1.
Tipos de impostos da última reforma
O sistema tributário integra impostos nacionais e autárquicos. De todo resulta que os impostos
dosistema fiscal nacional classificam-se em directos e indirectos e actuam da seguinte maneira:
1. Tributação directa (art. 57 lbst)
Actuam com base em:
IRPS; e
IRPC.
Tributação indirecta (art. 66 LBST), actuam com base em:
Imposto sobre a despesa;
IVA;
ICE; e
Direitos Aduaneiros
Contudo, a LBST manteve os seguintes impostos das Reformas anteriores: Imposto do selo,
sobre sucessões, sisa, especial sobre o jogo, IRN, sobre veículos. De referir que esta Lei trouxe
grandes inovações e modernizou o sistema fiscal moçambicano porquanto adopta princípios
universais do direito fiscal e está virado para a justiça social.
Actual Sistema Tributário
As principais características da legislação fiscal prevalecente em 2009 são essencialmente as
mesmas que o sistema de base de 2005 apresentado no capítulo anterior. Esta análise apresenta
mais detalhes e actualiza a informação para [Link] atenção é dada ao Imposto
Simplificado para os Pequenos Contribuintes de 2009(ISPC) e ao Código dos Benefícios Fiscais
de 2009 (CBF). O capítulo examina igualmente a posição do sistema tributário de Moçambique
na classificação do relatório Doing Business do Banco Mundial. A secção final contém um
resumo dos planos da Autoridade Tributária de introduzir mais reformas com vista a modernizar
a administração tributária.
Os principais impostos em Moçambique
Imposto sobre o rendimento de pessoas colectivas
Regras de Incidência
Transparência fiscal
Isenções
Taxas Aplicáveis
Determinação do Rendimento das Matéria colectável
Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRPS)
Regras de Incidência
Determinação do Rendimento Colectável
Taxas Aplicáveis
Imposto simplificado para pequenos contribuintes (ISPC)
Regras de Incidência
Isenções
Determinação do Rendimento Colectável
Taxas Aplicáveis.
Imposto sobre o valor acrescentado (IVA)
Regras de Incidência
Isenções
Valor Tributável
Taxa de Imposto
Direito de Dedução
Pedidos de Reembolso
Outros impostos sobre a despesa
Imposto sobre Consumos Específicos
Direitos Aduaneiros
Taxa sobre os Combustíveis
Impostos sobre a Transmissão da Propriedade
Imposto sobre as Sucessões e Doações
Sisa
Sistema financeiro em Moçambique
O sistema financeiro moçambicano é robusto e apresenta níveis de solidez acima da média,considerando
os indicadores de crédito mal - parado e o rácio de solvabilidade. Segundo Álvaro Louveira, funcionário
do Banco de Moçambique, o crédito mal - parado reduziude 3.1% em 2010 para 2,4 em 2014 e o rácio de
solvabilidade transitou de 13 para 18%, situando - se nos níveis recomendáveis internacionalmente.
Moçambique registou um crescimento do sistema financeiro, ao passar de cinco bancos em 2006, para 18
em 2013, com uma rede bancária de 45%. “A evolução do sistema financeiro foi acompanhada por
alguma robustez do próprio sistema, se tomarmos em consideração que o credito mal-parado reduziu de
3.1 em 2006 para 2.4 em 2011, bem como se tomarmos em consideração que o rácio de solvabilidade
transitou de 13 por centoem 2006 para 18 por cento em 2011, o que é recomendável internacionalmente.
Tomando como
base o Comité que é de 8 por cento, podemos dizer que o nosso sistema é de facto robusto”,explicou.
O Banco de Moçambique considera que, devido à solidez do sistema financeiro, a economia nacional teve
uma certa resistência ao efeito da crise financeira internacional. Apesar dessa robustez, o sistema
financeiro ainda tem desafios por superar ao nível do financiamento bancário à economia, bem como no
que refere a monetização da economia O nível de monetização da economia passou de 25.6%, no ano
2000 para 42.7, em 2011. Apesar deste crescimento considerável, o mesmo está abaixo da média da
região da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 68%. A evolução do
sistema financeiro foi acompanhado pelo incremento do financiamento bancário, que passou de 17.3 por
cento em2000 para 29.1 em 2010, estando, mesmo assim, ainda abaixo das médias dos países da SADC e
da África Subsaariana, que se situam nos 45.8% e 89.5%, respectivamente.
A questão da volatilidade da variação dos níveis de preço em Moçambique, comparativamente aos demais
países da SADC e d’África Subsaariana deve merecer atenção das autoridades moçambicanas.
“Esta situação é causada pelo comportamento do metical que é mais volátil que outras moedas da região
da SADC” frisou. Por outro lado, existe o problema das exportações nacionais que sempre foram
inferiores em relação às importações, situação que contribui para a deterioração da balança comercial.
Importância do Sistema Financeiro
O sistema financeiro joga um papel multidimensional no processo de desenvolvimento económico porque
a interacção dos agentes económicos na actividade económica envolve custos de informação ou de
transacção resultados das imperfeições dos mercados, os quais devem ser minimizados. Para o efeito, é
importante a existência de intermediários financeiros. A presença de intermediários financeiros contribui
para mitigar os problemas decorrentes dos custos de transacção e de informação, um facto que concorre
para influenciar as decisões de poupança e de investimentos, e, por via disso, o crescimento económico.
Os intermediários financeiros podem influenciar o crescimento através dos seguintes canais
Redução dos custos de aquisição e processamento de informação, e portanto,melhoramento da
alocação de recursos para as famílias;
Fortalecimento do acompanhamento das operações das empresas, o que pode, por um lado,
reduzir os níveis de racionamento de crédito, e, por outro, facilitar o fluxo de recursos dos
aforradores para os investidores;
Diversificação do risco, um facto que pode induzir os aforradores a direccionar a sua carteira de
investimentos para projectos com retornos esperados elevados;
Mobilização de poupanças individuais com vista a aprofundar o processo de crescimento
económico, um facto que permite fazer melhor uso das economias de escala;
Uso da moeda como um meio mais eficaz no processo das trocas, permitindo que oscustos de
transacção sejam reduzidos, promovendo dessa forma uma maior especialização, inovação e
crescimento económico (Mishkin, 2000, Bencivenga e Smith,1993; La Fuente e Marin, 1996,
Devereux e Smith, 1994; e Obstfeld, 1994).
Relação entre o Desenvolvimento Financeiro e o Crescimento Económico
As correntes de pensamento económico tradicionais são conflituantes quanto ao impacto do sistema
financeiro no crescimento económico. Os economistas do desenvolvimento como Meiere Seers (1984) e
Lucas (1988) não dão primazia ao papel do sistema financeiro no processo decrescimento económico e
baseiam as suas hipóteses na teoria neoclássica defendida por Fama (1970). Esta teoria assume que os
mercados são perfeitos e eficientes, e que os agentes económicos agem de forma racional.
Merton (1988), Gurley e Shaw (1955) e McKinnon (1973) consideram sem fundamento dissociar.o
sistema financeiro do processo de crescimento económico, com base na visão schumpeteriana do
processo de desenvolvimento que relaciona a liberalização financeira com as taxas de juro eessas com o
investimento ou poupança. Esta visão é defendida por Levine (2005), Beck et al.(2000), Demirguç-Kunt e
Maksimovic (1998), e Rajan e Zingales (1998).De acordo com Galor e Moav (2004), desde que se
eliminem os factores que restringem o SF, particularmente o acesso ao crédito, o sistema financeiro pode
catapultar o aumento da eficiência na alocação de capital e a redução da desigualdade no rendimento,
gerando fluxos de capital com retornos de investimento elevados para os pobres.
Mobilidade do Sistema Financeiro
Evidentemente, tendo em conta que os Sistemas Financeiros mudam constantemente, de modo a
responder a procura do público, ao desenvolvimento de novas tecnologias e as mudanças nas leis e
regulamentações. A competição nos mercados financeiros força os sistemas financeiros a responder as
necessidades do público desenvolvendo melhores e mais convenientes serviços financeiros. Enfim, o
Sistema Financeiro pode ser definido como sendo o conjunto de instituições da economia que auxiliam o
encontro dos agentes que possuem poupanças, agentes superavitários, com os que necessitam de recursos,
cujo principal objectivo é permitir o movimento de fundos emprestáveis entre eles.
Tipos de sistemas financeiros
Sistema de Mercado de Capitais;
Sistema de Crédito Privado Bancário e;
Sistema de Crédito Público Bancário.
Análise do Sistema Financeiro Moçambicano
Moçambique como a maioria dos países em vias de desenvolvimento tem o sistema financeiro
pouco desenvolvido, poucos operadores e instrumentos financeiros para suportar a actividade
económica. Os operadores financeiros principais, no sistema moçambicano, são os bancos
comerciais e portanto a estabilidade deste sistema depende crucialmente do funcionamento
eficiente e eficaz dos bancos comerciais. As crises do passado demonstraram que a eficiência de
um banco comercial pode ameaçar a estabilidade do sistema financeiro. Moçambique, assim
como grande parte do continente africano esteve, ate o ano de 1975, sob o regime colonialista. A
25 de Junho de 1975 conquista a independência, transformando-se numa república popular,
como um regime de partido único, ate Novembro de 1990, data da entrada em vigor da
constituição que instaurou o regime democrático multipartidário e um sistema de economia de
Mercado.
Funcionamento do Sistema Financeiro Moçambicano
Neste sentido, no sector financeiro foram tomadas medidas que centralizaram o controlo, sendo
que foram intervencionadas as seguintes instituições:
Instituto de Credito de Moçambique;
Monte Pio de Moçambique;
Banco Nacional Ultramarino (que funcionava como uma apresentação oficial do bancode
Portugal);
Bano Pinto & Sotto Maior. O Banco Nacional Ultramarino (BNU) transformou-se
emBanco de Moçambique (BM) e;
O Instituto de Credito de Moçambique em Banco Popular de Desenvolvimento (BPD),
Principal Característica do Sistema Financeiro Moçambicano
Do período da colonização, apenas o Banco Standard & Totta não sofreu intervenção. Deste
modo, ate 1989 a principal característica do sistema financeiro moçambicano era o número
reduzido de bancos comerciais (apenas três) e, cerca de 95% do negócio bancário representados
pelos bancos controlados pelo Estado.
Actualmente, dadas as características predominantes do sistema financeiro moçambicano, põe-se
dizer que este é baseado no modelo alemão, isto é, baseado do crédito bancário privado. Sendo
que, o mercado de capitais moçambicano é ainda muito pouco desenvolvido.
A abertura da bolsa de valores moçambicana só se deu em finais de 1999, resultante das
reformas financeiras no país. Não obstante as modificações registadas no sector bancário
moçambicano, este é ainda considerado relativamente pequeno existem 12 bancos comerciais, 11
agências cooperativas e, 58 operador de micro crédito (2006).
Composição do Sistema Financeiro Moçambicano
Assim como bastante concentrado, a maior instituição possui 40% dos activos totais da banca e
os 90% dos activos e passivos da banca é possuído por apenas seis instituições nomeadamente:
ABC, BA, BCI Fomento, Millennium BIM, BIM e Standard Bank. Os bancos em Moçambique,
são considerados rentáveis e bem capitalizados, no entanto estão muito vulneráveis face ao risco
de crédito no país. Os indicadores de rentabilidade escolhidos para avaliar a performance do
sector são os lucros líquidos, ROAA e OAE. O lucro líquido demonstra o retorno positivo de um
investimento feito pela empresa, após a dedução da despesas operacionais e não operacionais.
O ROAA (RAA) é um indicador financeiro que mostra, em percentagem, como os
activoslucrativos da empresa estão a gerar receitas e mostra como a empresa é rentável antes
daalavancagem financeira.É muito usado para comprar o desempenho das instituições
financeiras (como os bancos), porquea maioria dos activos bancários terá um valor contabilístico
que esta perto dos seus valores demercado.
O ROAE (ROE) é um indicador, também financeiro, percentual que se refere a capacidade
deuma empresa agregar valor a ela mesma utilizando os seus próprios recursos, ou seja, o
quantoesta consegue crescer usando os seus recursos próprios. Por esta razão este é visto como
um dosmais dos importantes rácios financeiros.
Conclusão
A tributação do sistema fiscal moçambicano é uma realidade que tem vindo a evoluir desde os
tempos antigos. Desde já, a evolução por mais que seja boa ou má aos olhos de uns e outros, ela
tende a melhorar qualquer situação social. Segundo, Hegel, o filósofo, a história é uma
contradição ou oposição de forças (tese, antítese e síntese).Deste modo, a história do direito
fiscal que partiu desde o período primitivo até à época colonial servindo os interesses dos
soberanos e depois dos exploradores, respectivamente, tem hodiernamente o sentido verdadeiro
do fisco, que visa a financiar a carência do Estado de forma a satisfazer os fins a que ele se
obriga a prosseguir. Desde a Independência até hoje, vivemos três
épocas “fiscais” distintas que pretendiam fins de justiça social.
Porém, bem ou mal, perfeito ou imperfeito era o sistema vigente. Na primeira época, com a
introdução do sistema socialista, houve por bem deixar o ideal colonialista que satisfazia os
interesses imperialistas burgueses para servir os interesses da nação baseados no princípio de
justiça social.
Assistimos aqui a uma lapidação económica, consequência da inexistência da paz e segurança
social, descontrolo duma grande parte da tributação, cerca de 70% e indiferença quanto ao fisco,
incentivada pela guerra e outros males sociais. Esta fase redundou num fracasso. Porque a
história é feita de teses, antíteses e sínteses desembocámos numa outra fase que pretendia
recuperar o sucesso alcançado pela primeira fase. Na segunda fase, as medidas usadas foram
violentas e penosas para a população ao se introduzir o PRE, exigindo de todos maior sacrifício
fiscal. Procurava-se ajustar as receitas fiscais ao OGE e acelerar o PIB. Das medidas tomadas, o
mercado informal foi abrangido e o custo de vida subiu. Enfim, embora os sistemas financeiros
de todo o mundo tenham se desenvolvido de modo diferente, tornando-se mais complexos ou
com enfoque num determinado tipo de mercado, o mercado bancários é sem duvida um dos
principais pilares de todos os sistemas financeiros