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Ludicidade na Educação Infantil Inclusiva

O trabalho investiga a contribuição da ludicidade na educação infantil inclusiva, fundamentando-se na Teoria Histórico-Cultural de Vygotsky. A pesquisa destaca a importância do brincar como um direito das crianças e uma ferramenta essencial para promover a aprendizagem e a inclusão, enfrentando desafios nas práticas pedagógicas. Os resultados indicam a necessidade de um ambiente escolar que valorize a diversidade e promova interações significativas entre todas as crianças.

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Ludicidade na Educação Infantil Inclusiva

O trabalho investiga a contribuição da ludicidade na educação infantil inclusiva, fundamentando-se na Teoria Histórico-Cultural de Vygotsky. A pesquisa destaca a importância do brincar como um direito das crianças e uma ferramenta essencial para promover a aprendizagem e a inclusão, enfrentando desafios nas práticas pedagógicas. Os resultados indicam a necessidade de um ambiente escolar que valorize a diversidade e promova interações significativas entre todas as crianças.

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Brazilian Journal of Development 28772

ISSN: 2525-8761

A ludicidade como ferramenta pedagógica na educação infantil


inclusiva

Ludicity as a pedagogical tool in inclusive childhood education


DOI:10.34117/bjdv9n10-083

Recebimento dos originais: 15/09/2023


Aceitação para publicação: 18/10/2023

Rosana Carla Gonçalves Gomes Cintra


Pós-Doutora em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem pela
Universidade de Lisboa
Instituição: Faculdade de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Endereço: Cidade Universitária, Av. Costa e Silva, Pioneiros - MS, CEP: 79070-900
E-mail: [Link]@[Link]

Tamyres Borges de Novais


Graduanda em Pedagogia
Instituição: Faculdade de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Endereço: Cidade Universitária, Av. Costa e Silva, Pioneiros - MS, CEP: 79070-900
E-mail: tamyres_novais@[Link]

RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo investigar qual a contribuição da ludicidade na
educação infantil frente a perspectiva da inclusão, utilizando como base teórica as
contribuições de Vygotsky com a Teoria Histórico-Cultural. Partimos das discussões no
campo da Educação Especial na perspectiva da inclusão tecendo a seguinte problemática:
qual a relevância da ludicidade como facilitadora de aprendizagem e inclusão na educação
infantil? A fim de encontrar respostas, organizamos nossos procedimentos metodológicos
por pesquisas em documentos, periódicos, livros, dissertações, teses e, análise do
questionário intitulado “Inquérito para professores do Brasil que atuam na educação da
infância e possuem crianças inclusas”, respondido por 21 profissionais da educação
infantil do estado de Mato Grosso do Sul na cidade de Campo Grande. Como resultados,
mostramos o desafio do trabalho pedagógico com a diversidade de sujeitos, bem como a
dificuldade de práticas mais democráticas, quanto ao trabalho docente.

Palavras-chave: ludicidade, educação, prática docente, inclusão, crianças.

ABSTRACT
The present work aims to investigate the contribution of playfulness in early childhood
education in view of the perspective of inclusion, using Vygotsky's contributions to the
Historical-Cultural Theory as a theoretical basis. We start from discussions in the field of
Special Education from the perspective of inclusion, weaving the following problem:
what is the protection of ludicity as a facilitator of learning and inclusion in early
childhood education? In order to find answers, we organized our methodological
procedures through research in documents, periodicals, books, dissertations, theses and,
analysis of the study entitled “Survey for teachers in Brazil who study in childhood
education and have children included”, answered by 21 professionals of early childhood
education in the state of Mato Grosso do Sul in the city of Campo Grande. As a result,

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we show the challenge of the pedagogical work with the diversity of subjects, as well as
the difficulty of more democratic practices, regarding the teaching work.

Keywords: ludicity, education, teaching practice, inclusion, kids.

1 INTRODUÇÃO
A presente pesquisa aborda a concepção de criança e infância e seus percursos
históricos com suas transformações perante a sociedade, resultando no reconhecimento
da criança como sujeito ativo e de direitos. Assim como a percepção social de infância
avançou e houve modificações, a inclusão de crianças com deficiências em ensino comum
também sofreu alterações, hoje existem diversas políticas que asseguram o direito delas
a educação, independentemente de qualquer limitação, nessa pesquisa destacamos o
brincar como um dos direitos mais importantes das crianças.
Segundo a Declaração de Salamanca (1994) “[...] toda criança tem direito
fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível
adequado de aprendizagem [...]”. Além disso esse trabalho busca investigar qual a
contribuição da ludicidade na educação infantil referente a perspectiva da inclusão.
O ato de brincar possui importância na formação e desenvolvimento de todos os
aspectos das crianças com ou sem deficiências, essas brincadeiras podem ser livres ou
mediadas pelo professor afim de promover o aprendizado e a inclusão por meio de
relações com os seus pares e os adultos.
Na educação Infantil, a ludicidade deve ser permeada em todos os tempos e
espaços, sem determinar a hora de brincar e a hora de aprender, como se fosse duas
atividades diferentes, ela deve ser proposta para gerar experiências de aprendizagem e
inclusão, como fio condutor das práticas educativas.
Desta forma, o estudo está dividido da seguinte maneira: primeiramente abordará
sobre a integração e inclusão, em seguida um breve recorte da história da criança, infância
e educação, conceito e importância da educação infantil, como o primeiro contato da
criança com a instituição escolar, as políticas públicas que asseguram os direitos das
crianças na educação, a ludicidade e sua importância como prática pedagógica, resultados
do questionário e por fim as considerações finais.

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2 INTEGRAÇÃO E INCLUSÃO
A escolarização das crianças com deficiência primeiramente era papel da família,
somente com o passar do tempo se tornou responsabilidade das instituições públicas de
ensino, portanto segundo a Lei de Diretrizes de Bases “A educação, dever da família e do
Estado [...]” (1996, Art. 2). Apesar dessa garantia, muitas das crianças com deficiência
não participavam de classes comuns, mas de um sistema paralelo ao sistema educacional
geral, ocorrendo a integração, esta diferentemente da inclusão separa o indivíduo da
sociedade e convivem somente em escolas especializadas com seus pares. Hoje a Lei de
Diretrizes de Bases (1996, Art. 58) possibilita a matrícula na rede de ensino regular, logo
“Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação
escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores
de necessidades especiais.”.
A partir do movimento de inclusão social o termo “integração” passa a ser
substituído por “inclusão” que busca pela equidade, o respeito a diversidade e o
acolhimento da diferença em espaços escolares por toda a equipe da instituição e não
apenas pelos professores. Logo, a inclusão é um aspecto fundamental para o Estado
democrático e desta forma a reorganização do sistema escolar é extremamente necessário
para que haja educação de qualidade para todos, independente de suas limitações.
Debates acalorados voltados para a inclusão de crianças com deficiências no
ensino comum têm ocasionado frequentes tensões, pois existem políticas públicas que
asseguram o direito a inclusão, porém fazer com que o ambiente escolar e as práticas
pedagógicas realmente incluam e, não somente integrem tem se mostrando como o maior
desafio. Segundo a Constituição Federal (1998, Art. 6) “São direitos sociais a educação,
a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a
previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados,
na forma desta Constituição.”.
É importante que a inclusão no sistema educacional inicie na Educação Infantil, é
o primeiro contato com a educação formal e, que as crianças terão o convívio com outras
crianças se tornando um lugar privilegiado, coletivo, diverso e diferente, sejam em relação
a valores, crenças, limitações ou pessoas. Portanto, segundo a Declaração de Salamanca
“os sistemas de educação devem ser planejados e os programas educativos
implementados tendo em vista a vasta diversidade destas características e necessidades”
(1994).

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De fato, a permanência no ensino comum se torna mais difícil do que a própria


realização da matrícula, apesar da busca de “igualdade de condições para o acesso e
permanência na escola.” (BRASIL, 1996, Art. 2), é notório as complexas adaptações que
devem advir no ambiente escolar para assim ocorrer a verdadeira igualdade de
oportunidades.
Diversas vezes há a confusão entre integração e inclusão. A primeira refere-se
apenas a agregação do sujeito, não ocasionando mudanças tanto na metodologia, quanto
no ambiente propicio para a aprendizagem, dando-se a ideia de que a criança com
deficiência deve se adequar ao meio, tendo como consequência um posicionamento alheio
as propostas de atividades. Enquanto a inclusão toma-se ciência das diferenças,
reorganizando o sistema educacional para atender as possíveis dificuldades, de todos e
não somente de alguns. É a partir dela que os indivíduos desfrutam do currículo voltado
para as particularidades, ocasionando o processo de desenvolvimento de qualidade,
visando as potencialidades, não somente incluindo no ambiente escolar, mas na sociedade
que estão inseridos.
O espaço propício de desenvolvimento e aprendizagem refere-se ao ambiente que
possui desafios e que valorize as diferenças, tendo-se as interações entre todas as crianças,
possibilitando as trocas de saberes e valores, assim a inclusão e a aprendizagem ocorrem
de forma natural e significativa. De fato, a maiores interações entre as crianças acontecem
durante os momentos lúdicos, principalmente por meio de brincadeiras. “Essa atividade
colabora para que a criança se desenvolva tanto cognitivamente como emocional e
socialmente.” (CINTRA et al., 2022, p.3-4).
É brincando que a criança experimenta novas experiências e aprende a lidar com
o novo, o diferente, assim proporciona a aceitação e o acolhimento referente ao outro, “A
interação durante o brincar caracteriza o cotidiano da infância, trazendo consigo muitas
aprendizagens e potenciais para o desenvolvimento integral das crianças. (BRASIL,
1996, p. 37). Logo, tornando a ludicidade uma grande ferramenta para a inclusão, pois
através da interação, socialização, juntamente com o lúdico resulta no desenvolvimento
pleno e propicio para a anuência das diferenças.
O convívio facilita a troca de conhecimentos e a recepção ao diferente, durante a
educação infantil, as crianças estão em um processo de desenvolvimento que por muitas
vezes reproduzem o que veem, principalmente ações da família, do professor e dos
colegas, assim se apropriando delas para lidar com as situações que surgem, refletindo
em suas ações enquanto adultos e cidadãos que atuarão na sociedade futuramente.

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Logo, a forma que o professor lida com a diversidade, sendo excludente ou de


inclusão irá influenciar diretamente na formação dos indivíduos presentes. Portanto, o
professor deve ter um olhar atento, buscando mediar o aprendizado que preze pela
equidade e o desenvolvimento pleno da criança.

3 CRIANÇA, INFÂNCIA E EDUCAÇÃO


Primeiramente, ao falar sobre criança e infância, deve-se esclarecer a diferença
entre esses dois conceitos, embora estejam interligados. A criança, portanto, se constitui
um sujeito social, um ser diferente do adulto, não somente a idade, maturidade, mas á
cultura, papéis sociais, comportamentos típicos, dotado de particularidades, em
desenvolvimento.
O conceito de infância, como uma fase do ser humano, com especificidades, e
aspectos cognitivos, sociais e emocionais particulares, assim como a fase adulta e idosa.
Para Áries (1981) “pensar sobre a infância corresponde ter consciência da particularidade
infantil, que distingue essencialmente a criança do adulto, e do jovem”. Desta forma a
infância possui definição por meio da construção social e a criança um ser que sempre
existiu.
Contudo, a concepção de criança e infância dos dias atuais, não era a mesma em
séculos passados, as crianças não eram vistas com particularidades que as diferenciam
das pessoas mais velhas. No século XVI, as crianças eram vistas como miniadultos, sendo
assim, participavam das mesmas atividades dos mais velhos, se vestiam de forma que não
diferenciava do adulto, tendo expectativa de vida baixa, pela forma de vida precária. O
não reconhecimento da criança como sujeito de direitos e a falta de respeito as suas
particularidades acarretaram maus tratos e abandono.

Resgatar a história da criança brasileira é dar de cara com um passado que se


intui, mas que se prefere ignorar, cheio de anônimas tragédias que
atravessaram a vida de milhares de meninos e meninas. O abandono de bebês,
a venda de crianças escravas que eram separadas de seus pais, a vida em
instituições que no melhor dos casos significavam mera sobrevivência, as
violências cotidianas que não excluem os abusos sexuais, as doenças,
queimaduras e fraturas que sofriam no trabalho escravo ou operário foram
situações que empurraram por mais de três séculos a história da infância no
Brasil. (DEL PRIORE, 1991, p. 03).

A partir do século XVIII a visão da criança foi mudando, desde a vestimenta mais
adequada e confortável para elas a forma de educar. É no século XVIII que surge a noção
de “amor materno” em que as mães passam a cuidar de seus filhos, também surge o

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cuidado com a saúde e a higiene delas. O olhar tende a estar para a criança e suas
necessidades físicas e não pensando no todo.
A concepção de criança como sujeito de direitos se concretizou no século XX e
XXI e, portanto, o brincar e o educar passam a fazer parte dessas conquistas. Ao decorrer
do tempo, na década de 60 e 70, a educação, no nível básico se torna obrigatória e gratuita,
com extensão de oito anos. Por causa de evasão escolar de crianças pobres no primeiro
grau, que não conseguiam acompanhar os estudos pelo déficit cultural de suas famílias,
questões de moradia, de alimentação, segurança, higiene, foi instituída a educação pré-
escolar, chamada de educação compensatória, para crianças de quatro a seis anos, para
que tivessem experiências culturais, que suas famílias não podiam fornecer.
Esse ensino, não conseguiu atingir seus objetivos, por motivos de falta de
profissionais qualificados, para construir um trabalho pedagógico voltado a necessidades
e particularidades de aprendizagem da criança: aspectos cognitivos, emocionais e sociais.
Por meio de avanços de estudos da criança e suas particularidades, a educação
infantil passa a ser incluída na política educacional, com concepção pedagógica, visando
suas necessidades para que desenvolvam de forma integral, complementando a ação
familiar. Mediante isso, a criança passou a ser vista como participante da sociedade, tendo
o direito de infância, educação e cuidado, nas instituições escolares.

Contudo, as formas de ver as crianças vêm, aos poucos, se modificando, e


atualmente emerge uma nova concepção de criança como criadora, capaz de
estabelecer múltiplas relações, sujeito de direitos, um ser sócio-histórico,
produtor de cultura e nela inserido. Na construção dessa concepção, as novas
descobertas sobre a criança, trazidas por estudos realizados nas universidades
e nos centros de pesquisa do Brasil e de outros países, tiveram um papel
fundamental. Essa visão contribuiu para que fosse definida, também, uma nova
função para as ações desenvolvidas com as crianças, envolvendo dois aspectos
indissociáveis: educar e cuidar. Tendo esta função, o trabalho pedagógico visa
atender às necessidades determinadas pela especificidade da faixa etária,
superando a visão adultocêntrica em que a criança é concebida apenas como
um vir a ser e, portanto, necessita ser “preparada para”. (BRASIL, 2006).

Através da Constituição de 88, a educação pré-escolar é vista como necessária e


de direito a todos, como dever do Estado, e ser integrada ao sistema de ensino. De acordo
com Del Priore (2002 apud PROENÇA, 2011) “a partir da modernidade, a infância passa
a ser vista como um período de preparação para a vida, nesse sentido, o espaço escolar
passa a ser o local dessa preparação”.
A criança passa a ser vista como um ser social, histórico, pertencente a uma
determinada classe social e cultural. Assim, as atividades são pensadas, preparadas com

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a criança sendo protagonista, o centro do ensino, pois enriquecem as experiências infantis,


tendo como objetivo principal a apreensão e a compreensão do mundo, visando a
comunicação, o desenvolvimento motor, sensorial, do desenho, de figuras, de símbolos,
dramatização, imitação, criando um ambiente educativo, com as múltiplas dimensões das
necessidades sociais de aprendizagem.

4 EDUCAÇÃO INFANTIL E LUDICIDADE


A educação infantil no Brasil tornou-se parte da educação básica em 1996, sua
oferta passa a ser dever do Estado e direito da criança, configurando-se como um dos
avanços significativos na luta pela educação. O ensino básico passa a ser garantido pelo
Estado de forma gratuita, por meio de cooperação entre estados e municípios, tendo a
Educação Infantil, direito da criança de zero a seis anos.

É dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança e ao


adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação,
à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito,
à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo
de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade
e opressão. (BRASIL, 2006, p. 05).

Portanto, os profissionais passam a ser qualificados, visando trabalho pedagógico,


construindo por meio do conhecimento, as especificidades da criança, do brincar como
atividade principal, a criatividade, curiosidade, exploração, propondo atividades que toma
a realidade das crianças e seus conhecimentos como ponto de partida, resultando em
significados concretos para a vida das crianças, desenvolvimento psíquico, motor, novas
habilidades, assegurando a aquisição de novos conhecimentos.

[…] a educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como


finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus
aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da
família e da comunidade. (BRASIL, Lei n° 12.796, de 4 de abril de 2013).

A educação infantil é o espaço privilegiado da aprendizagem infantil, onde é


possível assimilar o aprender com o brincar. O lúdico é considerado como importante
fator no processo ensino e aprendizagem, pois é na infância que ocorrem interações entre
o mundo e o meio em que a criança vive, ocasionando a aprendizagem significativa.
Nessa etapa do ensino, a finalidade que se busca é o desenvolvimento integral da
criança até cinco anos idade, sendo nesse momento da vida, que elas descobrem novos
valores, sentimentos, costumes, autonomia, identidade e a interação.

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A brincadeira e a aprendizagem são concebidas como fonte para o


desenvolvimento da criança seguindo a premissa de que “[...] o único bom ensino é o que
se adianta ao desenvolvimento [...]” (VYGOTSKY, 1991, p.12).
A criança nessa idade, possui o brincar como atividade principal, tendo esse
espaço para oportunizar o brincar para se expressar, compreender o mundo, entender as
relações e os papeis sociais, descobrindo habilidades novas, por meio do contato com
objetos, e as experiências fornecidas. O Referencial Curricular Nacional da Educação
Infantil (1998, v.2) apresenta concepções acerca do brincar:

Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da


identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se
comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel
na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as
crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a
atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas
capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e
experimentação de regras e papéis sociais. (BRASIL, 1998, v.2, p.23).

A infância é uma etapa fundamental na vida da criança, pois ela não nasce sabendo
brincar, explorar, ela precisa ser estimulada, mediada, portanto, a importância da
educação infantil, tendo profissionais qualificados, propondo meios de gerar
aprendizagem significativa.

A criança não nasce sabendo brincar, ela precisa aprender, por meio das
interações com outras crianças e com os adultos. Ela descobre em contato com
objetos e brinquedos certas formas de uso desses materiais. Observando outras
crianças e as intervenções da professora ela aprende novas brincadeiras e suas
regras. Depois que aprende, pode reproduzir ou recriar novas brincadeiras.
Assim elas vão garantindo a circulação e preservação da cultura lúdica.
(KISHIMOTO, 2010, p.1).

A instituição de educação infantil é um dos espaços de inserção das crianças nas


relações éticas e morais que permeiam a sociedade, sendo a primeira etapa da educação
básica, a base para todo o caminho do ensino, promovendo desenvolvimento psicológico,
físico, emocional e social da criança.
As crianças que frequentam a instituição infantil aprendem a compartilhar o
espaço, os brinquedos, adquire conhecimentos por meio de interação e brincadeira com
outras crianças e com adultos, dispondo também de cuidados pessoais, higiene,
alimentação. Valoriza a criatividade, a criança tem experiências com pintura, música,
histórias, desenhos, noção espacial, aprendizagem sobre as partes do corpo, nomes e

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utilidades de objetos, criando todo um arsenal de memórias e vivências, contribuindo para


seu desenvolvimento integral e formação do ser cidadão.
Portanto, a educação infantil é um ambiente de grande importância na forma de
comunicação da criança, da sua reflexão, autonomia, criatividade, exploração, memória,
superação de conflitos, desafios, fornecendo uma aprendizagem integral e significativa,
para sua construção como ser histórico e cultural.

5 POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCAÇÃO INFANTIL


Nas últimas décadas, em termos de legislação brasileira, houve expansão da
Educação Infantil. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, artigo 7,
inciso XXV traz como direito a assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o
nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas.
As Leis de Diretrizes e Bases da Educação, Lei nº 9394 de 20 de dezembro de
1996, artigo 29, também inclui a educação infantil como primeira etapa da educação
básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos,
em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da
família e da comunidade.
Em 2006 foi publicado pelo Ministério da Educação (MEC) o documento Política
Nacional de Educação Infantil: pelo direito das crianças de zero a seis anos à educação.

É dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança e ao


adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação,
à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito,
à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo
de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade
e opressão. (BRASIL, 2006, p. 05).

As Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, resolução nº 5 de 17


de dezembro de 2009, afirma que é dever do Estado garantir a oferta de Educação Infantil
pública, gratuita e de qualidade, sem requisito de seleção.
Dessa forma o direito se estende a todas as crianças, independentemente de sua
condição, sendo obrigatório a oferta de educação de qualidade, promovendo experiências
e conhecimentos para desenvolvimento da criança em todos os seus aspectos cognitivos,
motor, social, com vinculação desse atendimento a área educacional, não mais de
assistencialista, relacionando o brincar e educar, sendo essencial para essa fase de
aprendizado.

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Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia
de: I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete)
anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela
não tiveram acesso na idade própria; [...] VII - atendimento ao educando, em
todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de
material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
(BRASIL, 1988).

Todas as atividades devem contemplar o desenvolvimento integral da criança,


considerando aspectos como a criatividade, o vocabulário, a imaginação e fazendo
sempre ligação com as competências e habilidades proposta pelo Referencial Curricular
Nacional para Educação Infantil - RCNEI. Assim sendo, a brincadeira e a aprendizagem
são concebidas como fonte para o desenvolvimento da criança seguindo a premissa de
que existem diversas teorias a respeito da ludicidade as quais afirmam que a brincadeira
tem grande importância nos anos iniciais das crianças e principalmente na fase da
educação infantil, contribuindo com o desenvolvimento integral da criança.
Para Vygotsky:

A brincadeira infantil quase chega a ser o mais precioso instrumento de


educação do ensino. É popular a concepção de brincadeira como desocupação,
como passatempo a que só se deve dedicar uma hora. Por isso não se costuma
ver nenhum valor e, no melhor dos casos, considera-se que ela é a única
fraqueza da fase infantil, que ajuda a criança a experimentar o ócio durante
certo tempo. (VIGOTSKY, 2004 p.119).

A Base Nacional Comum Curricular – BNCC, produzido pelo Ministério da


Educação, coloca a criança como central no processo de aprendizagem e estabelece 6
(seis) direitos a serem contemplados. São eles: conviver, brincar, participar, explorar,
expressar e conhecer-se. O documento apresenta, também, os campos de experiência
criados para orientar a prática docente, que são: o eu, o outro e o nós; corpo, gestos e
movimentos; traços, sons, cores e formas; escuta, fala, pensamento e imaginação;
espaços, tempo, quantidades; e relações e transformações. Da forma como está pensado
e organizado, deixa explícito que tem, como prioridade, a presença do brincar como
direito (BRASIL, 2018).
As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil – DCNEI (Resolução
CNE/CEB n. 5/2009), em seu Artigo 4º, definem a criança como sujeito histórico e de
direitos, que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua
identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa,
experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade,
produzindo cultura (BRASIL, 2009).

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A Lei n° 12.796, de 4 de abril de 2013, altera a Lei de Diretrizes e Bases da


Educação Nacional, aborda a questão da obrigatoriedade da criança de 04 (quatro) anos
na Educação Infantil, a educação básica obrigatória passa a ser dos 4 (quatro) aos 17
(dezessete) anos.

Educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos


de idade, organizada da seguinte forma: a) pré-escola; b) ensino fundamental;
c) ensino médio; II - educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) anos
de idade; III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou
superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades,
preferencialmente na rede regular de ensino; IV - acesso público e gratuito aos
ensinos fundamental e médio para todos os que não os concluíram na idade
própria; (BRASIL, Lei n° 12.796, de 4 de abril de 2013).

Mediante as políticas públicas voltadas para as particularidades das crianças, em


seu aprendizado, o estudo da ludicidade como ferramenta pedagógica e de inclusão se
torna fundamental, pois surge como abordagem metodológica para a transformação das
práticas pedagógicas. Assim, o professor de educação infantil necessita ter formação
especializada voltada para as necessidades das crianças com ou sem deficiências,
promovendo a educação de qualidade, como mediador do conhecimento e facilitador da
aprendizagem, assim “Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos
sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade,
continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática
e inclusiva.” (BRASIL, 2018, p. 9).

6 LUDICIDADE: PRÁTICA PEDAGÓGICA E INCLUSÃO


As brincadeiras infantis fazem parte da vida do ser humano e marcam época desde
a antiguidade. O lúdico tem sua origem latina “ludus” que significa jogo, porém o termo
lúdico não se refere apenas ao jogar, mas também a brincadeira, brincar, movimentar.
Nos tempos antigos, a ludicidade é presente nos relatos do cotidiano dos homo sapiens,
retratado nas pinturas rupestres, com cenas lúdicas, significando escritas e desenhos,
constituindo histórias de seu povo, rituais, passando de pais a filhos. O lúdico não se
limita a recreação, é complementar e natural da atividade humana.

Estudos sobre o homem primitivo, baseado em análises de pinturas e desenhos


encontrados nas paredes das cavernas ou através dos elementos que esse
homem usava para fabricar ferramentas, armas e utensílios, confirmam que o
ser primitivo já brincava, pois registros de brinquedos infantis provenientes de
várias culturas que remontam a épocas pré-históricas foram encontrados,
ratificando a ação, segundo Huizinga: “Nas sociedades primitivas as atividades

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que buscavam satisfazer as necessidades vitais, as atividades de sobrevivência,


como a caça, assumiam muitas vezes a forma lúdica”. (MODESTO, 2009 apud
HUIZINGA, 2001, p. 07).

A ludicidade se refere a vários meios, como música, dança, pintura, desenho,


escultura, teatro, contação de história, jogos, brinquedos e brincadeiras entre outros.
Portanto, faz parte da educação, e do desenvolvimento de indivíduos, grupos e culturas.
A criança possui o brincar como atividade principal, para aquisição de
conhecimentos, dessa forma, a ludicidade se torna ferramenta pedagógica, trazendo
questões sociais, emocionais, psicológicas, físicas e cognitivas para a vida da criança. O
brincar é muito mais sério do que se imagina, pois para a criança é como viver a fantasia
e a imaginação, desenvolve potencialidades, conhece seus limites, compreende a si e o
mundo, vive e tem experiências dos momentos das brincadeiras de forma ativa e
intensiva.
A ludicidade tem a função de auxiliar o desenvolvimento e aprendizado das
crianças. De acordo com Kishimoto (2010) o brincar é excelente recurso para observação
dos interesses e ações da criança. Pelo brincar, a criança evidencia saberes e interesses,
além de propiciar condições para aprendizagens incidentais.
O Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (1998, v.2) apresenta
concepções acerca do brincar:

Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da


identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se
comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel
na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras
as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a
atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas
capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e
experimentação de regras e papéis sociais. (BRASIL, 1998, v.2, p.23).

A criança utilizada da brincadeira para se expressar, usando como forma de


comunicação, de prazer, repleto de sentimentos, emoções e das relações humanas,
atribuindo significados e sentido ao seu mundo real, por meio da representação na
brincadeira. Toda criança necessita brincar, independente de época, cultura, classe social.
O brinquedo é a essência da infância, e o brincar, um ato intuitivo e espontâneo que ensina
a criança a se colocar na perspectiva do outro. Ela experimenta, descobre, portanto o
brincar é indispensável á saúde física, emocional e intelectual da criança.
Na educação Infantil, a ludicidade deve ser permeada em todos os espaços, sendo
usada para gerar experiências, pois na infância se encontra o maior nível de exploração

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para promover atividades que ampliem o conhecimento, de maneiras e propósitos


diferentes, ativamente no processo de aprendizagem.

[...] é imprescindível que o educador se revele como um mediador, utilizando


uma metodologia que contemple a brincadeira, a imaginação e o jogo como
fator de aprendizagem, valorizando o tempo em que a criança se encontra, sob
uma ótica que considera a análise da forma de como os homens se relacionam
com os meios de produção e como a sociedade se organiza a partir de suas
relações e contradições, pois não temos como analisar a criança
descontextualizada do meio em que ela vive. (CINTRA, 2014, p. 94).

A escola, ao considerar a ludicidade como algo fundamental, promoverá a


aprendizagem prazerosa e significativa, pois atenderá as particularidades de cada faixa
etária na vida das crianças, ampliando e diversificando o acesso a produções culturais,
seus conhecimentos, imaginação, criatividade, experiências emocionais, corporais,
sensoriais, expressivas, cognitivas e sociais.
O lúdico, utilizando das múltiplas linguagens da arte, de jogos e brincadeiras,
fornece aspectos para a formação do sujeito. As crianças quando estão brincando,
conseguem absorver concepções, ideias, compreensão de muitos conhecimentos,
habilidades, socializar, expressar seus sentimentos e angústias, vencer obstáculos, tanto
no brincar livre, quanto no dirigido, mediado pelo professor.
Em sua totalidade, o lúdico possui vários aspectos, como: preparação para a vida,
o prazer de atuar livremente, a possibilidade de relembrar experiencias, contanto com
representações simbólicas, incentivo a participação social, desenvolvendo o pessoal,
social e cultural. Desmitificando a ideia de brincar, como algo ocioso e sem pretensão e
contribuição ao desenvolvimento da criança.

Para aprender brincando é preciso entender que a ludicidade precisa estar


presente como fio condutor das ações intencionais do professor, assim como o
brincar destituído de intenção está permeado de intencionalidade. Não
devemos reservar um momento separado para brincar e outro para aprender,
ele faz parte do planejamento do docente continuamente, é ferramenta
pedagógica para o aprendizado da criança. (CINTRA, 2020. p. 33).

A ludicidade tem a função de auxiliar as crianças no seu desenvolvimento e


aprendizado, sendo defendida na educação infantil presente em vários documentos que
são norteadores no Brasil, como Referencial Curricular Nacional para a Educação
Infantil.

Pela oportunidade de vivenciar brincadeiras imaginativas e criadas por elas


mesmas, as crianças podem acionar seus pensamentos para a resolução de

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problemas que lhe são importantes e significativos. Propiciando a brincadeira,


portanto, cria-se um espaço no qual as crianças podem experimentar o mundo
e internalizar uma compreensão particular sobre as pessoas, os sentimentos e
os diversos conhecimentos. O brincar apresenta-se por meio de várias
categorias de experiências que são diferenciadas pelo uso do material ou dos
recursos predominantemente implicados. Essas categorias incluem: o
movimento e as mudanças da percepção resultantes essencialmente da
mobilidade física das crianças; a relação com os objetos e suas propriedades
físicas assim como a combinação e associação entre eles; a linguagem oral e
gestual que oferecem vários níveis de organização a serem utilizados para
brincar; os conteúdos sociais, como papéis, situações, valores e atitudes que se
referem à forma como o universo social se constrói; e, finalmente, os limites
definidos pelas regras, constituindo-se em um recurso fundamental para
brincar. (BRASIL, 1998, p. 28).

Mediante isso, a ludicidade se torna uma ferramenta pedagógica na prática do


professor, para isso o educador deve conhecer e considerar as singularidades das crianças,
levando em consideração todos os aspectos sociais e históricos. Dessa forma ele
propiciará aprendizado para as crianças com e sem deficiências, promovendo socialização
e compreensão do outro e de sua importância na sociedade, como sujeito de direitos.
A aprendizagem é fruto da interação entre aluno e educador, sendo este
responsável pela organização desse processo para desenvolver simultaneamente o aspecto
intelectual e as aptidões sociais. O professor deve pensar na preparação e objetivos na
prática das atividades, levando as crianças ao avanço cognitivo, físico e social, pois a
princípio ele como mediado que escolhe o tempo, espaço e planeja o andamento desses
momentos lúdicos.
Na educação infantil, por meio da ludicidade as crianças se desenvolvem na
confiança de si próprio, em suas capacidades, conhecem o próprio corpo, constroem sua
autoestima, fazem novas amizades, relações sociais, de forma prazerosa, promovendo
manifestações de imaginação, criação, processos que humanizam o ser humano,
conforme Vygostki (apud CINTRA,2002) só nos tornamos humanos em convivência com
outros humanos. Promovendo, desta forma, uma educação inclusiva, de qualidade e
comprometida com as particularidades das crianças, gerando seu desenvolvimento
integral.
Portanto, mediante as inúmeras contribuições da ludicidade na aprendizagem das
crianças, é necessário que o professor use dessa ferramenta pedagógica para promover
inclusão, permitindo uma interação das crianças com as diferenças, adquirindo
conhecimentos novos por meio da socializam com seus pares. As crianças podem trocar
experiências, se divertindo neste momento de prazer, e assim possibilitando essa

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convivência e inclusão, utilizando de sua imaginação, criação, nas diferentes brincadeiras,


se humanizando como seres inclusivos e conscientes.

Portanto, ser um professor lúdico não é separar quinze minutos para brincar
após o término de uma atividade proposta, apenas como prêmio por bom
comportamento ou por ser considerado um aluno exemplar. O professor lúdico
não dissocia o brincar do aprender, como duas ações individuais, mas
compreende que em todos os momentos que a criança brinca ela está
aprendendo algo (CINTRA, 2020, p.33).

Dessa forma, faz se necessário que a escola se responsabilize por enriquecer essa
experiência inclusiva, disponibilizando de materiais, técnicas e conhecimentos, por parte
de professores qualificados, propiciando laços, construção e autonomia do sujeito,
inserindo essas crianças nas práticas lúdicas ativamente.

7 INQUÉRITO PARA PROFESSORES DO BRASIL QUE ATUAM NA


EDUCAÇÃO INFANTIL E POSSUEM CRIANÇAS INCLUSAS
Este questionário é um recorte da investigação realizada no Pós-doutorado em
Educação, área Psicologia da Educação, no Instituto de Educação da Universidade de
Lisboa, denominada “A prática docente na efetivação da inclusão escolar: as
contribuições da ludicidade no ensino e aprendizagem das crianças com Síndrome de
Down na educação infantil”. Teve o objetivo de recolher dados sobre a educação de
crianças com necessidades educacionais especificas em Portugal e no Brasil. Nesta
pesquisa utilizou-se a Teacher Self-concept Evaluation Scale (TSCES).1
Foi aplicado um questionário para professores que atuam na educação infantil e
possuem crianças inclusas, respondido por 21 profissionais, do estado de Mato Grosso do
Sul, na cidade de Campo Grande, sendo 16 mulheres e 4 homens, 17 são educadores na
rede pública, 3 na rede privada; 13 atuando na escola, 4 em creche, 3 em pré-escola. Tem
como objetivo recolher dados sobre a educação de crianças com deficiência no Brasil.
Selecionamos perguntas com o tema: importância do lúdico na inclusão e aprendizagem.
O questionário foi organizado em perguntas, com opções de respostas da seguinte
forma: discordo totalmente, discordo bastante, discordo mais do que concordo, concordo
mais do que discordo, concordo bastante, concordo totalmente.

1
O instrumento de recolha de dados foi o inquérito por questionário constituído pela Teacher Self-Concept
Engagement Scale (TSCES) de Villa e Calvete (2001) adaptada para Portugal, por Veiga et al., (2006). É
uma escala que avalia o autoconceito profissional e o de estudantes, adaptada neste estudo aos educadores
por abranger dimensões essenciais para a pesquisa.

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A primeira pergunta selecionada, “trabalha o processo de inclusão com atividades


lúdicas?”, teve resultado da seguinte forma, 50% concordo bastante, 25% concordo mais
do que discordo, 20% concordo totalmente, 5% discordo mais do que concordo.

Tabela 1: Inquérito para professores do Brasil que atuam na educação infantil e possuem crianças
inclusas.

Concordo Discordo
QUESTÃO Concordo Concordo
mais do que mais do que
bastante totalmente
discordo concordo
(A) Trabalha o processo de
inclusão com atividades 50% 25% 20% 5%
lúdicas?
Fonte: Elaboração própria (2023)

A segunda pergunta selecionada, “Estou confiante na minha capacidade para levar


as crianças a trabalharem em conjunto de forma inclusiva e lúdica”, teve resultado da
seguinte forma, 60% concordo bastante, 10 % concordo totalmente, 20% concordo mais
do que discordo, 10% discordo mais do que concordo.

Tabela 2: Inquérito para professores do Brasil que atuam na educação infantil e possuem crianças
inclusas.

Concordo Discordo
QUESTÃO Concordo Concordo
mais do que mais do que
bastante totalmente
discordo concordo
(B) Estou confiante na minha
capacidade para levar as 60% 10% 20% 10%
crianças a trabalharem em
conjunto de forma
inclusiva e lúdica
Fonte: Elaboração própria (2023)

A terceira pergunta selecionada, “Eu sou capaz de usar uma variedade de


estratégias de avaliação, facilitadora da inclusão das crianças (exemplos: fichas de
anamnese, laudo médico, avaliação de portfólios, atividade lúdicas, atividades artísticas,
tecnologias adaptadas, currículo adaptado, suplementação curricular etc.)?”, teve
resultado da seguinte forma, 45% concordo bastante, 35% concordo mais do que
discordo, 10% concordo totalmente, 10% discordo bastante.

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Tabela 3: Inquérito para professores do Brasil que atuam na educação infantil e possuem crianças
inclusas.

Concordo Discordo
QUESTÃO Concordo Concordo
mais do que mais do que
bastante totalmente
discordo concordo
(C) Eu sou capaz de usar uma
45% 35% 10% 10%
variedade de estratégias de
avaliação, facilitadora da
inclusão das crianças
Fonte: Elaboração própria (2023)

O quarto assunto selecionado, “Todas as crianças têm direito à educação


individualizada de acordo com as necessidades educativas específicas que possua”, 55%
concordo totalmente, 30% concordo bastante, 10% concordo mais do que concordo, 5%
discordo mais do que concordo.

Tabela 4: Inquérito para professores do Brasil que atuam na educação infantil e possuem crianças
inclusas.

Concordo Discordo
QUESTÃO Concordo Concordo
mais do que mais do que
bastante totalmente
discordo concordo
(D) Todas as crianças têm
direito á educação
55% 10% 30% 5%
individualizada de acordo
com as necessidades
educativas específicas que
possua
Fonte: Elaboração própria (2023)

A quinta pergunta selecionada questiona “Tem conhecimento das políticas


públicas para Educação Especial na perspectiva da inclusão? ”, 45% conheço bastante,
40% conheço mais do que desconheço, 10% desconheço mais do que conheço e 5%
conheço totalmente.

Tabela 5: Inquérito para professores do Brasil que atuam na educação infantil e possuem crianças
inclusas.

Concordo Discordo
QUESTÃO Concordo Concordo
mais do que mais do que
bastante totalmente
discordo concordo
(E) Tem conhecimento das
45% 40% 10% 5%
políticas públicas para
Educação Especial na
perspectiva da inclusão?
Fonte: Elaboração própria (2023)

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8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A criança em seu direito de brincar, se desenvolve integralmente, constitui sua
identidade, compreensão e interpretação do mundo à sua volta, estabelece significados
dos objetos ao seu redor sendo a educação infantil, o espaço apropriado para seu
desenvolvimento e aprendizado. O lúdico proporciona a inclusão quando permite que
crianças com ou sem deficiência possam aprender, socializar e construir relações com
outras crianças, criando, brincando e se divertindo em ambientes livres ou mediados pelo
professor e diversificados.
Com a mediação do professor, despertar a curiosidade dos alunos com atividades
aplicadas de forma lúdica dentro das realizadas regularmente, contribuirá para o
desenvolvimento da criança, possibilitando de forma mais fácil a compreensão e a solução
de problemas culminando em seu aprendizado. Por meio de práticas educativas lúdicas,
a criança consegue se expressar, ser desafiada, promover a convivência com as diferenças
e a valorização do convívio coletivo.
Além disso, os marcos legais asseguram o direito a inclusão escolar dos alunos
com deficiência que por muito tempo foram segregados da sociedade e o direito ao brincar
das crianças. Desta forma, a ludicidade se torna uma ferramenta pedagógica na prática do
professor, promovendo educação de qualidade, inclusiva e comprometida com o
desenvolvimento integral das crianças.
Quando ocorre a brincadeira, a interação seja ela com a música, dança ou a arte
em geral, a criança está refletindo o que vê em sua realidade, mas também o que obtém
no seu interior, logo a formação do seu caráter e a forma como lida com a diversidade
estará presente em suas crenças, valores e atitudes, portanto quanto mais tem contato com
o diferente por meio da ludicidade e das relações sociais, mais o indivíduo estará apto
para valorizar aspectos afetivos, morais e éticos em relação a deficiência.
Portanto, a educação infantil sendo uma etapa da educação básica desenvolve
vários aspectos importantes das crianças e, o professor com a atuação pedagógica
qualificada, de maneira lúdica e apropriada para a etapa de desenvolvimento das crianças,
promove o sentimento de pertencimento social, levando a compreensão das relações
sociais, principalmente na educação, resultando na aprendizagem de todas as crianças
com, socialização e aquisição de significados, estabelecendo diálogos com o mundo a sua
volta.
Os resultados da pesquisa demonstraram que o trabalho com os diferentes sujeitos
é uma barreira difícil de ser vencida, embora possível, bem como a dificuldade de

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estabelecer práticas educativas e concepções mais democráticas, em vista do


engessamento do trabalho docente que desconsidera a diferença e, portanto, apenas
cumpri regras e executa normas. Por isso a importância da formação continuada como
meio de estabelecer uma escola mais inclusiva e democrática, que prioritariamente
busque formar sujeitos conscientes e críticos e fomentar novos debates.

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