RELATÓRIO PSICOLÓGICO – TESTE PROJETIVO HTP (HOUSE-TREE-PERSON)
Nome da paciente: [Inserir nome]
Idade: [Inserir idade]
Data da aplicação: [Inserir data]
Instrumento utilizado: HTP – House-Tree-Person (Machover, 1949) – aplicação com
desenho e entrevista
Aplicador(a): [Seu nome]
1. OBJETIVO
Avaliar, de forma projetiva, aspectos da personalidade, vínculos afetivos e estruturas
internas da paciente, por meio do Teste HTP (Casa-Árvore-Pessoa), visando
compreender aspectos conscientes e inconscientes da sua vivência emocional, relações
interpessoais e autoimagem.
2. OBSERVAÇÕES DURANTE A APLICAÇÃO
Durante a atividade, a paciente se mostrou colaborativa, com momentos de reflexão
mais longos ao responder algumas perguntas, o que indicou possível envolvimento
emocional com os temas abordados. Demonstrou traços de sensibilidade emocional e
certa cautela ao lidar com conteúdos internos.
3. ANÁLISE DAS PRODUÇÕES GRÁFICAS E VERBAIS
A. CASA
A casa desenhada apresenta-se distante, em um local elevado, com características
como paredes frágeis, janelas sem grades, porta fechada e chaminé com fumaça. A
paciente relata que 'há pessoas dentro' (alguém cozinhando), mas descreve o ambiente
como quente, enrolado, e associa a casa à figura materna. Refere que não gostaria de
morar na casa, mas que o quarto com janelas permitiria entrada de sol, o que a faria se
sentir melhor.
Interpretação:
A casa representa uma estrutura afetiva distante e inacessível, possivelmente
remetendo à figura materna idealizada, mas com aspectos de solidão e tristeza. A
ausência de grades pode simbolizar vulnerabilidade e a porta fechada indica restrição
no contato emocional. A casa como 'a mãe' sugere uma relação marcada por certa
insegurança emocional, com desejo de independência.
B. ÁRVORE
A árvore foi descrita como cheia de folhas, grande, com cor rosa, viva e em
transformação. A paciente mencionou que representa uma árvore “de cerca de 50
anos”, sozinha, porém por ser “grande demais para estar com outras”. Indica como pior
parte o tronco velho e encurvado, e como melhor parte as folhas coloridas, pássaros e
vitalidade. Pensou no pai durante o desenho e considerou a árvore “bonita e que não
morre”.
Interpretação:
A árvore expressa aspectos do ego e da autoimagem da paciente. Há uma valorização
da resistência, beleza e força, mesmo com marcas do tempo (tronco velho). A solidão é
justificada pela grandiosidade da árvore, o que pode revelar mecanismos de
autossuficiência como defesa contra vínculos frustrantes. A referência ao pai indica um
vínculo emocional significativo, possivelmente ambivalente, com forte influência nas
vivências atuais. A cor rosa, os pássaros e a estação revelam um potencial afetivo
sensível, em meio a estruturas mais rígidas.
C. PESSOA
A figura humana desenhada foi identificada como o pai, descrito como um homem de 35
a 36 anos andando de moto, em um ambiente com céu nublado. A paciente relatou que
gosta dele, mas não de suas atitudes. Considera que ele se sente cansado, sozinho,
vivendo no automático e sem motivo de vida. A expressão facial da figura foi
considerada infeliz e sem vida.
Interpretação:
A figura masculina está associada a uma vivência afetiva ambígua com o pai –
simultaneamente próxima e dolorosa. A moto pode simbolizar movimento ou
afastamento, e o clima nublado reforça a percepção de tristeza. A ausência de
expressão remete à dificuldade de comunicação emocional, tanto do pai quanto,
possivelmente, da própria paciente. A presença do pai em dois desenhos (pessoa e
árvore) reforça sua influência afetiva relevante e indica que conflitos nessa relação
podem estar repercutindo na vida emocional da paciente.
4. SÍNTESE INTERPRETATIVA
O conjunto das produções gráficas e verbais sugere uma paciente com elevada
sensibilidade emocional, que possui um mundo interno rico, porém cercado por
mecanismos defensivos como distanciamento afetivo, racionalização e autossuficiência.
As figuras parentais (especialmente o pai) surgem com destaque, em relações
ambivalentes e impactantes emocionalmente, possivelmente ligadas a experiências de
dor e afeto simultâneos.
Há conflitos afetivos internos não elaborados, especialmente relacionados à dificuldade
de confiar e se permitir depender emocionalmente dos outros. A paciente parece em
busca de estabilidade, clareza emocional e proteção, mas também sente medo da
exposição e de se decepcionar novamente.
5. HIPÓTESES CLÍNICAS
- Imagens parentais internalizadas com forte ambivalência (principalmente a figura
paterna).
- Tendência à idealização de vínculos, seguida de frustração e retraimento emocional.
- Boa capacidade de introspecção e elaboração emocional, com necessidade de
fortalecimento do ego.
- Indícios de sofrimento afetivo atual relacionado a vivências familiares e
relacionamentos interpessoais passados.
6. RECOMENDAÇÕES
- Indica-se a continuidade do processo terapêutico, com foco na elaboração dos
vínculos parentais e afetivos.
- Trabalhar o desenvolvimento da autoexpressão emocional e da segurança nos
relacionamentos interpessoais.
- Estimular recursos internos de autoestima e autonomia emocional, acolhendo os
sentimentos ambivalentes como parte do processo de amadurecimento.
Observação: Este relatório não substitui uma avaliação psicológica completa, sendo
necessário o uso de outros instrumentos e entrevistas clínicas para confirmação
diagnóstica.