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Cultura e História: Encruzilhadas Urbanas

O documento discute o conceito de cultura na história, destacando sua complexidade e a evolução do campo da História Cultural, que se expandiu nas últimas décadas. Aborda a importância de diferentes interpretações e representações da cidade ao longo do tempo, enfatizando a interação entre cultura e urbanização. Além disso, menciona contribuições de teóricos relevantes e a necessidade de uma abordagem mais inclusiva e abrangente na historiografia.

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Cultura e História: Encruzilhadas Urbanas

O documento discute o conceito de cultura na história, destacando sua complexidade e a evolução do campo da História Cultural, que se expandiu nas últimas décadas. Aborda a importância de diferentes interpretações e representações da cidade ao longo do tempo, enfatizando a interação entre cultura e urbanização. Além disso, menciona contribuições de teóricos relevantes e a necessidade de uma abordagem mais inclusiva e abrangente na historiografia.

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DISCIPLINA: HISTÓRIA, CULTURA E

CIDADES
Professora Esp. Jacqueline Micaelle [Link]çalves
UNIDADE I
CULTURA NUMA ENCRUZILHADA: DISCUSSÕES SOBRE O CONCEITO DE CULTURA NA
HISTÓRIA (MARTINS, 2012)
A Natureza dos homens é a mesma, são
seus hábitos que os mantém separados.
Confúcio.
REFLEXÕES:

• Cultura: Encruzilhada de significados e sentidos.


• A palavra cultura pode estar relacionada a diferentes sinônimos. (educação, conhecimento,
lavoura, artes e produção humana)

• A atribuição do conceito de cultura a um povo é desafiadora, pois os fazeres humanos não são
estáticos, estão em constante movimentos e são reinventados, como destacado por Hobsbawm
em “A Invenção das Tradições”. Ou mesmo os processos de resistências, de individualidades de
personificação tais como os sugeridos por Michel de Certeau.

• Advento da História Cultural trouxe implicações significativas para a metodologia e para a teoria
da
História.

• É fundamental a discussão sobre o conceito cultura, sobretudo pra a História.


• História Cultural tem sido objeto de pesquisas e estudos de muitos teóricos da História. Entre
eles Peter Burke com a obra “O que é História Cultural?”, Roger Chartier “História Cultural: entre
práticas e representações”, Jacques Le Goff, Roger Chartier e Jacques Revel “A História Nova”,
e, para citar um exemplo nacional: “História e História Cultural” de Sandra Jatahy Pesavento.
• Fundamental a necessidade de conceituação, ou ao menos, a tentativa de tornar um pouco mais
evidente o que a palavra Cultura pode representar para a História.
• Diferentes conceitos sobre cultura poderão servir de direção para o historiador.
• Segundo Bronislaw Malinowski pode-se entender “Cultura” como sendo “as heranças de
artefatos, bens, processos técnicos, ideias, hábitos e valores” de uma determinada sociedade.
Para Edward Taylor é “todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume
e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade” (Apud BURKE,
2004, p. 43). Conceitos que vieram da Antropologia e adotados pelos historiadores da cultura.

• Assim ao se escrever História tendo como viés a cultura é fundamental concebê-la como formas
de expressão e de tradução de uma dada realidade que se decodifica por meio dos mais variados
símbolos os quais, via de regra, todos devidamente “cifrados” por aquela “Cultura” em
transformação.

• A tarefa do historiador consiste em investigar como e tentar precisar quando esse ou aquele
significado (ou valor cultural) foi construído, fornecido, dado a ler naquele tempo e lugar e
quais suas intenções para ser apresentado daquela forma e não outra.
HISTÓRIA CULTURAL: UM PANORAMA TEÓRICO E HISTORIOGRÁFICO.
(BARROS, 2003)
• A História Cultural — campo historiográfico que se toma mais preciso e evidente a partir das
últimas décadas do século XX.
• Modalidade que tem primado pela riqueza de possibilidades que abrem aos historiadores que
as praticam, por vezes com perspectivas antagônicas entre si.
• Os historiadores do século XIX se orientavam em geral por uma noção muito restrita de
'cultura’. (arte e literatura – cultura letrada – historiografia elitizada)
• Ignoravam todas as manifestações populares, bem como, qualquer objeto produzido pelo
homem como fazendo parte da cultura e negligenciava-se o fato de que toda a vida humana está
inquestionavelmente mergulhada no mundo da cultura.
• Diferentes conceitos sobre História Cultural;
• Inúmeros objetos da História Cultural – cinco eixos fundamentais: objetos culturais; sujeitos;
práticas; processos e padrões.
• Thompson – importante contribuição para a História Cultural (volta-se para a sociedade, numa
perspectiva popular, marginal...) e influência no Brasil.
• Contribuição do Roger Chartier, Michel de Certeau e Pierre Bordeau – conexão entre a
História Cultural e a História Política.

ENTRE HISTÓRIA URBANA E HISTÓRIA DA CIDADE: QUESTÕES E


DEBATES (MONTEIRO, 2012)
• Pensar a cidade e o urbano no campo dos estudos históricos;
• Múltiplas interpretações sobre a cidade;
• O habitante confere significados e sentidos às suas práticas no espaço urbano;
• No passado, médicos, sanitaristas, engenheiros, urbanistas, políticos e homens de letras
pensaram e produziram seus discursos de poder, normatização e controle sobre a cidade e seus
habitantes.
• No presente, historiadores, geógrafos, sociólogos e antropólogos também produzem seus
discursos e suas imagens de cidade ao tentar explicá-la.

• Categoria de cidade muda ao longo do tempo – Grécia, Roma, Idade Média, Moderna....
• Século XIX e XX – Acelera o processo de urbanização – novos conceitos, novas categorias de
cidade;

• Até início do século XX – a biografia da cidade – escrita por quem não era especialista em
História. (narrativas cronológicas, não sistemática e não tinha suporte teórico);
A IMAGINAÇÃO DA CIDADE NA HISTÓRIA E NAS CIÊNCIAS SOCIAIS – DA LEITURA
INSTITUCIONAL ÀS ABORDAGENS COMPLEXAS (BARROS, 2012)
• Reflexão sobre a Cidade como uma forma específica de organização social;
• Atentando para a surgimento de um pensamento científico desde o século XIX e que,
particularmente, adquire especial desenvolvimento no século XX;
• Diferentes representações sobre a cidade desde a antiguidade – representação por meio de
obras visuais, literárias, teatrais, recentemente cinematográfica;
• A cidade como instituição – vista assim pelos estudiosos oitocentistas: Fustel de Coulanges em
“Cidade Antiga” – família, propriedade e religião; Glotz: a cidade se constitui por família, cidade
e indivíduo.
• Século XX – A cidade não será mais vista exclusivamente a partir do modelo políticoinstitucional.
Surgem novos conceitos;
• Ciências humanas no século XX e as cidades – novas metáforas. (“imã”, “centro”, “periférico”,
“retículo urbano”, “armadura urbana”, “dominância metropolitana”, “continuum urbano-rural;
• Braudel – define a cidade como lugar de troca....
• Diferentes representações contemporâneas sobre as cidades:
• Diferentes representações contemporâneas sobre as cidades:
• “Cidade como artefato” (maior artefato produzido pelo homem – pode ser contemplado)
• “Cidades Cósmicas” – seus traços são concebidos em função de algum sentido mítico;
• “Cidades práticas” – imagem que mais se adapta a esse tipo de cidade é a “máquina”, ou do
artefato mecânico – são cidades que crescem de acordo com suas necessidades materiais;
• “Cidades orgânicas” – vão se formando e crescendo mais ou menos a maneira dos organismos
vivos, adaptando-se....;
• “Cidades fechadas” – Cidades medievais – muradas.....e cidades industriais, não fisicamente;
• “Cidades sob tutela” – Cidades modernas do século XV – “cidades dominadas” – Grandes
avenidas e praças como sinal de ligação do cidadão com o Estado;
• “Cidades jardins” – cidade modelo - Sua ideia era combinar a vocação dinâmica da cidade com a
beleza e saúde da vida no campo;
• “Os modelos biológicos” - duas vertentes: comparação da cidade com “organismo vivo” – várias
órgãos, funções diversas; “ambiente ecológico” – sua interação com os outros e com o ambiente
inorgânico. A cidade como organismo – Termos vinculados às Ciências Sociais: “crescimento”,
“artéria”, “coração”, “função”;
• “Cidade-texto” – o leitor seria o seu habitante ou o visitante.
REFERÊNCIAS
• BARROS, José D.'Assunção. História Cultural: um panorama teórico e historiográfico. TEXTOS
DE HISTÓRIA Revista do Programa de Pós-graduação em História da UnB., v. 11, n. 1-2, p.
145-172, 2003.

• BARROS, José D.’Assunção. A imaginação da cidade na história e nas ciências sociais: da leitura
institucional às abordagens complexas. URBANA: Revista Eletrônica do Centro Interdisciplinar
de Estudos sobre a Cidade, v. 4, n. 1, p. 213-240, 2012.

• MARTINS, Marcelo Sabino. Cultura numa encruzilhada: discussões sobre o conceito de cultura na
história. Revista Labirinto (UNIR), v. 16, p. 36-46, 2012.

• MONTEIRO, Charles. Entre história urbana e história da cidade: questões e debates. Oficina do
historiador, 2012.

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