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Desigualdade Triangular na Norma Euclidiana

A aula aborda a prova da desigualdade triangular para a métrica euclidiana em Rn, introduzindo conceitos de norma e produto interno em espaços vetoriais. As propriedades das normas e a relação entre normas e métricas são discutidas, assim como a desigualdade de Cauchy-Schwarz. O documento conclui que a métrica proveniente da norma euclidiana satisfaz a desigualdade triangular.
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A aula aborda a prova da desigualdade triangular para a métrica euclidiana em Rn, introduzindo conceitos de norma e produto interno em espaços vetoriais. As propriedades das normas e a relação entre normas e métricas são discutidas, assim como a desigualdade de Cauchy-Schwarz. O documento conclui que a métrica proveniente da norma euclidiana satisfaz a desigualdade triangular.
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Espaços Métricos

Aula 02

Thiago de Melo

5 de maio de 2021

Thiago de Melo 1 / 13
Um dos objetivos desta aula é provarmos a desigualdade triangular para a métrica
euclidiana de em Rn .
n
∑︁  1/2
de : Rn × Rn → R, de (x, y) = |xi − yi | 2
i=1

Thiago de Melo 2 / 13
Um dos objetivos desta aula é provarmos a desigualdade triangular para a métrica
euclidiana de em Rn .
n
∑︁  1/2
de : Rn × Rn → R, de (x, y) = |xi − yi | 2
i=1

Para isso, precisaremos de noções de:

1. norma em espaço vetorial


2. produto interno em espaço vetorial
3. desigualdade de Cauchy-Schwarz

Thiago de Melo 2 / 13
Norma

Seja V um espaço vetorial real (ie. corpo de escalares é R).

Uma norma em V é uma função real

k k: V → R

que possui as seguintes propriedades:

Thiago de Melo 3 / 13
Norma

Seja V um espaço vetorial real (ie. corpo de escalares é R).

Uma norma em V é uma função real

k k: V → R

que possui as seguintes propriedades:

N1. v ≠ 0 ⇒ kvk ≠ 0, ∀ v ∈ V

Thiago de Melo 3 / 13
Norma

Seja V um espaço vetorial real (ie. corpo de escalares é R).

Uma norma em V é uma função real

k k: V → R

que possui as seguintes propriedades:

N1. v ≠ 0 ⇒ kvk ≠ 0, ∀ v ∈ V
N2. k𝜆vk = |𝜆|kvk, ∀ v ∈ V, ∀ 𝜆 ∈ R (kvk é norma de vetor)
(|𝜆| é módulo de núm. real)

Thiago de Melo 3 / 13
Norma

Seja V um espaço vetorial real (ie. corpo de escalares é R).

Uma norma em V é uma função real

k k: V → R

que possui as seguintes propriedades:

N1. v ≠ 0 ⇒ kvk ≠ 0, ∀ v ∈ V
N2. k𝜆vk = |𝜆|kvk, ∀ v ∈ V, ∀ 𝜆 ∈ R (kvk é norma de vetor)
(|𝜆| é módulo de núm. real)
N3. kv + wk ≤ kvk + kwk, ∀ v, w ∈ V

Thiago de Melo 3 / 13
(
𝜆 = 0, v = 0 ⇒ k0k = 0
N2. k𝜆vk = |𝜆|kvk →
𝜆 = −1 ⇒ k−vk = kvk

Thiago de Melo 4 / 13
(
𝜆 = 0, v = 0 ⇒ k0k = 0
N2. k𝜆vk = |𝜆|kvk →
𝜆 = −1 ⇒ k−vk = kvk
(
w = −v ⇒ 0 = kv + (−v) k ≤ kvk + k−vk = 2kvk
N3. kv + wk ≤ kvk + kwk →
⇒ kvk ≥ 0, ∀ v ∈ V,

Thiago de Melo 4 / 13
(
𝜆 = 0, v = 0 ⇒ k0k = 0
N2. k𝜆vk = |𝜆|kvk →
𝜆 = −1 ⇒ k−vk = kvk
(
w = −v ⇒ 0 = kv + (−v) k ≤ kvk + k−vk = 2kvk
N3. kv + wk ≤ kvk + kwk →
⇒ kvk ≥ 0, ∀ v ∈ V, kvk ≠ 0 ⇔ v ≠ 0

Thiago de Melo 4 / 13
Exemplo: Rn como espaço vetorial normado

Seja x = (x1 , . . . , xn ) ∈ Rn .
 1/2
|xi | 2
Í
kxk e = i (norma euclidiana)
Í
kxk s = i |xi | (norma da soma)
kxk m = maxi |xi | (norma do máximo)

Thiago de Melo 5 / 13
Exemplo: Rn como espaço vetorial normado

Seja x = (x1 , . . . , xn ) ∈ Rn .
 1/2
|xi | 2
Í
kxk e = i (norma euclidiana)
Í
kxk s = i |xi | (norma da soma)
kxk m = maxi |xi | (norma do máximo)

Exceto N3 para a norma euclidiana, as demais são de fácil verificação.

Thiago de Melo 5 / 13
norma → métrica

Se (V, k k) é um espaço vetorial normado, definimos uma métrica em V por

d : V × V → R, d(v, w) = kv − wk.

Neste caso, dizemos que a métrica d é proveniente da norma k k.

Note que kvk = d(v, 0), distância de v à origem do espaço vetorial V.

Thiago de Melo 6 / 13
norma → métrica

Se (V, k k) é um espaço vetorial normado, definimos uma métrica em V por

d : V × V → R, d(v, w) = kv − wk.

Neste caso, dizemos que a métrica d é proveniente da norma k k.

Note que kvk = d(v, 0), distância de v à origem do espaço vetorial V.

Como o nome sugere, as métricas de , ds , dm em Rn são provenientes das normas


k k e , k k s , k k m , respectivamente.

Thiago de Melo 6 / 13
Se d é proveniente da norma k k, rapidamente verificamos d1, d2 e d3 (exigidas para
d ser métrica) diretamente de N1, N2 e N3 (válidas para uma norma).

Thiago de Melo 7 / 13
Se d é proveniente da norma k k, rapidamente verificamos d1, d2 e d3 (exigidas para
d ser métrica) diretamente de N1, N2 e N3 (válidas para uma norma).

Por exemplo, para a desigualdade triangular d3:

d(x, z) = kx − zk (def.)
= kx − y + y − zk (±y)
≤ kx − yk + ky − zk (N3)
= d(x, y) + d(y, z) (def.)

Thiago de Melo 7 / 13
Produto interno

Seja V um espaço vetorial real (ie. corpo de escalares é R).

Um produto interno em V é uma função real

h , i: V × V → R

que possui as seguintes propriedades:

P1. hv1 + v2 , wi = hv1 , wi + hv2 , wi, ∀ v1 , v2 , w ∈ V

Thiago de Melo 8 / 13
Produto interno

Seja V um espaço vetorial real (ie. corpo de escalares é R).

Um produto interno em V é uma função real

h , i: V × V → R

que possui as seguintes propriedades:

P1. hv1 + v2 , wi = hv1 , wi + hv2 , wi, ∀ v1 , v2 , w ∈ V


P2. h𝜆v, wi = 𝜆hv, wi, ∀ v, w ∈ V, ∀ 𝜆 ∈ R

Thiago de Melo 8 / 13
Produto interno

Seja V um espaço vetorial real (ie. corpo de escalares é R).

Um produto interno em V é uma função real

h , i: V × V → R

que possui as seguintes propriedades:

P1. hv1 + v2 , wi = hv1 , wi + hv2 , wi, ∀ v1 , v2 , w ∈ V


P2. h𝜆v, wi = 𝜆hv, wi, ∀ v, w ∈ V, ∀ 𝜆 ∈ R
P3. hv, wi = hw, vi, ∀ v, w ∈ V

Thiago de Melo 8 / 13
Produto interno

Seja V um espaço vetorial real (ie. corpo de escalares é R).

Um produto interno em V é uma função real

h , i: V × V → R

que possui as seguintes propriedades:

P1. hv1 + v2 , wi = hv1 , wi + hv2 , wi, ∀ v1 , v2 , w ∈ V


P2. h𝜆v, wi = 𝜆hv, wi, ∀ v, w ∈ V, ∀ 𝜆 ∈ R
P3. hv, wi = hw, vi, ∀ v, w ∈ V
P4. v ≠ 0 ⇒ hv, vi > 0, ∀ v ∈ V

Thiago de Melo 8 / 13
Exercício

Mostre que:

1. hv, w1 + w2 i = hv, w1 i + hv, w2 i, ∀ v, w1 , w2 ∈ V


2. hv, 𝜆wi = 𝜆hv, wi, ∀ v, w ∈ V, ∀ 𝜆 ∈ R
3. h0, vi = 0, ∀ v ∈ V

Thiago de Melo 9 / 13
produto interno → norma

Se h , i é um produto interno em V, definimos uma norma em V por


√︁
k k : V → R, kvk = hv, vi.

Neste caso, dizemos que a norma k k é proveniente do produto interno h , i.

Note que kvk 2 = hv, vi.

Thiago de Melo 10 / 13
produto interno → norma

Se h , i é um produto interno em V, definimos uma norma em V por


√︁
k k : V → R, kvk = hv, vi.

Neste caso, dizemos que a norma k k é proveniente do produto interno h , i.

Note que kvk 2 = hv, vi.

N1 e N2 são verificadas rapidamente. Já N3, segue da desigualdade de


Cauchy-Schwarz:
|hv, wi| ≤ kvk kwk

Thiago de Melo 10 / 13
Desigualdade de Cauchy-Schwarz

|hv, wi| ≤ kvk kwk (C-S)


Se v = 0, a desigualdade (C-S) é óbvia. (mas verifique!)

hv, wi
Suponha v ≠ 0. Seja 𝜆 = .
kvk 2

Thiago de Melo 11 / 13
Desigualdade de Cauchy-Schwarz

|hv, wi| ≤ kvk kwk (C-S)


Se v = 0, a desigualdade (C-S) é óbvia. (mas verifique!)

hv, wi
Suponha v ≠ 0. Seja 𝜆 = .
kvk 2

1. u = w − 𝜆v é perpendicular a v, isto é, hu, vi = 0

Thiago de Melo 11 / 13
Desigualdade de Cauchy-Schwarz

|hv, wi| ≤ kvk kwk (C-S)


Se v = 0, a desigualdade (C-S) é óbvia. (mas verifique!)

hv, wi
Suponha v ≠ 0. Seja 𝜆 = .
kvk 2

1. u = w − 𝜆v é perpendicular a v, isto é, hu, vi = 0


2. w = u + 𝜆v

kwk 2 = hw, wi = hu + 𝜆v, u + 𝜆vi = kuk 2 + 𝜆2 kvk 2

Thiago de Melo 11 / 13
Desigualdade de Cauchy-Schwarz

|hv, wi| ≤ kvk kwk (C-S)


Se v = 0, a desigualdade (C-S) é óbvia. (mas verifique!)

hv, wi
Suponha v ≠ 0. Seja 𝜆 = .
kvk 2

1. u = w − 𝜆v é perpendicular a v, isto é, hu, vi = 0


2. w = u + 𝜆v

kwk 2 = hw, wi = hu + 𝜆v, u + 𝜆vi = kuk 2 + 𝜆2 kvk 2

hv, wi 2
𝜆2 kvk 2 = ≤ kwk 2 ⇒ hv, wi 2 ≤ kvk 2 kwk 2 ⇒ |hv, wi| ≤ kvk kwk
kvk 2

Thiago de Melo 11 / 13
Provando N3

√︁ √︁
Se kvk = hv, vi e kwk = hw, wi então kv + wk ≤ kvk + kwk.

0 ≤ kv + wk 2 = hv + w, v + wi (def.)
2 2
= kvk + kwk + 2hv, wi (prop.)
2 2
≤ kvk + kwk + 2|hv, wi| (mód.)
≤ kvk 2 + kwk 2 + 2kvkkwk (C-S)
2
= (kvk + kwk) (quad. perf.)

Como são valores não negativos, tomamos a raiz quadrada e obtemos

kv + wk ≤ kvk + kwk.

Thiago de Melo 12 / 13
d3 para a métrica de

Como de provém da norma euclidiana k k e , que por sua vez provém do produto
Í
interno usual hx, yi = i xi yi , então vale a desigualdade triangular (d3) para de .

Thiago de Melo 13 / 13

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