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Integrais Múltiplos em Coordenadas Não Cartesianas

O capítulo aborda a integração em coordenadas não cartesianas, incluindo coordenadas polares, cilíndricas e esféricas. A integração dupla e tripla é discutida, destacando a simplicidade que essas coordenadas trazem para descrever regiões complexas. Exemplos práticos e exercícios são fornecidos para ilustrar a aplicação das integrais em diferentes contextos.

Enviado por

Joaquina Toutosa
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Integrais Múltiplos em Coordenadas Não Cartesianas

O capítulo aborda a integração em coordenadas não cartesianas, incluindo coordenadas polares, cilíndricas e esféricas. A integração dupla e tripla é discutida, destacando a simplicidade que essas coordenadas trazem para descrever regiões complexas. Exemplos práticos e exercícios são fornecidos para ilustrar a aplicação das integrais em diferentes contextos.

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Cap 3 – Integrais múltiplos

52 / 100
3.3 Integração em coordenadas não cartesianas
3.3.1 Coordenadas polares e integração dupla

Coordenadas polares

Integração dupla em coordenadas polares

3.3.2 Coordenadas cilı́ndricas e integração tripla

Coordenadas cilı́ndricas

Integração tripla em coordenadas cilı́ndricas

3.3.3 Coordenadas esféricas e integração tripla

Coordenadas esféricas

Integração tripla em coordenadas esféricas

53 / 100
Problema
Estudar integração dupla em regiões da forma
y
y
x2 + y 2 ≤ 1
x2 + y 2 = 4
D1
D2
x

x2 + y 2 = 1

ou integração tripla em regiões como


z
z

x2 + y 2 = z 2

x y
x

A descrição destas regiões em termos de coordenadas cartesianas (ou retan-


gulares) é bastante complicada, mas torna-se simples se usarmos coordenadas
polares, no primeiro caso, e coordenadas cilı́ndricas ou esféficas, no segundo
caso. 54 / 100
3.3.1 Coordenadas polares e integração dupla

Coordenadas polares

Integração dupla em coordenadas polares

55 / 100
Coordenadas cartesianas vs Coordenadas polares
Coordenadas polares
Coordenadas cartesianas

y P = (x, y) P = (r, θ)

O x

I origem do referencial O, um
I origem do referencial O e dois eixo e um ângulo
eixos
I r é a distância a O
I x distância na horizontal a O
I y distância na vertical a O I θ ângulo entre o eixo polar e
a horizontal

56 / 100
Coordenadas cartesianas vs Coordenadas polares
y P = (x, y)

Coordenadas
r Coordenadas polares
cartesianas

P = (r, θ)
P = (x, y)
θ
x
I Da trigonometria do retângulo vem

x = r cos θ r ∈ [0 + ∞[
y = r sen θ θ∈R

I Logo
p
x2 + y 2 = (r cos θ)2 + (r sen θ)2 = r2 =⇒ r = x2 + y 2

e para x 6= 0
y
= tan θ
x

57 / 100
I Para passar de coordenadas polares a cartesianas

 x = r cos θ
r ∈ [0, +∞[
θ ∈ [0, 2π[
y = r sen θ

I Para passar de coordenadas cartesianas a polares


 p
2 2
 r = x +y

 tan θ = y ,

x 6= 0
x

58 / 100
Observação

I Como as funções seno e cosseno são periódicas, a descrição de


um ponto em coordenadas polares não é única.
Podemos, por exemplo, tomar θ ∈ [ 0, 2π [ .

I As coordenadas polares são indicadas para descrever regiões


circulares (no plano).

59 / 100
Exemplo
 π
I As coordenadas cartesianas de (r, θ) = 7, são
3
 √ 
 π π 7 7 3
(x, y) = (r cos θ, r sen θ) = 7 cos , 7 sen = , .
3 3 2 2

I As coordenadas cartesianas de (r, θ) = (5, π) são (x, y) = (−5, 0).

 √ π
I As coordenadas polares de (x, y) = (3, 3) são (r, θ) = 3 2, , pois
4
 √ √ √
2 2
 r = 3 + 3 = 18 = 3 2

 θ = arctan 3 = arctan 1 = π ,

para θ ∈ [0, 2π[.
3 4

 π
I As coordenadas polares de (x, y) = (0, 2) são (r, θ) = 2, .
2

60 / 100
Exemplo
I A circunferência de equação x2 + y 2 = 4 é descrita em coorde-
nadas polares pelas equações

r = 2, 0 ≤ θ < 2π.

I Em coordenadas polares as regiões


y
y
x2 + y 2 ≤ 1
x2 + y 2 = 4
D1
D2
x

x2 + y 2 = 1

são descritas por

D1 = {(r, θ) : 0 ≤ r ≤ 1, 0 ≤ θ < 2π}


D2 = {(r, θ) : 1 ≤ r ≤ 2, 0 ≤ θ ≤ π}

61 / 100
Retângulo polar
Estas regiões são casos particulares de “retângulos polares”
R = {(r, θ) : a ≤ r ≤ b, α ≤ θ ≤ β}.

As coordenadas cartesianas dos pontos (x, y) ∈ R são


(x, y) = (r cos θ, r sen θ), com a ≤ r ≤ b, α ≤ θ ≤ β.

62 / 100
Integração dupla em coordenadas polares

Suponhamos que se pretende calcular o integral (dado em coorde-


nadas retangulares) ZZ
f (x, y) dA,
R

onde f : R ⊂ R2 −→ R com f (x, y) ≥ 0 e R é um retângulo polar

R = {(r, θ) : a ≤ r ≤ b, α ≤ θ ≤ β}.

63 / 100
I Subdividimos [a, b] em n subintervalos e [α, β] em k subintervalos:

a = r0 < r1 < · · · < rn−1 < rn = b e α = θ0 < θ1 < · · · < θk−1 < θk = β.

I À subdivisão anterior associamos uma subdivisão do retângulo polar R em


n × k sub-retângulos polares

Rij = [ri , ri+1 ] × [θj , θj+1 ].

b θj+1
I O “centro” de Rij é, em coordenadas polares,
1 1
ri∗ = (ri + ri+1 ), θj∗ = (θi + θi+1 ). θj
2 2
I A área do retângulo polar Rij é

1 2 1 a
∆Aij = ri+1 ∆θj − ri2 ∆θj = ri∗ ∆ri ∆θj , ri+1
2 2 ri
onde ∆θj = θj+1 − θj e ∆rj = rj+1 − rj . β
α

I Para cada retângulo Rij escolhemos o ponto


(x∗i , yj∗ ) = (ri∗ cos θj∗ , ri∗ sen θj∗ ).
64 / 100
I O volume do sólido cuja base é o retângulo Rij e altura é f (x∗i , yj∗ ) é
dada por

f (x∗i , yj∗ )∆Aij = f (ri∗ cos θj∗ , ri∗ sen θj∗ )ri∗ ∆ri ∆θj .

I O volume do sólido limitado por R e o gráfico de f pode ser aproximado


pela soma de Riemann tı́pica
n−1
XX k−1 n−1
XX k−1
f (x∗i , yj∗ )∆Aij = f (ri∗ cos θj∗ , ri∗ sen θj∗ )ri∗ ∆ri ∆θj .
i=0 j=0 i=0 j=0

(obtemos a mesma reposta usando partições polares).

I Denotando g(r, θ) = rf (r cos θ, r sen θ), a soma


n−1
XX k−1 n−1
XX k−1
f (ri∗ cos θj∗ , ri∗ sen θj∗ )ri∗ ∆ri ∆θj = g(r∗ , θ∗ ) ∆ri ∆θj
i=0 j=0 i=0 j=0

é uma soma de Riemann de g relativa à subdivisão anterior de R.

65 / 100
I Quando n, k −→ ∞ o valor da soma de Riemann de g é o integral
definido de g em R e
ZZ Z βZ b
g(r, θ) dr dθ = g(r, θ) dr dθ.
R α a

I Voltando a f , como g(r, θ) = rf (r cos θ, r sen θ)


ZZ Z βZ b
g(r, θ) dr dθ = g(r, θ) dr dθ
R α a
Z β Z b
= r f (r cos θ, r sen θ) dr dθ.
α a

[Mudança para coordenadas polares num integral duplo]


Se f é contı́nua no retângulo polar R dado por 0 ≤ a ≤ r ≤ b, α ≤ θ ≤ β, onde
0 ≤ β − α ≤ 2π, então
ZZ Z β Z b
f (x, y) dA = f (r cos θ, r sen θ) r dr dθ.
R α a

66 / 100
Observação
I A integração dupla em coordenadas polares goza das mesmas propriedades
que a integração dupla em coordenadas retangulares.

I Tal como se definem regiões elementares do plano xy também se definem


regiões elementares no plano rθ:
D∗ diz-se uma região do tipo I se existe um intervalo [a, b] e
duas funções de classe C 1 , ϕ1 , ϕ2 : [a, b] −→ [0, 2π[ tais que

D∗ = {(r, θ) : a ≤ r ≤ b, ϕ1 (r) ≤ θ ≤ ϕ2 (r)}.

D∗ diz-se uma região do tipo II se existe um intervalo [α, β] e


duas funções de classe C 1 , µ1 , µ2 : [α, β] −→ R tais que

D∗ = {(r, θ) : α ≤ θ ≤ β, µ1 (θ) ≤ r ≤ µ2 (θ)}.

D∗ diz-se uma região do tipo III se for, simultaneamente, uma


região do tipo I e do tipo II.

67 / 100
Exercı́cio
Calcular ZZ
x2 + y 2 dx dy

D
onde

D = {(x, y) ∈ R2 : 1 ≤ x2 + y 2 ≤ 4, x ≥ 0, y ≥ 0}.
y
Descrição de D em coordenadas
cartesianas:
x2 + y 2 = 4 p p
D 0 ≤ x ≤ 1, 1 − x2 ≤ y ≤ 4 − x2
p
x2 + y 2 = 1 1 ≤ x ≤ 2, 0 ≤ y ≤ 4 − x2

x
Resolução.
π
ZZ Z
2
Z 2
2 2
(r cos θ)2 + (r sen θ)2 r dr dθ
 
x + y dx dy =
D 0 1

68 / 100
Resolução (cont.).
π
ZZ Z
2
Z 2
x2 + y 2 dx dy = (r cos θ)2 + (r sen θ)2 r dr dθ
 
D 0 1
π
Z
2
Z 2
r2 cos2 θ + sen2 θ r dr dθ
 
=
0 1
π π r=2
2
r4
Z Z Z 
2 2
3
= r dr dθ = dθ
0 1 0 4 r=1
Z π   Z π
2 1 2 15
= 4− dθ = dθ
0 4 0 4
 π
15 r= 2

15π
= θ = .
4 θ=0 8

Oberve-se que estamos a fazer a mudança de variáveis

x = r cos θ, y = r sen θ

e temos sempre x2 + y 2 = r2 .
69 / 100
Exercı́cio
Determinar o volume do sólido limitado pelo plano z = 0 e o pelo
parabolóide z = 1 − x2 − y 2 .

Resolução.
Primeiro observe-se que a projeção do parabolóide com o plano
z = 0 é a cı́rculo D de equação x2 + y 2 ≤ 1.
O volume do sólido é dado por
ZZ ZZ
2 2
1 − (x2 + y 2 ) dx dy
  
V = 1 − x − y dA =
D D

70 / 100
Resolução (cont.).
Usando coordenadas polares para o cálculo do integral, vem
ZZ
1 − (x2 + y 2 ) dx dy
 
V =
D
Z 2π Z 1
1 − r2 r dr dθ

=
0 0
Z 2π Z 1
r − r3 dr dθ

=
0 0

r2 r4 r=1
Z  
= − dθ
0 2 4 r=0
Z 2π  θ=2π
1 1 π
= dθ = θ = .
0 4 4 θ=0 2
Se tivéssemos usado coordenadas retangulares em vez de polares,
terı́amos obtido o integral
ZZ Z 1 Z √1−x2
2 2
1 − x2 − y 2 dy dx
 
1 − x − y dA = √
D −1 − 1−x2
que não é fácil de calcular. 71 / 100
Exercı́cioZ Z
Calcular (3x + y) dA onde
D

D = {(x, y) ∈ R2 : 1 ≤ x2 + y ≤ 4, y ≥ 0}.

Resolução.
ZZ Z πZ 2

(3x + y) dx dy = 3r cos θ + r sen θ r dr dθ
D 0 1
Z πZ 2
3r2 cos θ + r2 sen θ dr dθ

=
0 1
π r=2
r3
Z 
3
= r cos θ + sen θ dθ
0 3 r=1
Z π 
7
= 7 cos θ + sen θ dθ
0 3
 θ=π
7 14
= 7 sen θ + (− cos θ) = .
3 θ=0 3
72 / 100
3.3.2 Coordenadas cilı́ndricas e integração tripla

Coordenadas cilı́ndricas

Integração tripla em coordenadas cilı́ndricas

73 / 100
Coordenadas cartesianas vs Coordenadas cilı́ndricas
z

P = (x, y, z)
Coordenadas
Coordenadas cilı́ndricas
cartesianas

P = (r, θ, z)
P = (x, y, z)
y
r
θ
x
(x, y, 0)
I Para passar de coordenadas cilı́ndricas a cartesianas

 x = r cos θ r ∈ [0, +∞[
y = r sen θ θ ∈ [0, 2π[
z=z z ∈ R.

I Para passar de coordenadas cartesianas a cilı́ndricas


 p
2 2
 r = x +y

y
θ = arctan
 x
z = z.

74 / 100
Observação

I As coordenadas r e θ das coordenadas cilı́ndricas são as coorde-


nadas polares da projeção de P no plano horizontal: (x, y, 0).

I Tal como no caso das coordenadas polares, a descrição de um


ponto em coordenadas cilı́ndricas não é única.

I As coordenadas cilı́ndricas são indicadas para descrever regiões


do espaço simétricas relativamente ao eixo dos zz.

I Tal como alguns integrais duplos são mais fáceis de calcular


usando coordenadas polares, alguns integrais triplos são mais
fáceis de calcular usando coordenadas cilı́ndricas (ou esféricas).

75 / 100
Exemplo
 π 
I As coordenadas cartesianas de (r, θ, z) = 7, , 5 são
√ ! 3
7 7 3
(x, y, z) = , ,5 .
2 2

I As coordenadas
 √ πcilı́ndricas
 de (x, y, z) = (3, 3, 1) são
(r, θ, z) = 3 2, , 1 .
4

I O cilindro de equações x2 + y 2 ≤ 4, 0 ≤ z ≤ 3 é descrito em


coordenadas cilı́ndricas pelas equações

0 ≤ r ≤ 2, 0 ≤ θ < 2π, 0 ≤ z ≤ 3.

76 / 100
Exemplo
O cone (metade) definido por
n p o
E = (x, y, z) ∈ R3 : x2 + y 2 ≤ z ≤ 2
p
(limitado inferiormente pela superfı́cie cónica z = x2 + y 2 e superiormente
pelo plano z = 2) é descrito em coordenadas cilı́ndricas da forma
0 ≤ r ≤ 2, 0 ≤ θ < 2π, r ≤ z ≤ 2.

p
Note-se que z = x2 + y 2 =⇒ z 2 = x2 + y 2 .
Para z = 2 temos a circuferência x2 + y 2 = 4 e a projeção do cone no plano xy
é o cı́rculo x2 + y 2 ≤ 4.
p √
Note-se também que podemos escrever z ≥ x2 + y 2 = r2 = r.

77 / 100
Integração tripla em coordenadas cilı́ndricas
Suponhamos que se pretende calcular o integral da função f contı́nua em U ⊂ R3
(dado em coordenadas retangulares)
ZZZ
f (x, y, z) dV,
U
onde U é uma região da forma
z z
x2 + y 2 = a 2

x2 + y 2 = z 2

y y
x x

Em coordenadas cilı́ndricas
U1 = {(r, θ, z) : 0 ≤ r ≤ a, 0 ≤ θ < 2π, 0 ≤ z ≤ h}
U2 = {(r, θ, z) : 0 ≤ r ≤ h, 0 ≤ θ < 2π, r ≤ z ≤ h}

78 / 100
I Consideremos o caso geral de f estar definida em U , uma
região do tipo I de R3
z U
z = γ2 (x, y)

z = γ1 (x, y)

x D

U = {(x, y, z) : (x, y) ∈ D, γ1 (x, y) ≤ z ≤ γ2 (x, y)}

I Suponhamos que D pode ser descrito em coordenadas polares


por

D∗ = {(r, θ) : α ≤ θ ≤ β, µ1 (θ) ≤ r ≤ µ2 (θ)}

79 / 100
I Da teoria de integração sobre uma região do tipo I de R3
sabe-se que
ZZZ Z Z "Z #
γ2 (x,y)
f (x, y, z) dV = f (x, y, z) dz dA
U D γ1 (x,y)

I Da integração dupla em coordenadas polares vem


ZZZ
f (x, y, z) dV =
U
"Z #
Z Z β µ2 (θ) γ2 (r cos θ,r sen θ)
= f (r cos θ, r sen θ, z) dz r dr dθ
α µ1 (θ) γ1 (r cos θ,r sen θ)

80 / 100
[Mudança para coordenadas cilı́ndricas num integral triplo]
Se f é contı́nua numa região U ⊂ R3 que pode ser descrita em
coordenadas cilı́ndricas por

α≤ θ ≤β

µ1 (θ) ≤ r ≤ µ2 (θ)

γ1 (r cos θ, r sen θ) ≤ z ≤ γ2 (r cos θ, r sen θ)

então
ZZZ
f (x, y, z) dV =
U
Z β Z µ2 (θ) Z γ2 (r cos θ,r sen θ)
= f (r cos θ, r sen θ, z) r dz dr dθ.
α µ1 (θ) γ1 (r cos θ,r sen θ)

81 / 100
Exemplo
Calcular
ZZZ
(x2 + y 2 ) dV z
U x2 + y 2 = 1

sendo 3
n o
U = (x, y, z) ∈ R3 : x2 + y 2 ≤ 1, −2 ≤ z ≤ 3 .

y
x

-2

82 / 100
Resolução.
Fazendo a mudança para coordenadas cilı́ndricas,
x = r cos θ, y = r sen θ, z = z,
temos
ZZZ Z 2π Z 1Z 3
2 2
(r cos θ)2 + (r sen θ)2 r dz dr dθ
 
(x + y ) dV =
U 0 0 −2
Z 2π Z 1Z 3
= r2 r dz dr dθ
0 0 −2
Z 2π Z 1Z 3
= r3 dz dr dθ
0 0 −2
Z 2π Z 1 z=3
3
= r z dr dθ
0 0 z=−2
Z 2π Z 1 Z 2π  r=1
3 5 4
= 5r dr dθ = r dθ
0 0 0 4 r=0
Z 2π  θ=2π
5 5 5
= dθ = θ = π.
0 4 4 θ=0 2
83 / 100
3.3.3 Coordenadas esféricas e integração tripla

Coordenadas esféricas

Integração tripla em coordenadas esféricas

84 / 100
Coordenadas cartesianas vs Coordenadas esféricas

Coordenadas P = (x, y, z) Coordenadas


cartesianas esféricas
ρ
φ

P = (x, y, z) P = (ρ, θ, φ)

y
−−→
r ρ = kOP k
θ
x (x, y, 0)

Da trigonometria do retângulo vem r = ρ sen φ e


 
 x = r cos θ  x = ρ sen φ cos θ
y = r sen θ = y = ρ sen φ sen θ , r ∈ [0, +∞[
z = ρ cos φ z = ρ cos φ
 

85 / 100
I Para passar de coordenadas esféricas a cartesianas

 x = ρ sen φ cos θ ρ ∈ [0, +∞[
y = ρ sen φ sen θ , θ ∈ [0, 2π[
z = ρ cos φ φ ∈ [0, π]

I Para passar de coordenadas cartesianas a esféricas


 p

 ρ = x2 + y 2 + z 2




 y
tan θ =
 x


 cos φ = z



ρ

desde que x 6= 0 e (x, y, z) 6= (0, 0, 0).

86 / 100
Observação

I As coordenadas esféricas são indicadas para descrever regiões


do espaço simétricas relativamente a um ponto.

I A designação dos ângulos θ e φ bem como a sua definição


não é consensual.
−−→
Neste curso definimos θ como o ângulo da projecção de OP
com a parte positiva do eixo dos x e φ como o ângulo entre
−−→
OP e a parte positiva do eixo dos z.
Em geografia, por exemplo, a latitude, isto é, o ângulo φ é o
−−→
ângulo entre OP e o plano horizontal.

87 / 100
Exemplo
1. As coordenadas esféricas do ponto (x, y, z) = (4, 0, 0) são
 π
(ρ, θ, φ) = 4, 0, , obtidas da forma
2
 p √

 ρ = x2 + y 2 + z 2 = 42 + 0 + 0 = 4





 y 0
tan θ = = = 0 =⇒ θ = 0
 x 4


z 0 π



 cos φ = = = 0 =⇒ φ =

ρ 4 2
 π π
2. As coordenadas cartesianas do ponto (ρ, θ, φ) = 4, , são
√ √ √ 6 4
(x, y, z) = ( 6, 2, 2 2), obtidas fazendo
√ √


π π 2 3
 x = ρ sen φ cos θ = 4 sen cos = 4 · · = 6




 4 6 √2 2
π π 2 1
y = ρ sen φ sen θ = 4 sen sen = 4 · ·
 4√ 6 2 2


 z = ρ cos φ = 4 cos π = 4 2 = 2 2



4 2
3. As coordenadas
√ π esféricas do ponto (x, y, z) = (0, 1, 1) são
π
(ρ, θ, φ) = 2, , .
2 4 88 / 100
Exemplo
1. Uma superfı́cie esférica de equação x2 + y 2 + z 2 = a2 , com
a > 0, em coordenadas esféricas descreve-se simplesmente por
ρ = a, θ ∈ [0, 2π[ , φ ∈ [0, π],
e a esfera de inequação x2 + y 2 + z 2 ≤ a2 por
ρ ≤ a, θ ∈ [0, 2π[ , φ ∈ [0, π].
z

2. Para descrever a semi-esfera inferior x2 + y 2 + z 2 ≤ a2 com


z ≤ 0 temos
hπ i
ρ ≤ a, θ ∈ [0, 2π[ , φ∈ ,π .
2
89 / 100
Integração tripla em coordenadas esféricas
Suponhamos que se pretende calcular o integral (dado em coordenadas retangu-
lares) da função f contı́nua em U ⊂ R3
ZZZ
f (x, y, z) dV,
U

onde U é uma região da forma


z
z

y
y
x
x

Em coordenadas esféricas definimos uma cunha esférica1 como

E = {(ρ, θ, φ) : a ≤ ρ ≤ b, α ≤ θ ≤ β, c ≤ φ ≤ d},

onde a ≥ 0, β − α ≤ 2π e d − c ≤ π.
1
Uma cunha esférica é a um “paralelipı́pedo” em coordenadas esféricas
90 / 100
Seja P = {(ρ, θ, φ) : a ≤ ρ ≤ b, α ≤ θ ≤ β, c ≤ φ ≤ d} e f : P ⊂ R3 −→ R.
I A uma subdivisão do intervalo [a, b] em n subintervalos, de [α, β] em m
subintervalos e de [c, d] em l subintervalos, associamos uma subdivisão da
cunha esférica E em n × m × l cunhas esféricas
Eijk = [ρi , ρi+1 ] × [θj , θj+1 ] × [φk , φk+1 ].
I Uma aproximação para o volume de Eijk
é dada por

∆Vijk ≈∆ρi (ρi sen φk ∆θj )ρi ∆φk


= ρ2i sen φk ∆ρi ∆θj ∆φk

com ∆ρi = ρi+1 − ρi , ∆θj = θj+1 − θj e


∆φk = φk+1 − φk .
I Podemos mostrar que o volume de Eijk é
exatamente

ρ2i sen φ
∆Vijk = e ek ∆ρi ∆θj ∆φk

onde (e
ρi , e
θj , e
ρk ) é um ponto em Eijk .
I Para este ponto considerem-se as suas coordenadas retangulares
(x∗i , yj∗ , zk∗ ) = (e
ρi sen φ
ej cos e
θk , e
ρi sen φ
ej sen e
θk , e
ρi cos φ
ek ).

91 / 100
I Consideremos a soma
n−1
X m−1
XXl−1
ρi sen φ
f (e ej cos e
θk , e
ρi sen φ
ej sen e
θk , e
ρi cos φ ρ2i sen φ
ek ) e ek ∆ρi ∆θj ∆φk
i=0 j=0 k=0

I Denotando g(ρ, θ, φ) = f (ρ sen φ cos θ, ρ sen φ sen θ, ρ cos φ) ρ2 sen φ, a


soma anterior toma a forma 2
X
F (e
ρi , e
θj , φ
ek )∆ρi ∆θj ∆φk
i,j,k

e é uma soma de Riemann de g para a subdivisão de E considerada.

I Quando n, m, l −→ ∞ o valor da soma de Riemann de P é o integral


triplo de g em E ZZZ
g(ρ, θ, φ) dρ dθ dφ.
E

2 Pn−1 Pm−1 Pl−1 P


Por simplicidade, escrevemos i=0 j=0 k=0
= i,j,k
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I Retomando g(ρ, θ, φ) = f (ρ sen φ cos θ, ρ sen φ sen θ, ρ cos φ) ρ2 sen φ,
temos
ZZZ
g(ρ, θ, φ) dρ dθ dφ =
E
ZZZ
= f (ρ sen φ cos θ, ρ sen φ sen θ, ρ cos φ) ρ2 sen φ dρ dθ dφ
E

I retomando g(ρ, θ, φ) = f (ρ sen φ cos θ, ρ sen φ sen θ, ρ cos φ) ρ2 sen φ


temos

[Mudança para coordenadas esféricas num integral triplo]


Se f é uma função contı́nua numa região U do espaço que é descrita em coor-
denadas esféricas por

a ≤ ρ ≤ b, α ≤ θ ≤ β, c≤φ≤d

sendo a ≥ 0, β − α ∈ [0, 2π] e d − c ∈ [0, π], então


ZZZ Z d Z β Z b
f (x, y, z) dV = f (ρ sen φ cos θ, ρ sen φ sen θ, ρ cos φ) ρ2 sen φ dρ dθ dφ
U c α a

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Observação

1. A integração tripla em coordenadas esféricas goza das mesmas


propriedades que a integração tripla em coordenadas
retangulares.

2. Tal como se definem regiões elementares do plano xyz também


se definem regiões elementares no plano ρθφ.

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Exemplo
Calcular ZZZ
2 +y 2 +z 2 )3/2
e(x dV
U
onde U é a esfera unitária,

U = (x, y, z) ∈ R3 : x2 + y 2 + z 2 ≤ 1 .


Resolução.
Vamos usar coordenadas esféricas:

U = {(ρ, θ, φ) : 0 ≤ ρ ≤ 1, 0 ≤ θ ≤ 2π, 0 ≤ φ ≤ π} .

Nestas coordenadas temos ρ2 = x2 + y 2 + z 2 e, assim,


ZZZ Z π Z 2π Z 1
2 2 2 3/2 2 3/2
e(x +y +z ) dV = e(ρ ) ρ2 sen φ dρ dθ dφ
U 0 0 0

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Resolução (cont.).
ZZZ
3/2
Z π Z 2π Z 1
(x2 +y 2 +z 2 ) 2 )3/2
e dV = e(ρ ρ2 sen φ dρ dθ dφ
U 0 0 0
Z π Z 2π Z 1
3
= ρ2 eρ sen φ dρ dθ dφ
0 0 0
π 2π 3 ρ=1

Z Z 
= sen φ dθ dφ
0 0 3 ρ=0
Z π Z 2π
e−1
= 3 sen φ dθ dφ
0 0
Z π  θ=2π
e−1
= 3 sen φ θ dφ
Z0 π θ=0
2π(e−1)
= 3 sen φ dφ
0
 φ=π
2π(e−1) 4π(e−1)
= 3 − cos φ = 3
φ=0

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Resolução (cont.).
Observe-se que teria sido muito difı́cil avaliar o integral deste
exemplo sem coordenadas esféricas. Em coordenadas retangulares
o integral teria ficado
Z Z √
1 1−x2 Z √ 1−x2 −y 2
2 +y 2 +z 2 )3/2
√ √ e(x dz dy dx.
−1 − 1−x2 − 1−x2 −y 2

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Exemplo
Determinar o volume de um cone de gelado limitado superiormente
pela parte superior da superfı́cie esférica 2 2 2
p x + y + z = 2 e inferi-
ormente pela superfı́cie cónica z = x2 + y 2 .

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Resolução.
Interseção das superfı́cies:
 2
x +p y2 + z2 = 2
=⇒
z = x2 + y 2
 2
x + y2 + z2 = 2
=⇒ =⇒
z 2 = x2 + y 2
 2
x + y2 = 1
=⇒
z=1

Usando coordenadas esféricas:



x2 + y 2 + z 2 = 2 =⇒ ρ2 = 2 =⇒ ρ = 2
1 π
z = 1 =⇒ ρ cos φ = 1 =⇒ cos φ = √ =⇒ φ =
2 4
E temos 0 ≤ θ ≤ 2π.
O cone de gelado é dado por (cunha esférica):
n √ πo
U = (ρ, θ, φ) : 0 ≤ ρ ≤ 2, 0 ≤ θ ≤ 2π, 0 ≤ φ ≤
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Resolução (cont.).
Volume do cone de gelado:
Z πZ √
ZZZ
4
2π Z 2
1 dV = 1 · ρ2 sen φ dρ dθ dφ
U 0 0 0
π

Z
4
Z 2π Z 2
= ρ2 sen φ dρ dθ dφ
0 0 0
π
2π ρ=√2
ρ3
Z Z 
4
= sen φ dθ dφ
0 0 3 ρ=0
π
Z
4
Z 2π √
2 2
= 3 sen φ dθ dφ
0 0
π  θ=2π
Z
4 √
2 2
= 3 sen φ θ dφ
0 θ=0
π
Z
4 √
4 2π
= 3 sen φ dφ
0
φ= π
√ √

4
4 2π 4π
= 3 − cos φ = 3 ( 2 − 1)
φ=0 100 / 100

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