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Linhagens do Absolutismo no Brasil

O documento analisa as influências do Estado absolutista europeu, especialmente português, na formação do Estado brasileiro, destacando linhagens históricas, políticas e institucionais. Identifica características do absolutismo ibérico, colonial e imperial, além de persistências na República, como centralismo político e clientelismo. Autores como Raymundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda são citados para fundamentar a análise das heranças políticas e sociais do Brasil.

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Linhagens do Absolutismo no Brasil

O documento analisa as influências do Estado absolutista europeu, especialmente português, na formação do Estado brasileiro, destacando linhagens históricas, políticas e institucionais. Identifica características do absolutismo ibérico, colonial e imperial, além de persistências na República, como centralismo político e clientelismo. Autores como Raymundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda são citados para fundamentar a análise das heranças políticas e sociais do Brasil.

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A expressão **"linhagens do Estado absolutista no Brasil"** pode ser entendida como uma tentativa de

traçar os elementos históricos, institucionais e ideológicos que foram herdados ou adaptados do modelo
de Estado absolutista europeu — especialmente português — e que influenciaram a formação e
consolidação do Estado brasileiro, sobretudo durante o período colonial, o Império e, em certa medida,
até a República.

Aqui está um panorama dividido em **linhagens históricas, políticas e institucionais**:

---

### 1. **Linhagem Ibérica/Portuguesa do Absolutismo**

O Brasil, como colônia de Portugal, herdou características do **Estado absolutista lusitano**, marcado
por:

* **Centralização do poder no rei**: O monarca era a fonte suprema da lei e da autoridade, sem divisão
de poderes.

* **Fusão entre Igreja e Estado**: O padroado régio dava ao rei controle sobre os assuntos eclesiásticos
nas colônias.

* **Personalismo e patrimonialismo**: A administração do Estado confundia-se com os interesses


pessoais do soberano e das elites.

* **Uso da burocracia como extensão do poder real**, com cargos distribuídos como favores
(clientelismo).

---

### 2. **Linhagem Colonial: Estado Administrativo e Controlador**

No Brasil colônia, o absolutismo manifestou-se por meio de:

* **Capitanias hereditárias e governo-geral**: Centralização da autoridade nas mãos de representantes


da Coroa.

* **Presença de instituições de controle e fiscalização**, como os ouvidores, provedores e


corregedores.

* **Monopólios comerciais e controle da economia**, sob lógica mercantilista.

* **Militarização e repressão** para conter rebeliões e manter a ordem colonial.

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### 3. **Linhagem Imperial (1822–1889): Absolutismo moderado**

Embora o Brasil tenha se tornado um império constitucional, traços absolutistas persistiram:

* **Poder Moderador (Constituição de 1824)**: Dado ao imperador, era um poder "neutro" acima dos
demais, com grande autonomia, uma herança clara do absolutismo.

* **Monarquia centralizada e autoritária**, apesar da fachada constitucional.

* **Manutenção da escravidão**, associada à concentração de poder e interesses das elites.

* **Clientelismo e coronelismo em formação**, com forte vínculo entre Estado e grandes proprietários.

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### 4. **Persistências na República**

Apesar da proclamação da República em 1889, **elementos do absolutismo perduraram**, como:

* **Centralismo político** disfarçado em federalismo.

* **Autoritarismo institucionalizado** em vários regimes (ex: Estado Novo de Vargas, ditadura militar).

* **Clientelismo, patrimonialismo e personalismo político**.

* **Burocracia elitista**, excludente e herdeira das práticas coloniais.


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### Autores e referências úteis:

* **Raymundo Faoro** – *Os Donos do Poder: Formação do Patronato Político Brasileiro*

→ Traça a continuidade do patrimonialismo e do estamento burocrático de raízes ibéricas.

* **Sérgio Buarque de Holanda** – *Raízes do Brasil*

→ Aborda o personalismo e o "homem cordial", como traços da cultura política herdada do


absolutismo ibérico.

* **Fernando Novais** – *Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial*

→ Analisa a colonização brasileira como extensão do Antigo Regime.

* **Luiz Felipe de Alencastro**, **João Fragoso**, **Laura de Mello e Souza**

→ Historiadores que abordam o modelo político e social do Império português e seus desdobramentos
na América.

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Se quiser, posso montar um **roteiro de leitura** sobre isso ou um resumo mais voltado a fins
acadêmicos. Deseja seguir por esse caminho?

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