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Enfermagem e Câncer de Mama: Prevenção e Tratamento

O documento aborda o papel da enfermagem na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama, destacando a importância da educação em saúde e do rastreamento precoce. A pesquisa bibliográfica revela que enfermeiros são fundamentais para orientar sobre fatores de risco e sinais de alerta, promovendo um atendimento humanizado. Conclui-se que a atuação sistematizada dos enfermeiros é crucial para atender às necessidades das pacientes e melhorar a qualidade de vida.

Enviado por

Fabiana Ramos
Direitos autorais
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Enfermagem e Câncer de Mama: Prevenção e Tratamento

O documento aborda o papel da enfermagem na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama, destacando a importância da educação em saúde e do rastreamento precoce. A pesquisa bibliográfica revela que enfermeiros são fundamentais para orientar sobre fatores de risco e sinais de alerta, promovendo um atendimento humanizado. Conclui-se que a atuação sistematizada dos enfermeiros é crucial para atender às necessidades das pacientes e melhorar a qualidade de vida.

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Pensar Acadêmico, Manhuaçu, v.21, n.4, p.

1201-1215, Edição Especial: Dossiê: One Health, 2023

ISSN 1808-6136
ISSN on-line 2674-7499

O PAPEL DA ENFERMAGEM FRENTE AO CÂNCER DE MAMA: PREVENÇÃO,


DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

JULIANA SANTIAGO DA SILVA1; CAROLINE LACERDA ALVES DE OLIVEIRA2;


DANIELE MARIA KNUPP SOUZA SOTTE3; ROBERTA MENDES VON RANDOW4;
NATÁLIA TOMICH PAIVA MIRANDA5; THIARA GUIMARÃES HELENO DE
OLIVEIRA PÔNCIO6; CAIO ALEXSANDER SILVA OLIVEIRA7

1Mestre em Imunologia pela Faculdade de Medicina da Universiadade de São Paulo - USP, Professora
no Centro Universitário UNIFACIG). E-mail: jusnt@[Link].
2 Fisioterapeuta, Mestre em Desenvolvimento Local pela UNISUAM. Especialista em Geriatria
Gerontologia pela UFMG. Professora no Centro Universitário UNIFACIG. E-mail:
carolinecarola@[Link].
3 Farmacêutica, Doutora em Ciências Biológicas, ênfase em Imunologia e Doenças Infecto-Parasitárias
pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Especialista em Análises Clínicas (modalidade
residência) HU/UFJF. Especialista em Políticas Públicas e Pesquisa em Saúde Coletiva (NATES -
UFJF). Professora no Centro Universitário UNIFACIG). E-mail: danieleknupp@[Link]
4 Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na área de
concentração Saúde e Enfermagem, linha de pesquisa de Planejamento, Organização e Gestão dos
Serviços de Saúde. Especialista em Saúde do Adulto (modalidade residência) HU/UFJF. Especialista
em Políticas Públicas e Pesquisa em Saúde Coletiva (NATES). MBA Gestão Serviços de Saúde,
Acreditação e Auditoria (FEA/UFJF). Bacharelado e licenciatura em Enfermagem pela Universidade
Federal de Juiz de Fora (UFJF) Professora e Coordenadora no Centro Universitário UNIFACIG. E-mail:
robertafmendes@[Link]
5 Doutora em bioquímica e Imunologia pela UFMG com ênfase em biologia molecular, Mestre em
Bioquímica e Imunologia pela UFMG, especialista pelo programa 21st century educators pela Tampere
University of applied sciencies na Finlândia, Especialista pelo programa A moderna Educação:
metodologias, tendência e foco no aluno pela PUCRS. Pró reitora de ensino e aprendizagem no
UNIFACIG e professora dos cursos de Medicina, Odontologia e Enfermagem. E-
mail:[Link]@[Link]
6 Enfermeira, Mestre em Hemoterapia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).
Especialização em Atenção Básica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora no
Centro Universitário UNIFACIG. e-mail thiara@[Link]
7 Enfermeiro pelo Centro Universitário UniFacig. E-mail: caioalexsander90@[Link]

RESUMO
Atualmente no cenário mundial, registra- se um aumento do número de diagnósticos de câncer de
mama, o que causa grande impacto na saúde pública e na qualidade de vida dessas pacientes. O câncer
de mama é um tumor maligno que acontece devido a alterações genéticas nas células da glândula
mamária. O enfermeiro tem um papel de realizar a educação em saúde tendo assim o conhecimento
necessário para realizar o rastreamento e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Sendo assim, o
objetivo deste trabalho é descrever a assistência de enfermagem na prevenção, detecção e no tratamento
do câncer de mama. Trata se de uma pesquisa bibliográfica do tipo revisão integrativa. A busca na
literatura foi nas bases de dados da Scienticif Eletronic Library (SCIELO), nos sites do INCA, Biblioteca
Virtual de Saúde (BVS), Ministério da Saúde e COFEN sobre a atuação do enfermeiro na prevenção,
diagnostico e no tratamento do câncer de mama. O enfermeiro da atenção primária e secundária tem a
responsabilidade de aplicar em sua área assistencial seus conhecimentos sobre fatores de risco para o
câncer de mama e sobre as medidas de prevenção da doença. Orientar sobre os sinais e sintomas de

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alerta para o câncer, que percebidos no início levam a um diagnóstico precoce e um prognóstico
favorável a cura. Conclusão: Torna-se de suma importância a atuação do enfermeiro para que se tenha
uma assistência sistematizada e humanizada, garantindo um atendimento às necessidades do paciente,
promovendo seu conforto físico, emocional e espiritual.
Palavras-chave: Enfermeiro. Neoplasia. Diagnóstico Precoce. Auto Exame. Tratamento.

THE ROLE OF NURSING IN FRONT OF BREAST CANCER: PREVENTION,


DIAGNOSIS AND TREATMENT

ABSTRACT
Currently, on the world stage, there is an increase in the number of breast cancer diagnoses, which has
a great impact on public health and the quality of life of these patients. Breast cancer is a malignant
tumor that happens due to genetic changes in mammary gland cells. The nurse has the role of carrying
out health education, thus having the necessary knowledge to carry out the screening and early diagnosis
of breast cancer. Therefore, the objective of this work is to describe nursing care in the prevention,
detection and treatment of breast cancer. This is a bibliographic research of the integrative review type.
The literature search was carried out in the databases of the Scienticif Electronic Library (SCIELO), on
the websites of INCA, the Virtual Health Library (VHL), the Ministry of Health and COFEN on the role
of nurses in the prevention, diagnosis and treatment of breast cancer. breast. Primary and secondary care
nurses are responsible for applying their knowledge about risk factors for breast cancer and disease
prevention measures in their care area. Guidance on the warning signs and symptoms for cancer, which,
perceived at the beginning, lead to an early diagnosis and a favorable prognosis for cure. Conclusion: It
is extremely important for nurses to provide systematized and humanized care, ensuring that the patient's
needs are met, promoting their physical, emotional and spiritual comfort.
Keywords: Nurse. Neoplasm. Early Diagnosis. Self Exam. Treatment.

1 INTRODUÇÃO

Câncer é um termo que abrange mais de 100 diferentes tipos de doenças malignas, as
quais têm em comum o crescimento desordenado de células, que podem invadir tecidos
adjacentes ou órgãos à distância. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito
agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para
outras regiões do corpo (INCA, 2020).
Dentre os cânceres mais temidos está o câncer de mama, uma doença heterogênea e
complexa, que se apresenta de múltiplas formas clínicas e morfológicas, com diferenças na pré
e pós-menopausa, diferentes graus de agressividade tumoral e potencial metastático. Mulheres
após os quarenta anos de idade são consideradas mais vulneráveis à doença, mesmo que se
tenha observado um aumento de sua incidência em faixas etárias mais jovens (PINHO, 2007).
Os fatores de risco relacionados à vida reprodutiva da mulher (menarca precoce,
nuliparidade, idade da primeira gestação a termo acima dos 30 anos, anticoncepcionais orais,
menopausa tardia e terapia de reposição hormonal) estão bem estabelecidos em relação ao

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desenvolvimento do câncer de mama. Além desses, a idade continua sendo um dos mais
importantes fatores de risco (INCA, 2019).
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que no ano de 2020 o número
de mortes por essa doença chegou a 18.295 óbitos, onde 18.068 eram mulheres e 227 eram
homens. O INCA traz que no ano de 2020 as estimativas de diagnósticos de câncer de mama
chegariam a cerca de 66.280 novos casos em todo o país.
Atrasos no diagnóstico e no início do tratamento do câncer de mama aumentam a
ansiedade sentida pelas mulheres e podem impedir tratamentos curativos, reduzindo as taxas de
sobrevivência (SOUZA et al., 2008).
Dessa forma faz-se necessário a mulher conhecer seu corpo e, principalmente, as
mamas. Assim ela pode aprender a localizar quaisquer anormalidades ou pequenos nódulos que
possam surgir. Ao palpar os seios com frequência, poderá perceber mudanças e, com isso
ajudará na detecção de possíveis problemas prévios (MELO; SOUZA, 2012).
A estratégia de diagnóstico precoce contribui para a redução do estágio de apresentação
do câncer. Nessa estratégia, destaca-se a importância da educação da mulher e dos profissionais
de saúde para o reconhecimento dos sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama, bem como
do acesso rápido e facilitado aos serviços de saúde, tanto na atenção primária quanto nos
serviços de referência para investigação diagnóstica (INCA, 2020).
Também nesse contexto o enfermeiro tem um papel de educador em saúde na
comunidade, devendo assim possuir conhecimento específico para rastreamento e diagnóstico
precoce do câncer de mama, atuando no âmbito da coordenação, comunicação, educação e
reconhecimento da população alvo (SILVA, 2009).
Sendo assim, o objetivo do estudo é descrever a assistência de enfermagem na
prevenção, detecção e no tratamento do câncer de mama, visando à assistência básica antes,
durante e após a detecção do câncer.

2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Referencial Teórico
As mulheres vivem mais do que os homens, porém adoecem mais frequentemente. A
vulnerabilidade feminina diante de certas doenças e causas de morte está mais relacionada a
situação de discriminação na sociedade que a fatores biológicos. É importante considerar as
especificidades na população feminina: negras, indígenas, trabalhadoras da cidade e do campo,

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as que estão em situação de prisão e de rua, as lésbicas e aquelas que se encontram na


adolescência, no climatério e na terceira idade - e relacioná-las à situação ginecológica, em
especial aos cânceres do colo do útero e da mama (BRASIL, 2013).
Um dos diagnósticos mais assustadores é o de câncer; independentemente do local onde
ele se apresenta ou de todos os recursos terapêuticos que chegam a erradicar alguns de seus
tipos. O câncer é uma doença que pode aparecer sob várias formas e em qualquer parte do
organismo humano. Neoplasia ou câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças
causadas por um crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos, podendo
espalhar-se para outras regiões do corpo, caracterizando-se também como uma neoplasia
maligna (LEITE et al., 2007).
A descoberta do câncer de mama sempre gera uma situação conflituosa para mulher,
pois além da insegurança pela procura do serviço de mastologia adequado e qualidade deste,
ela enfrenta o medo da mutilação de um órgão que demonstra a sexualidade, sem falar do medo
relacionado ao tabu do câncer sem cura. Por isso, a tomada de decisão sobre o tratamento deve
envolver a paciente e sua família, onde todos, obrigatoriamente, devem ser bem orientados
sobre os exames a serem feitos, sobre as formas de tratamento e os efeitos colaterais que possam
surgir (BARRETO et al., 2008).
O câncer de mama é o mais incidente em mulheres no mundo, representando 24,2% do
total de casos em 2018, com cerca de 2,1 milhões de casos novos. É a quinta causa de morte
por câncer em geral (626.679 óbitos) e a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres.
No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama também é o mais
incidente em mulheres de todas as regiões. Para o ano de 2020 foram estimados 66.280 casos
novos, o que representa uma taxa de incidência de 43,74 casos por 100.000 mulheres (INCA,
2021).
Segundo Mohallem & Rodrigues (2007), as causas do câncer de mama são
desconhecidas, mas é aceita pela comunidade científica a relação da doença com fatores
próprios do hospedeiro, como a duração da atividade ovariana e a hereditariedade, além de
fatores ambientais, tais como alimentação e utilização de determinados medicamentos. Alguns
autores referem também a idade, localização geográfica, consumo de álcool, uso de
contraceptivo oral e terapia de reposição hormonal como fatores de risco associados às
neoplasias mamárias, conforme explicação abaixo:
a) hereditariedade: o fator familiar é, talvez, o mais aceito na comunidade

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científica relacionado com o risco de desenvolver neoplasia mamária.


Mulheres cuja mãe ou irmã desenvolveram câncer de mama têm duas a três
vezes mais risco; b) características reprodutivas: estas características
associadas ao maior risco de câncer de mama incluem a menarca precoce,
menopausa tardia, idade do primeiro parto após os 30 anos e nuliparidade; c)
patologias benignas: algumas doenças mamárias benignas diagnosticadas
por biópsia estão associadas ao aumento de risco para o câncer de mama;
assim como o câncer de mama prévio, que pode aumentar em cinco vezes o
risco de uma mulher desenvolver um segundo câncer de mama primário; d)
radiação ionizante: a exposição a esta radiação empregada nos diagnósticos
médicos, entre elas a mamografia, em exposições ocupacionais, permanece
incerta. Pouco se conhece ainda sobre o risco de neoplasia mamária
relacionado a outros tipos de radiação; e) dietas: estudos recentes indicam
que a dieta rica em gorduras pode ser considerada como fator de aumento do
risco de câncer de mama fundamentalmente na infância e na adolescência
(MOHALLEM & RODRIGUES, 2007, p. 257).

O diagnóstico precoce é realizado com o objetivo de descobrir, o mais cedo possível, uma
doença por meio dos sintomas ou sinais clínicos que o paciente apresenta. O conhecimento dos
principais sinais, sintomas e fatores de risco para o câncer pelos profissionais de saúde é
essencial. A exposição a fatores de risco é umas das condições a que se deve estar atento na
suspeita de um câncer, principalmente quando o paciente convive com tais fatores (INCA,
2010).
O câncer de mama pode ser detectado precocemente, em grande parte dos casos,
aumentando assim a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com taxas de sucesso
satisfatórias. Todas as mulheres, independentemente da idade, devem ser estimuladas a
conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A maior parte dos
cânceres de mama é descoberto pelas próprias mulheres (INCA, 2021).
A prevenção do câncer de mama pode ser primária ou secundária, sendo a primária
responsável por modificar ou eliminar fatores de risco para essa neoplasia ao passo que na
prevenção secundária enquadram-se o diagnóstico e o tratamento precoces dos canceres.
Destaca-se, porém, que a detecção precoce ainda é a melhor maneira de combater este tipo de
câncer, pois só assim a doença adquire melhores chances de cura (CARVALHO et al., 2009).
Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos
saudáveis como: praticar atividade física; alimentar-se de forma saudável; manter o peso
corporal adequado; evitar o consumo de bebidas alcoólicas; evitar uso de hormônios sintéticos,
como anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal (INCA, 2021).
O rastreamento é o exame oferecido para pessoas assintomáticas com o objetivo de

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selecionar aquelas com mais chances de ter uma enfermidade por apresentarem exames
alterados ou suspeitos e que, portanto, devem ser encaminhadas para investigação diagnóstica.
De acordo com o Ministério da Saúde, programas de rastreamento podem ser oferecidos de
duas formas diferentes:
Rastreamento organizado: ocorre quando um método de cuidado assistencial
comprovadamente efetivo para detectar uma doença, condição ou risco é
oferecido de forma sistematizada para a população-alvo. Rastreamento
oportunístico: ocorre quando a pessoa procura o serviço de saúde por algum
outro motivo e o profissional de saúde aproveita o momento para rastrear
alguma doença utilizando um método de cuidado assistencial
comprovadamente efetivo para detectar uma determinada doença, condição
ou risco (INCA, 2010).

No Brasil, o exame clínico anual das mamas além do rastreamento são as estratégias
recomendadas para controle do câncer da mama. As recomendações do Ministério da Saúde
para detecção precoce e diagnóstico desse câncer baseiam- se no controle do câncer de mama:
documento de consenso, de 2004, que considera como principais estratégias de rastreamento, o
exame clínico anual das mamas a partir dos 40 anos e um exame mamográfico, a cada dois
anos, para mulheres de 50 a 69 anos. Para as mulheres de grupos populacionais considerados
de risco elevado para câncer da mama, recomenda-se o exame clínico da mama e a mamografia,
anualmente, a partir de 35 anos (BARTH et al., 2014).
A Política Nacional de Atenção Oncológica garante o atendimento integral a qualquer
doente com câncer, por meio das Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia.
Segundo a Portaria nº2. 439/GM/MS de 8 de dezembro de 2005, este é o nível da atenção
capacitado para determinar a extensão da neoplasia, tratar, cuidar e assegurar a qualidade dos
serviços de assistência oncológica (BRASIL, 2010).
O tratamento do câncer de mama depende da fase em que a doença se encontra e do
tipo. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.
Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem um índice maior de ser curativo.
No caso de a doença já possuir metástases (quando o câncer se espalhou para outros órgãos), o
tratamento busca prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida (INCA, 2021).
O tratamento do câncer de mama deve ser planejado após um diagnóstico confirmado e
de acordo com fatores relacionados ao tumor ou ao hospedeiro. Em algumas situações também
é levado em consideração o perfil gênico. Quanto ao hospedeiro, a decisão terapêutica é tomada
após uma análise de fatores de extrema importância como: o estado menopausa, a idade,

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comorbidades e o grau de compreensão e sociocultural na decisão terapêutica (KALIKIS R et


al., 2007).
A assistência primária no câncer de mama traz como ponto-chave o exame clínico anual,
através da mamografia de rastreamento acompanhada do autoexame das mamas feito
mensalmente após o período menstrual. O autoexame faz com que a mulher se habitue a
conhecer o seu corpo e estar atenta a modificações em suas mamas, pois em geral, os tumores
mamários iniciais são pequenos e não provocam dor (SCHWANKE et al., 2008).
A Unidade Básica de Saúde (UBS) com a estratégia da saúde da família (ESF) é o nível
primário responsável pela orientação e detecção precoce do câncer de mama, por isso é
organizada para receber e realizar o exame clínico das mamas, solicitar mamografia nas
mulheres com situação de risco, receber os resultados e encaminhá-los à investigação mais
profunda em casos que indiquem risco para o câncer. Também é de responsabilidade da equipe
de enfermagem da UBS fazer reuniões educativas sobre o câncer de mama, visando a
conscientização da comunidade sobre a importância da prevenção e detecção precoce do câncer
de mama, fazer busca ativa na população alvo daquelas mulheres que nunca fizeram um exame
clínico das mamas e daquelas que já estão na fase de realizar a mamografia e orientar quanto a
importância de realizar o exame clínico anualmente, mesmo que não haja risco para o câncer
mamário (INCA, 2010).
Faz parte da assistência de enfermagem na atenção primária o ensino sobre o auto exame
das mamas, onde a profissional incentiva a mulher a se conhecer para que qualquer alteração
em seu corpo seja notada com rapidez. A palpação da mama consiste em utilizar todos os dedos
da mão para examinar o tecido mamário e linfonodos. Para palpar as mamas é necessária que a
mulher esteja em pé, de preferência na frente do espelho, a mão correspondente a mama
examinada deve ser colocada atrás do pescoço e com a outra mão realizar a palpação de forma
vertical em toda a mama começando sempre pela a axila (BRASIL, 2008).
Quanto à realização de ação educativa, é oportuno para o enfermeiro realizá- la durante
a consulta de enfermagem onde momento é fundamental, pois o profissional de enfermagem
possui autonomia em destacar as orientações quanto ao Autoexame Clínico das Mamas (ACM),
abordar aspectos mamários normais e aspectos característicos do Câncer de mama, assim como
realizar corretamente o Exame Clínico das Mamas (ECM), sendo também atribuição do
enfermeiro elencar ações para o controle do Câncer de Mama (MARINS; MACEDO; VIEIRA,
2017).

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O enfermeiro, no âmbito assistencial, é responsável por criar estratégias para prevenir o


câncer através da educação em saúde, destinando seus cuidados dentro da atenção básica, na
perspectiva da proteção dos agravos em saúde, sendo ele um importante mediador de ações de
promoção, prevenção e proteção à saúde, realizando um cuidado integral do ser, de forma
humanística e holística (SOUZA et al., 2017).
Logo, o enfermeiro pode solicitar exames complementares para investigação baseado
nos protocolos administrativos intermunicipais, realizar palestras ao frequentar os domicílios
na visita comunitária promovendo orientação quanto aos fatores de risco para o Câncer de
Mama (SALES et al., 2017).
A prática de enfermagem em cancerologia deve incluir todos os grupos etários de
mulheres e todas as especialidades da enfermagem necessitam dos conhecimentos básico desta
área sendo realizada em qualquer ambiente de cuidados de saúde, desde residências e
comunidades até instituições de cuidados agudos e centros de reabilitação. Vale ressaltar que a
assistência de enfermagem é prestada por uma equipe formada pelo enfermeiro, técnicos e
auxiliares de enfermagem, e que suas atribuições estão dispostas conforme do decreto nº
94.406/87, onde o enfermeiro é responsável pela elaboração, execução e avaliação dos planos
assistenciais de saúde, para que se tenha a prevenção e controle de possíveis danos à saúde do
paciente (RECCO et al., 2005).
A inserção da equipe de enfermagem no cuidado ao paciente oncológico requer
conhecimentos, habilidades e responsabilidades. Nesse sentido, as metas devem ser claras e
direcionadas ao paciente, sua família e demais pessoas significativas, contemplando os aspectos
físico, emocional, social e espiritual (STUMM et al., 2008).

2.2 Metodologia
Trata se de uma pesquisa bibliográfica do tipo revisão integrativa. A busca na literatura
foi nas bases de dados da Scienticif Eletronic Library (SCIELO), nos sites do INCA, Biblioteca
Virtual de Saúde (BVS), Ministério da Saúde e COFEN, tendo o ano de publicação entre os
anos de 2005 - 2021.
O período de coletas de dados foi de janeiro a maio de 2021, sendo definidos como
critérios de inclusão dos artigos: estudos publicados em português e inglês disponíveis de forma
gratuita e online. A palavras chaves: câncer de mama, papel da enfermagem na atenção básico
e papel da enfermagem com o câncer de mama. Sendo excluídos os artigos científicos que não

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possuíam o texto completo e que não estava disponível gratuitamente e aqueles que não
apresentavam relação com o tema.

2.3 Discussão dos Resultados


Após a execução das buscas foram encontrados 11 artigos relevantes ao tema estudado.
Para a realização desta revisão os resumos dos estudos foram submetidos a leitura exploratória,
analítica e interpretativa, dentre eles os estudos que mais estavam de acordo com o tema e com
os critérios de inclusão foram utilizados para construção da discussão desta revisão integrativa.
Abaixo está a relação (QUADRO 2) dos artigos utilizados para a realização da temática.

QUADRO 2 - Descrição dos artigos utilizados na revisão integrativa.


AUTORES TITULO DOS ARTIGOS OBJETIVO
Aragão Bezzera, D., Oncologia. Atualização para Descrever o perfil de mulheres
Dourado, G. P., Pinto, graduação. atendidas em Unidade Básica de
V.D. P. T., & Frota, L. G. Saúde e identificar as atitudes
relacionadas à detecção precoce do
câncer de mama.
Brasil. Ministério da Ações de enfermagem para o Descrever a assistência de
Saúde. controle do câncer: Uma enfermagem no tratamento do câncer
proposta de integração ensino- de mama, visando à assistência básica
serviço. 3ªed. pg.256-271. antes, durante e após a detecção do
Brasil, 2008. câncer.
Coelho, R.C. P; Tratamento quimioterápico Avaliar as implicações do tratamento
Panobianco, M.S; adjuvante e neoadjuvante e as quimioterápico adjuvante e
Guimarães.P. R. B; implicações na qualidade de neoadjuvante na qualidade de vida de
Maftum, M.A; Santos, vida mulheres com câncer de mulheres com câncer de mama.
N.D; Kalinke, L.P mama.
Costa, W, B; Vieira, M.R. Mulheres com câncer de Foi compreender a percepção das
M; Nascimento, W.D. M; mama: interações e percepções mulheres portadoras de câncer de
Pereira, L. B; Leite, M. T. sobre o cuidado do enfermeiro. mama, durante o tratamento
S Ver. Min. Enfermagem, v.16, quimioterápico em relação ao cuidado
n.1, p: 31-37, 2016. realizado pelo enfermeiro, e analisar o
relacionamento entre eles numa
perspectiva de humanização.
Marins, G.; Macedo, D. O papel do enfermeiro na O objetivo deste estudo é descrever a
C.; Vieira, F. H. A. detecção precoce do câncer de importância do enfermeiro na
mama. orientação, promoção e prevenção do
câncer de mama.

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Melo E.M, Araújo T.L, Mulher mastectomiza da em Objetivou-se conhecer os estímulos


Oliveira T.C, Almeida tratamento quimioterápico : um que atuam na mulher mastectomizada
D.T. estudo dos comportamentos na em tratamento quimioterápico,
perspectiva do modelo identificar os comportamentos desta
adaptativo de ROY. Revista frente aos estímulos estabelecendo os
Brasileira de Cancerologia. diagnósticos de enfermagem e
Brasília, 2002. elaborar intervenções de enfermagem
com vistas a auxiliar a mulher na
promoção de respostas adaptativas.
Moraes, D.C., Almeida, Rastreamento oportunístico do Avaliar os aspectos clínicos,
A.M., Figueiredo, E.N., câncer de mama desenvolvido radiológicos, anátomo-patológicos e
Panobianco, M.S. por enfermeiros da Atenção terapêuticos de uma série decasos
Primária à Saúde. decarcinoma ductal in situ (CDIS) da
mama de pacientes atendidos em três
hospitais públicos de Belo Horizonte
(MG).
Recco D.C, Luiz B.C, O cuidado prestado ao paciente Objetivou compreender a assistência
Pinto M.H. portador de doença oncológica: de enfermagem prestada ao paciente
na visão de um grupo de portador de doença oncológica no
enfermeiras de um hospital de contexto de um hospital de grande
grande porte do interior do porte do interior do estado de São
estado de São Paulo. Arquivo Paulo.
Ciência Saúde. São Paulo,2005
Sá LR, Souza IEO. Enfermagem em saúde da Identificar as produções acadêmicas
mulher: Revisitando a de enfermagem na temática de câncer
produção acadêmica sobre o de mama oriundas da pós-graduação
câncer de mama. Revista stricto sensu; quantificar as produções
Pesquisa Cuidado acadêmicas de enfermagem sobre
Fundamental Online. Rio de câncer de mama relacionando-as com
Janeiro, 2010. os programas de pós-graduação
reconhecidos pela Coordenação de
Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível
Superior, (Capes).
Sales, M.A. Matias, Carcinoma ductal in situ da Avaliar os aspectos clínicos,
M.A.R., Perez, A.A., mama: critérios para radiológicos, anatomopatológicos e
GobbI, H. diagnostico e abordagem em terapêuticos de uma série de casos de
hospitais públicos de belo carcinoma ductal in situ (CDIS) da
Horizonte. Revista Brasileira mama de pacientes atendidos em três
de Ginecologia e obstetrícia, hospitais públicos de Belo Horizonte
Rio de janeiro, v. 28, n°12, (MG).
dezembro, 2017.
Souza, G. R. M. de; Atuação dos enfermeiros da Identificar a qualificação e conhecer a
Cazola, L. H. O.; Oliveira, estratégia saúde da família na atuação dos enfermeiros da Estratégia
S. M.V. L. de. atenção oncológica. Revista Saúde da Família na atenção
Escola Anna Nery, Campo oncológica.
Grande, MS, v. 21, n. 4, 2017.
Fonte: acervo dos autores, 2023.

Entre 30% e 50% dos cânceres podem ser prevenidos. O câncer pode ser controlado por
meio de estratégias baseadas na prevenção, a detecção precoce e o tratamento de pacientes com

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a doença. Muitos cânceres têm uma alta chance de cura se detectados e tratados precocemente
(OPAS, 2020).
O enfermeiro é aquele que atua desde a atenção básica prestando orientações, como a
realização do autoexame de mama, exame clínico das mamas e mamografia, como formas de
prevenção e é quem passa, também, a orientar o paciente durante o tratamento para esclarecer
dúvidas dos pacientes e ensinar sobre a forma correta de autocuidado As orientações realizadas
pelos enfermeiros aos pacientes em tratamento podem auxiliar na promoção do autocuidado e
são importantes para que os pacientes compreendam que também podem assumir sua
responsabilidade no tratamento (FERRARI et al., 2018).
O enfermeiro da atenção primária e secundária tem a responsabilidade de aplicar em sua
área assistencial seus conhecimentos sobre fatores de risco para o câncer de mama e sobre as
medidas de prevenção da doença. Orientar sobre os sinais e sintomas de alerta para o câncer,
que percebidos no início levam a um diagnóstico precoce e um prognóstico favorável a cura.
Além disso, atua no pré- operatório de pacientes que passam pela mastectomia. Já o enfermeiro
da atenção terciária busca atender as necessidades dos pacientes que passam por tratamento
complementar como a quimio prevenção, radioterapia e hormonioterapia (SÁ et al., 2010).
Para que se possa ter boas informações sobre os pacientes na consulta de enfermagem
deve conter anamnese para detectar fatores de risco, não se esquecendo do exame clinico das
mamas, orientação sobre o exame de Mamografia, ações educativas que expliquem o auto
exame das mamas além de realizar agendamento daquelas usuárias assintomáticas para consulta
regular (MORAES et al., 2016). Além disso o enfermeiro deve orientar as pacientes na
realização do Autoexame das Mamas periodicamente entre 7 a 10 dias após o início da
menstruação. Naquelas mulheres que já não menstruam, com menopausa, mulheres que
retiraram o útero ou aquelas em fase de aleitamento materno, é importante orientar quanto a
possível escolha de um dia mensal para realizar o auto exame da mama eventualmente
(RODRIGUES et al., 2012).
Para os pacientes que apresentarem suspeita de Cancer de Mama, a definição do plano
de cuidado se divide em três instâncias: a primeira corresponde se há presença dos sintomas
iniciais como vermelhidão nas mamas, assimetria, nódulos palpáveis; a segunda condiz com a
avaliação do mastologista e a terceira é encaminhada ao serviço de referência para iniciar o
tratamento (SALES et al., 2017). Segundo a Resolução do COFEN 210/1998, que dispõe sobre
a atuação dos profissionais de enfermagem que trabalham com quimioterápicos

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antineoplásicos, é de competência do enfermeiro: planejar, organizar, supervisionar, executar e


avaliar todas as atividades de enfermagem, elaborar protocolos terapêuticos de prevenção,
tratamento e minimização dos efeitos colaterais, realizar a consulta de enfermagem, ministrar
o quimioterápico prescrito conforme a farmacocinética da droga e protocolo terapêutico e
manter a biossegurança individual, coletiva e ambiental.
O tratamento do câncer de mama à é dividido em três tipos, os locais que são
basicamente o cirúrgico e radioterápico. Além dos sistêmicos, que tem uma maior abrangência,
chamados de quimioterápicos, hormonais, imunoterapia, e a terapia alvo, e os cuidados
paliativos, que podem unir tanto os cirúrgicos quanto os sistêmicos, que buscam não a cura da
doença, mas o alívio da dor e garantia da dignidade do indivíduo. A mastectomia, tratamento
cirúrgico é um dos mais utilizados, por desempenhar importante controle local, em sua maioria
das vezes impedindo sua disseminação (ARAGÃO et al., 2019).
As estratégias principais utilizadas pela enfermagem na hora de aplicar os cuidados na
recuperação da mulher em pós-operatório visam à prevenção de complicações relacionadas à
incisão cirúrgica, dreno, reabilitação física e em especial questões relacionadas aos sentimentos
e medo dessa paciente. Há então uma valorização do autocuidado, considerando de fundamental
importância a participação da própria mulher mastectomizada no processo de enfrentamento,
prevenção de complicações, recuperação e reabilitação após a cirurgia (COELHO et al., 2017).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que em relação a educar as mulheres para a realização de exames que
permitem o diagnóstico precoce do câncer de mama deve ser abordada, pois após a detecção do
câncer pode-se iniciar o tratamento precoce e evitar que o câncer se espalhe para outras partes
do organismo.
O câncer de mama é um problema de saúde pública, visto que várias mulheres são
diagnosticadas em estágios mais avançados da doença, pois só procuram o atendimento de
saúde quando encontram uma alteração na mama. Isso se deve, em grande parte, ao fato dessas
mulheres desconhecerem os exames ou não receberem as orientações de forma adequada quanto
à realização dos mesmos. O enfermeiro é visto como o profissional responsável pela realização
de controle do câncer de mama através de orientações, além de ressaltar a importância da
realização do autoexame das mamas e de destacar a necessidade de observação de sinais de
alterações possíveis nas mamas e esclarecer sobre os benefícios, vantagens e opções de

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rastreamento do câncer de mama, a fim de apoiar e encaminhar as mulheres para as melhores


ações de saúde, estimulando a autonomia para que estejam envolvidas no processo do cuidado
de sua saúde.
O tratamento do câncer de mama leva o paciente a enfrentar uma série de consequências
físicas e emocionais, o que torna de suma importância no âmbito da oncologia a atuação do
enfermeiro, de maneira a fornecer uma assistência de enfermagem sistematizada e humanizada;
assistência esta que atenda às necessidades desse paciente, promovendo seu conforto físico,
emocional e espiritual.

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