“As metáforas com frequência esclarecem o ponto sem provocar tanta resistência
porque oferecem um exemplo de senso comum que está mais relacionado à experiência do
cliente do que à instrução normal direta. Pesquisas mostraram que metáforas adequadas
provêm de pelo menos duas fontes. O alvo da metáfora e o veículo metafórico têm que
compartilhar uma característica dominante, e o veículo metafórico tem que conter fortes
funções específicas que sejam relevantes para os elementos ou as funções ausentes na
situação-alvo que o terapeuta está tentando mudar. Uma boa metáfora pega o que você já
sabe, sente ou faz e mapeia em um domínio em que funções comportamentais adaptativas
estão ausentes. De certo modo, uma metáfora é usada para contornar a linguagem analítica
normal em favor de uma aprendizagem mais experiencial. Essa qualidade permite que o
cliente responda mais às contingências diretas (tracking) do que ao que agradaria o terapeuta
ou seja visto pelo terapeuta como certo (pliance).”
Criando um contexto para mudança
● O sistema nervoso não trabalha com subtração e sim com adição: eu não consigo
apagar um evento, uma associação, da minha mente. O que eu faço é tentar substituir
por outra, mas, no fim, a memória inicial continua lá. Se eu for bem sucedida eu
consigo criar outra adicional.
● Desesperança criativa: “O objetivo não é despertar um sentimento de desesperança
ou uma crença na desesperança; em vez disso, o objetivo é abrir mão de estratégias
quando a própria experiência do cliente diz que elas não funcionam, mesmo que o que
venha a seguir ainda não seja conhecido”. Para isso, o terapeuta precisa conhecer e ter
examinado as estratégias utilizadas anteriormente. A falta de funcionalidade pode
estar atrelada tanto a estratégias pouco efetivas quanto a objetivos irreais (ex: parar de
sentir algo ou esquecer uma situação). Isso pode ser uma intervenção
psicoeducacional mais direta ou pode demorar uma sessão toda ou ter que ser
revisado durante todo o curso.
● Nem sempre é necessário trabalhar todos os processos com todos os pacientes.
Verificar qual é o Calcanhar de Aquiles.
Aceitação
● “Adoção voluntária de uma postura intencionalmente aberta, receptiva, flexível e não
crítica com respeito à experiência momento a momento.”
● Não é:
- Um fim em si
- Resignar-se ou suportar de forma passiva
- Querer ou desejar uma sensação desagradável
● Não é uma técnica, e sim um processo funcional
● Existem consequências para falta de aceitação, mas não te garantias também. O fim é
viver uma vida mais próxima ao que você valoriza e, portanto, a aceitação deve ser
baseada nos valores.
● Metáfora: “Percebi que estava em um cabo de guerra com um monstro. Ele era
grande, feio e muito forte. Entre mim e o monstro havia um abismo, e, até onde eu
sabia, não tinha fundo. Eu achava que se perdesse aquele cabo de guerra iria cair
nesse abismo e seria destruída. Então eu puxava e puxava, mas parecia que, quanto
mais eu puxava, mais o monstro puxava de volta. Eu percebia que estava chegando
cada vez mais perto do abismo. E, por meio da terapia, me dei conta de que não era
minha função vencer aquele cabo de guerra... minha função era soltar a corda”
Aceitação:
● Na ACT a exposição é “apresentação organizada de estímulos previamente restritivos
do repertório em um contexto planejado para assegurar a expansão do repertório.”
● “a aceitação torna possível o contato com uma emoção como ela é, e não com o que
ela evoca historicamente; e assim por diante. Esses processos estimulam a variável
principal na exposição, ou seja, a expansão do repertório do cliente na presença de
eventos previamente restritivos do repertório. Estamos interessados na exposição em
um sentido funcional, não em um sentido procedural.”
- Ajudar a perceber generalizações?
● Ajudar o cliente a entrar em contato com as emoções/pensamentos/ difíceis durante a
sessão. Orientar: “apenas veja se você consegue deixar de lado a luta contra [um
pensamento, sentimento, lembrança ou sintoma físico inquietante específico] por um
momento, se pode estar disposto a tê-lo exatamente como ele é, não como ele diz que
é ou no que está ameaçando se tornar”
● Se a exposição for muito desafiadora, trazer a atenção para o aqui-agora, externo.
Self:
● Sofrimento: “extrapolação das relações verbais arbitrárias e da relativa fraqueza de
um senso de self mais amplo que possa conter a desordem mental”. Processos centrais
de lidar com isso:
- Reduzir a dominância do modo de solução de problemas da mente, o qual está
focado principalmente em tentar encontrar um significado, fazer previsões e
criar narrativas: distinção disponível entre os pensamentos e o pensador, as
emoções e aquele que as sente, as lembranças e a pessoa que recorda
● “Os terapeutas ACT assumem a perspectiva de que vitalidade, propósito e significado
ocorrem quando a pessoa voluntária e repetidamente se engaja em um tipo de suicídio
conceitual, em que as fronteiras do self conceitualizado são abrandadas e ocorre uma
abordagem mais aberta das experiências que são nada mais do que ecos da história do
próprio indivíduo.” “Mate-se todos os dias”
● Perceber e descrever sem avaliar o conteúdo do que se está pensando/sentindo.
● A RFT permite que a ACT compreenda que o self só é estabeleicido a partir de
algumas perspectiva. Nesse sentido, é preciso identificar a perspectiva. Exercicios
experienciais que trabalham isso: cadeira vazia com outra pessoas falando sobre ele,
imaginar que seu eu do futuro fala sobre uma atitude sua agora, falar o que acha que o
terapeuta está falando sobre ele.
● Enfraquecer o self conceitualizado:
- Exercício enredo: “descrevaa por escrito os principais eventos históricos que
moldaram sua vidas e os transformaram no que eles são hoje. Depois de
escrita cerca de uma página, peça que ao cliente sublinhe todos os fatos
objetivos (p. ex., “Tive um ataque de pânico durante minha festa de
formatura”) e circule todas as reações psicológicas (pensamentos, sentimentos,
lembranças, sensações, impulsos, disposições, etc. – tais como “Eu achei que
ia morrer”). Depois, peça que escreva a história novamente com todo o
conteúdo sublinhado e circulado, mas com um tema e um final diferentes.” O
objetivo aqui é deixar mais tangível essa tendência a fazer julgamentos.
- Exercicio do tabuleiro: sentimentos ruins e bons como peças de xadrez. Luta
entre eles. Quem é você? O tabuleiro ou as peças? Ou o jogador? Contra quem
está jogando?