Diagnóstico
Parasitológico de
Protozoários Sanguíneos,
Teciduais e Entéricos
Leonardo Luiz de Freitas
Diagnóstico Parasitológico
de Protozoários Sanguíneos,
Teciduais e Entéricos
Introdução
A parasitologia é um ramo da ciência que estuda as relações entre parasito e
hospedeiro. O estudo dos parasitos na parasitologia clínica pode ser realizado com
diversos métodos, visando identificar o agente causal de uma parasitose e, assim,
fornecer dados necessários para a escolha da terapia correta para cada caso.
Neste conteúdo serão abordadas as técnicas parasitológicas adotadas na parasitologia
clínica para identificação dos protozoários, os materiais e soluções mais utilizados, as
formas de obtenção do material a ser analisado e a adequada forma de preservação.
Assim, o objetivo é que você conheça as técnicas laboratoriais mais utilizadas e
também identifique a técnica mais adequada a ser adotada para cada material que
lhe for apresentado.
Objetivos da Aprendizagem
Ao final do conteúdo, esperamos que você seja capaz de:
• apresentar os aspectos gerais sobre os métodos de diagnóstico de
protozoários;
• identificar os principais métodos de coleta, preservação e técnicas de detecção
de protozoários sanguíneos e teciduais;
• identificar os principais métodos de coleta, preservação e técnicas de detecção
de protozoários entéricos.
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Métodos de Diagnósticos dos Protozoários
Introdução
Os protozoários que causam doenças em humanos pertencem a grupos taxonômicos
diversos e sua identificação se dá, principalmente, por análise microscópica do parasito.
Os parasitos podem ser encontrados em diferentes amostras do corpo humano, como
fezes, urina, sangue, órgãos e tecidos, e para cada uma dessas amostras, técnicas de
detecção específicas devem ser adotadas.
Protozoários Sanguíneos e Teciduais
As principais doenças causadas por protozoários que podem ser diagnosticados
por amostras de sangue e/ou tecidos são: doença de Chagas, leishmaniose, malária
e toxoplasmose. Essas doenças causam milhões de mortes anualmente, sendo,
portanto, parasitoses que geram danos à saúde pública de diversos países.
Doença de Chagas
Estima-se que, no Brasil, existem entre 1,9 e 4,6 milhões de pessoas infectadas
e mais de 6 mil mortes por ano, devido às complicações crônicas da doença de
Chagas.
Leishmaniose
Leishmaniose visceral é a forma mais grave. Estima-se que mais de 200 mil
casos surgem anualmente em todo o mundo.
Malária
As estimativas mostram que mais de 110 milhões de casos de malária surgem
anualmente, com mais de um milhão de mortos em todo o mundo.
Toxoplasmose
De acordo com os dados epidemiológicos, cerca de 50% da população mundial
está infectada pelo parasito de forma crônica.
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Coleta de Amostra
A coleta do sangue para o Exame Parasitológico de Sangue é fundamental para o
diagnóstico final do paciente, pois permite detectar diferentes morfologias do parasito
na amostra sanguínea.
O Exame Parasitológico de Sangue tem como base a microscopia. O exame é
empregado para detectar protozoários parasitos presentes no interior de células
humanas, assim como no exterior. Trata-se de observar em um microscópio o sangue
coletado do paciente. Dois locais do corpo humano são os mais utilizados para a
coleta dessa amostra de sangue, pois apresentam uma boa circulação sanguínea: o
lóbulo da orelha e a polpa digital dos dedos, principalmente dos anelares.
Antes da coleta, é imprescindível a assepsia do local. O álcool 70% é o mais utilizado
para higienizar a região e impedir a contaminação da amostra e do paciente durante a
coleta. Após a evaporação do álcool, o profissional irá furar o paciente com um artigo
perfurocortante, como uma agulha ou lanceta. O sangue será depositado em tubos ou
diretamente em uma lâmina. No interior dos tubos pode haver soluções específicas
que irão impedir a coagulação sanguínea até a realização do exame microscópico do
sangue, processo também chamado de Hemoscopia.
Figura 1 – Coleta de amostra de sangue usando a polpa digital dos dedos
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#pratodosverem: Na imagem há quatro mãos com o dedo indicador levantado,
sendo que na segunda mão há uma gota de sangue; na terceira e quarta há
curativos.
As coletas de outras amostras teciduais podem ser realizadas por meio da biópsia de
tecidos lesionados pelo parasito. Os materiais de coleta de biópsia e tecidos consistem
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em uma diversidade de amostras de tecidos que são coletados em ambiente cirúrgico
quando há suspeitas de alterações nesses tecidos (DE CARLI, 2007; REY, 2008).
Esses materiais podem ser:
• tecidos do fígado;
• pele;
• tecido muscular e subcutâneo;
• tecido do reto;
• tecido da bexiga;
• tecido de córnea.
Preservação das Amostras
A preservação da amostra de sangue normalmente é feita com o uso de EDTA,
heparina ou citrato de sódio contidos nos tubos de coleta sanguínea, ou pela fixação
dos esfregaços sanguíneos em lâminas de microscopia com o uso dos corantes,
como a coloração de Giemsa (DE CARLI, 2007).
Materiais de biópsia e tecidos podem ser armazenados em soluções fixadoras e
coradas para visualização ao microscópio com corantes, como o Giemsa, o Leishman
e hematoxilina-eosina (HE).
EDTA
Ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA) é usado para inibir a coagulação
sanguínea.
Heparina
Anticoagulante que age diminuindo a formação de trombina.
Citrato de sódio
Anticoagulante que atua como quelante de cálcio, íon fundamental para a
coagulação.
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Métodos de Avaliação e Identificação
Os métodos parasitológicos do sangue podem ser divididos em direto e indireto.
Métodos diretos
O primeiro método direto que iremos discutir também é conhecido como a fresco,
pois é realizado logo após a coleta do sangue. Conforme Neves (2005), uma gota de
sangue deve ser colada sobre uma lâmina e observada em um microscópio óptico,
utilizando preferencialmente a lente objetiva de 40x.
Embora seja desvantajoso devido à obrigação de repetição do exame ao longo do
tempo para a certeza do diagnóstico, o método direto permite a visualização do
parasito vivo, em muitos casos locomovendo-se, além de ser rápido e simples de ser
executado. Não se esqueça, ele é recomendado em infecções agudas.
Outro método direto bastante utilizado no laboratório é o esfregaço sanguíneo. Para
isso, uma gota de sangue do paciente é espalhada pela lâmina por meio de um
esfregaço sanguíneo, logo após será fixada e/ou corada com corantes específicos
como o Giemsa e hematoxilina-eosina. Esse teste possibilita a identificação do
parasito no sangue, permitindo examinar alguns aspectos morfológicos do agente
infeccioso, contribuindo, assim, para o diagnóstico.
O esfregaço sanguíneo pode ser de dois tipos: camada fina e camada espessa. O
primeiro é conhecido como técnica da gota, usado para observar a morfologia e
espécie do parasito, já o segundo é conhecido como gota espessa e usado em muitos
casos para diagnóstico epidemiológico (NEVES, 2005).
Figura 2 – Lâmina de vidro usada no exame parasitológico de sangue
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#pratodosverem: Na imagem há uma lâmina de vidro usada no exame
parasitológico de sangue.
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As etapas para o esfregaço de camada fina são:
1. colocar uma pequena gota de sague em uma das extremidades da lâmina;
2. a lâmina deve estar apoiada em uma superfície limpa;
3. encostar com uma lâmina extensora adiante da gota, em um ângulo de 30-
45º;
4. realizar o movimento para trás, permitindo o espalhamento do sangue na
lâmina extensora;
5. por capilaridade, a gota de sangue irá se espalhar pela borda da lâmina
extensora;
6. de maneira suave e uniforme, a lâmina extensora deve deslizar sobre uma
outra, em direção oposta à extremidade em que está a gota de sangue;
7. o sangue será espalhado pela lâmina;
8. uma fina camada de sangue será formada e após a secagem, poderá ser
corada.
Figura 3 – Esfregaço de camada fina
Fonte: Batra (2018).
#pratodosverem: Na imagem há as etapas do esfregaço de camada fina.
As etapas para o esfregaço de camada espessa ou gota espessa são as seguintes:
1. colocar 4 gotas de sangue na parte central da lâmina, de forma que elas
fiquem próximas uma da outra;
2. com o auxílio do vértice de uma lâmina ou um palito descartável, unir as gotas
de sangue de maneira circular;
3. deixar o esfregaço secar em temperatura ambiente;
4. realizar a etapa de desemoglobinização, colocando a lâmina em um frasco
contendo água destilada morna;
5. a amostra ficará esbranquiçada e pronta para ser corada.
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Figura 4 – Etapas esfregaço de camada espessa
Fonte: Adaptado de Meis e Castro (2017).
#pratodosverem: Na imagem há as etapas do esfregaço camada espessa.
É importante ressaltar que quando o parasito não é detectado nos esfregaços
sanguíneos, ou devido à sua baixa concentração, é possível adotarmos técnicas para
concentrá-los. Assim, outros métodos podem ser utilizados para detecção do parasito
no sangue, como:
• técnica de Strout;
• técnica do tubo micro-hematócrito;
• técnica de Knott;
• filtração em membrana;
• técnica fito-hemaglutininas.
Saiba mais
Para saber mais sobre as técnicas de concentração de parasitos,
clique aqui.
Métodos indiretos
Diferente dos métodos diretos, as técnicas parasitológicas indiretas são geralmente
aplicadas na fase crônica da infecção. Por exemplo, no diagnóstico da doença de
Chagas, existe uma baixa concentração de formas tripomastigotas no sangue periférico
na fase crônica, tornando difícil a demonstração diretamente no líquido biológico.
Desse modo, os métodos indiretos são utilizados. Os quatro principais métodos
indiretos usados são: xenodiagnóstico, hemocultura, xenocultura e inoculação em
animais de laboratório.
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Outra possibilidade é o exame direto de esfregaços corados a partir de biópsia ou
raspagem das bordas da lesão. O fragmento é retirado, realizado o esfregaço em
lâmina por aposição e corado pelos métodos de Romanowsky, Giemsa ou Leishman. O
resultado positivo ocorre quando as formas amastigotas do parasito são observadas
por microscopia. O exame histopatológico também pode ser empregado para a
pesquisa de formas amastigotas de Leishmania spp.
Agora, vamos discutir os principais protozoários de importância médica encontrados
no sangue e nos tecidos.
1. Trypanosoma cruzi (T. cruzi):
Dependendo da fase em que o paciente com doença de Chagas está, aguda ou crônica,
o método laboratorial altera-se. O diagnóstico na fase aguda raramente é feito, por ela
ser paucissintomática na maioria dos pacientes. Na fase aguda, o número de parasitos
encontra-se elevado no sangue, sendo assim, aumenta a sensibilidade do exame.
Figura 5 – T. cruzi no sangue periférico
Fonte: Adaptado de Gomes (2017).
#pratodosverem: As setas na imagem apontam para tripomastigotas do
parasito T. cruzi entre os eritrócitos, em gota de sangue.
O T. cruzi apresenta três formas evolutivas principais com aspectos morfológicos bem
diferentes: amastigota, epimastigota e tripomastigota.
Figura 6 – Formas evolutivas do T. cruzi
Fonte: Adaptado de PAHO (2018).
#pratodosverem: Três formas evolutivas do T. cruzi. A: amastigota; B:
epimastigota; C: tripomastigota.
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A técnica mais adotada na fase aguda é a de gota espessa, para pesquisa de T. cruzi no
sangue periférico, na qual a coleta deve ser preferencialmente feita quando o paciente
está em estado febril. A coloração com Giemsa, por sua vez, é normalmente utilizada
em laboratórios clínicos. As formas tripomastigotas podem ser facilmente visualizas
no exame direto do sangue. Técnicas como o xenodiagnóstico e a hemocultura
também podem ser utilizadas para o diagnóstico (VERONESI e FOCACCIA, 2015).
O xenodiagnóstico consiste na alimentação de ninfas de triatomíneos criados em
laboratório com o sangue de pacientes. Ele pode ser direto (in vivo) ou indireto (in vitro).
No método direto, os insetos alimentam-se diretamente do paciente. Exemplares de
triatomíneos de uma mesma espécie entram em contato diretamente sobre a pele do
paciente. Já o método indireto consiste na alimentação dos insetos por meio de tubo
(mamadeira) contendo o sangue do paciente com anticoagulante. O xenodiagnóstico
indireto apresenta a vantagem de não expor o paciente diretamente ao inseto, o que
evita o desenvolvimento de reações alérgicas. O resultado positivo é obtido pela
observação de formas epimastigotas e tripomastigotas metacíclicas do T. cruzi em
urina, fezes ou intestinos desses insetos (CHIARI e GALVÃO, 1997).
Na hemocultura o parasito é cultivado em meios específicos contendo proteínas e
outros elementos encontrados no sangue, que permitam o desenvolvimento do T.
cruzi. As formas amastigotas e tripomastigotas podem ser encontradas no cultivo
celular.
Amastigota
Forma encontrada no interior de células de mamíferos, como aparelho digestivo
e tecido muscular.
Epimastigota
Forma usada para multiplicação do parasito no intestino do inseto vetor.
Tripomastigota
Forma que não se multiplica, encontrada no inseto vetor e no sangue do
hospedeiro vertebrado.
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Curiosidade
Quando o diagnóstico laboratorial ocorre na fase aguda e há o
início imediato do tratamento específico do paciente, a eficácia
terapêutica aumenta significativamente. Os pacientes que são
tratados durante essa fase têm 70% de possibilidade de sucesso
terapêutico, com a eliminação do T. cruzi.
2. Leishmania spp.:
A leishmaniose é uma doença causada por parasitos pertencentes ao gênero
Leishmania, que incluem quatro espécies importantes clinicamente: Leishmania
donovani; Leishmania tropica; Leishmania mexicana e Leishmania braziliensis.
Figura 7 – Formas promastigotas de Leishmania spp. coradas com Giemsa
Fonte: Adaptado de De Carli (2007).
#pratodosverem: Na imagem há quatro promastigotas de Leishmania spp.
corada com Giemsa.
O exame direto é normalmente adotado no diagnóstico da leishmaniose, mas deve ser
realizado antes do início do tratamento, uma vez que os parasitos são eliminados das
lesões logo após o início da terapêutica antimonial. Pode-se utilizar os procedimentos
de escarificação e imprint para a detecção de formas amastigotas do parasito. Após
as raspagens na borda interna das lesões, esfregaços em lâmina são obtidos e
processados para análises microscópicas. As lâminas são deixadas à temperatura
ambiente para secar e, posteriormente, são fixadas com metanol e coradas pelo Giemsa
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(processo que demora entre 15 e 20 minutos). Na fase inicial da doença, as formas
amastigotas são significativamente mais abundantes (VERONESI e FOCACCIA, 2015).
O exame histopatológico de biópsias também pode ser adotado para diagnóstico,
assim como a cultura a partir de fragmentos para detecção do parasito (DE CARLI,
2007).
Figura 8 – Amostragem de espécimes clínicos de pacientes com leishmaniose – Técnica de
escarificação; A: Raspagem da borda interna da lesão com auxílio de bisturi; B: Raspagem da borda
externa da lesão com auxílio de bisturi; C: Distensão do material em lâmina de microscopia com áreas
delimitadas.
Fonte: Thomaz et al. (2021).
#pratodosverem: Na imagem há o procedimento para coleta de raspados de
pacientes com leishmaniose.
Curiosidade
O método direto do parasito possui uma positividade em torno
de 90%, superando amplamente o exame histopatológico que
apresenta positividade em torno de 60%.
3. Plasmodium spp.:
A malária é uma doença parasitária de importância para a saúde pública e que causa,
anualmente, mais de um milhão de mortes. As principais espécies de parasitos que
a transmitem são: Plasmodium ovale, Plasmodium malariae, Plasmodium vivax e
Plasmodium falciparum, sendo as duas últimas as mais comuns.
Esfregaços comuns ou em gota espessa são as técnicas mais empregadas na
atualidade para a confirmação etiológica da malária, por meio da detecção dos
plasmódios no sangue periférico.
Em pacientes infectados com Plasmodium falciparum, podemos observar uma
parasitemia elevada com 10% ou mais das hemácias parasitadas. Além disso, pode
ocorrer infecção múltipla dos eritrócitos e, na maioria dos casos, apenas trofozoítos
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são observados no sangue periférico e são menores e mais finos do que o Plasmodium
vivax. No interior dos eritrócitos (sem aumento de tamanho) infectados pelo parasito,
podemos visualizar algumas granulações, conhecidas como granulações ou fendas de
Maurer. Após a infecção aguda ter sido iniciada, entre 10 e 12 dias, podemos observar
gametócitos em crescente (em formato de meia-lua) do P. falciparum (VERONESI e
FOCACCIA, 2015).
Por outro lado, o Plasmodium vivax causa uma parasitemia moderada, onde apenas
2% ou menos dos eritrócitos estão infectados. As hemácias estão aumentadas,
apresentando granulações de Schüffner, e, por meio da microscopia do sangue
periférico, são observados todos os estágios do parasito (DE CARLI, 2007; VERONESI
e FOCACCIA, 2015).
As morfologias das diferentes espécies de Plasmodium spp. que podem ser observadas
no microscópio são:
• trofozoítos;
• esquizontes;
• merozoítos;
• gametócitos.
Trofozoítos
Estágio parasito, com capacidade de multiplicação, locomoção e alimentação.
Esquizontes
Forma que irá liberar os merozoítos.
Merozoítos
Fase do parasito que irá infectar as hemácias do hospedeiro.
Gametócitos
Forma que infecta os mosquitos ao serem sugados e que irão realizar reprodução
sexuada.
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Plasmodium Plasmodium Plasmodium
Estágio
falciparum vivax malariae
Trofozoíto
Esquizonte
jovem
Esquizonte
maduro
Gametócitos
Quadro 1 – Características morfológicas dos estágios das três espécies de Plasmodium na fase
eritrocítica
Fonte: Adaptado de De Carli (2007).
#pratodosverem: Na imagem há as características morfológicas dos estágios
das três espécies de Plasmodium na fase eritrocítica.
4. Toxoplasma gondii (T. gondii):
A toxoplasmose é uma parasitose de ocorrência mundial associada, principalmente, à
ingestão de alimentos e água contaminada por oocistos de T. gondii. Trata-se de uma
doença parasitária veiculada principalmente pelas fezes dos gatos e outros felinos.
Parasito dos tecidos, essa doença é uma preocupação em pessoas com sistema
imunológico deficitário e gestantes.
Atenção
O clínico deve solicitar ao menos duas técnicas de diagnóstico
distintas quando há suspeita de infecção pelo T. gondii.
O diagnóstico da toxoplasmose depende da associação de uma boa análise das
manifestações clínicas do paciente e dos dados laboratoriais. Diferentes métodos
são adotados, como o de isolamento do parasito por inoculação em animais de
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laboratório e observação de taquizoítos em líquido peritoneal de camundongos
(conforme a figura abaixo) ou de cistos contendo bradizoítos em tecido nervoso. Os
glóbulos vermelhos de um paciente ou um tecido (triturados em um almofariz) com
suspeita de toxoplasmose são injetados intraperitonealmente em camundongos.
Esses animais serão mantidos sob observação. O T. gondii pode ser demonstrado no
esfregaço do líquido peritoneal ou em cortes de tecidos que são secos, fixados com
metanol e corados pelo Giemsa ou pelo corante de Wright (DE CARLI, 2007; VERONESI
e FOCACCIA, 2015).
Figura 9 – Numerosos trofozoítos (taquizoítos) de Toxoplasma gondii
Fonte: Adaptado de De Carli (2007).
#pratodosverem: Na imagem há numerosos taquizoítos de Toxoplasma gondii
em um fundo rosa.
Atenção
Os taquizoítos de T. gondii medem aproximadamente 4-8 μm de
comprimento e 2-3 μm de largura. Quando corados pela técnica de
Giemsa, apresentam núcleo avermelhado e citoplasma azul.
Protozoários Entéricos
Coleta de Amostra
A coleta de material fecal pode ser feita de diferentes formas, que vai depender do
tipo de fezes e do tipo de exame que será realizado. De forma geral, a amostra deve
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ser colhida em recipiente limpo e de boca larga e tampa hermética, devidamente
identificado, com nome do paciente, hora e data da coleta.
Coleta de fezes emitidas espontaneamente
A coleta fecal espontânea deve ser feita com o auxílio de um penico, comadre ou
mesmo algum material plástico para evitar a contaminação da amostra, e ser colocado
em um coletor universal. A quantidade recomendada é equivalente ao tamanho do pote
de coleta, que varia de 50 a 100 g, pouco volume de amostra fecal pode inviabilizar
a análise do material. Entretanto, na literatura há indicação de menor quantidade,
mínimo de 2 e 5 g (SBPC/ML, 2013).
Outra possibilidade é a utilização de recipientes do tipo Coprotest, que são amplamente
utilizados no país. O método diminui de forma significativa o contato com as fezes
durante a coleta e durante a análise laboratorial. Além disso, o Coprotest tem líquidos
conservantes que diminuem o mau odor e filtros num sistema de dupla filtragem que
permitem a obtenção de resultados práticos e confiáveis.
As amostras devem ser coletadas de forma a evitar a contaminação com água e urina,
uma vez que estas podem comprometer o material, causando sua degradação, lise
de parasitos ou contaminação. No caso de obtenção de fezes pastosas ou mucosas,
recomenda-se a preparação de esfregaços corados ou a realização de técnicas de
concentração de amostra. As amostras não podem ser incubadas ou congeladas
antes do exame, e devem ser examinadas dentro de um prazo de 24 horas (DE CARLI,
2007).
Figura 10 – Tipos de frascos universais recomendados para a coleta de fezes
Fonte: SBPC/ML (2013).
#pratodosverem: Quatro frascos recomendados para a coleta de fezes.
Da esquerda para a direita: um branco leitoso com tampa; o segundo é
transparente com tampa azul; e os últimos estão juntos: um transparente com
etiqueta de identificação e tampa azul, o segundo é do mesmo tipo, porém com
coloração marrom representando uma amostra de fezes em seu interior.
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Coleta de fezes aquosas ou liquefeitas e com o uso de laxantes
A coleta de amostras de fezes aquosas ou liquefeitas pode ser um pouco mais difícil.
Assim, o ideal é que elas sejam coletadas diretamente nos frascos coletores universais
e, quando não for possível, pode-se utilizar frascos de boca larga. Para essas amostras
recomenda-se o volume de aproximadamente 10 mL de material (SBPC/ML, 2013).
Em alguns casos, faz-se necessário o uso de laxantes para a coleta do material.
Sendo indicado o uso de laxantes salinos, livres de óleos, bismuto e magnésio, visto
que esses compostos podem interferir na análise microscópica. O uso de laxantes
depende de indicação médica e a amostra deve ser encaminhada imediatamente para
o laboratório (SBPC/ML, 2013; DE CARLI, 2007).
Preservação das Amostras
São exemplos de soluções usadas na parasitologia para conservação e coloração de
amostras:
Fixador MIF (Mertiolato-Iodo-Formaldeído)
Corante e fixador de fezes: Possibilita a preservação e coloração do material.
Fixador SAF (Acetato de Sódio-Ácido Acético-Formaldeído)
Preservação e fixação de fezes: Permite uma excelente fixação dos organismos
com a manutenção de suas características morfológicas.
Formalina
Preservação de fezes: Preservação dos estágios de diagnóstico de protozoários
e helmintos.
Métodos de Avaliação e Identificação
Transmitidos por via fecal-oral, por meio da ingestão de alimentos e água
contaminados, os protozoários intestinais causam milhões de infecções em todo o
mundo anualmente. Entretanto, são mais predominantes em regiões com condições
sanitárias inadequadas.
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Os principais agentes são:
• Giardia duodenalis, causador da Giardiose;
• Entamoeba histolytica e Entamoeba coli, causadores da Amebiose;
• gênero Cryptosporidium, causador da Criptosporidiose.
Exame macroscópico
Para a análise parasitológica das fezes, é importante avaliar os aspectos macroscópicos
da amostra recebida no laboratório. Esses aspectos podem representar sinais que
irão auxiliar na identificação de possíveis parasitos na amostra fecal, além de servir
como parâmetro para avaliar a qualidade da amostra.
Uma amostra fresca pode ter protozoários que vão sendo degradados ao longo do
tempo, por isso saber o tempo de coleta é um importante fator quando se busca
identificar esses parasitos. A consistência das fezes (liquefeita, pastosa, sólida, etc.)
e a presença de anormalidades (sangue e/ou muco) podem representar sinais de
infecção parasitária. Existe uma relação que ocorre entre o odor e a consistência da
amostra fecal e a incidência de trofozoítos ou cistos. (DE CARLI, 2007; GARCIA et al.,
2005).
Figura 11 – Relação entre a incidência de trofozoítos ou cistos e a consistência das amostras fecais
Fonte: Adaptado de De Carli (2007).
#pratodosverem: Na esquerda temos quatro retângulos, um sobre o outro na
vertical, com desenhos em seu interior representando a consistência das fezes;
na direita, dois triângulos: um invertido com a palavra cisto em seu interior e o
segundo normal, com a palavra trofozoítos em seu interior.
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Exame microscópico
O exame microscópico das fezes é a fase da análise parasitológica onde são
observados trofozoítos e cistos. Neste exame, determinamos o tipo de parasito que
está presente nas fezes com mais precisão. Ele pode ser feito diretamente na amostra
obtida ou diluída em solução salina a 0,85% e observada ao microscópio óptico em
aumento máximo de 40X (GARCIA et al., 2005).
Algumas soluções podem ser utilizadas a fim de melhorar o contraste na hora da
visualização, como a solução de iodo. Cabe ao laboratorista decidir se a coloração
no exame a fresco se faz necessária e qual solução é a mais indicada, de acordo
com o tipo de amostra biológica a ser analisada. Amostras que são recebidas em
conservante como o MIF podem ser examinadas diretamente e já estão coradas com
o iodo presente na solução (GARCIA et al., 2005).
Solução salina 0,85%
Usada para impedir a lise do material por deixar o meio isotônico.
Solução de iodo
Atua melhorando o contraste, pois se liga irreversivelmente com proteínas, por
meio da interação com aminoácidos aromáticos, como fenilalanina e tirosina.
Solução tamponada de azul de metileno de Nair
Corante ácido aplicado para diagnóstico diferencial de alguns parasitos.
Um fator importante a ser considerado na utilização de corantes na microscopia a
fresco é a viabilidade do parasito na amostra, alguns corantes podem degradar ou
distorcer a forma do parasito quando aplicados, ou tornar os protozoários imóveis,
como no caso do uso do conservante MIF. Quando o objetivo é avaliar a motilidade do
parasito, podemos usar soluções de iodo para aumentar o contraste das estruturas
parasitárias (GARCIA et al., 2005).
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Atenção
A realização do exame microscópico direto, apesar de ser rápido
e fácil de ser executado, tem alguns empecilhos. Quando levamos
uma amostra fresca ao microscópio óptico, a difração da luz com
a água pode tornar algumas estruturas translúcidas. Por isso, o
laboratorista deve ficar atento a esse fator e avaliar a necessidade
de aplicar alguma solução corante na amostra a fim de possibilitar
a visualização do parasito que antes poderiam estar invisíveis.
Técnica de flutuação
As técnicas de flutuação constituem uma série de procedimentos que podem ser
adotados na rotina laboratorial para concentrar estruturas parasitárias em função de
características específicas. Na técnica de flutuação, o objetivo é a separação de cistos
de protozoários dos detritos encontrados nas amostras fecais, usando soluções que
irão separá-los em função da densidade específica dessas estruturas. Para isso,
podemos utilizar soluções concentradas com densidade específica, que varia de 1,18
a 1,26 g/mL, como o cloreto de sódio, o sulfato de zinco e o sulfato de magnésio (DE
CARLI, 2007; GARCIA et al., 2005).
Essa técnica é muito vantajosa na obtenção de uma amostra com poucos detritos
fecais, o que facilita a visualização ao microscópio, além da concentração dos cistos
que podem estar em pequeno número, o que dificultaria sua visualização em uma
amostragem direta. A principal desvantagem desse procedimento está nas alterações
morfológicas dos cistos, causando distorções e até rupturas da parece celular, o que
pode atrapalhar no momento da análise (DE CARLI, 2007; GARCIA et al., 2005).
Técnica de sedimentação
A técnica de sedimentação é a mais comumente empregada nos laboratórios de
parasitologia. Existem diversas metodologias que podem ser adotadas e utilizadas
para amostras de fezes frescas ou preservadas. Na sedimentação, as estruturas
parasitárias são precipitadas pela ação gravitacional ou por auxílio da centrifugação,
independentemente de sua densidade. O objetivo é que as estruturas parasitárias se
depositem no fundo de uma vidraria, um tubo ou cálice de sedimentação, e os detritos
fiquem suspensos na superfície, uma ação inversa à obtida na técnica de flutuação
(DE CARLI, 2007; GARCIA et al., 2005).
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A metodologia mais empregada é a de Hoffman, Pons e Janer, comumente conhecida
como HPJ, e consiste na sedimentação espontânea de parasitos em água em função
da gravidade. Nela, uma porção das fezes é coletada e misturada com água e filtrada
em gaze para um cálice de sedimentação, a mistura é deixada em repouso de 2 a
24 horas, para a precipitação do material. A amostra a ser analisada ao microscópio
é coletada a partir da porção mais inferior possível do cálice com o auxílio de uma
pipeta ou canudo descartável (DE CARLI, 2007).
Vidraria usada no HPJ
Cálice de sedimentação com funil.
Figura 12 – Cálice de sedimentação
Fonte: Adaptado de De Carli (2007).
#pratodosverem: Imagem de um cálice de sedimentação.
Mistura da amostra fecal
Amostra fecal misturada com água para ser sedimentada.
Figura 13 – Cálice de sedimentação com fezes
Fonte: Adaptado de De Carli (2007).
#pratodosverem: Imagem de um cálice de sedimentação com fezes.
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Sedimentação
Amostra já sedimentada após o tempo indicado para o repouso.
Figura 14 – Cálice de sedimentação com fezes sedimentadas
Fonte: Adaptado de De Carli (2007).
#pratodosverem: Imagem de um cálice de sedimentação com fezes sedimentadas.
Outras técnicas de sedimentação utilizam solventes orgânicos, como formalina, éter
e acetato de etila. Esses solventes dissolvem os detritos fecais, tornando a amostra
mais clara e limpa, o que facilita a visualização das estruturas parasitárias. Esses
solventes destroem os trofozoítos dos protozoários (DE CARLI, 2007; GARCIA et al.,
2005).
Principais protozoários intestinais de importância médica
Os métodos de diagnósticos são de extrema importância para detectar os protozoários
intestinais. Observe no quadro abaixo os mais utilizados para cada um deles.
Protozoário Diagnóstico
Giardia duodenalis Diagnóstico é feito por métodos moleculares a procura de antígenos
nas fezes. O exame microscópico das fezes também é utilizado
e a presença de trofozoítos ou cistos nas fezes confirmam o
diagnóstico.
Entamoeba histolytica Na infecção intestinal, pode ser realizado o exame microscópico e
a presença de trofozoítos e/ou cistos característicos em fezes ou
tecidos confirmam o diagnóstico.
Gênero Cryptosporidium Pesquisa de oocistos álcool-ácido resistentes nas fezes. Coloração
Ziehl-Neelsen modificado ou de Kinyoun e biópsia intestinal.
Quadro 2 – Protozoários intestinais e métodos de diagnóstico
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
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Conclusão
Chegamos ao final do conteúdo. Aqui foram apresentados os principais métodos de
diagnóstico de protozoários sanguíneos, teciduais e entéricos.
Protozoários sanguíneos
Podem ser observados pela técnica parasitológica do sangue.
Protozoários teciduais
Podem ser detectados por meio de biópsias.
Protozoários intestinais
Podem ser detectados pelo exame parasitológico de fezes.
Figura 15 – Diagnóstico de protozoários
Fonte: Plataforma Deduca (2022).
#pratodosverem: Dois pesquisadores analisando resultados de exames, um
com microscópio e outra com tubo de ensaio.
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para o diagnóstico das parasitoses humanas. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007.
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intestinal tract. M28-A2, Wayne, v. 25, n. 16, jun. 2005. Disponível em: [Link]
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[Link]/doenca/diagnostico/. Acesso em: 17 set. 2024.
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VERONESI, R.; FOCACCIA, R. Tratado de infectologia. 5. ed. São Paulo: Atheneu, 2015.