Arquitetura e dimensões da sustentabilidade: conforto ambiental, materiais e técnicas
1. Iñaki Ábalos – La buena vida: visita guiada a las casas de la modernidad
● Contribuição: Examina a arquitetura moderna sob a ótica do cotidiano, destacando como as casas modernas
integram estratégias de conforto ambiental e uso racional de recursos.
● Ponto central: A ideia de “boa vida” está ligada à eficiência espacial, ao controle climático passivo e à interação
entre arquitetura e meio ambiente.
● Crítica: Questiona a perda dessas qualidades nas práticas contemporâneas voltadas ao consumo e à imagem,
dissociadas das condições ambientais.
2. Josep Maria Montaner
a) Sistemas arquitetônicos contemporâneos
● Contribuição: Analisa os sistemas arquitetônicos desde a lógica tecnológica até as questões ambientais e sociais.
● Ponto central: Sustentabilidade como uma dimensão que ultrapassa o desempenho técnico e abrange ética,
cultura e participação.
● Crítica: Critica abordagens reducionistas da sustentabilidade limitadas a certificações ou parâmetros técnicos,
defendendo uma visão holística.
b) Do diagrama às experiências, rumo a uma arquitetura de ação
● Contribuição: Propõe uma arquitetura com engajamento político, social e ecológico.
● Ponto central: Apoia práticas sustentáveis baseadas em experimentação, materiais locais e modos construtivos
integrados ao contexto.
● Crítica: Alerta para o esvaziamento do conceito de sustentabilidade em práticas superficiais e simbólicas.
c) A condição contemporânea da arquitetura
● Contribuição: Aborda a ecologia urbana e a sustentabilidade como condição ética da arquitetura
contemporânea.
● Crítica: Rejeita soluções estéticas descoladas do impacto ambiental e social real dos edifícios.
3. Peter Zumthor
a) Atmosferas
● Contribuição: Discute o papel dos materiais e da luz na criação de atmosferas sensoriais.
● Ponto central: A escolha consciente de materiais naturais e técnicas construtivas está intrinsecamente ligada ao
conforto ambiental e à sustentabilidade afetiva.
● Crítica: Embora não use o termo “sustentabilidade” diretamente, critica o tecnicismo e a desconsideração da
experiência sensível e duradoura dos espaços.
b) Pensar Arquitetura
● Contribuição: Enfatiza o valor do trabalho artesanal, do uso de materiais locais e da permanência.
● Crítica: Implícita à cultura da obsolescência e do excesso tecnológico, propõe uma arquitetura enraizada,
atemporal e ambientalmente coerente.
4. Juhani Pallasmaa – Essências
● Contribuição: Defesa de uma arquitetura que respeita os sentidos e o corpo, promovendo bem-estar e
conforto.
● Ponto central: A sustentabilidade é tratada de modo fenomenológico, como integração sensível ao ambiente,
aos materiais e ao clima.
● Crítica: Condena a arquitetura baseada exclusivamente na imagem, que ignora o contexto ambiental e
sensorial.
5. Steven Holl – Cuestiones de percepción: fenomenologia de la arquitectura
● Contribuição: Desenvolve uma abordagem fenomenológica da arquitetura, em que o ambiente e a luz são
fundamentais para a experiência do espaço.
● Ponto central: Sustentabilidade aparece na valorização da luz natural, ventilação e materiais com memória e
contexto.
● Crítica: Assim como Pallasmaa, critica a arquitetura “visual” que negligencia o clima, a materialidade e o uso
prolongado do espaço.
6. Mario Biselli – Apontamentos de teoria e prática do projeto
● Contribuição: Discorre sobre o processo projetual e sua articulação com o lugar, o clima e a materialidade.
● Ponto central: Integra sustentabilidade como parte indissociável do projeto, por meio de decisões que
envolvem materiais, orientação solar e ventilação.
● Crítica: Questiona soluções padronizadas e descontextualizadas, defendendo a importância da adaptação
climática e ambiental desde as primeiras decisões de projeto.
Arquitetura e espaço: ambiente construído e suas relações com os usuários
1. Iñaki Ábalos – La buena vida: visita guiada a las casas de la modernidade
● Contribuição: Analisa o espaço doméstico moderno e sua relação com modos de vida específicos.
● Ponto central: A arquitetura como mediadora da experiência cotidiana dos usuários — conforto, eficiência,
convivência.
● Crítica: Critica a desconexão entre formas arquitetônicas contemporâneas e as necessidades reais das pessoas,
propondo o resgate da qualidade de vida como critério de projeto.
2. Ana Cláudia Castilho Barone – Team 10: arquitetura como crítica
● Contribuição: Estuda o grupo Team 10 e sua crítica ao urbanismo funcionalista do CIAM.
● Ponto central: Defende uma arquitetura centrada na experiência humana, nas relações sociais e na vivência
dos espaços.
● Crítica: Rejeita os modelos abstratos e universalistas que ignoram o contexto local e as formas de uso real dos
ambientes construídos.
3. Mario Biselli – Apontamentos de teoria e prática do projeto
● Contribuição: Reflete sobre a prática projetual como um processo em constante diálogo com o uso e os
usuários.
● Ponto central: Destaca a importância de projetar para o cotidiano, promovendo fluidez espacial, legibilidade e
apropriação pelos usuários.
● Crítica: Questiona soluções formais desvinculadas da prática do habitar.
4. Francis D. K. Ching – Arquitetura: Forma, Espaço e Ordem
● Contribuição: Apresenta fundamentos da organização espacial, percepção e uso do espaço construído.
● Ponto central: A experiência do usuário é moldada por proporções, escalas, hierarquias e articulação espacial.
● Crítica: Embora não trate de crítica social diretamente, propõe um olhar atento à forma como o espaço é
percebido e vivido pelos ocupantes.
5. Anthony Di Mari – Operative Design e Conditional Design
● Contribuição: Oferece catálogos conceituais que exploram ações espaciais (como cortar, dividir, empilhar,
conectar).
● Ponto central: Esses “verbos espaciais” são modos de pensar a arquitetura como ação que transforma e
organiza a experiência dos usuários.
● Crítica: Não há uma crítica explícita, mas a proposta incentiva uma abordagem mais dinâmica, orientada ao
uso.
6. Herman Hertzberger – Lições de Arquitetura
● Contribuição: Forte ênfase na arquitetura como suporte à vida cotidiana.
● Ponto central: Defende a ideia de “espaço polivalente” e adaptável ao uso criativo pelos usuários, com foco em
apropriação e participação.
● Crítica: Rompe com o determinismo funcionalista e critica projetos que não deixam margem à interpretação e
à transformação pelo usuário.
7. Steven Holl – Cuestiones de percepción: fenomenologia de la arquitectura
● Contribuição: Desenvolve uma abordagem fenomenológica que valoriza a experiência sensorial do espaço.
● Ponto central: O ambiente construído deve dialogar com os sentidos e a percepção do corpo no espaço.
● Crítica: Condena uma arquitetura voltada apenas à visualidade e à abstração formal, desconectada da
experiência vivida.
8. Josep Maria Montaner
a) Do diagrama às experiências
● Ponto central: A arquitetura deve ser ação e experiência vivida, não apenas representação. Defende
envolvimento direto do usuário.
● Crítica: Contra a arquitetura que se fecha em si mesma, propõe abertura ao cotidiano e à multiplicidade dos
modos de vida.
b) A condição contemporânea da arquitetura
● Contribuição: Reforça a ideia de espaço como mediação entre o indivíduo e a sociedade.
● Crítica: Rejeita modelos que ignoram a dimensão humana e afetiva do espaço.
9. Kate Nesbitt (Org.) – Uma nova agenda para a arquitetura
● Contribuição: Coletânea de textos que refletem sobre a virada teórica da arquitetura a partir dos anos 1960.
● Ponto central: Muitos dos ensaios abordam a revalorização do corpo, da experiência e da subjetividade no
ambiente construído.
● Crítica: A coletânea mostra o esgotamento dos paradigmas técnicos e funcionais e o surgimento de uma crítica
centrada no usuário.
10. Juhani Pallasmaa – Essências
● Contribuição: Defesa da dimensão sensível e existencial do espaço construído.
● Ponto central: A arquitetura deve ser sentida, vivida com todos os sentidos — olfato, tato, audição, não
apenas visão.
● Crítica: Condena a “retinização” da arquitetura contemporânea, que ignora as necessidades corporais e
emocionais dos usuários.
11. Peter Zumthor
a) Atmosferas
● Contribuição: A atmosfera de um lugar é construída com base nos materiais, luz, sons e formas de uso.
● Ponto central: Espaços são criados para provocar emoções e estados de espírito nos usuários.
● Crítica: Opõe-se à arquitetura genérica, sem caráter, que falha em produzir vínculos afetivos com os usuários.
b) Pensar Arquitetura
● Contribuição: Ressalta a importância do tempo, da memória e do contexto na experiência do espaço.
● Ponto central: O arquiteto deve projetar pensando na permanência e na experiência afetiva dos usuários.
● Crítica: Rejeita a cultura da imagem, propondo uma arquitetura “pensada com as mãos”.
Arquitetura e habitar: modos de vida e tecnologias de construção
1. Iñaki Ábalos – La buena vida: visita guiada a las casas de la modernidade
● Contribuição: Analisa como as casas modernas materializam ideais de habitar, articulando espaço, conforto,
tecnologia e estilo de vida.
● Ponto central: O projeto residencial moderno como reflexo de novas práticas cotidianas e avanços técnicos
(climatização, estrutura, industrialização).
● Crítica: Questiona a perda do compromisso ético e experimental da arquitetura moderna com a qualidade de
vida, substituída por abordagens estéticas ou mercadológicas.
2. Ana Cláudia Castilho Barone – Team 10: arquitetura como crítica
● Contribuição: Investiga o rompimento do Team 10 com o urbanismo racionalista, propondo novas formas de
pensar o habitar.
● Ponto central: A arquitetura deve refletir os modos de vida reais, com atenção à escala humana, às relações
sociais e aos padrões culturais.
● Crítica: Rejeita a padronização imposta pelo Movimento Moderno, denunciando sua indiferença à
diversidade de formas de morar.
3. Mario Biselli – Apontamentos de teoria e prática do projeto
● Contribuição: Reflete sobre o projeto como prática orientada pelo uso e pelo habitar cotidiano.
● Ponto central: Valoriza a observação dos modos de vida como base para o desenho arquitetônico, além de
uma atenção às técnicas contemporâneas construtivas.
● Crítica: Alerta contra a distância entre o discurso técnico e a realidade habitacional das pessoas, defendendo
uma arquitetura mais enraizada no cotidiano.
4. Herman Hertzberger – Lições de Arquitetura
● Contribuição: Explora o conceito de "espaço inacabado", aberto à apropriação e ao uso flexível.
● Ponto central: O habitar não é imposto, mas construído na relação entre o projeto e a prática cotidiana dos
usuários.
● Crítica: Critica a arquitetura que nega a participação ativa dos moradores na configuração do espaço,
reforçando a importância da adaptabilidade.
5. Josep Maria Montaner
a) Sistemas arquitetônicos contemporâneos
● Ponto central: Analisa como novas tecnologias construtivas e sistemas abertos influenciam os modos de
projetar e habitar.
● Crítica: Aponta o risco de sistemas técnicos descontextualizados que desconsideram o uso e a vida cotidiana.
b) Do diagrama às experiências
● Ponto central: Destaca o papel da arquitetura como mediadora de experiências e da técnica como meio, não
fim.
● Crítica: Rompe com a lógica diagramática vazia e propõe uma arquitetura engajada com o social e com o
habitar real.
c) A condição contemporânea da arquitetura
● Contribuição: Enfoca a crise do habitar na contemporaneidade e a fragmentação dos modos de vida.
● Crítica: Propõe uma arquitetura que reconheça essa complexidade, incorporando soluções técnicas adequadas
e socialmente engajadas.
6. Kate Nesbitt (Org.) – Uma nova agenda para a arquitetura
● Contribuição: A antologia reúne textos críticos que discutem os impactos da técnica, da cultura e da política
sobre o habitar.
● Ponto central: Vários autores questionam a arquitetura como ferramenta apenas formal ou técnica, propondo
abordagens que integrem cultura e modos de vida.
● Crítica: Forte crítica à objetividade técnica sem consciência social, com valorização de soluções locais, sensíveis
e críticas ao status quo.
7. Juhani Pallasmaa – Essências
● Contribuição: Destaca o habitar como prática existencial, sensorial e simbólica.
● Ponto central: O espaço habitado deve evocar memória, identidade e sensações — a tecnologia deve servir a
esse fim.
● Crítica: Rejeita a dominação do pensamento técnico e visual, defendendo um retorno ao corpo e à experiência
sensível.
8. Peter Zumthor
a) Atmosferas
● Ponto central: O habitar é experiencial e emocional; os materiais e técnicas devem contribuir para criar uma
ambiência acolhedora e significativa.
● Crítica: Condena o uso indiscriminado de tecnologias que não dialogam com o contexto e não criam vínculos
afetivos com o usuário.
b) Pensar Arquitetura
● Ponto central: Reforça a importância do fazer construtivo artesanal, onde tecnologia e matéria ganham valor
simbólico e sensorial.
● Crítica: Questiona o abandono da construção como prática significativa e defende o “saber fazer” como parte
essencial do projeto arquitetônico.
Arquitetura e cálculo projetual: conceitos e partido
1. Iñaki Ábalos – La buena vida: visita guiada a las casas de la modernidade
● Ponto central: Estuda o projeto moderno por meio de casas paradigmáticas, revelando como o conceito de
habitação e a técnica moldam o partido arquitetônico.
● Crítica: Questiona o afastamento contemporâneo entre concepção formal e qualidade de vida, propondo um
retorno ao projeto comprometido com o bem-estar e o contexto social.
2. Ana Cláudia Castilho Barone – Team 10: arquitetura como crítica
● Ponto central: Acompanha a virada crítica do Team 10 contra o funcionalismo moderno e sua proposta de
um novo “cálculo projetual” baseado em estruturas relacionais e padrões de vida reais.
● Crítica: Rompe com o zonamento rígido e com os diagramas universalistas do CIAM, promovendo um
partido vinculado a valores éticos e à diversidade cultural.
3. Mario Biselli – Apontamentos de teoria e prática do projeto
● Ponto central: Reflete sobre o processo projetual como construção progressiva e crítica, onde o partido
emerge do diálogo entre intuição, técnica e contexto.
● Crítica: Critica o uso de fórmulas ou métodos padronizados, defendendo o projeto como operação intelectual
aberta e crítica, atenta à realidade concreta do lugar.
4. Francis D.K. Ching – Arquitetura: Forma, Espaço e Ordem
● Ponto central: Fornece bases conceituais para o cálculo projetual, ao organizar os princípios formais (simetria,
hierarquia, eixo etc.) que orientam o partido.
● Crítica: Embora não formule crítica explícita, oferece uma estrutura teórica que evita arbitrariedades no
projeto, promovendo clareza na composição arquitetônica.
5. Anthony Di Mari – Operative Design & Conditional Design
● Ponto central: Introduz operações e condicionantes como ferramentas conceituais para o partido
arquitetônico.
● Contribuição: Sistematiza estratégias de projeto (dobrar, intercalar, rotacionar, etc.) como linguagem
operativa para definir o conceito e organizar o espaço.
6. Herman Hertzberger – Lições de Arquitetura
● Ponto central: Defende um projeto onde o partido surge da relação entre forma e uso, valorizando a
indeterminação e a apropriação pelo usuário.
● Crítica: Rejeita o cálculo projetual rígido e formalista, propondo uma arquitetura que permita múltiplos usos
e evoluções a partir da vida cotidiana.
7. Steven Holl – Cuestiones de percepción
● Ponto central: O partido arquitetônico deve emergir da experiência sensível, não apenas de uma lógica
racional.
● Crítica: Combate o projeto técnico-determinista, defendendo o conceito como estrutura poética baseada na
percepção e na materialidade do espaço.
8. Rafael Moneo – Inquietação Teórica e Estratégia Projetual
● Ponto central: Examina o partido como "estratégia projetual", resultado de decisões conscientes frente às
condições do lugar, do programa e da linguagem arquitetônica.
● Crítica: Adverte contra a banalização do conceito como elemento superficial; defende um cálculo projetual
baseado em coerência, contexto e historicidade.
9. Josep Maria Montaner
a) Sistemas arquitetônicos contemporâneos
● Ponto central: O partido é influenciado por sistemas abertos, novos materiais e tecnologias digitais.
● Crítica: Alerta para o risco de sistemas técnicos vazios de conteúdo social; defende o uso das ferramentas
contemporâneas com consciência crítica.
b) Do diagrama às experiências
● Ponto central: Debate o uso do diagrama como instrumento conceitual no processo projetual.
● Crítica: Questiona a superficialidade do uso do diagrama como estética formal, propondo seu uso como
estrutura narrativa que vincula ideia e experiência.
9. Kate Nesbitt (Org.) – Uma nova agenda para a arquitetura
● Ponto central: Reúne textos que questionam a neutralidade do projeto arquitetônico e propõem novos
critérios conceituais para o partido, como gênero, política, ecologia e ética.
● Crítica: Rompe com a ideia de conceito puramente formal, defendendo um partido que incorpore valores
sociais e culturais.
10. Juhani Pallasmaa – Essências
● Ponto central: O partido deve emergir da experiência fenomenológica do lugar, das sensações e da memória.
● Crítica: Critica o racionalismo extremo no processo projetual e propõe um “cálculo sensível” que privilegie o
tato, o tempo, a luz e a emoção.
11. Helio Piñón – Teoria do projeto
● Ponto central: Defende o projeto como operação intelectual fundamentada na lógica formal, histórica e
disciplinar.
● Crítica: Condena o projeto como mera resposta ao programa funcional; propõe que o partido deve derivar de
princípios compositivos e de continuidade disciplinar.
12. Peter Zumthor – Atmosferas & Pensar Arquitetura
● Ponto central: O partido surge da sensibilidade material, do contexto e da intenção atmosférica do arquiteto.
● Crítica: Rejeita o projeto como operação puramente lógica ou técnica, valorizando o "sentir arquitetônico"
como fundamento conceitual.
Arquitetura e ambiente: paisagem e escalas de percepção
1. Iñaki Ábalos — La buena vida
● Discussão: A obra investiga como a arquitetura moderna residencial incorporou concepções de natureza,
conforto e paisagem na definição dos espaços de habitar. A paisagem aparece não como fundo, mas como
agente ativo na configuração espacial.
● Crítica: Ábalos critica leituras reducionistas da modernidade que desconsideram a complexidade ambiental e
cultural envolvida na construção dos espaços domésticos, propondo uma revalorização da integração entre
arquitetura, paisagem e modos de vida.
2. Steven Holl — Cuestiones de percepción: fenomenología de la arquitectura
● Discussão: A obra enfoca a experiência sensível e fenomenológica do espaço arquitetônico, articulando a
percepção multissensorial com o entorno natural e urbano. O autor propõe que a arquitetura deve evocar
atmosferas que intensifiquem a relação com a paisagem em múltiplas escalas.
● Crítica: Holl questiona a prevalência de soluções formais desvinculadas da experiência corporal e ambiental,
propondo uma abordagem projetual pautada pela continuidade entre o espaço construído e a paisagem
perceptível.
3. Josep Maria Montaner — Sistemas arquitetônicos contemporâneos | Do diagrama às experiências | A
condição contemporânea da arquitetura
● Discussão: Em diferentes momentos de sua produção, Montaner ressalta o papel das paisagens — naturais,
urbanas e culturais — como substratos projetuais, tanto no plano simbólico quanto na materialidade dos
edifícios. Ele trata da arquitetura como ferramenta de mediação entre escalas (da cidade ao corpo), destacando
a paisagem como sistema de relações.
● Crítica: O autor problematiza os excessos formais do espetáculo arquitetônico e defende uma prática
integrada às especificidades do lugar, que atenda a demandas ambientais e culturais a partir de uma leitura
crítica da paisagem.
4. Juhani Pallasmaa — Essências
● Discussão: Pallasmaa propõe uma abordagem sensível e poética da arquitetura, centrada na percepção, nos
sentidos e na experiência corporal do espaço. A paisagem, nesse contexto, não é apenas o entorno físico, mas
uma extensão da memória e da sensorialidade humana.
● Crítica: O autor critica a abstração visual dominante na arquitetura contemporânea, propondo que a
verdadeira integração com o ambiente deve ocorrer por meio da experiência sensorial e da imersão perceptiva
no espaço e na paisagem.
5. Peter Zumthor — Atmosferas | Pensar Arquitetura
● Discussão: Zumthor explora a construção de atmosferas arquitetônicas como mediação entre o objeto
construído e o seu entorno, enfatizando como materiais, luz, som e temperatura contribuem para o vínculo
emocional com a paisagem. Trabalha em escalas que vão do detalhe ao território.
● Crítica: Zumthor se opõe a abordagens técnicas ou estilísticas que ignoram a complexidade da experiência
ambiental. Em suas obras e reflexões, advoga por uma arquitetura enraizada no lugar, com profunda sintonia
com o contexto paisagístico e cultural.
6. Kate Nesbitt (Org.) — Uma nova agenda para a arquitetura
● Discussão: A coletânea reúne textos que, em grande parte, desafiam visões tradicionais da arquitetura
moderna e introduzem novos paradigmas onde o ambiente e a paisagem passam a desempenhar papéis centrais.
Destacam-se abordagens como as de James Corner e Bernard Tschumi, que introduzem a noção de paisagem
como campo operatório e não apenas como cenário.
● Crítica: A obra, como um todo, contesta a autonomia disciplinar da arquitetura, propondo a integração com
questões ecológicas, culturais e territoriais. Rejeita a ideia de projeto como imposição formal, defendendo uma
leitura processual e contextual do espaço.
7. Ruth Verde Zein — Leituras críticas: pensamento na América Latina
● Discussão: Zein aborda a produção arquitetônica latino-americana com ênfase nas respostas culturais e
ambientais ao contexto. A paisagem aparece como elemento fundamental na formulação do projeto, com forte
ênfase nas relações simbólicas e materiais entre território e arquitetura.
● Crítica: A autora critica a importação acrítica de modelos internacionais e destaca a importância da
valorização das paisagens culturais locais e das estratégias projetuais sensíveis ao território e às escalas de
percepção.
8. Francis D.K. Ching — Arquitetura: Forma, Espaço e Ordem
● Discussão: Embora a obra trate sobretudo da organização formal e espacial, Ching dedica atenção à relação
entre o objeto arquitetônico e seu entorno imediato. A paisagem é considerada na forma de contexto espacial e
visual.
● Crítica: Apesar do foco mais didático e compositivo, há uma crítica implícita à desconexão entre forma
arquitetônica e contexto, indicando a necessidade de uma leitura integrada entre edifício e ambiente.
Arquitetura e geometria: implantação e concepção formal
1. Mario Biselli — Apontamentos de teoria e prática do projeto
● Discussão: Biselli trata do projeto como uma prática intelectual e construtiva onde a geometria atua como
ferramenta de organização espacial e formal. A implantação é discutida como operação estratégica,
fundamentada na leitura do lugar e na composição volumétrica.
● Crítica: O autor critica abordagens formais desconectadas do raciocínio construtivo ou da experiência
espacial, defendendo uma geometria que se relacione tanto com a racionalidade quanto com a poética do
lugar.
2. Francis D.K. Ching — Arquitetura: Forma, Espaço e Ordem
● Discussão: Ching sistematiza os fundamentos da geometria na arquitetura por meio da análise de formas
primárias, relações espaciais e sistemas de ordenamento. A implantação é tratada como extensão das decisões
formais, baseada em proporção, simetria, ritmo e hierarquia.
● Crítica: Embora didático, Ching propõe uma crítica indireta ao uso arbitrário da forma, insistindo na
coerência entre intenção conceitual e organização geométrica.
3. Anthony Di Mari — Operative Design e Conditional Design
● Discussão: Di Mari apresenta catálogos de "verbos espaciais" e "condições" que traduzem ações projetuais com
base em operações geométricas (corte, adição, rotação, espelhamento, entre outros). A implantação é implícita
nessas ações, que sugerem modos de adaptação ao contexto.
● Crítica: O autor propõe uma crítica aos métodos excessivamente formais ou simbólicos, sugerindo um
vocabulário geométrico operacional que sirva como gerador de projeto, mas sem esgotar seu conteúdo
conceitual.
4. Herman Hertzberger — Lições de Arquitetura
● Discussão: Hertzberger examina como formas geométricas simples podem ser apropriadas de maneira
complexa pelo uso e pela experiência. A geometria não é fim em si, mas ponto de partida para estruturas abertas
e adaptáveis.
● Crítica: Rejeita a forma fechada ou autoritária, propondo uma concepção formal baseada na flexibilidade, no
acolhimento do imprevisível e na relação sensível com o contexto.
5. Rafael Moneo — Inquietação Teórica e Estratégia Projetual
● Discussão: Moneo reflete sobre a gênese da forma arquitetônica como resultado de estratégias projetuais, onde
a geometria tem papel fundamental na estruturação do pensamento arquitetônico. Ele trata a implantação
como operação crítica, condicionada pelas especificidades do lugar.
● Crítica: Moneo contesta os formalismos vazios e defende a geometria como meio de mediação entre ideias
arquitetônicas e condicionantes do projeto, ressaltando sua potência intelectual e cultural.
6. Josep Maria Montaner — Sistemas arquitetônicos contemporâneos e Do diagrama às experiências
● Discussão: Montaner analisa a evolução das linguagens arquitetônicas, destacando como o uso da geometria
varia conforme os sistemas e paradigmas projetuais. Os diagramas e esquemas formais são abordados como
instrumentos que mediam a concepção e a implantação.
● Crítica: Ele critica os excessos diagramáticos quando esvaziados de sentido, e defende uma concepção formal
articulada com o uso, a experiência e a complexidade do território.
7. Helio Piñón — Teoria do Projeto
● Discussão: Piñón enfatiza a forma como essência da arquitetura, compreendida como resultado de um
processo lógico, no qual a geometria desempenha papel central. A implantação é pensada como consequência
direta da coerência formal e da ordem geométrica interna do projeto.
● Crítica: Ele se opõe ao ecletismo e ao relativismo formal contemporâneo, defendendo uma estética racional
fundamentada na tradição moderna e em princípios compositivos sólidos.
8. Peter Zumthor — Pensar Arquitetura e Atmosferas
● Discussão: Zumthor não trata diretamente da geometria como ferramenta projetual, mas sua concepção
formal é rigorosa e sensível à implantação. A forma deriva de processos intuitivos e perceptivos, em diálogo
profundo com o sítio.
● Crítica: Ele critica abordagens que priorizam a lógica formal abstrata em detrimento da experiência sensível,
propondo que a geometria seja submissa à criação de atmosferas e à conexão com o entorno.
Arquitetura e tectônica: materialidade construtiva
1. Mario Biselli – Apontamentos de teoria e prática do projeto
● Discussão: A tectônica é tratada como elemento integrador entre forma, material e estrutura. Para Biselli, a
materialidade é uma instância do pensamento arquitetônico que não deve ser deixada para etapas finais do
projeto, mas sim incorporada desde o início.
● Crítica: O autor critica o projeto que negligencia os aspectos construtivos e materiais, alertando para a
superficialidade de concepções formais descoladas do fazer arquitetônico concreto.
2. Francis D.K. Ching – Arquitetura: Forma, Espaço e Ordem
● Discussão: Ching apresenta a relação entre sistemas construtivos e expressão arquitetônica. Ele aborda como
os materiais e suas técnicas influenciam a articulação formal e o espaço. A tectônica aparece implicitamente
como uma gramática entre estrutura e expressão.
● Crítica: Ching evita juízos críticos diretos, mas seu método didático subentende que a ignorância sobre os
aspectos materiais e estruturais empobrece a arquitetura.
3. Steven Holl – Cuestiones de percepción: fenomenologia de la arquitectura
● Discussão: A tectônica em Holl é profundamente fenomenológica. A materialidade é explorada em sua
capacidade sensorial — luz, textura, temperatura, som. O modo como os materiais são usados constrói
experiências arquitetônicas.
● Crítica: Holl critica abordagens tecnocráticas ou puramente formais, defendendo que a construção seja
poética e significativa, produzindo sentido por meio da presença material e sensorial.
4. Rafael Moneo – Inquietação Teórica e Estratégia Projetual
● Discussão: Moneo entende a tectônica como manifestação da lógica construtiva e como um campo de
articulação entre ideia e forma. A construção não é apenas técnica, mas é também um meio de legitimar o
projeto.
● Crítica: Ele se opõe a soluções arquitetônicas que tratam os materiais apenas como revestimento ou disfarce,
propondo que a materialidade seja indissociável da intenção conceitual do projeto.
5. Josep Maria Montaner – Sistemas arquitetônicos contemporâneos e Do diagrama às experiências
● Discussão: Montaner analisa como a materialidade e a construção compõem sistemas arquitetônicos. Nos
“sistemas tectônicos”, ele observa a valorização dos processos construtivos como discurso crítico e expressivo,
especialmente no contexto do regionalismo crítico e da sustentabilidade.
● Crítica: Critica as práticas projetuais que alienam a construção do processo conceitual, além de denunciar a
fetichização tecnológica e o uso de materiais descontextualizados.
6. Juhani Pallasmaa – Essências
● Discussão: Pallasmaa aborda a tectônica sob a ótica da experiência sensível e da corporeidade. A materialidade
é fundamental para criar atmosferas que envolvam todos os sentidos. A honestidade construtiva e a veracidade
material são pilares éticos e estéticos.
● Crítica: Ele se opõe frontalmente à virtualização e à superficialidade dos materiais industrializados ou
meramente estéticos, defendendo uma arquitetura enraizada na percepção tátil e na autenticidade material.
7. Peter Zumthor – Pensar Arquitetura e Atmosferas
● Discussão: Zumthor vê na tectônica a essência do ato de construir com intenção poética. O modo como os
materiais são unidos, revelados e sentidos dá identidade à arquitetura. Cada detalhe construtivo é também
portador de emoção.
● Crítica: Critica a arquitetura que ignora o potencial expressivo da construção, especialmente quando a
tecnologia se sobrepõe à sensibilidade. A materialidade deve ser experienciada e não apenas vista.
8. Ruth Verde Zein – Leituras críticas: pensamento na América Latina
● Discussão: Embora não trate exclusivamente da tectônica, Zein ressalta projetos latino-americanos que usam a
materialidade como instrumento de resistência cultural e poética, especialmente no enfrentamento à lógica
globalizante e homogênea.
● Crítica: A crítica está voltada para arquiteturas que importam materiais e lógicas construtivas sem diálogo com
o contexto local, comprometendo a coerência tectônica e cultural.
9. Helio Piñón – Teoria do Projeto
● Discussão: Piñón enfatiza que a forma arquitetônica deve emergir da articulação entre lógica construtiva e
intenção estética. A tectônica aparece como matriz geradora do projeto, onde estrutura e forma não se separam.
● Crítica: Condena o formalismo arbitrário e a separação entre estrutura e aparência, propondo um projeto
racional, ético e formalmente íntegro.
10. Herman Hertzberger – Lições de Arquitetura
● Discussão: Para Hertzberger, os materiais são suportes de significados e usos. A tectônica não é apenas
construtiva, mas social, pois revela como o espaço pode ser habitado. A honestidade construtiva é valorizada
como linguagem clara e acessível.
● Crítica: Questiona o uso de materiais de maneira simbólica ou ornamental, defendendo a expressividade
genuína da construção como meio de comunicação e apropriação.
Arquitetura e etapas do design: estudo preliminar, anteprojeto e executivo
1. Mario Biselli – Apontamentos de teoria e prática do projeto
● Discussão: O livro de Biselli aborda o processo de projeto de maneira integrada, enfatizando a passagem do
estudo preliminar para o anteprojeto e o executivo. Ele valoriza o desenho como instrumento de
pensamento e defende a ideia de que cada etapa carrega uma densidade específica de definição e reflexão.
● Crítica: Critica abordagens que compartimentalizam excessivamente as etapas do projeto, enfraquecendo a
continuidade do raciocínio arquitetônico.
2. Francis D.K. Ching – Arquitetura: Forma, Espaço e Ordem
● Discussão: Embora Ching não trate diretamente das etapas do design conforme os termos “estudo
preliminar”, “anteprojeto” ou “executivo”, ele contribui com uma base conceitual e gráfica para a organização
formal do pensamento projetual, útil especialmente nas fases iniciais (estudo preliminar).
● Crítica: A crítica é implícita: sem compreender os fundamentos da forma e do espaço, não se pode estruturar
adequadamente um projeto em nenhuma de suas fases.
3. Anthony Di Mari – Operative Design e Conditional Design
● Discussão: Di Mari foca nos mecanismos conceituais e operativos do projeto arquitetônico,
especialmente nos estágios iniciais. O uso de verbos e condições espaciais orienta a geração de forma no estudo
preliminar e anteprojeto.
● Crítica: Indiretamente, aponta a limitação de processos projetuais excessivamente técnicos ou lineares,
defendendo um design exploratório e aberto a variações.
4. Rafael Moneo – Inquietação Teórica e Estratégia Projetual
● Discussão: Moneo discute a estrutura lógica do projeto, propondo que cada etapa do processo deve manter
um vínculo com a ideia matriz. Enfatiza o papel do anteprojeto como momento estratégico para consolidar
coerência conceitual.
● Crítica: Critica o projeto como mera resposta funcional ou técnica, reforçando que o processo projetual deve
ser reflexivo e crítico, mesmo nas fases executivas.
5. Josep Maria Montaner – Do diagrama às experiências e Sistemas arquitetônicos contemporâneos
● Discussão: Montaner analisa a evolução das práticas projetuais contemporâneas, especialmente com o uso de
diagramas, protótipos e ensaios espaciais nas etapas iniciais. Propõe uma arquitetura mais experimental no
estudo preliminar e mais colaborativa nas fases seguintes.
● Crítica: Critica a rigidez de processos convencionais e burocratizados, defendendo que o projeto deve manter
a capacidade de adaptação e diálogo, mesmo nas fases técnicas.
6. Helio Piñón – Teoria do Projeto
● Discussão: Piñón defende que as etapas do projeto devem estar subordinadas à lógica formal e conceitual do
arquiteto, sem se tornarem etapas estanques. O anteprojeto, em especial, é tratado como o ponto de inflexão
entre ideia e técnica.
● Crítica: É crítico da compartimentalização artificial do projeto e das práticas que tratam o executivo como
mera transposição técnica, desconsiderando sua dimensão conceitual.
7. Herman Hertzberger – Lições de Arquitetura
● Discussão: Embora não trate explicitamente das fases do projeto, Hertzberger enfatiza a importância de pensar
o uso e a apropriação do espaço desde o início do projeto, o que incide especialmente nas fases de estudo
preliminar e anteprojeto.
● Crítica: Critica projetos que se fixam em soluções definitivas muito cedo, impedindo o espaço de se tornar
aberto à experiência e ao tempo.
8. Kate Nesbitt (Org.) – Uma nova agenda para a arquitetura
● Discussão: A coletânea oferece uma visão crítica das transformações no processo de projeto entre 1965 e 1995.
Vários textos sugerem que as fronteiras entre etapas tradicionais (estudo preliminar, anteprojeto, executivo)
têm sido tensionadas ou dissolvidas em favor de processos interativos, digitais ou colaborativos.
● Crítica: O livro evidencia críticas ao modelo linear de projeto e ao distanciamento entre concepção e execução,
propondo abordagens mais híbridas.
9. Peter Zumthor – Pensar Arquitetura e Atmosferas
● Discussão: Zumthor não sistematiza etapas do projeto, mas valoriza a gestação longa e sensível da ideia
arquitetônica, sugerindo que cada fase do design deve aprofundar a experiência desejada.
● Crítica: Critica processos que apressam a passagem do conceito à construção, sem maturação da ideia nem
atenção aos detalhes.
10. Ruth Verde Zein – Leituras críticas: pensamento na América Latina
● Discussão: Zein analisa práticas projetuais latino-americanas onde, por vezes, os limites entre as etapas são
menos rígidos, por necessidade ou escolha conceitual. Enfatiza práticas onde o projeto se constrói em paralelo
à obra, como em contextos de autoconstrução, pré-fabricação ou escassez de recursos.
● Crítica: Denuncia modelos normativos que desconsideram a diversidade cultural e metodológica dos
processos projetuais na América Latina.
Arquitetura e desenho: processo criativo, expressão e representação arquitetônica
1. Mario Biselli – Apontamentos de teoria e prática do projeto
● Discussão: O desenho é valorizado como instrumento ativo do pensamento projetual. Biselli ressalta o
desenho à mão como ferramenta crítica e expressiva, especialmente nas fases iniciais do projeto.
● Crítica: Questiona o excesso de dependência de ferramentas digitais, que podem distanciar o arquiteto da
intuição e da reflexão sobre o espaço.
2. Francis D.K. Ching – Arquitetura: Forma, Espaço e Ordem
● Discussão: Ching propõe uma gramática visual da arquitetura, em que o desenho não é apenas
representação, mas meio de organização e compreensão espacial. Suas ilustrações didáticas tornam o livro uma
referência no uso pedagógico do desenho.
● Crítica: Implícita: alerta para os riscos de tratar a forma como algo puramente técnico ou decorativo, sem
fundamento conceitual.
3. Anthony Di Mari – Operative Design e Conditional Design
● Discussão: Di Mari propõe o uso de diagramas operativos e condicionais como formas de representar o
pensamento projetual, destacando a ação e o comportamento do espaço. É uma abordagem diagramática e
visual do raciocínio espacial, ideal para explorar o potencial criativo.
● Crítica: Sugere que a representação tradicional (plantas, cortes) pode limitar a experimentação e defende a
diversificação dos meios gráficos.
4. Herman Hertzberger – Lições de Arquitetura
● Discussão: O desenho é concebido como uma ferramenta para explorar a experiência do usuário e o
potencial de apropriação dos espaços. Hertzberger defende um desenho que esteja a serviço do cotidiano e
da vida real.
● Crítica: Critica representações que ignoram a escala humana, o uso real e a flexibilidade dos espaços
arquitetônicos.
5. Steven Holl – Cuestiones de percepción: fenomenología de la arquitectura
● Discussão: Holl associa o desenho ao processo fenomenológico de projetar. O esboço à mão, a aquarela e os
croquis são instrumentos de percepção e intuição espacial, fundamentais para capturar luz, tempo e atmosfera.
● Crítica: Critica a objetividade excessiva do desenho técnico e propõe uma representação mais sensorial e
subjetiva.
6. Rafael Moneo – Inquietação Teórica e Estratégia Projetual
● Discussão: Moneo vê o desenho como expressão do pensamento arquitetônico, servindo tanto à análise
crítica de obras quanto à formulação de propostas. O croqui é valorizado como ferramenta estratégica e
intelectual.
● Crítica: Critica o uso do desenho como mera estética visual ou formalismo vazio, defendendo uma
representação coerente com a ideia de projeto.
7. Josep Maria Montaner – Do diagrama às experiências e Sistemas arquitetônicos contemporâneos
● Discussão: Montaner trata do papel do diagrama como linguagem de projeto e de sua influência no
processo criativo e representacional da arquitetura contemporânea. A representação não é neutra, mas interfere
no próprio conteúdo do projeto.
● Crítica: Alerta para o risco do "diagramatismo" vazio, em que o desenho vira um fim em si mesmo e perde a
conexão com a vivência.
8. Helio Piñón – Teoria do Projeto
● Discussão: Para Piñón, o desenho é central na formulação e expressão do pensamento formal
arquitetônico. Ele valoriza a coerência entre conceito e forma, com rigor compositivo.
● Crítica: Critica tanto o uso de ferramentas digitais sem reflexão quanto abordagens que privilegiam o gesto em
detrimento da lógica formal.
9. Peter Zumthor – Pensar Arquitetura e Atmosferas
● Discussão: Zumthor vê o desenho como um ato sensível e íntimo, que permite experimentar a materialidade,
a luz e a emoção do espaço. Os esboços e maquetes são extensões do corpo do arquiteto.
● Crítica: Critica a representação que ignora a atmosfera e os aspectos sensoriais, enfatizando a necessidade de
um desenho afetivo e evocativo.
10. Juhani Pallasmaa – Essências
● Discussão: Pallasmaa propõe uma visão multissensorial da arquitetura, em que o desenho é parte do corpo e
da mente do arquiteto. Ele valoriza o traço manual como extensão tátil da imaginação.
● Crítica: Denuncia a perda de sensibilidade causada pela representação digital padronizada e defende o resgate
da expressão corporal no desenho.
11. Ruth Verde Zein – Leituras críticas: pensamento na América Latina
● Discussão: A autora aponta que na América Latina o desenho muitas vezes se constitui como ferramenta
crítica, política e artesanal, sendo parte de processos híbridos entre projeto, prática e território.
● Crítica: Critica modelos hegemônicos de representação que desconsideram a diversidade cultural e os modos
de fazer locais.
Arquitetura e sistemas estruturais: forma, função e expressão compositiva
1. Francis D. K. Ching – Arquitetura: Forma, Espaço e Ordem
● Discussão: Ching trata da estrutura como um dos elementos compositivos centrais da arquitetura. Para ele,
forma e estrutura estão integradas à ordem espacial e funcional do projeto.
Crítica: Alerta contra o uso da estrutura como mero ornamento ou elemento dissociado do espaço
arquitetônico; reforça a necessidade de clareza formal e estrutural.
2. Mario Biselli – Apontamentos de teoria e prática do projeto
● Discussão: Biselli valoriza o diálogo entre estrutura, função e expressão como princípio norteador do
projeto. Aponta que decisões estruturais não são apenas técnicas, mas partem do conceito arquitetônico.
● Crítica: Critica soluções estruturais que não participam da composição arquitetônica ou que são tratadas
como imposições externas ao projeto.
3. Herman Hertzberger – Lições de Arquitetura
● Discussão: A estrutura é explorada como suporte para a apropriação e flexibilidade dos espaços.
Hertzberger vê os sistemas estruturais como configuradores da espacialidade cotidiana.
● Crítica: Rejeita concepções rígidas de estrutura que não favorecem a participação ativa do usuário ou que
impeçam o uso variado dos espaços.
4. Rafael Moneo – Inquietação Teórica e Estratégia Projetual
● Discussão: A estrutura, segundo Moneo, deve expressar a lógica do projeto e contribuir para a articulação
da forma. Ele destaca a importância da estrutura na formação da estratégia compositiva e simbólica.
● Crítica: Critica abordagens que colocam a estrutura em segundo plano ou que a tratam como solução
meramente técnica, dissociada da concepção arquitetônica.
5. Josep Maria Montaner – Sistemas arquitetônicos contemporâneos
● Discussão: Montaner analisa sistemas construtivos e estruturais como linguagens de projeto, abordando
desde estruturas leves até sistemas industriais. Mostra como a estrutura pode ser expressiva, ecológica e
simbólica.
● Crítica: Aponta o risco da estrutura se tornar fetiche tecnológico, sem função ambiental, simbólica ou social.
Defende o uso responsável e integrado da técnica.
6. Helio Piñón – Teoria do Projeto
● Discussão: Piñón vê a estrutura como dimensão essencial da forma arquitetônica, e não apenas como
suporte técnico. Destaca a importância do rigor formal e da coerência entre estrutura e composição.
● Crítica: Condena a perda da unidade entre forma e estrutura no projeto contemporâneo, em favor de
soluções estéticas arbitrárias ou superficiais.
7. Anthony Di Mari – Operative Design e Conditional Design
● Discussão: Explora ações e operações espaciais que frequentemente implicam em escolhas estruturais, como
empilhar, suspender, sustentar. Trabalha graficamente a relação entre intenção formal e articulação estrutural.
● Crítica: Não formula crítica direta à estrutura, mas propõe ampliar os meios de visualizar decisões espaciais
e estruturais em estágios iniciais do projeto.
8. Peter Zumthor – Pensar Arquitetura e Atmosferas
● Discussão: Zumthor trata a estrutura como elemento sensível, que contribui para a experiência material e
tátil da arquitetura. Para ele, a forma estrutural deve participar da atmosfera do espaço.
● Crítica: Rejeita estruturas genéricas e industrializadas sem caráter. Defende estruturas construídas com
cuidado, integradas ao material e ao lugar.