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Karl Marx: Materialismo e Luta de Classes

Karl Marx, nascido em 1818 e falecido em 1883, desenvolveu uma crítica ao capitalismo e à filosofia hegeliana, propondo que a consciência humana é moldada pelas condições materiais de produção. Ele introduziu conceitos como materialismo histórico e dialético, argumentando que a luta de classes é o motor da história e que a alienação do trabalho resulta da exploração capitalista. Além disso, Marx analisou o papel do Estado e do direito como instrumentos que sustentam a dominação da classe capitalista sobre os trabalhadores.
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Karl Marx: Materialismo e Luta de Classes

Karl Marx, nascido em 1818 e falecido em 1883, desenvolveu uma crítica ao capitalismo e à filosofia hegeliana, propondo que a consciência humana é moldada pelas condições materiais de produção. Ele introduziu conceitos como materialismo histórico e dialético, argumentando que a luta de classes é o motor da história e que a alienação do trabalho resulta da exploração capitalista. Além disso, Marx analisou o papel do Estado e do direito como instrumentos que sustentam a dominação da classe capitalista sobre os trabalhadores.
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KARL MARX

CONTEXTO
• Nasce em Treves (Tréveris), capital da Província do Reno em 1818 e
faleceu em Londres em 1883.
• Viveu em um momento de forte conturbação social e de lutas
proletárias.
• Foi bastante impactado pelas Revoluções de 1848 (Primavera dos
povos) e pela Comuna de Paris (1871)
• Extensa obra que dialoga com diversas áreas como filosofia, economia,
sociologia e história.
• Foi um filósofo político? Teoria crítica da economia e do Estado, e não a
visão liberal.
• O capitalismo é uma formação histórica e não a forma mais racional,
eficiente e tecnologicamente desenvolvida para a produção de
mercadorias. Assim como o sistema de Estados é uma forma histórica de
organização das comunidades políticas decorrentes do
desenvolvimento das relações de produção (Nogueira; Messari, 2005)
CRÍTICA A HEGEL
• Hegel era tido como o pensamento “oficial” da época de Marx
• A sua ideia geral é que o Estado encarna os ideais da Moral
mais objetivos e manifesta a razão no domínio da vida social. É
a Unidade Final que sintetiza numa realidade coletiva a
totalidade dos interesses individuais, familiares, sociais, privados
e públicos.
• Hegel raciocinava como se as instituições existentes, como a
herança, derivasses de puras necessidades racionais,
legitimando assim a ordem existente como imutável.
• “tudo o que é real é racional e tudo o que é racional é real”
CRÍTICA A HEGEL
• Marx alertava (e assim discordava radicalmente de Hegel) que
enquanto ele pensava estar descrevendo a “essência” do
Estado, na verdade ele estava descrevendo e legitimando o
Estado Prussiano.
• A realidade, no entanto, é que ele transforma em verdades
filosóficas dados que são puros fatos históricos e empíricos.
• Todavia, Marx conserva muito do pensamento de Hegel, por
exemplo o conceito de dialética como movimento interno de
produção da realidade cujo motor é a contradição.
• Contudo, a contradição se estabelece entre os homens reais
em condições históricas reais e se chama luta de classes.
MATERIALISMO HISTÓRICO
• “não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas,
ao contrário, o seu ser social que determina sua consciência”.
• Para Marx, a sociedade se constitui a partir de condições
materiais de produção e da divisão social do trabalho.
• Desta maneira, as mudanças históricas são determinadas pelas
modificações naquelas condições materiais e naquela divisão
do trabalho
• Além disso, a consciência humana é determinada a pensar as
ideias que pensa por causa das condições materiais instituídas
pela sociedade.
MATERIALISMO HISTÓRICO
• Assim chama-se materialismo histórico. Materialismo porque somos
o que as condições materiais nos determinam a ser e pensar.
Histórico porque a sociedade e a política não surgem de decretos
divinos nem nascem da ordem natural, mas dependem da ação
concreta dos seres humanos no tempo.
• “Segundo Marx, os economistas de seu tempo não reconhecem a
historicidade dos fenômenos que se manifestam na sociedade
capitalista, por isso suas teorias são comparáveis às dos teólogos,
para os quais “toda religião estranha é pura invenção humana,
enquanto a deles próprios é uma emanação de Deus”.
(QUINTANEIRO, p. 31)
MATERIALISMO DIALÉTICO
• A história não é um progresso linear e contínuo, uma sequência
de causas e efeitos, mas um processo de transformações sociais
determinadas pelas contradições entre os meios de produção
(a forma da propriedade) e as forças produtivas de trabalho (o
trabalho, seus instrumentos, as técnicas).
• A luta de classes exprime tais condições e é o motor da história.
Por afirmar que o processo histórico é movido por contradições
sociais, o materialismo histórico é dialético.
• História da luta de classes (Manifesto) e sua contradição pelo
domínio dos meios de produção
“A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de
classes. [Homem] livre e escravo, patrício e plebeu, barão e
servo, burgueses de corporação e oficial, em suma, opressores e
oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros,
travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta
que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária
de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em
luta.” (MARX, ENGELS, Manifesto...)

• Ou seja: 1)as classes sempre estiveram em luta; 2) isso sempre


terminou ou com a transformação revolucionária da sociedade
ou com o colapso das classes em luta.
ESTRUTURA E SUPERESTRUTURA
• Assim, para pensar o Materialismo Histórico, é importante lembrar a
diferença entre a estrutura econômica da sociedade (a base real da
economia) sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e
política.
• Estrutura:
• a) forças produtivas: ação dos indivíduos sobre a natureza
• b) relações sociais de produção: como os seres humanos se
organizam para produzir
• Superestrutura: conjunto de instâncias políticas, jurídicas, morais,
religiosas, elevado sobre a base econômica e material da sociedade
• “Na produção social da sua vida, os homens contraem
determinadas relações, necessárias e independentes da sua
vontade, relações de produção que correspondem a uma
determinada fase de desenvolvimento das forças produtivas
materiais. O conjunto dessas relações de produção forma a
estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se
levanta a superestrutura jurídica e política e à qual
correspondem determinadas formas de consciência social.”
(MARX, Prefacio à “Contribuição à Critica da Economia
Política”)
CONDIÇÕES MATERIAIS, TRABALHO E
FORMAS IDEOLÓGICAS
• A essência do homem está em sua atividade produtiva.
• Assim, a história verdadeira e fundamental é a dos indivíduos reais, de
sua ação para transformar a natureza e de suas condições materiais
de vida.
• A consciência e as ideias derivam também dessa história e se
entrelaçam com ela. “A moral, a religião, a metafísica e qualquer
outra forma ideológica” não são autônomas e propriamente não
têm história, pois, quando muda a base econômica mudam com ela.
• “As ideias dominantes de uma época sempre foram as ideias de uma
classe dominante”.
MAIS-VALIA E A EXPROPRIAÇÃO
DA RIQUEZA
• Nesse sistema capitalista, a força de trabalho é uma mercadoria
que o assalariado vende ao capital para sobreviver.
• Quando ao proletário não resta mais nenhum meio de
produção, resta sua força de trabalho. O capitalista compra
essa força de trabalho e a troca por outras mercadorias.
• No entanto, de onde vem a riqueza da burguesia? Do
diferencial existente entre aquilo que efetivamente vale o seu
trabalho e o valor pago, do tempo de trabalho necessário para
produzir e o tempo excedente. São as horas não pagas e
expropriadas – trabalho forçado
MAIS-VALIA E A EXPROPRIAÇÃO
DA RIQUEZA
• Dois modos da mais valia:
• Mais valia absoluta aumento da jornada de trabalho necessária
(ex. canavieiro que trabalha por produção).
• Mais valia relativa – redução da jornada de trabalho necessária
(aumento de produtividade)
• A mais valia não é somente desfrutada pelo capitalista, mas
reinvestida de modo que, com a modernização, etc, você
precise de cada vez menos operários e gere mais miséria no
“exército industrial de reserva”.
ALIENAÇÃO DO TRABALHO
• Nesse contexto da expropriação do tempo de trabalho dos
proletários, outro conceito relevante é o de alienação do trabalho.
• Como vimos, a capacidade de transformar a realidade por meio do
trabalho é o que distingue os homens dos outros animais.
• No entanto, no capitalismo, o ser humano deixa de trabalhar para a
sua autorrealização e passa a trabalhar pela mera subsistência.
• Ou seja, há um estranhamento entre o trabalhador e os produtos do
seu trabalho, resultando em um trabalho alienado, cindido.
• “O homem se reduz a uma atividade abstrata e a um estômago”. O
trabalho perde o sentido e sua vida começa depois disso.
• (diferença entre o trabalhador industrial e o artesão medieval)
ALIENAÇÃO DO TRABALHO

• “Baseada na divisão do trabalho, a propriedade privada torna


o trabalho constritivo. O operário tem alienada a matéria prima;
são alienados seus instrumentos de trabalho; o produto do
trabalho lhe é arrancado; com a divisão do trabalho, ele é
mutilado em sua criatividade e humanidade”.
ALIENAÇÃO DO TRABALHO
• 3 aspectos (QUINTANEIRO):
1. O trabalhador relaciona-se com produto de seu trabalho
como algo alheio a ele, que o domina ele adverso: o
trabalhador alienado em relação às coisas.
2. Ele percebe sua atividade como estranha ele, assim como sua
vida física espiritual: é alienado com relação a si mesmo.
3. Seu trabalho deixa de ser livre e se torna apenas
sobrevivência.
A alienação do trabalho “consiste antes de mais nada no fato de
que o trabalho é externo ao operário, isto é, não pertence ao seu
ser e, portanto, ele não se afirma em seu trabalho, mas se nega,
não se sente satisfeito, mas infeliz, não desenvolve energia física e
espiritual livre, mas definha seu corpo e destrói o espírito. Por isso,
somente fora do trabalho é que o operário sente-se senhor de si;
no trabalho ele se sente fora de si. Sente-se em sua casa se não
está trabalhando; e, se está trabalhando, não se sente em sua
própria casa. O seu trabalho, portanto, não é voluntário, mas
constrito: é trabalho forçado. Não constitui, assim, a satisfação de
uma necessidade, mas somente meio para satisfazer
necessidades estranhas”.
IDEOLOGIA
IDEOLOGIA
• Como é possível a dominação? A exploração? A
desigualdade?
• Por que as pessoas aceitam o trabalho alienado e se submetem
ao modo de produção capitalista?
• Por que as pessoas aceitam a condição em que vivem?

• As condições materiais de produção e o sistema de dominação


de classe vêm acompanhados de um sistema ordenado de
ideias que servem para ocultar tais relações de dominação.
FUNÇÕES DA IDEOLOGIA
1. Ocultar o fato de que origem da sociedade se dá a partir das
nas relações de produção e divisão social do trabalho
2. Dissimular a presença da luta de classes
3. Negar as desigualdades sociais, imaginadas como resultado
de talentos diferentes, preguiça, etc...
4. Oferecer a imagem do Estado como resultado de um contrato
entre homens livres e iguais
5. Impedir a revolta
COMO ELA OPERA?
• Existe uma inversão da realidade e a produção de um imaginário
social invertido — um conjunto de representações sobre o homem e
a sociedade que constituirão justamente a ideologia.
• As ideias são tomadas como anteriores e superiores à práxis, como
um poder que comanda a ação material dos homens
• As ideias não aparecem como produtos do pensamento de homens,
mas como entidades abstratas e autônomas descobertas por tais
homens. As ideias não apenas explicariam a realidade como criariam
a mesma.
• Naturalização: as coisas são como são porque é natural que assim
sejam. Não são resultados da ação humana, mas existem em si e
para si mesmas
FORMAS DA IDEOLOGIA
1. Ideologia como inversão da realidade
2. Ideologia como crença na autonomia das ideias
3. Ideologia como crença na capacidade das ideias criarem realidade

“Os que produzem ideias separam-se dos que produzem coisas, formando
um grupo à parte. [...] Ora, o grupo dos que pensam – sacerdotes,
professores, artistas, filósofos, cientistas – não nasceu do nada. Nasceu
não só da divisão social do trabalho, mas também de uma divisão no
interior da classe dos proprietários ou classe dominante de uma
sociedade. Como consequência, o grupo pensante (os intelectuais)
pensa com as ideias dos dominantes; julga, porém, que tais ideias são
verdadeiras em si mesmas e transformam ideias de uma classe social
determinada em ideias universais e necessárias, válidas para a sociedade
inteira.”
IDEOLOGIA COMO PROCESSO
OBJETIVO
• A ideologia não é um processo subjetivo consciente, mas um
fenômeno subjetivo e objetivo involuntário produzido pelas
condições objetivas da existência social
• O que a faz uma força quase indestrutível é o fato de que a
dominação real é justamente o que a ideologia quer ocultar
• Por meio da ideologia, as ideias da classe dominante se tornam
ideias de todas as classes sociais, tornam-se as ideias
dominantes.
• Assim, as ideias particulares de uma classe se tornam as ideias
universais de todos e para todos os membros da sociedade.
O ESTADO E A EXPLORAÇÃO
• Sociedade escravista:
• O trabalhador está diretamente subordinado ao senhor.
• Não há uma instância intermediária entre senhor e escravo.
• Sociedade capitalista:
• A exploração requer mediação por uma instância política terceira: o
Estado.
• O Estado torna trabalhadores e burgueses “iguais” juridicamente.
• Função do Estado no capitalismo:
• Atua como estrutura jurídica da exploração do trabalho.
• Mantém um aparato repressivo para garantir a ordem econômica.
• Não representa o bem comum, mas sim os interesses do capital.
• A ilusão da liberdade:
• No capitalismo, a opressão se oculta sob a aparência de liberdade.
• O trabalhador “escolhe” quem o explora — isso mascara a exploração.
• Essa liberdade é meramente formal e encobre a desigualdade material
gerada pela estrutura econômica capitalista.

“O escravo romano era preso por grilhões; o trabalhador assalariado está


preso a seu proprietário por fios invisíveis. A ilusão de sua independência se
mantém pela mudança contínua de seus patrões e com a ficção jurídica do
contrato.”
ESTADO E FORMA POLÍTICA
• A forma política estatal não é contingente ou acidental: ela se estrutura
historicamente como uma forma necessária à sociedade capitalista.
• O Estado não é um ator neutro entre interesses sociais. Ele é a forma política
adequada ao capital.
• As instituições políticas — como parlamentos, tribunais, forças armadas,
sistemas eleitorais e executivos — não são criações livres ou aleatórias. São
moldadas para:
➢Garantir a legalidade da exploração (via tribunais, legislação e contratos).
➢Organizar o consenso dentro dos marcos do capital (ex.: eleições, partidos).
➢Reprimir a dissidência e revolta (polícia, sistema penal, militarização).
➢Canalizar os conflitos sociais para espaços de inofensiva deliberação
pública.
DIREITO EM MARX
• “Em sua obra de maturidade, em especial em O Capital, Marx chega à
base específica da compreensão da relação entre direito e capitalismo.
Somente as relações de produção capitalistas necessitam —
diferentemente de outras na história — de um aparato jurídico que lhes sirva
de suporte. O escravagismo se funda numa relação de violência direta. O
capitalismo, no entanto, não vincula o trabalhador ao burguês por conta
da violência bruta deste contra aquele. Os vínculos entre ambos se dão por
meio de um contrato de trabalho. O trabalho assalariado presume o direito.
Como qualquer burguês e qualquer trabalhador podem contratar a
compra e venda do trabalho, o direito é o instrumento fundamental dessa
circulação contínua da mercadoria trabalho.” (MASCARO)
DIREITO EM MARX
• Marx concebe o direito como parte da superestrutura da sociedade, ou
seja, como uma construção que se ergue sobre a base econômica
(infraestrutura). O direito, assim como o Estado, reproduz e legitima a
dominação da classe dominante.
• Crítica ao formalismo jurídico:
Marx critica a concepção liberal do direito, que finge tratar todos como
iguais (igualdade formal), mas ignora as desigualdades reais materiais. O
direito burguês é formalmente igualitário, mas mantém a desigualdade ao
proteger a propriedade privada dos meios de produção.
• Direito e mercadoria:
O direito burguês está vinculado à lógica da mercadoria. Assim como no
mercado todas as mercadorias são formalmente iguais, os sujeitos jurídicos
são tratados como iguais — mas essa igualdade esconde relações de
exploração.

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