A COMUNICAÇÃO NO MEIO
PROFISSIONAL
Karina Miranda Machado Borges Cunha1
Resumo: A comunicação faz par- informações. Não existem mais povos, preocupações ambientais,
te de nossa vida, principalmente fronteiras entre os povos, os quais etc. Estamos todos unidos, media-
nos dias atuais. frequentemente estabelecem con- dos pelo quê? Pela comunicação.
Palavras-chave: informação, tatos mesmo estando em países O estabelecimento de contatos
imagem e globalização. e, até mesmo, continentes dife- para o intercâmbio de experiên-
rentes. Dessa forma, pessoas que cias, informações e conhecimen-
Abstract: The communication is querem crescer profissionalmente tos se dá basicamente por meio
part of our life, especially nowa- necessitam se adequar ao novo da comunicação entre as pessoas.
days. panorama mundial, aperfeiçoan- Para que isso ocorra de forma efi-
Keywords: information, image do cada vez mais suas habilidades caz, é preciso que haja envolvi-
and globalization. comunicativas. mento tanto do locutor quanto do
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De acordo com Touraine, “a interlocutor no decorrer do pro-
O surgimento da comunicação2 imagem sugerida pela globaliza- cesso, independente do canal uti-
está ligado à necessidade dos ho- ção é a de redes de informática e lizado para a comunicação. Além
mens de trocar ideias e experiên- de intercâmbios que podem não disso, a mensagem deve ser trans-
cias uns com os outros. A partir do ter praticamente nenhuma exis- mitida de forma clara e objetiva.
momento em que passamos a vi- tência material, (...)” (2007, p. Neste momento, torna-se ne-
ver em sociedade, temos buscado 33). Nesse sentido, entende-se que cessário abordar sobre os concei-
cada vez mais desenvolver nos- podemos nos comunicar uns com tos utilizados no parágrafo ante-
sas habilidades em comunicação, os outros independentemente do rior, em que foram mencionados
bem como os meios pelos quais país em que estejamos, sem preci- os elementos da comunicação,
ela é processada. A comunicação sar haver um encontro presencial, definidos primeiramente pelo
faz parte de nossa vida, princi- utilizando para isso, diferentes linguista russo Roman Jakobson.
palmente nos dias atuais, em que meios, tais como, internet, tele- Numa situação comunicativa,
vivemos na “Era da Informação”, fones fixos ou móveis, iphones, seja oral ou escrita, há sempre
ou seja, numa sociedade que se dentre outros. Atualmente, esta- um emissor que transmite a men-
desenvolve por meio da criação, mos conectados por uma rede que sagem (tudo aquilo que o emis-
implementação e intercâmbio de une sociedades, lugares, culturas, sor transmite) para um receptor
1
Professora de Língua Portuguesa da Faculdade Delta. Formada em Fonoaudiologia e em Letras – Português e Inglês, especialista em Língua
Portuguesa e mestranda em Letras e Linguística.
2
“Comunicação é o intercâmbio mental entre os homens feito por meio da linguagem ou da mímica.” (CAMARA JUNIOR, 2001, p. 77)
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(aquele que recebe a mensagem) mitido. Ele deverá prestar atenção que ter em mente uma enorme
por meio de um canal (meio físi- no intuito de apreender a mensa- quantidade de informações que
co por onde é transmitida a men- gem e fazer um julgamento dessa, nos chegam a todo o momento.
sagem), utilizando-se um código para que a comunicação possa ser Uma pessoa capaz de se comu-
(conjunto de signos, verbais ou estabelecida. Além disso, poderá nicar bem é aquela que conhece
não-verbais), sobre um referen- fazer uso de inferências, relacio- sobre vários assuntos, está conec-
te (assunto da comunicação). nando o que está lendo ou ouvin- tada com as notícias atuais, com o
Quando todos esses elementos do a outro assunto de seu conhe- que se passa no mundo. Para isso,
funcionam adequadamente, pode- cimento, estabelecendo conexões é preciso saber discernir o que é
mos dizer que a comunicação foi entre seu conhecimento de mundo importante conhecer e o que não
efetivada. Então, quando alguém e a nova informação. Pois a partir é tão necessário, pois as informa-
vai se comunicar e quer se fazer dessa reflexão, poderá dar a sua ções são veiculadas com tamanha
entendido, é preciso que se certi- contribuição, lembrando que a co- velocidade que nos chegam sem
fique de que todos os elementos municação não é um ato passivo, passar por um filtro. Dessa forma,
estão funcionando da melhor ma- em que um fala e o outro escuta. o filtro devemos ser nós mesmos,
neira possível. Pelo contrário, trata-se de um ato com nossa sabedoria para separar
A comunicação está direta- extremamente ativo, em que há aquelas que serão úteis e aquelas
mente ligada ao envolvimento uma mudança constante entre os que não serão.
dos interlocutores no processo, papéis desenvolvidos por locutor Ao falarmos de comunicação e
visto que isso interfere sobrema- e interlocutor. veiculação de informações, o que
neira no sucesso da transmissão Atualmente, em busca de cres- vem a nossa mente? Os meios de
das mensagens, na compreensão cimento e valorização, os profis- comunicação, evidentemente, os
da informação e nas relações in- sionais estão percebendo cada quais funcionam como instrumen-
terpessoais. Ao interagir, é pre- vez mais a importância da comu- tos que propagam informações de
ciso que o locutor se expresse nicação nas relações interpessoais todos os tipos. Ao transmitir infor-
bem para que seu interlocutor o nos ambientes de trabalho. Saber mações, tais meios também estão
entenda. Para isso, é preciso utili- comunicar é ter empatia3 com o criando e difundindo culturas va-
zar uma linguagem acessível, que próximo, conquistando a confian- riadas, além de diferentes línguas,
atenda às expectativas de seu in- ça das pessoas ao redor; também que se fundem e, às vezes, até se
terlocutor, ou seja, o emissor deve é apresentar competências lin- confundem entre si. Por isso, tor-
estar atento às pistas oferecidas guísticas que facilitam a expres- na-se cada vez mais necessária a
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no momento da comunicação. são verbal em qualquer momento, aprendizagem de outras línguas,
Qual é o nível de escolaridade do sem que haja desvios suficientes para que o profissional seja bem
interlocutor? Qual é o assunto de para colocar em risco a imagem sucedido no mercado de trabalho.
interesse de ambos? E o principal, do locutor e da empresa que re- A aprendizagem de outras lín-
o interlocutor está compreenden- presenta; além disso, é saber ou- guas, assim como o domínio de
do o que o emissor está transmi- vir atentamente o outro. Talvez sua própria, possibilita ao profis-
tindo? No momento da interação, essa seja uma das competências sional um diferencial que pode
quando presencial, as expressões mais exigidas atualmente, pois levá-lo a ser disputado pelas me-
faciais e corporais são espécies de são tantas as informações trans- lhores empresas, principalmente
“termômetros”, que apresentam o mitidas ao mesmo tempo, que a as multinacionais, que necessitam
grau de inteligibilidade do recep- pessoa deve estar atenta, a fim de de pessoas que saibam se comu-
tor. distinguir aquelas que têm maior nicar bem. Não adianta ser uma
O interlocutor também tem sua importância em sua vida pessoal pessoa formada em determinada
responsabilidade nesse proces- e profissional. área, ter uma pós-graduação, mas
so, visto que lhe cabe a parte da Quando falamos que estamos ter dificuldade em comunicação.
atenção, percepção e julgamento na “Era da Informação”, ou seja, É preciso saber como proceder
daquilo que lhe está sendo trans- na época da Globalização4, temos em uma reunião, falar com os
3
Empatia quer dizer sentir o mesmo que o outro, imaginar-se em seu lugar, entender seus sentimentos, ideias, motivos e ações.
4
“A globalização é o termo da atualidade para expressar as interrelações econômicas, políticas, de segurança, culturais e pessoais entre os
indivíduos, os países e os povos, dos mais próximos aos mais distantes lugares do planeta.” (SACRISTÁN, 2007, P.17)
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clientes, com os superiores, saber de gírias e expressões populares ções básicas para cursos superiores.
redigir documentos, e-mails, etc. não é muito aceitável. Ao contrá- 6ª ed. São Paulo: Atlas, 1999.
Resumindo, tudo o que fará em rio dos jargões técnicos, os quais
sua vida profissional, terá a co- são bastante utilizados pelos pro- BAGNO, Carlos. Nada na língua é
municação como prioridade, por fissionais em geral. por acaso – por uma pedagogia da
isso é imprescindível a busca pela Aquilo que comunicamos ao variação linguística. São Paulo: Pa-
competência linguística o quanto outro e o modo como fazemos isso rábola Editorial, 2007.
antes. se relacionam intrinsecamente
Como alcançar a competência com aquilo que somos. A comuni- CAMARA JR, J. Mattoso. Dicioná-
linguística? Na verdade, não há cação é uma necessidade humana rio de linguística e gramática. 22ª ed.
uma receita para isso. O interes- efetivada a partir de uma língua Petrópolis: Vozes, 2001.
sado pode começar pela leitura, compartilhada pelos membros de
que é a base para qualquer co- uma dada sociedade. Por sua vez, SACRISTÁN, José Gimeno. A edu-
nhecimento e/ou ação, acreditan- língua é uma atividade coletiva, cação que ainda é possível – ensaios
do no fato de que a recepção da utilizada na comunicação como sobre uma cultura para a educação.
linguagem antecede sua expres- uma ferramenta e, muitas vezes, Porto Alegre: Artmed, 2007.
são. Observando uma criança que tida como símbolo de identidade
aprende a falar, percebemos que social. É por isso que as pesso- SAPIR, Edward. A linguagem – In-
primeiro ela ouve e compreende o as precisam dominar tanto uma trodução ao estudo da fala. Trad. de J.
que lhe é transmitido (recepção), como a outra, a fim de que colham Mattoso Câmara Jr. 2ª edição. Rio de
para depois emitir as palavras e os frutos desse conhecimento, o Janeiro: Livraria Acadêmica, 1971.
conversar com as pessoas (ex- qual é comum a todos. Afinal, a
pressão e interação). Outro passo língua portuguesa é a língua que TOURAINE, Alain. Um novo pa-
seria a prática, em que a pessoa falamos desde que nascemos e faz radigma – para compreender o mun-
deve utilizar as palavras de forma parte de nossas vidas, como uma do de hoje. 3ª ed. Petrópolis: Vozes,
monitorada, buscando a melhor herança cultural. 2007.
performance comunicativa pos-
sível. Isso quer dizer utilizar uma REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFI-
linguagem clara e objetiva que CAS
leve a mensagem ao seu interlo-
cutor de forma eficaz. No meio ANDRADE, M. M. de & HENRI-
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profissional, por exemplo, o uso QUES, A. Língua portuguesa: no-
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