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Avaliação da Personalidade EPQ-R

O EPQ-R é um questionário de personalidade desenvolvido por S. Eysenck e colaboradores em 1985, que avalia três dimensões fundamentais da personalidade: Psicoticismo, Extroversão e Neuroticismo, além de incluir uma escala de desejabilidade social. A versão portuguesa do EPQ-R, composta por 70 itens, foi validada para a população local e é aplicável em diversos contextos, como clínico e forense. Estudos psicométricos demonstraram que o EPQ-R é um instrumento confiável e válido para a avaliação da personalidade em Portugal.

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Avaliação da Personalidade EPQ-R

O EPQ-R é um questionário de personalidade desenvolvido por S. Eysenck e colaboradores em 1985, que avalia três dimensões fundamentais da personalidade: Psicoticismo, Extroversão e Neuroticismo, além de incluir uma escala de desejabilidade social. A versão portuguesa do EPQ-R, composta por 70 itens, foi validada para a população local e é aplicável em diversos contextos, como clínico e forense. Estudos psicométricos demonstraram que o EPQ-R é um instrumento confiável e válido para a avaliação da personalidade em Portugal.

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EPQ-R

O QUESTIONÁRIO DE PERSONALIDADE DE EYSENCK – FORMA REVISTA (EPQ-R) foi construído em 1985 por
S. Eysenck, H. Eysenck e Barrett.

O EPQ-R é um instrumento de avaliação da personalidade (método objetivo) baseado no Modelo P-E-N de H.


Eysenck (Big Three), que se enquadra numa abordagem nomotética.

A versão original (inglesa) deste instrumento é constituída por 100 itens dicotómicos, de resposta “Sim”/“Não” (itens
cotados de modo direto e itens cotados de modo inverso).

Os estudos de adaptação, validação e aferição do EPQ-R para a população portuguesa foram efetuados por
Almiro e M.R. Simões (2013a, 2013b; Almiro, 2013). No estudo português, as potencialidades deste
instrumento foram exploradas no contexto da comunidade e nos contextos clínico e forense.

O EPQ-R avalia as três dimensões/fatores fundamentais da personalidade – o Psicoticismo, a Extroversão e o


Neuroticismo – e contém uma escala de Mentira/Desejabilidade Social – a escala L (Lie).

O fator N avalia, num continuum, a personalidade neurótica – que engloba os traços de emotividade, ansiedade,
depressão, hiper-preocupação, irritabilidade fácil, sentimentos de culpa, baixa autoestima, entre outros – e a
personalidade estável – caracterizada pelos traços opostos de serenidade, controlo, boa disposição, entre outros.

O fator E avalia, num continuum, a personalidade extrovertida – que abrange os traços de sociabilidade, vivacidade,
atividade, assertividade, dominância, espontaneidade, espírito de aventura, otimismo, entre outros – e a personalidade
introvertida – caracterizada pelos traços opostos de introspeção, inibição, baixa sociabilidade, cautela, pessimismo,
entre outros.

O fator P avalia, num continuum entre a normalidade e a psicopatologia, os sujeitos que são criativos, egocêntricos,
pouco empáticos, desconfiados, rígidos, desajustados, impulsivos, hostis e agressivos, entre outros traços.

A escala L é uma medida de desejabilidade social; ou seja, pretende avaliar a tendência dos sujeitos para atribuir a si
próprios atitudes/comportamentos com valores socialmente desejáveis e para rejeitar em si mesmos a presença de
atitudes/comportamentos com valores socialmente indesejáveis.

Em situação de avaliação, estes sujeitos também podem apresentar comportamentos de dissimulação e de


defensividade (“fake good”). Esta “distorção”, que pode ocorrer ou não de forma consciente, constitui um fator
importante a considerar no enviesamento das respostas.

Na versão portuguesa do EPQ-R, constituída por 70 itens, a escala N possui 23 itens, a escala E possui 20 itens
(19 itens cotados de modo direto e 1 item cotado de modo inverso), a escala P possui 9 itens (4 itens cotados de modo
direto e 5 itens cotados de modo inverso), e escala L possui 18 itens (4 itens cotados de modo direto e 14 itens cotados
de modo inverso).

O EPQ-R é um teste normativo (com referência à norma) e pode ser aplicado a sujeitos com mais de 16 anos
(adolescentes, adultos e idosos), para fins de investigação e de avaliação psicológica na comunidade e em
diversos contextos (por exemplo, saúde, clínico, forense, militar, educacional, vocacional, organizacional,
trabalho, social, entre outros).
A aplicação do EPQ-R pode ser individual ou coletiva, porque é um questionário de autorresposta.

Trata-se de um teste de papel-e-lápis, cujo material consiste no próprio questionário (70 itens), que contém as
instruções para o seu preenchimento: «Por favor, em cada questão que se segue responda Sim ( S ) ou Não ( N ),
assinalando com uma cruz ( X ). Não há respostas “certas” ou “erradas”, por isso responda de acordo com a sua
maneira habitual de ser, pensar e sentir. Responda rapidamente e não pense demasiado no significado exato das
mesmas questões. As respostas são confidenciais».

O tempo médio de administração individual, em contexto normativo, varia entre 10 e 15 minutos. Para cada
questão (item), o sujeito deve assinalar “Sim” ou “Não”, “de acordo com a sua maneira habitual de ser,
pensar e sentir”.

Nas quatro escalas do EPQ-R (P, E, N, L), a correção das respostas é efetuada mediante uma chave de cotação.
As escalas são independentes entre si (seguindo o princípio da ortogonalidade) e, por isso, a pontuação obtida em
cada escala é independente das restantes (este questionário não possui um nota global).

As normas para a interpretação do EPQ-R foram estabelecidas na versão original inglesa através das médias
(M) e dos desvios-padrão (DP) das pontuações obtidas para cada escala, em função do género (homens e
mulheres) e da idade (entre os 16 e os 70 anos: 16-20, 21-30, 31-40, 41-50, 51-60, 61-70). Na versão portuguesa,
seguiu-se o mesmo procedimento.

Embora o EPQ-R tenha uma reconhecida aplicabilidade clínica e forense, foi construído para avaliar o funcionamento
normal da personalidade. Por isso, as pontuações devem ser interpretadas com referência às normas obtidas no
contexto da comunidade (amostra normativa).

A avaliação da personalidade proporcionada pelo EPQ-R resulta da descrição das características emocionais
e comportamentais (relacionadas com o carácter, o temperamento e os aspetos intelectuais e físicos) do
sujeito, em função das dimensões P, E, N (fatores de segunda-ordem ou superfatores), que são integradas
num sistema compreensivo de análise dos traços (fatores de primeira-ordem ou fatores primários).

A avaliação da escala L, como uma medida de Mentira/Desejabilidade Social, constitui um elemento essencial
na apreciação da personalidade do sujeito e do seu nível de sinceridade a responder ao questionário (escala
de validade).

Para examinar as propriedades psicométricas da versão portuguesa do EPQ-R, foram efetuados estudos de
precisão e de validade no âmbito da Teoria Clássica dos Testes (TCT) e da Teoria da Resposta ao Item (TRI).

Na TCT, foi estudada: a precisão, pela análise da consistência interna e teste-reteste (estabilidade temporal entre 4 a
8 semanas); a validade de constructo, pela análise fatorial exploratória (AFE) e pela análise fatorial confirmatória
(AFC); a validade de critério concorrente, utilizando o Inventário Depressivo de Beck II (BDI-II), o Inventário de
Estado-Traço de Ansiedade (STAI), o Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI), a Escala de Desejabilidade
Social de Marlowe-Crowne (MCSDS), as Paulhus Deception Scales (PDS), a Escala de Avaliação da
Vulnerabilidade ao Stress (23QVS) e o Inventário dos Cinco Fatores (NEO-FFI).

Na TRI, aplicando o Modelo de Rasch, realizou-se: a análise da qualidade dos itens, através da estatística infit e
outfit; o estudo da precisão, pela precisão da separação dos itens, pela precisão da separação dos sujeitos e pelo
erro padrão; o estudo da validade, pela análise de componentes principais dos resíduos (ACPR) e pela análise do
funcionamento diferencial dos itens (DIF).

A versão portuguesa do EPQ-R apresentou, na generalidade, bons índices de precisão e de validade,


replicando a estrutura fatorial da versão original do questionário (inglesa). Os dados obtidos comprovaram
que o EPQ-R mede convenientemente os constructos de Neuroticismo, Extroversão e Psicoticismo definidos
por H. Eysenck (validade de constructo), e que o EPQ-R é um instrumento de avaliação da personalidade
adequado ao contexto português.

Nestes estudos, participaram 1689 sujeitos, 783 homens (46.36%) e 906 mulheres (53.64%), com idades entre
16 e 60 anos (amostra masculina, M=32.58, DP = 11.66; amostra feminina, M=32.13, DP = 10.81).

A amostra nacional em estudo era extensa e representativa da população. Os sujeitos avaliados exerciam
profissões diferentes e eram provenientes das diversas regiões de Portugal, definidas por NUTS, pelo Instituto
Nacional de Estatística (2002, 2012): Norte, 35.76%, n=604; Centro, 22.02%, n=372; Lisboa, 25.40%, n=429;
Alentejo, 8.00%, n=135; Algarve, 3.97%, n=67; Açores, 2.78%, n=47; Madeira, 2.07%, n=35) [localização geográfica,
litoral (80.70%, n=1363) e interior (19.30%, n=326)]. As variáveis escolaridade e estado civil foram igualmente
consideradas nestas pesquisas.

Foram também realizados estudos de validação do EPQ-R no contexto clínico (N=207), no contexto forense
(N=85), um estudo normativo com uma amostra de adultos idoso (N=205; idades superiores a 60 anos), e um
estudo de validação no contexto militar (N=568).

A obtenção de pontuações significativamente diferentes entre as diversas amostras avaliadas (normativa,


clínica, forense, idosos e militares) justificou a definição de normas diferenciadas para cada tipo de
população.

A construção da versão portuguesa do EPQ-R (Almiro, & M.R. Simões, 2013a, 2013b) e os estudos psicométricos
efetuados com esta versão basearam-se nas normas habitualmente utilizadas neste tipo de investigação (cf. Nunnally,
1978; Kline, 1993; Hambleton, & Swaminathan, 1985; Hambleton, 1994, 2001; Hambleton, Merenda, & Spielberger,
2005; American Educational Research Association, American Psychological Association, National Council on
Measurement in Education, 1999; International Test Commission, 1999/2003; Geisinger, 2003; Robins, Fraley, &
Krueger, 2007).

Bibliografia

Almeida, L.S., & Freire, T. (2003). Metodologia da investigação em psicologia e educação (3ª ed.). Braga: Psiquilibrios.

Almiro, P.A. (2013). Adaptação, validação e aferição do EPQ-R para a população portuguesa: Estudos nos contextos clínico,
forense e na comunidade. Dissertação de Doutoramento, não publicada, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
da Universidade de Coimbra, Coimbra.

Almiro, P.A., & Simões, M.R. (2013a, em preparação). Manual da versão portuguesa do Questionário de Personalidade de
Eysenck – Forma Revista (EPQ-R). Coimbra: Laboratório de Avaliação Psicológica.

Almiro, P.A., & Simões, M.R. (2013b, in press). Questionário de Personalidade de Eysenck – Forma Revista (EPQ-R). In L.S.
Almeida, M.R. Simões, & M.M. Gonçalves (Eds.), Instrumentos e contextos de avaliação psicológica (Vol. II). Coimbra: Edições
Almedina.
American Educational Research Association, American Psychological Association, National Council on Measurement in
Education (1999). Standards for educational and psychological testing. Washington D.C.: American Educational Research
Association.

Eysenck, H.J., & Eysenck, S.B. (1975). Manual of the Eysenck Personality Questionnaire (Junior & Adult). London: Hodder &
Stoughton.

Eysenck, H.J., & Eysenck, S.B. (1976). Psychoticism as a dimension of personality. London: Hodder & Stoughton.

Eysenck, H.J., & Eysenck, S.B. (2008). EPQ-R: Cuestionario Revisado de Personalidad de Eysenck: Versiones completa (EPQ-
R) y abreviada (EPQ-RS) (3ª ed.). Madrid: TEA Ediciones.

Eysenck, S.B., Eysenck, H.J., & Barrett, P.T. (1985). A revised version of the Psychoticism scale. Personality and Individual
Differences, 6, 21-29.

Geisinger, K.F. (2003). Testing and assessment in cross-cultural psychology. In J.R. Graham, J.A. Naglieri, & I.B. Weiner (Eds.),
Handbook of psychology – Vol. 10: Assessment psychology (pp.95-117). Hoboken, New Jersey: John Wiley & Sons.

Hambleton, R.J. (1994). Guidelines for adapting educational and psychological tests. European Journal of Psychological
Assessment, 10, 229-224.

Hambleton, R.J. (2001). Guidelines for test translation/adaptation. European Journal of Psychological Assessment, 17, 164-172.

Hambleton, R.J., & Swaminathan, H. (1985). Item Response Theory: Principles and applications. Boston: Kluwer-Nijhoff
Publishing.

Hambleton, R.J., Merenda, P.F., & Spielberger, C.D. (Eds.) (2005). Adapting educational and psychological tests for cross-
cultural assessment. Mahwah, New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.

International Test Commition (1999/2003). Adaptação portuguesa das directrizes internacionais para a utilização de testes.
Lisboa: CEGOC.

Kline, P. (1993). Personality: The psychometric view. London: Routledge.

Nunnally, J.C. (1978). Psychometric theory (2nd ed.). New York: McGraw-Hill.

Pasquali, L. (2003). Psicometria: Teoria dos testes na psicologia e na educação. Petrópolis: Editora Vozes.

Robins, R.W., Fraley, R.C., & Krueger, R.F. (Eds.) (2007). Handbook of research methods in personality psychology. New York:
The Guilford Press.

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