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Entendendo a Fiscalidade e suas Funções

O documento aborda a Fiscalidade como um ramo da ciência econômica que estuda a mecânica dos tributos e a atividade financeira do Estado para atender às necessidades públicas. Ele classifica as receitas e despesas públicas em diversas categorias, destacando a importância da função do Estado em afetar, distribuir e estabilizar a economia. Além disso, menciona a necessidade de uma abordagem técnica e concreta no tratamento da fiscalidade.

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Entendendo a Fiscalidade e suas Funções

O documento aborda a Fiscalidade como um ramo da ciência econômica que estuda a mecânica dos tributos e a atividade financeira do Estado para atender às necessidades públicas. Ele classifica as receitas e despesas públicas em diversas categorias, destacando a importância da função do Estado em afetar, distribuir e estabilizar a economia. Além disso, menciona a necessidade de uma abordagem técnica e concreta no tratamento da fiscalidade.

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FISCALIDADE 1

UNIVERSIDADE LUSIADA
[Link] Matoca
veramatoca33@[Link]
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO
 Define-se a Fiscalidade, como o ramo da
ciência económica e social que se dedica
ao estudo da mecânica dos tributos desde a
sua concepção, surgimento da obrigação
tributária até a extinção da entrega destes
tributos aos cofres do Estado.
 O termo FISCALIDADE deriva do latim “FISCU”
que significava o poder do Estado em tributar
os cidadãos e recolher para os seus cofres as
respectivas receitas “tributos”
 A fiscalidade é uma expressão de maior
amplitude e que engloba os conceitos de
Direito Fiscal, Técnica Fiscal e Política Fiscal.

 O termo Fiscalidade distingue-se de Ciência


Fiscal, na medida em que esta tem uma
visão mais abstracta e científica daquelas
matérias, ao passo que o termo fiscalidade
indica um tratamento predominantemente
concreto e técnico e de efeito objectivo e
imediato.
A actividade financeira do
Estado
 Estado é uma estrutura económico – social
com diversas funções ao serviço do cidadão:
Soberania, Defesa e Segurança, Educação,
Saúde, Organização social, etc.

 A actividade pública do estado é a procura


de meios para a satisfação das necessidades
públicas ou realização do bem comum.
Quanto a maior gama de necessidades
públicas, maior será a intensidade da
atividade financeira do Estado.
Necessidades Públicas

É a necessidade que tem o interesse


geral em determinado grupo social,
podendo ser primária ou secundária.
 Tem as seguintes características: não-
individualidade (toda a necessidade
pública tem natureza colectiva) e
coação (forma coerciva que o Estado se
utiliza para obtenção de riquezas dos
particulares para satisfação das
necessidades).
As necessidades podem ser:
 Necessidades Passivas - aquelas que não
dependem da procura do cidadão e por
isso não pode ser exigido um preço
explícito. São por inerência um custo
social, por exemplo a Defesa Nacional.
Necessidades Activas - aquelas que são
procuradas pelo cidadão, por exemplo
saúde e educação.
RECEITAS PÚBLICAS
 São todos recursos obtidos durante um
dado período financeiro para a
satisfação das despesas públicas a cargo
de um ente público.
 As receitas públicas são instrumentos que
asseguram a efetivação das despesas
públicas.
TIPOS DE RECEITAS PÚBLICAS

 Receitas públicas voluntárias ou


contratuais - São aquelas em que o
preço é estabelecido por via negocial
 Ex. Venda de madeira das explorações
florestais do Estado, rendas de imóveis,
receitas de parques públicos, etc.
 Receitas públicas coercivas ou coactivas
- são fixadas pelo Estado por via da
legislativa de forma autoritária.
 Ex. Imposto Industrial, IVA, propinas de
alunos, taxas, impostos, multas e coimas.
 Receitas Patrimoniais - correspondem ao
valor gerado pela exploração do património
do Estado, ou da venda pelo Estado a
particular de parte do seu património, sendo
os preços fixados contratualmente. Ex.
Alienações de património, privatizações,
receitas de empresas públicas, etc.

 Receitas Creditícias - resultam da


contracção de empréstimos, do recurso ao
crédito tanto interno como externo.
 Receitas ordinárias – trata-se de receitas
que o estado obtém constantemente e
periodicamente. Ex: taxa de circulação.

 Receitas extraordinárias – trata-se de


receitas pontuais, que o estado pode
cobrar uma única vez por alguma razão
em especial. Ex: leilão de bens
apreendidos.
 Receita originária – esta advém da
exploração económica que o estado
efectua. Ex: exploração e venda do
petróleo.
 Receita derivativa – caracterizada por
constrangimento legal para a sua
arrecadação, sobre o património
privado. Ex: taxas, multas.
DESPESAS PÚBLICAS
 O exame das despesas públicas deve anteceder
ao estudo da receita pública, pois não pode mais
ser compreendida apenas vinculada ao conceito
econômico privado, isto é, de que a despesa
deva ser realizada após o cálculo da receita,
como ocorre normalmente com as empresas.
 O Estado tem como objetivo a realização de seus
fins, pelo que procura ajustar a receita à
programação de sua política. O Estado
primeiramente verifica as necessidades públicas,
para fazer face às despesas públicas.
Quanto ao ambiente:

 Despesa interna - feita para atender às


necessidades de ordem interna do país e se
realiza em moeda nacional e dentro do
território nacional. Ex: reabilitação das
estradas.

 Despesa externa - que se realiza fora do país,


em moeda estrangeira e muitas vezes visa a
liquidar dívidas externas. Ex: despesas com
entidades diplomáticas como um cônsul;
viagens do chefe de Estado.
Quanto à mobilidade:
 Despesa fixa - é aquela que consta do
orçamento e é obrigatória pela Constituição, não
podendo ser alterada e não pode deixar de ser
efectivada pelo Estado. Ex: escolas, hospitais,etc.

 Despesa variável - é aquela que não é


obrigatória pela Constituição, sendo limitativa, isto
é, o Poder Executivo fica obrigado a respeitar seu
limite, mas não imperativa; daí o Estado ter a
faculdade de realizá-la ou não, dependendo de
seus critérios administrativo e de oportunidade,
sendo de se citar, como exemplo, um auxílio
pecuniário em favor de uma instituição de
caridade, não gerando, por outro lado, direito
subjetivo em favor do beneficiário.
Quanto aos efeitos
econômicos:
 Despesa produtiva - que, além de satisfazer
necessidades públicas, enriquece o
patrimônio do Estado ou aumenta a
capacidade econômica do contribuinte,
que geram uma fonte de rendimento. Ex:
como as despesas referentes à construção
de portos, caminhos de ferro, etc.

 Despesa improdutiva - é aquela que não


gera um benefício de ordem econômica em
favor da coletividade. Ex: hospitais, escolas,
etc.
Quanto à duração:
 Despesa ordinária - que visa a atender às
necessidades públicas estáveis, permanentes
e periodicamente previstas no orçamento;
despesas essenciais para a comunidade.
Assemelham-se as despesas operacionais de
uma empresa. Ex: saneamento básico;
electricidade; saúde; etc.

 Despesa extraordinária - que objetiva


satisfazer necessidades públicas acidentais,
imprevisíveis, , que por serem urgentes e
inadiáveis não podem esperar o processo
prévio da autorização legal. Ex: guerras,
calamidade pública; covid19.
 Despesa especial - que tem por
finalidade permitir o atendimento de
necessidades públicas novas, surgidas no
decorrer do exercício financeiro e,
portanto, após a aprovação do
orçamento, embora não apresentem as
características de imprevisibilidade e
urgência; assim, dependem de prévia lei
para a sua efetivação. Ex: aplicação de
novos cargos para o Governo; atribuição
de viacturas para órgão do governo,sem
lei aprovada; etc.
Quanto ao aspecto
econômico em geral:
 Despesa real ou de serviço - é a
efectivamente realizada pelo Estado em
razão da utilização de bens e serviços
particulares na satisfação de necessidades
públicas. Ex: reabilitação de edifícios
públicos; etc.

 Despesa de transferência - que é aquela que


é efectivada pelo Estado sem que receba
diretamente qualquer contraprestação a seu
favor, tendo o propósito meramente
redistributivo. Ex: pagamento da subvenção
do combustível.
FUNÇÃO DO ESTADO
 1. Função Macroeconómica (Afectação
e Distribuição)

 2. Função Microeconómica
(Estabilização)
FUNÇÃO AFECTAÇÃO

 Entende-se como a actividade pública


com o objectivo de contribuir para uma
afectação eficiente dos recursos na
economia, por meio de 3 formas
fundamentais: Provisão, Externalidades e
Regulação.
 A Provisão dos bens ou serviços públicos
consiste em satisfazer os desejos dos
cidadãos que não encontram resposta
através do funcionamento dos mercados. Ex:
Angola Telecon (antigamente); loja de
registo; sistema de saneamento;
electricidade; etc.

 As Externalidades representam os efeitos


externos que o Estado produz com a
produção ou consumo de bens. Ex: ao
contractar uma empresa para a reabilitação
de um edifício estatal, de uma forma
indirecta o Estado está a gerar emprego e
rendimento para a população.
 Regulação consiste na intervenção
pública para corrigir e regular a
concorrência. Ex: estabilização de
preços.
FUNÇÃO DISTRIBUIÇÃO

 Esta função tem um duplo objectivo de


intervir quer na distribuição de rendimento e
de riqueza com vista a adequá-la a uma
normal distribuição considerada mais
desejável. Quer na provisão em espécie de
certos bens e serviços (medicamentos,
saúde, livros, ensino) com vista a contribuir
para uma maior igualdade de
oportunidades. reflectirem os custos privados,
não reflectem os custos globais que a
sociedade tem que suportar com a sua
produção .
FUNÇÃO ESTABILIZAÇÃO
 Tem a ver com a função de proporcionar
estabilidade para a população. Ex: promover
crescimento económico; promover a criação
de emprego; cuidado com a inflação; etc.

 As funções acima enunciadas encontram


uma consagração constitucional na
República de Angola conforme descreve o
artigo 21º da CRA.

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