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Beijo Proibido na Torre da Fortaleza

Dakaria, uma dama que busca liberdade dos padrões impostos, encontra-se em uma torre isolada da fortaleza Verelle, onde estuda élfico com seu tutor Darren. A relação entre eles se intensifica, culminando em um beijo inesperado que altera a dinâmica de seu vínculo. Apesar da tensão e do desejo, Darren sugere que talvez seja melhor esquecer o momento, mas ambos sabem que suas vidas mudaram irrevogavelmente.

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Beijo Proibido na Torre da Fortaleza

Dakaria, uma dama que busca liberdade dos padrões impostos, encontra-se em uma torre isolada da fortaleza Verelle, onde estuda élfico com seu tutor Darren. A relação entre eles se intensifica, culminando em um beijo inesperado que altera a dinâmica de seu vínculo. Apesar da tensão e do desejo, Darren sugere que talvez seja melhor esquecer o momento, mas ambos sabem que suas vidas mudaram irrevogavelmente.

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A torre da ala leste era o lugar mais isolado da fortaleza Verelle e, portanto, o

mais seguro para os estudos de uma dama que não se conforma com a rotina tecida
para as mulheres de sua família. Ali, entre as estantes empoeiradas e manuscritos
antigos escurecidos pelo tempo, Dakaria encontrava um instante de liberdade, de paz,
que não vinha de bailes e aulas de etiqueta.

​ Naquela manhã, o vento soprava devagar pelos arcos da torre. O cheiro de


pergaminho velho era inundado pelo perfume das flores do jardim. A jovem dama
encontrava-se dobrada sobre uma escrivaninha antiga de madeira, sentada em uma
bela cadeira — pelo próprio professor — de estofado de veludo da cor do vinho. Um
grimório antigo repousava entre seus antebraços. A expressão torcida em concentração
era cativante, ela sequer reparava na mecha teimosa de cabelo escapando da trança e
caindo sobre os olhos. Olhos esses que vagaram dos textos antigos para o homem à sua
frente.

​ Darren, como sempre, não vestia trajes típicos de um professor, nada de


formatos confortáveis e soltos. Os trajes sempre negros como a noite, a túnica era
ajustada demais, os punhos dobrados acima dos cotovelos, apertadíssimos contra os
músculos. Seus braços possuíam inúmeras cicatrizes antigas. Havia algo nele que
simplesmente o destoava dos outros — um quê de mistério. Ele tinha o porte de um
guerreiro, aço antigo forjado com honra. Seus olhos estavam voltados para o próprio
livro, tão baixos que os cílios longos roçavam o topo das bochechas, mas quando
Darren os virava em sua direção, eram sempre de um azul quente. Quando falava em
élfico, sua voz se tornava uma canção.

​ — Ethan ver doran — ele repete pela terceira vez com a voz baixa, andando em
volta de Dakaria lentamente.

​ Não houve muito esforço, os lábios roçaram com o som que pareciam um
encantamento antigo, estudava élfico com Darren há pouquíssimo tempo, mas o rapaz
era bom tutor. Atencioso, e dedicava sua atenção inteiramente a sua pequena aprendiz.
Quando Dakaria o olhou de novo, a atenção de Darren estava inteiramente sobre ela.
Intensos demais para um mísero estudo acadêmico. Ela corou.

​ — Estou cansada do vocabulário picado, Darren, podemos trabalhar algo mais


complexo?

​ A voz de Dakaria o chacoalha de seus pensamentos, trazendo-o de volta para o


presente. Darren, desvia o olhar, pigarreando com um falso desconforto.

​ Havia esse jogo entre eles nas últimas aulas. Um quase nada. Um olhar mais
longo do que o apropriado. Um momento de silêncio gritante. Dakaria costumava
acreditar que era algo apenas de sua imaginação mas, no fundo, ela sentia. Sabia que
algo existia ali, respirando naquele espaço entre suas palavras e olhares.
​ — Certo, traduza — seu tom autoritário força Dakaria a endireitar a coluna, a
palma das mãos repousam sobre as coxas, suam contra a seda de seu vestido. — Lû
thent, edregol lín achenithon.

​ Dakaria se arrepiou.

​ — Um momento apenas, e sua beleza me cegará.

​ — Bom — Darren sorri, voltando a andar em círculos ao redor de sua aprendiz


—, ú-chebin estel anim.

​ — Não há mais esperança para mim.

​ Darren se aproximou, inclinando-se um pouco sobre o encosto da cadeira. Ao


erguer o rosto para encará-lo, os lábios dele roçaram o topo da cabeça de Dakaria e ela
suspirou com a proximidade, mas se proibiu de baixar os olhos. Darren estava tão
próximo, tão impossivelmente próximo que ela podia sentir o calor de sua pele
emanando para a dela.

​ — Boe aníron natha lín a chened le aníra naeth, Daka.

​ A respiração de Dakaria tranca na garganta, é preciso muito controle para


engolir o nó em sua garganta.

​ — Desejo ser tua, mas olhar-te já me é tortura — ela responde.

​ — Desejo ser teu, milady. Boe para os cavalheiros, ada para as damas.

​ — Sei disso.

Os dedos de Darren apertaram a madeira da escrivaninha, um gesto banal, mas


o calor que correu por seu peito a fez perder o fôlego por um segundo. Ele não se
afastou. Limitou-se a encará-la com aquela expressão impossível de decifrar: parte
irritação, parte desejo contido.

— Deveria ter cuidado com o modo como me olha, milady — ele murmurou,
baixo o suficiente para ser só para ela.

Dakaria sentiu algo agitar-se em seu peito. Não era medo. Era uma decisão.

Sem saber exatamente como ou em que momento se moveu, ela ergueu-se da


cadeira, esticou-se nas pontas dos pés e pressionou os lábios contra os dele. As mãos
suadas apertando a gola da túnica. Não houve hesitação, apenas impulso. Seu corpo
encostando no dele, os lábios com a fome de quem há muito se segura. Darren pareceu
congelar por um segundo. Mas então, as mãos dele a seguraram pela cintura, como se
estivesse prestes a empurrá-la — ou puxá-la para mais perto. O beijo se prolongou por
um momento suspenso no tempo, carregado de surpresa, calor e algo que não tinha
nome. E quando Dakaria recuou, ofegante e assustada com sua atitude, o silêncio da
torre se encheu de ecos invisíveis. Ele a olhava como se não tivesse certeza se aquilo
havia mesmo acontecido.

Dakaria tocou os próprios lábios.

— Desculpe — ela disse, mas sua voz não carregava arrependimento — apenas
o reconhecimento de um limite cruzado.

Darren respirou fundo, como um homem que acabara de resistir a um feitiço poderoso.
Por um instante que pareceu se estender como o silêncio antes de um trovão, Darren
permaneceu imóvel, os olhos fixos nos dela. A torre parecia ter parado. Nenhum som
das cozinhas distantes, nenhuma voz dos servos nos pátios. Apenas o som do vento
entre as frestas e as respirações deles — descompassadas, cheias de algo novo e
irreversível.

​ — Não se desculpe.

Ela ainda sentia o gosto dele nos lábios, quente e doce de todas as balas cítricas
que ele sempre tinha nos bolsos. O peito dela subia e descia com pressa, o coração
batendo em um compasso desgovernado, enquanto a consciência de seu gesto se
impunha lentamente. Mas não havia vergonha. Havia, sim, uma sensação inquietante
de liberdade, como se tivesse roubado uma fagulha de fogo de uma deidade perigosa.

Darren passou a língua discretamente pelo lábio inferior, como se quisesse


capturar o que restara do beijo. Ele virou o rosto por um momento, precisava reunir as
partes de si mesmo antes de falar. Quando seus olhos voltaram para ela, estavam
diferentes. Não havia mais frieza profissional ou didatismo. Havia um brilho antigo ali
— o de um homem que vira muitas guerras, que raramente era pego desprevenido.

— Dakaria… — disse ele, baixo, num tom que roçava o íntimo —, você não faz
ideia do que está fazendo.

Ela ergueu o queixo, tentando parecer mais forte do que era. — Talvez não. Mas
sei que você não me negou.

Darren soltou uma risada suave, mas sem humor — um som áspero, de
frustração e prazer entrelaçados.

​ — Claro que não empurrei. Qualquer homem com sangue nas veias sentiria o
que senti — ele se aproximou, devagar, como se dançasse com uma fera selvagem. —
Mas o que desejo… e o meu dever raramente andam juntos.”

Ela poderia ter recuado. Mas não o fez. O ar entre eles ganhou textura — denso,
elétrico, como se a própria torre prendesse a respiração.
— E o que você quer? — ela perguntou, cada palavra uma ousadia que ela
própria mal reconhecia.

Os olhos dele escureceram. Darren passou uma das mãos pelo cabelo castanho
escuro, despenteando-o ainda mais. Seu corpo carregava aquele tipo de força calma que
vem não de músculos, mas de sobrevivência — de quem enfrentou emboscadas,
traições, e ainda assim permanece em pé.

— Não posso responder isso agora — ele disse, sorrindo de lado —, porque se eu
te contasse, não teria mais volta.

O calor que subiu pelo pescoço de Dakaria não era mais nervosismo. Era
antecipação. Ela sentia — como um sussurro antigo — que ele estava à beira de
transbordar. Ela, assim como seu tutor, possuía uma vontade que não ousava nomear.

Darren inclinou-se, aproximando-se de seu rosto. Mas não a beijou. Em vez


disso, murmurou contra a pele dela, tão próximo que ela sentiu o calor do fôlego dele na
mandíbula.

— Você deveria estudar mais Baelnorn, guardiões élficos da memória. Eles


sabiam quando esquecer era mais seguro do que lembrar. — Ele se afastou um pouco,
mas seus olhos ainda estavam nos dela. — Esse momento... talvez você deva
esquecê-lo.

Ela engoliu em seco. — E você?

Darren sorriu, desta vez com charme deliberado, o tipo de sorriso que
provavelmente já havia sido a perdição de mais de uma mulher — e talvez até de alguns
nobres de mente fraca.

— Eu não costumo esquecer nada, milady.

E então, como se quebrasse um feitiço com uma palavra de comando, ele se


virou para as estantes, pegando um pergaminho novo, voltando à postura de tutor —
ou tentando. A linha entre eles, antes invisível, agora ardia.

Dakaria sentou-se novamente, as mãos tremendo, mas o olhar firme. Seu


mundo tinha mudado — não com o estrondo de uma guerra, mas com o sussurro de
um beijo roubado.

E Darren... Darren sorria de costas para ela, como um homem que sabia que
tinha acabado de começar algo que não conseguiria — ou não queria — terminar.

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