Evolução dos Carros de Combate no Brasil
Evolução dos Carros de Combate no Brasil
Lucas Rocha
Resende
2020
Lucas Rocha
Resende
2020
Lucas Rocha
Banca examinadora:
______________________________
Matheus Sangoi Mendonça – 1° Ten Cav
Orientador
______________________________
Guilherme Alberti Bressan - 1° Ten Cav
Avaliador
______________________________
Anderson Streit de Faria - 1º Ten Cav
Avaliador
Resende
2020
4
Dedico este trabalho, primeiramente a Deus, que me guiou por este caminho, abrindo
oportunidades para que hoje eu possa estar realizando meu sonho, tornar-me oficial do Exército
Brasileiro e, também, aos meus pais por terem me apoiado e me estimulado a nunca desistir dos
meus sonhos.
5
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, a Deus que me permitiu viver tudo isso. Agradeço aos meus
pais, meus exemplos e maiores incentivadores, obrigado por entender, aceitar minhas
dificuldades e acima de tudo sempre acreditar no meu potencial, sem a ajuda e empenho deles
nada disso seria possível. Agradeço a toda minha família e amigos pela motivação e apoio nos
momentos difíceis, foi uma longa e árdua caminhada, mas sem vocês não seria possível chegar
até o final.
Agradeço a minha namorada por toda ajuda, dedicação e paciência em todos os
momentos que a gente passou juntos; agradeço também ao meu orientador por ter me ajudado
e proporcionado todo o suporte possível para a realização deste trabalho. Conquistar a tão
sonhada estrela de aspirante não foi nada fácil, mas com certeza sem a ajuda de todos vocês e
sem meu empenho isso não seria possível.
6
RESUMO
O seguinte trabalho de conclusão de curso expõe como tema a evolução histórica dos carros de
combate, a partir da segunda guerra mundial, no exército brasileiro. O objetivo desse trabalho
é apresentar as limitações, blindagem e sistema de tiro dos carros de combate (CC) que o
Exército Brasileiro (EB) utilizou durante os tempos, a partir da segunda guerra mundial. Desta
forma, realizou-se uma revisão literária acerca das principais viaturas blindadas que o Brasil
possuiu, levando em consideração o contexto histórico da época que o país vivia, as vantagens,
desvantagens que esses blindados trouxeram para o Brasil e analisando suas características
gerais. O trabalho ainda tem a finalidade de entender o contexto histórico da evolução dos carros
de combate e como essa evolução atendeu aos anseios do Exército Brasileiro no tocante a
modernização dos seus meios de combate, foram realizadas diversas pesquisas sobre cada
modelo de carro de combate adquirido pelo país. Deste modo, foi possível concluir que preferiu-
se buscar blindados no exterior, a um custo menor, do que investir em projetos nacionais
promissores, no entanto, inicialmente com um maior custo e dificuldade na concretização, mas
com certeza esses projetos proporcionariam grandes vantagens ao Brasil há um médio e longo
prazo seja no desenvolvimento da indústria bélica nacional e, principalmente na quebra da
dependência tecnológica. Com esta pesquisa foi possível demonstrar a importância e
necessidade do entendimento dos ensinamentos aprendidos com as decisões do passado. Para
que seja empregado mais recursos para o desenvolvimento daquilo que foi vantajoso para a
força e, que seja retificado aquilo que trouxe dificuldades e limitações para a tropa blindada
brasileira.
ABSTRACT
The following course conclusion paper exposes the historical evolution of battle tanks, starting
in the World War II, in the Brazilian army. The objective of this work is to present the limitations,
armor and shooting system of tanks that the Brazilian Army used during the times, starting from
the World War II. That way, a literary review was carried out about the main armored vehicles
that Brazil possessed, considering the historical context of the time that the country lived, the
advantages and disadvantages that these armored vehicles brought to Brazil and analyzing their
general characteristics. The work still has the purpose of understanding the historical context
of the evolution of the tanks and how this evolution met the desires of the Brazilian Army with
regard to the modernization of its means of combat, several researches were carried out on each
model of tank acquired by the parents. In this way, it was possible to conclude that it was
preferable to seek armored vehicles abroad, at a lower cost, than to invest in promising national
projects, however, initially with a higher cost and difficulty in carrying out, but certainly these
projects would provide great advantages to Brazil in a medium and long term, whether in the
development of the national arms industry and, mainly, in the break of technological
dependence. With this research it was possible to demonstrate the importance and need to
understand the lessons learned from past decisions. So that more resources are used for the
development of what was advantageous for the force and that what brought difficulties and
limitations for the Brazilian armored troops be rectified.
Keywords: Battle cars. Brazilian army. Evolution. Armored Combat Vehicle. Shielding.
8
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Índice de disponibilidade dos veículos das unidades do Rio de Janeiro. ................ 19
Tabela 2 - Sistema de Controle de Tiro. ................................................................................... 35
9
LISTA DE FIGURAS
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 12
1.1 OBJETIVO ......................................................................................................................... 13
1.1.1 Objetivos Gerais ............................................................................................................ 13
1.1.2 Objetivos Específicos ..................................................................................................... 13
2 REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................................. 14
2.1 REVISÃO DA LITERATURA E ANTECEDENTES DO PROBLEMA .......................... 15
2.2 A INFLUÊNCIA AMERICANA A PARTIR DA II GM .................................................... 16
2.2.1 Sherman M4 ................................................................................................................... 17
2.2.2 M-41 Walker Bulldog .................................................................................................... 20
2.2.3 EE-T1 Osório (Um Projeto Nacional).......................................................................... 23
2.2.4 M60-A3 TTS................................................................................................................... 26
2.2.5 Os Blindados Alemães ................................................................................................... 29
2.2.6 Leopard 1 A1 .................................................................................................................. 30
2.2.7 Leopard 1 A5 BR ........................................................................................................... 32
3 REFERENCIAL METODOLÓGICO............................................................................... 36
3.1 TIPO DE PESQUISA ......................................................................................................... 36
3.2 MÉTODOS ......................................................................................................................... 36
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................................... 37
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 40
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 42
12
1 INTRODUÇÃO
Desde sempre nos conflitos, existem três capacidades essenciais para o combate
terrestre: a mobilidade, capacidade para se movimentar em redor do campo de batalha
para ganhar uma posição de vantagem; o poder de fogo, a capacidade para causar um
golpe suficiente para matar ou desmoralizar psicologicamente o oponente; e a proteção,
a capacidade para derrotar os golpes do adversário (ANCKER III, 2012).
A relevância do tema se define pela elevada importância que a tropa blindada tem com
as Forças Armadas e com a soberania brasileira, visto que no subcontinente americano o Brasil
13
possui grande influência e hegemonia. Justificando assim a análise histórica da evolução dos
CC, já que os blindados são de extremo valor para a defesa e poder persuasivo do nosso país.
O trabalho ficará delimitado à abordagem dos Carros de Combate (CC) adquiridos pelo
Exército Brasileiro (EB) a partir da Segunda Guerra Mundial (II GM), começando pelo M4
SHERMAN, passando pela VBCCC M-41 Walker Bulldog, EE-T1 Osório, VBCCC M-60
A3TTS e chegando aos blindados alemães LEOPARD1 A1 e LEOPARD 1 A5 BR. Sendo
analisado suas limitações, sistema de tiro e blindagem, cada capitulo apresentará um
determinado Carro de Combate com as suas características técnicas, levando em consideração
além dos próprios aspectos da viatura, os aspectos da determinada época que o país vivia e o
que o Exército Brasileiro buscava com a aquisição do determinado blindado. A problematização
do trabalho ficará sobre a seguinte questão, os CC adquiridos pelo EB trouxeram vantagens e
melhorias a tropa blindada brasileira?
1.1 OBJETIVO
Descrever os sistemas de tiro e blindagem dos CC e ressaltar quais eram suas principais
vantagens e desvantagens.
Identificar as características gerais de cada CC adquirido pelo Brasil ao longo do tempo.
Identificar se houve um aumento no poder de combate do EB em cada mudança.
14
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O tema desta pesquisa está inserido na área de História Militar, mais especificamente da
evolução acerca dos Carros de Combate no Exército Brasileiro, e no emprego de blindados, na
área do estudo de doutrina, conforme definido na Portaria nº 734, de 19 de agosto de 10, do
Comando do Exército Brasileiro.
Neste capítulo, será realizado uma revisão da literatura com uma simples abordagem
dos CC pertencentes ao EB no período pós I GM até o fim da II GM. Essa abordagem será feita
a fim de compreender o que o Brasil buscava em um blindado, a evolução dos blindados que
antecederam os objetos da pesquisa e apresentar o contexto histórico que antecedeu a
problematização. Após será apresentado as viaturas foco do trabalho, sendo explorado os
aspectos gerais de cada Viatura Blindada de Combate (VBC), limitações, sistema de tiro e
blindagem.
Para facilitar o entendimento e a sequência cronológica dos fatos foi adicionado ao
trabalho a imagem abaixo, do 1° Regimento de Carros de Combate (RCC), essa foto aborda os
CC pertencentes ao regimento durante toda a sua história, sendo que todos os blindados da
imagem serão abordados nesta pesquisa.
Fonte: 1° RCC.
15
Primeiramente, com essa revisão da literatura, será feita uma simples apresentação dos
blindados que integraram o EB entre os períodos do término da I GM e o fim da II GM. O
objetivo dessa abordagem é expor a evolução dos primeiros CC que o Brasil adquiriu, mostrar
suas características e exibir a importância de continuar analisando as evoluções dos blindados
que pertenceram e que ainda pertencem ao Brasil.
O blindado Renault FT-17 foi produzido pela França em 1917, sendo testado e muito
bem-sucedido em 1918 na I GM. Influenciado pelo então capitão José Pessoa Cavalcanti de
Albuquerque, o EB acabou adquirindo este CC. Em 1920 chegou no país 12 carros de combate
Renault FT-17, sendo 6 com torre fundida (Berliet) e armados com canhão Puteaux de 37mm,
5 com torre octogonal rebitada (Renault), armados com metralhadoras Hotchkiss de calibre
7mm e 1 modelo TSF (telegrafia sem fio) desprovido de torre giratória como os demais para
comunicação com os escalões superiores. A criação da Companhia de Carros de Assalto em
1921, está relacionado com a chegada dos primeiros blindados que pertenceram ao Brasil, cabe
ressaltar que a “novidade” não teve uma boa aceitação por parte de alguns militares, o próprio
José Pessoa, identificou muitos problemas nesse processo e muitas deficiências que a falta de
cultura trouxe para esta nova realidade (BASTOS, 2001).
Com a chegada em 1938 do blindado Fiat Ansaldo CV-3 35, oriundo da Itália, definiu-
se a implantação dos blindados no Brasil, mesmo que esses carros não foram os primeiros a
serem adquiridos pelo Exército, foram de vital importância. Os 23 blindados adquiridos
possuíam dois tipos de armamento, sendo que 18 estavam equipados com duas metralhadoras
Madsen calibre 7mm, e 5 com uma metralhadora Breda calibre 13,2mm, esse carro ainda tinha
a particularidade de não possuir canhão (BASTOS, 2002).
Esses blindados foram usados na instrução e formação de militares até 1942, como
limitação sua blindagem máxima era de 13,5 mm, considerada obsoleta em comparação com
os armamentos da época. Com a eclosão da II GM, o Brasil alinhou-se ao bloco dos aliados,
com isso o EB começou a receber material, mais moderno, dos EUA desde 1941 para equipar
suas unidades blindadas. Contudo, o Fiat Ansaldo CV-3 35 seguiu sendo usado até o final da II
GM em 1945, após começou a ser realizado o descarte do blindado por parte do Exército
(BASTOS, 2002).
O blindado M3A1 Stuart de origem norte-americana, desenvolvido no cenário
antecedente da II GM, teve seu batismo de fogo durante a guerra no teatro de operações do
16
Pacífico em 1941, na defesa das Filipinas, também foi empregado contra alemães e italianos
em 1943 no deserto da Tunísia.
O Brasil que até então utilizava a doutrina militar francesa (que foi desenvolvida durante
a I GM), sendo essa doutrina considerada obsoleta para o contexto e tensão que o mundo vivia
com a II GM, assim nessa época passou a ter forte influência da doutrina norte-americana, logo
passou a receber armamentos e materiais. Em setembro de 1941 o EB recebeu os 10 primeiros
blindados, em fevereiro de 1942 seriam recebidos mais 20 CC, sendo complementados por mais
200 M3 Stuart que foram sendo entregues em lotes até fins de 1944. Até o término do conflito
o exército brasileiro viria a receber um total de 437 Stuart (ARMAS NACIONAIS, 2013).
O M3A1 Stuart possui como armamento principal um canhão de 37 mm, quatro
metralhadoras calibre .50, proteção blindada de 15-43 mm. Em relação ao sistema de tiro
possuía um visor ótico simples e a sua torre girava numa amplitude máxima de 90º, o que
dificultava muito a ação do atirador do carro em terreno aberto, sendo uma grande limitação
nos campos de batalha (ARMAS NACIONAIS, 2013).
Com o advento da Segunda Guerra Mundial (II GM), o Brasil que inicialmente era
neutro, após sofrer uma série de ameaças à sua soberania, por parte dos alemães, resolveu
juntar-se aos aliados (EUA, França, Inglaterra e União Soviética). Esses fatos acarretaram na
declaração de guerra à Alemanha e aos países do EIXO (Alemanha, Japão e Itália), com isso o
Brasil cede aos americanos uma série de territórios para bases norte-americanas e como resposta
recebeu alguns benefícios.
Esses benefícios foram orientados pelo acordo Lend-Lease (Lei de empréstimo e
arrendamento, com esse acordo os EUA tinham condições, mesmo antes de entrar na guerra, de
auxiliar os aliados com equipamentos militares e após o término do conflito o pagamento por
esses materiais não foi exigido), que viabilizou a transferência de equipamentos militar de uso
geral e armamentos para as Forças Armadas do Brasil. Este acordo é ainda marcante por ser o
momento em que começamos a romper com o modelo de doutrina francesa, e passamos a
receber grande influência do modelo de doutrina militar norte-americana, como já foi citado
anteriormente.
17
2.2.1 Sherman M4
Durante sua existência os M4 Sherman foram operados também pela Escola de Moto-
mecanização, 2º Batalhão de Carros de Combate, 6º Regimento de Cavalaria Blindada, 9º
Regimento de Cavalaria Blindado e Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Mesmo
com algumas limitações na operação dos motores radiais Wright Continental R975 Whirlwind
a gasolina, geradores auxiliares e caixas reguladoras devido a problemas no fluxo de peças de
reposição, a frota brasileira de M4 Sherman sempre apresentou bons indicadores e
disponibilidade sendo este patamar atingido graças a soluções “caseiras” das equipes de
manutenção que empregaram desde componentes dos motores das aeronaves Stearman A-76
desativados da Força Aérea Brasileira (FAB) até componentes retirados dos antigos M-3 Lee
(ARMAS NACIONAIS, 2015).
“A verdade é que, a despeito das deficiências citadas, os Sherman durante grande parte
de sua carreira no 1° BCC tiveram um altíssimo índice de operacionalidade, muito
maior que a de outros blindados do Exército, conforme podemos comprovar mediante
tabela comparativa entre outras unidades que operavam blindados no Rio de Janeiro nos
anos 1951 e 1952” (HIGUCHI; BASTOS JR, 2008, p. 27).
Contudo, mesmo com grande importância os M41 nunca receberam uma manutenção
eficiente. Muitos veículos acabaram danificados pela aplicação de componentes de baixa
qualidade e falta de peças originais para reposição em pontos críticos do carro, como: retentores,
mangueiras e linhas hidráulicas, causando há médio e longo prazo muitos desgastes e problemas
em outros componentes vitais dos carros. A decisão de economizar algumas centenas de dólares
por veículo trouxe consequências negativas, afetando assim a disponibilidade de um carro de
combate que custava mais de meio milhão de dólares, por outro lado é citado como exemplo o
país vizinho Uruguai, que com uma frota de apenas 22 veículos M-41, adquiria mais peças
originais que o Brasil (BASTOS, 2011).
Para mudar esse quadro de dificuldades na manutenção da frota de M-41 foi conduzido
estudos visando um programa de modernização, onde além de substituir o grupo motriz
(gasolina de alta octanagem e com faltas de peças de reposição) importado por um nacional
(propulsor Scania DS 14 V8 a diesel), previa-se também a substituição do armamento principal
que era um canhão M32 de 76 mm, pois sua munição que era importada, não estava mais sendo
produzida nos EUA, sendo incluído um canhão 90 mm, estes estudos foram conduzidos pelo
Parque Regional de Motomecanização da 2° Região Militar (PqRMM/2), Centro de Tecnologia
22
blindagem planejada pelos engenheiros seria a de face endurecida (2ª geração), no qual a
definição prevê forte dureza externa e grande maneabilidade interna, e seria produzida por
indústrias nacionais. No caso das torres foi planejado um canhão raiado de 105 mm (L7/M68).
Outros itens foram importados, como suspensão, lagartas, motor, transmissão, periscópios de
visão noturna, telêmetro laser e computador de tiro, tudo que existia de mais moderno no
mercado. (BASTOS, 2011).
O contexto histórico desta época foi marcado por um cenário mundial favorável ao
desenvolvimento da indústria de itens de defesa devido a desejosos mercados para
equipamentos bélicos o primeiro protótipo recebeu o nome de P.1, pronto em maio de 1985,
após muitos testes, embarcou rumo a Arábia Saudita para participar de uma avaliação na escolha
de concorrentes para uma grande licitação, de cerca de oitocentos carros de combate, que
poderia gerar novas vendas naquela região.
No país árabe o veículo impressionou as autoridades sauditas e foi, em conjunto com
mais três modelos, selecionado para participar de uma nova disputa. Seus oponentes se tratavam
de nada menos do que havia de mais qualificado em carros de combate no mundo, sendo eles o
AMX-40 da França, o Challenger inglês e o M-1 A1 Abrams americano. Esse fato concretizou
que as previsões da Engesa, de desenvolver e produzir um blindado brasileiro a altura do que
existia de mais moderno e sofisticado no mundo, daquela época, estavam corretas (BASTOS,
2011).
25
Mesmo com grande euforia e entusiasmo por parte dos Brasileiros sobre o futuro
convênio com os árabes, no meio de tudo isso o Iraque invadiu o Kuwait e na corrida
armamentista o fornecedor que tinha armas a pronta entrega era os americanos. Logo a Arábia
Saudita acabou comprando o M1 Abrams. Assim ficou evidenciado que mesmo com a enorme
capacidade bélica demonstrada pelo Osório, os laços políticos entre os Estados Unidos e a
Arábia Saudita foram mais fortes acarretando com o acordo de ambas as partes (POGGIO,
2015).
O inconveniente foi que mesmo obtendo êxito no campo técnico o Osório foi derrotado,
externamente, no campo político, perdendo um mercado muito promissor que seria o da Arábia
Saudita. Internamente, adicionado a perda da disputa, aconteceu a falência da Engesa, que
decretada em 1993, surpreendeu a todos e desfez todo o conhecimento ali produzido. Não se
sabe exatamente os motivos que acarretaram na falência da empresa, de qualquer forma muitos
veículos, ainda na linha de montagem, viraram ferro velho e alguns outros sucateados, como a
cabeça de série do EE-T1 Osório, que cortado a maçarico foi vendido como sucata. (BASTOS,
2011).
Com certeza, a produção do Osório proporcionaria grandes desafios ao Brasil, contudo,
seriam desafios de extrema importância que forneceriam ótimos frutos a força terrestre. Se o
projeto fosse levado em frente o lucro não seria só com a exportação do carro de combate, mas
26
também teríamos pela primeira vez veículos de última geração, com enorme tecnologia
embarcada e, principalmente, fabricado e desenvolvido no país, trazendo grande crescimento
para a indústria de defesa bélica nacional.
Encontra-se preservados dois protótipos, que atualmente se encontram um no museu
Conde de Linhares, no Rio de Janeiro, e que quase foi leiloado, e outro no Centro de Instrução
de Blindados (CI Bld) em Santa Maria, RS. A conservação de ambos os blindados é muito
importante, especialmente no que tange ao adestramento da tropa blindada brasileira, na
concepção, design, armamento e seu próprio conceito, que foi previsto para atender nossas
necessidades. Com certeza é de fundamental importância que todos integrantes das unidades de
carros de combate pudessem ver e comparar esse blindado com os demais, o que colaboraria
muito a sua formação como combatente blindado (BASTOS, 2011).
EUA uma proposta de 91 carros de combate M60 A3 TTS pertencentes aos excedentes do
exército norte-americano, pelo valor de 12 milhões de dólares. A respeito do ponto de vista
econômico e técnico se tratava de uma proposta interessante, sendo aceita pelo Exército
Brasileiro em 1996. Os primeiros Carros de combate M60 chegaram no Brasil em 1997, sendo
distribuídos ao Centro de Instrução de Blindados no Rio de Janeiro-RJ, 4° Regimento de Carros
de Combate em Rosário do Sul (RS), 5º Regimento de Carros de Combate, em Rio Negro (PR)
e a Escola de Material Bélico, no Rio de Janeiro (RJ) (ARMAS NACIONAIS, 2015).
A aquisição do M60 trouxe a tropa blindada o acesso a tecnologias inéditas embarcadas
em veículos blindados, como os sistemas Tank Thermal Sight (equipamento de visão noturna
passiva e residual), telêmetro laser, computador balístico M21, tiro estabilizado e indireto, além
de possuir uma blindagem mais resistente, que possuía um ângulo mais íngreme, aumentando
assim a eficiência da blindagem, dotado de um motor mais potente que seu antecessor e
principalmente no armamento com um canhão de 105 mm e alcance de 4 km, mais poderoso
que o canhão M32 de 76 mm do M-41. Como limitação o M-60 apresentou o inconveniente de
que seu peso de deslocamento ser inadequado em algumas regiões devido a estrutura rodoviária
e ferroviária nacional não ter sido dimensionada para operação e transporte de blindados desta
categoria. Contudo, apesar desta limitação esse carro de combate gerou um importante legado
de doutrina operacional para o Exército Brasileiro (ARMAS NACIONAIS, 2015).
Apesar das unidades apresentarem algumas pequenas diferenças entre si (fruto de
programas de melhorias e modernizações), a versão A3 incorpora todos os desenvolvimentos
da família M60, possuindo visores noturnos termográficos, permitindo a identificação de alvos
camuflados, ver através poeira, chuva etc.; e enxergar a noite. Tem alta mobilidade, ainda que
seu peso e tamanho tenham causados muitos problemas nos quartéis, os quais não estavam
preparados para recebê-los e acabaram sendo colocados nos mesmos espaços dos M-41, que
eram de outra categoria (BASTOS, 2011).
Seu armamento principal é o canhão 105 mm L-7, raiado, podendo realizar tiros em
movimento, com alcance útil de 4 km, possui também uma metralhadora M240-H coaxial 7,62
mm e uma metralhadora antiaérea .50, na torre do comandante. Pode ultrapassar cursos d’água
de até 1,2m sem preparo e até 2,4m com preparo. Sua guarnição é de 4 militares, dispondo de
sistemas hidráulicos e de estabilização do canhão, computador de controle de tiro,
equipamentos de telemetria laser, podendo atuar em ambiente químico, biológico e nuclear
(QBN). Foi projetado com a finalidade de proporcionar o tiro de canhão a longas distâncias,
sobre uma plataforma estabilizada, com elevada probabilidade de acerto, mesmo contra alvos
em movimento e sob qualquer condição climática e de visibilidade. (BASTOS, 2011).
28
Sobre a proteção blindada o M-60 possui uma blindagem de segunda geração, formada
por aço de face endurecida, que é capaz de suportar o impacto de munições de maior penetração
do que a blindagem de primeira geração. Essa referida blindagem chega a atingir a espessura
de até 120 mm na parte frontal, possuindo assim, um bom grau de proteção. Como limitação, é
desfavorecido pela sua alta silhueta que no combate contra outro CC acaba ficando exposto à
observação e condução do tiro inimigo, e apresenta uma maior área a ser impactada (VERAS,
2015).
O M-60 é considerado um carro de combate que está na segunda geração e após passar
por uma modernização ganhou como melhoria uma câmera de imagem infravermelha passiva
ou imagem térmica para combates em situações de visibilidades adversas e para detectar alvos
camuflados. Seu canhão e computador de tiro foi adaptado para disparar novas munições de
energia cinética, que são dardos de metal (muito duro), que disparados a altas velocidades,
conseguem penetrar blindagens grossas superiores a 500 mm (50 cm). Esses dardos de metal
quando disparados de um canhão de 105 mm consegue perfurar até 58 cm, ele é feito de
tungstênio ou urânio empobrecido (DOS SANTOS, 2012).
por essa organização militar e os demais estão sendo utilizados para a reposição de peças para
os blindados em emprego, organizando assim a cadeia logística desse carro de combate. Vale
ressaltar, a atuação do Parque Regional de Manutenção da 5º Região Militar - PqRMnt/5 em
Curitiba, responsável por realizar toda a manutenção do blindado, e que mesmo com
adversidades realiza um excelente trabalho, incluindo a nacionalização de alguns componentes,
como barras de torção e almofadas de lagartas.
“O M-60 A3 TTS (Tank Thermal Sight) acabou sendo o melhor carro de combate em
operação na América do Sul, superior a todos os empregados pelos demais países da
região, a partir da sua aquisição e uso, só sendo superado quase dez anos depois,
quando o Chile adquiriu aproximadamente uma centena de Leopard 2A4 da Alemanha,
negociações que iniciaram-se por volta de 2005, mas que não representam ameaças
para nós” (BASTOS, 2012).
Com esse cenário, surgiu uma boa oportunidade de negócio; o Leopard 1 A1, a oferta
venho do governo da Bélgica, contudo o carro é de origem alemã, envolvendo unidades usadas
do carro de combate, que se encontravam estocadas e que anteriormente haviam pertencido ao
Exército belga. Esse negócio veio como uma boa oportunidade para o Brasil solucionar alguns
pertinentes problemas relacionados a tropa blindada, porém essa oportunidade de negócio, por
um lado tinha o propósito de solucionar antigas limitações da força, mas por outro lado esse
contexto também orientou o país a uma situação de exagerada dependência tecnológica
estrangeira.
2.2.6 Leopard 1 A1
controle de tiro EMES 12A1 e visão noturna PERI R12 proporcionando novas perspectivas a
família Leopard (ARMAS NACIONAIS, 2014).
secundário de tiro, quando o SACT não puder ser empregado. A TZF oferece ao At a
possibilidade de vigiar o campo de batalha e observar o tiro, apontar e corrigir os tiros, é dotado
de um reticulo OTAN. Já a luneta TRP 2 A é o instrumento de tiro do Cmt CC, permitindo a
este: vigiar o campo de batalha; observar e corrigir o tiro; executar a transferência de um alvo
para o At; controlar o trabalho do At; e avaliar distâncias. O periscópio permite a realização de
tiro direto a noite, condução do CC a noite, estabelecimento do posto de vigilância e observação
de um determinado setor imposto, etc. (BRASIL, 2000).
A família Leopard 1 que foi elaborada na década de 50, sendo preferido a mobilidade
em relação a proteção blindada, fato esse agravado nos dias atuais devido a evolução das armas
anticarro (AC) e a predominância dos combates urbanos. O Leopard 1 A1 possui a blindagem
de segunda geração do tipo face endurecida, cuja solução consiste em duas chapas de aço
soldadas, e após fundidas em forma de “sanduíche” de forma que a chapa frontal seja
endurecida por processos térmicos e a segunda chapa, a interna desenvolvida com um aço com
maior tenacidade, mais mole e deformável para absorver a onda de choque (SANTOS, 2017).
Contudo, ao longo dos anos a frota de Leopard 1 A1 enfrentou deficiências graves em
sua cadeia logística, proporcionando altos indicies de indisponibilidade (este fato se deu a
inexistência de qualquer contrato de prestação de serviço, manutenção ou apoio logístico do
fabricante e também devido a elevada idade dos CC adquirido). Com a compra do Leopard 1
A5 e a assinatura de um contrato com a empresa alemã KMW (Krauss-Maffei-Wegmann,
fabricante do CC), para a manutenção preventiva e corretiva e a reposição de peças, o Leopard
1 A1 acabou definindo sua aposentadoria. Uma parte do efetivo mobília os RCB (exceção do
20° RCB, dotado por M-60), os demais estão sendo desmontados e suas peças estão servindo
de reposição ao Leopard 1 A5 BR. Assim encerrou-se seu breve período de serviço ao Exército
Brasileiro, além de trazer importantes lições e aprendizagens a tropa blindada.
2.2.7 Leopard 1 A5 BR
técnicas, em 2006 a escolha teve uma definição, optou-se pela escolha de um lote de Leopard
1 A5 repotencializados, oriundos da Alemanha, e batizados de VBC CC Leopard 1 A5 BR.
Com a compra desse CC, o EB também realizou um contrato com a KMW, fabricante
do blindado, para o apoio logístico e reposição de peças, formando uma sólida cadeia logística
em suporte a manutenção dos blindados. Dessa forma, segundo ANNES “o projeto de aquisição
do Leopard 1 A5 revitalizou a espinha dorsal da cavalaria blindada brasileira e atingiu os
objetivos a que se propôs” (2017).
O Leopard 1 A5 BR é atualmente empregado pelos 1º, 3º, 4º e 5° Regimentos de Carros
de Combate (RCC), sediados respectivamente em Santa Maria/RS, Ponta Grossa/PR, Rosário
do Sul/RS e Rio Negro/PR.
A guarnição do carro de combate é composta, por quatro militares: o Tenente ou
Sargento Comandante do Carro de Combate, o Cabo Atirador, o Soldado Auxiliar do Atirador
e o Cabo Motorista (BRASIL, 2011).
Cabe ressaltar a atuação do CI Bld no treinamento e capacitação de militares para o
melhor trato possível com o CC. Segundo GEOVANINI, o objetivo final é o de que nossas
guarnições sejam submetidas a um programa de treinamento que as faça prosperar em um
ambiente caótico e incerto, fornecendo ferramentas e atributos afetivos que permitam o
desenvolvimento de combatentes física e mentalmente ágeis, adaptáveis, e que enfrentem
quaisquer circunstâncias de combate (2018).
Sobre a proteção blindada, a blindagem do Leopard 1 A5 BR é de segunda geração do
tipo face endurecida e conta com uma blindagem espaçada na torre e na saia lateral. Segundo
ANNES “O Leopard 1 A5 possui blindagem de 70 (setenta) mm na parte frontal e 35(trinta e
cinco) mm nas laterais, além de uma blindagem adicional espaçada de 5 (cinco) mm, contra
munição de carga oca, nas laterais e na torre” (2012).
“Uma das maiores vantagens fornecidas pela superioridade de uma VBCCC em relação
à outra é o maior alcance do armamento principal, que confere a possibilidade de
engajar alvos blindados inimigos sem estar dentro do alcance útil deles. Essa situação
se denomina “Standoff”. O computador de tiro, o EMES18 e o canhão 105mm do
35
3 REFERENCIAL METODOLÓGICO
Foi realizada uma revisão literária a fim de obter conhecimento sobre a evolução dos
Carros de Combate dentro do Exército Brasileiro. Então, para este estudo, foram selecionados
os blindados a partir da Segunda Guerra Mundial utilizados pelo Brasil.
A pesquisa se caracteriza do tipo qualitativa por atender as necessidades apresentadas
acerca da problemática do trabalho. As variáveis da pesquisa foram: as limitações, sistema de
tiro e blindagem de cada Carro de Combate apresentado.
A escolha do tema e a delimitação ocorreu no projeto pesquisa, no mês de setembro de
2019, a seguir veio a problematização na qual foi estabelecido a questão a ser solucionada.
Durante a elaboração do plano de desenvolvimento foi feito a estrutura das partes que compõe
o trabalho, na identificação das fontes realizou-se o levantamento do material para ser analisado
em fevereiro de 2020, através de uma observação sistemática. Foram selecionados livros,
manuais do EB, artigos de opinião, sites (relacionados a temas militares) e revistas. Com o
intuito de suprir as necessidades que o trabalho se propôs a solucionar.
Dessa forma, após a coleta, foi organizado o sistema de análise da leitura do material,
evidenciando as informações relevantes ao estudo, voltado para o objetivo da pesquisa que é a
descrição dos carros de combate e sua análise. Estas etapas se deram a partir do método descrito
pelo livro de Iniciação a Pesquisa Cientifica da AMAN e o texto foi escrito conforme as normas
da ABNT.
3.2 MÉTODOS
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
evidenciado também que as atualizações são constantes e mudam de acordo com o determinado
cenário e época que o Brasil vive.
40
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
e essencial para a sobrevivência da nossa força. Conclui-se, que mesmo atendendo parcialmente
de maneira geral as necessidades do Brasil, a evolução dos carros de combate poderia ter
priorizado o desenvolvimento e investimentos na indústria bélica nacional, pois assim teríamos
blindados de origem brasileira e principalmente a posse da sua tecnologia embarcada, a
produção e fabricação.
42
REFERÊNCIAS
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comparativa entre o Leopard 1A5BR versus o chileno Leopard 2A4. Brasília, 2012.
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Exército Brasileiro 1921-1942. Rev. Da Cultura, ano I nº 2 jul/dez 2001. Disponível em:
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[Link]
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maio de 2020.
43
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maio de 2020.
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Editorial, 2008.
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M3 & M3A1 Stuart no Exército Brasileiro. Armas Nacionais, 2013. Disponível em:
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M41 & M41A3 Walker Bulldog. Armas Nacionais, 2014. Disponível em:
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maio de 2020.
POGGIO, Guilherme. Engesa EE-T1 Osório. Começo, meio e fim de um bom projeto e um
mau negócio. FORTE forças terrestres, 2015. Disponível em:
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SANTOS, Neison. Proteção blindada. O que faz de um tanque, um tanque. 2017. Disponível
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44
VERAS, Tiago Eduardo S. CC M60 A3 TTS, da 4ª BDA C MEC, comparado aos CCs do
TO do CMO. Brasília, 2015. Disponível em:
[Link]
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