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Avaliação Psicológica em Deficiências

A avaliação psicológica de pessoas com deficiência deve seguir rigorosos critérios teóricos e técnicos, adaptando instrumentos de forma cuidadosa para garantir a qualidade psicométrica. É essencial que os psicólogos conheçam bem o público-alvo e utilizem testes que respeitem a dignidade e individualidade dos avaliados, evitando a patologização. O Conselho Federal de Psicologia orienta sobre a construção e adaptação de testes, enfatizando a importância de evidências de validade e a autonomia profissional na escolha dos métodos.
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Avaliação Psicológica em Deficiências

A avaliação psicológica de pessoas com deficiência deve seguir rigorosos critérios teóricos e técnicos, adaptando instrumentos de forma cuidadosa para garantir a qualidade psicométrica. É essencial que os psicólogos conheçam bem o público-alvo e utilizem testes que respeitem a dignidade e individualidade dos avaliados, evitando a patologização. O Conselho Federal de Psicologia orienta sobre a construção e adaptação de testes, enfatizando a importância de evidências de validade e a autonomia profissional na escolha dos métodos.
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AVALIAÇAO PSICOLÓGICA PARA

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

51. Como fazer avaliação psicológica em pessoas com


deficiência?
No processo de avaliação psicológica destinado às pessoas com
deficiência, é imprescindível o atendim ento aos pressupostos teóricos
e técnicos inerentes à avaliação psicológica sedimentados na literatura
científica. Contudo, alguns aspectos adicionais devem ser observados
com vistas à manutenção da qualidade psicométrica dos instrumentos e
procedimentos empregados:
a) adaptar os instrumentos para pessoas com deficiência não se
resume em alterar um aspecto indistintamente sem avaliar as
consequências na avaliação psicológica como um todo e nos
resultados e procedimentos do próprio teste;
b) o uso de certos tipos de adaptações pode modificar o construto
que está sendo medido. Cita-se como exemplo medidas de com­
preensão escrita e oral;
c) é condição indispensável, considerando a heterogeneidade da
população com deficiência, o conhecimento profundo sobre o
público ao qual o teste é destinado, o tipo de deficiência e como
o público irá manusear os materiais do instrumento; e
d) a(o) psicóloga(o) ao selecionar um instrumento e procedimentos
para a avaliação de pessoas com deficiência deve pautar-se em
evidências de validade que assegurem a adequação das adap­
tações realizadas em relação a aspectos de usabilidade, acessi­
bilidade, clareza das tarefas, entre outros aspectos.

56 Conselho Federal de Psicologia


Cabe elucidar que o Código de Ética Profissional preconiza no item
II de seus princípios fundamentais que “O psicólogo trabalhará visando
promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e
contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discrimi­
nação, exploração, violência, crueldade e opressão”. Sob essa perspectiva,
pode-se dizer que a avaliação psicológica nesse contexto não deve ser um
mecanismo de patologização ou de adequação dos corpos em razão de
sua capacidade funcional. O compromisso da avaliação psicológica com
os direitos humanos reforça que todo processo de avaliação psicológica
deve preservar a dignidade e a individualidade da pessoa, rompendo com
a ideia capacitista de impor uma normatividade de corpos não deficientes.

52. Quais testes são indicados na aplicação para pessoas com


deficiência?
Cabe ao profissional investigar quais são os procedimentos, os meios
e as técnicas mais adequados para o contexto de seu trabalho, uma vez que
o CFP defende a autonomia profissional das(os) psicólogas(os) quanto à
escolha dos testes. Ressalta-se que as condições de uso dos instrumentos
devem ser consideradas apenas para os contextos e propósitos para os
quais os estudos empíricos indicaram resultados favoráveis.
Com o intuito de fomentar, nas instituições representativas, pesqui­
sas acerca da avaliação e serviços psicológicos e promover uma Psicologia
comprometida com métodos e técnicas que propiciem o acesso às pessoas
com deficiência, o CFP emitiu a Nota Técnica n° 4/2019: “Construção,
adaptação e estudos de equivalência de testes psicológicos para pessoas
com deficiência", que tem como objetivo orientar psicólogas, pesquisado-
ras(es), editoras e laboratórios responsáveis quanto ao desenvolvimento
de estudos psicométricos (adaptação, construção, evidências de validade
e precisão, equivalência e dados normativos) de testes psicológicos para
pessoas com deficiência. Adicionalmente, a nota não recomenda ser feita

Cartilha Avaliação Psicológica 57


qualquer adaptação sem prévio estudo, e “ nos casos em que o uso dos
testes é inapropriado para as características individuais do avaliado, a(o)
psicóloga(o) deverá proceder a avaliação com outros recursos reconhecidos
pela Psicologia” (CFP, 2019).
Em 2019 foi publicada a Nota Técnica n° 6/2019 com objetivo de
orientar as(os) psicólogas(os) sobre Avaliação da Capacidade Decisional
de Pessoas com Deficiência e/ou com Doenças Crônicas. Ainda em 2019,
foi lançado o Prêmio Profissional - Avaliação Psicológica direcionada
a pessoas com deficiência, com objetivo de estimular profissionais de
Psicologia a relatarem suas experiências sobre o tema, de modo a levar
a categoria a pensar e a integrar novas formas de ação inclusiva na sua
prática profissional.

58 Conselho Federal de Psicologia

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