Processo Criminal de Roubo em Belém
Processo Criminal de Roubo em Belém
DADOS DO DOCUMENTO
Nº do Documento: 2016.04297165-59
CONTEÚDO
PROCESSO Nº 0012764-27.2014.8.14.0401
DENUNCIADO: DIEGO RAFAEL DO CARMO BELEM
RÉU SOLTO
SENTENÇA
Vistos e etc.
1. RELATÓRIO
O Ministério Público do Estado do Pará ofereceu denúncia contra DIEGO RAFAEL DO CARMO BELEM, imputando-lhe a conduta
delituosa descrita no art. 157, §2º, I, II e V, c/c art. 329, caput, ambos do CP e art. 244-B do ECA.
Narra a peça acusatória, em suma, que no dia 05/07/2014, por volta das 19h30min, a vítima VICENTE JESUS DE ARAUJO CECIM
trafegava pela travessa humaitá em seu veículo marca Ford, modelo Fiesta, placa OFU-8340, ocasião em que ao parar no sinal
vermelho no cruzamento da Avenida 25 de setembro, foi tomada em assalto por quatro indivíduos, sendo um deles o denunciado
DIEGO RAFAEL DO CARMA BELEM e os comparsas Tiago Bruno do Espirito Santos, Gabriel de Souza Guedes e Jefferson da
Costa Paes, este menores de idade, que em ato contínuo adentraram no veículo, ameaçando a vítima com uma udas armas que
portavam. No interior do automóvel, o denunciado e os menores subtraíram vários objetos pessoais da vítima, inclusive o seu
aparelho celular e a compeliram a seguir trajeto pela Avenida 25 de Setembro, momento em que perguntaram sobre seu dinheiro no
banco, tendo na ocasião a mesma declarado que não era possível realizar saques e que por sua vez já estava entregando os objetos
que tinha. Os assaltantes, ao suspeitarem que estavam sendo seguidos, obrigaram a vítima seguir trajeto em direção ao bairro do
Guamá, local que seria dado “um fim” na mesma, entretanto, ao passarem pela rua cipriano esquina com teófilo conduru, a vítima
notou que havia sido feito um cerco policial de motos e carros, tendo os mesmos passados a negociar a rendição dos meliantes,
ocasião em que ordenaram que a vítima parasse o veículo. Ocorre que, ao parar o veículo, o denunciado Diego reagiu e empunhou a
arma que possuía, momento em que veio a ser atingido superficialmente, por dois disparos de arama de fogo, efetuados pelos
policiais militares, tendo em ato contínuo sido socorrido e conduzido para o HPSM.
A denúncia foi recebida (fl. 06), o réu foi citado (fl. 09) e apresentou resposta à acusação por defensor constituído (fl. 13/29).
O Juízo Criminal declinou a competência do feito para esta Vara Especializada (fls. 32/34). Pela decisão de fl. 62, foram ratificados
todos os atos processuais anteriores e, pela decisão de fl. 76, foi ratificado o recebimento da denúncia.
Em audiência de instrução foram ouvidas as testemunhas da acusação (fls. 107/109). Em audiência de continuação foi ouvida
testemunha da defesa e formulado pedido de revogação da prisão preventiva (fls. 123/125).
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O pedido de revogação da prisão preventiva do réu foi deferido, com a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão (fls.
138/139). Alvará de soltura cumprido em 16/04/2015 (fl. 141).
Em audiência de continuação, foi ouvida a vítima e realizado o interrogatório do réu (fls. 152/154). As partes nada requereram na fase
do art. 402 do CPP.
O Ministério Público apresentou memoriais às fls. 155 e s., pugnando pela procedência parcial da acusação e condenação do réu
pela prática delituosa prevista no art. 157, §2º, II e V, c/c 14, II do CP, e absolvição com relação aos crimes do art. 244-B do ECA e
art. 329 do CP.
A defesa do réu, por sua vez, requereu às fls. 158 e s. a absolvição do réu com relação ao crime de roubo, alegando que o acusado
estava apenas pegando uma carona com os adolescentes; a desclassificação do crime de roubo para a forma tentada; a exclusão da
majorante de emprego de arma, por ser simulacro; a exclusão das majorantes de concurso de pessoas e de restrição da liberdade da
vítima; absolvição pelo crime de corrupção de menores, por ser de natureza material; o reconhecimento da participação de menor
importância; a desnecessidade de pena.
É o relatório. DECIDO.
2. FUNDAMENTAÇÃO
Trata-se de ação penal pública incondicionada oferecida pelo Ministério Público contra DIEGO RAFAEL DO CARMO BELEM,
qualificado nos autos em epígrafe, sob a acusação da prática do crime previsto no art. 157, §2°, incisos I, II e V, do CP c/c art. 329,
caput, do CP c/c o art. 244- B do ECA.
Roubo
Art. 157 – Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência à pessoa, ou depois de havê-la,
por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência. (...)
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
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Resistência
Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe
esteja prestando auxílio:
Pena - detenção, de dois meses a dois anos.
Art. 244-B – Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a
praticá-la.
Encerrada a instrução criminal, este Juízo, da análise minuciosa das provas coligidas para os autos, se convenceu da prática do
crime de roubo majorado pelo emprego de arma, concurso de pessoas e restrição da liberdade da vítima combinado com corrupção
de menor, por três vezes.
A materialidade do crime de roubo majorado combinado com a corrupção de menor, restou comprovada, por meio do auto de prisão
em flagrante delito (fl. 2 e s. do IPL); pelo auto de apresentação e apreensão (fl. 38 do IPL); pelo documento de identificação dos
adolescentes GABRIEL DE SOUZA GUEDES, JEFFERSON DA COSTA PAES e TIAGO BRUNO ARAUJO DO ESPIRITO SANTO
(fls. 14, 17 e 18 do IPL); pela requisição de perícia (fls. 40/41, 46/47 do IPL); pelo auto de entrega (fl. 48 do IPL); pelo documento de
registro do veículo (fl. 49 do IPL); pelo laudo pericial nº 18/2014 (fls. 79/84); bem como pela prova oral colhida.
A autoria do crime também foi comprovada, considerando sobretudo o depoimento dos policiais em juízo, onde os mesmos deram
seu testemunho de forma segura e precisa, a confirmar a versão dada pela vítima, e também pela versão dos adolescentes infratores
GABRIEL DE SOUZA GUEDES, JEFFERSON DA COSTA PAES e TIAGO BRUNO ARAUJO DO ESPIRITO SANTO, prestadas
perante o Juízo da Vara de Infância e Juventude, que alegaram ter participado do crime em conjunto com o ora acusado (fls.
118/119).
A vítima do roubo, maior de 60 anos (documento de identificação à fl. 50 do IPL), alegou em Juízo, que lembra plenamente dos fatos;
cerca de sete horas da noite saiu de casa para passar na casa de um amigo; quando chegou na esquina da 25, e tinha muita gente
na rua por causa de um jogo; que abriu o vidro do carro e parou atrás de uns carros; que viu quatro rapazes correndo atravessando a
rua, com uma arma na mão; que um deles meteu a arma na minha cabeça dizendo para abrir a porta, que era um assalto e que me
mataria; que destravei o carro e ele mandou os demais entrarem atrás do carro; que viu que três pessoas entraram atrás; ele sentou
ao meu lado e colocou a arma na minha cabeça e disse: “dobra a direita”; daí ele começou a falar: “tu tens GPS?”; esse era o Tiago e
era o líder e eu memorizei o nome porque era chamado por esse nome; ele mandou me agarrarem pela camisa atrás e colocarem
uma faca no meu pescoço; eu continuei dirigindo com a blusa apertada e algo sendo empurrado violentamente na minha nuca, e o
revólver sendo apontado na minha cabeça; esse Tiago agia como se fosse um profissional; eu comecei a conversar com eles e pedir
para parar com isso e dois deles disseram que tinham 15 anos e acrescentaram “não pega nada pra gente”; o Tiago disse que tinha
16 anos e disse “também comigo não pega nada”; aí um outro que tava atrás disse que tinha 21 anos e que não podia ser preso; que
depois fiquei sabendo que era o acusado aqui, Diego; a certa altura o Tiago, que era o intimidador e me dizia que ia me matar
constantemente, queria ir no banco; daí eu falei que não adiantava porque não tinha dinheiro; o Tiago viu essa minha bolsa preta e
ficou encantado; daí ele disse “a bolsa preta, tá tudo aqui”; daí ele pegou e viu que tinha livros e jogou e espalhou tudo e ficou furioso
comigo, gritando e perguntando “cadê o dinheiro”; daí ele desconfiou que estavam sendo seguidos; daí o pessoal detrás começou a
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falar em se entregar; daí ele dizia que “ninguém se entrega não, eu tenho bala”; daí em São Brás ficou claro que estávamos sendo
seguidos e ele me mandou acelerar e atravessar o trânsito; e disse “atravessa senão te mato”; que atravessei com tudo pelos ônibus;
o Tiago dizia “vamos levar ele pra nossa toca no Guamá, que lá alguma coisa vamo tira dele”; daí de repente apareceram dos lados
motos e PM com armas na mão, e fecharam o carro pelos dois lados; daí eu dizia que ia parar e eles me mandavam não parar senão
iam me matar; daí eu me meti e resolvi parar; meti o pé no freio, o carro parou e um deles saiu correndo, abriu a porta e saiu do
carro, depois eu soube que tinha sido ele, que tinha sido ferido; daí ouvi bala; os policiais tinham feito um cerco completo; que levou
mais ou menos meia hora entre ele ser pego pelos assaltantes e depois estar cercado pela polícia; daí começaram as negociações e
eles diziam que não iam se entregar porque mataram o acusado Diego; daí abri minha janela e disse que eu era jornalista e que
estavam no carro três menores; daí eles pediram colete a prova da bala, imprensa e a mãe; até que decidiram se entregar; que a
mãe do Tiago chegou e começou a bater nele; daí depois eu fui polícia e fiz o reconhecimento dele; na delegacia fiquei sabendo que
usaram um simulacro e não uma arma de fogo; e que tinha uma faca; que o Tiago pegou o seu celular para ligar para a sua mãe.
É importante salientar que, de forma condizente, os policiais militares – Marconde Tadeu Oliveira Chagas, Kaio Rosemberg Barbosa
Costa e Tyago Almeida dos Santos - afirmaram a versão de que alguns indivíduos tomaram de assalto um veículo; que foi passada a
informação via rádio para todas as viaturas; que foram iniciadas buscas na região e as viaturas acabaram por fazer um cerco; que um
deles (o acusado) desceu do veículo correndo, com um simulacro de arma na mão apontando para os policiais, e houve um disparo;
que eles (os três adolescentes) iniciaram a negociação para liberar a vítima e depois se entregaram; que havia uma só vítima dentro
do carro; que depois se descobriu que estavam usando simulacros; que os indivíduos aparentavam ser adolescentes; que na
negociação foi exigida a presença dos pais dos assaltantes; que essa negociação durou aproximadamente uns 40 minutos; que foi
subtraído da vítima um celular.
GABRIEL DE SOUZA GUEDES - “que apenas o maior de idade estava armado; que o maior de idade estava com uma
arma e uma faca; que havia também uma simulacro de arma de fogo; … que não tinha praticado ato infracional antes;... que o adulto
se chama Diego e foi encaminhado para assistência médica.”;
JEFFERSON DA COSTA PAES - “respondeu que estava no meio do assalto; … que o maior de idade estava armado; que
não sabe se alguém portava faca;... que quem anunciou o assalto foi o maior de idade Diego; que era apenas um simulacro de arma
de fogo, o qual era portado por Diego; … que Gabriel e o de maior era quem falavam...”;
TIAGO BRUNO ARAUJO DO ESPIRITO SANTO - “respondeu que participou do assalto, pois devia dinheiro ao maior de
idade; que ficou com medo de o maior de idade lhe desse um tiro; que não ameaçou a vítima de morte; que o maior de idade foi
quem disse para seguir com o carro, caso contrário lhe daria um tiro; … que o maior de idade apenas falou 'borá ali pegar um
dinheiro'; … que o declarante devia trinta reais ao maior de idade, mas não sabe quanto aos demais representados; … que foi Diego
quem falou que era para a vítima seguir para o Guamá; ...”.
A testemunha da defesa, Antonio de Jesus de Almeida Oliveira, não presenciou os fatos e apenas prestou informações
abonatórias acerca da conduta profissional do réu.
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O acusado, com 23 anos quando interrogado em Juízo, confessou o cometimento do crime de roubo com os adolescentes.
Indiscutível a ocorrência do crime de roubo na sua forma consumada, uma vez que a caracterização do roubo ocorre tão logo ocorra
a inversão da res, o que claramente se deu no caso em comento, já que foram subtraídos os pertences da vítima quando esta
encontrava-se dentro do veículo.
Nesse sentido, é o entendimento do STJ, objeto de recurso repetitivo e verbete da Súmula 582:
“Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem, mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por
breve tempo e em seguida a perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e
pacífica ou desvigiada.” (STJ, 3ª Seção, Resp 1.499.050-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, j. 14.10.2015)
E, também, da doutrina:
“A consumação do crime de roubo se perfaz no momento em que o agente se torna possuidor da res furtiva, subtraída mediante
violência ou grave ameaça, independentemente de sua posse mansa e pacífica. Ademais, para a configuração do roubo, é
irrelevante que a vítima não porte qualquer valor no momento da violência ou grave ameaça, visto tratar-se de impropriedade relativa
e não absoluta do objeto, o que basta para caracterizar o delito em sua modalidade” (BITENCOURT, C. R. p. 88.).
Lembrando que o efetivo ganho patrimonial do agente é mero exaurimento do crime, não sendo necessário.
Muito embora não se reconheça a majorante em questão pela utilização dos simulacros apreendidos, os quais tinham grande
similaridade com artefato de fogo (laudo pericial de fl. 80), os indivíduos utilizaram também de uma faca, ou seja, arma branca, que
foi pressionada na nuca da vítima durante toda a execução criminosa.
Dessa forma, indiscutível a caracterização da majorante em questão, pois a vítima afirmou em Juízo e no inquérito policial, que o
delito foi cometido com emprego arma branca, pouco importando a apreensão da mesma ou a realização de perícia técnica para sua
caracterização ante a clara manifestação da vítima quanto a sua utilização. Nesse sentido é o entendimento do STJ:
... IX. No caso concreto, o emprego da arma de fogo restou demonstrado pelo testemunho das vítimas. Apesar da ausência de sua
apreensão e perícia, observou-se a existência de um conjunto probatório que permitiu ao julgador formar convicção no sentido da
efetiva utilização, devendo ser mantida a majorante descrita no inciso I, do § 1º, do art. 157 do Código Penal. Matéria pacificada na 3ª
Seção desta Corte, no julgamento do EREsp. n.º 961.863/RS. X. Nos termos do art. 33 do Código Penal, proíbe-se ao réu reincidente
a fixação do regime aberto, em qualquer caso, e do semiaberto, quando a pena for superior a 04 anos. XI. Dessa forma, deve ser
reformado o acórdão recorrido, bem como a sentença condenatória, no tocante à dosimetria da pena imposta ao paciente, a fim de
que outra seja proferida, nos termos do entendimento acima explicitado, mantendo-se a condenação. XII. Ordem parcialmente
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concedida, nos termos do voto do Relator. (HC nº 213307 – Rel. Min. Gilson Dipp – DJ 08/03/2012 – grifado).
“A utilização também de arma branca no delito de roubo é causa de aumento de pena prevista no inc. I, §2º, do art. 157 do Código
Penal. Precedentes” (STJ, HC 174275/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 6. T., Dje 6/6/2013).
Cita-se, ainda, o enunciado contido na Súmula 14 deste E. Tribunal de Justiça do Estado do Pará:
É desnecessária a apreensão da arma ou a realização de perícia, a fim de que seja atestado o seu potencial lesivo, para a
caracterização da causa de aumento de pena prevista no art. 157, §2º, inciso I, do CP, se por outros meios de prova possa ser
comprovado o seu efetivo emprego na prática delitiva.
Na denúncia, sustentou o Ministério Público que o delito foi cometido em concurso de agentes.
Analisando os autos, constata-se que, conforme o depoimento das testemunhas, ficou demonstrada a existência de concurso de
agentes entre o acusado e os adolescentes, razão pela qual será levada em conta a majorante por ocasião da fixação da pena.
A fim de que não pairem dúvidas acerca da matéria, cito a jurisprudência do STJ e do STF:
“Se um maior de idade pratica o roubo juntamente com um inimputável, esse roubo será majorado pelo concurso de pessoas (art.
157, §2º do CP).”
“A participação do menor de idade pode ser considerada com o objetivo de caracterizar concurso de pessoas para fins de aplicação
da causa de aumento de pena no crime de roubo.” (STF, 1ª T, HC 110425/ES, rel. Min. Dias Toffoli, 5.6.2012; e STJ, 6ª T., HC
150.849/DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 16.8.2011).
A causa especial de aumento de pena prevista no inciso V do §2º do artigo 157 do CP foi inserida, basicamente, em virtude do
chamado sequestro-relâmpago, “no qual durante, por exemplo, a prática do crime de roubo, a vítima é colocada no porta-malas do
seu próprio veículo e ali permanece por tempo não prolongado, até que os agentes tenham completo sucesso da empresa criminosa,
sendo libertada.”
“não podemos, entretanto, entender que toda privação de liberdade levada a efeito durante a prática do roubo se consubstanciará na
majorante em estudo. Pode ser, até mesmo, que se configure como infração penal mais grave.
A doutrina tem visualizado duas situações que permitiriam a incidência da causa de aumento de pena em questão, a saber: a)
quando a privação da liberdade da vítima for um meio de execução do roubo; b) quando essa mesma privação de liberdade for uma
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No caso em análise é evidente a restrição da liberdade da vítima, que foi mantida no poder do acusado e dos adolescentes, sob a
mira de simulacro de arma de fogo e com faca no pescoço, por aproximadamente uma hora, enquanto foi levada junto ao carro
subtraído.
É assim a jurisprudência:
“Majorante de restrição à liberdade da vítima. Caracterização. Vítima levada pelos agentes no carro subtraído e imobilizada durante
vinte minutos sob a mira de arma de fogo” (TJRS, Ap. Crim. 70019983360, 6 Câm., j. 16/08/2007).
Não há como se acolher a participação de menor importância do acusado, uma vez que este, juntamente com os três adolescentes,
abordaram a vítima empunhando simulacro de arma de fogo e uma faca e deram-lhe voz de assalto, levando a vítima dentro do
veículo roubado. Veja-se que o próprio acusado estava segurando um simulacro quando saiu do veículo por este ter sido cercado
pelas viaturas, fato que resultou em seu alvejamento pela polícia, que pensou que o acusado estava empunhando uma arma de fogo
real.
O crime de corrupção de menores, previsto no art. 244-B do ECA, trata-se de crime formal, assim, não se exige prova de que o
menor tenha sido corrompido. Ou seja, no crime formal, não é necessária a ocorrência de um resultado naturalístico.
Desse modo, a simples participação de menor de 18 anos em infração penal cometida por agente imputável é suficiente à
consumação do crime de corrupção de menores, sendo dispensada, para sua configuração, prova de que o menor tenha sido
efetivamente corrompido.
“(...) O crime de corrupção de menores é formal, não havendo necessidade de prova efetiva de corrupção ou da idoneidade moral
anterior da vítima, bastando indicativos do envolvimento do menor na companhia do agente imputável. Precedentes. (...)” (RHC
111434, Rel. Min Carmen Lucia, 1ª Turma, j. 03.04.2012).
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E, ainda, em 2013 foi editada a Súmula 500 do STJ, com o objetivo de deixar expresso e sedimentado esse entendimento: “A
configuração do crime previsto no artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente independe da prova da efetiva corrupção do
menor, por se tratar de delito formal.”
Feitas essas considerações, afasto a tese defensiva, objetivando a absolvição pelo crime de corrupção de menores, sob a alegação
de ausência de prova efetiva da corrupção do menor.
Destaca-se, ademais, que este Juízo não se encontra vinculado ao posicionamento adotado pelo Ministério Público em alegações
finais. Caso fosse dessa forma, desnecessária seria a presença de um julgador imparcial, bastando a presença da acusação e
defesa.
Ressalto, derradeiramente, que consta nos autos fotocópia dos documentos oficiais de identificação dos adolescentes
GABRIEL DE SOUZA GUEDES, JEFFERSON DA COSTA PAES e TIAGO BRUNO ARAUJO DO ESPIRITO SANTO, no qual se
constata que ao tempo do crime eram menores de 18 anos de idade (fls. 14, 17 e 21 do IPL), sendo desnecessária a juntada de
cópia autenticada de tal documento, uma vez que: não há suspeita de sua falsidade; o documento original foi apresentado perante a
autoridade policial que detém fé pública; e há nos autos outros indicativos de que foram apreendidos três menores junto com o
acusado. Porque oportuno, consigno que é entendimento do STF que é desnecessária a juntada de documento comprovando a
idade da vítima, existindo outros meios para a sua constatação, nesse sentido, cita-se: “Não há obrigatoriedade de o julgador se valer
do sistema legal de apreciação de provas, uma vez que a idade da vítima foi provada por outros meios. A falta de juntada aos autos
de documento de identidade da vítima não assume a importância que lhe atribui a impetração” (HC 103.747, rel. Min. Ellen Gracie, j.
3-5-2011, 2ª T., DJE 16-5-2011).
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IDENTIDADE DO MENOR. FÉ PÚBLICA CONSTATADA. PRECEDENTES DESTA CORTE. JULGADO COLACIONADO PELO
AGRAVANTE. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE.
1. O argumento trazido pelo agravante não é apto para desconstituir a decisão agravada, que se encontra em consonância
com a jurisprudência desta Corte 2. A jurisprudência desta Corte Superior, nos termos do Enunciado n. 74 das Súmulas do Superior
Tribunal de Justiça - STJ, posicionou-se no sentido de que a comprovação da idade da vítima de corrupção de menores não se
restringe à certidão de nascimento, podendo ser feita por outros documentos dotados de fé pública, inclusive pela identificação
realizada pela polícia civil, como se verifica na hipótese dos autos (AgRg no REsp n. 1.567.416/DF, Ministro Ericson Maranho
(Desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe 16/2/2016).
3. O precedente colacionado pelo agravante não guarda similitude fática com o caso dos autos, uma vez que, aqui, a
menoridade foi comprovada por meio do inquérito policial, em que se constata a qualificação do menor, inclusive com a
informação do número do seu documento de identidade e da data de seu nascimento; no julgado invocado, a menoridade foi
firmada pelo magistrado a partir da análise de outras provas, principalmente a testemunhal. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg
no REsp 1591682/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 14/06/2016, DJe 27/06/2016)
HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ROUBO E CORRUPÇÃO DE
MENORES. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE DO DELITO DO ART. 244-B DO ECA. MENORIDADE DA VÍTIMA
COMPROVADA POR OUTROS DOCUMENTOS IDÔNEOS. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. ...
- A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça consolidou-se no sentido de que "para efeitos penais, o reconhecimento da
menoridade do réu requer prova por documento hábil" (Enunciado 74/STJ). O documento hábil ao qual se refere a aludida Súmula
não se restringe à certidão de nascimento, sendo outros documentos dotados de fé pública igualmente hábeis para a comprovação
da idade.
- No caso dos autos, a idade do menor ficou comprovada pelo termo de declarações do menor e boletim de ocorrência, com expressa
referência à data de nascimento e número do documento de identidade. - Habeas corpus não conhecido. (HC 314.212/SC, Rel.
Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 18/02/2016, DJe 23/02/2016)
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE. ECA. ART. 244-B DO LEI N. 8.069/1990.
DOCUMENTO HÁBIL PARA COMPROVAR A MENORIDADE. EXISTÊNCIA. CASSAÇÃO DO ACÓRDÃO A QUO.
RESTABELECIMENTO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. SÚMULAS 74 E 500/STJ. 1. O
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crime de corrupção de menores é de natureza formal, bastando a participação do menor de 18 anos na prática de infração penal para
que se verifique a subsunção da conduta do agente imputável ao tipo descrito no art. 244-B da Lei n. 8.069/1990.
2. A configuração do crime do art. 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente independe da prova da efetiva corrupção do
menor, por se tratar de delito formal (Súmula 500/STJ).
3. O documento hábil ao qual a Súmula 74/STJ faz referência não se restringe à certidão de nascimento, ou seja, outros documentos
dotados de fé pública, portanto igualmente hábeis para comprovar a menoridade, também podem atestar a referida situação jurídica,
como, por exemplo, a identificação realizada pela polícia civil.
4. O agravo regimental não merece prosperar, porquanto as razões reunidas na insurgência são incapazes de infirmar o
entendimento assentado na decisão agravada. 5. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1532836/DF, Rel. Ministro
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 03/09/2015, DJe 23/09/2015)
Por tais razões, entendo que configurada a prática do delito previsto no art. 244-B do ECA pelo acusado, por três vezes, já que o
crime foi realizado com a participação de três adolescentes, em concurso material, nos termos que constou na peça acusatória.
DO CRIME DE RESISTÊNCIA
A fim de caracterizar o crime de resistência, previsto no art. 329 do CP, o indivíduo deve se “opor à execução de ato legal”,
mediante violência ou ameaça, abrangendo apenas a conduta de natureza ativa.
Segundo a doutrina de Rogério Greco (Código Penal Comentado. 10ª ed. RJ: Impetus, 2016. p. 1109.), em comentários ao
referido artigo, “a violência deverá ser aquela dirigida contra a pessoa do funcionário competente para executar o ato legal, ou
mesmo contra quem lhe esteja prestando auxílio.”
E, no caso em apreço, verifico que a conduta do réu não se subsume a figura típica descrita no art. 329 do CP, uma vez
que saiu do veículo assim que a polícia fez um cerco no veículo roubado.
3. DISPOSITIVO
Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE A PRETENSÃO PUNITIVA ESTATAL para CONDENAR o réu DIEGO
RAFAEL DO CARMO BELEM, qualificado nos autos, pela prática do crime tipificado no art. 157, §2°, I, II e V, do CPB c/c o art. 244-B
do ECA (por 3 vezes em concurso material), em concurso formal; e ABSOLVÊ-LO da imputação prevista no art. 329, caput, do CP.
DA DOSIMETRIA DA PENA
1ª FASE
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1. A culpabilidade refere-se ao grau de censurabilidade do crime (intensa, média ou reduzida), ou seja, a reprovação social que o
crime e o autor do fato merecem. De acordo com o enunciado contido na Súmula nº 19 deste E. Tribunal de Justiça do Estado do
Pará: “Na dosimetria basilar, a culpabilidade do agente diz respeito à maior ou menor reprovabilidade da conduta, não se
confundindo com a culpabilidade como elemento do crime, que é composta pela imputabilidade, potencial conhecimento da ilicitude
do fato e exigibilidade de conduta diversa”. No caso, pelas informações constantes nos autos, tenho-a como normal.
2. Os antecedentes criminais tratam da vida pregressa e do envolvimento do agente com fatos criminosos pretéritos e, conforme se
apurou, o réu é tecnicamente primário.
3. Quanto à conduta social do acusado, que se refere ao comportamento do réu perante a sociedade (no trabalho, na família, no
bairro onde reside), não há elementos nos autos em seu desfavor.
4. A personalidade do agente, que trata do seu caráter e deve ser comprovada nos autos – em regra – mediante laudo psicossocial
firmado por profissional habilitado, não há elementos para avaliar.
5. Os motivos do crime referem-se às influências internas e externas que levaram o agente a cometer no delito, sendo essas
inerentes ao tipo penal – “lucro fácil”.
6. As circunstâncias do crime analisam o seu “modus operandi”, ou seja, são os elementos acidentais não participantes da estrutura
do tipo (como, por exemplo, em local ermo, quando do repouso noturno, com extrema violência, etc.). No presente caso, é relevante
apontar que o crime foi praticado com extrema violência, pois a intimidação realizada na vítima foi grave, sempre gritando e a
ameaçando de morte.
7. As consequências do crime, que se referem à extensão dos danos ocasionados pelo delito, foram os inerentes ao tipo penal. É de
se valorar que a vítima ficou realmente traumatizada e relatou que, depois do crime, teve problemas cardíacos e ficou sem trabalhar
por um bom tempo.
8. O comportamento da vítima não contribuiu para o cometimento do crime. Acerca do tema, digno de transcrição o teor da Súmula
nº 18 deste E. Tribunal de Justiça do Estado do Pará: “O comportamento da vítima é circunstância judicial que nunca será avaliada
desfavoravelmente, ou seja, ou será positiva, quando a vítima contribuiu para a prática do delito, ou será neutra, quando não há
contribuição”.
Atendendo ao que determinam as referidas circunstâncias judiciais do réu, duas delas negativas (consequências e circunstâncias),
fixo a pena-base em 5 ANOS E 6 MESES DE RECLUSÃO e 96 DIAS-MULTA.
2ª FASE
Há uma circunstância agravante prevista no art. 61, II, 'h', do CP, por ser a vítima do roubo maior de 60 anos de idade, e há uma
circunstância atenuante, pelo fato de o acusado ter confessado o crime (art. 65, II, 'd', do CP). No caso de concurso de
circunstâncias, prepondera a confissão, de modo que reduzo a pena em 6 MESES E 43 DIAS-MULTA, passando a pena
intermediária a constar como 5 ANOS DE RECLUSÃO E 53 DIAS-MULTA.
3ª FASE
Presentes as causas de aumento – uso de arma, concurso de pessoas e restrição da liberdade da vítima - dispostas no art. 157, §2°,
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incisos, do CP e ausentes causas de diminuição da pena, aumento a pena em 1/3, e fixo a pena definitiva em 6 ANOS E 8 MESES
DE RECLUSÃO E 70 DIAS-MULTA.
Nos termos do art. 60 do CP, como a fixação da pena de multa deve atender principalmente à situação econômica do réu, o valor do
dia-multa será o de 1/30 do valor do salário mínimo vigente ao tempo do delito e atualizado pelos índices da correção monetária, em
favor do fundo penitenciário.
(II) COM RELAÇÃO AO CRIME DE CORRUPÇÃO DE MENORES CONTRA A VÍTIMA TIAGO BRUNO DO ESPIRITO SANTOS
1ª FASE
1. A culpabilidade refere-se ao grau de censurabilidade do crime (intensa, média ou reduzida), ou seja, a reprovação social que o
crime e o autor do fato merecem. Pelas informações constantes nos autos, tenho-a como reduzida.
2. Os antecedentes criminais tratam da vida pregressa e do envolvimento do agente com fatos criminosos pretéritos e, conforme se
apurou, o réu é tecnicamente primário.
3. Quanto à conduta social do acusado, que se refere ao comportamento do réu perante a sociedade (no trabalho, na família, no
bairro onde reside), não há elementos nos autos em seu desfavor.
4. A personalidade do agente, que trata do seu caráter e deve ser comprovada nos autos – em regra – mediante laudo psicossocial
firmado por profissional habilitado, não há elementos para avaliar.
5. Os motivos do crime referem-se às influências internas e externas que levaram o agente a cometer no delito, sendo essas
inerentes ao tipo penal.
6. As circunstâncias do crime analisam o seu “modus operandi”, sendo que no presente caso a forma do cometimento do crime
ocorreu dentro de seus próprios parâmetros, inerentes ao tipo penal. Nada tendo a se valorar.
7. As consequências do crime, que se referem à extensão dos danos ocasionados pelo delito, foram os inerentes ao tipo penal. Nada
tendo a se valorar.
8. O comportamento da vítima não contribuiu para o cometimento do crime.
Ante o exposto, aplico a pena ao réu em seu mínimo legal, ou seja, em 01 ANO DE RECLUSÃO.
2ª FASE
3ª FASE
Não há causas especiais de aumento nem de diminuição de pena, pelo que, fixo a pena pelo crime de corrupção de menores, de
forma definitiva, em 01 ANO DE RECLUSÃO.
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(III) COM RELAÇÃO AO CRIME DE CORRUPÇÃO DE MENORES CONTRA A VÍTIMA JEFFERSON DA COSTA PAES
1ª FASE
1. A culpabilidade refere-se ao grau de censurabilidade do crime (intensa, média ou reduzida), ou seja, a reprovação social que o
crime e o autor do fato merecem. Pelas informações constantes nos autos, tenho-a como reduzida.
2. Os antecedentes criminais tratam da vida pregressa e do envolvimento do agente com fatos criminosos pretéritos e, conforme se
apurou, o réu é tecnicamente primário.
3. Quanto à conduta social do acusado, que se refere ao comportamento do réu perante a sociedade (no trabalho, na família, no
bairro onde reside), não há elementos nos autos em seu desfavor.
4. A personalidade do agente, que trata do seu caráter e deve ser comprovada nos autos – em regra – mediante laudo psicossocial
firmado por profissional habilitado, não há elementos para avaliar.
5. Os motivos do crime referem-se às influências internas e externas que levaram o agente a cometer no delito, sendo essas
inerentes ao tipo penal.
6. As circunstâncias do crime analisam o seu “modus operandi”, sendo que no presente caso a forma do cometimento do crime
ocorreu dentro de seus próprios parâmetros, inerentes ao tipo penal. Nada tendo a se valorar.
7. As consequências do crime, que se referem à extensão dos danos ocasionados pelo delito, foram os inerentes ao tipo penal. Nada
tendo a se valorar.
8. O comportamento da vítima não contribuiu para o cometimento do crime.
Ante o exposto, aplico a pena ao réu em seu mínimo legal, ou seja, em 01 ANO DE RECLUSÃO.
2ª FASE
3ª FASE
Não há causas especiais de aumento nem de diminuição de pena, pelo que, fixo a pena pelo crime de corrupção de menores, de
forma definitiva, em 01 ANO DE RECLUSÃO.
(IV) COM RELAÇÃO AO CRIME DE CORRUPÇÃO DE MENORES CONTRA GABRIEL SOUZA GUEDES
1ª FASE
1. A culpabilidade refere-se ao grau de censurabilidade do crime (intensa, média ou reduzida), ou seja, a reprovação social que o
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crime e o autor do fato merecem. Pelas informações constantes nos autos, tenho-a como reduzida.
2. Os antecedentes criminais tratam da vida pregressa e do envolvimento do agente com fatos criminosos pretéritos e, conforme se
apurou, o réu é tecnicamente primário.
3. Quanto à conduta social do acusado, que se refere ao comportamento do réu perante a sociedade (no trabalho, na família, no
bairro onde reside), não há elementos nos autos em seu desfavor.
4. A personalidade do agente, que trata do seu caráter e deve ser comprovada nos autos – em regra – mediante laudo psicossocial
firmado por profissional habilitado, não há elementos para avaliar.
5. Os motivos do crime referem-se às influências internas e externas que levaram o agente a cometer no delito, sendo essas
inerentes ao tipo penal.
6. As circunstâncias do crime analisam o seu “modus operandi”, sendo que no presente caso a forma do cometimento do crime
ocorreu dentro de seus próprios parâmetros, inerentes ao tipo penal. Nada tendo a se valorar.
7. As consequências do crime, que se referem à extensão dos danos ocasionados pelo delito, foram os inerentes ao tipo penal. Nada
tendo a se valorar.
8. O comportamento da vítima não contribuiu para o cometimento do crime.
Ante o exposto, aplico a pena ao réu em seu mínimo legal, ou seja, em 01 ANO DE RECLUSÃO.
2ª FASE
3ª FASE
Não há causas especiais de aumento nem de diminuição de pena, pelo que, fixo a pena pelo crime de corrupção de menores, de
forma definitiva, em 01 ANO DE RECLUSÃO.
CONCURSO DE CRIMES
Tratando de concurso material entre os crimes de corrupção de menores e tratando-se de concurso formal impróprio de crimes (art.
70, 2ª parte, do CP) entre as penas do roubo e da corrupção de menores, todas as penas devem ser cumuladas, pelo que, torno
definitiva a pena do réu em 09 ANOS E 08 MESES DE RECLUSÃO E 70 DIAS-MULTA (no valor de 1/30 sobre o valor do salário
mínimo vigente à época do fato, atualizado pela correção monetária).
REGIME INICIAL
O réu deverá cumprir sua pena inicialmente em regime FECHADO, na forma do art. 33, § 2º, do Código Penal.
Como a pena que foi imposta ao réu é superior a quatro anos, bem como o fato de o crime ter sido cometido com grave ameaça à
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pessoa, não há como se converter a pena em privativa de liberdade em restritiva de direitos (art. 44 do CP), por não atender aos
seus requisitos.
Prejudicada a suspensão condicional da pena, em razão da pena aplicada e por não preencher os requisitos do art. 77 do CP.
O apenado ficou preso provisoriamente desde o dia 05/07/2014 até o dia 16/04/2015, totalizando 9 meses e 13 dias, restando o
cumprimento da pena de 08 ANOS, 10 MESES E 16 DIAS DE RECLUSÃO, sem alteração no regime inicial de cumprimento de pena,
que é o FECHADO, cabendo ao Juízo da Execução Penal competente a análise de futuros eventuais benefícios.
Considerando que o réu foi colocada em liberdade durante a instrução criminal, não se afigura plausível, restringir sua liberdade para
aguardar o julgamento de eventual recurso, devendo, no entanto, continuar a dar cumprimento as medidas cautelares diversas da
prisão anteriormente impostas.
DA INDENIZAÇÃO À VÍTIMA
Deixo de fixar indenização mínima para a vítima, nos termos do art. 387, IV, do CPP, por não haver pedido do Ministério Público
nesse sentido, nem observância do contraditório.
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g) proceda-se o cálculo da pena de multa e intime-se o réu para efetuar o pagamento, em 10 dias, nos termos do art. 50 do CP, sob
pena de, não o fazendo, o débito ser inscrito em Dívida ativa;
h) dê-se baixa nos apensos (se houver);
i) comunique-se a vítima, por carta ou meio eletrônico, conforme art. 201, §2º, do CPP.
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