Historicidade do problema não veio – texto histórico precisa encaixar com o objeto
Categorias, operadores de leitura que ajudam a contar a história atual
Problematize, justifique, prepare a história dos coletivos
A política não veio do nada
NARRATIVA
Apoliticismo como projeto político
Dagmar Herzog, “Cold War Freud”, a “neblina conservadora” foi um projeto!, do Jones
em 1949!
capítulo 3 da tese, denominado “Políticas do Segredo em História da Psicanálise”
Lucia Valladares (Oliveira C. L., 2017) ou Aline Rubin (Rubin, Mandelbaum, & Frosh,
2016): a neutralidade clínica é o álibi decisivo para a auto-demissão da participação
política de grande parte dos psicanalistas durante a ditadura civil-militar brasileira. A
essa conclusão pretendemos somar o argumento de Zaretsky: o apoliticismo era, na
verdade, profundamente político porque pautado na ética da maturidade, servindo às
elites tanto da Guerra Fria no contexto norte- americano quanto às elites do poder no
contexto da ditadura brasileira.
O boom da psicanálise durante a ditadura civil-militar brasileira
ALVES LIMA
como pôde a psicanálise no Brasil alcançar o ápice de seu processo de expansão
justamente durante a ditadura civil-militar brasileira entre 1964 e 1985?
a política do segredo em história da psicanálise. Parte-se do pressuposto do
autoritarismo de crise no golpe militar de 1964, configurando a aliança de ocasião
com setores liberais da sociedade civil. Os movimentos oficiais respondem pela via
da criação do que foi denominado de mito nacional do pedigree, presente enquanto
modalidade historiográfica singular e enquanto fundação de recursos editoriais de
estabilização de conceitos e práticas.
Com o endurecimento do regime militar nos últimos anos da década de 1960, há
uma redistribuição do jogo de forças, cuja resposta intelectual das resistências à
ditadura ligadas à psicanálise se assentam no freudo-marxismo de um lado e, de
outro, o alinhamento oficialista das práticas e conceitos sob a égide da ética da
maturidade. Devido à infiltração do argumento ideológico da “guerra psicológica”, o
campo se descaracteriza em chave heterônoma, sob o paradoxo do processo de
grande popularização do freudismo a que se denomina boom da psicanálise.
Exceções e ponto de virada
Caso Amílcar Lobo
Não é acidental que quando se fala em história da psicanálise no Brasil durante o
regime militar a primeira lembrança que vem à mente, independente da geração e
mesmo para psicanalistas fora do país, é a história desse caso. Entende-se o caso
Amílcar Lobo como a última catástrofe em diversos níveis, uma catástrofe institucional
no nível mais aparente, mas em camadas mais profundas uma gigantesca catástrofe
ética e política cuja marca na história da psicanálise no Brasil exige reexames até hoje.
Da segunda metade dos anos 1970 em diante, quando o regime ensaia a distensão e
inclui o horizonte da transição democrática, consolida-se tanto o milagre da
multiplicação legítima dos processos instituintes dos movimentos psicanalíticos
quanto uma biblioteca crítica psicanalítica, responsáveis clínica e intelectualmente
pela quebra da hegemonia ipeísta no Brasil.
a ditadura civil-militar brasileira impôs aos movimentos psicanalíticos um
processamento heterônomo de consolidação e expansão no país, cuja história de
distorções de fronteiras entre espaços civis e militares gerou colaborações e
resistências.
Não seria exagerado afirmar que o escândalo do caso Amílcar Lobo marcaria uma
reconfiguração profunda no jogo de forças dos movimentos psicanalíticos nacionais.
apreciação delas é necessária inclusive para que se entenda o estado atual do debate
psicanalítico no Brasil uma vez que, se é verdade que ela formaria intelectualmente
toda uma geração atuante no Brasil, ela certamente não deixará de ter efeitos de
transmissão para as gerações vindouras.
Com isso pode- se confirmar que sim, há não apenas sobrevivências mas também
expansões heterônomas nos cenários políticos mais nefastos. P.485
Inserção da psicanálise na cultura e no discurso social brasileiro
A construção de uma bibliografia crítica
Campo histórico
Alves Lima
Bulamah
Oliveira
2017 – Clínicas públicas de Freud – Danto
Modernidade Brasileira – Dunker
Clínico
Dunker – ontologia diagnóstica
Debieux – clinico-política
A psicanálise é cis-normativa. Ambra
Da indissociabilidade entre clínica e política em psicanálise. Beer e Franco
Maneiras de transformar mundos: Lacan, política e emancipação – Safatle
TRABALHOS CLÍNICOS – bibliografia sobre o SUS... o público
Presença no SUS: Ana Cristina Figueiredo – Vastas Confusões e Atendimentos
Imperfeitos
Maria Epele – Entre a escuta e o escutar: psicanálise, psicoterapia e pobreza urbana
em Buenos Aires
Patricia Gherovici – Psychoanalysis in the Barrios
Psychoanalysis in the Barrios: Race, Class, and the Unconscious de la psicoanalista
argentina, radicada en Estados Unidos, Patricia Gherovici.
Iniciativas clínicas que vão acompanhando essas revisões
Margens...
2013, BOLSONARO E PANDEMIA
Junho e os dez anos que abalaram o Brasil (2013-2023). Orgs: Carolina Freitas, Douglas
Barros e Felipe Demier
Violência estatal – anuário fórum brasileiro de segurança pública – 2023
Angústias chegaram a um ápice insustentável
“Political Freud” do Eli Zaretsky - ele vai demonstrando como as pressões sociais são
decisivas na história da psicanálise
De um lado, um contexto nefasto
De outro, movimentos sociais – feminista, trans, negro – 4ª onda
Marília moschovich,
PSICANÁLISE: PRÁTICA, DISCIPLINA E DISCURSO SOCIAL
3 acepções do que é psicanálise: Prática, disciplina institucional, discurso social -
modernismo, neo modernismo
RESUMO
Pressão por mudanças vinha de todos os lados: da teoria, das práticas, do contexto
social.
Responsáveis pelo boom – teóricos, clínicos e o social
Materiais dos coletivos
Psicanálise, militância e distribuição de renda
texto: Escuta ético política na (trans) formação de analistas periféricos (João Sales &
Marília de Magalhães)
DISCUSSÃO
PSICANÁLISE E MILITÂNCIA
Psicanálise, militância e distribuição de renda
texto: Escuta ético política na (trans) formação de analistas periféricos (João Sales &
Marília de Magalhães)
Escutas em instituições de educação e de saúde
texto: Práticas analíticas e práticas sociais (Félix Guattari)
Paulo Arantes – formação. Debate nacional tem 3 grandes vozes: tradição crítica
brasileira, militância – no brasil, passam por uma visão de trabalho
A novidade dos coletivos é tentar fazer as duas.
Negócio concorrente
Vamos fazer crítica
Militancia
Apesar dos argumentos levantados, parece que estamos distantes da superação
da neutralidade como uma postura desejável ao analista. Por quê? Parece-me que
quando tomamos a neutralidade em seu sentido originário, isto é, como a qualidade
do analista de se manter imparcial “quanto aos valores religiosos, morais e sociais, isto
é, não dirigir o tratamento em função de um ideal qualquer” (Laplanche e Pontalis,
1982, p. 318), abrir mão dessa postura nos traria problemas clínicos, uma vez que
desde Freud (1919) “recusamos enfaticamente transformar o paciente, que se entrega
em nossas mãos buscando ajuda, em nossa propriedade, formar o seu destino para
ele, impor-lhe os nossos ideais e, com a altivez do Criador, formá-lo à nossa
semelhança, para a nossa satisfação” (p.x).
Desde modo, poderíamos novamente reproduzir em análise uma situação de
violência, como aquela apontada anteriormente. Em outras palavras, a alternativa à
postura clássica (de suposta imparcialidade e “isenção” de julgamento) tampouco está
isenta de reproduzir violências no consultório.
Para Lacan (1975), entre os operadores que tornam possível ao analista a escuta
de um sujeito, está o ‘desejo do analista’: “para conduzir um tratamento, o analista
entra no jogo como objeto que causa a fala do sujeito, deve ser capaz de pôr o sujeito
em movimento, e, para isso, obedece a condições, este é seu lugar-função.” (p.91).
Sob essa perspectiva, para que a operação clínica seja possível, o analista precisa
buscar “um esvaziamento de si, de seus conceitos sobre o viver, de sua moralidade, do
seu desejo de que aquele que fala cuide da própria vida de acordo com o ideal da
pessoa do analista”. Em outras palavras, a clínica psicanalítica exige que o analista
deseje sua dessubjetivação (Lacan, 1975; Soller, 2001, citados por Katz, 2019, p.91)
Esta é, segundo Katz (2019), uma exigência ética. Entendendo que não caberia ao
analista impor posições aos analisandos, suas intervenções, o manejo e a “função
analista” “deverá operar a partir do seu inconsciente e não de seu conjunto de
convicções, o que a psicanálise costuma chamar de ―eu ou ―ego. (...) Onde há ego,
contratransferência e preconceito não há análise possível, já que aí se escuta um
determinado sofrimento a partir da régua do eu do próprio analista e não do (seu)
inconsciente” (Ambra, 2016).
É a partir desse lugar que a analista citada (Ilana Katz) defende ser possível sua
experiência na Clínica do Cuidado, realizada na Amazônia, com a população ribeirinha
e extrativista, atingida pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte:
“A radicalidade de trabalhar com a formulação do
sofrimento em outra cultura impõe cuidado
imediato ao psicanalista. Sua condição de
estrangeiro contribui para que possa se manter
curioso e atento. Para escutar, precisa livrar-se de
suas crenças e certezas, caso contrário, mal
compreende o que está lhe sendo dito”. (Katz, p.92)
Daniela Ferraz e Maria Lívia Moretto Tourinho (2016) apontaram também para
os riscos iatrogênicos envolvidos quando o terapeuta se apresenta e conduz o
tratamento a partir de determinada posição política própria. O paciente, alienado à
figura do analista, pouco pode colocar em questão sua própria construção identitária e
deparar-se com sua fantasia fundamental e diferença radical.
“Como é possível equacionar as demandas sociais e
políticas dessas minorias, que buscam um
tratamento que não reproduza as violências sociais,
com a especificidade do dispositivo clínico/analítico
e da direção do tratamento, enquanto processos de
desidentificação?” (p. 4, 2016)
Por fim, a ideia do reconhecimento (em oposição à neutralidade) das violências
sociais traz outra armadilha. Nem sempre, na clínica, as violências sociais se
apresentam de forma nítida, pura, inquestionável, apenas à espera de alguém que as
reconheça. Em muitos casos, tragicamente, as coisas se passam assim. Em outros,
penso, as ambivalências e operações inconscientes de quem fala (e de quem escuta)
tornam os relatos menos objetivos do que se gostaria de supor e transferir para o
analista a tarefa de reconhecer o que é ou não violento, me parece um problema.
Como delimitamos aqui a fronteira entre um julgamento moral e um julgamento
clínico?
PSICANÁLISE E MOVIMENTO
PSICANÁLISE E CULTURA
Camille Robcis – Disalienation - O livro do Gabarron-Garcia é ótimo, mas esse é melhor
“O mundo psi no Brasil” da Jane Russo
Robert Castel – O Psicanalismo
Antropólogxs cariocas, Sérvulo Figueira, Gilberto Velho
Sérvulo Figueira, porque existe uma especificidade brasileira nas clínicas públicas, e
isso passa pela presença absurda do Freud na cultura brasileira!
O “psicanalismo” do qual fala o Gabarron-Garcia é uma referência ao Robert Castel,
que vale ler porque é um clássico, foi muito lido no Brasil inclusive