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Indenização e Pensão Vitalícia por Vacina

O Superior Tribunal de Justiça decidiu em Embargos de Declaração que a União é responsável por danos estéticos e funcionais causados a Ana Cristina de Carvalho Moura devido a evento pós-vacinal, aumentando a indenização por danos morais para R$ 100.000,00 e concedendo pensão vitalícia a partir de 15 de maio de 2008. O acórdão também fixou honorários sucumbenciais em 10% sobre o valor atualizado da condenação. A decisão reconhece a gravidade da condição da vítima, que ficou paraplégica após a vacinação.
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Indenização e Pensão Vitalícia por Vacina

O Superior Tribunal de Justiça decidiu em Embargos de Declaração que a União é responsável por danos estéticos e funcionais causados a Ana Cristina de Carvalho Moura devido a evento pós-vacinal, aumentando a indenização por danos morais para R$ 100.000,00 e concedendo pensão vitalícia a partir de 15 de maio de 2008. O acórdão também fixou honorários sucumbenciais em 10% sobre o valor atualizado da condenação. A decisão reconhece a gravidade da condição da vítima, que ficou paraplégica após a vacinação.
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Superior Tribunal de Justiça

EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.514.775 - SE (2015/0026515-0)


RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
EMBARGANTE : ANA CRISTINA DE CARVALHO MOURA
ADVOGADO : RODRIGO MACEDO DANTAS - SE006067
EMBARGADO : UNIÃO
INTERES. : SANOFI-AVENTIS FARMACÊUTICA LTDA
ADVOGADO : CARLOS AUGUSTO MONTEIRO NASCIMENTO -
SE001600

RELATÓRIO
1. Trata-se de Embargos de Declaração no Recurso Especial
opostos por ANA CRISTINA DE CARVALHO MOURA contra acórdão assim
ementado:

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO


ESPECIAL. OCORRÊNCIA DE DANO ESTÉTICO E FUNCIONAL DE
NATUREZA GRAVÍSSIMA E IRREVERSÍVEL, COMPROVADO NAS
INSTÂNCIAS DE ORIGEM. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS E MATERIAIS CUMULADOS COM PENSÃO VITALÍCIA.
CAMPANHA NACIONAL DE VACINAÇÃO CONTRA INFLUENZA
PROMOVIDA PELA UNIÃO FEDERAL. INCAPACIDADE TOTAL DA
VÍTIMA, POR EVENTO PÓS-VACINAL, VINCULADO AO ATO DA
VACINAÇÃO E DELE DIRETAMENTE DECORRENTE. SÍNDROME DE
GUILLAIN-BARRÉ. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ENTE PÚBLICO
CLARAMENTE DEFINIDA. INÉRCIA PROCESSUAL DA UNIÃO: NÃO
APELOU, NÃO CHAMOU NEM DENUNCIOU À LIDE O
LABORATÓRIO FABRICANTE E A EMPRESA CONTRATANTE, NÃO
AGRAVOU, NÃO RECORREU DA CONDENAÇÃO JUDICIAL QUE
LHE FOI IMPOSTA, NEM SUSTENTOU ORALMENTE NESTE
JULGAMENTO. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO DE PENSÃO VITALÍCIA.
RESIGNAÇÃO DA UNIÃO FEDERAL QUANTO AOS TERMOS DA
CONDENAÇÃO. NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSOS.
ADEQUAÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO À EXTENSÃO DO
DANO CAUSADO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ
PROVIMENTO.

1. Consoante se depreende dos autos, a Recorrente,


após ser vacinada em meados de maio de 2008, durante a Campanha
Nacional de Vacinação contra a influenza promovida pela UNIÃO
FEDERAL, foi acometida de polineuropatia desmilienizante
inflamatória pós-vacinal, não havendo dúvidas acerca do nexo de

Documento: 96006233 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 1 de 18


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causalidade entre a vacina e o dano que lhe fora causado; este ponto
é pacífico, porque definido em termos conclusivos nas instâncias
ordinárias.

2. Diante de tal quadro, encontra-se em condição


paraplégica, necessitando de ajuda para realizar todas as atividades
do seu dia a dia, inclusive beber água e se alimentar, impossibilitada
de realizar as tarefas mais básicas do seu antigo cotidiano, como
cuidar da sua filha, ainda em tenra idade infantil, exercer seu trabalho
e realizar as demais atividades que antes faziam parte de sua vida,
tendo manifestado quadro de depressão em razão dessa
circunstância em que se encontra.

3. Reconhecida a responsabilidade civil do Ente Público,


pelo Tribunal de origem, a UNIÃO FEDERAL ficou inerte: não apelou
daquela decisão, não chamou nem denunciou à lide o Laboratório
fabricante e a Empresa contratante, não agravou bem como não
recorreu da condenação judicial que lhe foi imposta, pois se resignou
com a rejeição de seguimento aos seus Recursos Extraordinário e
Especial; como também não sustentou oralmente em sua defesa neste
julgamento. Com efeito, somente a parte Autora recorreu a esta Corte,
postulando o aumento do valor da indenização por danos morais e a
implantação de pensão vitalícia, que não fora reconhecida pelo
Tribunal Sergipano.

4. O art. 950 do Código Civil dispõe que se da ofensa


resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou
profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização,
além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da
convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do
trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.

5. Conforme jurisprudência desta Corte Superior de


Justiça, a vítima do evento danoso, que sofre redução parcial e
permanente da sua capacidade laborativa, tem direito ao
pensionamento previsto no dispositivo legal acima transcrito,
independentemente da existência de capacidade para o exercício de
outras atividades, em razão do maior sacrifício para a realização do
serviço (AgRg no AREsp. 636.383/GO, Rel. Min. LUIS FELIPE
SALOMÃO, DJe 10.9.2015).; REsp. 1.344.962/DF, Rel. Min.
RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, DJe 2.9.2015; REsp. 1.292.728/SC,
Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 2.10.2013; EDcl no REsp.
1.269.274/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe

Documento: 96006233 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 2 de 18


Superior Tribunal de Justiça
13.3.2013).

6. Nas hipóteses em que se verificar patenteada a


desproporcionalidade entre a indenização e a extensão do dano
causado, é permitido afastar-se a incidência da Súmula 7 desta Corte
para adequação do respectivo quantum.

7. Dessa forma, considerando-se as peculiaridades do


caso concreto, mormente o grau de ofensa causada à honra da
Recorrente, altera-se a indenização por dano moral de R$ 50.000,00
para o valor de R$ 100.000,00, atentando-se especialmente para o
princípio da equidade e para os valores indenizatórios que esta Corte
Superior tem arbitrado em casos de evidente menor gravidade.

8. Conforme precedentes desta Corte, já se fixou


indenização de 50 salários mínimos por inscrição indevida em órgãos
de proteção ao crédito ou protesto indevido de títulos (AgRg no REsp.
1.526.457/SC, Rel. Min. MARCO BUZZI, DJe 2.9.2015); 50 salários
mínimos por devolução indevida de cheques, protesto incabível e
outras situações assemelhadas (AgRg no AREsp. 599.516/SP, Rel.
Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 28.8.2015); R$ 50.000,00 por
extravio de bagagem em viagem internacional (AgRg no AREsp.
280.284/BA, Rel. Min. RICARDO VILLAS BÔAS CUERVA, DJe
14.2.2014); R$ 25.000,00 por prisão ilegal (AgRg no AREsp.
677.188/CE, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe
27.52015).

9. Apesar da estranheza pelo fato de não haver a


UNIÃO FEDERAL interposto recursos contra a denegação dos seus
Apelos Raros, descabe, nesta Corte, suprir essa omissão ou apreciar
de ofício a eventualidade da justeza de sua resignação com a
condenação, como se o Recurso Especial funcionasse à maneira de
uma Remessa Oficial; sem embargo, nada impede que a UNIÃO
FEDERAL possa acionar quem quer que seja para se ressarcir de
prejuízo acaso tido por indevido (Ação Regressiva), se for o caso.

10. Recurso Especial da vítima do dano a que se dá


provimento para determinar a concessão de pensão vitalícia a ser
fixada em liquidação de sentença e alterar o valor da indenização por
danos morais de R$ 50.000,00 para R$ 100.000,00 (fls. 983/986).

2. Em suas razões, a parte embargante aduz, em suma, que

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o acórdão recorrido seria omisso quanto: (a) à fixação do termo inicial da pensão
vitalícia, que seria devida, em sua ótica, a partir do evento danoso; e (b) ao
arbitramento de honorários sucumbenciais, nos termos do art. 85 do Código Fux.

3. Requer, ao fim, sejam acolhidos os presentes Aclaratórios,


para sanar os supostos vícios apontados.

4. Não foi apresentada impugnação (fls. 998). É o relatório.

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EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.514.775 - SE (2015/0026515-0)
RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
EMBARGANTE : ANA CRISTINA DE CARVALHO MOURA
ADVOGADO : RODRIGO MACEDO DANTAS - SE006067
EMBARGADO : UNIÃO
INTERES. : SANOFI-AVENTIS FARMACÊUTICA LTDA
ADVOGADO : CARLOS AUGUSTO MONTEIRO NASCIMENTO -
SE001600

EMENTA
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL
OBJETIVA. DANOS ESTÉTICOS E FUNCIONAIS DECORRENTES DE EVENTO
PÓS-VACINAL (POLINEUROPATIA DESMILIENIZANTE INFLAMATÓRIA).
INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS DEFERIDA PELO TRIBUNAL DE
ORIGEM, EM VALOR A SER LIQUIDADO. ESTA CORTE SUPERIOR MAJOROU
A INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS PARA R$ 100.000,00 E CONDENOU A
UNIÃO AO PAGAMENTO DE PENSÃO VITALÍCIA, CUJO MONTANTE TAMBÉM
SERÁ APURADO EM LIQUIDAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO RECORRIDO.
O TERMO INICIAL DA PENSÃO VITALÍCIA É A DATA DO EVENTO DANOSO,
ORA FIXADA EM 15.5.2008. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS
ARBITRADOS EM 10% SOBRE O VALOR ATUALIZADO DA CONDENAÇÃO.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA PARTICULAR ACOLHIDOS, PARA FIXAR O
TERMO INICIAL DA PENSÃO EM 15.5.2008 E ARBITRAR OS HONORÁRIOS
SUCUMBENCIAIS EM 10% SOBRE O VALOR ATUALIZADO DA CONDENAÇÃO.

1. Na presente demanda, foi reconhecida a responsabilidade


da UNIÃO pelos causados à parte embargante, que desenvolveu polineuropatia
desmilienizante inflamatória pós-vacinal, em decorrência de vacinação contra o
vírus Influenza. Diante disso, a Corte de origem condenou o Ente Federal ao
pagamento de indenização por danos materiais, a serem apurados em liquidação,
e danos morais no valor de R$ 50.000,00.

2. Após a interposição de Recurso Especial, este Tribunal


Superior, por meio do acórdão ora embargado, majorou a indenização por danos
morais para R$ 100.000,00 e deferiu à parte embargante a percepção de pensão
vitalícia, cujo valor também será determinado em sede de liquidação

3. A teor do disposto no art. 1.022 do Código Fux, os


Embargos de Declaração destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade,
eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado. Com efeito,
constata-se que o acórdão embargado não se manifestou sobre os pontos
indicados pela parte embargante, a saber: o termo inicial da pensão e a fixação
dos honorários sucumbenciais.

4. Consoante o entendimento deste STJ, a pensão vitalícia é


devida a partir da data do evento danoso, ora fixada em 15 de maio de 2008, com

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base nas informações fornecidas pelo Tribunal de origem (fls. 759), e
considerando que a parte embargante não indicou um dia específico no referido
mês. Julgados: EREsp. 812.761/RJ, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe
11.10.2011; REsp. 1.646.276/RJ, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, DJe 14.8.2017.

5. A jurisprudência desta Corte Superior entende que a


prolação da sentença é o marco temporal para definição do regime processual
aplicável aos honorários advocatícios. Uma vez que o processo foi sentenciado
em 2013 (fls. 690/696), é o regramento do CPC/1973 que incide à espécie.
Julgados: EAREsp. 1.255.986/PR, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe
6.5.2019; EDcl no REsp. 1.684.733/RJ, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe
19.12.2017.

6. A demanda encontra-se em tramitação desde 2009 (fls. 2),


tratando de matéria complexa - e que gerou, inclusive, notável divergência entre os
eminentes Ministros que integram a Primeira Turma deste STJ. Outrossim,
apenas em grau recursal a parte embargante obteve sucesso, pois a sentença
rejeitou integralmente seus pedidos (fls. 690/696); o acórdão os acolheu
parcialmente (fls. 759/766); e apenas aqui, nesta Corte Superior, foi que a parte
embargante alcançou o reconhecimento de seu direito à pensão vitalícia.

7. Com base nestes fatores, considerando o grau de zelo do


profissional, a natureza da causa, o trabalho realizado pelo Advogado - inclusive
com sustentação oral nesta Corte, como se vê na certidão de julgamento de fls.
959 - e o tempo exigido para o seu serviço, fixam-se os honorários sucumbenciais
em 10% sobre o valor atualizado da condenação.

8. Para a definição do valor da condenação, esclarece-se que


os honorários incidirão sobre: (a) as indenizações por danos morais e materiais; e
(b) quanto à pensão vitalícia, todas as parcelas já vencidas, mais 12 parcelas
vincendas. Julgados: REsp. 1.677.955/RJ, Rel. Min, RICARDO VILLAS BÔAS
CUEVA, DJe 26.9.2018; REsp. 955.809/RO, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO,
DJe 22.5.2012.

9. Ressalta-se não ser cabível o arbitramento dos honorários


recursais previstos no art. 85, § 11 do Código Fux. Isso porque, tendo a publicação
do acórdão recorrido na origem ocorrido em 16.5.2014 (fls. 816), incide ao caso o
Enunciado Administrativo 7, aprovado pelo Pleno do STJ.

10. Embargos de Declaração da Particular acolhidos, para fixar o


termo inicial da pensão em 15.5.2008 e arbitrar os honorários sucumbenciais em
10% sobre o valor atualizado da condenação.

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EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.514.775 - SE (2015/0026515-0)
RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
EMBARGANTE : ANA CRISTINA DE CARVALHO MOURA
ADVOGADO : RODRIGO MACEDO DANTAS - SE006067
EMBARGADO : UNIÃO
INTERES. : SANOFI-AVENTIS FARMACÊUTICA LTDA
ADVOGADO : CARLOS AUGUSTO MONTEIRO NASCIMENTO -
SE001600

VOTO
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE
CIVIL OBJETIVA. DANOS ESTÉTICOS E FUNCIONAIS
DECORRENTES DE EVENTO PÓS-VACINAL (POLINEUROPATIA
DESMILIENIZANTE INFLAMATÓRIA). INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS DEFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, EM VALOR A
SER LIQUIDADO. ESTA CORTE SUPERIOR MAJOROU A
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS PARA R$ 100.000,00 E
CONDENOU A UNIÃO AO PAGAMENTO DE PENSÃO VITALÍCIA,
CUJO MONTANTE TAMBÉM SERÁ APURADO EM LIQUIDAÇÃO.
OMISSÕES NO ACÓRDÃO RECORRIDO. O TERMO INICIAL DA
PENSÃO VITALÍCIA É A DATA DO EVENTO DANOSO, ORA FIXADA
EM 15.5.2008. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS
ARBITRADOS EM 10% SOBRE O VALOR ATUALIZADO DA
CONDENAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA PARTICULAR
ACOLHIDOS, PARA FIXAR O TERMO INICIAL DA PENSÃO EM
15.5.2008 E ARBITRAR OS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS EM
10% SOBRE O VALOR ATUALIZADO DA CONDENAÇÃO.

1. Na presente demanda, foi reconhecida a


responsabilidade da UNIÃO pelos causados à parte embargante, que
desenvolveu polineuropatia desmilienizante inflamatória pós-vacinal,
em decorrência de vacinação contra o vírus Influenza. Diante disso, a
Corte de origem condenou o Ente Federal ao pagamento de
indenização por danos materiais, a serem apurados em liquidação, e
danos morais no valor de R$ 50.000,00.

2. Após a interposição de Recurso Especial, este


Tribunal Superior, por meio do acórdão ora embargado, majorou a
indenização por danos morais para R$ 100.000,00 e deferiu à parte
embargante a percepção de pensão vitalícia, cujo valor também será
determinado em sede de liquidação

3. A teor do disposto no art. 1.022 do Código Fux, os


Embargos de Declaração destinam-se a suprir omissão, afastar

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obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no
julgado. Com efeito, constata-se que o acórdão embargado não se
manifestou sobre os pontos indicados pela parte embargante, a saber:
o termo inicial da pensão e a fixação dos honorários sucumbenciais.

4. Consoante o entendimento deste STJ, a pensão


vitalícia é devida a partir da data do evento danoso, ora fixada em 15
de maio de 2008, com base nas informações fornecidas pelo Tribunal
de origem (fls. 759), e considerando que a parte embargante não
indicou um dia específico no referido mês. Julgados: EREsp.
812.761/RJ, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 11.10.2011;
REsp. 1.646.276/RJ, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, DJe 14.8.2017.

5. A jurisprudência desta Corte Superior entende que a


prolação da sentença é o marco temporal para definição do regime
processual aplicável aos honorários advocatícios. Uma vez que o
processo foi sentenciado em 2013 (fls. 690/696), é o regramento do
CPC/1973 que incide à espécie. Julgados: EAREsp. 1.255.986/PR,
Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 6.5.2019; EDcl no REsp.
1.684.733/RJ, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 19.12.2017.

6. A demanda encontra-se em tramitação desde 2009


(fls. 2), tratando de matéria complexa - e que gerou, inclusive, notável
divergência entre os eminentes Ministros que integram a Primeira
Turma deste STJ. Outrossim, apenas em grau recursal a parte
embargante obteve sucesso, pois a sentença rejeitou integralmente
seus pedidos (fls. 690/696); o acórdão os acolheu parcialmente (fls.
759/766); e apenas aqui, nesta Corte Superior, foi que a parte
embargante alcançou o reconhecimento de seu direito à pensão
vitalícia.

7. Com base nestes fatores, considerando o grau de


zelo do profissional, a natureza da causa, o trabalho realizado pelo
Advogado - inclusive com sustentação oral nesta Corte, como se vê na
certidão de julgamento de fls. 959 - e o tempo exigido para o seu
serviço, fixam-se os honorários sucumbenciais em 10% sobre o valor
atualizado da condenação.

8. Para a definição do valor da condenação,


esclarece-se que os honorários incidirão sobre: (a) as indenizações
por danos morais e materiais; e (b) quanto à pensão vitalícia, todas as
parcelas já vencidas, mais 12 parcelas vincendas. Julgados: REsp.
1.677.955/RJ, Rel. Min, RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, DJe
26.9.2018; REsp. 955.809/RO, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO,
DJe 22.5.2012.

Documento: 96006233 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 8 de 18


Superior Tribunal de Justiça
9. Ressalta-se não ser cabível o arbitramento dos
honorários recursais previstos no art. 85, § 11 do Código Fux. Isso
porque, tendo a publicação do acórdão recorrido na origem ocorrido
em 16.5.2014 (fls. 816), incide ao caso o Enunciado Administrativo 7,
aprovado pelo Pleno do STJ.

10. Embargos de Declaração da Particular acolhidos,


para fixar o termo inicial da pensão em 15.5.2008 e arbitrar os
honorários sucumbenciais em 10% sobre o valor atualizado da
condenação.

1. A teor do disposto no art. 1.022 do Código Fux, os


Embargos de Declaração destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade,
eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não se
verifica na hipótese. Excepcionalmente o Recurso Aclaratório pode servir para
amoldar o julgado à superveniente orientação jurisprudencial do Pretório Excelso,
quando dotada de efeito vinculante, em atenção à instrumentalidade das formas,
de modo a garantir a celeridade e a eficácia da prestação jurisdicional e a
reverência ao pronunciamento superior.

2. Ressalte-se, por oportuno, que esta Corte admite a


atribuição de efeitos infringentes a Embargos de Declaração apenas quando o
reconhecimento da existência de eventual omissão, contradição ou obscuridade
acarretar, invariavelmente, a modificação do julgado (EDcl no MS 11.621/DF, Rel.
Min. LAURITA VAZ, DJU 23.10.2006).

3. No presente caso, o acórdão embargado foi realmente


omisso quanto aos dois pontos indicados pela parte embargante, de modo que se
passa à sua análise.

4. Quanto à fixação do termo inicial da pensão vitalícia, a


Segunda Seção desta Corte Superior compreende que o pensionamento é devido
a partir da data do evento danoso, como mostram os seguintes julgados:

EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL.


ACIDENTE DE TRABALHO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. LESÃO
TOTALMENTE INCAPACITANTE PARA A ATIVIDADE EXERCIDA.
REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORATIVA. PENSÃO MENSAL.

Documento: 96006233 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 9 de 18


Superior Tribunal de Justiça
INTEGRALIDADE. ACÓRDÃO EMBARGADO EM CONSONÂNCIA
COM A JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DESTA CORTE. INCIDÊNCIA
DA SÚMULA 168/STJ. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IMPROVIDOS.

1. A indenização de cunho civil tem por objetivo não


apenas o ressarcimento de ordem econômica, mas, igualmente, o de
compensar a vítima pela lesão física causada pelo ato ilícito do
empregador, que reduziu sua capacidade laboral em caráter definitivo,
inclusive pelo natural obstáculo de ensejar a busca por melhores
condições e remuneração na mesma empresa ou no mercado de
trabalho.

2. Destarte, ainda que mantido o empregado em suas


funções anteriores, o desempenho do trabalho, com maior sacrifício,
em face das sequelas permanentes, há de ser compensado pelo
pagamento de uma pensão indenizatória, independentemente de
perda financeira concretamente apurada.

3. A pensão devida à vítima de acidente no trabalho


que fica incapacitada para a atividade laboral, deve ser paga
desde a data do evento, sendo irrelevante o fim de seu vínculo
empregatício. Precedentes.

4. A função dos embargos de divergência consiste em


dirimir conflito atual, no âmbito desta Corte, não havendo dissídio
quando um órgão simplesmente muda seu entendimento sobre
determinada questão, caracterizando, em verdade, evolução
jurisprudencial.

5. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido do


acórdão recorrido, inclusive com a mudança de entendimento da
Turma prolatora dos arestos colacionados como paradigmas.
Incidência da Súmula 168/STJ.

6. Embargos de divergência improvidos (EREsp.


812.761/RJ, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 11.10.2011).

² ² ²

DIREITO CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO


MATERIAL E COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL. QUEDA.
ARQUIBANCADA. FIGURANTE. LESÕES FÍSICAS PERMANENTES.
PENSIONAMENTO VITALÍCIO. SALÁRIO MÍNIMO. COMPENSAÇÃO

Documento: 96006233 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 10 de 18


Superior Tribunal de Justiça
POR DANO MORAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL.
INOCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA
211/STJ. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO.
SÚMULA 283/STF. HARMONIA DO ACÓRDÃO RECORRIDO COM O
ENTENDIMENTO DO STJ. REVISÃO DO VALOR DA
COMPENSAÇÃO. RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE.

1. Ação de indenização por dano material e


compensação por dano moral ajuizada em 17.10.2008. Recurso
especial concluso ao gabinete em 27.10.2016. Julgamento:
CPC/1973.

2. O propósito recursal está em definir a correção do


período e do valor fixados para a pensão vitalícia, bem como do valor
da compensação dos danos morais, decorrentes da queda da
recorrida de arquibancada enquanto prestava trabalho de figurante
para a recorrente.

3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de


mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a
esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação dos
arts. 165, 458, II e 535 do CPC/1973.

4. A ausência de decisão acerca dos argumentos


invocados pela recorrente e dos dispositivos legais indicados como
violados, não obstante a interposição de embargos de declaração,
impede o conhecimento do recurso especial.

5. A existência de fundamento do acórdão recorrido não


impugnado - quando suficiente para a manutenção de suas
conclusões - impede a apreciação do recurso especial.

6. O acórdão recorrido decidiu a questão, em sintonia


com a jurisprudência da 3a. Turma do STJ, no sentido de que a
pensão por incapacidade permanente, cujo termo inicial é a data
do evento danoso, é vitalícia, pois a invalidez total ou parcial para
qualquer atividade laborativa acompanhará a vítima ao longo de toda a
sua vida. Precedentes.

7. A orientação da 2a. Seção desta Corte é no sentido


de que caso não haja comprovação do exercício de atividade
remunerada pela vítima do acidente, a pensão deve ser arbitrada em
valor equivalente a um salário mínimo. Precedentes.

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8. É clara a necessidade de se arbitrar valor
proporcional e estritamente adequado à compensação do prejuízo
extrapatrimonial sofrido. Por outro ângulo, a compensação financeira
arbitrada não pode representar enriquecimento da vítima.

9. Assim, no tocante à fixação do valor da compensação


por dano moral, a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que
a modificação do valor somente é permitida quando a quantia
estipulada for irrisória ou exagerada, o que não está caracterizado
neste processo.

10. Recurso especial parcialmente conhecido, e nessa


parte, desprovido (REsp. 1.646.276/RJ, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI,
DJe 14.8.2017).

5. Afinal, é na data do evento danoso que se consuma a


ofensa à capacidade da vítima, de maneira que, estando a pensão atrelada à
perda ou diminuição das faculdades físicas ou mentais, seu nascedouro deve
coincidir com a data da lesão. Não havendo, portanto, motivos para dissentir da
orientação estabelecida pela Segunda Seção deste STJ, tal entendimento é
plenamente aplicável ao presente caso.

6. Fixa-se o termo inicial da pensão em 15.5.2008, com base


nas informações fornecidas pelo Tribunal de origem (fls. 759) e considerando que
a parte embargante não indicou um dia específico no referido mês, afirmando
apenas que a vacinação ocorreu na primeira quinzena do mês da maio de 2008
(fls. 3 e, novamente, às fls. 989).

7. A respeito dos honorários, é necessário definir qual a Lei


aplicável ao seu arbitramento: se o CPC/1973, nos termos de seu art. 20, § 4o.; ou
o Código Fux, à luz do art. 85, § 3o.

8. Sobre tema, a jurisprudência desta Corte Superior entende


que a prolação da sentença é o marco temporal para definição do regime
processual aplicável aos honorários advocatícios. Uma vez que o processo foi
sentenciado em 2013 (fls. 690/696), é o regramento do CPC/1973 que incide à
espécie; confiram-se, a propósito, os julgados a seguir:

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EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE
SUCUMBÊNCIA. DIREITO INTERTEMPORAL: ART. 20 DO CPC/1973
VS. ART. 85 DO CPC/2015. NATUREZA JURÍDICA HÍBRIDA,
PROCESSUAL E MATERIAL. MARCO TEMPORAL PARA A
INCIDÊNCIA DO CPC/2015. PROLAÇÃO DA SENTENÇA.
PRESERVAÇÃO DO DIREITO ADQUIRIDO PROCESSUAL.

1. Em homenagem à natureza processual material e com


o escopo de preservar os princípios do direito adquirido, da segurança
jurídica e da não surpresa, as normas sobre honorários advocatícios
de sucumbência não devem ser alcançadas pela lei processual nova.

2. A sentença (ou o ato jurisdicional equivalente, na


competência originária dos tribunais), como ato processual que
qualifica o nascedouro do direito à percepção dos honorários
advocatícios, deve ser considerada o marco temporal para a aplicação
das regras fixadas pelo CPC/2015.

3. Assim, se o capítulo acessório da sentença, referente


aos honorários sucumbenciais, foi prolatado em consonância com o
CPC/1973, serão aplicadas essas regras até o trânsito em julgado.
Por outro lado, nos casos de sentença proferida a partir do dia
18.3.2016, as normas do novel diploma processual relativas a
honorários sucumbenciais é que serão utilizadas.

4. No caso concreto, a sentença fixou os honorários em


consonância com o CPC/1973. Dessa forma, não obstante o fato de o
Tribunal de origem ter reformado a sentença já sob a égide do
CPC/2015, incidem, quanto aos honorários, as regras do diploma
processual anterior.

5. Embargos de divergência não providos (EAREsp.


1.255.986/PR, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 6.5.2019).

² ² ²

RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973.


ENUNCIADOS ADMINISTRATIVOS 2 E 3. PROCESSUAL CIVIL.
FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DIREITO
INTERTEMPORAL: ART. 20 DO CPC/1973 VS. ART. 85 DO
CPC/2015. DEFINIÇÃO DA LEI APLICÁVEL.

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1. Cuida-se de Embargos de Declaração contra o
acórdão que negou provimento ao Recurso Especial da autora e, por
consequência, deixou de fixar os honorários advocatícios recursais na
forma do art. 85, §§ 11, do CPC/2015.

2. O Superior Tribunal de Justiça tem farta


jurisprudência no sentido de que é indiferente a data do ajuizamento
da ação e a do julgamento dos recursos correspondentes, pois a lei
aplicável para a fíxação inicial da verba honorária é aquela
vigente na data da sentença/acórdão que a impõe. Precedentes:
(...).

3. A essa jurisprudência há que se adicionar o


entendimento do STJ em relação à vigência do novo Código de
Processo Civil (CPC/2015) que estabeleceu como novidade os
honorários sucumbenciais recursais. Sendo assim, para os recursos
interpostos de decisões/acórdãos publicados já na vigência do
CPC/2015 (em 18.3.2016) é cabível a fixação de honorários
sucumbenciais recursais, na forma do art. 85. §11, do CPC/2015:
Enunciado Administrativo 7/STJ - Somente nos recursos interpostos
contra decisão publicada a partir de 18 de março de 2016 será
possível o arbitramento de honorários sucumbenciais recursais, na
forma do art. 85, §11, do NCPC.

4. Sendo assim, são possíveis, em princípio, quatro


situações: a) o processo que tenha sentença, decisão em segundo
grau e decisão em instância especial todos na vigência do CPC/1973:
a.l) aplica-se integralmente o regime previsto no art. 20. do CPC/1973
para todo o processo, não havendo que se falar em honorários
sucumbenciais recursais; b) o processo que tenha sentença e
decisão em segundo grau na vigência do CPC/1973 e decisão em
instância especial na vigência do CPC/2015; b.l) aplica-se o
regime previsto no art. 20. do CPC/1973 para a fixação dos
honorários na sentença; b.2) não há honorários sucumbenciais
recursais no julgamento do recurso da sentença (v.g. no julgamento
da Apelação ou do Agravo); b.3) não há honorários sucumbenciais
recursais no julgamento do recurso da decisão de segundo grau (v.g.
no julgamento do Recurso Especial); c) que o processo tenha
sentença na vigência do CPC/1973 e acórdão em segundo grau e
acórdão em instância especial na vigência do CPC/2015: c.l) aplica-se
o regime previsto no art. 20 do CPC/1973 para a fixação dos
honorários na sentença, c.2) não há honorários sucumbenciais
recursais no julgamento do recurso da sentença (v.g. no julgamento

Documento: 96006233 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 14 de 18


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da Apelação ou do Agravo), c.3) há honorários sucumbenciais
recursais no julgamento do recurso da decisão de segundo grau (v.g.
no julgamento do Recurso Especial); d) que o processo tenha
sentença, acórdão em segundo grau e acórdão em instância especial
na vigência do CPC/2015: d.l) aplica-se o regime previsto no art. 85.
do CPC/2015 para a fixação dos honorários na sentença, d.2) há
honorários sucumbenciais recursais no julgamento do recurso da
sentença (v.g. no julgamento da Apelação ou do Agravo), d.3) há
honorários sucumbenciais recursais no julgamento do recurso da
decisão de segundo grau (v.g. no julgamento do Recurso Especial).
Dito de outra forma, ocorre a aplicação integral do CPC/2015.

5. No caso concreto, a sentença que fixou a verba


honorária foi publicada ainda na vigência do antigo CPC/1973.
Desse modo, o regime aplicável para a fixação inicial da verba
honorária é aquele previsto no art. 20 e parágrafos do CPC/1973 e
não o do art. 85, do CPC/2015 que teve sua vigência iniciada apenas
em 18.3.2016.

6. Fixação de honorários sucumbenciais recursais


contra a recorrente, a teor do do CPC/1973, tendo em vista que o
acórdão recorrido o foi publicado ainda na vigência do diploma
processual de 1973.

7. Embargos de Declaração rejeitados (EDcl no REsp.


1.684.733/RJ, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 19.12.2017).

9. Diante dessa constatação, o art. 20, § 4o. do CPC/1973


determina que, sendo vencida a Fazenda Pública, os honorários serão fixados por
equidade, observados os critérios do § 2o.

10. Nesse cenário, a demanda encontra-se em tramitação desde


2009 (fls. 2), tratando de matéria complexa - e que gerou, inclusive, notável
divergência entre os eminentes Ministros que integram a Primeira Turma deste
STJ. Outrossim, apenas em grau recursal a parte embargante obteve sucesso,
pois a sentença rejeitou integralmente seus pedidos (fls. 690/696); o acórdão os
acolheu parcialmente (fls. 759/766); e apenas aqui, nesta Corte Superior, foi que a
parte embargante alcançou o reconhecimento de seu direito à pensão vitalícia.

11. Com base nestes fatores, considerando o grau de zelo do

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profissional, a natureza da causa, o trabalho realizado pelo Advogado - inclusive
com sustentação oral nesta Corte, como se vê na certidão de julgamento de fls.
959 - e o tempo exigido para o seu serviço, fixam-se os honorários sucumbenciais
em 10% sobre o valor atualizado da condenação.

12. Para a definição do valor da condenação, esclarece-se que os


honorários incidirão sobre: (a) as indenizações por danos morais e materiais; e (b)
quanto à pensão vitalícia, todas as parcelas já vencidas, mais 12 parcelas
vincendas. É o que prevê a jurisprudência do STJ:

RECURSOS ESPECIAIS. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL


CIVIL. ART. 535 DO CPC/1973. VIOLAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO.
TOMBAMENTO DE ÔNIBUS DE TURISMO. TURISTAS
ESTRANGEIROS. LESÃO CORPORAL DA AUTORA. INCAPACIDADE
LABORATIVA TOTAL E PERMANENTE. MORTE DE CÔNJUGE.
DANOS MORAIS, MATERIAIS E ESTÉTICOS. PRESTADORAS DO
SERVIÇO DE AGENCIAMENTO DE TURISMO E CONCESSIONÁRIA
DA RODOVIA. CONCAUSAS. CORRESPONSABILIDADE. NEXO
CAUSAL. CONFIGURAÇÃO. PENSIONAMENTO MENSAL. TERMO
FINAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS ESTÉTICOS. REEXAME DE
PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.
EXORBITÂNCIA. REDUÇÃO. NECESSIDADE. HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. FIXAÇÃO. OBSERVÂNCIA DE
LIMITES LEGAIS.

1. Recursos especiais interpostos contra acórdão


publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973
(Enunciados Administrativos 2 e 3/STJ).

(...).

11. O percentual da verba honorária advocatícia


sucumbencial, quando decorrente da condenação em ação
indenizatória com vistas à percepção de pensão mensal, deve incidir
sobre o somatório das parcelas vencidas, acrescidas de uma
anualidade das prestações vincendas. Precedentes.

12. Recursos especiais parcialmente providos (REsp.


1.677.955/RJ, Rel. Min, RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, DJe

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26.9.2018).

² ² ²

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. ACIDENTE


AUTOMOBILÍSTICO QUE VITIMOU A FILHA DOS AUTORES.
PROCEDIMENTO SUMÁRIO. REGULARIDADE DA
INTIMAÇÃO/CITAÇÃO PARA A AUDIÊNCIA. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA 7/STJ E DA SÚMULA 280/STF. PEDIDO DOS PAIS
ALUSIVOS A DANOS MATERIAIS. INCLUSÃO DAS DESPESAS COM
A FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA DA FILHA FALECIDA, INCLUSIVE
COM ALUGUÉIS E COM CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO.
DESCABIMENTO. NÃO OCORRÊNCIA DE DANO INDENIZÁVEL.
PENSÃO MENSAL. REDUÇÃO PARA 1/3 DOS RENDIMENTOS DO
FILHO A PARTIR DE QUANDO ESTE COMPLETARIA 25 (VINTE E
CINCO) ANOS DE IDADE. INSURGÊNCIA CONTRA A
DETERMINAÇÃO PARA QUE SE RISCASSEM EXPRESSÕES
INJURIOSAS EM PEÇAS PROCESSUAIS. IRRESIGNAÇÃO
DESPROVIDA DE CAUSA. AUSÊNCIA DE LEGÍTIMO INTERESSE
JURÍDICO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. INCIDÊNCIA SOBRE O
VALOR DA CONDENAÇÃO. ART. 20, § § 3o. E 5o., CPC.

(...).

8. Os honorários advocatícios devem ser arbitrados


tomando-se por base o valor da condenação, em percentual incidente
sobre a dívida vencida e sobre 12 (doze) parcelas da dívida
vincenda, na forma do art. 20, §§ 3o. e 5o. do CPC, especialmente
considerando que foi parcialmente procedente o pedido indenizatório .

9. Recurso especial do réu não conhecido e recurso


especial dos autores conhecido e parcialmente provido (REsp.
955.809/RO, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 22.5.2012).

13. Por fim, ressalta-se não ser cabível o arbitramento dos


honorários recursais previstos no art. 85, § 11 do Código Fux. Isso porque, tendo a
publicação do acórdão recorrido na origem ocorrido em 16.5.2014 (fls. 816), incide
ao caso o Enunciado Administrativo 7, aprovado pelo Pleno do STJ, segundo o
qual somente nos recursos interpostos contra decisão publicada a partir de 18 de
março de 2016, será possível o arbitramento de honorários sucumbenciais
recursais, na forma do art. 85, § 11, do novo CPC.

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14. Ante o exposto, acolhem-se os Embargos de Declaração da
Particular, para fixar o termo inicial da pensão em 15.5.2008 e arbitrar os
honorários sucumbenciais em 10% sobre o valor atualizado da condenação, nos
termos acima delineados. É o voto.

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