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Ozonioterapia com Óleo de Girassol em Gatos

O documento relata um caso clínico sobre o uso de óleo de girassol ozonizado na cicatrização de feridas em gatos, destacando a ozonioterapia como uma terapia auxiliar eficaz na medicina veterinária. A cicatrização é um processo complexo dividido em fases inflamatória, proliferativa e de maturação, sendo a segunda intenção a mais comum em felinos. O ozônio, com suas propriedades antioxidantes e oxigenantes, promove a regeneração tecidual e pode ser aplicado de diversas formas, incluindo o uso de óleos ozonizados.

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Ozonioterapia com Óleo de Girassol em Gatos

O documento relata um caso clínico sobre o uso de óleo de girassol ozonizado na cicatrização de feridas em gatos, destacando a ozonioterapia como uma terapia auxiliar eficaz na medicina veterinária. A cicatrização é um processo complexo dividido em fases inflamatória, proliferativa e de maturação, sendo a segunda intenção a mais comum em felinos. O ozônio, com suas propriedades antioxidantes e oxigenantes, promove a regeneração tecidual e pode ser aplicado de diversas formas, incluindo o uso de óleos ozonizados.

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ÓLEO DE GIRASSOL OZONIZADO NA CICATRIZAÇÃO DE FERIDA

EM GATO (Felis catus): RELATO DE CASO

Mariana Diniz Luiz*; Arthur Miguel Honorato Brandão

RESUMO

Terapias com o uso de ozônio tem sido cada vez mais utilizada tanto na
medicina humana, quanto na medicina veterinária em função do seu alto poder
oxigenante e antioxidante, que estimulam na formação de substâncias
desoxigenantes dentro do patógeno, que irá atuar liberando o oxigênio sobre a
oxihemoglobina, aumentando a sua migração aos tecidos epiteliais sendo assim
utilizadas nas afecções fúngicas, bacterianas e virais e, ainda, em lesões cutâneas.
Esse trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico de um felino com o uso da
ozonioterapia na rotina da clínica médica veterinária como tratamento primário na
utilização de óleo de girassol ozonizado no processo de reparação tecidual como
método auxiliar na cicatrização de segunda intenção dérmica.

Palavras-chave: bioestimuladores; derme; pele; regeneração; terapia


coadjuvante
INTRODUÇÃO

PELE

A pele é o maior órgão do corpo, portanto é a primeira barreira de proteção


do organismo sendo um grande receptor de sensações gerais que auxilia
na termorregulação do corpo participando diretamente na excreção de
substâncias, no processo de formação de vitamina D3, na proteção contra os
raios ultravioleta e agentes externos, como as bactérias, fungos e vírus. Sujeita
a constantes agressões ambientais e reações imediatas a processos alérgicos,
fisiológicos e patológicos apresenta grande importância na capacidade de
reparação de um processo para o bom funcionamento fisiológico dos tecidos nos
animais domésticos. A pele pode ser dividida em 3 partes: epiderme, derme e
hipoderme (SOUZA et al., 2009; OLIVEIRA; DIAS, 2012; SANTOS; SZWED,
2015).
Segundo Marceu (2010) a epiderme em termos científicos é dívida em
duas camadas sendo ela a camada fina e a camada grossa. Contudo, essas
camadas revestem todo o organismo do corpo, porém na camada grossa pode
ser encontrada em maior concentração na parte nasal e dos coxins dos animais,
que por sua vez se dividem em cinco camadas: Camada basal, Camada
espinhosa, Camada granulosa, Camada lúcida e a Camada córnea. Todavia, na
camada mais fina ou pele delgada são compostas por quatro tipos estruturais
que são os Queratinócitos, Melanócitos, Células de Langerhans e as Células de
Merkel, são células que compõem e auxiliam na proteção da pele.
A derme é um tecido conjuntivo composto pela união de fibras reticulares
de colágenos que também está presente em vasos sanguíneos e sistema
linfáticos, tendo os fibroblastos como maior composição neste tecido. Sendo está
derme dividida em duas camadas: Camada papilar ou camada frouxa e a
Camada reticular ou camada mais espessa (SOUZA et al., 2009).
O Tecido subcutâneo, que cientificamente é nomeado como hipoderme
que também estão presentes em mamíferos e nas aves, é formado por uma
camada de tecido conjuntivo frouxo. Essa camada mais profunda da pele é onde
tem a maior concentração do tecido de gordura ou adpócitos, que auxiliam na
composição dos reservatórios de energia, proteção do corpo em casos de
choques e isolante térmico (MARCEU, 2010; SANTOS; SZWED, 2015).
Uma estrutura de grande importância é o pelo, sendo este uma estrutura
queratinizada flexível que é produto do folículo piloso. Os pelos cobrem todo o
corpo dos mamíferos domésticos, exceto os coxins plantares e a glande peniana
dos machos. Algumas das suas funções são o auxílio na proteção contra
doenças ou infecções, isolamento térmico do corpo e na proteção da pele contra
a exposição dos raios ultravioleta ou parasitas (URROZ, 2005).

CICATRIZAÇÃO
De acordo com Tazima; Vicente; Moriya (2008), a cicatrização por ser um
evento sistêmico, é um processo que está presente na rotina clínica dos
profissionais de saúde, dentre eles os médicos veterinários e principalmente os
cirurgiões. O processo da cicatrização ocorre quando temos lesões mais
extensas causadas por agentes mecânicos, bacterianos, térmicos e químicos. O
tecido lesionado é substituído por um novo tecido conjuntivo vascularizado e
motivado por uma série de reações celulares e químicas com o objetivo de
recuperar a parte tecidual. A cicatrização é dividida em 3 fases no processo de
reparação de uma lesão. São elas.

INFLAMATÓRIA

Ocorre logo após o trauma, sendo caracterizada por presença de


inúmeras células inflamatórias no tecido cicatricial, dependendo de mediadores
químicos. Dentro do processo inflamatório ocorre a migração de células,
intensificadas através das vênulas e do extravasamento de anticorpos
polimorfonucleares, como os neutrófilos, monócitos e macrófagos. Estes
favorecem uma maior vasoconstrição, vasodilatação e aumento da
permeabilidade vascular dos pequenos vasos na lesão que vão auxiliar no
processo de desbridamento na superfície da pele, fazendo um processo de
fagocitação de agentes externos na lesão (TAZIMA; VICENTE; MORIYA, 2008;
OLIVEIRA; DIAS, 2012).

PROLIFERATIVA

Esta fase é composta por diversos eventos no processo de cicatrização,


podendo se estender por 2 a 3 semanas, sendo o marco inicial ao processo de
cicatrização do corpo, que ocorre devido aos processos de: neo-angiogênese,
fibroplasia, epitelização e matriz extracelular. Esta fase é considerada importante
devido a função de começar o processo do tecido de granulação com o auxílio
de macrófagos, fibroblastos, capilares e ácido hialurônico (TAZIMA; VICENTE;
MORIYA, 2008).

MATURAÇÃO

Nesta fase ocorre a contração das paredes da lesão, assim que o


colágeno e a matriz sofrem um aumento da tensão tecidual diminuindo o número
de células na ferida gerando um estresse oxidativo. A lesão acaba sofrendo um
processo de apoptose por fibroblastos e assim formando um novo processo de
miofibroblastos no tecido, que tem a função de diminuir a vascularização e fazer
a facilidade da epitelização tecidual, de modo que aproxima as margens da lesão
gerando mais fibras de colágenos (TAZIMA; VICENTE; MORIYA, 2008;
OLIVEIRA; DIAS, 2012).

No final da etapa do processo de maturação o corpo começa a gerar uma


ação de remodelação da lesão, onde os tecidos conjuntivos corpóreos se unem
com os macrófagos para estimular a liberação de fibroblastos, gerando a
proliferação endotelial, onde são depositados na superfície da lesão por células
mesenquimais, ativando a síntese de colágeno do tipo I, elastina e
proteoglicanos que formam a maturação do tecido fibroso produzindo o tecido
de granulação no corpo. Com o tempo que pode levar semanas ou meses, o
colágeno do tipo III faz a substituição do colágeno tipo I (TAZIMA; VICENTE;
MORIYA, 2008; OLIVEIRA; DIAS, 2012; SANTOS; SZWED, 2015).
Alguns fatores podem retardar a reparação tecidual podendo ter causas
sistêmicas ou por manejos inadequados. Em casos sistêmicos ocorre devido as
doenças autoimunes, diabetes, hipertensão, neoplasias e idade avançada. Já
em fatores de manejos inadequados pode ocorrer devido à pressão no local que
gera uma falta de circulação de ar dentro da lesão, por falta de assepsias
adequadas, corpos estranhos e fatores climáticos que possam gerar uma
influência sobre a lesão, deixando o processo mais prolongado ou ineficiente. O
processo de cicatrização pode se ter por três tipos de intenções. Sendo elas por
(MARCEU, 2010).

PRIMEIRA INTENÇÃO
Normalmente são lesões que ocorrem por objetos perfurantes/cortantes
onde as bordas são aproximadas sem complicações, comprometendo a
epiderme unicamente e sem perda excessiva do tecido, tendo como exemplo as
suturas cirúrgicas. Por outro lado, deve ressaltar que mesmo o ozônio não sendo
um radical é o terceiro maior oxidante, não devendo ser administrado com Nylon
e Polipropileno por deteriorar essas substâncias (BOCCIO, 2006; TAZIMA;
VICENTE; MORIYA, 2008).
Figura 1- Ilustração de ferida por primeira intenção.

Fonte: [Link] 2021.

SEGUNDA INTENÇÃO
Ocorre perda acentuada do tecido que não se aproxima das bordas e
acabam sofrendo o processo de cicatrização e maturação tecidual por tecidos
epiteliais, conjuntivos e por tecido de granulação. Portanto essas feridas são
deixadas abertas e se fecham a partir do processo de contração epitelial que
podem durar meses ou anos (TAZIMA; VICENTE; MORIYA, 2008; SANTOS;
SZWED, 2015).
Os pequenos animais, como cães e gatos, tendem a ter uma diferenciação
no seu processo de reparação tecidual, onde nos pequenos felinos o processo
ocorre por segunda intenção, sendo um processo mais lento, por contração das
bordas lesionadas. Nos cães a tração é no centro da ferida gerando um processo
de epitelização (OLIVEIRA; DIAS, 2012; SANTOS; SZWED, 2015; DA SILVA,
2019).

Figura 2- Ilustração de ferida por segunda intenção.

Fonte: [Link] 2021.

TERCEIRA INTENÇÃO
É o processo no qual a pele não tem mais sua funcionalidade, e sofre
necrose tecidual, onde necessita de auxiliares (suturas, enxertos, curativos e
retalhos) para que ocorra o processo de cicatrização. Por outro lado, uma vez
que a necrose tenha atingido o subcutâneo da pele comprometendo o tecido o
prognóstico tende a não ser favorável (TAZIMA; VICENTE; MORIYA, 2008).

Figura 3- Ilustração de ferida por terceira intenção.

Fonte: [Link] 2017.


FERIDAS
Segundo Marceu (2010), a ferida é definida como a perda da continuidade
do revestimento tegumentar, ou seja, a pele e tecido celular subcutâneo,
músculos, tendões e ossos. Em áreas com bastante atrito podem ficar propensas
a um processo inflamatório crônico devido à alta produção de vasos, depósito
excessivo de colágeno, presença de corpos estranhos no interior da lesão, déficit
de vitamina c (que auxilia no processo do colágeno) e o uso de forma inadequada
de anti-inflamatórios esteroidais que possam retardar o processo. O combate
das células de defesas do corpo e infecção podem gerar a produção de um novo
tecido epitelial frágil e de processo demorado devido a diminuição do processo
de granulação e fibroblastos.

OZONIOTERAPIA
A ozonioterapia vem crescendo desde meados da década de 50 quando
o dentista Edward Fisch foi o primeiro a fazer uso em humanos. Após algum
tempo, o médico cirurgião austríaco Ernst Payr desenvolveu um grande
interesse a respeito de tratamentos com o uso de ozônio na medicina humana,
onde de fato começou, o estudo sobre o ozônio e seus potenciais (NOGALES et
al., 2008).
O ozônio vem sendo um bom coadjuvante e de baixo custo em relação ao
longo período de tratamento da antibioticoterapia clássica que vem sendo
utilizada na clínica médica, sendo ainda algo incomum dentro da rotina clínica
da medicina veterinária (QUINTANA; DOMINGUES; RIBEIRO, 2019).
O ozônio (O3) é um gás instável, incolor e de odor característico fraco em
temperatura ambiente, sendo constituído por três átomos de oxigênio que se
forma quando as moléculas de oxigênio (O2) se rompem. Sendo assim gera uma
resposta dos átomos separadamente que se liga em algumas das moléculas de
oxigênio, causando uma reação do ozônio nos ácidos graxos insaturados das
membranas celulares. Em fator disso, uma série de peróxidos hidrófilos que
estimulam na forma de substâncias desoxigenantes dentro do patógeno, irá
atuar liberando o oxigênio sobre a oxihemoglobina, aumentando a sua migração
aos tecidos epiteliais. Contudo, acaba reduzindo a formação de agregação
plaquetária, promovendo a regeneração tecidual e atuando como um anti-
inflamatório e analgésico na lesão. Em função disso um dos seus grandes
potenciais é a ação de Antioxidante e Oxigenante, fazendo a criação de novos
vasos sanguíneos e diminuindo as etapas dos processos inflamatórios dentro do
tecido (BOCCI, 2006; HADDAD et al., 2009; PENIDO; LIMA; FERREIRA, 2010;
SILVA; SHIOSI; RAINERI, 2019).
Bocci (2006), ressalta que o ozônio por ser até 1,6 vezes mais denso e
10 vezes mais solúvel em água do que o oxigênio, não pode ser considerado
uma molécula radical, mesmo o O3 sendo o terceiro oxidante mais potente após
o flúor e persulfato. Todavia por ser um gás instável, o ozônio pode reagir a
algumas substâncias em poucas horas ou dias, causando uma deterioração
desses materiais, por tanto não deve ser administrado em conjunto com: Nylon,
Zinco, plásticos reforçados com fibras, Magnésio, Borracha natural, Polipropileno
e aço carbono. O ideal uso imediato do ozônio deve ser na forma de gás, pois
tem uma meia-vida de 40 min a temperatura de 20ºC, devendo ser evitada a
exposição ao sol por absorver os raios ultravioletas e evitar um longo período de
armazenamento para não perder sua função ozonizante.

Segundo Mota (2020), existem diversos métodos de aplicação do ozônio,


seja por vias Intramuscular, subcutânea, aplicação tópica, insuflação retal, auto-
hemoterapia, aplicação tópica com óleo e o sistema fechado por bag. Uma das
técnicas mais usadas é o método que se utiliza através de um sistema fechado
usando bolsa, bag ou touca que são resistentes ao ozônio e não se deterioram
ao ter contato com o gás. Nesse método o tratamento funciona em lesões,
escaras, úlceras, feridas abertas e lesões pós-operatórias nos membros (SILVA;
CORREA; SANTOS, 2014).

OLÉO OZONIZADOS DE GIRASSOL


Camps e Arias del Toro (2013), cita que a técnica com óleo ozonizado
começou na medicina humana e chegou recentemente na medicina veterinária,
sendo ainda um mistério em qual momento deve ser aplicado e onde deve ser
utilizado. Normalmente os óleos vegetais são elaborados através de uma planta
e assim se tornam um meio alternativo adequado ao ser manipulado junto ao
ozônio, adquirindo uma propriedade de liberar ozônio lentamente e não em uma
quantidade excessiva, sendo pouco viscoso, de coloração amarelo claro e odor
característico. Possui atividade inibitória e letal sobre bactérias Gram-positivas e
Gram-negativas, cepas multirresistentes a antibióticos, espécies de
micobactérias, leveduras e protozoários. Podendo gerar um efeito desinfetante,
antibiótico, anti-inflamatório e imunomodulador que irá estimular a circulação
sanguínea e todo o processo de cicatrização, podendo ser aplicado no local da
lesão, através de massagens feitas levemente e de forma prolongada.
Os óleos mais usados para o processo de ozonização são aqueles que
apresentam maior função em concentração de ácidos graxos e ácido linoleico,
que normalmente será encontrado nas substâncias do azeite de oliva, óleo de
coco e óleo de girassol. Contudo pode-se ozonizar qualquer tipo de óleo junto
desde que de boa procedência e que sejam de preferência orgânicos e com
baixa acidez (FALZONI, 2019).
O óleo ao entrar em contato com um meio orgânico ativa funções
biológicas que liga as estruturas através de ligação de carbono e, essas ações
ainda não foram totalmente elucidadas. É ciente que o ozônio promove um
estresse oxidativo, impulsionando um estímulo nos mecanismos de defesa
endógenos (CHAGAS; MIRA, 2015).
De acordo com alguns estudos, para maior efetividade do óleo de girassol,
é sempre indicado o acondicionamento com tampa, nunca deixando o frasco
aberto e agitando bem antes de cada uso, de durabilidade média de 6 meses
(CHAGAS; MIRA, 2015; FALZONI, 2019).

OBJETIVO
O objetivo deste trabalho é relatar o caso clínico onde foi realizada a
ozonioterapia por meio do uso local do óleo de girassol ozonizado sobre a ferida,
demonstrando eficácia na rotina terapêutica médica veterinária. A técnica
utilizada neste caso, foi capaz de substituir tratamentos orais de
antibioticoterapia de longo prazo, diminuindo assim o estresse animal por
diminuição de excessivos manejos e assim contribuindo para melhoria do bem-
estar animal.

RELATO DO CASO

Chegou para consulta na clínica veterinária FLAPAS localizada na zona


sul do Rio de Janeiro, no endereço Rua Barão do Flamengo, 35 - Flamengo, um
felino sem raça definida, fêmea, vacinado, de pelagem preta e branca, não
castrado e de aproximadamente 2 anos de idade.

Durante a anamnese a tutora relatou, como principal queixa, uma lesão


que não fechava há mais de um mês na região cervical ventral, o que foi
evidenciado. A tutora comunica que já havia realizado tratamento com
antibióticos orais e tópicos prescritos por um profissional em outra clínica. No
exame clínico foi observado os parâmetros de ausculta cardíaca e pulmonar que
não demonstraram alterações, PAS (Pressão Arterial Sistólica) normal
120mm/Hg, TPC (Tempo de Preenchimento Capilar) de 2 segundos e mucosas
normocorada, Temperatura 38,6 sem aspecto febril e sem dor a palpação
abdominal. Foi observado intenso prurido na região cervical que apresentava
uma lesão extensa lacerante, úmida, de coloração avermelhada vivo, secreção
sanguinolenta e dolorosa.

No processo investigativo foi orientando a coletada de sangue para teste


rápido de Fiv e Felv, eritrograma, leucograma e perfil bioquímico. Os exames
não demostraram alterações significativas ou presença de parasitas. O felino foi
testado negativo para FIV/FELV deixando um questionamento da possível
etiologia desta lesão sanguinolenta. Em sequência no próprio local durante a
consulta foi feita uma citologia do local da lesão para obter melhor visualização
e evidenciou moderada presença de neutrófilos, sugestivo de processo
inflamatório local, porém não determinante para conclusão do diagnóstico
etiológico.
Figura 4- presença moderada de neutrófilos vista na lâmina pelo microscópio óptico a 100x.

Fonte: Arquivo pessoal, 2022.

Foi prescrito e orientado pelo veterinário responsável pela consulta a aplicação


somente do óleo ozonizado na região da lesão, sem mais nenhum medicamento
junto ao processo de cicatrização. A preferência pelo óleo de ozônio de girassol
foi pelo fato de que este é extraído de sementes da própria planta que são ricos
em vitaminas E que auxilia na proteção da pele e no fortalecimento tegumentar
da lesão (RICCO; JÚNIOR, 2022).
Figura 5- Parte esquerda (E) mostra o primeiro dia da lesão na região cervical ventral e na parte
direita (D) o resultado após 14 dias de tratamento.

Fonte: Arquivo pessoal, 2022

A aplicação foi feita diretamente no local com auxílio de uma gaze, 2 vezes ao
dia na primeira semana e posteriormente 1 vez ao dia por mais 7 dias na segunda
semana. Ao retornar à clínica após os 14 dias de tratamento o felino apresentou
o processo de cicatrização completa da lesão, reagindo bem ao ozônio. Não
houve nenhuma reação alérgica ao redor ou na própria lesão, sendo observado
o fechamento total da lesão na região cervical ventral.

DISCUSSÃO

A utilização do ozônio pode ser um complemento a mais no tratamento


dos animais domésticos, por ser um método eficaz e indolor aos animais.
Conhecido como um dos melhores desinfetantes naturais é indicado no
processo da cicatrização de feridas por segunda intenção e na eliminação de
patógenos diversos tais como em doenças arteriais circulatórias, úlceras
externas, lesões de pele, terapia de suporte em pacientes com câncer,
inflamações e até mesmo em tratamentos dentários, podendo ser usado tanto
para os pequenos quanto para os grandes animais. Assim sendo indicado
principalmente em animais que não obtiveram uma boa resposta a drogas
medicamentosas, ou seja, um método complementar como no caso desse relato
em que o animal foi submetido a antibioticoterapia de amoxicilina e não obteve
nenhuma resposta satisfatória (PENIDO; LIMA; FERREIRA, 2010; GINEL et al.,
2020; RICCO; JÚNIOR, 2022).
O ozônio por ser um ótimo purificante de água com sua ação antioxidante
é capaz de fazer a eliminação de qualquer tipo de radicais livres. Portanto pode
afetar uma ampla variedade de patógenos bacterianos e fúngicos que podem
não ser encontrados em conjuntos em uma única medicação, por isso o ozônio
é de resposta adequada e satisfatória na resposta ao tratamento (SÁNCHEZ;
SCHWARTZ, 2012; BERNAL, 2013). O O3 pode ser usado em forma de água
ozonizada, óleo ozonizado, colírio ozonizado ou por gás que é colocado
diretamente sobre o local desejado, onde haja uma lesão ou até mesmo sobre o
corpo todo através de sacos plásticos ou estruturas que contém o gás sem ter
qualquer tipo de extravasamento excessivo do ozônio e o desperdício do gás.
Neste caso o método escolhido foi o óleo por ser hidrofóbico misturado junto ao
ozônio gera um potencial de ação maior e pelo fato de ser mais prático ao tutor
de aplicação domiciliar, aumentando a chance de agilizar o processo da
restauração em um curto período (FREITAS, 2011).
Uma das vantagens do tratamento com o ozônio (O3) é que por ser um
gás composto por moléculas de oxigênio o seu resíduo é o próprio oxigênio, ou
seja, não gera qualquer tipo de resíduo para o meio ambiente ou risco a saúde
humana e animal, podendo ser usado em apenas uma única aplicação ao dia
obtendo o máximo de poder oxidativo imediato sobre os agentes infecciosos,
gerando uma resposta imunológica mais rápida, que acelera o processo de
cicatrização. Por isso é um bom coadjuvante de custo acessível em relação ao
longo período de tratamento com o uso de antibioticoterapia. Por ser um meio
alternativo, de baixo custo e fácil acessibilidade na cicatrização de feridas frente
a terapêutica clássica que o foi escolhido o uso do óleo ozonizado de girassol
(QUINTANA; DOMINGUES; RIBEIRO, 2019).
Segundo Haddad et al. (2009), este tratamento coadjuvante deve ser
administrado com cautela para não se obter uma dosagem excessiva, gerando
uma resposta de reação tóxica ao corpo que pode provocar descamação celular,
que será liberada em forma de grumos. Também foi relatada a diminuição
discreta dos valores de gama-glutamiltransferase em animais submetidos a
exercícios excessivos que utilizaram o ozônio, que nesse relato de caso não foi
observada nenhuma alteração como descrita pelo autor sendo mantidos todos
os valores e padrões normais do animal que vive em confinamento.
Existe comprovação do uso do ozônio na medicina humana e na medicina
veterinária traz diversos benefícios tanto em processo cicatricial em tratamento
de feridas abertas, com difícil prognóstico no processo da cicatrização. Como
também em animais imunocomprometidos com doença da leucemia viral felina
(felv) e doença imunodeficiência felina (fiv). Assim sendo, neste relato de caso
o felino não apresentava nenhum tipo de doença imunossupressão e, portanto,
apresentou como resultado uma resposta imediata (GONÇALVES; DE
OLIVEIRA; DE OLIVEIRA, 2019; KAWAHARA; JOAQUIM, 2020).
É ressaltado que a terapia com o ozônio não deve ser usada como método
principal no tratamento das enfermidades, devendo somente ser utilizada como
terapia coadjuvante e potencializador na reparação tecidual. Contudo neste
relato de caso foi utilizado como tratamento único, após a falha de outros
tratamentos tópicos rotineiros. Portanto, o óleo ozonizado de girassol substituiu
o uso de medicamento oral no animal, obtendo-se uma resposta favorável ao
processo de restauração tecidual, deixando o questionamento se o ozônio não
deve ser realmente utilizado num método primordial. Ressaltando assim a
necessidade de mais estudos que comprovem todas as possibilidades de
alcance da ozonioterapia na rotina médica (PENIDO; LIMA; FERREIRA, 2010).
CONSIDERAÇÕES FINAIS

O óleo de girassol ozonizado demonstrou:

1- Ser eficiente, mesmo sem qualquer auxílio de uma outra medicação, tendo
um prognóstico favorável com uso no tratamento tópico.

2- Boa aceitação, não gerando incomodo ou estresse no animal,


contribuindo para o bem-estar do animal . Sendo o óleo de absorção rápida,
de fácil manejo e de simples aplicação, sem odor forte e/ou coloração
pigmentada foi bem aceito pelo felino doméstico.

REFERÊNCIAS

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