Leia o texto e responda as questões abaixo.
Jean-Baptiste Debret (1768-1848) retratou a prática do entrudo durante sua estadia no Brasil
Origens do Carnaval
As origens do Carnaval têm raízes em tradições pagãs que remontam à Antiguidade. Com o fim do
inverno e o início da primavera, diferentes festivais celebravam a nova colheita e aproveitavam a
ocasião para consumir os estoques de carne e banha restantes.
Uma dessas celebrações eram as Saturnais, que, na Roma Antiga, homenageavam o deus Saturno
com banquetes e desfiles. Já na Grécia Antiga, ocorriam festivais dedicados a Dionísio, que
incluíam danças e representações teatrais.
Com a ascensão do cristianismo, a Igreja Católica incorporou o Carnaval ao calendário litúrgico.
Antecedendo a Quaresma, o Carnaval proporcionava um período de celebração antes do jejum,
permitindo que as pessoas se entregassem a prazeres antes da penitência.
Durante a Idade Média, na Europa, o Carnaval ganhou popularidade, com máscaras e fantasias
sendo utilizadas para ocultar identidades, permitindo uma liberdade efêmera e irreverente durante as
festividades.
A colonização europeia levou o Carnaval a diferentes partes do mundo, onde se mesclou com
tradições locais e deu origem a celebrações únicas que incorporaram elementos autênticos de cada
região.
Carnaval no Brasil
As primeiras manifestações carnavalescas no Brasil datam do século XVII e eram conhecidas como
Entrudo, uma celebração de origem portuguesa praticada essencialmente pelas classes populares.
O Entrudo consistia na ocupação das ruas das cidades, mas também nos espaços rurais e até dentro
das casas, onde a população realizava brincadeiras jogando água, farinha, polvilho e outros líquidos,
como os chamados limões de cheiro, café, tinta, groselha, lama e até urina. O jogo do Entrudo era
considerado violento e ofensivo, funcionando como uma forma de extravasar sentimentos
reprimidos ao longo do ano nos três dias que antecediam a Quaresma.
Não era apenas nas ruas que o Entrudo acontecia; também era praticado no interior das casas das
famílias de posição social mais elevada, que se recusavam a compartilhar as ruas nesses dias. Esse
cenário levou a elite brasileira, principalmente a do Rio de Janeiro, a iniciar uma campanha contra o
Entrudo a partir da década de 1840. Embora não fosse oficialmente permitido durante o período
colonial ou naquele momento da vida urbana da capital imperial, a polícia não reprimia a
manifestação popular até então. No entanto, com a campanha promovida principalmente pelos
jornais cariocas, o Entrudo passou a ser combatido e, posteriormente, proibido nas ruas do Rio de
Janeiro.
A elite desejava festejar o Carnaval sem contato com as manifestações populares do Entrudo. O
código de conduta moral da sociedade carioca não permitia o confronto direto com esse "jogo
bárbaro, pernicioso e imoral", sem que houvesse a intermediação da polícia.
A partir daí, novas formas de festejo do Carnaval surgiram, como os bailes de máscaras realizados
em salões e teatros para a elite e os cordões de rua organizados pelas classes populares, que
frequentemente satirizavam as procissões religiosas.
No final do século XIX, começaram a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os
famosos "corsos". Estes últimos se tornaram especialmente populares no início do século XX. As
pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e desfilavam em grupos pelas ruas das cidades.
Dessa tradição surgiu a ideia dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.
No século XX, o Carnaval cresceu e tornou-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento
foi impulsionado pelas marchinhas carnavalescas, que trouxeram ainda mais animação à festa.
A primeira escola de samba
A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar, fundada pelo
sambista Ismael Silva. Anos mais tarde, a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio
de Sá. A partir desse momento, o Carnaval de rua começou a ganhar um novo formato, com o
surgimento de novas escolas de samba tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo.
Organizadas em ligas de escolas de samba, essas agremiações passaram a competir para eleger a
mais bonita e animada, dando início aos desfiles competitivos que hoje fazem parte da tradição
carnavalesca brasileira.
No Brasil, o Carnaval passou por transformações significativas ao longo do século XX. Foi nesse
período que surgiram os desfiles de rua, as competições de escolas de samba e manifestações mais
organizadas.
Principais carnavais do Brasil
Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem às ruas durante o Carnaval ao som do frevo e
do maracatu. Os desfiles de bonecos gigantes em Recife são uma das principais atrações da cidade
durante a festa.
Carnaval de Recife
Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e
grupos típicos da região. Na cidade destacam-se também os blocos negros como o Olodum e o
Ileyaê, além dos blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.
Carnaval de Salvador
Rio de Janeiro - Além dos tradicionais desfiles de escolas de samba, que representam o maior
espetáculo a céu aberto do planeta, o Carnaval carioca também é conhecido pelos seus blocos de
rua.
Des le de escola de samba no Rio de Janeiro
Bloco de carnaval de rua no Rio de Janeiro
fi
Responda:
1. Quais são as origens do Carnaval?
2. Qual era o objetivo dos festivais na Antiguidade que deram origem ao Carnaval?
3. Qual foi o papel da Igreja Católica na incorporação do Carnaval ao calendário litúrgico?
4. Como o Carnaval se popularizou na Europa durante a Idade Média?
5. O que era o Entrudo e como ele era celebrado no Brasil?
6. Por que a elite brasileira se opôs ao Entrudo?
7. Quais foram as novas formas de festejo do Carnaval que surgiram após a repressão do
Entrudo?
8. O que foram os "corsos" e qual a sua importância para o Carnaval atual?
9. Quais foram as principais mudanças no Carnaval ao longo dos séculos?
10. De que forma o Carnaval brasileiro incorporou elementos das culturas locais ao longo do
tempo?