidade dos frutos obtidos nos tratamentos com
adubos orgânicos.
Estimar a produtividade por hectare nos diferentes tratamentos.
Hipóteses
Hipótese Nula (Ho): Os compostos orgânicos (esterco bovino e esterco de
galinha) não apresentam efeitos significativos no rendimento da cultura
de tomate da variedade Starke Ayres.
Hipótese Alternativa (Ha): Os compostos orgânicos (esterco bovino e
esterco de galinha) apresentam efeitos significativos no rendimento da
cultura de tomate da variedade Starke Ayres.
II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. Contextualização do tomate
O tomate é a hortaliça mais popular na refeição cotidiana. O consumo de
tomate e seus derivados aumentou com o surgimento de diversos
restaurantes e com a constatação do valor do licopeno, pigmento
encontrado em alta concentração em tomates vermelhos, frequentemente
associado à prevenção de doenças como o câncer de próstata.
O cultivo do tomateiro está presente em diversas regiões agrícolas,
destacando-se como uma das olerícolas mais difundidas no mundo, além
de ser uma importante commodity mundial (Borguini, 2006). A
tomaticultura apresenta uma demanda de mercado crescente, mostrando
que sua expansão ainda não atingiu o ponto máximo, especialmente em
ambientes protegidos (Agrianual, 2007).
2.2. Origem e maior produtor
O tomateiro (Solanum lycopersicum L.), anteriormente classificado como
(Lycopersicon esculentum Mill.), tem como centro de origem a região
andina, que se estende do Equador à Colômbia. Embora as formas
ancestrais do tomate sejam originárias dessa área, sua ampla
domesticação ocorreu no México, considerado um centro de origem
secundária (Cardoso, B, 2007).
O maior produtor mundial de tomate é a China, seguida pelos Estados
Unidos, Itália, Turquia e Egito. A produção global atingiu aproximadamente
129,6 milhões de toneladas em 2008.
2.3. Classificação taxonômica
Nome científico: Lycopersicon esculentum Mill.
Origem: Andina
Família: Solanáceae
Ordem: Tubiflorae
Gênero: Solanum
2.4. Ciclo da cultura
Trata-se de uma espécie de ampla capacidade adaptativa, com plantas
herbáceas de ciclo anual, podendo atingir mais de dois metros de altura.
Embora perene, a cultura do tomateiro comporta-se como anual (Filgueira,
A.A., 2008).
2.5. Colheita
A colheita pode ser iniciada 45-55 dias após a florescência ou 90-120 dias
depois da sementeira (Filgueira, A.A., 2008).
2.6. Importância nutricional
O consumo de tomates contribui para uma dieta saudável e equilibrada.
Os frutos são ricos em minerais, vitaminas, aminoácidos essenciais,
açúcares e fibras dietéticas. Contêm elevadas quantidades de vitaminas B
e C, ferro e fósforo. Os tomates podem ser consumidos frescos, em
saladas, cozidos em molhos, sopas, carnes, ou pratos de peixe. Também
são processados em purês, sucos, ketchup, enlatados e secos, sendo
produtos de grande importância econômica (ABAk, et al., 1994).
2.7. Propagação
De acordo com Fiori, M.P. (2006), a propagação da cultura do tomate é
frequentemente realizada por meio de sementes. II. REVISÃO
BIBLIOGRÁFICA
2.8. Sistemas de cultivo
No contexto de Moçambique e outras regiões da África, o cultivo de
hortaliças sob casas de vegetação tem vindo a ganhar relevância. Nos
últimos anos, a implementação de estufas agrícolas tem sido uma prática
crescente, especialmente em zonas com alta precipitação, onde a
produção em campo aberto enfrenta dificuldades devido ao
encharcamento do solo e aos danos causados diretamente pelos períodos
de chuvas intensas. Este sistema permite ao agricultor produzir durante
todo o ano, garantindo maior segurança alimentar e oferta contínua de
hortaliças no mercado (Chambisso, P. et al., 2015).
2.9. Hábito de crescimento do tomateiro
As plantas de tomateiro podem ser classificadas em dois tipos principais
quanto ao hábito de crescimento:
Hábito Indeterminado: Cultivares de mesa, tutoradas e podadas, com
caule que pode atingir até 2,5 m de altura. Estas plantas apresentam
dominância apical, o que limita o crescimento das gemas laterais (Sitoe,
A. et al., 2016).
Hábito Determinado: Geralmente associado às cultivares destinadas à
agroindústria e ao cultivo rasteiro. Essas plantas crescem de forma mais
uniforme, atingindo cerca de 1 m de altura, e formam uma estrutura de
moita com menor vigor vegetativo. São indicadas para produção em larga
escala devido à sua colheita mais prática e produtiva (Kaunda, N. et al.,
2017).
2.9.1. Hábito indeterminado
Este hábito é predominante em cultivares destinadas ao consumo in
natura, especialmente aquelas produzidas sob manejo intensivo. O
tutoramento e a poda são práticas fundamentais neste tipo de cultivo,
permitindo que as plantas atinjam o seu potencial produtivo e a qualidade
desejada para o mercado (Chambisso, P., 2015).
2.9.2. Hábito determinado
Cultivares com hábito determinado apresentam características ideais para
cultivos mecanizados e em grande escala. Sua estrutura permite uma
distribuição uniforme dos frutos e facilita o manejo durante a colheita
(Kaunda, N., 2017).
2.10. Efeito dos compostos orgânicos na produção de tomate
Estudos realizados em Moçambique e outros países africanos têm
demonstrado os efeitos positivos do uso de compostos orgânicos, como
esterco de bovino e de galinha, na produtividade do tomateiro (Solanum
lycopersicum).
Esterco de Bovino: Pesquisas realizadas por Sitoe, A. et al. (2016)
mostraram que o uso de esterco de bovino resultou em maior altura das
plantas e maior número de frutos por planta, em comparação ao esterco
de galinha. Em cultivos irrigados, a produtividade foi de até 6.800 kg/ha,
utilizando 5 kg de esterco por planta.
Esterco de Galinha: Embora menos eficiente que o esterco de bovino em
alguns parâmetros, ainda contribuiu significativamente para o aumento
do número e da massa de frutos por planta. A aplicação de doses
ajustadas proporcionou um rendimento médio de 25 frutos por planta
(Chambisso, P. et al., 2015).
Os estudos também destacaram que a combinação dos dois compostos
orgânicos resultou em frutos com maior massa e qualidade superior,
especialmente em sistemas irrigados. Este manejo é essencial para
agricultores que buscam aumentar a produtividade e a sustentabilidade
das suas práticas agrícolas.
Aspectos adicionais
Além do uso de compostos orgânicos, a rotação de culturas e o manejo
integrado de pragas são estratégias recomendadas para maximizar o
rendimento do tomateiro em África. Adicionalmente, a adoção de
cultivares resistentes a condições climáticas adversas e ao ataque de
pragas comuns, como a traça-do-tomateiro (Tuta absoluta), pode
contribuir para o sucesso do cultivo (Chilundo, J. et al., 2018).
A pesquisa agrícola em Moçambique deve continuar a focar na
disseminação de práticas agrícolas sustentáveis, promovendo o uso de
insumos acessíveis aos pequenos agricultores e tecnologias adaptadas às
condições locais.