O Vencedor
Junho 2025 a Setembro 2025
O CAMINHO DA PAZ
ENSINAMENTO BÍBLICO
PARA PROMOVER O
CRESCIMENTO ESPIRITUAL
O Vencedor
Versão em Português: Volume XXII Número 1 junho 2025.
Traduzida por João [Link].
Revisada por Paulo [Link].
Publicada pela Editora Restauração.
Editada por João Alfredo F. Barros.
Original em Inglês: Volume CV1I Número 1 março2025.
Fundada pela Sra. Jessie Penn-Lewis em 1909.
Publicada por The Overcomer Literature Trust.
Editada por Mark McNaughton.
Diretor Executivo Michael Metcalfe.
Conteúdo:
O CAMINHO DA PAZ
Página
PAZ
Thomas Watson ............................................................................... 1
CARTAS DO EDITORES ....................................................................... 3
UM TESTEMUNHO DA PAZ
Sra Jessie Penn-Lewis ..................................................................... 4
O PRÍNCIPE DA PAZ
Gordon B. Watt ............................................................................... 4
A CRUZ
David hamshire ............................................................................ 9
O CAMINHO DA PAZ, ANDAR NO PODER DO ESPÍRITO
SANTO
Dra Marion Ashton .......................................................................... 11
PAZ PERFEITA
J.C. Metacalfe ................................................................................. 15
Toda correspondência concernente a esta Editora Restauração - Revista “O Vencedor”
revista, doações para custear a sua Caixa Postal: 1945
publicação, etc., deve ser enviada para:
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CEP 80.011-970
e-mail: editor@[Link]
1
“Então Gideão edificou ali um altar ao Senhor, e chamou-lhe: o
SENHOR é paz.” (Jz 6.24)
PAZ
Thoma Watson
“Graça e paz vos sejam multiplicadas” (1 Pe 1.2).
Quais são os tipos de paz?
Em primeiro lugar, há a paz externa, que é a paz em uma família.
Em segundo lugar, a paz política no estado. “Ele é o que põe em paz os
teus termos, e da flor da farinha te farta” (Sl 147.14). Como é agradável quando
vemos a paz.
Em terceiro lugar, a paz na Igreja. Assim como a unidade na Trindade
é o maior mistério no Céu, a unidade na verdade é a maior misericórdia na
Terra. A paz na Igreja é o oposto da divisão e da perseguição.
Em quarto lugar, uma paz espiritual, que é dupla: paz com Deus e paz
dentro de nós. Outras pazes podem ser duradouras, mas essa é eterna.
De onde vem essa paz?
Deus, o Pai, é “o Deus da paz” (1 Ts 5.23).
Deus, o Filho, é o “Príncipe da paz” (Is 9.6). O Senhor Jesus Cristo é o
comprador da paz. Ele fez a paz por meio de Seu sangue. “E que, havendo por
ele feito a paz pelo sangue da sua cruz [...]” (Cl 1.20). Cristo comprou a nossa
paz, pois Sua alma estava em agonia, enquanto Ele operava para trazer paz ao
mundo.
A paz é o “fruto do Espírito” (Gl 5.22). O Espírito Santo coloca a paz
na consciência humana. Ele capacita nossa consciência a entender a verdadeira
obra da graça, e assim a paz flui para a alma. Portanto, a paz vem quando o Pai a
decreta, o Filho a compra e o Espírito Santo a aplica.
Como saberemos que temos verdadeira paz?
A verdadeira paz flui da união com Cristo. Portanto, primeiro
precisamos estar unidos a Cristo antes de recebermos a paz d'Ele. Pela
santidade nos tornamos semelhantes a Cristo; por crer nos tornamos um com
Cristo; e estando em Cristo, temos paz. “Tenho-vos dito isto, para que em mim
tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o
mundo” (Jo 16.33).
A verdadeira paz flui da submissão a Cristo. Ele dá paz e estabelece
2
Seu governo no coração. “Do aumento deste principado e da paz não haverá fim
[...]” (Is 9.7). Cristo é chamado de “sacerdote no seu trono” (Zc 6.13). Cristo,
como sacerdote, faz a paz, mas Ele será um sacerdote em Seu trono e Ele
submete o coração a Ele. Se Cristo é a nossa paz, Ele é o nosso Príncipe (Is 9.6).
A verdadeira paz vem depois dos problemas. Muitos dizem que têm
paz, mas essa paz é antes ou depois da tempestade? A verdadeira paz vem
depois dos problemas. “E depois do terremoto um fogo; porém também o
Senhor não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada” (1 Rs
19.12). Deus derrama o óleo dourado da paz em corações quebrantados.
O que precisamos fazer para obter essa abençoada paz?
Vamos pedir isso a Deus. Ele é o Deus da paz e acalma a alma em
fúria. Assim como o deserto não pode regar a si mesmo, mas permanece seco e
ressecado até que as nuvens deixem cair sua umidade, nosso coração não pode
ter paz até que Ele a dê a nós por meio de Seu Espírito. Portanto, ore: “Senhor,
Tu és o Deus da paz, crie a paz. Tu és o Príncipe da Paz, ordene-a. Dê-me essa
paz”.
Se você quer paz, faça guerra contra o pecado. “E sucedeu que, vendo
Jorão a Jeú, disse: Há paz, Jeú? E disse ele: Que paz, enquanto as prostituições
da tua mãe Jezabel e as suas feitiçarias são tantas?” (2 Rs 9.22). Não há paz
quando o pecado permanece. Se você quer paz com Deus, rompa a aliança com
o pecado. Ele nos prometeu vitória: “Porque o pecado não terá domínio sobre
vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6.14).
Busque a paz no sangue de Cristo. Alguns buscam a paz em sua
própria justiça, não na de Cristo. Eles buscam a paz em sua vida santa, não na
morte de Cristo. Se sua consciência estiver perturbada, não tente acalmá-la
com obrigações. Esse não é o caminho certo para a paz. As obrigações não
devem ser negligenciadas, mas não idolatradas. Olhe para o sangue aspergido
(Hb 12.24).
Ande perto de Deus. A paz flui da pureza. “E a todos quantos andarem
conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles [...]” (Gl 6.16). O Espírito de
Deus é um purificador, bem como um consolador.
Do livro A Body of Divinity (Um corpo de divindade).
3
CARTAS DOS EDITORES
Prezados amigos:
O tema desta edição é “O Caminho da Paz”. Nosso Senhor Jesus
Cristo conquistou para nós na Cruz do Calvário a shalom, que em hebraico
significa “a paz e a prosperidade da alma”. É tanto a paz com nosso Criador,
sabendo que nossos pecados foram perdoados, quanto o descanso para nossa
alma, sabendo que temos um relacionamento com nosso Deus e um lar no Céu.
Nossos artigos nesta edição tratam principalmente do tema da paz bíblica, com
um artigo sobre a Cruz.
Em Cristo,
Mark
Amados irmãos:
O legado que o profeta Isaías deixou no capítulo 53 de seu livro
esconde riquezas insondáveis sobre a obra consumada pelo Senhor Jesus no
Calvário. No versículo 5 lemos: “[..] o castigo que nos traz a paz estava sobre ele
[...]”. O significado mais profundo dessas palavras é difícil de alcançar, já que se
trata de uma questão que muitas vezes preferimos evitar, que é o castigo.
Sem sombra de dúvida, tudo o que o homem merece é o castigo por
todas as maldades que fez e continua fazendo. As consequências do pecado são
terríveis, é só olhar para os noticiários de hoje. O homem está indo sempre de
mal a pior, não há solução para ele.
Graças a Deus, Ele providenciou a única solução para o homem
enviando Seu Único Filho para salvá-lo do pecado dele. Na cruz, Jesus, o
Cordeiro perfeito de Deus, tomou sobre si todos os pecados dos homens e
pagou por eles. Não somente isso, mas tomou o próprio velho homem e o
crucificou com Ele. Esse é o castigo que o homem merece, a morte.
Tendo Jesus tomado sobre Ele o nosso castigo, hoje pela fé podemos
ter paz. A paz que vem d'Ele e que é Ele mesmo vivendo em nós. O preço da paz
foi muito elevado para Deus, por isso hoje nossa atitude em relação ao castigo
que merecemos deve ser de recebê-lo de braços abertos e com fé. Se já
morremos com Ele, com Ele viveremos em paz.
João Alfredo
4
UM TESTEMUNHO DE PAZ
Sra Jessie Penn-Lewis
Fui criada no coração da vida religiosa do País de Gales, pois meu avô
era um conhecido pregador galês. A casa de meu pai era um ponto de encontro
para os ministros que passavam por lá para realizar a obra do Mestre. Minhas
lembranças de infância se concentram nas visitas deles e nas grandes reuniões
das escolas dominicais, quando eu, ainda criança, me assentava no meio dos
mais velhos no “grande banco”, ouvindo com interesse a voz do ministro. “Mas
o amor leal do Senhor, o seu amor eterno está com os que o temem, e a sua
justiça com os filhos dos seus filhos” (Sl 103.17). Mas, como acontece às vezes
com crianças criadas na igreja, a verdadeira mudança interior de coração só
aconteceu depois que me casei e me mudei para a Inglaterra. Então, isso
ocorreu sem a ajuda de ninguém, mas o dia, o dia de Ano Novo, e a hora estão
gravados em minha mente.
Eu tinha um desejo profundo e íntimo de saber que era uma filha de
Deus. Peguei minha Bíblia pouco lida da prateleira, folheei suas páginas, e
meus olhos se depararam com as palavras: “O Senhor fez cair sobre ele a
iniquidade de todos nós” (Is 53.6). Então novamente, uma virada casual nas
páginas sagradas e a palavra “aquele que crê tem a vida eterna” (Jo 6.47). Um
rápido confronto com o fato de que eu realmente cria que Deus havia colocado
meus pecados sobre o Cordeiro de Deus na cruz. Uma pausa para me
maravilhar com o fato de que ela realmente dizia que eu teria a vida eterna se
simplesmente cresse na Palavra de Deus. Um rápido clamor de “Senhor, eu
creio”, e mais uma alma havia passado da morte para a vida, um troféu da graça
de Deus e do amor d'Aquele que morreu. O Espírito de Deus testemunhou
instantaneamente com meu espírito que eu era uma filha de Deus, e uma
profunda paz encheu minha alma.
O PRÍNCIPE DA PAZ
Gordon B. Watt
Esse é o último nome dado ao Senhor Jesus Cristo por Isaías, e isso é
apropriado, pois é o nome que significa a conclusão de Sua obra e a coroa de
Suas vitórias.
É quando Ele vier como Príncipe da Paz que os governos da Terra
cessarão. Com o estabelecimento do Seu Reino, estas palavras se tornarão
literalmente verdadeiras: “Do aumento deste principado e da paz não haverá
fim [...]” (Is 9.7).
5
A necessidade do mundo hoje é do Príncipe, que é maravilhoso em
conselho, força, amor e poder.
As páginas do Antigo Testamento brilham com a glória do futuro. Ela
será de fato o Dia do Filho do Homem. Sozinho, Ele trilhou o caminho do
sacrifício para a redenção do mundo. Reis, governantes e povos conspiraram e
se uniram para matá-lO, mas naquele Dia, que certamente não está longe, os
monarcas e presidentes das nações, com seus súditos e concidadãos, se
curvarão diante d'Ele e O saudarão como Príncipe e Rei.
Será o Dia de Descanso para o mundo sofredor. Amaldiçoado pelo
pecado, devastado pela guerra, sobrecarregado pela tristeza e manchado de
sangue, a libertação dele será concretizada em Seu advento.
Como o Príncipe da Paz, Cristo dará início à era de ouro com a qual as
nações sonham há tanto tempo e que os profetas do Antigo Testamento
retrataram como um dia longo e sem nuvens, chamado de Sabbath do mundo.
Lord Tennyson cantou sobre isso:
Anunciai o fim das velhas formas de doença imunda,
Anunciai o fim do desejo mesquinho de ouro,
Anunciai o fim das mil guerras de outrora,
Anunciai a chegada dos mil anos de paz,
Anunciai a chegada do homem valoroso e livre,
O coração maior e a mão mais gentil,
Anunciai o fim das trevas da Terra,
Anunciai a chegada do Cristo que está por vir.
O coração da humanidade anseia pelo fim das guerras das nações,
dos problemas dos povos e da amargura das tribos, que têm causado tanto
desastre. Responder a esse clamor, banir a doença, seja ela física ou moral, e
lidar com o egoísmo e o pecado que destrói serão parte da grande estratégia do
Príncipe da Paz.
Todo mundo que encarar os fatos do momento de forma inteligente e
honesta dirá: “É isso que queremos e precisamos”.
O Evangelho de Deus traz essa mensagem de esperança em sua
proclamação de que o Príncipe está chegando. O advento de Cristo gerará pura
alegria. Com Seu aparecimento, as nuvens escuras serão dissipadas, e o sol da
justiça se levantará com a cura em Suas asas.
A palavra “Príncipe” em hebraico significa “Cabeça” ou “Líder”. É
exatamente disso que o mundo precisa hoje. Um Cabeça que possa guiar e um
Líder que liderará. A raiz do significado da palavra hebraica é “ter domínio”.
Isso não é verdade para nenhum governante terreno. As coroas e os
tronos caíram como folhas de outono, e nenhum rei, presidente ou estadista
6
tem qualquer garantia de segurança em sua posição. O ídolo do povo pode em
breve se tornar o alvo de seu ódio.
Há apenas um que realmente detém o domínio. Ele é o vindouro
Príncipe da Paz, cujo reino é eterno. O mundo é Seu direito de primogenitura.
Deus deu ao primeiro Adão a soberania absoluta sobre a Terra e tudo o que ela
continha, mas ele falhou, e sua coroa caiu da cabeça. O segundo Adão era o
Senhor do Céu e Ele foi bem-sucedido onde o primeiro Adão foi derrotado.
Por meio de Sua morte no Calvário, Ele desfez os problemas da queda
no Jardim do Éden e, no solo, derramou Seu sangue e reconquistou o domínio.
Seu advento finalmente quebrará o poder do usurpador Satanás, lançando-o
no Abismo.
Nada pode privar o Senhor Jesus do que é Seu direito de conquista.
O profeta mencionou duas grandes bênçãos que serão o resultado de
Sua aparição como o Príncipe da Paz.
Em primeiro lugar, um governo que, por sua grandeza, magnificará
em toda parte a glória de Deus e a verdadeira alegria e prosperidade da
humanidade. A maior necessidade do mundo é um governo forte, estável e
justo. Hoje em dia, isso não é encontrado em lugar algum, nem a condição das
nações oferece muita promessa de que esse governo venha a existir.
O que os humanos estão tentando alcançar agora são apenas sombras
e não podem ser outra coisa até que o Reino seja estabelecido na Terra, o único
que pode garantir a segurança e a justiça. Os políticos veem um vislumbre de
luz para o futuro. Os socialistas não estão errados em alguns de seus ideais, pois
eles são revelados na Palavra de Deus, mas estão equivocados em seus métodos
para alcançá-los.
A perfeição divina nunca pode ser alcançada de forma natural, devido
ao inevitável choque de interesses egoístas, orgulho humano e preconceito. Um
estado ideal só pode ser o resultado de um governo ideal. Portanto, a única
esperança do mundo está no advento do Governador Ideal.
Ele está chegando, e Seu nome é o Senhor Jesus Cristo. Seu título é o
Príncipe da Paz e, quando Ele aparecer, alvorecerá o dia do nascimento do novo
mundo, quando essas palavras serão verdadeiras:
Seu nome perdurará para sempre,
Durará tanto quanto o sol,
Os humanos serão abençoados n'Ele, e abençoadas
Serão todas as nações que Ele chamar.
Outro fato importante a respeito do governo do Príncipe é que será
marcado por uma grandeza contínua. Nada a respeito do Seu governo ou leis
será reacionário ou limitado. Seu governo controlará as nações à medida que
7
Seu Espírito aprofundar Seu domínio sobre a humanidade.
Os governados serão energizados pelos objetivos do Governante.
Então, essas maravilhosas leis do Sermão do Monte serão colocadas em plena
operação e obedecidas perfeitamente. Elas pertencem, em sua verdade, ao
dia do Reino de Deus sobre a Terra. Esse Reino só poderá possuir as nações
quando o Rei vier. As guerras cessarão, e os ideais mais elevados serão
alcançados.
Em segundo lugar, outro resultado da vinda do Príncipe será a dádiva
de uma Paz que nunca termina.
Se perguntássemos hoje às nações o que elas mais desejam, a
resposta provavelmente seria: “paz real e duradoura”. Em nosso país,
precisamos dessa paz para resolver os problemas urgentes que são tão graves.
O mundo não está em um estado de paz. Há forças ao redor com a
intenção de causar danos, e forças ocultas estão trabalhando para provocar
uma catástrofe. Não é preciso ser profeta para ver que, por trás dessa agitação e
do conflito entre os povos, há poderes em ação, que não são humanos, mas
satânicos. E deve-se comparar a condição visível do mundo com as profecias
das Escrituras para entender que não pode haver paz duradoura e universal até
o retorno do Príncipe.
A palavra “paz” em hebraico significa completude, integridade,
solidez e segurança.
Qualquer tratado de paz atual contém pouco desses elementos, não
sendo completo, íntegro nem sólido. Todos eles são fracos e não podem gerar
segurança. O mundo, neste momento, está à beira de um vulcão. Mas a paz do
Príncipe será perfeita, e Sua paz não terá limites. Será uma paz em constante
desenvolvimento, pois ela será devida à presença do próprio Rei, e somente
então a mensagem do Natal será realmente verdadeira: “Glória a Deus nas
alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens” (Lc 2.14).
Um falecido bispo de Durham escreveu em relação ao sermão
pregado por ele em uma conferência da igreja: “De forma um tanto deliberada,
confessei minha expectativa de que, em pouco tempo, o Retorno, em
majestade, do Cristo ressuscitado e ascendido, o único e verdadeiro Rei da
humanidade, chegará. Não se trata de um mistério simbólico, mas de um
evento supremo”.
O retorno de Cristo não é um fato porque alguma pessoa ilustre
acredita nele e o proclama. Tampouco é uma fantasia porque outros o negam e
ridicularizam.
É um fato porque Deus o declara, e Sua Palavra o afirma. Sobre esse
fato, o Senhor Jesus Cristo, nas palavras mais solenes, disse: “Por isso, estai vós
8
apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não
penseis” (Mt 24.44).
Ouça que som, divino demais para ser ouvido,
Movimenta-se na Terra e treme no ar!
É o trovão da aparição do Senhor?
É a música das orações de Seu povo?
Certamente Ele vem, e milhares de vozes
Clamam aos santos e aos surdos e mudos,
Certamente Ele vem, e a Terra se regozija,
Alegre em Sua vinda, Aquele que jurou: Eu virei.
Isso Ele fez e não devemos adorá-lO?
Isso Ele fará e ainda podemos nos desesperar?
Venha, vamos rapidamente nos prostrar diante d'Ele,
Lançar a Seus pés o fardo de nossos cuidados.
Brilhe em nossos olhos o fluxo de nosso agradecimento,
Alegre e arrependido, confiante e calmo,
Então, por toda a vida e do que há depois da vida,
Emocione-se com a música incansável de um salmo.
Sim, pela vida, pela morte, pela tristeza e pelo pecado,
Ele será suficiente para mim, pois Ele já foi suficiente,
Cristo é o fim, pois Cristo foi o princípio,
Cristo é o princípio, pois o fim é Cristo.
“Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à
tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que, vindo de
improviso, não vos ache dormindo” (Mc 13.35-36).
Do livro The Name That Shall Endure (O nome que perdurará).
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá.
Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (Jo 14.27)
9
A CRUZ
David Hamshire
Tendo ouvido inúmeros sermões nos últimos oitenta anos, lembro-
me de apenas um em que discordei do orador. Ele disse, incorretamente, que
Adão e Eva haviam comido o fruto da Árvore da Vida. Deus havia dito a Adão:
“E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim
comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não
comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16-
17). Quando Deus baniu Adão e Eva do jardim, foi para impedi-los de ter acesso
à Árvore da Vida. Deus disse: “Eis que o homem é como um de nós, sabendo o
bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da
vida e coma”, e a humanidade “viva eternamente” (Gn 3.22). Observe a
identificação de “nós”, que registra a pluralidade de Deus.
Qual era, portanto, o propósito da Árvore da Vida e por que era
necessário protegê-la da pecaminosidade de Adão, da concupiscência de sua
carne, da concupiscência de seus olhos e de sua soberba?
A próxima grande referência bíblica à Árvore da Vida vem no fim da
Bíblia. Em Apocalipse 22, o último capítulo da Bíblia, é-nos dito:
“E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como
cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No
meio da sua praça, e de um e de outro lado do rio, estava
a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu
fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a
saúde das nações. E ali nunca mais haverá maldição
contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do
Cordeiro, e os seus servos o servirão” (v. 1-3).
A palavra maldição é traduzida como “anátema”, que significa
alienação de Deus na tradução grega do Antigo Testamento hebraico, a qual era
usada pela Igreja primitiva.
Nesse relato, há uma série de representações que podem ser confusas
para o cristão novato. Por exemplo, por que se diz que a Árvore da Vida dá doze
frutos, e que a árvore dá fruto a cada mês? Há uma árvore ou há doze árvores? E
por que não há mais maldição? Em Gênesis, sabemos que houve uma maldição
após a desobediência de Adão. Então, por que a Árvore da Vida é apresentada
no início e no fim dos tempos?
A cruz na qual Jesus morreu é um tipo da Árvore da Vida. Sua cruz
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nunca foi uma maldição. Deus disse que as árvores eram “boas”, e uma das
razões é porque elas produzem oxigênio para nós (Gn 2.9). É por isso que as
árvores foram criadas antes das pessoas. Foi Aquele que foi pregado em uma
árvore que se tornou uma maldição. Foi a sua incapacidade de absorver
oxigênio suficiente que causou a morte de Jesus. Deuteronômio 21.22-23
explica o motivo:
“Quando também em alguém houver pecado, digno do
juízo de morte, e for morto, e o pendurares num
madeiro, o seu cadáver não permanecerá no madeiro,
mas certamente o enterrarás no mesmo dia; porquanto
o pendurado é maldito de Deus; assim não
contaminarás a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá
em herança.”
Quando o livro de Deuteronômio foi escrito, a crucificação não era
um meio de execução. Foi somente centenas de anos depois que a crucificação
passou a ser usada como um meio de levar as pessoas à morte. Então, por que
há tanta incerteza entre muitos cristãos sobre a relevância da cruz de Jesus?
Para alguns, ela é um item de reverência e eles a veem como um símbolo de sua
fé. Para outros, incluindo muitos evangélicos, a cruz está entre outras formas
de punição, como a forca ou a guilhotina. Eles acham que a cruz não tem
nenhum significado importante, a não ser o fato de que foi assim que Jesus foi
condenado à morte.
Observe que não estou dizendo que a cruz de Jesus foi formada a
partir da árvore descrita em Gênesis como a Árvore da Vida. No entanto, o que
estou dizendo é que vejo que a cruz tem a mesma função da Árvore da Vida por
causa d'Aquele que morreu na cruz, ou seja, o Príncipe da Vida, ou, conforme
declarado em uma nota de rodapé em uma Bíblia, “O Originador”. Veja Atos
3.15.
Embora a cruz de Jesus apareça nos Evangelhos, Paulo, o apóstolo,
escreveu muitas vezes sobre a cruz e como ela é fundamental para mensagem
do Evangelho. Por exemplo, em Efésios 2.16, Paulo escreve sobre o fato de
sermos reconciliados com Deus “por meio da cruz”. E, ao escrever aos coríntios,
Paulo lembra que, quando Jesus o enviou para pregar o Evangelho aos gentios,
Ele o fez porque Paulo não se sobressaía com palavras sábias: “Porque Cristo
enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de
palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã” (1 Co 1.17). E ao escrever para
os gálatas, Paulo diz: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se
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maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado
no madeiro”, ou seja, a cruz (Gl 3.13).
Hoje nos deparamos com as mesmas escolhas que Adão e Eva
enfrentaram. Podemos buscar as coisas do conhecimento, do bem e do mal, ou
podemos olhar para Jesus, “autor e consumador da fé”, a quem Deus
“constituiu herdeiro de todas as coisas, por quem fez também o mundo” (Hb 1.2
e 12.2). Jesus estava no princípio com Deus, Seu Pai, por isso acho que há algo
realmente convincente tanto na Árvore da Vida quanto na cruz em que Jesus
morreu.
O CAMINHO DA PAZ, ANDAR NO PODER DO
ESPÍRITO SANTO
Dra Marion Ashton
Uma das coisas mais belas que foram ditas sobre o Senhor Jesus
pouco antes de Ele vir a este mundo está registrada em Lucas 1. Diz: “A fim de
dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” (v. 79). Existe um “caminho da paz”.
Eu costumava pensar na paz como uma “coisa” que eu poderia pedir a Deus
para me dar. “Ó Deus, dá-me a tua paz e envia a tua paz ao meu coração”. Mas
agora acho que a coisa mais importante a perceber é que existe um caminho de
paz ou senda de paz e que, se eu quiser a paz de Deus, preciso aprender a andar
nesse caminho.
A melhor maneira de entendermos esse caminho de paz é vê-lo
ilustrado na vida do Senhor Jesus. Em nenhum outro lugar vemos o caminho
da paz perfeitamente demonstrado. Sua vida foi vivida em meio à tensão, e não
foi uma vida tranquila e protegida. Ele conhecia o estresse das circunstâncias e
a pressão das exigentes multidões, de modo que às vezes não comia nem
dormia. Ele conhecia o antagonismo dos inimigos e de Seus próprios parentes.
Conhecia as tensões específicas relacionadas à convivência com um grupo de
homens. Ele conhecia o estresse de todo tipo de sofrimento físico e mental que
culminou na cruz. E, além de tudo isso, tinha contra si a força dos poderes das
trevas. No entanto, em tudo isso, Ele andava em perfeita paz.
Ao observarmos a vida do Senhor Jesus Cristo, talvez o maior
princípio geral que vemos é que o caminho da paz é trilhado no poder do
Espírito Santo.
Após Seu batismo, lemos em Lucas 4 que “Jesus, cheio do Espírito
Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto; e quarenta dias foi
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tentado pelo diabo [...]” (v. 1-2). Depois, no versículo 14: “Então, pela virtude do
Espírito, voltou Jesus para a Galileia [...]” e novamente no versículo 18 Ele
disse: “O Espírito do Senhor está sobre mim [...]”. E assim por diante, durante
toda a Sua vida, Ele estava cheio do Espírito. Ele foi guiado pelo Espírito, viveu
e operou no poder do Espírito e era evidente que o Espírito do Senhor estava
sobre Ele, até que, finalmente, foi por meio do Espírito eterno que Ele se
ofereceu sem mácula a Deus (Hb 9.14).
Ora, se o caminho da paz é trilhado no poder do Espírito, ele não é
trilhado no poder da carne ou pelo esforço humano. Com muita frequência, os
jovens cristãos, depois de nascerem de novo do Espírito, tentam viver a vida
com o poder de seus próprios esforços, e isso não traz paz, a vida se torna mais
difícil e trabalhosa. Já ouvi isso ser chamado de lei dos rendimentos
decrescentes. No início, há certos resultados de uma certa quantidade de
esforço, mas, com o passar do tempo, há um esforço cada vez maior e resultados
cada vez menores, até que se chega a um ponto em que o cristão clama em
desespero: “Se esta é a vida cristã, vou desistir”.
Se quiser conhecer a paz em meio à tensão, você precisa aprender o
segredo de uma vida vivida no poder do Espírito, e não por seus próprios
esforços.
Somente o próprio Espírito Santo pode lhe ensinar esse segredo.
Talvez você não tenha certeza se está vivendo no poder do Espírito ou não e, por
isso, é útil observar duas coisas na vida do Senhor que mostram o fato de que
Sua vida foi vivida no poder do Espírito. Essas duas coisas serão cada vez mais
evidentes na vida de qualquer cristão que esteja aprendendo com a experiência
a viver pelo Espírito.
(a) A vida do Senhor Jesus era sobrenaturalmente natural. Muitas
vezes, no início de nossa vida cristã, fazemos grandes esforços para produzir
um tipo de vida não natural. O Senhor Jesus era totalmente natural, não havia
insinceridade ou atitudes antinaturais. Ele estava à vontade e era natural, no
sentido correto da palavra. Não estou usando a palavra da mesma forma que
Paulo a usou quando falou da pessoa “natural” (1 Co 2.14). Estou usando-a
como um contraste com a pessoa insincera.
Os cristãos que tentam andar no poder do esforço humano são
insinceros, e aqueles que aprenderam a andar no poder do Espírito são
sobrenaturalmente naturais, a vida que levam é o resultado natural da vida
interior do Espírito. Fomos feitos para sermos dominados pelo Espírito de
Deus, todo o nosso ser funciona suavemente sob o controle do Espírito. Essa é a
razão pela qual o cristão que está vivendo no poder do Espírito está andando no
caminho da paz. O caminho da paz para o funcionamento de qualquer máquina
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é o modo como ela foi feita para funcionar. Fomos criados para funcionar de
forma natural e pacificamente sob o poder do Espírito de Deus.
É possível ter uma ideia errada do que queremos dizer quando
falamos sobre o “eu” e o “eu” que precisa ser crucificado. Estamos nos referindo
ao princípio do egocentrismo, não à personalidade. Deus criou cada um de nós
com uma personalidade distinta, que não deve ser esmagada ou morta, mas
sim libertada pelo Espírito de Deus, de modo que, se eu estiver vivendo sob o
controle do Espírito, estarei livre para ser eu mesmo como Deus quer que eu
seja, e esse é o caminho da paz.
(b) O Senhor Jesus era totalmente dependente do Pai. Essa
dependência completa do Pai pode ser resumida em Suas próprias palavras:
“Eu vivo por causa do Pai” (Jo 6.57).
Isso significava que Ele não era escravo de nada nem de ninguém,
exceto do Pai. Quando aprendemos a viver nossa vida no poder do Espírito,
somos cada vez mais libertos da escravidão às coisas e às pessoas e nos
tornamos cada vez mais dependentes somente do Pai. Esse é o caminho da paz,
pois muitas vezes é essa escravidão a coisas e pessoas que nos tira a paz.
Quando olho para mim mesma, especialmente quando era uma jovem cristã,
vejo alguém preso às opiniões dos outros. Minha mente não era livre, eu estava
presa ao sentimento de que deveria pensar e crer em certas coisas porque eram
as coisas certas para os cristãos crerem. Eu não era livre em meus hábitos no
que dizia respeito à vida cristã. Eu queria me adequar a um padrão de quietude
na leitura da Bíblia, oração e testemunho, mas quando não conseguia manter o
padrão, perdia a paz e me sentia frustrada e culpada. Nessas e em outras coisas,
eu estava muito presa à opinião dos outros.
Quando olho para o Senhor Jesus, vejo algo totalmente diferente. Ele
estava livre das opiniões dos outros. Sua mente estava livre para ser controlada
somente pelo Pai. Se pensarmos na religião de Sua época, cheia de
formalidades e tradições, é maravilhoso ver como Ele era totalmente livre da
escravidão de tudo isso. Ele era livre para manter as formalidades, se essa fosse
a vontade de Seu Pai, ou romper com elas, se não fosse. Ele era livre para aceitar
a tradição ou romper com ela. Então, pensando em Seus hábitos, havia ordem,
mas não escravidão à ordem. Ninguém que observasse Sua vida teria a
impressão de desordem. Havia ordem em Sua vida de oração, ordem em Seus
hábitos alimentares e de sono, mas Ele não era controlado por essa ordem. Ele
permanecia em paz e calmo quando as circunstâncias interrompiam Sua vida
ordenada, cortando o tempo para dormir e comer e interrompendo o descanso.
O mesmo acontece em uma vida vivida no poder do Espírito. Nossa
mente e nossos pensamentos são livres para serem guiados pelo Pai, e não para
14
serem moldados pelo que os outros pensam e dizem. Não há desordem, Deus
não é um Deus de confusão. Há ordem, mas não escravidão à ordem. Somos
dependentes do Pai a cada momento, portanto, quando nossa vida ordenada é
interrompida, não reagimos com ressentimento e frustração. Somos livres para
sermos influenciados pelas opiniões dos outros, mas não somos escravos
dessas opiniões, porque o Espírito nos liberta para sermos finalmente
dependentes apenas da opinião do Pai.
Se o caminho da paz é trilhado no poder do Espírito, e não por nosso
próprio esforço, como ocorre a transferência? Se você já tentou viver a vida
cristã por meio do esforço humano e descobriu que é impossível, como você vai
fazer a mudança e começar a viver no poder do Espírito?
Gostaria que você desse uma olhada em Ezequiel 37.1-10. Nessa visão
do vale de ossos secos, acho que temos uma imagem perfeita da maneira como a
transferência ocorre.
O Senhor mostrou a Ezequiel um vale cheio de ossos secos e lhe fez a
seguinte pergunta: “Filho do homem, podem estes ossos viver?”. A resposta de
Ezequiel foi: “Soberano Senhor, só tu sabes” (Ez 37.3). Parecia tão impossível
que ele não conseguia dar uma resposta. Então o Senhor lhe disse para falar
com os ossos e dizer a eles que fizessem apenas uma coisa. Eles deveriam “ouvir
a Palavra do Senhor” (v. 4). E a Palavra do Senhor para eles foi: “Farei entrar em
vocês o fôlego, e vocês voltarão à vida” (v. 5). Eles deveriam ouvir o Senhor lhes
dizer que Ele faria algo, que faria com que o fôlego entrasse neles.
O princípio fundamental a todos os procedimentos de Deus conosco
é o de ouvir a Palavra do Senhor. Nascemos de novo quando ouvimos Sua
Palavra em nosso coração a respeito de nossa salvação, e todos aqueles que
descobriram o segredo de viver e andar pelo poder do Espírito o descobriram
como resultado de ouvir o Senhor dizer algo a eles.
Se você deseja conhecer esse segredo, sugiro que pare de procurar
algum tipo especial de experiência e vá para um lugar tranquilo, sozinho, e
pegue um versículo como: “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que
andeis [...]” (Ez 36.27). Em seguida, medite sobre ele até que o Senhor o diga no
fundo de seu coração. Isso é algo que Ele fará, não algo que você deva fazer. Ele
colocará Seu Espírito dentro de você e o levará a seguir n'Ele. Muitas pessoas
ouviram a Palavra do Senhor dessa forma por meio de João 15, a parábola da
videira e dos ramos, ou por meio de “quanto mais dará o Pai celestial o Espírito
Santo àqueles que lho pedirem” (Lc 11.13). É quando ouvimos o Senhor nos
dizer que a vida cristã é vivida por Ele fazendo algo em nós pelo Seu Espírito, e
não por nossos esforços, que paramos nossos próprios esforços e começamos a
andar no poder do Espírito.
15
Devemos lembrar que Ezequiel estava profetizando sobre o que
ainda estava no futuro, ou seja, o Pentecostes, o derramamento do Espírito
Santo. Para nós, que nascemos de novo pelo Espírito, o Senhor dirá: “Porei o
Meu Espírito em vós e os farei andar n'Ele” (Ez 36.27). Tudo o que precisamos é
nos apossar pela fé daquilo que é nosso, daquilo que está em nós. A. J. Gordon
disse: “Não o que temos, mas o que sabemos que temos por meio de uma fé
consciente e apropriada determina nossa riqueza espiritual”.
Naquela passagem em Ezequiel 37, ele foi instruído a fazer outra
coisa. O Senhor lhe disse: “Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e
dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e
assopra sobre estes mortos, para que vivam” (v. 9). Ezequiel fez isso e, como
resultado, o sopro entrou neles, e eles viveram e se puseram em pé.
Talvez alguns conheçam o segredo de viver uma vida no poder do
Espírito, mas têm amigos que precisam de sua ajuda para descobrir esse
segredo. Talvez esta seja uma palavra para alguns que sejam capazes de ajudar
outras pessoas dessa maneira. Você fez o que Ezequiel foi instruído a fazer e,
com suas próprias palavras, disse a eles que ouvissem a palavra do Senhor.
Então, a outra coisa a fazer é entrar em seu quarto e profetizar pelo Sopro, o
poderoso Espírito de Deus, e você tem a permissão do Senhor para dizer:
“Assopra sobre estes mortos, para que vivam” (v. 9). Deus responderá a essa
oração de fé, e você verá aqueles que está procurando ajudar a aprenderem a
viver e a andar no poder do Espírito.
Do livro The Way of Peace in the Midst of Tension (O caminho da paz em meio à
tensão).
PAZ PERFEITA
J.C. Metcalfe
As maravilhosas palavras da bênção que Deus ordenou a Moisés que
Arão, o sumo sacerdote, pronunciasse ao povo de Israel têm significado muito
para mim ao longo dos anos. Elas se encontram nestas palavras: “O Senhor te
abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha
misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” (Nm 6.24-
26).
Aqui são demonstrados o amor e a misericórdia de Deus pelos
homens e mulheres pecadores, e Seu desejo de que conheçamos e desfrutemos
plenamente da paz n'Ele.
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Quando me dediquei a estudar esse assunto, decidi que precisava me
restringir principalmente aos Salmos e ao Evangelho de Lucas. Portanto, nossa
primeira parada será no Salmo 4: “Em paz também me deitarei e dormirei,
porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança” (v. 8).
E: “O Senhor dará força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo
com paz” (Sl 29.11). Não há dúvida aqui. Ele quer abençoar Seu povo com a
paz, e não pode quebrar Sua palavra.
O Salmo 34 nos incentiva: “Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a
paz” (v. 14). Devemos nos lembrar de que todas as dádivas de Deus para nós
precisam ser buscadas de todo o coração. Elas são tão grandes que não podem
ser dadas a menos que sejam humildemente recebidas e colocadas em prática.
No salmo seguinte, encontramos Davi falando de seus inimigos:
“Pois não falam de paz; antes projetam enganar os quietos da terra” (Sl 35.20).
Uma coisa é certa: o inimigo de nossa alma fará tudo o que puder para destruir a
paz do povo de Deus, mas podemos sempre descansar sabendo que, se
confiarmos n'Ele, a paz que Deus nos dá não poderá ser tirada.
Isso é confirmado no Salmo 37, onde nos é dito: “Nota o homem
sincero, e considera o reto, porque o fim desse homem é a paz” (v. 37). Não se
trata aqui de perfeição sem pecado. O Senhor sabe, assim como aqueles que
confiam plenamente n'Ele, que não existe tal coisa para pecadores como nós,
mas que esse é o nosso alvo se quisermos realmente glorificá-lO. Isso, por si só,
nos trará paz.
Em seguida, vamos para o Salmo 55: “Livrou em paz a minha alma da
peleja que havia contra mim; pois havia muitos comigo” (v. 18). Isso me faz
lembrar do incidente em que os sírios enviaram um grande exército para
capturar o profeta Eliseu, e como o servo dele quase entrou em pânico. Mas
Eliseu orou: “Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o Senhor
abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros
de fogo, em redor de Eliseu” (2 Rs 6.17). Não importava que houvesse muitos
contra o escritor desse salmo, porque toda a força de Deus está do lado daqueles
que confiam n'Ele. Essa não é uma lição fácil de aprender, como bem sei em
minha própria vida, mas é verdadeira. Deus nunca deixa desamparados
aqueles que depositam sua confiança no Senhor Jesus. Ele é o nosso Salvador e
“porque ele é a nossa paz [...]” (Ef 2.14).
No Salmo 119, encontramos uma declaração de fato: “Muita paz têm
os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” (v. 165). Um comentário
sobre isso em um livro antigo diz: “Aqueles que amam a lei encontram nela uma
fonte de constante paz interior com Deus, não por meio de nosso próprio
17
esforço, mas pelo Senhor Jesus, crucificado por nós, e vivo para todo o sempre”.
Dessa forma, temos “muita paz”.
Nunca devemos nos esquecer de que vivemos em um mundo hostil ao
Evangelho, e esse é o pensamento por trás do Salmo 120. “A minha alma
bastante tempo habitou com os que detestam a paz. Pacífico sou, mas quando
eu falo já eles procuram a guerra” (v. 6-7). Enquanto escrevo, um verso de um
antigo e adorável hino continua vindo à minha mente:
Paz perfeita neste mundo sombrio de pecado?
O Sangue de Jesus sussurra paz interior.
Aconteça o que acontecer no mundo ao redor, nada pode roubar esse
legado de paz daqueles que pertencem a Ele.
Três versículos do Salmo 122, 6 a 8, revelam o anseio do escritor pela
bênção da paz sobre Jerusalém, mas o povo de Israel perdeu completamente o
caminho e trouxe sobre si a destruição que Ele anunciou de forma tão clara e
triste, conforme registrado em Lucas 19. “Ah! se tu conhecesses também, ao
menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos
teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de
trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados; e te derrubarão, a ti e
aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre
pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação” (v. 42-44).
Assim como os judeus daquela época não conseguiram receber o
Príncipe da Paz, a tragédia de nosso mundo moderno é que Ele foi deixado de
lado, e as nações do mundo infelizmente perderam seu caminho.
No Salmo 125, o desejo apaixonado do escritor é expresso da seguinte
forma: “Quanto àqueles que se desviam para os seus caminhos tortuosos, levá-
los-á o Senhor com os que praticam a maldade; paz haverá sobre Israel” (v. 5).
Precisamos ter a mesma mentalidade e desejar ver Sua Igreja crescendo,
prosperando e em paz, em nossos dias.
O Salmo 147 nos oferece um pensamento simples, que podemos
transformar em oração para nossos dias e nossa geração: “Ele é o que põe em
paz os teus termos [...]” (v. 14). É somente a Ele que podemos nos voltar, e
somente Ele pode realizar isso.
Evangelho de Lucas
No capítulo 1, ouça o sacerdote Zacarias fazendo seu discurso
profético após o nascimento de seu filho João. Ele disse: “E tu, ó menino, serás
chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir ante a face do Senhor, a
preparar os seus caminhos; para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na
remissão dos seus pecados; pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus,
com que o oriente do alto nos visitou; para iluminar aos que estão assentados
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em trevas e na sombra da morte; a fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da
paz” (v. 76-79). Há uma bela tradução em que o termo “oriente do alto” é
traduzido como “sol nascente”, e isso nos fala da aurora da paz permanente.
Dessa forma, uma nova possibilidade se abriu para a humanidade. Deus viria
na pessoa de Seu Filho para trazer paz aos corações pecadores de uma forma
que antes era impossível. Não é de surpreender, portanto, que nos seja dito no
capítulo 2: “E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos
exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz
na terra, boa vontade para com os homens. E aconteceu que, ausentando-se
deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até
Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber” (v. 13-14).
Deus jamais poderia ter revelado Seu amor pela humanidade de forma mais
completa e surpreendente do que essa.
No mesmo capítulo, temos o cântico de louvor de Simeão. Ele estava
esperando havia muito tempo pela prometida vinda do Redentor e Rei do
mundo. Quando viu o menino Jesus, “ele, então, o tomou em seus braços, e
louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a
tua palavra; pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste
perante a face de todos os povos; luz para iluminar as nações, e para glória de
teu povo Israel” (Lc 2.29-32).
No capítulo 7, lemos sobre a ocasião em que Jesus foi convidado para
uma refeição na casa de um fariseu e, durante a refeição, uma mulher pecadora
veio e lavou os Seus pés, secando-os com os cabelos. Em resposta ao protesto do
fariseu, o Senhor Jesus não apenas o repreendeu, mas disse à mulher para “ir
em paz” (v. 50). Antes disso, ela só tinha sua vergonha a perturbando dia após
dia. Agora, uma vida totalmente nova se abriu diante dela e, pela primeira vez,
ela pôde confortar seu coração com o conhecimento do perdão completo e, por
meio desse perdão, conhecer uma paz profunda e duradoura.
No capítulo 8, é contada a história de outra mulher que estava doente
havia anos e ninguém podia fazer nada por ela, mas ela disse a si mesma que se
pudesse tocar o Senhor seria o suficiente para garantir a cura. Quando ela fez
isso, o Salvador parou e disse: “Alguém me tocou, porque bem conheci que de
mim saiu virtude” (v. 46). Tanto Ele quanto a mulher sabiam que a cura dela
estava completa, e, com medo e tremendo, ela confessou o que havia feito, e
com muita gentileza e bondade foi-lhe dito: “Vai em paz” (v. 48). Ela, assim
como a mulher do capítulo 7, teve uma porta aberta diante de si para uma nova
vida de liberdade e paz.
O Senhor deu instruções a Seus discípulos quando os enviou em uma
viagem de pregação, e eles levaram Seu dom da paz, no capítulo 10. Eles não
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deveriam levar nada com eles, mas deveriam depender da hospitalidade das
pessoas que encontrassem. Foi-lhes dito: “E, em qualquer casa onde entrardes,
dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz,
repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós” (v. 5-6). A paz é um
bem valioso que não deve ser dado ou recebido levianamente.
No capítulo 11, encontramos uma declaração que não pode ser
negada e que fala de quietude e paz. Diz o seguinte: “Quando o valente guarda,
armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem; mas, sobrevindo outro
mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que
confiava, e reparte os seus despojos” (v. 21-22). Esse é um retrato de como
Satanás mantém as pessoas em seu poder, com falsa paz em seus corações, mas
quando o Senhor da Glória recebe um pecador perdido sob Seus cuidados, isso
não pode acontecer. Ele tem todo o poder no Céu e na Terra. Podemos, é
verdade, preferir seguir nosso próprio caminho e enfrentar a consequente
perda, mas Ele nunca pode ser roubado de Seus próprios filhos, que se
renderam a Ele e estão confiando n'Ele. Ele lhes dá Sua paz.
Paz para hoje
No capítulo 12, vemos o tipo de mundo em que todos nós vivemos. Ele
é dominado pelo mal. À luz disso, podemos entender um pouco do que o
Salvador tem a dizer: “Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo,
mas antes dissensão” (v. 51), e Ele prossegue salientando que, ao encontrar paz
com Ele, isso também trará divisão nas famílias, religiões e nações, porque os
seres humanos estão determinados a seguir seu próprio caminho e deixar de
lado as reivindicações d'Ele.
Isso é enfatizado de uma maneira um pouco diferente no versículo 32
do capítulo 14. Nunca podemos nos satisfazer com nada em um mundo
decaído. Se desejamos a verdadeira paz, será somente aceitando o chamado
para segui-lO no mesmo caminho de completa abnegação pelo qual Ele andou.
Não podemos estar em paz com Deus e com o mundo ao mesmo tempo. Isso
não poderia ser dito de forma mais clara. Decidir entre o mundo e o Salvador é
muito eficaz, determinará nosso destino eterno.
O capítulo 19 conta a história da entrada triunfal em Jerusalém. As
multidões que acompanhavam o Senhor gritavam alegremente em louvor a
Ele: “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas
alturas” (v. 38). Isso não agradou aos fariseus, que disseram: “Mestre,
repreende os teus discípulos. E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se
estes se calarem, as próprias pedras clamarão” (v. 39-40).
Ao olhar para a cidade que se estendia diante d'Ele, somos
informados de que Ele chorou e disse: “Ah! se tu conhecesses também, ao
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menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos
teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de
trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados; e te derrubarão, a ti e
aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre
pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação” (v. 42-44).
O historiador Josefo escreveu sobre a destruição total da cidade pelos
romanos, que foi o cumprimento dessas palavras. Eles não quiseram receber o
Rei da Paz e O crucificaram, e, ao fazê-lo, privaram-se de qualquer esperança de
paz.
O Rei vivo
Um último incidente registrado nesse evangelho mostra que a cruz
não foi o fim. No terceiro dia, o Rei ressuscitou dos mortos, e encontramos o
glorioso fato registrado no capítulo 24. Os discípulos, amedrontados, estavam
reunidos, perguntando-se se poderiam estar a salvo da ira dos chefes dos
sacerdotes, quando chegaram os dois de Emaús e lhes contaram como tinham
visto o Senhor na casa deles, “e falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se
apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco” (v. 36). Mais
tarde, Ele os enviou à missão mundial deles para proclamar “o arrependimento
e a remissão dos pecados” (v. 47).
Paulo, assim como esses primeiros discípulos, foi a todos os lugares
pregando o Evangelho, e nos diz de forma simples e clara: “Ele é a nossa paz”
(Ef 2.14).
Hoje, séculos depois, nestes dias de tão profunda necessidade, cabe a
nós apontar continuamente para Ele e levar essa mensagem vital até os confins
da Terra em nossa geração: “Ele é a nossa paz”.
A Revista "O Vencedor" Editora Restauração,
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