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Historiadores e o Estado Absolutista no Brasil

Os historiadores Luiz Felipe de Alencastro, João Fragoso e Laura de Mello e Souza oferecem novas perspectivas sobre a formação do Brasil colonial, questionando visões tradicionais da história. Alencastro destaca a importância do tráfico de escravos e a articulação do Brasil no espaço atlântico, Fragoso analisa a adaptação do Antigo Regime europeu ao contexto colonial, e Laura de Mello e Souza investiga o controle simbólico exercido pela Igreja e pela Inquisição. Juntos, eles ampliam a compreensão do Estado colonial como uma continuidade do absolutismo, operando por vias militar-econômicas, político-sociais e cultural-religiosas.

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Historiadores e o Estado Absolutista no Brasil

Os historiadores Luiz Felipe de Alencastro, João Fragoso e Laura de Mello e Souza oferecem novas perspectivas sobre a formação do Brasil colonial, questionando visões tradicionais da história. Alencastro destaca a importância do tráfico de escravos e a articulação do Brasil no espaço atlântico, Fragoso analisa a adaptação do Antigo Regime europeu ao contexto colonial, e Laura de Mello e Souza investiga o controle simbólico exercido pela Igreja e pela Inquisição. Juntos, eles ampliam a compreensão do Estado colonial como uma continuidade do absolutismo, operando por vias militar-econômicas, político-sociais e cultural-religiosas.

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Esses três historiadores — **Luiz Felipe de Alencastro**, **João Fragoso** e **Laura de Mello e

Souza** — são fundamentais para compreender a formação do Brasil colonial a partir de **novas
perspectivas historiográficas**, que, embora diferentes entre si, convergem em questionar visões
excessivamente institucionalistas ou teleológicas da história do Brasil. Cada um deles oferece uma
abordagem que ajuda a **refinar o entendimento das linhagens do Estado absolutista no Brasil**,
deslocando o foco para aspectos como economia atlântica, redes de poder local e cultura política da
colonização.

A seguir, apresento um panorama analítico de cada um:

---

## 📘 **Luiz Felipe de Alencastro**

### Obra central: *O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul* (2000)

### 🔍 Perspectiva:

* O Brasil é interpretado como parte de um **espaço atlântico sul**, articulado com a África e a Europa,
**formando uma unidade imperial que transcende o continente americano**.

* Enfatiza a **importância do tráfico negreiro** e da escravidão como eixo organizador do Estado e da


sociedade colonial.

### 🏛 Relação com o Estado absolutista:

* Mostra como o **Estado português usou o tráfico de escravos como política de Estado**, regulando e
lucrando com ele.

* A escravidão era **institucionalizada, fiscalizada e protegida** por mecanismos estatais, reforçando o


caráter patrimonialista e autoritário do poder colonial.

* A presença do **Estado como garantidor da ordem escravista e mercantilista** reafirma sua


**herança absolutista e centralizadora**, mesmo que mediada por agentes locais.
---

## 📘 **João Fragoso**

### Obra central: *O Antigo Regime nos trópicos* (com Manolo Florentino, 2001)

### 🔍 Perspectiva:

* Argumenta que o Brasil colonial **não deve ser visto como “pré-moderno” ou “primitivo”**, mas
como uma **variante do Antigo Regime europeu**.

* O Brasil seria um “Antigo Regime nos trópicos”: uma sociedade **estamental, clientelista e
escravista**, onde o Estado absolutista se adaptou ao contexto colonial.

### 🏛 Relação com o Estado absolutista:

* O poder não era apenas centralizado: era **negociado com elites locais**, que exerciam um poder
político próprio em nome da Coroa.

* As **redes de clientela e de prestígio pessoal** eram fundamentais para o funcionamento do Estado


colonial, reforçando traços **personalistas e patrimonialistas**.

* Fragoso propõe que o **modelo luso-brasileiro é uma tradução colonial do Antigo Regime europeu**,
sem que isso implique em “atraso” — é uma forma coerente dentro de uma lógica própria.

---

## 📘 **Laura de Mello e Souza**

### Obra central: *O diabo e a terra de Santa Cruz* (1986)

### 🔍 Perspectiva:
* Estuda o **imaginário, a religiosidade e a cultura política do Brasil colonial**, especialmente o papel
da Inquisição e da Igreja como braços do poder.

* Analisa como as crenças, superstições e a perseguição ao “demoníaco” foram formas de **controle


social e cultural**, legitimadas pelo Estado e pela Igreja.

### 🏛 Relação com o Estado absolutista:

* Mostra que o Estado luso-brasileiro agia **não só pela força, mas pelo controle simbólico** da
população.

* A **Igreja Católica e a Inquisição**, fortemente articuladas ao Estado absolutista, atuavam como


**instrumentos de disciplinamento social e político**, fortalecendo o poder régio.

* A cultura da dominação se ancorava também em práticas simbólicas e religiosas, que **reforçavam


hierarquias e obediência**, compondo uma estrutura de poder totalizante.

---

## 📌 **Convergências entre os três autores**

| Elemento | Alencastro | Fragoso | Laura de Mello e


Souza |

| ------------------------- | -------------------------------------------- | -------------------------------------------- |


------------------------------------------ |

| **Foco** | Economia atlântica e escravidão | Estrutura social e política colonial |


Imaginário, cultura e controle simbólico |

| **Estado absolutista** | Controlador do tráfico e da ordem escravista | Adaptado às elites locais;


modelo estamental | Repressor simbólico via religião e cultura |

| **Instrumentos de poder** | Burocracia comercial e militar | Redes clientelistas e privilégios


| Inquisição, Igreja, imaginário do medo |

---
## ✍️Conclusão

Esses autores ampliam o entendimento do Estado colonial e sua continuidade com o Estado absolutista,
mostrando que ele não se restringia a instituições formais, mas operava por múltiplas vias:

* **Militar-econômica** (Alencastro),

* **Político-social** (Fragoso),

* **Cultural-religiosa** (Laura de Mello e Souza).

Todos eles reforçam a ideia de que o Estado brasileiro, em sua gênese, **é herdeiro de um absolutismo
adaptado ao trópico**, marcado por centralização, clientelismo, escravidão e controle simbólico.

---

Se quiser, posso montar uma **tabela comparativa mais detalhada**, elaborar um **roteiro de
leitura** dessas obras ou ajudar a construir uma **argumentação crítica** com base nesses autores
para um trabalho ou projeto específico. Deseja seguir por algum desses caminhos?

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