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Conceitos e Importância do Processo Civil

O Direito Processual Civil é um conjunto de normas que regula a ação civil e a atuação dos sujeitos processuais, visando a obtenção de decisões jurisdicionais. Suas características incluem ser instrumental, essencial para a efetivação de direitos e interesses, e regido por princípios fundamentais que garantem o acesso à justiça e a igualdade das partes. O Novo Código de Processo Civil de 2013 introduziu mudanças significativas, enfatizando a função social do processo e a busca pela verdade, além de estabelecer diretrizes para a prática processual.

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Conceitos e Importância do Processo Civil

O Direito Processual Civil é um conjunto de normas que regula a ação civil e a atuação dos sujeitos processuais, visando a obtenção de decisões jurisdicionais. Suas características incluem ser instrumental, essencial para a efetivação de direitos e interesses, e regido por princípios fundamentais que garantem o acesso à justiça e a igualdade das partes. O Novo Código de Processo Civil de 2013 introduziu mudanças significativas, enfatizando a função social do processo e a busca pela verdade, além de estabelecer diretrizes para a prática processual.

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Direito Processual Civil

Direito Processual Civil. Noção, caracterís cas e importância

Noção

A expressão "processo" deriva do la m processus, de procedere (pro = para a frente + cedere =


avançar), traduzindo a ideia de um caminhar progressivo com um obje vo. No contexto jurídico,
refere-se ao desenvolvimento ordenado de atos com vista à obtenção de uma decisão
jurisdicional.

Antunes Varela de ne o Direito Processual Civil como o “conjunto de normas reguladoras dos
pos, formas e requisitos da ação civil, bem como das formalidades que devem ser observadas em
juízo na propositura e desenvolvimento dela”. Esta de nição re ete a função estrutural e
organiza va do Direito Processual Civil, ao determinar como se estrutura e desenvolve a atuação
jurisdicional no âmbito dos li gios de natureza cível.

Mais sinte camente, pode-se a rmar que o Direito Processual Civil é o ramo do ordenamento
jurídico que disciplina o exercício da ação cível, regulando a atuação dos sujeitos processuais (juiz,
autor, réu, Ministério Público e auxiliares da jus ça), a tramitação dos processos, os seus
pressupostos, fases, formas e efeitos.

Caracterís cas

As normas de direito processual são instrumentais ou adje vas

Não têm, por regra, como nalidade indicar ou estabelecer o conteúdo das decisões (de mérito), a
solução para a resolução do con itos, mas sim o “meio” ou caminho a prosseguir para se poder
chegar à solução concreta dos con itos, par do da solução abstrata e genérica (con da na lei
material).

Não têm um m em si mesmo, autónomo, são um meio para a aplicação das soluções previstas na
lei material

O direito processual é um ramo de direito público

Critério da natureza dos interesses: O objeto do processo é um “assunto das partes”, mas a
administração da jus ça em nome do povo é uma “assunto de todos”. Teixeira de Sousa

Critério da posição dos sujeitos na relação processual: Um dos sujeitos processuais (o juiz) exerce
poderes de autoridade de soberania.

O direito processual civil é instrumental mas não é secundário: é essencial para a efe vação dos
direitos e interesses tutelados

A instrumentalidade do processo não traduz, essencialmente, um nexo entre o processo civil e as


situações substan vas preexistentes ou com o próprio ordenamento substan vo, mas antes, e
sobretudo, com as situações substan vas a rmadas pelas partes.

O m úl mo do processo não é, propriamente, a tutela do direito, quer se considere o direito


obje vo quer os direitos subje vos.
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Direito Processual Civil, das normas que que de nem o interesse prevalecente: que ditam a
solução o interesse prevalecente.

Processo Civil (meio de atuação), Do interesse juridicamente protegido pela solução na medida da
sua disponibilidade ou a rmação; a instrumentalidade refere-se os interesses a rmados e não
tanto aos interesses proclamados na lei substan va.

Importância

O exercício do poder jurisdicional, a atuação das magistraturas, das partes e seus representantes,
dos intervenientes acidentais e dos funcionários judiciais não pode car ao critério e arbítrio de
cada um. A disciplina dos diversos atos processuais é condição indispensável à garan a do
interesse público e dos interesses individuais.

O desconhecimento desta disciplina ou a sua má aplicação é susce vel de impossibilitar a


realização dos interesses merecedores de tutela.

Fontes de Direito Processual Civil. O Novo Código de Processo Civil

Fontes anteriores a 2013

Código de 1876, inspiração liberal, conceção essencialmente priva s ca- disponibilidade quase
total/ partes “donas do processo”, juiz “convidado de pedra”

Reforma do processo de 1926, José Alberto dos Reis, reforço dos poderes do juiz

Código de 1939, José Alberto dos Reis, agrega o processo comercial, maior publicitação do
processo, inquisitório-oralidade…

Código de 1961, redação nal da responsabilidade de Antunes Varela, nova disciplina da audiência
preparatória, registo áudio da prova pessoal

Reforma de 1995/ 1996, Tem como propósito/pano de fundo: assegurar uma simpli cação
processual e assim “a prevalência do fundo sobre a forma, a justa composição do li gio”;
atenuação do princípio disposi vo, ampliação dos poderes de intervenção do juiz, possibilidade da
consideração o ciosa de factos instrumentais; A rmação do princípio da cooperação entre as
partes e o tribunal, como o novo paradigma

O código de Processo Civil (2013), Lei 41/2013, de 26 de junho

Solução de con nuidade com as linhas orientadoras da reforma de 1995-1996: acentuação da


“função social” do processo.

Conceção heurís ca (descoberta da verdade). O processo, diz-se, “só deve ser ganho, por quem
“tem a verdade do seu lado”, pela parte que “tem razão”, e não apenas pela parte que apresenta
“os melhores argumentos”.

“Equação processual”. Necessidade de o mização da busca da verdade; minimizando o tempo e os


custos do processo.
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Algumas das alterações mais signi ca vas: a rmação do princípio da gestão processual ( ar gos
6.º e 590.º); ónus de alegação em matéria de facto; conhecimento o cioso de factos (ar go 5.º);
novo modelo da audiência prévia (ar go 591.º); subs tuição da “base instrutória” pelos “temas da
prova” (ar go 596.º).

Princípios Fundamentais do Processo Civil

Os princípios fundamentais são diretrizes essenciais que regem ou devem reger a pra ca
processual

Representam os critérios ou ideias que con guram, inspiram ou dominam o processo civil ou um
seu ins tuto.

Traduzem ideais centrais que permitem con gurar e compreender os principais valores do
processo civil.

Norma: comandos ou imposições de ações ou omissões

Princípios: parâmetros norma vos ideais; valores estruturantes do ordenamento jurídico;


comando mais genéricos ou abstratos; “têm peso e medida”, deferentes graus de o mização

Regras: concre zações ou especi cações dos valores estruturantes; comandos mais especí cos;
são aplicáveis à maneira de “tudo ou nada”

Princípio da proibição da autodefesa

Do recurso à “jus ça privada”, à “própria força”, ar go 1.º do CPC

Princípio da garan a de acesso aos tribunais

Ar go 20.º CRP, consagra o direito de acesso aos tribunais tendo em vista a obtenção, em prazo
razoável, de uma decisão judicial que aprecie com força de caso julgado as pretensões
apresentadas, bem como a possibilidade de as fazer executar ( vide, igualmente, ar go 6.º CEDH)

Ar go 2.º, n.º 2 CPC, estatui que a todo o direito, exceto quando a lei determine o contrário,
corresponde a ação adequada a fazê-lo reconhecer em juízo, a prevenir ou reparar a violação dele
e a realizá-lo coercivamente, bem como os procedimentos necessários para acautelar o efeito ú l
da ação.

Direito de ação, ar go 2.º, n.º 2

Teses monistas: A ação é con gurada como o direito subje vo em movimento (Savigny 1861), não
há ação sem direito, nem direito sem ação, natureza privada.

Teses dualistas: o direito de ação é exercido junto dos tribunais e tendo estes como des natários,
natureza púbica, ou seja, o direito à tutela jurisdicional concre za-se no acesso a uma sentença de
mérito favorável, enquanto o direito à tutela jurisdicional abstrata traduz-se na obtenção de uma
decisão judicial de mérito, independentemente do seu desfecho ser favorável ou desfavorável,
diferentemente, o direito subje vo tem natureza privada e é dirigido contra o par cular.
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Do n.º 2 do ar go 2.º do CPC não se pode extrair a adesão à conceção doutrinária de natureza
concreta do direito de ação, entendida como o direito a obter uma sentença favorável, nem tão-
pouco a dependência do exercício da ação à veri cação prévia da existência do direito ou do
interesse material invocado.

O que verdadeiramente se a rma é o princípio basilar da garan a da tutela jurisdicional efe va de


todos os direitos subje vos, consagrando-se que a todo e qualquer direito corresponde uma das
formas de ação previstas no ar go 10.º do CPC, conferindo-se àquele que invoca um direito
subje vo ou interesse o correla vo direito de ação, isto é, o poder de pra car os atos processuais
legalmente estabelecidos e de exigir dos órgãos jurisdicionais a correspondente a vidade
jurisdicional imposta por lei.

A correspondência é estabelecida entre o direito a rmado pelo demandante e a ação enquanto


meio processual colocado à disposição de quem a rma um direito ou interesse. E não entre os
direitos efe vamente existentes e os meios de tutela previstos na lei.

O direito de ação é um direito autónomo, de natureza abstrata, mas de conteúdo concreto. A


pretensão coo condição necessária de direito de ação.

Direito de agir em juízo exigindo aos órgãos jurisdicionais a prá ca dos atos legalmente previstos
(de acordo com os diferentes pos de ações) tendo em vista a resposta vincula va à concreta
pretensão de tutela apresentada.

O direito de ação possui natureza autónoma e abstrata, na medida em que a sua existência não
depende de qualquer situação jurídica substan va preexistente, não se traduzindo, por isso, num
direito a obter uma sentença favorável, mas tão só no direito de submeter uma pretensão à
apreciação jurisdicional.

O conteúdo do direito da ação é concreto, de acordo com o ar go 609.º do CPC uma vez proposta
a ação, o tribunal não se encontra vinculado a assegurar todos os interesses protegidos pela ordem
jurídica substan va, mas apenas aqueles que, concretamente a rmados na pretensão do autor, se
revelem merecedores de tutela jurisdicional, estando, assim, limitado a pronunciar-se unicamente
sobre esses interesses concretamente deduzidos.

Regime de acesso ao direito e aos tribunais: Lei n.º 24/2004, de 29 de julho, no ar go 1.º pode ler-
se:

“1 - O sistema de acesso ao direito e aos tribunais des na-se a assegurar que a ninguém seja
di cultado ou impedido, em razão da sua condição social ou cultural, ou por insu ciência de meios
económicos, o conhecimento, o exercício ou a defesa dos seus direitos.

2 - Para concre zar os obje vos referidos no número anterior, desenvolver-se-ão ações e
mecanismos sistema zados de informação jurídica e de proteção jurídica”

Nos termos do ar go 6.º da Lei n.º 34/2004, de 29 de julho, a proteção jurídica compreende o
apoio judiciário, previsto no ar go 13.º, e a consulta jurídica, regulada no ar go 14.º do mesmo
diploma.

Princípio da igualdade das partes, ar go 4.º CPC

Princípio do contraditório, ar go 3.º CPC


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Princípio disposi vo

O processo civil encontra-se na disponibilidade da vontade das partes, na medida em que o direito
processual civil é instrumental do direito civil e comercial onde predomina a autonomia da
vontade.

O princípio da autonomia da vontade, consagrado no ar go 405.º do Código Civil, reconhece aos


sujeitos o poder de autodisciplinarem os seus interesses, re e ndo a instrumentalidade da
vontade das partes, sendo que, em consequência do princípio disposi vo, a inst ncia judicial se
encontra, regra geral, na disponibilidade das partes.

Apesar do princípio da o cialidade do processo penal previsto no ar go 3.º do CPC, o impulso


processual e a manutenção da instância dependem essencialmente da vontade das partes, que
têm o ónus de dar seguimento ao processo, como exempli cado na habilitação prevista no ar go
351.º CPC, sob risco de deserção conforme o ar go 281.º CPC; além disso, as partes podem
suspender o processo por acordo (ar go 272.º, n.º 4 CPC), bem como ex ngui-lo ou resolvê-lo
através da desistência, con ssão ou transação, nos termos dos ar gos 283.º a 291.º CPC.

Cabe às partes delimitar os factos essenciais da lide, sendo-lhes reservado o ónus de alegar os
factos essenciais que cons tuem a causa de pedir e aqueles em que se baseiam as exceções,
conforme o disposto no ar go 5.º CPC, assim, dis nguem-se os factos essenciais, indispensáveis à
procedência da ação ou defesa, dos factos complementares, que, embora relevantes, não
individualizam a causa de pedir, bem como dos factos concre zadores, que traduzem as alegações
valora vas, dos factos instrumentais, que servem para provar os factos principais, e ainda dos
factos notórios, reconhecidos pelo conhecimento geral e dispensados de prova ou alegação.

Nos termos do princípio do pedido, consagrado no ar go 609.º CPC, as partes delimitam o poder
decisório do tribunal, que não pode condenar em quan a superior à requerida nem em objeto
diverso do pedido, sob pena de nulidade da sentença, nos termos do ar go 615.º, n.º 1, alínea d).

A exibilização do denominado "princípio do pedido”, segundo o qual a sentença deve limitar-se


ao âmbito do pedido formulado, admite, na jurisdição contenciosa (ao contrário da voluntária, nos
termos do ar go 987.º do CPC), que o tribunal, não podendo sobrepor-se à vontade expressa do
requerente, reconheça, contudo, uma manifestação implícita dessa vontade, desde que
salvaguardado o princípio do contraditório, assim, sendo incontroverso que o autor pretende uma
tutela subsidiária, ainda que de forma tácita, e havendo oposição da contraparte, mesmo que
igualmente implícita, o juiz poderá concedê-la, podendo ainda, segundo Teixeira de Sousa, chamar
a atenção da parte para a necessidade de adequar o pedido à realidade concreta do li gio.

Exemplos:

Pedido: condenação no pagamento do preço, o juiz não pode condenar no pagamento do peço,
acrescido dos juros ainda que estes sejam devidos.

Pedido: condenação no pagamento de 500 a tulo de indemnização por danos, o juiz não pode
condenar em 600 por dar como provado ser esse o valor dos danos.

Pedido: condenação a subs tuir o veiculo vendido, o juiz nao pode condenar o réu a reparar o
automóvel.
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Pedido: anulação do contrato com fundamento em simulação, o juiz pode declarar a nulidade do
contrato.

Princípio do inquisitório

O princípio do inquisitório, consagrado nos ar gos 5.º e 411.º do CPC, impõe ao juiz o dever de
realizar ou ordenar o ciosamente todas as diligências necessárias à descoberta da verdade
material rela vamente aos factos que lhe é permi do conhecer, materializando-se em diversos
corolários legalmente previstos, como a requisição de meios de prova (ar go 436.º), o depoimento
de parte (ar go 452.º), a prova pericial (ar go 467.º), a inspeção judicial (ar go 490.º) e a
inquirição de pessoas não indicadas como testemunhas (ar go 526.º).

Princípio do dever de gestão processual

No âmbito do Direito Processual Civil Declara vo, o princípio do dever de gestão processual,
consagrado no ar go 6.º do Código de Processo Civil, impõe ao juiz a obrigação de dirigir
a vamente o processo, adaptando-o às especi cidades do caso concreto, promovendo a sua
simpli cação e agilização, com vista à justa composição do li gio em prazo razoável (n.º 1), bem
como de providenciar pelo suprimento o cioso da falta de pressupostos processuais (n.º 2),
encontrando-se este princípio concre zado em diversas disposições legais, nomeadamente na
possibilidade de correção do erro na forma do processo (ar go 193.º), na sanação da incapacidade
ou irregularidade de representação (ar go 28.º), na correção dos ar culados irregulares ou
de cientes (ar go 590.º, n.º 2), e na programação dos atos a realizar na audiência nal (ar go
597.º, alínea f)).

Princípio da cooperação

O princípio da cooperação, consagrado no ar go 7.º do Código de Processo Civil, impõe às partes e


ao tribunal um dever de colaboração a va na condução do processo.

Princípio e dever da boa-fé processual

O dever de boa-fé processual, previsto no ar go 8.º do CPC, exige que todos os intervenientes
processem com lealdade e probidade, sendo que a sua violação pode con gurar má-fé nos termos
do ar go 542.º, n.º 2, do mesmo código.

Princípio do direito à comparência pessoal

O princípio do direito à comparência pessoal das partes encontra-se previsto no ar go 466.º, n.º 1,
do CPC, possibilitando a prestação de declarações de parte quando o tribunal o considere
necessário à descoberta da verdade material.

Princípio do dever de fundamentação

O princípio do dever de fundamentação das decisões judiciais está consagrado no ar go 205.º da


Cons tuição da República Portuguesa e reiterado nos ar gos 154.º e 607.º do CPC, sendo que a
sua violação cons tui nulidade da sentença, nos termos do ar go 615.º, n.º 1, alínea b), do CPC.
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Princípio da economia processual

O princípio da economia processual, enquanto princípio fundamental do Direito Processual Civil


Declara vo, impõe que a a vidade processual se desenvolva com o menor dispêndio de meios
possível, exigindo que, em cada processo, apenas se pra quem os atos e formalidades
indispensáveis (cfr. ar gos 130.º, 131.º e 511.º do CPC) e se procure resolver o maior número de
li gios (cfr. ar gos 36.º, 266.º, 267.º e 369.º), sem, contudo, comprometer o rigor e a e cácia das
decisões, pois só se veri ca verdadeira economia processual quando a simpli cação não afeta a
jus ça material.

Princípios da preclusão e da autorresponsabilidade das partes

Os princípios fundamentais da preclusão e da autorresponsabilização das partes impõem,


respe vamente, a perda do direito ou faculdade de exercer um determinado ato processual
quando este não é pra cado no momento legalmente previsto, como sucede, por exemplo, com as
nulidades processuais (ar gos 198.º e 199.º) ou com a apresentação de meios de defesa (ar go
573.º), atendendo ao prazo-regra de 10 dias previsto no ar go 149.º, e a assunção pelas partes das
consequências nega vas decorrentes da sua própria conduta processual, como ilustrado pela
revelia operante (ar go 567.º) ou pelo ónus de impugnação (ar go 574.º, n.º 2).

A revelia operante e o ónus de impugnação são mecanismos processuais inseridos no princípio da


autorresponsabilização das partes, o qual estabelece que cada interveniente no processo civil deve
suportar as consequências das suas próprias condutas ou omissões processuais, assumindo um
papel a vo e diligente na condução do li gio.

A revelia operante, prevista no ar go 567.º do Código de Processo Civil, ocorre quando o réu, após
ter sido devidamente citado, não apresenta contestação no prazo legal. Nessa circunstância,
consideram-se confessados os factos alegados pelo autor, o que signi ca que tais factos se têm por
provados, dispensando a produção de prova quanto aos mesmos. Este efeito da revelia, no
entanto, não opera automa camente em todas as situações. Ficam excluídos os casos em que os
factos sejam juridicamente inadmissíveis, como por exemplo factos contrários à ordem pública ou
aos bons costumes, bem como nas ações em que estejam em causa interesses indisponíveis, como
sucede em matérias de estado e capacidade das pessoas. A consequência prá ca da revelia
operante é que o tribunal pode proferir uma decisão favorável ao autor com base apenas nos
factos ar culados na pe ção inicial, desde que estes estejam su cientemente fundamentados e
não estejam abrangidos pelas exceções legais.

Já o ónus de impugnação especi cada, consagrado no ar go 574.º, n.º 2, impõe ao réu o dever de,
ao apresentar a contestação, impugnar de forma clara, expressa e direta os factos alegados pelo
autor. Não é su ciente uma negação genérica ou evasiva; é necessário que o réu iden que
concretamente quais os factos que contesta e, se possível, apresentar a sua versão dos
acontecimentos. A falta de impugnação especí ca de um determinado facto pode levar a que esse
facto se considere admi do por acordo das partes, salvo se se tratar de um facto juridicamente
inadmissível ou se for incompa vel com a defesa apresentada. Esta regra visa evitar
comportamentos dilatórios ou de má-fé, promovendo a celeridade e a clareza processual, ao
mesmo tempo que penaliza a inércia ou negligência da parte na sua defesa.

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Tanto a revelia operante como o ónus de impugnação especi cada cons tuem expressões claras
do modelo coopera vo do processo civil português, onde se exige das partes não apenas a
intervenção formal, mas uma atuação substan va, responsável e colaborante, sob pena de
suportarem as consequências jurídicas das suas omissões ou a tudes processuais negligentes.

Processo declara vo comum: ar go 546º CPC

Nos termos do ar go 546.º do Código de Processo Civil, o processo pode seguir a forma comum ou
uma das formas especiais previstas no Livro V (ar gos 878.º a 1081.º), aplicando-se a forma
comum quando a pretensão da parte não se enquadre em qualquer processo especialmente
previsto, sendo que, para as ações de valor não superior a metade da alçada da Relação, se
aplicam especi cidades procedimentais nos termos do ar go 597.º, estas formas especiais
compreendem tanto a jurisdição contenciosa, que se caracteriza pela existência de um li gio entre
partes com interesses opostos e carecendo de decisão judicial com força de caso julgado (ar gos
878.º a 985.º), como a jurisdição voluntária, onde não existe con ito propriamente dito, cabendo
ao tribunal intervir para assegurar a tutela de interesses juridicamente relevantes ou harmonizar
interesses, com caráter de suprimento e scalização (ar go 986.º e seguintes).

Processo declara vo comum: fases

Fase dos ar culados, ar gos 552.º a 589.º, esta fase inicial é crucial, porque é onde as partes
formalizam as suas posições jurídicas. Começa com a pe ção inicial, onde o autor expõe os factos,
fundamentos e o pedido, segue-se a contestação, na qual o réu apresenta a sua resposta, podendo
opor exceções ou impugnar os factos alegados; depois, o autor pode apresentar a réplica, que é a
resposta à contestação, e, se necessário, podem surgir ar culados supervenientes para responder
a novos factos ou questões levantadas.

- Pe ção inicial
- Contestação
- Réplica
- Ar culados supervenientes
Gestão inicial do processo e audiência prévia, ar gos 590.º a 598.º, aqui, o tribunal organiza o
processo para garan r a sua boa condução. O despacho pré-saneador veri ca questões
processuais preliminares, o que pode evitar a con nuação do processo se houver irregularidades
graves. A audiência prévia é um momento processual onde se tenta a conciliação entre as partes, e
discutem-se questões processuais e de facto essenciais para a fase seguinte. Depois, o juiz profere
o despacho saneador, que xa os pontos controver dos para julgamento, e pode haver o despacho
de condensação, para juntar atos processuais e evitar dispersão.

- Despacho pré-saneador
- Audiência prévia
- Despacho saneador
- Despacho de condensação
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Audiência nal, ar gos 599.º a 606.º, esta fase corresponde ao momento decisivo do processo em
tribunal. Realiza-se a tenta va de conciliação, que busca resolver o li gio sem necessidade de
decisão judicial, promovendo a autocomposição. Se não houver acordo, procede-se à produção da
prova, que pode incluir testemunhos, perícias ou outros meios admi dos. Por m, as partes fazem
as alegações nais, sinte zando os seus argumentos.

- Tenta va de conciliação
- Produção de prova
- Alegações
Sentença, ar gos 607.º a 626.º, o juiz fundamenta a sua decisão de forma clara e estruturada,
começando pelo relatório, onde resume o processo e as alegações; segue-se a fundamentação,
que é a análise jurídica e factual do caso, aplicando o direito relevante; e termina com a decisão,
que é a parte disposi va onde se determina o resultado do processo, dando resposta ao pedido do
autor.

- Relatório
- Fundamentação
- Decisão
Recursos, ar gos 627.º a 702.º, esta fase permite a impugnação das decisões judiciais, garan ndo
o direito ao duplo grau de jurisdição. São regulados os prazos, formas e fundamentos para interpor
recursos como a apelação, recurso de revista, entre outros, permi ndo a revisão da decisão por
instâncias superiores.

Fase dos ar culados

No processo declara vo comum, na fase dos ar culados, as partes devem apresentar por escrito,
junto do juízo, os fundamentos da ação e da defesa, formulando os respe vos pedidos (ar gos
144.º e 147.º do CPC), sendo obrigatória a cons tuição de advogado conforme a Portaria n.º
280/2013, de 26 de agosto, com a transmissão eletrónica de dados via Ci us; caso não haja
obrigatoriedade de advogado e a parte não esteja patrocinada, os ar culados podem ser
entregues diretamente na secretaria ou enviados por correio registado (n.º 7 do ar go 144.º).

Pe ção inicial

A pe ção inicial é o documento formal em que o autor apresenta a sua pretensão jurisdicional,
expondo os factos e os fundamentos jurídicos que a suportam. A sua entrega na secretaria marca o
início do processo (ar go 259.º, nº1 do CPC), ou seja, é o “start o cial” do processo judicial.

Explicação: Sem pe ção inicial não há processo; é nela que o autor “abertura o jogo” e pede que o
tribunal decida sobre o seu direito.

A pe ção inicial deve conter:

- Introito, iden cação das partes e do tribunal


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- Narração, descrição clara dos factos relevantes
- Conclusão, pedido formulado pelo autor
- Elementos complementares, documentos, procurações, entre outros
Explicação: Esta estrutura garante que o pedido está bem fundamentado e organizado, facilitando
a compreensão e análise pelo tribunal.

Em relação aos efeitos processuais da pe ção inicial da pe ção inicial, impede a caducidade do
direito, ar go 331.º CC e interrompe a prescrição, mas a interrupção só se considera completa com
a citação válida do réu, ar go 323.º CC, ou seja, a pe ção inicial protege o direito do autor contra a
perda por caducidade e ajuda a travar os prazos de prescrição, garan ndo que o processo pode
avançar.

O pedido na pe ção inicial é o nulo do pedido, em que o autor solicita uma providência judicial
concreta para proteger o seu interesse legi mo, devendo ser inelegível, idóneo e rela vo a um
bem jurídico, ou seja, sem pedido não há decisão, o tribunal só pode decidir sobre aquilo que é
pedido, poroso tem de estar claro e bem de nido.

Modalidades do pedido:

Cumulação de pedidos, (ar go 555.º CPC), pedido de várias providências simultâneas, como
anulação do contrato e res tuição de valores, desde que sejam compa veis.

Pedidos subsidiários, (ar go 554.º CPC): pedido secundário para o caso do principal não ser aceite,
como anulação do contrato ou, se não, pagamento do preço.

Pedidos alterna vos (ar go 553.º CPC): o autor formula pedidos em alterna va, e o réu escolhe
qual cumprir, como entregar o automóvel X ou Y.

Pedidos genéricos (ar go 556.º CPC): pedidos sobre bens não determinados exatamente,
admi dos quando o bem jurídico é uma universalidade (ex.: estabelecimento comercial) ou
quando o valor é incerto (ex.: indemnização).

Pedidos de prestações vincendas e futuras (ar go 557.º CPC): pedidos que incluem prestações já
vencidas e outras futuras, comuns em contratos como arrendamento, para garan r que o credor
não perde direitos antes da obrigação estar totalmente cumprida.

Estas modalidades permitem exibilidade no pedido, adequando-o às situações concretas e


garan ndo proteção jurídica mesmo quando o direito ou a prestação envolvida não são simples ou
imediatos.

A formulação válida e admissível dos pedidos na pe ção inicial encontra-se subordinada à


veri cação de determinados pressupostos processuais que garantem a coerência, a viabilidade e a
regular tramitação da ação. Em primeiro lugar, exige-se a compa bilidade substan va entre os
pedidos, isto é, os pedidos acumulados ou apresentados em alterna va não podem ser, no seu
conteúdo, intrinsecamente incompa veis entre si. A tulo exempli ca vo, seria inadmissível, em
regra, pedir cumula vamente a anulação de um contrato e, simultaneamente, a sua execução
forçada, dado que uma anulação pressupõe a inexistência de efeitos jurídicos, enquanto a
execução os pressupõe. No entanto, tal incompa bilidade pode ser ultrapassada quando os
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pedidos são deduzidos de forma subsidiária, admi ndo-se, nestes casos, que o autor peça, por
exemplo, a anulação do contrato e, se esta não for julgada procedente, a condenação do réu no
pagamento de determinada quan a, nos termos do ar go 554.º do Código de Processo Civil.

Além da compa bilidade, importa assegurar a inexistência de impedimentos legais à cumulação de


pedidos, conforme previsto no ar go 37.º do CPC, que estabelece os requisitos da coligação de
ações e de partes. Assim, não podem ser cumulados pedidos quando tal resulte em violação das
regras de competência do tribunal como nos casos em que diferentes pedidos exigem formas
processuais dis ntas ou implicam competências de tribunais materialmente diversos —, nem
quando o seu conhecimento conjunto seja susce vel de comprometer a coerência do processo ou
de causar prejuízo ao contraditório e à defesa das partes.

A veri cação destes pressupostos não cons tui um mero formalismo, mas sim uma exigência que
visa salvaguardar o equilíbrio do processo, garan r a racionalidade do julgamento e proteger os
direitos das partes, assegurando que o tribunal é chamado a decidir de forma clara, ordenada e
e caz sobre pretensões que, do ponto de vista jurídico e processual, podem ser conhecidas em
conjunto.

Causa de pedir

A causa de pedir, enquanto elemento fundamental da pe ção inicial, consiste no facto ou no


conjunto de factos concretos e juridicamente relevantes que fundamentam a pretensão formulada
pelo autor, exigindo, segundo a teoria da substanciação acolhida maioritariamente no
ordenamento jurídico português (cfr. ar go 5.º do CPC), a alegação de factos essenciais entendidos
por Lebre de Freitas como os factos cons tu vos da situação jurídica que se pretende fazer valer,
isto é, todos aqueles que integram a previsão norma va cujo efeito jurídico é invocado, sendo tais
factos concretos, inteligíveis e adequados à produção dos efeitos jurídicos pretendidos, ao
contrário de juízos conclusivos, apreciações meramente valora vas ou quali cações jurídicas,
sendo ainda de referir que, consoante a posição de Teixeira de Sousa, bastam os factos necessários
à individualização da pretensão material, assumindo assim a causa de pedir um papel
determinante na delimitação do objeto do processo e dos limites do caso julgado, sobretudo no
âmbito das ações reais, onde, segundo a teoria da substanciação (ar go 581.º, n.º 4 do CPC), cabe
ao autor a alegação dos factos cons tu vos do direito real invocado, sob pena de o tribunal não
poder conhecer da respe va pretensão.

Inep dão da pe ção inicial

A inep dão da pe ção inicial, nos termos do ar go 186.º do Código de Processo Civil,
consubstancia-se na veri cação de vícios formais que impedem o tribunal de conhecer do mérito
da causa, designadamente quando ocorre a falta do pedido isto é, quando o autor não apresenta
uma pretensão concreta ao tribunal ou a falta da causa de pedir, traduzida na omissão dos factos
essenciais que individualizam a pretensão (cfr. ar go 5.º), como sucede, por exemplo, num pedido
de nulidade de contrato por simulação sem alegação da divergência entre vontade real e
declaração negocial, ou num pedido de indemnização sem indicação do facto ilícito, bem como nos
casos de ininteligibilidade do pedido ou da causa de pedir, em que a formulação é ambígua,
obscura ou incompreensível, impedindo a correta apreensão da fundamentação fá ca, contradição
entre o pedido e a causa de pedir (situações de an nomia lógica, como invocar simulação e pedir o
cumprimento do contrato), cumulação de pedidos ou causas de pedir substancialmente
incompa veis, e ainda quando os factos alegados se revelam manifestamente inconcludentes para
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sustentar a pretensão deduzida, sendo que tais vícios podem ser sanados, nos termos dos ar gos
186.º, n.º 3 (interpretação conveniente pelo réu) e 590.º, n.º 2 e 4 (através de despacho convite do
juiz ao aperfeiçoamento dos ar culados).

Outros vícios da pe ção inicial

A recusa da pe ção inicial pela secretaria judicial, nos termos do ar go 558.º do CPC, fundada em
vícios externos da pe ção, pode ser objeto de reclamação para o juiz, nos termos do n.º 1 do
ar go 559.º, bene ciando o autor da possibilidade de suprir os vícios iden cados (art. 560.º),
sendo ainda admissível recurso para o Tribunal da Relação, conforme o disposto no n.º 2 do ar go
559.º.

Distribuição

A distribuição, nos termos dos ar gos 203.º e seguintes do Código de Processo Civil, consiste no
ato processual, realizado por via eletrónica, através do qual se designa aleatoriamente a secção, o
juízo ou o tribunal competente onde o processo irá correr os seus termos, ou ainda o juiz que
exercerá as funções de relator, assegurando-se, assim, a igualdade na distribuição do serviço e a
imparcialidade na tramitação processual.

Registo da ação

As ações judiciais que visem o reconhecimento, cons tuição, modi cação ou ex nção de direitos
reais, incluindo a impugnação pauliana, bem como aquelas que tenham por objeto a declaração de
nulidade ou anulação de um contrato de sociedade, encontram-se sujeitas a registo, nos termos do
ar go 3.º do Código do Registo Predial e do ar go 9.º do Código do Registo Comercial.

Citação

A citação, prevista no ar go 219.º do Código de Processo Civil, é o ato processual mediante o qual
se dá conhecimento ao réu da existência de uma ação intentada contra si, chamando-o ao
processo para, querendo, exercer o contraditório e apresentar a sua defesa. Trata-se de um ato
solene, de natureza declara va e cons tu va, pois por um lado informa o citando da pendência de
um processo judicial e, por outro, confere-lhe formalmente a qualidade de parte na instância. Esta
dupla natureza manifesta-se nas três funções que a doutrina e a jurisprudência lhe reconhecem:
informar o demandado da ação, convidá-lo a exercer a sua defesa e cons tuí-lo juridicamente
como sujeito processual.

Nos termos do ar go 226.º do mesmo diploma, vigora a regra da o ciosidade da citação, o que
signi ca que, após o despacho que admite a pe ção inicial, incumbe ao tribunal desencadear o
mecanismo de citação, excetuando-se as situações em que a lei permite ou exige que a citação
seja promovida pelo próprio autor, como sucede nos ar gos 237.º e 238.º, rela vos à citação
promovida por mandatário judicial.

O conteúdo do ato de citação encontra-se densi cado nos ar gos 219.º e 227.º, devendo dele
constar, sob pena de nulidade, a remessa ou entrega do duplicado da pe ção inicial e dos
documentos que a acompanham, a comunicação de que o réu ca citado para a ação, a
iden cação do processo e do tribunal, a indicação do prazo para contestar, a necessidade de
cons tuição de mandatário judicial, bem como as consequências legais da falta de apresentação
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da contestação. Importa sublinhar que eventual erro na indicação do prazo pode ser aproveitado
pelo réu, nos termos do ar go 191.º, n.º 3.

A citação pode reves r diversas modalidades, de acordo com o regime xado entre os ar gos
225.º e 246.º do Código de Processo Civil. A modalidade mais comum é a citação por via postal,
regulada no ar go 228.º, que se realiza através de carta registada com aviso de receção, enviada
para a residência ou local de trabalho do citando. Esta assume natureza quase pessoal quando é
entregue a terceiro presente no local, como previsto no n.º 2 do mesmo ar go. Se a carta não for
entregue, o expediente é devolvido ao tribunal, sendo efetuadas diligências para localizar o
citando, incluindo nova remessa ou até a aplicação do regime do ar go 236.º.

A citação também pode ser efetuada no domicílio convencionado entre as partes, nos termos do
ar go 229.º, sendo esta admissível quando o valor da ação não excede a alçada da Relação ou
quando a obrigação resulta de fornecimento con nuado de bens e serviços, com origem em
contratos reduzidos a escrito. A presunção de receção da carta pode, contudo, ser ilidida,
conforme o disposto no ar go 350.º, n.º 2 do Código Civil.

Caso a citação postal não seja bem-sucedida ou por opção do autor, pode recorrer-se à citação por
agente de execução ou funcionário judicial, nos termos do ar go 231.º, ou ainda à citação com
hora certa, prevista no ar go 232.º, aplicável quando não é possível encontrar o citando mas se
veri ca que este ali reside. Nestas situações, é a xada nota com indicação de data e hora para a
realização da diligência, seguindo-se, se necessário, a a xação da nota de citação.

A citação pode ainda ser promovida diretamente pelo mandatário judicial, quando tal seja
requerido na pe ção inicial ou em momento posterior, como previsto nos ar gos 237.º e 238.º.
Quanto à citação de pessoas cole vas, o ar go 246.º dispõe que esta deve ser feita para a sede
constante do Registo Nacional de Pessoas Cole vas, presumindo-se efetuada com a cer cação da
recusa de receção, quando aplicável.

A citação edital, prevista nos ar gos 225.º, n.º 6, 240.º e 241.º, é subsidiária e des na-se a
situações de incerteza quanto ao paradeiro do citando ou quando seja desconhecida a iden dade
dos citandos. Esta é realizada através de a xação de editais na úl ma residência conhecida ou sede
da en dade, complementada com publicação na página eletrónica do Ministério da Jus ça,
acessível ao público.

Quando o citando reside no estrangeiro, aplica-se o ar go 239.º, devendo observar-se os tratados


e convenções internacionais aplicáveis, como a Convenção de Haia de 1965 ou o Regulamento (CE)
n.º 1393/2007. Na ausência de instrumento internacional, recorre-se à citação por via postal, via
consular ou carta rogatória.

A falta de citação ou a sua realização com vício relevante cons tui nulidade, nos termos dos ar gos
188.º e 191.º, quando comprometa o contraditório ou o direito de defesa. A arguição de nulidade
pode ser feita em qualquer estado do processo, ou no prazo para contestar, sendo que, se o réu
intervier sem arguir imediatamente a nulidade, pode considerar-se suprida a omissão, nos termos
do ar go 189.º.

Quanto aos efeitos da citação, dis nguem-se os materiais e os processuais. Entre os primeiros, a
citação faz cessar a boa-fé do possuidor, nos termos do ar go 564.º, alínea a) do Código Civil,
interrompe os prazos de prescrição (ar go 323.º, n.º 1) e cons tui o devedor em mora em
obrigações puras (ar go 805.º). No plano processual, a citação estabiliza os elementos essenciais
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da instância, como as partes, o pedido e a causa de pedir, nos termos do ar go 260.º, e permite ao
autor bene ciar da exceção dilatória da li spendência, prevista no ar go 564.º, alínea c).

Por m, destaca-se que, após a citação, pode haver lugar a modi cações obje vas e subje vas da
instância. A causa de pedir e o pedido podem ser alterados ou ampliados nos termos do ar go
265.º, nomeadamente por con ssão do réu ou em consequência do pedido primi vo. A redução
do pedido pode ocorrer a todo o tempo. Já a intervenção de terceiros pode ter lugar por impulso
do autor, do réu ou por determinação do tribunal, nos termos dos ar gos 261.º e seguintes. Em
caso de morte ou transmissão da posição jurídica, aplica-se o regime dos ar gos 262.º, 263.º,
269.º e 276.º do Código de Processo Civil.

Revelia

A revelia, no direito processual civil português, con gura-se como a ausência de contestação pelo
réu regularmente citado, produzindo efeitos jurídicos que variam conforme a sua espécie e o
contexto processual, estando regulada principalmente nos ar gos 566.º a 568.º do Código de
Processo Civil. A revelia dis ngue-se em absoluta e rela va, consoante o réu não só não conteste,
mas também não intervenha de qualquer modo no processo (revelia absoluta), ou se limite a não
contestar, mas par cipe com algum ato processual (revelia rela va).

A quali cação da revelia é fundamental para a aferição dos seus efeitos, pois apenas em
determinadas condições a revelia produz o efeito cominatório previsto no ar go 567.º CPC, que
consiste na presunção rela va, ou seja, semi-plena, da veracidade dos factos ar culados pelo
autor, salvo prova em contrário, limitando-se assim a produção probatória do réu. Esta presunção
é importante porque permite ao tribunal decidir com base nos factos alegados pelo autor quando
o réu não se defende, mas não implica uma con ssão plena e irrevogável, mantendo-se a
possibilidade de o réu desvirtuar esses factos com prova posterior.

Para que a revelia seja operante e produza este efeito cominatório, é exigido que a citação do réu
seja pessoal ou quase pessoal, e que este permaneça em revelia absoluta ou em revelia rela va
com intervenção processual não quali cada, isto é, sem cons tuição de advogado no prazo legal
para contestar. Por oposição, a revelia é considerada inoperante quando se veri cam condições
previstas no ar go 568.º, como a existência de pluralidade de réus com um deles a contestar,
incapacidade do réu, citação edital, fatos cuja prova exija documento escrito (nos termos dos
ar gos 364.º e 223.º do Código Civil), fatos impossíveis sica ou legalmente, ou fatos
manifestamente inexistentes, ou ainda quando a vontade das partes não é su ciente para gerar o
efeito jurídico da revelia.

Antes da veri cação dos efeitos da revelia, impõe-se ao tribunal o dever de averiguar, de forma
o ciosa, a regularidade da citação (ar go 566.º CPC), dado que a revelia só pode produzir efeitos
se a citação for válida. Se o réu, mesmo não contestando, intervier de modo quali cado,
nomeadamente cons tuindo advogado dentro do prazo para contestar, a revelia não produzirá os
seus efeitos picos, pois esta intervenção quali cada demonstra o exercício do direito de defesa.

Rela vamente à tramitação processual subsequente, na revelia operante o tribunal pode dispensar
a audiência prévia, seguindo diretamente para o exame dos autos, alegações escritas e prolação de
sentença, podendo ainda determinar despacho pré-saneador, dada a presunção de veracidade dos
factos do autor e a ausência de contestação do réu. Já na revelia inoperante, mantém-se a
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tramitação normal do processo, com a peculiaridade de que, no caso de revelia absoluta, o réu
apenas será no cado da decisão nal, não havendo lugar à audiência prévia.

Contestação

A contestação, no âmbito do processo civil, cons tui, em sen do material, a peça processual
escrita e ar culada através da qual o réu exerce o seu direito de defesa, contrapondo-se à
pretensão deduzida pelo autor na pe ção inicial mediante a invocação dos meios de defesa que o
ordenamento jurídico coloca à sua disposição; em sen do formal, trata-se do ar culado onde se
consubstancia essa mesma oposição, devendo estruturar-se nos termos do ar go 572.º do Código
de Processo Civil, com um introito, onde se iden cam as partes e se posiciona o réu
processualmente, uma narração dos factos relevantes, uma conclusão, onde se formula o pedido
nal, e eventuais indicações complementares, como a indicação de meios de prova.

Do ponto de vista substancial, a contestação pode assumir diferentes modalidades de defesa


conforme previsto nos ar gos 571.º e 576.º do CPC, a saber:

Defesa por impugnação, que pode ser:

- Direta, quando o réu nega categoricamente os factos cons tu vos alegados pelo autor, pondo
em causa a veracidade ou ocorrência dos mesmos;

- Indireta, quando o réu, sem negar formalmente os factos alegados pelo autor, contrapõe factos
novos ou diferentes, que são materialmente incompa veis com aqueles, e que, se provados,
afastam a existência do direito invocado (implicando, portanto, uma negação mo vada).

Defesa por exceção, que se subdivide em:

- Exceções dilatórias, que não visam rebater o mérito da pretensão do autor, mas sim obstaculizar
o conhecimento deste, por exemplo, por ilegi midade das partes, preterição de tribunal
competente ou li spendência;

- Exceções perentórias, que, pelo contrário, visam diretamente a ex nção, modi cação ou
impedimento do direito invocado pelo autor, traduzindo-se em factos impedi vos, modi ca vos
ou ex n vos (como, por exemplo, o pagamento, a prescrição ou a compensação).

Ou seja, a contestação é o meio através do qual o réu exerce o contraditório, sendo um elemento
essencial da dialé ca processual e da realização do princípio da igualdade das partes, permi ndo
ao tribunal conhecer não só da versão dos factos trazida pelo autor, mas também da resposta
jurídica e factual do réu, em consonância com o princípio do disposi vo e o impulso processual das
partes.

Princípios fundamentais na disciplina da contestação

Da concentração ou preclusão, ar go 573.º CPC

Na disciplina da contestação, um dos princípios fundamentais é o da concentração ou preclusão,


consagrado no ar go 573.º do Código de Processo Civil, segundo o qual impende sobre o réu o
ónus de apresentar, com a sua contestação, todos os meios de defesa de que disponha, sob pena
de preclusão, ou seja, de perda do direito de os invocar em momento posterior. Este princípio visa
garan r a celeridade e a estabilidade do processo, concentrando num único ar culado a totalidade
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da defesa do réu, promovendo, assim, a economia processual e evitando delongas indevidas. No
entanto, existem exceções a esta regra, as quais se traduzem em mecanismos de defesa diferida,
que permitem ao réu apresentar certos meios de defesa fora do prazo normal da contestação.
Entre estas exceções encontram-se, por exemplo, as situações de superveniência obje va ou
subje va, nos termos do ar go 588.º, ou seja, factos ou meios de defesa que não podiam ser
invocados anteriormente por não serem ainda conhecidos ou não terem ocorrido. Acrescem ainda
as situações especialmente previstas na lei, como a incompetência absoluta do tribunal, prevista
no ar go 97.º, cuja arguição pode ter lugar em momento posterior, bem como os casos de
conhecimento o cioso pelo tribunal, nos termos do ar go 578.º, como, por exemplo, a veri cação
da ilegi midade das partes ou a existência de exceções dilatórias. A isto soma-se ainda a gura da
defesa separada, como sucede no incidente de suspeição de juiz, previsto no ar go 121.º, que, não
obstante dizer respeito à defesa do réu, é autonomamente processado. Deste modo, embora a
regra geral imponha a concentração dos meios de defesa na contestação, o ordenamento jurídico
português prevê, com ponderação, desvios jus cados à luz de princípios como o da jus ça
material e da tutela efe va dos direitos.

Do ónus da impugnação, ar go 574.º CPC

Nos termos do ar go 574.º do Código de Processo Civil, impende sobre o réu o ónus de
impugnação especi cada dos factos alegados pelo autor na pe ção inicial, os quais
consubstanciam a causa de pedir; isto signi ca que o réu tem o dever de tomar posição expressa e
devidamente fundamentada rela vamente a esses factos, sob pena de os mesmos poderem vir a
ser considerados tacitamente admi dos por acordo das partes, funcionando como verdadeira
con ssão. Todavia, o n.º 2 do mesmo ar go introduz algumas exceções ou desvios a esta regra,
nomeadamente quanto a factos que, estando em contradição com a defesa considerada
globalmente, não possam, por coerência, ser considerados admi dos, bem como em relação à
inadmissibilidade de con ssão de factos cuja prova apenas pode ser feita por documento, ou nos
casos em que o réu seja uma pessoa incapaz, ausente ou incerta, representada pelo Ministério
Público ou por advogado estagiário, situações que impõem especiais cautelas na valoração da
posição do réu. Por seu lado, o n.º 3 do ar go 574.º permite a impugnação por desconhecimento,
mas apenas rela vamente a factos que não sejam pessoais ou que o réu não tenha
necessariamente de conhecer, pois quanto a estes úl mos, a alegação de desconhecimento poderá
valer como verdadeira con ssão. Esta interpretação tem sido reiteradamente acolhida pela
jurisprudência do Supremo Tribunal de Jus ça, nomeadamente nos Acórdãos de 17 de outubro de
2019 e de 14 de dezembro de 2004, que rea rmam a necessidade de o réu assumir uma postura
processualmente a va e diligente na contestação, sob pena de ver os factos alegados pelo autor
considerados assentes por acordo ou con ssão tácita, com todas as implicações que daí advêm
para a decisão da causa.

Contestação reconvenção

A reconvenção consiste na dedução, por parte do réu, de um pedido autónomo contra o autor no
seio da contestação, representando assim o exercício do direito de ação pelo réu, o que se traduz
numa ampliação do objeto do processo inicial. Esta gura jurídica encontra-se sujeita a
determinados requisitos de admissibilidade, tanto de natureza processual como material. No plano
processual, exige-se que o pedido reconvencional seja deduzido de forma separada da defesa (nos
termos do ar go 58.º, n.º 3 do Código de Processo Civil), que obedeça à iden dade de forma da
ação principal, salvo autorização do juiz nos casos em que tal não ocorra, conforme disposto no
ar go 266.º, n.º 3, e que a matéria da reconvenção esteja subme da à mesma competência
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absoluta do tribunal que aprecia a ação principal, nos termos do ar go 93.º. Já quanto aos
requisitos materiais, previstos no ar go 266.º do mesmo diploma legal, a reconvenção apenas é
admissível quando o pedido reconvencional emerge de factos que servem igualmente de
fundamento à ação ou à defesa, quando vise tornar efe vo o direito a benfeitorias realizadas sobre
a coisa li giosa, quando tenha por nalidade deduzir compensação entre créditos e dívidas ou,
ainda, quando o pedido reconvencional procure alcançar o mesmo efeito jurídico pretendido pelo
autor com a ação principal. Esta gura processual permite, assim, uma resolução mais ampla e
e caz do li gio, assegurando o princípio da economia e da celeridade processual.

Ar culados eventuais: Réplica e ar culados supervenientes

Os ar culados eventuais compreendem, nomeadamente, a réplica e os ar culados


supervenientes, sendo o primeiro o ar culado através do qual o autor pode responder ao pedido
reconvencional ou invocar factos impedi vos, modi ca vos ou ex n vos do direito alegado pelo
réu, especialmente nas ações de simples apreciação nega va, conforme previsto no ar go 584.º
do Código de Processo Civil.

Estes ar culados cons tuem peças processuais redigidas sob a forma de ar gos, nas quais as
partes podem deduzir factos cons tu vos, impedi vos, modi ca vos ou ex n vos que tenham
ocorrido, ou de que tenham do conhecimento, após a apresentação da pe ção inicial ou da
contestação, nos termos do ar go 588.º, bene ciando de um prazo de 30 dias para o efeito, nos
termos do ar go 585.º.

O ar culado posterior corresponde àquele que é apresentado ainda dentro da fase dos
ar culados, enquanto o novo ar culado é apresentado após o encerramento dessa fase, regendo-
se pelo n.º 3 do ar go 588.º.

Quanto à réplica, esta é admissível nos casos previstos no ar go 584.º, designadamente quando
estejam em causa factos cons tu vos invocados pelo réu na reconvenção ou exceções perentórias,
podendo o autor apresentar resposta na audiência prévia ou, na sua ausência, na audiência nal
de julgamento, conforme o n.º 4 do ar go 3.º.

A omissão de réplica ou a falta de impugnação dos factos nela alegados pode levar à sua
consideração como admi dos por acordo, nos termos do n.º 1 do ar go 587.º, entendimento que
permanece objeto de controvérsia jurisprudencial.

Já os ar culados supervenientes, regulados pelo ar go 588.º, admitem a apresentação de novos


ar culados quer na audiência prévia, quer nos 10 dias subsequentes à no cação da data marcada
para a audiência nal, nos casos em que não se tenha realizado audiência prévia.

Os denominados ar culados supervenientes em sen do impróprio, previstos no ar go 589.º,


dizem respeito a alegações complementares que não envolvem factos essenciais, sendo exemplo
disso os “novos danos” fundados em “novos factos”, que, conforme entendimento do Acórdão do
Supremo Tribunal de Jus ça de 19 de junho de 2019, não con guram factos fundamentais e, por
isso, não estão sujeitos ao regime previsto no ar go 588.º.

Os ar culados supervenientes e a modi cação da causa de pedir

É fundamental harmonizar o regime dos factos supervenientes previsto no ar go 588.º com o


regime da alteração e ampliação da causa de pedir estabelecido nos ar gos 264.º e 265.º CPC,
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sendo que, segundo a doutrina de Lebre de Freitas e Teixeira de Sousa, os ar culados
supervenientes abrangem não apenas os factos que complementam a causa de pedir, mas
também aqueles que a alteram ou ampliam, o que implica que, por meio destes ar culados, é
admissível proceder à modi cação ou ampliação da causa de pedir mesmo para além dos limites
restritos pelos ar gos 264.º e 265.º; esta interpretação ganha suporte na aplicação do ar go 611.º,
que determina que o juiz deve considerar na sentença os factos supervenientes que obje vamente
ampliem, completem ou concre zem a causa de pedir, conferindo, assim, primazia ao disposto no
ar go 588.º rela vamente ao ar go 265.º, sem prejuízo das consequências que possam decorrer
em termos de responsabilidade pelas custas processuais, conforme previsto no n.º 3 do ar go
611.º.

Da gestão inicial do processo e audiência prévia

Despachos liminares e gestão inicial do processo

Antes da citação do réu, o juiz pode proferir despachos liminares, conforme previsto no ar go
590.º, n.º 1 do Código de Processo Civil. Estes despachos são decisões que visam preparar o
processo para o seu regular andamento, podendo ser obrigatórios por força de lei ou
determinados pelo próprio juiz. Entre os despachos liminares destacam-se os de citação,
ordenados em casos especiais como nos ar gos 879.º, 931.º, 969.º, em procedimentos cautelares
(ar go 366.º), ou quando a lei exige que a ação seja anunciada previamente, como no ar go 892.º,
incluindo ainda o chamamento de terceiros (ar gos 311.º e seguintes), o processo execu vo
(ar go 726.º, n.º 6 e 7) e a citação urgente (ar go 561.º).

Despachos liminares de indeferimento da pe ção inicial

O despacho liminar pode indeferir a pe ção inicial quando o pedido formulado é manifestamente
improcedente, ou seja, quando a falta de fundamento do pedido é evidente e não admite dúvidas
razoáveis. Nestas situações, o juiz pode reconhecer de imediato a impossibilidade de acolhimento
do pedido, especialmente se exis rem exceções dilatórias insusce veis de superação, como a
incompetência absoluta, a ilegi midade singular ou a existência de caso julgado formal, conforme
previsto no ar go 590.º, n.º 1.

Despachos liminares de aperfeiçoamento e remessa

Por analogia ao ar go 590.º, n.º 2, o juiz pode convidar as partes ao aperfeiçoamento da pe ção
inicial quando esta es ver incompleta ou com defeitos formais, bem como determinar a remessa
da pe ção para o tribunal competente em razão da incompetência territorial, nos termos dos
ar gos 104.º e 105.º. Após a citação do réu e a fase dos ar culados, o processo é concluso ao juiz
para decisão sobre questões formais e materiais.

Despacho pré-saneador

O despacho pré-saneador, previsto no ar go 590.º, n.º 2, tem a função de sanar as irregularidades


formais ou de aperfeiçoar os ar culados, incluindo o suprimento de exceções dilatórias quando
possível. Este despacho é vincula vo, ou seja, a sua omissão pode gerar nulidade processual
(ar gos 195.º, n.º 1 e 149.º). O aperfeiçoamento dos ar culados visa esclarecer, corrigir ou aditar a
matéria de facto alegada, desde que não implique alteração da causa de pedir ou inclusão de nova
causa de pedir, conforme o ar go 265.º. Importa notar que factos essenciais nucleares não podem
ser aditados nesta fase, sob pena de inep dão da pe ção inicial.
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Audiência prévia

Nos termos do ar go 591.º, a audiência prévia tem múl plas nalidades: tenta va de conciliação
entre as partes (ar gos 591.º e 594.º), discussão de exceções dilatórias susce veis de apreciação
judicial, audição das partes sobre o mérito e delimitação dos termos do li gio. É nesta audiência
que o juiz profere o despacho saneador (ar go 595.º), decidindo sobre a regularidade da instância,
pressupostos processuais, nulidades e, quando possível, o mérito da causa. Pode também proferir
o despacho de condensação (ar go 596.º), que iden ca o objeto do li gio e enuncia os temas da
prova, servindo como guia para a fase instrutória.

Despacho saneador

O despacho saneador é uma decisão do juiz sobre a regularidade do processo e, quando possível,
sobre o mérito, incluindo a apreciação de exceções perentórias (ar gos 186.º a 202.º). Este
despacho tem efeitos de sentença quanto às matérias decididas, embora não cons tua caso
julgado formal (ar gos 595.º, n.º 3 e 608.º). Caso o despacho declare a procedência de uma
exceção dilatória que impeça o prosseguimento do processo, este será reme do para o tribunal
competente, conforme os ar gos 105.º, 99.º e 278.º.

Despacho de condensação e temas da prova

O despacho de condensação, previsto no ar go 596.º, é peça escrita que de ne as pretensões das


partes e os fundamentos do li gio, bem como delimita a matéria de facto relevante para a
instrução. Segundo a exposição de mo vos da proposta de lei 113/XII/2ª, esta delimitação dos
temas de prova visa garan r uma instrução livre e ampla, evitando barreiras ar ciais e permi ndo
uma decisão que re ita a realidade histórica dos factos, conforme provados nos autos. Assim, os
temas da prova servem para organizar e orientar a a vidade instrutória, incluindo todos os factos
essenciais estruturantes da causa.

Dispensa e não realização da audiência prévia

Conforme os ar gos 592.º e 593.º, a audiência prévia pode ser dispensada em casos especí cos,
tais como a revelia operante (ar go 567.º, n.º 2), revelia inoperante (ar go 568.º, alíneas b) a d)),
ou quando toda a matéria relevante es ver con da numa única peça escrita. Também pode ser
dispensada quando o juiz pretende ex nguir o processo pela procedência de exceções dilatórias já
deba das. Nestes casos, o juiz tem o prazo de 20 dias para proferir o despacho, e cabe às partes
requerer a realização da audiência prévia, que não é obrigatória nem potesta va, sendo possível
reclamar contra os despachos no prazo de 10 dias.

Gestão processual e fase dos ar culados

Após a fase dos ar culados, regulada pelo ar go 597.º, o juiz exerce o dever de gestão processual
(ar go 6.º), garan ndo a adequação formal do processo (ar go 547.º). Nesta fase, as partes
podem alterar ou aditar os requerimentos probatórios, inclusive o rol de testemunhas, que pode
ser modi cado até 20 dias antes da audiência nal (ar go 598.º), promovendo um processo
dinâmico e ajustado às necessidades concretas do li gio. É importante salientar que este regime
de gestão processual se aplica com par cular relevância às ações de valor não superior a metade
do valor da alçada da Relação, xada em €15.000,00, uma vez que nestas situações o
procedimento tende a ser mais célere e simpli cado, re e ndo a intenção do legislador de
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promover maior e ciência na tramitação dos processos de menor complexidade e valor
económico.

Da instrução do processo, generalidade

A instrução do processo consiste numa a vidade essencial para a aquisição dos elementos ou
meios de prova e para a sua respe va produção, tendo como nalidade primordial a demonstração
da realidade dos factos relevantes para a decisão judicial. No ordenamento jurídico português, as
provas desempenham a função de evidenciar a verdade material dos factos alegados, conforme
previsto no ar go 341.º do Código Civil, devendo ser apresentadas em diversos momentos
processuais especí cos, tais como no nal da pe ção inicial (ar go 552.º, nº 2), na contestação
(ar go 572.º, alínea d)), nos ar culados, especialmente no que respeita à prova documental (ar go
423.º), na audiência prévia (ar gos 598.º, nº 1 e 593.º), e até vinte dias antes da audiência nal
para testemunhas e documentos (ar gos 598.º, nº 2 e 423.º, nº 2). É possível ainda a apresentação
de provas após esse prazo, com limitações quanto à subs tuição e apresentação de testemunhas,
nos termos dos ar gos 423.º, nº 3 e 510.º, assim como a produção de prova pode ocorrer em fase
de recurso (ar gos 425.º e 651.º).

A produção efe va da prova dá-se geralmente na audiência nal (ar go 604.º), embora exista a
possibilidade de produção antecipada de prova (ar go 419.º). O objeto desta a vidade instrutória
são os factos (ar go 410.º), cuja nalidade é criar uma convicção racionalmente fundada no
julgador sobre a sua existência, denominada de "ín ma convicção" (ar go 607.º, nº 4). Esta
convicção traduz-se numa certeza rela va, fundada na razão prá ca, ou seja, numa convicção
pessoal, porém logicamente jus cada e apta a suportar a decisão judicial, dis nguindo-se de
outros fundamentos subje vos, como a intuição, a emoção ou a fé.

Diversos autores contribuem para a compreensão do objeto e função da prova:

- Michele Taru o, destaca que a prova não se refere diretamente à realidade empírica dos factos,
mas sim à veracidade das a rmações ou enunciados que descrevem esses factos, pois o
processo só admite estas representações intelectuais

- Teixeira de Sousa, sublinha que a prova tem por objeto imediato o facto e por objeto mediato a
a rmação do mesmo

- Castro Mendes, reforça que o verdadeiro objeto da prova é uma representação intelectual,
sinónima da a rmação de facto; já Antunes Varela evidencia que, apesar de se poder falar tanto
da demonstração da realidade do facto como da veracidade da a rmação, o obje vo central é
garan r a correspondência obje va entre o facto e a realidade

Por m, a nalidade úl ma da a vidade instrutória reside na criação de uma convicção racional no


julgador, conferindo à prova uma natureza subje va, mas fundamentada, que se traduz no
chamado “ín mo convencimento”, cuja relevância decorre da sua fundamentação lógica e prá ca
para a aplicação do direito, excluindo a necessidade de uma certeza absoluta, ou seja, uma prova
que elimine qualquer possibilidade de erro, mas que assegure uma certeza su ciente para a
decisão judicial.
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Da instrução do processo, ónus da prova

Na instrução do processo, o ónus da prova desempenha um papel central e divide-se em dois


grandes ramos: o direito probatório material e o direito probatório processual. No direito
probatório material, a repar ção do ónus da prova encontra a sua base nos ar gos 342.º a 344.º
do Código Civil, onde se de ne quem deve provar o quê, ou seja, qual parte do li gio tem a
responsabilidade de trazer à prova os factos alegados. Esta repar ção obedece a uma lógica
obje va, focando-se nos factos que sustentam os direitos invocados e não necessariamente na
parte que apresenta a prova, conforme reforçado pelo ar go 413.º do Código Civil. Já os meios de
prova, a sua admissibilidade e o seu valor estão regulados nos ar gos 345.º e seguintes do mesmo
diploma, estabelecendo o quadro em que as provas podem ser admi das e avaliadas pelo tribunal.

No domínio do direito probatório processual, a atenção centra-se na apresentação e produção da


prova, reguladas nos ar gos 410.º a 526.º e no ar go 604.º do Código de Processo Civil, que
dispõem sobre os procedimentos para a produção probatória, a sua condução, admissibilidade, e
controlo judicial. Os procedimentos probatórios encontram-se igualmente referidos em normas
complementares, como o ar go 8.º do Código Civil e o ar go 414.º do Código de Processo Civil,
consolidando o enquadramento legal para a obtenção e apreciação da prova.

No que respeita à repar ção do ónus da prova, a teoria das normas assume um papel
fundamental, expressa por duas regras básicas previstas no ar go 342.º do Código Civil, cuja
interpretação clássica foi clari cada por autores como Antunes Varela. Segundo esta teoria, o ónus
da prova representa a situação da parte contra quem o tribunal dará como inexistente um facto
sempre que, face aos elementos apresentados no processo, o juiz não que convencido da sua
realidade. Assim, àquele que invoca um direito cabe o dever de provar os factos cons tu vos
desse direito, enquanto que compete à parte contra quem o direito é invocado provar os factos
impedi vos, modi ca vos ou ex n vos desse direito. Esta repar ção segue um critério obje vo,
pois importa iden car quais factos devem ser provados, independentemente de quem
efe vamente produza a prova, evitando-se uma leitura literal que imponha à parte que invoca um
facto o ónus absoluto da sua prova, conforme a jurisprudência do Supremo Tribunal de Jus ça,
nomeadamente o acórdão de 13 de julho de 2021.

A inversão do ónus da prova, prevista no ar go 344.º do Código Civil, con gura uma exceção
signi ca va à regra geral, recaindo o ónus da prova sobre quem, em princípio, não teria de o fazer.
Tal sucede quando existem presunções legais, dispensas ou liberações expressas do ónus da prova,
ou quando uma convenção válida o determina, desde que não torne excessivamente di cil o
exercício do direito, conforme o disposto no ar go 345.º do Código Civil. Também ocorre quando a
parte contrária, culposamente, torna impossível a produção da prova ao onerado, situação que
pode envolver a aplicação de sanções processuais, como previstas no ar go 417.º, n.º 2, do Código
de Processo Civil, que pune a recusa de colaboração para a descoberta da verdade. Exemplos
picos de presunções legais são os previstos no ar go 493.º do Código Civil, rela vo a danos
causados por coisas, animais ou a vidades, enquanto exemplos de dispensa de prova se
encontram na prescrição presun va do ar go 312.º do Código Civil.

Em relação a casos especialmente previstos na lei, o ar go 343.º do Código Civil prevê regras
especí cas de ónus da prova para situações de complexidade especial, estabelecendo que, em
ações de simples apreciação ou declarações nega vas, o réu deve provar os factos cons tu vos do
direito que alega; nas ações sujeitas a prazos, cabe ao réu provar a decurso desses prazos, salvo
disposição legal diversa; e nos direitos condicionados, cabe ao autor provar a veri cação da

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condição suspensiva ou termo inicial, enquanto que cabe ao réu provar a condição resolu va ou o
termo nal.

Na prá ca, em ações de indemnização por incumprimento contratual, o autor suporta o ónus da
prova quanto à existência da obrigação e ao seu incumprimento, em consonância com os
pressupostos gerais da responsabilidade contratual previstos nos ar gos 798.º e 799.º do Código
Civil. Já na ação de resolução contratual por incumprimento, compete igualmente ao autor provar
o incumprimento do réu, que cons tui o facto cons tu vo do seu direito. No âmbito das exceções,
como a excep o non adimple contractus prevista no ar go 428.º do Código Civil, o ónus da prova
recai, por norma, sobre o autor que deve provar ter cumprido ou oferecido a sua prestação,
contudo, se o demandado invocar um incumprimento defeituoso da parte autora, a este cabe
provar os factos em que essa exceção se fundamenta.

Da instrução do processo, meios de prova

Na instrução do processo, os meios de prova desempenham um papel fundamental para o


esclarecimento da verdade material, sendo regidos por princípios essenciais, como a livre
admissibilidade e apreciação dos meios de prova, previstos no ar go 607º, nº 5 do Código de
Processo Civil, que assegura ao juiz a faculdade de valorar cada meio conforme as circunstâncias
do caso concreto, sem rigidez formalista. Entre os meios de prova, destaca-se a con ssão, que
consiste no reconhecimento, por parte de uma das partes, da realidade de um facto que lhe é
desfavorável e, consequentemente, favorece a parte contrária, conforme disposto no ar go 352º
do Código Civil. Contudo, esta con ssão apresenta limitações que decorrem tanto da lei
substan va, que impõe formalidades ad substan am, como ocorre no ar go 865º do CC, como da
lei processual, que estabelece inabilidades legais para a prova testemunhal, nomeadamente nos
ar gos 495º e 496º do CPC.

A con ssão é dotada de caracterís cas especí cas, como a irretratabilidade, prevista no ar go
465º do CPC, que determina que, uma vez produzida, não pode ser re rada, salvo no caso da
con ssão judicial, que pressupõe aceitação pela contraparte (nº 2 do mesmo ar go). Além disso, a
con ssão é indivisível, nos termos do ar go 360º do CC, implicando que, se a parte pretende valer-
se dela como prova plena, deve aceitar todos os factos nela referidos, mesmo aqueles que a
possam modi car ou ex nguir, salvo se provar a inexac dão dos mesmos, conforme o ar go 359º
do CC que regula a impugnabilidade da con ssão por meio de ação judicial autónoma. Em termos
de valor probatório, a con ssão é considerada prova plena (ar go 358º do CC), dis nguindo-se da
prova bastante, que cede perante contraprova ou dúvida do julgador (ar go 346º CC), e da prova
pleníssima, que é insusce vel de ser destruída, como acontece com as presunções legais inilidíveis
(ar go 350º, nº 2 do CC). Na prá ca, a con ssão pode ser ob da por depoimento da parte,
solicitado pela parte contrária ou determinado pelo juiz, e cons tui um meio de prova robusto,
embora sujeito a impugnação.

No que respeita à prova documental, esta compreende qualquer objeto elaborado pelo homem
com a nalidade de reproduzir ou representar uma pessoa, coisa ou facto, incluindo escritos,
documentos eletrónicos e reproduções mecânicas como fotogra as e plantas, conforme os ar gos
362º e 368º do CC. A prova documental goza de presunção de auten cidade quando subscrita por
autoridades públicas com assinatura reconhecida ou selo o cial, conforme ar go 370º, nº 1 do CC,
o que confere prova plena da auten cidade ou proveniência do documento, desde que
respeitados os requisitos legais. Os documentos públicos autên cos, exarados pelas autoridades
competentes, notários ou o ciais com fé pública, são dotados de força probatória plena, tanto
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quanto aos factos nelas referidos quanto aos atos que documentam, nos termos do ar go 363º do
CC e do Código do Notariado. Todavia, esta presunção pode ser ilidida mediante prova em
contrário, sendo a falsidade documental (ar go 372º do CC) um meio para afastar a força
probatória do documento, sem prejuízo de que o conteúdo das declarações nele con das possa
também cons tuir con ssão extrajudicial, caso sejam desfavoráveis ao declarante.

Os documentos escritos par culares dividem-se em auten cados, legalizados e par culares stricto
sensu. Os documentos auten cados são aqueles cujo conteúdo é con rmado pelas partes perante
notário, conforme os ar gos 363º, nº 3 do CC e as normas do Código do Notariado. Os
documentos legalizados, por sua vez, apenas têm reconhecimento da letra ou assinatura, não
subs tuindo documentos autên cos quando a lei assim o exige para validade do ato (ar gos 375º
a 377º do CC). Por m, os documentos par culares genuínos, que não tenham reconhecimento
formal, fazem prova plena quanto às declarações atribuídas ao seu autor e aos factos contrários
aos seus interesses, mas não da sua auten cidade, a qual depende de reconhecimento tácito ou
expresso pela parte contra quem se apresentem, ou de reconhecimento judicial, conforme o ar go
376º do CC.

A impugnação da auten cidade ou do valor probatório dos documentos segue um procedimento


especí co, devendo ser apresentada no prazo de dez dias após a apresentação do documento, sob
pena de preclusão, com possibilidade de o juiz decidir imediatamente em alguns casos, conforme
ar gos 444º a 449º do CPC. Paralelamente, o ónus da prova cabe à parte que apresenta o
documento para demonstrar a sua auten cidade, especialmente quando a outra parte impugna a
sua veracidade, conforme ar go 374º do CC.

No que concerne à prova testemunhal, entende-se por testemunha a pessoa que, não sendo parte
nem seu representante, é chamada a depor sobre factos de que tem conhecimento direto. A
capacidade para depor depende da ap dão mental para narrar os factos e deve ser aferida pelo
juiz, que pode recusar a inquirição em caso de incapacidade ou impedimento legal, previstos nos
ar gos 495º e 496º do CPC. Estão impedidas de depor testemunhas que sejam partes na causa ou
tenham interesses diretos, e pode haver recusa legí ma em razão de parentesco ou segredo
pro ssional (ar go 497º). A força probatória do depoimento testemunhal é livremente apreciada
pelo tribunal, conforme ar go 396º do CC, admi ndo-se em regra, exceto nos casos em que a lei
exige prova escrita ou quando o facto já está plenamente provado por documento de força
probatória plena (ar gos 392º a 395º do CC). A jurisprudência tem entendido que, em regra, a
prova testemunhal só é admi da na existência de um princípio de prova escrita verossímil.

Durante a instrução processual, as testemunhas são arroladas com iden cação detalhada e
podem ser inquiridas presencialmente ou por teleconferência, respeitando o limite legal de
testemunhas (ar go 511º do CPC), com o juiz a garan r a imparcialidade e a proteção da
testemunha durante o interrogatório (ar go 516º). São ainda possíveis incidentes como
impugnação da testemunha, contradita para abalar a credibilidade do depoimento e acareação
para confronto direto de testemunhas, visando assegurar a verdade material.

No que respeita à prova pericial, esta é des nada a esclarecer factos que exigem conhecimentos
técnicos ou cien cos especí cos que o juiz não possui, podendo ser determinada o ciosamente
ou requerida pelas partes (ar gos 467º e 468º do CPC). A perícia pode ser individual ou colegial, e
o laudo pericial, embora dotado de relevância, está sujeito à livre apreciação do tribunal, que pode
examinar o raciocínio técnico para decidir sobre o seu valor probatório, em consonância com os
ar gos 388º do CC e 489º do CPC.
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Por úl mo, a prova por inspeção judicial consiste na perceção direta pelo tribunal dos factos
relevantes, mediante exame de coisas, pessoas ou locais, podendo o juiz deslocar-se ao local ou
promover recons tuições dos factos, buscando uma experiência imediata da realidade em apreço,
conforme o ar go 390º do CC e o ar go 490º do CPC, que complementa esta modalidade de prova
para a busca da verdade real no processo.

Audiência nal

O processo declara vo comum, na sua fase da audiência nal, decorre perante um juiz singular,
conforme es pulado no ar go 599.º do Código de Processo Civil. Esta audiência inicia-se,
obrigatoriamente, com uma tenta va de conciliação entre as partes, nos termos do número 2 do
ar go 604.º, procurando-se assim, em primeiro lugar, uma solução amigável para o li gio, antes de
se proceder à fase probatória e ao debate jurídico. Seguidamente, procede-se à produção de
prova, que abrange, nos termos do número 3 do ar go 604.º, as diversas modalidades probatórias
relevantes para o esclarecimento dos factos controver dos, nomeadamente a prova documental,
testemunhal, pericial e outras que a lei admite, sendo imprescindível garan r a adequada
instrução do processo para uma decisão fundamentada. Após a prova, dá-se o debate, onde as
partes apresentam as suas alegações orais, abordando tanto os factos como o direito aplicável,
permi ndo ao juiz uma análise crí ca e aprofundada das matérias em julgamento, conforme
previsto na alínea e) do mesmo ar go. A audiência, por regra, é pública e con nua, nos termos do
ar go 606.º, o que visa assegurar a transparência e a celeridade do processo, evitando dispersão
temporal que possa prejudicar a concentração e a e cácia do julgamento. O juiz, no exercício da
sua função, dispõe de amplos poderes que visam tornar o processo ú l e célere, assegurando a
justa decisão da causa, conforme preceitua o ar go 602.º. Entre estes poderes, destaca-se a
direção dos trabalhos, garan ndo que o julgamento decorra segundo a programação estabelecida,
a manutenção da ordem e do respeito pelas ins tuições jurídicas, a promoção de um debate
sereno e elevado, e a contenção das intervenções das partes, através da exortação para abreviar
requerimentos ou alegações excessivas ou irrelevantes, podendo até re rar a palavra quando
necessário. Por m, compete ao juiz solicitar esclarecimentos aos advogados e ao Ministério
Público sempre que se apresentem pontos obscuros ou dúbios, promovendo assim uma maior
clareza e fundamentação da decisão judicial, em respeito pelos princípios do contraditório e da
ampla defesa.

Sentença

O processo declara vo comum culmina na sentença, que se con gura como o ato pelo qual o juiz
decide a causa principal ou algum incidente que tenha a estrutura de uma causa, conforme
disposto no ar go 152.º do Código de Processo Civil. Inicialmente, a sentença deve iden car as
partes intervenientes e o objeto do li gio, expondo claramente as questões que o tribunal deve
solucionar, de modo a delimitar o âmbito da decisão. Na sequência, o juiz apresenta os
fundamentos da sentença, onde discrimina os factos que considera provados, isto é, aqueles
elementos fá cos que sustentam a sua decisão, bem como indica, interpreta e aplica as normas
jurídicas per nentes ao caso, concluindo com a decisão nal que resolve o li gio.

No que concerne à fundamentação, é essencial que o juiz declare expressamente quais factos
reputa como provados e quais rejeita, fazendo uma análise crí ca das provas produzidas no
processo. Para tal, deve indicar as ilações que extrai dos factos instrumentais, ou seja, aqueles que
servem de base para a convicção judicial, e especi car outros fundamentos decisivos que
in uenciaram a sua convicção. Além disso, o juiz tem em consideração factos admi dos pelas
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partes por acordo, provados documentalmente ou por con ssão escrita, compa bilizando toda a
matéria factual apurada e extraindo, quando necessário, presunções legais ou baseadas em regras
de experiência.

Importa destacar que a apreciação das provas é feita livremente pelo juiz, que se guia pela sua
prudente convicção em relação a cada facto, porém esta liberdade não abrange factos cuja prova
dependa de formalidades legais especí cas, nem aqueles que apenas possam ser comprovados
por documentos ou que estejam incontroversos por acordo ou con ssão das partes. Por m, a
sentença deve concluir com a condenação dos responsáveis pelas custas processuais,
especi cando a proporção da responsabilidade de cada parte, conforme es pulado no ar go 607.º
do Código de Processo Civil, sendo também necessário observar os requisitos externos previstos
no ar go 153.º para a validade do ato sentencial.
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