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Classificação da Deficiência Intelectual

O documento aborda a deficiência intelectual, seus conceitos, causas e diferentes graus de comprometimento. Destaca a importância da educação física adaptada para a inclusão de indivíduos com deficiência intelectual, além de apresentar a história e evolução do tratamento e apoio a essas pessoas no Brasil. O texto também classifica a deficiência intelectual em graus de dependência e capacidade funcional, enfatizando a necessidade de atividades físicas inclusivas.
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Classificação da Deficiência Intelectual

O documento aborda a deficiência intelectual, seus conceitos, causas e diferentes graus de comprometimento. Destaca a importância da educação física adaptada para a inclusão de indivíduos com deficiência intelectual, além de apresentar a história e evolução do tratamento e apoio a essas pessoas no Brasil. O texto também classifica a deficiência intelectual em graus de dependência e capacidade funcional, enfatizando a necessidade de atividades físicas inclusivas.
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EDUCAÇÃO

FÍSICA
ADAPTADA

Juliano Vieira da Silva


Deficiência intelectual
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

 Avaliar os conceitos de deficiência intelectual.


 Reconhecer os diferentes graus de deficiência intelectual.
 Programar atividades físicas inclusivas para pessoas com deficiência
intelectual.

Introdução
A deficiência intelectual é um comprometimento cognitivo que pode
trazer inúmeros prejuízos a quem é acometido por ela. Esses problemas
podem estar relacionados a inúmeras atividades cotidianas, como a
comunicação, a socialização e, até mesmo, hábitos diários de higiene
ou de lazer.
As aulas de educação física são espaços que trazem inúmeros be-
nefícios cognitivos, afetivos e sociais para os alunos. Para os indivíduos
com deficiência intelectual, elas podem representar um grande desafio
na sua integração e na exploração de suas capacidades.
Neste capítulo, você vai compreender os conceitos de deficiên-
cia intelectual, bem como reconhecer seus diferentes graus e, ainda,
programar atividades físicas inclusivas para pessoas com esse tipo de
deficiência.

Conceitos de deficiência intelectual


A deficiência intelectual é a que apresenta menor incidência entre a população
brasileira, embora apareça representada em todas as faixas etárias. Segundo
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em seu último Censo
Demográfico, realizado em 2010, mais de 2,6 milhões de brasileiros possuem
deficiência intelectual.
2 Deficiência intelectual

Na história do Brasil, as pessoas com esse tipo de deficiência sofre-


ram preconceito e segregação. No Período Imperial, por exemplo, poucas
ou quase nulas foram as ações relacionadas às pessoas com deficiência
intelectual. A responsabilidade de cuidar dessas pessoas era da Igreja e
realizada em hospitais, asilos e escolas (LOBO, 2008). Ainda nesse perí-
odo, Giordano (2000) confirma essa questão destacando a construção de
hospitais psiquiátricos.
O Código Civil de 1916 trata as pessoas com deficiência intelectual como
“incapazes” de exercerem sua vida civil por não conseguirem expressar sua
vontade individual. Lobo (2008) afirma que, até meados do século XX, a
pessoa com deficiência intelectual no Brasil era associada e tratada como
alguém que tinha doença mental, ou seja, eram indivíduos considerados
“loucos de todo o gênero”.
Nos anos 1950, a responsabilidade de cuidar dessas pessoas passa a
ser das instituições filantrópicas. Destacam-se a Sociedades Pestalozzi
e as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), criadas,
respectivamente, em 1935, em Belo Horizonte/MG, e em 1954, na cidade
do Rio de Janeiro, tornando-se as pioneiras nos trabalhos pedagógicos
e de habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência intelectual.
Durantes as décadas subsequentes, essas sociedades e associações foram
sendo estabelecidas em todo o Brasil (ASSUMPÇÃO; SPROVIERI, 2000
apud GIORDANO, 2000).

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Figura 1) segue prestando serviços


à comunidade brasileira até os dias atuais. Seu campo de atuação é o cuidado e o
ensino a pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Ao todo, são 2178 unidades
em mais de 2 mil municípios de todo o país atendendo 250 mil pessoas com essas
deficiências.
Deficiência intelectual 3

Figura 1. A APAE nos seus primeiros anos em Campinas/SP.


Fonte: Correio (2016, documento on-line).

Assim como os direitos, o termo deficiência intelectual também é


recente, sendo implantado no século XXI. Esse termo foi introduzido e
utilizado na Declaração de Montreal sobre a Deficiência Intelectual, no ano
de 2001, em Montreal, no Canadá. Segundo Sassaki (2002), a denominação
“deficiência intelectual” veio para substituir a denominação “deficiência
mental”, que ainda pode ser encontrada na legislação brasileira que trata
das pessoas com deficiência relacionada à cognição, associada ao intelecto
e à adaptação social.
A partir de agora, vamos apresentar alguns conceitos e características
referentes à deficiência intelectual. Segundo o Decreto nº. 5296/2004, são
consideradas pessoas com deficiência intelectual aquelas que apresentam:

Funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifes-


tação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de
habilidades adaptativas, tais como: comunicação; cuidado pessoal; habilidades
sociais; utilização dos recursos da comunidade; saúde e segurança; habilidades
acadêmicas; lazer; e trabalho (BRASIL, 2004, documento on-line).
4 Deficiência intelectual

A pessoa com deficiência intelectual apresenta alterações significativas


tanto no desenvolvimento intelectual quanto nas habilidades práticas, sociais
e conceituais. Ampudia (2011, documento on-line) caracteriza os indivíduos
com deficiência intelectual da seguinte forma:

Pessoas com deficiência intelectual ou cognitiva costumam apresentar di-


ficuldades para resolver problemas, compreender ideias abstratas (como as
metáforas, a noção de tempo e os valores monetários), estabelecer relações
sociais, compreender e obedecer a regras e realizar atividades cotidianas, por
exemplo, as ações de autocuidado.

Confira um pouco mais sobre o que é a deficiência intelectual, suas limitações e


estratégias possíveis acessando o vídeo do Canal “Neuro Saber”, com a fala do médico
neurologista infantil Clay Brites.

[Link]

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais


(apud DIEHL, 2006, p. 76), “[...] deficiência mental é o estado intelectual
significativamente inferior à média”. A mesma autora ainda afirma que a
Organização Mundial de Saúde considera como pessoa com deficiência in-
telectual a pessoa que apresenta o desenvolvimento intelectual abaixo da
média da população, isto é, QI (quociente de inteligência) menor que 70, tendo
limitações no aspecto de desenvolvimento motor e social.
Sobre a deficiência intelectual, Honora e Frizanco (2008) apontam que ela
não é considerada uma doença ou um transtorno psiquiátrico, e sim um ou
mais fatores que causam prejuízo das funções cognitivas que acompanham o
desenvolvimento diferente do cérebro.
Segundo dados do Instituto Inclusão Brasil, 87% das crianças com essa
deficiência apresentam maiores dificuldades de aprendizagem se comparadas
às crianças sem deficiência. No entanto, a grande maioria, quando estimulada,
alcança autonomia ao longo da vida. Apenas 13% com comprometimentos
mais severos vai depender de atendimento especializado por toda vida (AM-
PUDIA, 2011).
Gimenez (2008) aponta que as causas da deficiência intelectual podem ser
divididas em três níveis diferentes:
Deficiência intelectual 5

 Causas pré-natais:
■ infecções como rubéola, malária, toxoplasmose, caxumba, herpes
e sífilis;
■ álcool, drogas, intoxicação e radiações;
■ hidrocefalia (Figura 2) ou macrocefalia;
■ microcefalia;
■ desnutrição materna;
■ alterações na distribuição cromossômica: X frágil e síndrome de Down;
■ anormalidades genéticas que afetam o metabolismo.
 Causas perinatais:
■ anóxia (ausência de oxigênio) ou hipóxia (carência de oxigênio) no
parto ou algum tipo de trauma que resulte em lesão cerebral;
■ prematuridade.
 Causas pós-natais:
■ moléstias desmielinizantes: sarampo e caxumba;
■ radiações e medicamentos;
■ privação econômica (influenciando na nutrição);
■ privação familiar e cultural (estimulação motora e pedagógica, in-
fluências emocionais resultantes da estrutura familiar).

Figura 2. Cérebro de criança com hidrocefalia.


Fonte: Beltrame (2018, documento on-line).

Um dos fatores mais alarmantes nessas causas é o da desnutrição. Embora


o número tenha diminuído, 3,4 milhões de brasileiros são considerados des-
nutridos segundo a Organização das Nações Unidas. Além de ser responsável
por inúmeras mortes, a falta de alimentação pode acarretar deficiência intelec-
6 Deficiência intelectual

tual e trazer prejuízos no crescimento e no desenvolvimento. A desnutrição,


no período embrionário e nos primeiros meses de vida, pode prejudicar o
surgimento de células, sendo, assim, causadora da deficiência intelectual
(MATURANA; MENDES, 2017).
Nesta seção, você conferiu o conceito de deficiência intelectual, um breve
histórico dessa deficiência no Brasil e suas causas, que se dividem em pré-
-natais, perinatais e pós-natais. Na sequência, acompanhe as diferentes clas-
sificações da deficiência intelectual.

Diferentes graus de deficiência intelectual


A deficiência intelectual pode ser classificada a partir de seus diferentes graus.
Winnick (2004) aponta que esse tipo de deficiência pode ser classificado
conforme a dependência, a gravidade ou a capacidade funcional e adaptativa.
Veja, a seguir, as características e as classificações relacionadas a esses
indivíduos.

Dependência
A deficiência intelectual, de acordo com a dependência, seria o grau de apoio
que o indivíduo necessita em um ambiente particular. Winnick (2004) aponta
que esse comprometimento pode ser classificado como:

 Intermitente: apoios de curto prazo se fazem necessários durante as tran-


sições da vida, como, por exemplo, na perda do emprego ou fase aguda
de uma doença — esse apoio pode ser de alta ou de baixa intensidade.
 Limitado: apoio regular durante um período curto. Nesse caso, incluem-
-se pessoas com deficiência que necessitam de um apoio mais intensivo
e limitado, como, por exemplo, o treinamento da pessoa com deficiência
para o trabalho por tempo limitado ou apoios transitórios durante o período
entre a escola, a instituição e a vida adulta.
 Extensivo: apoio constante, com comprometimento regular, sem limite
de tempo. Nesse caso, não existe uma limitação temporal para o apoio,
que, normalmente, ocorre em longo prazo.
 Generalizado: apoio constante e de alta intensidade; possível necessi-
dade de apoio para a manutenção da vida. Esses apoios generalizados
exigem mais pessoal e maior intromissão que os apoios extensivos ou
os de tempo limitado.
Deficiência intelectual 7

Capacidade funcional e adaptativa


Essa classificação se refere aos ambientes em que os indivíduos se adaptam
e também às funções que conseguem desempenhar. Freitas, Soares e Pereira
(2010) a dividem em:

 Educáveis: crianças que conseguem educar-se em classes comuns (ainda


que com muitas dificuldades, visto o sistema de ensino atual), embora
necessitem de acompanhamento psicopedagógico especial. Têm uma inte-
ligência conhecida como “lenta ou limítrofe”, sendo seu QI entre 76 e 89.
 Treináveis: crianças que, se colocadas em classes especiais, poderão
treinar várias funções, como disciplina, hábitos higiênicos, etc. Poderão
aprender a ler e escrever em ambiente sem hostilidade, recebendo muita
compreensão, afeto e com metodologia de ensino adequada. Possuem
QI entre 25 e 75.
 Dependentes: são os casos mais graves, sendo necessário o atendimento
por instituições. Há poucas, pequenas, mas contínuas melhoras quando
a criança e a família estão bem assistidas. Geralmente, apresentam QI
abaixo de 25.

Gravidade da dependência
Essa classificação é proposta pela Classificação Estatística Internacional de
Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) e é determinada conforme a
gravidade e avaliada por testes psicométricos, sendo dividida em quatro níveis.

Leve

Esses indivíduos possuem QI entre 55 e 69 e apresentam uma aprendiza-


gem lenta; porém, têm plena capacidade para realizar tarefas escolares
e da vida cotidiana (GIMENEZ, 2008). Nascimento e Szmanski (2013)
apontam que esse grupo representa o maior segmento — em torno de
85% das pessoas com deficiência intelectual — e desenvolve habilidades
sociais e de comunicação.

Moderada

Gimenez (2008) sublinha que as pessoas com deficiência intelectual moderada


têm considerável atraso, o que acarreta, na maioria dos casos, problemas
8 Deficiência intelectual

motores visíveis. O mesmo autor destaca que, por outro lado, esses indivíduos
têm facilidade na inserção social na família, em hábitos higiênicos, na escola
e na comunidade. Esse grupo consiste em 10% da população das pessoas com
deficiência intelectual, que, quando orientadas na infância, encontram menos
dificuldades (NASCIMENTO; SZMANSKI, 2013), podendo, assim, ter atitudes
mais elaboradas. O QI dessas pessoas varia entre 40 e 54.

Grave ou severa

As pessoas com deficiência intelectual grave ou severa, geralmente, apresentam


distúrbios ortopédicos e sensoriais. Também possuem grandes dificuldades na
comunicação e na mobilidade. Podem alcançar resultados ao exercer atividades
condicionadas e repetitivas, desde que supervisionadas (GIMENEZ, 2008).
O QI desse grupo varia entre 25 e 39, e esses indivíduos constituem em torno
de 3% a 4% das pessoas com deficiência intelectual. Nascimento e Szmanski
afirmam que esses indivíduos apresentam:

[...] nenhuma fala comunicativa durante os primeiros anos da infância. Porém,


na idade escolar, aprendem a falar e, se treinados, adquirem habilidades de
higiene. Quanto à aprendizagem, familiarizam-se com o alfabeto, contagem
simples e podem, também, reconhecer algumas palavras fundamentais à
sobrevivência; sentadas, sem cair (NASCIMENTO; SZMANSKI, 2013, p. 5).

Profunda

Essas pessoas apresentam QI abaixo de 24 e, frequentemente, apresentam


problemas físicos aliados à deficiência intelectual, além de graves problemas
sensoriais, como fala e audição, e ortopédicos (deformação da estrutura corpo-
ral). Indivíduos com deficiência intelectual profunda apresentam dependência
completa e grandes limitações referentes à aprendizagem, segundo Gimenez
(2008). Nascimento e Szmanski (2013) destacam a necessidade de que outra
pessoa assuma os cuidados e supervisione essas pessoas para a execução de
tarefas simples, como higiene e comunicação. Esse grupo consiste em torno
de 1% a 2% dos indivíduos com deficiência intelectual.
Deficiência intelectual 9

A palavra psicométrico é uma junção dos termos “psique” (mente) e “metro” (medida).
Assim, testes psicométricos são avaliações que medem as características psicológicas
de uma pessoa. Como exemplos, temos o quociente de inteligência, os traços de
personalidade e os estilos de comportamento.

Silva (2016, p. 6) aponta que uma considerável parcela de pessoas com defi-
ciência intelectual ainda apresenta síndromes. A autora aponta que síndromes
são “sinais e sintomas que, juntos, evidenciam uma condição particular”. Entre
as síndromes, a mais conhecida é a síndrome de Down (Figura 3), que consiste
em um problema genético durante a formação na divisão celular do embrião.
Em pessoas sem deficiência, a célula se constitui em 46 cromossomos divididos
em 23 pares. A pessoa que tem síndrome de Down possui 47 cromossomos,
sendo que o cromossomo extra é ligado ao par 21 (MORAES, 2018). Sendo
assim, a síndrome de Down se caracteriza por ser uma:

Alteração genética que ocorre na formação do bebê, no início da gravidez. O


grau de deficiência intelectual provocado pela síndrome é variável, e o quociente
de inteligência (QI) pode variar e chegar a valores inferiores a 40. A linguagem
fica mais comprometida, mas a visão é relativamente preservada. As interações
sociais podem se desenvolver bem, no entanto, podem aparecer distúrbios como
hiperatividade, depressão, entre outros (APAE..., 2018, documento on-line).

Figura 3. Criança com síndrome de Down.


Fonte: Vida Mais Livre (2011, documento on-line).
10 Deficiência intelectual

Além da síndrome de Down, existem outras síndromes que têm a deficiência intelectual
como característica: a síndrome do X frágil (alteração genética que provoca atraso
mental e comprometimento ocular), a síndrome de Prader-Willi (além dos problemas
intelectuais, também apresenta hipotonia muscular e pequena estatura) e a síndrome
de Angelman (comprometimento intelectual associado a fala, atraso psicomotor e
dificuldade de andar).

Nesta seção, você viu os graus de classificação da deficiência intelectual,


que se divide em dependência, capacidade funcional e adaptativa e gravidade.
Também foi apresentada a síndrome de Down, que possui relação com a
deficiência intelectual. Na sequência, você conhecerá atividades físicas para
pessoas com deficiência motora que podem ser aplicadas em aula e colaborar
com o desenvolvimento desse alunos.

Atividades físicas para pessoas com deficiência


intelectual
Existem diversas abordagens e atividades físicas que podem ser realizadas
para pessoas com deficiência intelectual. Gimenez (2008) aponta que, devido
à heterogeneidade desse público, torna-se difícil, para o professor, estabelecer
uma estratégia comum que se aplique a todos. Assim, o autor destaca, entre
as adaptações e os cuidados que o professor precisa ter na hora de se dirigir
a esses discentes na aula de educação física, as seguintes:

 Concisão e clareza nas informações: como a pessoa com deficiência


intelectual apresenta maiores dificuldades para compreender, é impor-
tante que as explicações sejam objetivas. Também é necessário que o
professor mude o tom de voz, ressaltando o mais importante, e que se
posicione adequadamente.
 Uso de diferentes canais sensoriais para a transmissão da informação:
usar o auditivo, o visual, como figuras, e também o tato.
 Associação de informações com a realidade do aluno: realizar associa-
ções que favoreçam o processo de ensino-aprendizagem.
Deficiência intelectual 11

Segundo o Ministério da Educação, também são necessárias adaptações


em três níveis:

Adaptações no nível do projeto pedagógico (currículo escolar) que devem focalizar,


principalmente, a organização escolar e os serviços de apoio, propiciando condi-
ções estruturais que possam ocorrer no nível de sala de aula e no nível individual.
Adaptações relativas ao currículo da classe, que se referem, principalmente,
à programação das atividades elaboradas para sala de aula.
Adaptações individualizadas do currículo, que focalizam a atuação do profes-
sor na avaliação e no atendimento a cada aluno (BRASIL, 1998 apud REIS;
ROSS, 2018, p. 16).

Freitas, Soares e Pereira (2010) apontam que o grau de comprometimento


da pessoa com deficiência intelectual depende muito do estímulo, da história
de vida do paciente, do apoio familiar e do suporte necessário para a apren-
dizagem. Sobre isso, a Associação Americana de Retardo Mental (AAMR)
(AMERICAN..., 2002) propôs um modelo envolvendo uma relação dinâmica
entre o funcionamento do indivíduo, os apoios de que esse dispõe e cinco
dimensões a serem consideradas em seu desenvolvimento:

 Dimensão I — habilidades intelectuais;


 Dimensão II — comportamento adaptativo (habilidades conceituais,
sociais e práticas de vida diária);
 Dimensão III — participação, interações e papéis sociais;
 Dimensão IV — saúde (saúde física, saúde mental, etiologia);
 Dimensão V — contexto (inserção ambiental e cultural).

A seguir, veja algumas atividades que podem ser realizadas nas aulas de
educação física com o objetivo de incluir a pessoa com deficiência intelectual
(Figura 4), trabalhando habilidades motoras manipulativas e locomotoras, e
que podem ser vivenciadas pelos alunos sem essa deficiência.

 Passa João
Número de participantes: livre.
Descrição do jogo: com os alunos sentados em círculo, o professor inicia
pegando uma bola e cantando a canção “Passa João”: “O João vai passar, ele
ainda não chegou, ele ainda não chegou, ele acaba de chegaaar!”. Enquanto
isso, os participantes passam a bola de mão em mão para os colegas, até que
12 Deficiência intelectual

todos os componentes do círculo a tenham tocado. Ao parar a música, a bola


para de ser passada e aquele que estiver com a bola deverá imitar um bicho.
Variação: em vez de cantar “Passa João”, trocar pelo nome dos alunos
consecutivamente, até citar o nome de todos. Exemplo: “A Maria vai
passar, ela ainda não chegou, ela ainda não chegou, ela acaba de chega-
aar!”. Nesse tipo de brincadeira, deve-se estimular a criança a participar
do jogo cantando (DIEHL, 2006).

 Jogo dos balões


Número de participantes: livre.
Material: balões.
Descrição do jogo: cada aluno segurará um balão. Todos deverão estar
em pé e agrupados. Ao sinal do professor, todos deverão jogar os balões
para cima, procurando mantê-los no ar a partir de pequenos toques, sem
deixar cair no chão — não importa de quem será o balão. O balão que
cair no chão deverá permanecer no chão. O professor determinará o
tempo de duração do jogo; após esse tempo, os alunos contarão quantos
balões conseguiram salvar. A cada jogo, o professor incentivará aos
alunos a salvar mais balões (DIEHL, 2006).

Figura 4. Atividades lúdicas com pessoas com deficiência intelectual.


Fonte: São Paulo (2018, documento on-line).
Deficiência intelectual 13

 Dança do chapéu
Número de participantes: livre.
Material: som, chapéu (ou algo para simbolizar um chapéu).
Descrição do jogo: em dupla, os alunos dançarão livremente. Um aluno
estará sozinho segurando o chapéu. Em determinado momento, o pro-
fessor desligará a música, e o aluno que estiver segurando o chapéu
colocará o chapéu na cabeça de outro aluno, que ocupará seu lugar,
sendo o próximo bailarino do chapéu (DIEHL, 2006).

 Pega-pega corrente
Número de participantes: livre.
Descrição do jogo: os alunos estarão dispersos pela quadra; um deles será
escolhido para ser o pegador. Os alunos que forem pegos deverão unir-se
ao pegador dando as mãos e formando uma corrente. O jogo termina
quando todos os alunos forem pegos, formando uma grande corrente.

Nesta seção, vimos um pouco da trajetória da deficiência intelectual no


Brasil e seus conceitos. A pessoa com essa deficiência apresenta funcionamento
intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos
dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades
adaptativas. Esses comprometimentos podem ser resultado de inúmeros fatores,
como pré-natais, perinatais e pós-natais.
Ainda foram apresentadas as classificações da deficiência intelectual, que
pode ser feita por dependência (intermitente, limitado, extensivo e generali-
zado), capacidade funcional e adaptativa (educáveis, treináveis e dependentes)
e pela gravidade (leve, moderada, grave ou profunda).
Por fim, vimos estratégias para que o aluno com deficiência intelectual
tenha um melhor aproveitamento da aula, como o uso de materiais concretos,
associações e uma explicação concisa e clara. Também foram apresentadas
atividades adaptadas para esses indivíduos. A partir deste capítulo, você já
adquiriu conhecimentos relativos à deficiência intelectual que irão colaborar
no seu cotidiano de professor, reconhecendo as diferenças no discente e ela-
borando estratégias de aula.
14 Deficiência intelectual

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