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Efeitos das Drogas no Organismo

O documento descreve as drogas ilícitas mais comuns, suas classificações e efeitos no sistema nervoso central, abordando drogas depressoras, estimulantes e perturbadoras. Também diferencia a dependência física da psíquica e analisa os aspectos biológicos e sociais do uso de drogas, além de correlacionar os mecanismos de ação do álcool, maconha e cocaína com suas complicações. A informação é baseada na Classificação Internacional de Doenças e inclui detalhes sobre os efeitos e riscos associados a cada tipo de substância.

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Efeitos das Drogas no Organismo

O documento descreve as drogas ilícitas mais comuns, suas classificações e efeitos no sistema nervoso central, abordando drogas depressoras, estimulantes e perturbadoras. Também diferencia a dependência física da psíquica e analisa os aspectos biológicos e sociais do uso de drogas, além de correlacionar os mecanismos de ação do álcool, maconha e cocaína com suas complicações. A informação é baseada na Classificação Internacional de Doenças e inclui detalhes sobre os efeitos e riscos associados a cada tipo de substância.

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Problema 2

[Link] as drogas ilícitas mais comuns.


[Link] os conceitos de dependência física e psíquica.
[Link] aspectos biológicos e sociais do uso de drogas.
4. Correlacionar os mecanismo de ação do álcool, maconha e cocaína com as
complicações decorrentes do seu uso/abuso.

[Link] as drogas ilícitas mais comuns.


O que é droga?
Droga, segundo definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), É qualquer
substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um
ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento.
Uma droga não é por si só boa ou má. Existem substâncias que são usadas com a
finalidade de produzir efeitos benéficos como o tratamento de doenças e são
consideradas medicamentos. Mas também existem substâncias que provocam
malefícios à saúde, os venenos ou tóxicos.
É interessante que a mesma substância pode funcionar como medicamento em
algumas situações e como tóxico em outras. As principais drogas são drogas usadas
para alterar o funcionamento cerebral, causando modificações no estado mental, no
psiquismo, são conhecidas também como substâncias psicoativas.
Nem todas as substâncias psicoativas têm a capacidade de provocar dependência.
No entanto, há substâncias aparentemente inofensivas e presentes em muitos
produtos de uso doméstico que podem causar dependência
As substâncias listadas na Classificação Internacional de Doenças, 10ª Revisão
(CID-10), em seu capítulo V (Transtornos Mentais e de Comportamento) incluem:
 Álcool;
 Opioides (morfina, heroína, codeína, diversas substâncias sintéticas);
 Canabinoides (maconha);
 Sedativos ou hipnóticos (barbitúricos, benzodiazepínicos);
 Cocaína;
 Outros estimulantes (como anfetaminas e substâncias relacionadas à
cafeína);
 Alucinógenos;
 Tabaco;
 Solventes voláteis.

Classificação das drogas


Do ponto de vista legal as drogas podem ser classificadas como drogas lícitas e
ilícitas.
Drogas lícitas:
As que podem ser livremente comercializadas e as que estão submetidas a
certas restrições. Por exemplo, bebidas alcoólicas e tabaco não podem ser
comercializados para crianças e adolescentes. No caso de medicamentos, alguns só
podem ser adquiridos por meio de prescrição médica especial.
Drogas ilícitas:
As que são proibidas por lei.
De acordo as ações aparentes das drogas sobre o Sistema Nervoso Central
(SNC), conforme as modificações observáveis na atividade mental ou no
comportamento da pessoa que utiliza a substância, as drogas podem ser classificadas
em:
1. Drogas DEPRESSORAS da atividade mental;
2. Drogas ESTIMULANTES da atividade mental;
3. Drogas PERTURBADORAS da atividade mental.

Drogas depressoras da atividade mental


Essa categoria inclui uma grande variedade de substâncias que diferem
acentuadamente em suas propriedades físicas e químicas, mas que apresentam a
característica comum de causar uma diminuição da atividade global ou de certos
sistemas específicos do SNC.
Como consequência dessa ação, há uma tendência de ocorrer uma diminuição da
atividade motora, da reatividade à dor e da ansiedade e é comum um efeito
euforizante inicial e, posteriormente, um aumento da sonolência.
Incluímos:
Álcool (Quarto objetivo)
Barbitúricos
Os barbitúricos são um grupo de substâncias sintetizadas artificialmente desde o
começo do século XX, que possuem diversas propriedades em comum com o álcool e
com outros tranquilizantes (Benzodiazepínicos).
Seu uso inicial foi dirigido ao tratamento da insônia, porém a dose para causar os
efeitos terapêuticos desejáveis não é muito distante da dose tóxica ou letal.
O sono produzido por essas drogas, assim como aquele provocado por todas as
drogas indutoras de sono, é muito diferente do sono “natural” (fisiológico).
Como consequência de sua principal ação farmacológica, observam-se os
principais efeitos:
 Diminuição da capacidade de raciocínio e concentração;
 Sensação de calma, relaxamento e sonolência;
 Reflexos mais lentos. Com doses um pouco maiores, a pessoa tem
sintomas semelhantes à embriaguez, com lentidão nos movimentos, fala
pastosa e dificuldade na marcha.
Doses tóxicas dos barbitúricos podem provocar:
 Surgimento de sinais de falta de coordenação motora;
 Acentuação importante da sonolência, que pode chegar ao coma;
 Morte por parada respiratória.
São drogas que causam tolerância (sobretudo quando o indivíduo utiliza doses
altas desde o início) e síndrome de abstinência quando ocorre sua retirada, o que
provoca insônia, irritação, agressividade, ansiedade e até convulsões.
Em geral, são utilizados atualmente na prática clínica para indução anestésica
(tiopental) e como anticonvulsivantes (fenobarbital).
Benzodiazepínicos
Esse grupo de substâncias começou a ser usado na Medicina durante os anos
1960 e possui similaridades importantes com os barbitúricos em termos de ações
farmacológicas, com a vantagem de oferecer uma maior margem de segurança, ou
seja, a dose tóxica é muito maior que a dose terapêutica.
Atuam potencializando as ações do GABA (ácido gama-amino-butírico), o
principal neurotransmissor inibitório do SNC.
Como consequência dessa ação, os benzodiazepínicos produzem:
 Diminuição da ansiedade;
 Indução do sono;
 Relaxamento muscular;
 Redução do estado de alerta.
Essas drogas dificultam ainda os processos de aprendizagem e memória, alteram
também funções motoras prejudicando atividades como dirigir automóveis e outras
que exijam reflexos rápidos.
As doses tóxicas dessas drogas são bastante altas, mas pode ocorrer intoxicação
se houver uso concomitante de outros depressores da atividade mental,
principalmente álcool ou barbitúricos. O quadro de intoxicação é muito semelhante ao
causado por barbitúricos.
Existem centenas de compostos comerciais disponíveis, que diferem somente
em relação à velocidade e duração total de sua ação, alguns são mais bem utilizados
clinicamente como indutores do sono, enquanto outros são empregados no controle
da ansiedade ou para prevenir a convulsão.
Exemplos de benzodiazepínicos: diazepam, lorazepam, bromazepam,
midazolam, flunitrazepam, clonazepam.
Opioides
Grupo que inclui drogas “naturais”, sintéticas e semissintéticas, obtidas a partir
de modificações químicas em substâncias naturais.
As drogas mais conhecidas deste grupo são a morfina, a heroína e a codeína,
além de diversas substâncias totalmente sintetizadas em laboratório.
Sua ação decorre da sua capacidade de imitar o funcionamento de diversas
substâncias naturalmente produzidas pelo organismo, como as endorfinas e
encefalinas.
A encefalina é um neurotransmissor liberado pelo organismo durante a atividade
física e produz sensação de bem-estar e euforia.
A liberação do neurotransmissor encefalina, por sua vez, está associada à
sensação de alívio de dor. Em linhas gerais os opinoides são drogas depressoras da
atividade mental, mas possuem ações mais específicas, como de analgesia e de
inibição do reflexo da tosse.
Causam os seguintes efeitos:
 Contração pupilar importante;
 Diminuição da motilidade do trato gastrointestinal;
 Efeito sedativo, que prejudica a capacidade de concentração;
 Torpor e sonolência.
Os opioides deprimem o centro respiratório, de modo que a respiração se torna
mais lenta e superficial, até a parada respiratória, perda da consciência e morte.
Efeitos da abstinência:
 Náuseas;
 Cólicas intestinais;
 Lacrimejamento;
 Corrimento nasal;
 Câimbra;
 Vômitos;
 Diarreia.

Uso clínico:
Os medicamentos à base de opioides são usados para controlar a tosse, a diarreia e
como analgésicos potentes.

Exemplos de opioides: morfina, heroína, codeína, meperidina e propoxifeno.


Solventes ou inalantes
Este grupo de substâncias, entre os depressores, não possui nenhuma
utilização clínica, com exceção do éter etílico e do clorofórmio, que já foram
largamente empregados como anestésicos gerais. Podem tanto ser inalados
involuntariamente por trabalhadores ou quando utilizados como drogas de abuso, por
exemplo, a cola de sapateiro.
Alguns exemplos são o tolueno, o xilol, o n-hexano, o acetato de etila, o
tricloroetileno, além dos já citados éter e clorofórmio, cuja mistura é chamada
frequentemente de “lança-perfume”, “cheirinho” ou “loló”.
Os efeitos têm início bastante rápido após a inalação, de segundos a minutos, e
também têm curta duração, o que predispõe o usuário a inalações repetidas, com
consequências às vezes desastrosas.
Efeitos observados:
 Primeira fase:
Euforia, com diminuição da inibição de comportamento.
 Segunda fase:
Predomínio da depressão do SNC, o indivíduo torna- -se confuso, desorientado;
podem também ocorrer alucinações auditivas e visuais.
 Terceira fase:
A depressão se aprofunda, com redução acentuada do estado de alerta; falta de
coordenação ocular e motora (marcha vacilante, fala pastosa, reflexos bastante
diminuídos); as alucinações tornam-se mais evidentes.
 Quarta fase:
Depressão tardia; ocorre inconsciência; pode haver convulsões, coma e morte.
O uso crônico dessas substâncias pode levar à destruição de neurônios causando
danos irreversíveis ao cérebro, assim como lesões no fígado, rins, nervos periféricos e
medula óssea.
Outro efeito ainda pouco esclarecido dessas substâncias (particularmente
dos compostos halogenados, como o clorofórmio) é sua interação com a
adrenalina, pois aumenta sua capacidade de causar arritmias cardíacas, o que pode
provocar morte súbita.
Embora haja tolerância, até hoje não há uma descrição característica da
síndrome de abstinência relacionada a esse grupo de substâncias.

Drogas estimulantes da atividade mental


São incluídas neste grupo as drogas capazes de aumentar a atividade de
determinados sistemas neuronais, o que traz como consequências um estado de
alerta exagerado, insônia e aceleração dos processos psíquicos.
Anfetaminas
São substâncias sintéticas. Muitas vezes, essa denominação “anfetaminas” é
utilizada para designar todo o grupo de drogas que apresentam ações semelhantes à
anfetamina, a primeira delas produzida em laboratório.
Dessa forma, são exemplos de drogas “anfetamínicas”: o fenproporex, o
metilfenidato, o manzidol, a metanfetamina e a dietilpropiona
Seu mecanismo de ação é aumentar a liberação e prolongar o tempo de atuação
de alguns neurotransmissores utilizados pelo cérebro, como a dopamina e a
noradrenalina.
Efeitos do uso de anfetaminas:
 Diminuição do sono e do apetite;
 Sensação de maior energia e menor fadiga, mesmo quando realiza esforços
excessivos, o que pode ser prejudicial;
 Rapidez na fala;
 Dilatação da pupila;
 Taquicardia;
 Elevação da pressão arterial.
Doses tóxicas
Com doses tóxicas, acentuam-se esses efeitos anteriores, o indivíduo tende a
ficar mais irritável e agressivo, pode considerar-se como vítima de perseguição
inexistente (delírios persecutórios), ter alucinações e convulsões.
Tolerância e abstinência
O consumo dessas drogas induz tolerância. Não se sabe com certeza se ocorre
uma verdadeira síndrome de abstinência. São frequentes os relatos de sintomas
depressivos: falta de energia, desânimo, perda de motivação, por vezes, esses
sintomas são bastante intensos, quando há interrupção do uso dessas substâncias.
Uso clínico
Entre outros usos, destaca-se sua utilização como moderadores do apetite
(remédios para emagrecer).
Cocaína (Quarto objetivo)

Drogas perturbadoras da atividade mental


Neste grupo de drogas, classificamos diversas substâncias cujo efeito principal é
provocar alterações no funcionamento cerebral, que resultam em vários
fenômenos psíquicos anormais, entre os quais, destacamos os delírios e as
alucinações.
Por essa razão, essas drogas receberam a denominação de alucinógenos. Em
linhas gerais, podemos definir alucinação como uma percepção sem objeto, ou seja, a
pessoa vê, ouve ou sente algo que realmente não existe.
Delírio, por sua vez, pode ser definido como um falso juízo da realidade, ou seja,
o indivíduo passa a atribuir significados anormais aos eventos que ocorrem à
sua volta, por exemplo, no caso do delírio persecutório, percebe, em toda parte,
indícios claros – embora irreais – de uma perseguição contra a sua pessoa.
Esse tipo de fenômeno ocorre de modo espontâneo em certas doenças mentais
denominadas psicoses, razão pela qual essas drogas também são chamadas
psicotomiméticos.
Alucinógenos
Designação dada a diversas drogas que possuem a propriedade de provocar uma
série de distorções do funcionamento normal do cérebro, que trazem como
consequência uma variada gama de alterações psíquicas, entre as quais,
alucinações e delírios, sem que haja uma estimulação ou depressão da atividade
cerebral.
 Alucinógenos propriamente ditos ou alucinógenos primários:
São os alucinógenos capazes de produzir seus efeitos psíquicos em doses que
praticamente não alteram outra função no organismo.
 Alucinógenos secundários como os anticolinérgicos:
São capazes de induzir efeitos alucinógenos em doses que afetam de maneira
importante diversas outras funções.
 Plantas com propriedades alucinógenas:
Diversas plantas possuem propriedades alucinógenas como, por exemplo, alguns
cogumelos (Psylocibe mexicana, que produz a psilocibina), a jurema (Mimosa
hostilis) e outras plantas eventualmente utilizadas na forma de chás e
beberagens alucinógenas.
Há também substâncias alucinógenas sintetizadas artificialmente, das quais a
principal é a dietilamida do ácido lisérgico (LSD)
LSD
É uma das substâncias mais potentes com ação psicotrópica que se
conhece. As doses de 20 a 50 milionésimos de grama produzem efeitos com
duração de 4 a 12 horas.
Seus efeitos dependem muito da sensibilidade da pessoa às ações da droga, de
seu estado de espírito no momento da utilização e também do ambiente em que se
deu a experiência.
Efeitos do uso de LSD:
 Distorções perceptivas (cores, formas e contornos alterados);
 Fusão de sentidos (por exemplo, a impressão de que os sons adquirem
forma ou cor);
 Perda da discriminação de tempo e espaço (minutos parecem horas ou
metros assemelham-se a quilômetros);
 Alucinações (visuais ou auditivas) podem ser vivenciadas como sensações
agradáveis, mas também podem deixar o usuário extremamente
amedrontado;
 Estados de exaltação (coexistem com muita ansiedade, angústia e pânico
e são relatados como boas ou más “viagens”).
Outra repercussão psíquica da ação do LSD sobre o cérebro são os delírios, ou
seja, falsos juízos da realidade: há uma realidade, um fato qualquer, mas a pessoa
delirante não é capaz de fazer avaliações corretas a seu respeito.
Outros efeitos tóxicos
Há descrições de pessoas que experimentam sensações de ansiedade muito
intensa, depressão e até quadros psicóticos por longos períodos após o consumo do
LSD.
Uma variante desse efeito é o flashback, quando após semanas ou
meses depois de uma experiência com LSD, o indivíduo volta a apresentar
repentinamente todos os efeitos psíquicos da experiência anterior, sem ter
voltado a consumir a droga novamente, com consequências imprevisíveis, uma
vez que tais efeitos não estavam sendo procurados ou esperados e podem surgir
em ocasiões bastante impróprias.
Efeitos no resto do organismo:
 Aceleração do pulso
 Dilatação pupilar.
 Episódios de convulsão já foram relatados, mas são raros.
 Tolerância e abstinência
O fenômeno da tolerância desenvolve-se muito rapidamente com o LSD, mas
também há um desaparecimento rápido com a interrupção do uso da substância. Não
há descrição de uma síndrome de abstinência se um usuário crônico deixa de
consumir a substância, mas, ainda assim, pode ocorrer a dependência quando, por
exemplo, as experiências com o LSD ou outras drogas perturbadoras do SNC são
encaradas como “respostas aos problemas da vida” ou “formas de encontrar-
se”, que fazem com que a pessoa tenha dificuldades em deixar de consumir a
substância, frequentemente ficando à deriva no dia a dia, sem destino ou objetivos
que venham enriquecer sua vida pessoal.
Ecstasy (3,4-metileno-dioxi-metanfetamina ou MDMA)
É uma substância alucinógena que guarda relação química com as
anfetaminas e apresenta também propriedades estimulantes. Seu uso é
frequentemente associado a certas culturas, como alguns grupos de jovens
frequentadores de danceterias ou boates.
Há relatos de casos de morte por hipertermia maligna, em que a participação da
droga não é completamente esclarecida.
Possivelmente, a droga induza a um quadro tóxico específico, uma vez que com
o aumento da temperatura do corpo, a ingestão de água torna-se uma necessidade,
porém o ecstasy dificulta a eliminação de líquidos, gerando o acúmulo de água e
drogas no corpo. Também existem suspeitas de que a substância seja tóxica
para um grupo específico de neurônios produtores de serotonina. Hipertermia
maligna – Aumento excessivo da temperatura corporal.

[Link] os conceitos de dependência física e psíquica.

Dependência física
A dependência física é uma condição em que o corpo se adapta à presença de
uma determinada substância, de modo que a interrupção abrupta do uso dessa
substância resulta em sintomas de abstinência. Esses sintomas podem variar
dependendo da droga e do nível de dependência, mas podem incluir uma série de
manifestações físicas e psicológicas desagradáveis.
Dependência física é a necessidade da droga para manter o funcionamento
normal. Na ausência da droga, revelam-se as adaptações que produziram a
tolerância. A característica da dependência física é a manifestação de sintomas de
abstinência na ausência da droga.
Como na tolerância, a dependência pode resultar de alterações nas vias de
sinalização celular. Por exemplo, uma droga que cause tolerância farmacodinâmica
por meio de supra-regulação da via do AMPc também provoca dependência porque a
interrupção súbita do uso permite que a adenil ciclase supraregulada afete uma
resposta supranormal.
Inversamente, uma droga que reduza o número de receptores ou diminua a
sensibilidade do receptor provoca dependência porque a interrupção causa a
subestimulação dos receptores infra-regulados. Esses efeitos freqüentemente são
visíveis porque o receptor tem um agonista endógeno, de modo que a ativação do
receptor é parte dos processos fisiológicos normais.
Quando um sistema de mensageiro secundário é supra-regulado ou um receptor
da superfície celular é infra-regulado, uma quantidade normal do agonista endógeno
pode provocar uma resposta supranormal ou subnormal, respectivamente. Por
exemplo, a ingestão aguda de álcool facilita a atividade inibitória do GABA em seus
receptores, causando sedação.
Ao longo do tempo, os receptores de GABA são infra-regulados, reduzindo o
nível de inibição para neutralizar os efeitos sedativos do álcool. Caso haja interrupção
súbita do uso de álcool, a diminuição da inibição GABAérgica provoca um estado de
hiperatividade do sistema nervoso central, que caracteriza a abstinência de álcool.
Assim, a tolerância e a dependência física são provocadas por mecanismos
semelhantes; no entanto, como é possível haver dependência sem tolerância e vice-
versa, fica claro que nossa compreensão desses fenômenos é incompleta.
Mecanismos de dependência psicológica
A dependência psicológica, muitas vezes referida como dependência emocional
ou dependência comportamental, é caracterizada por um forte desejo ou necessidade
compulsiva de consumir uma substância ou se envolver em um comportamento
específico, devido aos efeitos prazerosos ou gratificantes que isso proporciona. Os
mecanismos de dependência psicológica podem incluir uma combinação de fatores
emocionais, comportamentais e cognitivos.
Embora os mecanismos de dependência física sejam relativamente bem
caracterizados, as causas de dependência psicológica ainda são controversas.,
Na década de 1950, Olds e Milner implantaram eletrodos em várias regiões
encefálicas de ratos para descobrir que áreas neuroanatômicas mediavam o
comportamento de recompensa. Os ratos aprenderam uma tarefa (como pressionar
uma alavanca) que provocava um pulso breve de estimulação encefálica não-
destrutiva no local do eletrodo.
Os feixes prosencefálicos mediais e a área tegmental ventral (ATV) no
mesencéfalo foram considerados locais de recompensa encefálica bastante eficazes.
Um subgrupo de neurônios dopaminérgicos projeta-se diretamente da área
tegmental ventral para o nucleus accumbens (NAc) através do feixe prosencefálico
medial. Acredita-se que esses neurônios sejam fundamentais para a via de
recompensa encefálica, porque a secção dessa via, ou o bloqueio dos receptores de
dopamina no nucleus accumbens por um antagonista do receptor da dopamina reduz
os efeitos de recompensa decorrentes do estímulo da área tegmental ventral.
Além disso, a liberação de dopamina no nucleus accumbens pode ser detectada
usando a técnica de microdiálise. Essas medidas mostram que as sinapses
dopaminérgicas do nucleus accumbens estão ativas durante a estimulação da via de
recompensa do encéfalo e que a dopamina no nucleus accumbens é necessária para a
recompensa.
As drogas que podem causar dependência psicológica induzem a maior
dependência quando administradas diretamente à área tegmental ventral, ao nucleus
accumbens ou às áreas corticais ou subcorticais que inervam essas duas regiões.
Embora a via dopaminérgica esteja associada à recompensa, a dopamina também
pode tornar os estímulos mais notados e alertar o animal ou a pessoa para sua
importância.
A via da dopamina é ativada durante o uso da droga. O nucleus accumbens
recebe impulsos de várias regiões do encéfalo e também da área tegmental ventral
dopaminérgica. Foram encontradas vias provenientes de várias áreas do córtex,
hipocampo, tálamo e amígdala, e dos núcleos serotonérgicos; essas vias podem
mediar o aprendizado e a associação relacionados à recompensa.
Embora a descoberta de que as drogas de abuso ativam a via de recompensa
encefálica seja uma explicação fácil para a dependência psicológica (i. é, que a
administração de uma droga está associada à recompensa), a literatura recente
sugeriu que a dependência psicológica é mais complicada.
É provável que muitos mecanismos moleculares que medeiam a dependência
física, como a supra-regulação das vias de sinalização do mensageiro secundário e
alterações na sensibilidade do receptor, também sejam importantes na dependência
psicológica. Nessa formulação, a distinção entre dependência física e psicológica
ocorre não porque há diferentes mecanismos moleculares, mas porque as alterações
induzidas pela droga afetam neurônios que têm diferentes funções.
Por exemplo, uma droga pode causar euforia aguda porque ativa a via de
recompensa encefálica dopaminérgica, mas a euforia pode ser seguida por um
período de disforia. Se a via de recompensa encefálica sofrer adaptações após a
administração repetida da droga, essas adaptações serão reveladas durante a
abstinência, resultando em um estado de dependência psicológica.
OBS:
Sistema de abstinência:
A abstinência alcoólica está inserida em um contexto mais amplo, que é o abuso
e a dependência do álcool.
Define-se abuso de álcool quando existe um padrão desadaptado de consumo,
levando a prejuízo ou problema clinicamente significativo, manifestados em doze
meses por um dos seguintes motivos:
 Falha em realizar obrigações no trabalho, em casa ou na escola.
 Uso recorrente em situações perigosas.
 Problemas legais relacionados ao álcool.
 Uso contínuo a despeito de problemas pessoais ou sociais relacionados ao
álcool. A dependência ao álcool, por sua vez, é definida pelo padrão
desadaptado de consumo, levando a prejuízo ou problemas clinicamente
significativos, manifestados em doze meses por três ou mais dos seguintes
motivos:
 Tolerância (uso de doses progressivamente maiores ou efeito reduzido com a
mesma dose).
 Abstinência (sintomas de abstinência ou uso para aliviar ou evitar os sintomas).
 Uso de doses maiores e por períodos mais prolongados que o planejado.
 Desejo persistente ou tentativas sem sucesso de parar ou reduzir o uso.
 Grande tempo despendido na obtenção, no uso ou na recuperação do uso. •
 Deixar de realizar ou reduzir atividades sociais, recreacionais ou ocupacionais
importantes.
 Uso continuado a despeito do conhecimento dos problemas físicos e psicológicos
associados ao álcool.
Etiologia e fisiopatologia
A síndrome de abstinência alcoólica inclui dois componentes:
1. Cessação ou redução no uso crônico de grande quantidade de álcool
(dependência do álcool).
2. Presença de dois ou mais dos sintomas de abstinência:
 Hiperatividade autonômica (sudorese, taquicardia, hipertensão sistólica).
 Tremor nas mãos.
 Insônia.
 Náuseas ou vômitos.
 Alucinações visuais, auditivas ou táteis transitórias.
 Agitação psicomotora.
 Ansiedade.
 Convulsões tônico-clônicas generalizadas.
A ingestão aguda de álcool leva inicialmente a uma liberação de opioides
endógenos causando euforia e reforço para o uso contínuo; em seguida, há ativação
dos receptores inibitórios GABA tipo A, causando efeitos sedativos, ansiolíticos,
descoordenação e inibição dos receptores excitatórios.
Em razão do uso crônico do álcool ocorrem alterações no número e na função
dos receptores, como uma resposta compensatória aos efeitos depressivos do álcool.
Assim, há uma diminuição nos receptores GABA tipo A e um aumento nos receptores
excitatórios. Essa adaptação crônica reverte-se quando há suspensão da ingestão
crônica de álcool, culminando com o estado de hiperexcitabilidade da síndrome de
abstinência alcoólica.
Achados clínicos
O curso da síndrome de abstinência alcoólica é altamente variável e depende de
alguns fatores, como:
 Quantidade de álcool consumida.
 Síndromes de abstinência prévias.
 Condições médicas associadas.
Em média, os sintomas de abstinência podem começar de 5 a 10 horas após a
última dose, com pico entre 48 e 72 horas, desaparecendo em 5 a 14 dias.
[Link] aspectos biológicos e sociais do uso de drogas.
Aspectos Biológicos:
Efeitos no cérebro:
As drogas podem afetar neurotransmissores no cérebro, resultando em mudanças no
humor, comportamento e percepção.
Tolerância e Dependência:
Com o uso continuado, pode-se desenvolver tolerância, levando a uma necessidade
de doses mais altas para alcançar os mesmos efeitos. A dependência também pode se
desenvolver, resultando em sintomas de abstinência quando o uso é interrompido.
Danos físicos:
O uso crônico de drogas pode levar a danos significativos em órgãos vitais, como o
fígado, coração e pulmões, além de comprometer o sistema imunológico, levando a
uma maior suscetibilidade a doenças.

Aspectos Sociais:
Desintegração familiar e Relações Sociais:
O uso de drogas pode levar à desintegração de relações familiares e sociais,
levando a isolamento e conflitos interpessoais.
Impacto econômico:
O uso de drogas pode levar a desafios financeiros, incluindo gastos excessivos
com drogas e potencial perda de emprego devido ao uso ou comportamento
relacionado a drogas.
Crime e violência:
O tráfico de drogas e o comportamento associado ao consumo podem contribuir
para a criminalidade e violência em comunidades, levando a um ciclo de pobreza e
desespero.
Saúde Pública: O abuso de drogas está associado a problemas de saúde
pública, incluindo o aumento da propagação de doenças infecciosas, como HIV/AIDS e
hepatites virais, devido ao compartilhamento de agulhas.
Estigma social: As pessoas que lutam contra o vício podem enfrentar estigmatização
social, o que pode dificultar o acesso a tratamento e apoio adequado.
É importante abordar o uso de drogas de forma holística, considerando tanto os
aspectos biológicos quanto os sociais para implementar políticas e programas eficazes
de prevenção, tratamento e recuperação. A abordagem deve ser baseada em
evidências e centrada na redução de danos, na promoção da saúde e na reintegração
social.

4. Correlacionar os mecanismo de ação do álcool, maconha e cocaína com as


complicações decorrentes do seu uso/abuso.

Álcool
Os efeitos do álcool no indivíduo e a sua capacidade de alterar o comportamento
são conhecidos desde o início do seu consumo pelas diferentes sociedades. Embora o
álcool não seja classicamente considerado uma droga no Brasil, ele é considerado um
depressor psicotrópico do SNC e seu consumo é um dos mais elevados entre todos os
psicoativos. substâncias, facto que tem inúmeras consequências.
Metabolização do álcool
Quando digerido o álcool é absorvido pelo estômago e intestino delgado, e sua
velocidade de absorção depende da concentração de álcool na bebida consumida e se
a pessoa está ou não em jejum.
Em razão do álcool ser facilmente solúvel em água ou gordura, boa parte é
absorvida diretamente na mucosa do estômago. Caso este órgão esteja vazio a
absorção é acelerada e sua chegada no cérebro e fígado mais rápida, apresentando
maior probabilidade de causar riscos à saúde e a embriaguez é produzida mais
rapidamente.
O pico de concentração é atingido em meia ou duas horas após a ingestão. A
metabolização hepática ocorre principalmente por oxidação, devido a ação da enzima
citoplasmática álcool-desidrogenase (ADH), que o transforma em aldeído acético. O
aldeído acético é uma substância tóxica e é rapidamente convertida pela enzima
aldeído-desidrogenase (ALDH) em acetato, que por sua vez se transforma em
acetilcoenzima A que participa do ciclo de Krebs, liberando gás carbônico e água
(SILVA 1997).
As moléculas de acetil-coenzima A podem também ser utilizadas nas reações
anabólicas, como síntese de colesterol, ácidos graxos ou outros componentes do
tecido.
]
E a dependência ?
A dependência é explicada fisiologicamente porque o álcool produz na região do
núcleo acumbens (núcleo do prosencéfalo basal próximo ao septo, recebe botões
terminais de neurônios dopaminérgicos provenientes da área tegmental ventral e
acredita-se estar envolvido no reforço e na atenção) um estímulo de reforço para a
atitude compulsiva de beber.
O etanol promove a liberação de dopamina no núcleo acumben, promovendo a
sensação de prazer. Essa mesma liberação ocorre naturalmente com alimento,
parceiro sexual ou água, são portanto, uma estimulação cerebral reforçadora.
Um sistema de reforço deve desempenhar duas funções: detectar a presença de
um estímulo e fortalecer as conexões entre os neurônios que detectam os estímulos
significativos (como ver um copo com pinga) e aqueles que produzem a resposta
instrumental (beber a pinga).
É importante detectar e diferenciar um estímulo reforçador de outro que não é,
por exemplo, a presença de alimento reforçará o comportamento de um organismo
faminto, mas não daquele que acabou de se alimentar. Assim, o sistema de reforço
não é ativado automaticamente, quando um determinado estímulo está presente,
mas dependerá do estado do organismo (CARLSON 2002).
O reforço neronal causado pelo consumo da bebida é classificado como positivo,
pois os sintomas desagradáveis só aparecem muito tempo após o consumo, sendo
vivenciado efeitos iniciais de euforia, relaxamento, etc.
A síndrome da dependência física é caracterizada por: tremor generalizado,
acompanhado por pertubações perceptivas, náuseas, vômitos e agitação. O tremor no
princípio é leve, aparecendo todas as manhãs, antes do primeiro gole. Apresenta-se
nas mãos, na face até o estágio generalizado.
A desordem perceptiva pode se configurar em pesadelos, ilusões visuais ou
auditivas e alucinações. Já as náuseas principalmente ao escovar os dentes pela
manhã, fazendo com que a pessoa deixe de tomar o café da manhã por medo de
vomitar. Os sintomas começam a aparecer dentro de horas após a interrupção do
hábito de beber.
Efeitos do álcool sobre gabaminérgicos e glutamatérgicos
O álcool é um depressor psicotrópico do SNC. Este propriedade está associada à
ação do álcool em diferentes neurotransmissores, incluindo a estimulação de ácido
gama-aminobutírico (GABA), o principal inibidor neurotransmissor do SNC e a inibição
do glutamato, principal neurotransmissor excitatório central. O álcool potencializa os
efeitos do GABA agindo diretamente em seus receptores, potencializando seus efeitos
inibitórios.
Esses efeitos inibitórios incluem sedação, perda de inibições e relaxamento, e
pode estar relacionado à produção de certos neuroesteróides, como a
alopregnanolona. O este último pode ser um mediador desses efeitos no cérebro, uma
vez que esteróides neuroativos são moduladores alostéricos positivos de receptores
de neurotransmissores, como GABAA.
O complexo receptor-ionóforo GABAA é amplamente distribuído por todo o SNC
e sua ativação causa abertura dos canais de cloreto, com consequente
hiperpolarização da membrana e produção de potencial inibitório pós-sináptico.
Este receptor consiste em várias classes de subunidades (a, b, g, d e r) que
conferem diferentes propriedades farmacológicas.
E o uso prolongado ?
No caso do uso prolongado de álcool, acontece uma regulação negativa que reduz
o número de receptores GABA , um evento isso explicaria o efeito da tolerância ao
álcool, ou seja, a fato de que os indivíduos necessitam de doses mais elevadas de
álcool para atingir os mesmos sintomas de inibição obtidos anteriormente com doses
mais baixas.
A perda de efeitos inibitórios e a deficiência do receptor GABA resultam em
sintomas de abstinência.
Estudos também indicam que o uso prolongado de álcool causa prejuízos
detectáveis na memória, principalmente por redução da massa do hipocampo
mediada por GABA.
O hipocampo está relacionado a memórias explícitas, ou seja, memórias sobre
as quais podemos falar, como o jantar da noite passada ou o data de um evento
histórico. A memória explícita envolve o lembrança consciente de informações.
O hipocampo é conhecido por ser necessário para a aquisição deste tipo da memória,
uma vez que danos nesta região impedem os indivíduos de estabelecer novas
memórias explícitas.
Um elemento chave nestes eventos é uma via de transdução de sinal mediada
por Proteínas Quinases Ativadas por Mitógenos (MAPK).
As MAPKs são importantes proteínas sinalizadoras que são ativadas por
neurotransmissores e diferentes fatores de crescimento.
Um membro desta família é a quinase regulada por sinal extracelular (ERK). A
cascata ERK é usada em todos os cérebros regiões onde ocorre a plasticidade
sináptica e sua ativação é necessária para a formação de novas memórias.
Se a atividade da ERK for bloqueada pela injeção de um inibidor em uma
determinada região do cérebro, como a amígdala, a formação de odos os modos de
aprendizagem associados a esta estrutura irão ser bloqueado. Da mesma forma, o
bloqueio da actividade da ERK no o hipocampo impede a formação hipocampal de
memórias explícitas.
O consumo excessivo de álcool suprime a fosforilação dessas proteínas
quinases (ERK),que é regulado pelo GABA. Assim, o abuso do etanol impede a
ativação do circuito de memória, neste caso, o memória explícita suportada pelo
hipocampo.
No caso do glutamato, a perda de ionotrópico (AMPA,cainato ou NMDA) e
receptores metabotrópicos (rM1, rM8)leva à redução da neurotransmissão
glutamatérgica excitatória.17 A ativação de receptores ionotrópicos aumenta o cálcio
intracelular (Ca2) através de diferentes rotas.
O álcool (etanol para beber) possui efeitos diversos e disseminados no corpo e
tem impacto direto ou indireto em quase todos os sistemas neuroquímicos do
cérebro.
O álcool é absorvido das mucosas da boca e do esôfago (em pequenas
quantidades), do estômago e intestino grosso (em quantidades modestas) e da parte
proximal do intestino delgado (o principal local).
A taxa de absorção é aumentada pelo esvaziamento gástrico rápido (como
observado com refrigerantes); pela ausência de proteínas, gorduras ou carboidratos
(que interferem na absorção); e pela diluição a uma porcentagem modesta de etanol
(máximo em torno de 20% do volume).
O do etanol é excretado diretamente pelos pulmões, pela urina ou pelo suor,
porém a maior parte é metabolizada em acetaldeído, sobretudo no fígado. A via mais
importante ocorre no citosol celular, em que a álcool-desidrogenase (ADH) produz
acetaldeído, sendo em seguida rapidamente destruída pela aldeído-desidrogenase
(ALDH) no citosol e nas mitocôndrias.
Uma segunda via ocorre nos microssomos do retículo endoplasmático liso (o
sistema microssomal de oxidação de etanol, ou MEOS), que é responsável por ≥ 10%
da oxidação do etanol em concentrações sanguíneas de álcool elevadas.

No cérebro, o álcool afeta quase todos os sistemas neurotransmissores.


As ações mais proeminentes estão relacionadas com estimulação da atividade
do ácido γ-aminobutírico (GABA), especialmente nos receptores de GABAA.
O aumento desse complexo sistema do canal de cloreto contribui para efeitos
anticonvulsivantes, indutores do sono, ansiolíticos e de relaxamento muscular de
todos os fármacos estimuladores do GABA.
O álcool administrado de maneira aguda produz uma liberação de GABA, e o
uso continuado aumenta a densidade dos receptores GABAA , enquanto os estados de
abstinência do álcool são caracterizados pelas reduções da atividade relacionada com
GABA.
Também importante é a capacidade do uso agudo do álcool de inibir receptores
glutamatérgicos sinápticos excitatórios N-metil-D-aspartato (NMDA), enquanto a
ingestão crônica de bebida e a abstinência estão associadas a uma suprarregulação
dessas subunidades excitatórias do receptor. As relações entre atividade maior de
GABA e atividade reduzida de NMDA durante a intoxicação aguda e ações GABA
reduzidas com ações de NMDA aumentadas durante a abstinência de álcool explicam
grande parte da intoxicação e do fenômeno de abstinência.
Assim como com todas as atividades prazerosas, a ingestão aguda de álcool
aumenta os níveis de dopamina no tegmento ventral e regiões cerebrais relacionadas,
e seu efeito desempenha um papel importante sobre uso continuado de álcool, fissura
e recaída.
As alterações nas vias dopaminérgicas também estão ligadas a aumentos dos
“hormônios do estresse”, incluindo cortisol e hormônio adrenocorticotrófico (ACTH)
durante a intoxicação e no contexto do estresse da abstinência.
Essas alterações provavelmente contribuem para sentimentos de recompensa
durante a intoxicação e depressão durante a queda da alcoolemia. Também
estreitamente ligadas a alterações na dopamina (em especial no nucleus accumbens)
estão as alterações induzidas pelo álcool nos receptores opioides, com uso agudo de
álcool causando liberação de βendorfinas. Outras alterações neuroquímicas incluem
aumentos nos níveis sinápticos de serotonina durante intoxicação aguda e
suprarregulação subsequente dos receptores da serotonina.
Os aumentos agudos nos sistemas nicotínicos de acetilcolina contribuem para o
impacto do álcool na região tegmentar ventral, que ocorre em consonância com o
aumento da atividade da dopamina.
Nas mesmas regiões, o álcool exerce impacto nos receptores canabinoides, com
liberação resultante de dopamina, GABA e glutamato, assim como efeitos
subsequentes nos circuitos de recompensa cerebrais.
Efeitos do etanol nos sistemas orgânicos
Quantidades relativamente baixas de álcool (1 a 2 doses por dia) apresentam
potenciais efeitos benéficos de aumentar o colesterol da lipoproteína de alta
densidade (HDL) e reduzir a agregação plaquetária, com uma consequente redução
do risco de doença coronariana oclusiva e acidentes vasculares cerebrais (AVCs)
embólicos.
A ingestão modesta de álcool também pode reduzir o risco de demência
vascular e, possivelmente, doença de Alzheimer.
SISTEMA NERVOSO
Muitos indivíduos com transtornos por uso de álcool, sofrem blackout. Trata-se
de um episódio de amnésia anterógrada temporária, em que o indivíduo está
acordado, porém esquece tudo.
Outro problema comum, é a perturbação do sono. Os estágios do sono são
alterados, e o tempo decorrido durante o sono de movimentos oculares rápidos (REM)
e sono profundo no início da noite é reduzido.
O álcool relaxa os músculos na faringe, o que pode causar roncos e exacerbar a
apneia do sono;
Os pacientes também podem ter sonhos proeminentes e algumas vezes
perturbadores tarde da noite.
O uso crônico de doses altas provoca neuropatia periférica em cerca de 10% dos
indivíduos com transtornos por uso de álcool: à semelhança do diabetes, os pacientes
apresentam dormência, formigamento e parestesias bilaterais nos membros, que são
mais pronunciados distalmente.
Podem desenvolver síndromes de Wernicke (oftalmoparesia, ataxia e
encefalopatia) e de Korsakoff (amnésia retrógrada e anterógrada grave) completas,
embora uma proporção maior tenha um ou mais achados neuropatológicos
relacionados com essas condições. Tais síndromes decorrem dos níveis baixos de
tiamina, sobretudo nos indivíduos com deficiência de transcetolase.
SISTEMA GASTRINTESTINAL
Esôfago e estômago
O álcool pode causar inflamação do esôfago e estômago, causando desconforto
epigástrico e hemorragia digestiva. O álcool é uma das causas mais comuns de
gastrite hemorrágica. Vômitos violentos podem produzir sangramento intenso por
lesão de Mallory-Weiss, uma laceração longitudinal da mucosa na junção
gastresofágica
Pâncreas e fígado

O álcool prejudica a gliconeogênese no fígado, com resultante queda na quantidade de


glicose produzida a partir do glicogênio, aumento da produção de lactato e diminuição da
oxidação dos ácidos graxos. Eles contribuem para um aumento no acúmulo de gordura nos
hepatócitos.

Nos indivíduos sadios, essas alterações são reversíveis; entretanto, com exposição
repetida ao etanol, particularmente com o consumo pesado diário, ocorrem alterações
hepáticas mais graves, incluindo hepatite induzida por álcool, esclerose perivenular e cirrose.

Sistema hematopoiético
O etanol aumenta o tamanho dos eritrócitos (volume corpuscular médio [VCM]),
que reflete seus efeitos sobre as células-tronco. Se a ingestão contumaz de álcool for
acompanhada por deficiência de ácido fólico, também poderá haver neutrófilos
hipersegmentados, reticulocitopenia e medula óssea hiperplásica; se houver
desnutrição, também poderão ser observadas alterações sideroblásticas.
O consumo pesado crônico pode diminuir a produção dos leucócitos, a mobilidade
e aderência dos granulócitos, bem como prejudicar a resposta de hipersensibilidade
tardia a novos antígenos. As deficiências imunológicas associadas podem contribuir
para vulnerabilidade a infecções.
Sistema cardiovascular
Agudamente, o etanol diminui a contratilidade miocárdica e causa vasodilatação
periférica, com resultante diminuição na pressão arterial e aumento compensatório no
débito cardíaco.
O consumo de três ou mais doses por dia resulta em um aumento da pressão
arterial dose-dependente, que retorna ao normal com algumas semanas de
abstinência. Assim, o beber pesado é um fator importante para a hipertensão leve a
moderada. O beber pesado crônico também aumenta em seis vezes o risco de
doença arterial coronariana relacionada, em parte, a aumento do colesterol da
lipoproteína de baixa densidade (LDL) e eleva o risco de miocardiopatia por meio de
efeitos diretos do álcool no músculo cardíaco.

Cocaína
A cocaína é um poderoso estimulante obtido da planta coca. Possui propriedades
anestésicas locais, vasoconstritoras e estimulantes. A cocaína é uma substância que
tem alto potencial de abuso, mas pode ser administrada por um médico para uso
clínico legal.
Se apresenta em 5 tipos:
1. Folhas de Coca:
Podem ser mascadas ou ingeridas como chá de coca. Preparação obtida pela
maceração das folhas associada ao ácido sulfúrico e bicarbonato de sódio. Este
produto pode conter sulfato de cocaína (40-85%), além de cocaína na forma de base.
2. Pasta de Coca:
Composta por folhas de coca mais solventes orgânicos (querosene ou gasolina
combinada ao ácido sulfúrico). A pasta de coca é obtida nas primeiras fases de
preparação e contém muitas impurezas tóxicas. Essa preparação pode ser misturada
com tabaco e maconha, formando o “basuco”.
3. Cloridrato de Cocaína:
A pasta de coca mais ácido clorídrico (HCl) forma cloridrato de cocaína (forma de
sal), conhecido como cocaína em pó (fino, branco ou cristalino). Cloridrato de cocaína
pode ser aspirado ou dissolvido em água e ser usado via endovenosa; porém, não
pode ser fumada, pois é volátil, ou seja, grande parte de sua forma ativa é destruída
em altas temperaturas. Para ser fumada, o sal de cocaína precisa retornar a forma de
base, neutralizando-se o cloridrato ou a parte ácida. Nesse caso o produto resultante
será o crack.
4. Crack (rock):
Conhecido como cocaína alcalóide ou base livre. É formado pela reação do
cloridrato de cocaína com uma solução aquosa de um álcali (amônia ou bicarbonato
de sódio) aquecido. O crack é comercializado na forma de pedras porosas.
5. Merla:
Semelhante à pasta de coca, porém o teor de solventes contaminantes é
maior.
Fisiopatologia
O uso agudo da cocaína causa liberação de dopamina, epinefrina, norepinefrina
e serotonina. Esses neurotransmissores atuam em diferentes subtipos de receptores,
causando diversos efeitos, entretanto o mais importante é a estimulação adrenérgica
pela norepinefrina e epinefrina.

A norepinefrina causa vasoconstrição por estimulação dos receptores alfa-


adrenérgicos no músculo liso vascular, enquanto a epinefrina aumenta a
contratilidade miocárdica e a frequência cardíaca mediante a estimulação dos
receptores beta1- adrenérgicos.
Além da liberação de catecolaminas, a recaptação desses neurotransmissores
estimulantes a partir da fenda sináptica é inibida, alterando o equilíbrio normal entre
os tônus excitatório e inibitório no SNC. Uma estimulação subsequente propaga a
liberação de catecolaminas periféricas . A recaptação da serotonina também é inibida
de forma semelhante e pode levar ao aumento da resposta serotoninérgica.
A cocaína também é um agente anestésico local, retardando os impulsos
nervosos das fibras neuronais de dor e bloqueando o movimento interno do sódio
através das membranas celulares (durante a fase 0 do potencial de ação). O bloqueio
do canal de sódio através das células miocárdicas, semelhante aos antiarrítmicos da
classe IA, é responsável pela eventual alteração de condução observada em pacientes
com toxicidade aguda pela cocaína. O metabolismo da cocaína ocorre no fígado e no
plasma. No fígado, o fármaco é metabolizado principalmente no metabólico ativo
norcocaína, que potencializa a substância original.

No plasma, a cocaína é metabolizada em ecgonina metil éster por intermédio da


pseudocolinesterase (colinesterase plasmática). Essa diferença pode explicar as
variações de duração da ação em diferentes vias de administração. A ecgonina metil
éster pode ser protetora porque é um vasodilatador. As diferenças genéticas na
expressão fenotípica das colinesterases plasmáticas podem representar alterações
individuais na suscetibilidade à toxicidade da cocaína.
A benzoilecgonina, encontrada no plasma e produzida principalmente pela
hidrólise não enzimática, é o metabólito da cocaína identificado pelas análises
toxicológicas da urina. A metilecgonidina e o seu metabólito, a ecgonidina, são
produtos da pirólise da cocaína (crack). Embora seja menos comumente testada, a
metilecgonidina também pode ser identificada na urina.
O uso de etanol com cocaína forma o cocaetileno, um metabólito que
potencializa os efeitos estimuladores do fármaco e prolonga a duração do efeito.

Farmacocinética (ADME)
Absorção
 Via oral:
Absorção é lenta e incompleta, necessitando mais de 1 hora sendo que 75% da
droga absorvida é rapidamente metabolizada no fígado. Apenas 25% da droga
ingerida alcança o cérebro, e isso requer um longo período de tempo.
 Aspirada:
Absorção acontece pelas membranas nasofaríngeas, mas por se tratar de uma
substância vasoconstritora, limita sua própria absorção.
 Injetada: (endovenosa).
A cocaína cruza todas as barreiras de absorção e alcança a corrente sanguínea
imediatamente. Produz um rápido, poderoso e breve efeito. É a forma mais perigosa
de consumo.
 Fumada:
Absorção rápida e quase completa, porém, uma porção significante é perdida
quando a cocaína é aquecida nesta preparação (fumada). A velocidade de absorção
pode ser comparada com a via endovenosa. Tmáx – 6 a 8 minutos (injetada e
fumada).

Distribuição
Após penetrar no cérebro, é rapidamente distribuída para outros tecidos,
concentrando-se no baço e rins.
Metabolização
A cocaína é metabolizada primeiramente em metil éster ecgonina e
benzoilecgonina – ambos excretados por via renal, representando 75 – 90% do
metabolismo da cocaína.
Também são formados, em pequena quantidade, ecgonina e norcocaína
(metabólito biologicamente ativo). A metil éster ecgonina sofre ação das
colinesterases (enzimas hepáticas e séricas) enquanto que a benzoilecgonina é
formada por hidrólise não enzimática.
A desmetilação da cocaína para formar norcocaína ocorre através do sistema
oxidase de função mista hepática.
Eliminação
O tempo de meia-vida (T1/2) é de 0,5 a 1,5 horas para a cocaína (a meia-vida é
curta, pois é rapidamente metabolizada no fígado), 3 a 4 horas para o metil éster
ecgonina e de 4 a 7 horas para a benzoilecgonina.
A eliminação da cocaína e benzoilecgonina será maior se o pH urinário for ácido,
enquanto que para o metabólito (norcocaína) a eliminação é preferencial se o pH for
alcalino.
OBS: o metabolismo da cocaína é promovido pela ação das colinesterases
hepáticas e plasmáticas, cujas atividades variam (por exemplo, no feto, recém-
nascido, durante a gestação, idoso, deficiência congênita nas colinesterases),
podendo refletir em oscilação na intensidade da resposta farmacológica e toxicológica
da cocaína.
Mecanismo de ação
A cocaína causa efeitos anestésicos pelo bloqueio dos canais de sódio,
estimulação do SNC, e inibição neuronal por captação de catecolaminas;
A cocaína altera as transmissões sinápticas de dopamina, norepinefrina e
serotonina;
A ação no transporte de dopamina é a mais importante, pois reforça os efeitos da
cocaína no organismo, o que leva a dependência;
Os efeitos de prazer ocasionados pela cocaína são devidos principalmente ao fato
de a cocaína inibir a recaptação neuronal de dopamina, deixando muita dopamina
livre na fenda sináptica – isso também ocorre com a noradrenalina e a 5-HT, mas
com menos significância.
A cocaína aumenta a dopamina na sinapse do sistema de recompensa por meio
do bloqueio da captação.
No nucleo accumbes os receptores dopaminérgicos tipo 2 (D2) causam euforia,
enquanto os receptores tipo 1 (D1) inibem tal efeito. Frente à presença constante de
cocaína no cérebro, ocorre um aumento dos receptores D1 e redução dos receptores
D2. Isso dificulta a ação euforizante da cocaína e faz com que o usuário se veja
forçado a aumentar a dose para obter o mesmo efeito de antes.
OBS: Núcleo Accumbens: células nervosas originadas da área tegumental
ventral, responsável pela recompensa de estímulos como: alimentação, água, sexo e
abuso de drogas. Esses estímulos causam aumento na atividade do núcleo
accumbens, pois há aumento do neurotransmissor dopamina.

Efeitos
Efeitos agudos:
Aparecem imediatamente após única dose e desaparecem dentro de poucos
minutos ou horas.
Entre eles:
- Euforia; Sensação de bem-estar;Autoconfiança elevada; Aceleração do
pensamento; Distúrbios do sono, insônia; Excitação motora; Desejo sexual (libido); -
Agressividade, inquietação; Anorexia leve; Aumento das percepções sensoriais
(sexuais, auditivas, táteis e visuais).
Efeitos crônicos:
O uso prolongado de cocaína pode ocasionar importantes prejuízos, como: -
Irritabilidade e distúrbios do humor; - Alucinação; - Delírio - Hostilidade; - Ansiedade;
- Medo, paranóia; - Abstinência; - Extrema energia ou exaustão; - Compulsão motora
estereotipada; - Diminuição do desejo sexual; - Violência extrema; - Anorexia; -
Tolerância e dependência.
Efeitos clínicos:
Várias complicações estão associadas ao abuso de cocaína. As mais freqüentes
incluem efeitos cardiovasculares, respiratórios, neurológicos e gastrintestinais.
Efeitos cardiovasculares:
Arritmias cardíacas, taquicardia, fibrilação ventricular, isquemia do miocárdio,
cardiomiopatias, infarto agudo do miocárdio, dissecção ou ruptura de aorta;
endocardite bacteriana (via e.v.).

Efeitos respiratórios:
a) Via inalatória: boncopneumonias, hemorragia pulmonar, edema pulmonar,
pneumomediastino, pneumotórax, asma, bronquite, bronquiolite obliterante, depósito
de resíduos, corpo estranho, lesões térmicas;
b) Via intranasal: broncopneumonias;
c) Via endovenosa: embolia pulmonar
Efeitos neurológicos: cefaléias, convulsões, acidente vascular cerebral,
hemorragia intracraniana, hemorragia subaracnóidea, aneurismas micóticos (via e.v.)
Complicações gastrintestinais: dor toráxica e abdominal, náuseas, isquemia
mesentérica, esofagite (via inalatória)
Aparelho excretor e distúrbios metabólicos:
Insuficiência renal aguda, hipertermia, hipoglicemia, acidose láctica, hipocalemia
Olhos, ouvidos, nariz e garganta:
a) Via intranasal: necrose de septo nasal, rinite, sinusite, laringite, a alteração no
olfato, hemorragia nasal, problemas na deglutição de alimentos;
b) Via inalatória: lesões térmicas
Outros efeitos: visão borrosa, febre, coma e morte.

Maconha
O grau de atividade psicológica possibilita a diferenciação dos canabinoides. São
conhecidas três classes de canabinoides que exercem efeitos psicológicos:

 Canabigeróis (CBGs),
 Canabicromenos (CBCs)
 Canabidióis (CBDs).

Os canabinoides psicologicamente ativos incluem o tetra-hidrocanabinol (THC), o


canabinol (CBN) e o canabinodiol (CBDL), entre outros canabinoides.

O delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) é a principal substância química psicoativa,


responsável pela maioria dos efeitos intoxicantes.

Os receptores de canabinoides (CB1 e CB2 ) foram identificados no SNC (córtex


cerebral, núcleos da base e hipocampo) e SNP, bem como nos linfócitos T e B. Os
canabinoides endógenos (como a anandamida) e os canabinoides exógenos (THC) ligam-se
aos receptores CB1 . Ocorrem efeitos canabinoides no sistema límbico, afetando a memória, a
cognição e o desempenho psicomotor, bem como na via mesolímbica, interferindo na via de
recompensa e em áreas de percepção da dor.

Os efeitos incluem: alteração dos sentidos, alteração da noção de tempo, riso, alterações
do humor, retardo psicomotor, dificuldade no pensamento e na resolução de problemas e
comprometimento da memória

Fisiopatologia
Suas propriedades psicoativas são principalmente devidas a um canabinóide, o
delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC). A concentração de THC é comumente usada como
uma medida da potência da cannabis. O THC se liga ao receptor canabinóide, um
receptor ligado à proteína G, que inibe a adenil-ciclase e estimula a condutância de
potássio.
Existem dois receptores canabinóides conhecidos: CB1 e CB2.
O CB1 é encontrado no sistema nervoso central, incluindo os gânglios da base,
substância negra, cerebelo, hipocampo e córtex cerebral. Ele age pré-sinapticamente
e inibe a liberação de vários neurotransmissores, incluindo:
 Acetilcolina
 L-glutamato
 Ácido gama amino-butírico (GABA)
 Noradrenalina
 Dopamina e 5-hidroxitriptamina;
Por isso, o uso de cannabis diminui o tempo de reação e prejudica a atenção,
concentração, memória de curto prazo e avaliação de risco.
O CB2 é encontrado perifericamente nos tecidos do sistema imunológico (por
exemplo, macrófagos esplênicos e linfócitos B), terminais nervosos periféricos e ducto
deferente. Postula-se que ele desempenha um papel na regulação das respostas
imunes e reações inflamatórias.

Após a inalação da fumaça da maconha, o aparecimento de efeitos psicoativos


ocorre rapidamente, com efeitos máximos sentidos em 15 a 30 minutos e com
duração de até quatro horas.
Quando comparada à inalação, a ingestão de cannabis tem um início tardio de
efeitos psicoativos que varia de 30 minutos a três horas. A ingestão recreativa de
maconha para obter efeitos psicoativos geralmente pode resultar em efeitos adversos,
porque não há demarcação clara entre doses que atingem os sintomas desejados pelo
usuário de maconha e efeitos nocivos.
Manifestações clínicas
As manifestações clínicas da intoxicação aguda por cannabis variam de acordo
com a idade. As anormalidades neurológicas são mais proeminentes em crianças e
incluem ataxia, atividade motora excessiva e sem propósito das extremidades
(hipercinesia), letargia e coma prolongado, que podem ser fatais.
Os sinais fisiológicos da intoxicação por maconha em adolescentes e adultos
podem incluir taquicardia, aumento da pressão arterial ou, principalmente em idosos,
hipotensão ortostática, aumento da frequência respiratória, hiperemia conjuntival,
boca seca, aumento do apetite, nistagmo, ataxia e fala arrastada. As complicações
associadas ao uso da inalação incluem exacerbações agudas e baixo controle de
sintomas em pacientes com asma, pneumomediastino e pneumotórax, sugeridos por
taquipneia, dor no peito e enfisemas subcutâneos causados por inalação profunda
com respiração.

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