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Funções de Forma em Elementos Finitos

O capítulo aborda a formulação de elementos de barra biarticulada no método dos elementos finitos, introduzindo conceitos como funções de forma, elementos isoparamétricos e condições de convergência. As funções de forma são derivadas de polinômios de Lagrange e a geometria do elemento é normalizada para facilitar a análise. A formulação isoparamétrica é discutida, destacando a relação entre coordenadas cartesianas e normalizadas.

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Funções de Forma em Elementos Finitos

O capítulo aborda a formulação de elementos de barra biarticulada no método dos elementos finitos, introduzindo conceitos como funções de forma, elementos isoparamétricos e condições de convergência. As funções de forma são derivadas de polinômios de Lagrange e a geometria do elemento é normalizada para facilitar a análise. A formulação isoparamétrica é discutida, destacando a relação entre coordenadas cartesianas e normalizadas.

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Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

3- ELEMENTOS DE BARRA BIARTICULADA MAIS AVANÇADOS E CONDIÇÕES


PARA CONVERGÊNCIA DA SOLUÇÃO

3.1 - Introdução

Neste capítulo serão obtidas as funções de forma, estabelecidas no referencial normalizado do


elemento. Os conceitos de elemento isoparamétrico e de Jacobiano serão introduzidos. A
integração numérica a ser utilizada no cálculo dos integrais que surgem na formulação será
apresentada. Alguns requisitos associados à convergência da solução serão enunciados e os
tipos de erros mais correntes que afectam essa solução serão apontados. Nas expressões deste
capítulo não se utilizará o sobreíndice (e) indicando elemento, de forma a simplificar a
exposição.

3.2 - Elementos unidimensionais de classe C0. Elementos Lagrangeanos

No capítulo anterior as funções de forma utilizadas eram polinómios de 1º grau dado que se
admitiu funções lineares para simular a distribuição de deslocamentos em elementos de barra
biarticulada de dois nós. Esta interpolação polinomial garante que o campo de deslocamentos
é contínuo dentro do elemento e entre elementos. Aos elementos que satisfazem estes
requisitos de continuidade denominam-se de elementos de classe C0. Em geral diz-se que um
elemento é de classe Cn se o campo de deslocamentos tem contínuas as n 1as derivadas.

Num elemento unidimensional o campo de deslocamentos pode-se representar pela


aproximação polinomial seguinte

u1 ( x1 ) = α1 + α 2 x1 + α 3 x12 + … + α n x1n −1 (3.1)

em que α1 a αn são constantes. Considerando-se o polinómio de 1º grau adoptado na secção


2.3 – ver expressão (2.10) -, a relação (3.1) reduz-se à seguinte

u1 ( x1 ) = α1 + α 2 x1 . (3.2)

Para calcular as constantes α1 e α2 é necessário conhecer os deslocamentos em dois nós.


Assim, se o elemento de comprimento L(e) tiver um deslocamento u1,1 no nó 1 e u1,2 no nó 2
obtém-se (ver figura 3.1):

u1 ( x1 ) = u1,1 = α1 + α 2 x1,1
. (3.3)
u1 ( x2 ) = u1, 2 = α1 + α 2 x1, 2

Resolvendo (3.3) obtém-se,

( x1, 2 − x1 ) ( x1 − x1,1 )
u1 ( x1 ) = (e)
u1,1 + u1, 2 (3.4a)
L L( e )
ou

Joaquim Barros 3.1


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

u1 ( x1 ) = N1 ( x1 ) u1,1 + N 2 ( x1 ) u1, 2 (3.4b)


em que

( x1, 2 − x1 ) ( x1 − x1,1 )
N1 ( x1 ) = (e)
; N 2 ( x1 ) = (3.5)
L L( e )

são as funções de forma do elemento de barra de dois nós, já obtidas na secção 2.3.

N1 (x1) N2 (x1) Geometria inicial

1 1
x1
u1,1 1 2 u1,2
x1,1
x1,2

N1 (s1) N2 (s1) Geometria normalizada

1 1
x1
u1,1 s 1 = -1 s1 = 0 s 1 = +1

x1,1 s1
2
Figura 3.1 - Geometria real (a) e normalizada (b).

O procedimento acabado de expôr para obter funções de forma de um elemento finito pode
ser estendido a qualquer tipo de elemento. Todavia, este é um processo que recorre à
resolução de um sistema de equações, não sendo, por isso, o mais conveniente.

Para o caso de elementos unidimensionais de classe C0 pode-se recorrer às propriedades dos


polinómios de Lagrange para obter funções de forma de elementos finitos unidimensionais.
Estes polinómios assumem um determinado valor num ponto e o valor nulo num conjunto de
pontos pré-fixados. Assim, se esse determinado valor for normalizado (convertido ao valor
unitário) e os pontos que caracterizam esse polinómio coincidirem com os pontos nodais do
elemento, então as funções de forma coincidem com os polinómios de Lagrange. Por esta
razão, os elementos finitos estabelecidos com base em funções de forma definidas por
intermédio de polinómios de Lagrange chamam-se elementos Lagrangeanos.

A função de forma do nó i de um elemento Lagrangeano unidimensional de n nós obtém-se da


expressão seguinte,

( x1 − x1,1 ) ( x1 − x1, 2 ) … ( x1 − x1,i −1 ) ( x1 − x1,i +1 ) … ( x1 − x1,n )


N i ( x1 ) = (3.6a)
( x1,i − x1,1 ) ( x1,i − x1, 2 ) … ( x1,i − x1,i −1 ) ( x1,i − x1,i +1 ) … ( x1,i − x1,n )
ou, de forma condensada:

Joaquim Barros 3.2


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

n  x1 − x1, j 
N i ( x1 ) = ∏ 
x − x
.

(3.6b)
j =1( j ≠ i )  1,i 1, j 

Para o caso de um elemento de dois nós (n=2) obtém-se:

x1 − x1, 2 x1, 2 − x1 x1, 2 − x1


N1 ( x1 ) = = = (3.7a)
x1,1 − x1, 2 x1, 2 − x1,1 L( e )
x − x1,1 x −x
N 2 ( x1 ) = 1 = 1 ( e ) 1,1 . (3.7b)
x1, 2 − x1,1 L

De seguida vai-se introduzir o conceito de referencial normalizado do elemento. No caso de


elementos unidimensionais este referencial é constituído por um único eixo, definido pela
variável s1. A relação entre s1 e x1 define-se por intermédio da relação seguinte

x1 − x1,C
s1 = 2 (3.8a)
L( e )

em que

x1,1 + x1, 2
x1,C = (3.8b)
2

é a coordenada, no referencial local da barra, x1, do ponto central da barra. No presente caso o
referencial local da barra coincide com o referencial global, dado que a estrutura é constituída
por uma barra. Assim,

s1 = -1 no nó esquerdo da barra (x1=x1,1)


s1 = 0 no ponto central da barra (x1=x1,C)
s1 = 1 no nó direito da barra (x1=x1,2).

Analisando (3.8a) constata-se que esta relação transforma a geometria real do elemento numa
geometria normalizada em que o comprimento da barra tem o valor de duas unidades (ver
Figura 3.1).

A introdução da variável normalizada s1 nas funções de forma torna-as independentes da


geometria real do elemento, o que é de grande interesse prático, conforme se irá constatar em
próximas secções.

Por analogia com (3.6b), Ni(s1) passa a apresentar a seguinte forma:

n  s1 − s1, j 
N i ( s1 ) = ∏ 
s − s
.

(3.9)
j =1( j ≠ i )  1,i 1, j 

Para um elemento Lagrangeano de dois nós, s1,1 = -1 e s1,2 = +1, pelo que, pela aplicação de
(3.9) obtém-se,

Joaquim Barros 3.3


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

s1 − s1, 2 1
N1 ( s1 ) = = (1 − s1 ) (3.10a)
s1,1 − s1, 2 2
s1 − s1,1 1
N 2 ( s1 ) = = (1 + s1 ) . (3.10b)
s1, 2 − s1,1 2

Substituindo (3.8a) em (3.10) obtém-se (3.7), como não podia deixar de ser.

Para um elemento quadrático de três nós s1,1 = -1, s1,2 = 0 e s1,3 = +1. As funções de forma
deste elemento obtêm-se por intermédio de (3.9) e apresentam a configuração seguinte (ver
Figura 3.2),

( s1 − s1, 2 ) ( s1 − s1,3 ) 1
N1 ( s1 ) = = s1 ( s1 − 1) (3.11a)
( s1,1 − s1, 2 ) ( s1,1 − s1,3 ) 2

( s1 − s1,1 ) ( s1 − s1,3 )
N 2 ( s1 ) = = ( s1 + 1) (1 − s1 ) (3.11b)
( s1, 2 − s1,1 ) ( s1, 2 − s1,3 )

( s1 − s1,1 ) ( s1 − s1, 2 ) 1
N 3 ( s1 ) = = s1 (1 + s1 ) . (3.11c)
( s1,3 − s1,1 ) ( s1,3 − s1, 2 ) 2

Efectuando procedimento similar para o caso do elemento cúbico de quatro nós, s1,1 = -1,
s1,2 = -1/3, s1,3 = 1/3 e s1,4 = +1, obtêm-se as funções de forma seguintes (ver Figura 3.3),

( s1 − s1, 2 ) ( s1 − s1,3 ) ( s1 − s1, 4 ) 9 1 1


N1 ( s1 ) = =− ( s1 + ) ( s1 − ) ( s1 − 1) (3.12a)
( s1,1 − s1, 2 ) ( s1,1 − s1,3 ) ( s1,1 − s1, 4 ) 16 3 3

( s1 − s1,1 ) ( s1 − s1,3 ) ( s1 − s1, 4 ) 27 1


N 2 ( s1 ) = = ( s1 + 1) ( s1 − ) ( s1 − 1) (3.12b)
( s1, 2 − s1,1 ) ( s1, 2 − s1,3 ) ( s1, 2 − s1, 4 ) 16 3

( s1 − s1,1 ) ( s1 − s1, 2 ) ( s1 − s1, 4 ) 27 1


N 3 ( s1 ) = =− ( s1 + 1) ( s1 + ) ( s1 − 1) (3.12c)
( s1,3 − s1,1 ) ( s1,3 − s1, 2 ) ( s1,3 − s1, 4 ) 16 3

( s1 − s1,1 ) ( s1 − s1, 2 ) ( s1 − s1,3 ) 9 1 1


N 4 ( s1 ) = = ( s1 + 1) ( s1 + ) ( s1 − ) (3.12d)
( s1, 4 − s1,1 ) ( s1, 4 − s1, 2 ) ( s1, 4 − s1,3 ) 16 3 3

Joaquim Barros 3.4


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

s 1 = -1 s1 = 0 s 1 = +1
1 2 3

s1

N1 (s1)
1

N2 (s1)

N3 (s1)

Figura 3.2 - Funções de forma do elemento quadrático de três nós.

s 1 = -1 s 1 = -1/3 s 1 = 1/3 s 1 = +1
1 2 3 4

s1

N1 (s1)
1

N2 (s1)
1

N3 (s1)
1

N4 (s1)
1

Figura 3.3 - Funções de forma de um elemento cúbico de quatro nós.

Joaquim Barros 3.5


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

3.3 - FORMULAÇÃO ISOPARAMÉTRICA E INTEGRAÇÃO NUMÉRICA


3.3.1 - Conceito de formulação isoparamétrica

O conceito de formulação isoparamétrica refere que as coordenadas cartesianas de um ponto


qualquer do elemento podem ser obtidas a partir da interpolação das coordenadas cartesianas
dos nós do elemento, sendo as funções de interpolação as mesmas utilizadas para interpolar os
deslocamentos no interior do elemento a partir dos deslocamentos dos nós do elemento. Essas
funções de interpolação são as funções de forma do elemento finito. A referida interpolação é
bastante importante dado que permitirá estabelecer uma expressão que relaciona as
coordenadas cartesianas com as coordenadas normalizadas. Esta expressão irá ser utilizada no
cálculo das derivadas das funções de forma em relação às coordenadas cartesianas, dado que
as funções de forma são definidas em função das coordenadas normalizadas,

dN i ( s1 ) dN i ( s1 ) ds1
= . (3.13)
dx1 ds1 dx1

Há assim que estabelecer uma relação entre x1 e s1 para calcular (3.13).

No capítulo anterior constatou-se que dN i ( s1 ) dx1 surge no cálculo das extensões. Assim,
para o caso de um elemento de dois nós,

dN1 ( s1 ) dN 2 ( s1 )
ε1 = u1,1 + u1, 2 . (3.14)
dx1 dx1

Tendo em conta (3.10) e (3.13),

dN1 ( s1 ) dN1 ( s1 ) ds1 d  1 − s1  ds1 1 ds1


= =   =− (3.15a)
dx1 ds1 dx1 ds1  2  dx1 2 dx1

dN 2 ( s1 ) dN 2 ( s1 ) ds1 d  1 + s1  ds1 1 ds1


= =   = (3.15b)
dx1 ds1 dx1 ds1  2  dx1 2 dx1

que substituídas em (3.14) converte esta relação na seguinte,

1 ds1 1 ds1
ε1 = − u1,1 + u1, 2 . (3.16)
2 dx1 2 dx1

É assim necessário calcular ds1 dx1 para determinar ε 1 . Para tal vai-se recorrer ao conceito
de formulação isoparamétrica que, para um elemento finito unidimensional de dois nós,
representa-se pela relação seguinte

x1 (s1 ) = N1 (s1 ) x1,1 + N 2 (s1 ) x1, 2 (3.17)

sendo x1,1 e x1,2 as coordenadas cartesianas dos pontos nodais 1 e 2 do elemento. Assim,

Joaquim Barros 3.6


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

dx1 ( s1 ) dN1 ( s1 ) dN 2 ( s1 )
= x1,1 + x1, 2
ds1 ds1 ds1
1 1
= − x1,1 + x1, 2 , (3.18)
2 2
(e)
L
=
2

pelo que,

L(e )
dx1 = ds1 (3.19a)
2

ds1 2
= (e) . (3.19b)
dx1 L

Substituindo (3.19b) em (3.15) obtém-se,

dN1 ( s1 ) 1 2 1
=− (e)
= − (e) (3.20a)
dx1 2L L
dN 2 ( s1 ) 1 2 1
= (e)
= (e) (3.20b)
dx1 2L L

pelo que,

 dN ( s ) dN 2 ( s1 ) 
B= 1 1 
 dx1 dx1 
. (3.21)
 1 1 
= − ( e ) (e) 
 L L 

é a matriz de deformação do elemento de dois nós de barra biarticulada.

Substituindo (3.19b) em (3.16) obtém-se,

1 2 1 2
ε1 = − u +
( e ) 1,1
u1, 2
2L 2 L( e ) . (3.22)
1
= ( e ) (u1,1 − u1, 2 )
L

Além da formulação isoparamétrica existe ainda as formulações superparamétrica e


subparamétrica. Diz-se que se utiliza uma formulação superparamétrica quando para se
determinar as coordenadas cartesianas de um determinado ponto do elemento se utiliza um
número de pontos maior que o número de pontos utilizado na interpolação do campo de

Joaquim Barros 3.7


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

deslocamentos. Neste caso, as funções de forma associadas à interpolação da geometria do


elemento são de maior grau que as funções de forma relativas ao campo de deslocamentos do
elemento.

Pelo contrário, na formulação subparamétrica a geometria do elemento é interpolada por


intermédio de um menor número de nós que os utilizados para interpolar o campo de
deslocamentos, pelo que, neste caso, as funções de forma associadas à geometria do elemento
são de menor grau que as funções de forma relativas ao campo de deslocamentos.

A utilização destas formulações estão relacionadas com a maior ou menor complexidade da


geometria da estrutura, face ao seu campo de deslocamentos. No presente trabalho apenas se
tratará da formulação isoparamétrica dado que é a mais utilizada nos programas de cálculo
automático baseados no MEF. Além disto, se a complexidade geométrica de uma estrutura for
tal que apele para o uso de uma formulação superparamétrica, e se apenas estiver disponível a
formulação isoparamétrica, o recurso ao refinamento da malha é uma estratégia adequada
para resolver o problema.

3.3.2- Formulação isoparamétrica do elemento de três nós.

O deslocamento de um ponto de um elemento de barra quadrático (3 nós) pode ser obtido a


partir dos deslocamentos dos nós e das correspondentes funções de forma,

u1 (s1 ) = N1 (s1 ) u1,1 + N 2 (s1 ) u1, 2 + N 3 (s1 ) u1,3 (3.23)

em que N 1 , N 2 e N 3 são as funções definidas em (3.11). Utilizando-se a formulação


isoparamétrica, as coordenadas cartesianas de um ponto do elemento podem ser obtidas a
partir das coordenadas dos nós do elemento, recorrendo-se para tal, às funções de forma
utilizadas na interpolação do campo de deslocamentos,

x1 (s1 ) = N1 (s1 ) x1,1 + N 2 (s1 ) x1, 2 + N 3 (s1 ) x1,3 . (3.24)

A extensão num ponto do elemento obtém-se a partir da seguinte relação,

3
du1 dN i
ε1 =
dx1
= ∑
i =1 dx1
u1,i

u1,1 
 dN ds dN 2 ds1 dN 3 ds1   
= 1 1  u1, 2 . (3.25)
 ds1 dx1 ds1 dx1 ds1 dx1   
u1,3 
(e)
= BU

Tendo em conta (3.11) verifica-se que

dN1 1 dN 2 dN 3 1
= s1 − ; = − 2s1 ; = s1 + (3.26)
ds1 2 ds1 ds1 2
pelo que

Joaquim Barros 3.8


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

ds1  1  1 
B=  s1 −  − 2s1  s1 +  . (3.27)
dx1  2  2 

Para determinar ds1 dx1 começa-se por derivar (3.24) em relação a s1 ,

dx1 dN1 dN 2 dN 3
= x1,1 + x1, 2 + x1,3
ds1 ds1 ds1 ds1
 1  1
=  s1 −  x1,1 + (− 2 s1 ) x1, 2 +  s1 +  x1,3 (3.28)
 2  2
(x − x1,1 ) + 2s1 (x1,1 − 2 x1,2 + x1,3 )
= 1,3
2

pelo que,

ds1 2
= (e) . (3.29)
dx1 L + 2 s1 ( x1,1 − 2 x1, 2 + x1,3 )

Repare-se que se o nó intermédio estiver no centro do elemento, x1, 2 = ( x1,1 + x1,3 ) 2 , que é a
situação mais corrente, então (3.29) reduz-se a,

ds1 2
= (e) . (3.30)
dx1 L

Admitindo-se esta última situação,

dx1 L( e )
= (3.31a)
ds1 2

L( e )
dx1 = ds1 (3.31b)
2

pelo que,

2  1  1 
B=  s1 − 2  − 2 s1  s1 +  . (3.32)
L( e )    2 

Substituindo (3.32) em (2.96a) e sabendo que para o caso de barra biarticulada D=EA
obtém-se,

Joaquim Barros 3.9


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

 1
 s −
2
1
2   2  1  1 

(e)
K = (e) 
− 2s1  EA ( e )  s1 −  − 2s1  s1 +  dx1 . (3.33)
L( e ) L  L  2  2 
1
 s1 + 
 2

Fazendo intervir (3.31b) em (3.33) e efectuando os produtos matriciais obtém-se,

  1
2
 1  1  1 
  s1 −  − 2 s1  s1 −   s1 −   s1 + 
  2  2  2  2 
2 EA 1   1  1 
L( e ) ∫−1
(e)
K =  − 2 s1  s1 − 2  4 s12 − 2 s1  s1 +   ds1 . (3.34)
   2
 2 
 1  1  1  1 
 s1 − 2   s1 + 2  − 2 s1  s1 + 
 2
 s1 + 
 2 
 

Calculando os integrais resulta,

(e)  14 − 16 2 
(e)  E A − 16 32 − 16 .
K =  
  (3.35)
 6L   2 − 16 14 

Substituindo no vector das forças nodais equivalentes, (2.96b), N pelas suas componentes
definidas em (3.11) obtém-se

1  1 
 2 s1  s1 − 2  
   

(e)
Q = (1 + s1 ) (1 − s1 ) q1 dx1 (3.36)
L( e )
 
 1 s  s + 1  
 2 1  1 2  

e substituindo dx1 pela relação (3.31b),

1  1 
 2 s1  s1 − 2  
   
1 L( e )

(e)
Q = (1 + s1 ) (1 − s1 ) q1 ds1 . (3.37)
−1
  2
 1 s  s + 1  
 2 1  1 2  

em que q1 é a força uniformemente distribuída ao longo do eixo da barra. Calculando os


integrais resulta,

Joaquim Barros 3.10


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

(e) 1 
(e) q L  4
Q = 1    (3.38)
 6 
1 

pelo que o nó central absorve quatro vezes mais carga que os nós de extremidade. Esta
conclusão poderia ter sido obtida aplicando o princípio do trabalhos virtuais (PTV)
representado esquematicamente na Figura 3.4 (a força q e os correspondentes deslocamentos
foram considerados normais ao elemento, somente para simplificar a exposição).

Q2
q

L( e )
dx = ds1
δx 2
δu = N1 δu1,1 + N 2 δu1, 2 + N 3 δu1,3
δu 2
δu
1 2 3

Figura 3.4 - Aplicação do PTV na determinação das forças nodais equivalentes no nó 2.

Assim,

Q2 δu1, 2 = ∫
L( e )
q dx δu . (3.39)

Dado que

L( e )
dx = ds (3.40)
2

resulta

1 L( e )
Q2 δu2 = ∫
−1
q
2
ds δu . (3.41)

Tendo em conta que,

δu = N1 δu1 + N 2 δu2 + N 3 δu3 (3.42)


e que

δu1 = δu3 = 0 (ver Figura 3.4) (3.43)

(3.41) reduz-se a,

Joaquim Barros 3.11


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

L( e ) 1
Q2 δu2 = q
2 ∫
−1
N 2 ds δu2 (3.44)

ou

L( e ) 1
Q2 = q
2 ∫
−1
(1 − s2 ) ds
(c.q.d) (3.45)
4
= q L( e )
6

3.3.3 Integração Numérica

Nas anteriores secções verificou-se que o cálculo da matriz de rigidez e do vector das forças
nodais equivalentes dos elementos de uma estrutura passa pela resolução de integrais. Estes
integrais podem ser de difícil resolução, principalmente em estruturas bi- e tridimensionais.
Por este facto, a resolução dos integrais irá ser efectuada com recurso a técnicas de integração
numérica. No presente trabalho descrever-se-á somente a integração numérica de
Gauss-Legendre, dado que é a mais utilizada nos códigos computacionais de análise de
estruturas baseados no MEF (Álvaro e Barros 1998).

Admita-se que se pretende integrar a função,

f ( x1 ) = C1 + C2 x1 + C3 x12 + C4 x13 + C5 x14 + C6 x15 (3.46)

no intervalo [-1 +1], isto é,

1
I = ∫ f ( x1 ) dx1 . (3.47)
−1

Segundo a regra da integração numérica de Gauss-Legendre, este integral é igual à soma dos
produtos dos valores que a função f ( x1 ) toma numa série de pontos conhecidos, no interior
do intervalo, f (x1 = x1, Pi ) , por uns determinados coeficientes, denominados de pesos, Wi , (ver
figura 3.5), isto é,

1
I = ∫
−1
f ( x1 ) dx1 = f ( x1, P1 ) W1 + f ( x1, P 2 ) W2 + f ( x1, P 3 ) W3 (3.48)

Joaquim Barros 3.12


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

f(x1)
f(x1,P1 ) f(x1,P2 ) f(x1,P3 )

-1 x 1,P1 x 1,P2 x 1,P3 +1 x1


Figura 3.5 – Função f ( x1 ) avaliada em determinados pontos x1 = x1, Pi .

Assim, para uma quadratura de ordem n,

n
In = ∑i =1
f ( x1, Pi ) Wi (3.49)

em que Wi é o peso correspondente ao ponto de integração i e n é o número desses pontos.


Substituindo (3.46) em (3.47) obtém-se

∫ (C )
1
I = 1 + C2 x1 + C3 x12 + C4 x13 + C5 x14 + C6 x15 dx1
−1
+1 . (3.50)
 x2 x3 x4 x5 x6 
= C1 x1 + C2 1 + C3 1 + C4 1 + C5 1 + C6 1 
 2 3 4 5 6  −1

Como os termos com expoente par são nulos fica,

 C C   C C 
I =  C1 + 3 + 5  −  − C1 − 3 − 5 
 3 5   3 5 
(3.51)
2 2
= 2 C1 + C3 + C5
3 5

Substituindo agora (3.46) em (3.48) obtém-se,

I = (C1 + C2 x1, P1 + C3 x12, P1 + C4 x13, P1 + C5 x14, P1 + C6 x15, P1 ) W1


+ (C1 + C2 x1, P 2 + C3 x12, P 2 + C4 x13, P 2 + C5 x14, P 2 + C6 x15, P 2 ) W2 . (3.52)
+ (C1 + C2 x1, P 3 + C3 x12, P 3 + C4 x13, P 3 + C5 x14, P 3 + C6 x15, P 3 ) W3

Reordenando (3.52) fica:

Joaquim Barros 3.13


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

I = (W1 + W2 + W3 ) C1 +
( x1, P1 W1 + x1, P 2 W2 + x1, P 3 W3 ) C2 +
( x12,P1 W1 + x12,P 2 W2 + x12,P 3 W3 ) C3 +
( x13,P1 W1 + x13,P 2 W2 + x13,P 3 W3 ) C4 + . (3.53)

( x14,P1 W1 + x14,P 2 W2 + x14,P 3 W3 ) C5 +


( x15,P1 W1 + x15,P 2 W2 + x15,P 3 W3 ) C6

De (3.51) e (3.53) verifica-se que,

W1 + W2 + W3 = 2
x1, P1 W1 + x1, P 2 W2 + x1, P 3 W3 = 0
2
x12,P1 W1 + x12,P 2 W2 + x12,P 3 W3 =
3
. (3.54)
x1,P1 W1 + x1,P 2 W2 + x1,P 3 W3 = 0
3 3 3

2
x14,P1 W1 + x14,P 2 W2 + x14,P 3 W3 =
5
x1,P1 W1 + x1,P 2 W2 + x1,P 3 W3 = 0
5 5 5

Este sistema de equações não lineares tem como incógnitas os pesos W1, W2 e W3, e as
coordenadas x1, P1 , x1, P 2 e x1, P 3 . Resolvendo este sistema obtém-se,

W1=0.5555555556 x1, P1 = −0.7745966692


W2=0.8888888889 x1, P 2 = 0.0 (3.55a)
W3=0.5555555556 x1, P 3 = 0.7745966692

ou,

W1=5/9 x1, p1 = − 3 5
W2=8/9 x1, p 2 = 0.0 (3.55b)
W3=5/9 x1, p 3 = 3 5 .

No caso de um polinómio de grau m, a quadratura de Gauss-Legendre fornece a solução


exacta se forem utilizados (m+1)/2 pontos de Gauss. Assim, com n pontos de Gauss
integra-se, de um modo exacto, um polinómio de grau 2n-1.

No exemplo analisado, o polinómio de grau cinco exige a utilização de 3 pontos de Gauss.

Joaquim Barros 3.14


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

Quadro 3.1 – Pesos e coordenadas dos pontos de Gauss.


n.º de Grau do Coordenadas normalizadas
Pesos
pontos de integração polinómio dos pontos de integração
Wi
n 2n-1 si
1 1 0.0 2.0
-1/√3 1
2 3
1/√3 1
-√3/√5 5/9
3 5 0 8/9
√3/√5 5/9
-0.8611363116 0.3478548451
-0.3399810436 0.6521451549
4 7
0.3399810436 0.6521451549
0.8611363116 0.3478548451
-0.9061798459 0.2369268851
-0.5384693101 0.4786286705
5 9 0.0 0.568888889
0.5384693101 0.4786286705
0.9061798459 0.2369268851
-0.9324695142 0.1713244924
-0.6612093865 0.3607615730
-0.2386191861 0.4679139346
6 11
0.2386191861 0.4679139346
0.6612093865 0.3607615730
0.9324695142 0.1713244924
-0.9491079123 0.1294849662
-0.7415311856 0.2797053915
-0.4058451514 0.3818300505
7 13 0.0 0.4179591837
0.4058451514 0.3818300505
0.7415311856 0.2797053915
0.9491079123 0.1294849662
-0.9602898565 0.1012285363
-0.7966664774 0.2223810345
-0.5255324099 0.3137066459
-0.1834346425 0.3626837834
8 15
0.1834346425 0.3626837834
0.5255324099 0.3137066459
0.7966664774 0.2223810345
0.9602898565 0.1012285363

No caso geral, se uma função for um polinómio de grau m-1,

f ( x1 ) = C1 + C2 x1 + C3 x12 + … + Cm x1m −1 . (3.56)

O integral desta função

Joaquim Barros 3.15


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

1
I = ∫
−1
f ( x1 ) dx1
2 2
= 2 C1 + C 2 + C5 + … (3.57)
3 5
m −1
2
= ∑ Cj
j =1( impar ) j

pode ser discretizado num sistema de m equações não lineares com m/2 incógnitas Wi e m/2
incógnitas x1, Pi :

 2
m −1 n
 , se j for par
∑∑ x j
1, Pi W i=  j + 1 . (3.58)
j = 0 i =1  0, se j for impar

Resolvendo este sistema de equações obtêm-se as incógnitas Wi e x1, Pi .

No Quadro 3.1 apresentam-se os pesos e as posições dos pontos de avaliação da funções


polinomiais (coordenadas normalizadas dos pontos de integração) até ao 15º grau.

Exemplo

Determine o integral da função

f ( x1 ) = 1 + x1 + x12 + x13 + x14

no intervalo [-1 +1] quer analiticamente quer pela integração numérica de Gauss-Legendre
utilizando ordens de integração crescentes até obter a solução exacta.

• Solução analítica

+1
+1  x2 x3 x4 x5 
I = ∫ f ( x1 ) dx1 =  x1 + 1 + 1 + 1 + 1  = 3.0666
−1
 2 3 4 5  −1

• Quadratura de Gauss-Legendre

- Com um ponto de Gauss (admitindo que se trata de um polinómio de 1º grau)

x1 = 0 ; W1=2.0 ⇒ I = f ( x1 = 0) W1 = 1×2.0=2.0
- Com dois pontos de Gauss (admitindo que se trata de um polinómio de 3º grau)

x1 = −1 / 3 ; x2 = 1 / 3 ; W1=1.0; W2=1.0 ⇒

⇒ I = f ( x1 = −1 / 3 ) W1 + f ( x1 = 1 / 3 ) W2 = 2.888
- Com três pontos de Gauss (admitindo que se trata de um polinómio de 5º grau)

Joaquim Barros 3.16


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

x1 = − 3 / 5 ; x2 = 0.0 ; x3 = 3 / 5 ; W1=5/9; W2=8/9; W3=5/9


I = f ( x1 = − 3 / 5 ) W1 + f ( x1 = 0.0) W2 + f ( x1 = 3 / 5 ) W3 = 3.0666

Assim, três pontos de Gauss integram exactamente polinómios de grau cinco ou grau inferior.

No caso de integrais de superfície (duplos) em coordenadas normalizadas,


1 1
I = ∫ ∫ −1 −1
f ( x1 , x2 ) dx1 dx2
1
 1 f ( x , x ) dx  dx
= ∫−1 ∫−1 1 2 1  2 . (3.59)

 n 
∑ f ( x1, Pi , x2 ) Wi  dx2
1
= ∫ −1
 i =1 

Admitindo

n
g ( x2 ) = ∑ i =1
f ( x1, Pi , x2 ) Wi (3.60)

então (3.59) fica

1
I = ∫
−1
g ( x2 ) dx2
n (3.60)
= ∑ g(x
j =1
2 , Pj )W j

pelo que

n
 n 
I = ∑ j =1
∑ f ( x1, Pi , x2, Pj ) Wi  W j
 i =1 
n n
. (3.61)
= ∑∑ j =1 i =1
f ( x1, Pi , x2, Pj ) Wi W j

Desenvolvendo procedimento simular para os integrais de volume (triplos) obtém-se,

1 1 1
I = ∫ ∫ ∫
−1 −1 −1
f ( x1 , x2 , x3 ) dx1 dx2 dx3
n n n (3.62)
= ∑∑∑
i =1 j =1 k =1
f ( x1, Pi , x2, Pj , x3, Pk ) Wi W j Wk

Joaquim Barros 3.17


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

3.3.4 Etapas para o cálculo da matriz de rigidez e do vector das forças nodais
equivalentes de um elemento isoparamétrico de barra de n nós.

a) Interpolação do campo de deslocamento


Os deslocamentos de um ponto do interior do elemento obtêm-se a partir da relação seguinte

u 1(1) ( x1 ) = N1 u1,1 + N 2 u1, 2 + … + N n u1,n


n
= ∑Nu
i =1
i 1,i

u1,1 
  . (3.63)
u1, 2
= [N1 N 2 … N n ]  
 
 
u1,n 
(e)
= NU

b) Interpolação da geometria

Segundo a formulação isoparamétrica, a coordenada x1 de qualquer ponto do elemento


obtém-se a partir das coordenadas dos pontos nodais do elemento e recorrendo às funções de
forma utilizadas na interpolação do campo de deslocamento,

x1(1) ( x1 ) = N1 x1,1 + N 2 x1, 2 + … + N n x1,n


n
= ∑N
i =1
i x1,i

 x1,1 
  . (3.64)
x1, 2
= [N1 N2 … N n ] 
 
 
 x1,n 
(e)
=NX

c) Extensões

Joaquim Barros 3.18


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

dN1 dN 2 dN n
ε1 ( x1 ) = u1,1 + u1, 2 + … + u1,n
dx1 dx1 dx1
n
dN i
= ∑
i =1 dx1
u1,i

u1,1  . (3.65)
 
 dN dN 2 dN n  u1, 2 
= 1 … 
 dx1 dx1 dx1   
 
u1,n 
(e ) (e)
=B U

Na secção 3.3.1 verificou-se que

dN i ( s1 ) dN i ( s1 ) ds1
= . (3.66)
dx1 ds1 dx1

De (3.64) constata-se que

n
dx1 dN i
ds1
= ∑
i =1 ds1
x1,i
(3.67)
=J

pelo que

dx1 = J ds1 (3.68)

ds1 1
= (3.69)
dx1 J

em que J é o Jacobiano associado ao ponto de Gauss. Substituindo (3.69) em (3.66) obtém-se

dN i dN i 1
= (3.70)
dx1 ds1 J

(e )
pelo que a matriz B em (3.65) passa a apresentar a configuração seguinte

(e ) 1  dN1 dN 2 dN n 
B =  … 
J  ds1 ds1 ds1 
(3.71a)
1 (e )
= Bˆ
J

em que

Joaquim Barros 3.19


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

(e )  dN dN 2 dN n 
Bˆ =  1 … . (3.71b)
 ds1 ds1 ds1 

O J pode ser interpretado como sendo o determinante do Jacobiano da transformação entre os


dx
referenciais xi e si. Neste caso, como i=1, o determinante do Jacobiano coincide com 1 em
ds1
que dx1 é o comprimento que um elemento de dimensão infinitesimal tem no referencial x1 e
ds1 é esse comprimento no referencial s1. Em problemas bidimensionais J é uma matriz 2×2 e
em problemas tridimensionais é uma matriz 3×3.

d) Tensões e esforços

No caso unidimensional,

σ = Dε
(e ) (e)
(3.72)
= DB U

em que D é igual ao módulo de elasticidade longitudinal do material do elemento (E).


Integrando (3.72) à área da secção transversal da barra, A, obtém-se o esforço axial,

σ = N = D B (e ) U ( e ) (3.73)

em que

D = EA (3.74)

e) Matriz de rigidez do elemento

Em secções anteriores verificou-se que a matriz de rigidez de um elemento de barra


biarticulada se determina por intermédio da seguinte relação,

k
(e)
= ∫
L (e)
[B ( ) ] E A B ( ) dx .
e T e
1 (3.75)

Substituindo (3.68) em (3.75) e tendo em conta (3.71a) resulta,

T
1
 Bˆ (e )  E A Bˆ (e ) J −1 ds .
∫−1  
(e)
k = 1 (3.76)

Tendo em conta (3.71b) conclui-se que um coeficiente genérico da matriz de rigidez obtém-se
a partir da seguinte relação,

dN i dN j 1 1

(e)
kij EA = ds1 . (3.77)
−1 ds ds1 J
1
Aplicando a integração Numérica de Gauss-Legendre obtém-se,

Joaquim Barros 3.20


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

p
 dN i dN j 1 
∑  ds
(e)
kij = EA  Wm (3.78)
m =1  1 ds1 J  s
1 ,m

em que p é o número de pontos de Gauss. Se a barra for de secção variável a área A em (3.78)
deve ser substituída por A(s1,m), isto é, pela área na secção correspondente à ordenada s1,m, que
pode ser obtida pela condição de elemento isoparamétrico,

A(s1,m ) = N1 ( s1,m ) A1 + N 2 ( s1,m ) A2 + … + N n ( s1,m ) An (3.79)

em que A1, A2,...,An são a área das secções correspondentes aos pontos nodais do elemento e
N1(s1,m), N2(s1,m),..., Nn(s1,m) são as funções de forma do elemento, utilizadas na interpolação
do campo de deslocamentos, e avaliadas no ponto de Gauss de ordenada s1,m.

f) Vector das forças nodais equivalentes

Para uma força distribuída ao longo do eixo da barra, q1 , verificou-se em secções anteriores
que o vector das forças nodais equivalentes era determinado pela seguinte expressão,


(e) T
Q = N q1 dx1 . (3.80)
L( e )

Substituindo (3.68) em (3.80) resulta

1

(e) T
Q = N q1 J ds1 . (3.81)
−1

Aplicando a integração Numérica de Gauss-Legendre obtém-se

∑ [N ]
p
(e) T
Q = q1 J s1,m
Wm (3.82)
m =1

Se q1 for variável ao longo da barra, o valor de q1 no ponto de Gauss de ordenada s1,m pode
ser obtido recorrendo à condição de elemento isoparamétrico,

q1 (s1,m ) = N1 ( s1,m ) q1,1 + N 2 ( s1,m ) q1, 2 + … + N n ( s1,m ) q1,n (3.83)

em que q1,1 q1, 2 ,..., q1,n são os valores que a função q1 assume nos nós do elemento.

3.4 – Fluxograma de um programa de elementos finitos

Na Figura 3.6 representa-se o fluxograma de um programa de elementos finitos para análise


linear de estruturas reticuladas.

Joaquim Barros 3.21


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

Leitura e validação Cálculo da matriz de rigidez de


dos dados cada elemento e espalhamento na
matriz de rigidez da estrutura

Parâmetros gerais relativos à geometria: - Para cada elemento:


• N.º de nós - Para cada PG
• N.º de elementos • Valor de EA
• N.º de nós ligados ao exterior • Derivadas dN i
• N.º de casos de carga ds1
• N.º de tipos de materiais
n
• dN i

N.º de tipos de secções
Outras informações
• J = ∑ ds
i =1
x1,i
1

- Numeração dos nós dos elementos; (e ) (e )


- Coordenadas dos nós; • Matriz B e B̂
- Condições de ligação da estrutura ao exterior;
- Propriedades dos materiais;  (e ) T (e ) 
• =   Bˆ  E A Bˆ J −1  Wm
(e)
- Características geométricas das barras; k
 
 
  s1,m
- Ciclo aos casos de carga:
• Título (e) E
• Parâmetros que definem quais e
• Espalhar k em K
quantos os tipos de carregamentos
afectos ao presente caso de carga
• Forças generalizadas aplicadas em Cálculo do vector das
pontos nodais;
forças nodais equivalentes
• Peso próprio;
• Forças generalizadas distribuídas de cada elemento e
por unidade de comprimento; espalhamento no vector
• Forças generalizadas aplicadas em das forças nodais
pontos do interior dos elementos;
• Variação de temperatura; - Para cada caso de carga
• Assentamentos de apoio; - Para cada elemento
• Outros carregamentos - Para cada PG
• Funções de forma Ni
Resolução do sistema de n
dN i
equações K E U E = Q E • J = ∑
i =1 ds1
x1,i

∑ [N ]
p
- Métodos • (e) T
- Método directo de Gauss
Q = q1 J s1,m
m =1
- Método iterativo dos gradientes conjugados
E E
- Obtém-se os deslocamentos U e as reacções R • Espalhamento de Q
(e )
em Q
E
para cada caso de carga

- Para cada caso de carga


- Para cada elemento

(e) (E )
U ←U
Cálculo das
tensões/esforços em - Para cada PG
cada ponto de Gauss de • Cálculo de EA

(e )
• εs 1. m
= B s1,m U
(e)

(e )
• σs 1,m
= E B s1,m U
(e)

(e )
• σs 1,m = N s1,m = σ s1,m A = E A B s1,m U
(e)

Joaquim Barros 3.22


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

3.5 - Selecção do tipo de elemento

A selecção do tipo de elemento depende:

1. das características próprias da estrutura a analisar;


2. dos tipos de elementos disponíveis no programa de cálculo;
3. da experiência acumulada na resolução de estruturas segundo o MEF.

No momento de seleccionar um elemento finito para discretizar uma determinada estrutura


devem ser tidas em conta as seguintes recomendações:

1. Em zonas de elevada concentração de tensões deve-se utilizar elementos de maior


ordem ou refinar a malha, sendo esta última a solução mais corrente;

2. É preferível usar malhas refinadas com elementos simples (poucos nós) do que malhas
grosseiras (poucos elementos) com elementos de muitos nós (economia em termos de
tempo de cálculo e de memória de computador).

3. No caso de se ter ideia da forma polinomial do campo de deslocamentos da estrutura,


deve-se optar por elementos com funções de forma do mesmo grau das do campo de
deslocamentos (difícil de assegurar em aplicações práticas);

3.6 - Requisitos para a convergência da solução

Quando se pretende estudar uma estrutura segundo o MEF deve-se efectuar algumas análises
com malhas de diferente grau de refinamento, de forma a se garantir que a malha adoptada
conduz a solução com erro desprezável. A convergência da solução é garantida quando, com
o refinamento da malha, os resultados convergem para determinado valor.

Apresentam-se de seguida algumas das condições que devem ser cumpridas para se assegurar
a convergência da solução.

3.6.1 - Condição de continuidade

O campo de deslocamentos deve ser contínuo no interior de cada elemento. Esta condição é
satisfeita desde que se utilize funções polinomiais para as funções de forma.

3.6.2 - Condição de derivabilidade

Os polinómios associados às funções de forma devem ser deriváveis até pelo menos a ordem
das derivadas que surgem nos integrais da expressão relativa ao teorema dos trabalhos
virtuais (TTV). Por exemplo, no caso da barra biarticulada, na parcela afecta ao trabalho
interno de deformação, que conduz à matriz de rigidez do elemento, tem-se:

Joaquim Barros 3.23


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

dN i
1 dN j 1

(e)
K ij = EA ds1 (3.84)
−1 ds ds1 J
1

pelo que os coeficientes da matriz de rigidez incluem derivadas de 1ª ordem das funções de
forma. Assim, estas funções de forma devem ser funções polinomiais do1º grau, pelo menos.

3.6.3 - Condição de integrabilidade

As funções de forma devem ser tais que as funções a integrar na expressão do T.T.V tenham
primitiva. Na figura 3.7 a função f(x) é contínua pelo que é integrável,

1 2
Área = A1 + A2 = ∫ 0
f1 ( x) dx + ∫1
f 2 ( x) dx . (3.85)

A função f ′(x) (derivada de f (x)), apesar de não ser contínua é ainda integrável,

1 2
Área = A1′ + A2′ = ∫ 0
f1′ ( x) dx + ∫1
f 2′ ( x) dx . (3.86)

A função f ′′ ( x ) (2ª derivada de f(x)) já não é integrável dado que f ′′ ( x = 1) é singular,


pois f ′ ( x ) é descontinua em x=1.

f(x) f '(x) f ''(x)


+∞
f1' (x)
2 2

f 1 (x) f 2 (x) f '(x) = df/dx

1 1

A1 A2 A'1

1 2 x 1 A'2 2 x 1 2 x

-1

-2
f 2' (x)

-∞
Figura 3.7 – Representação gráfica da função (a), sua primeira derivada (b) e sua segunda derivada (c).

Joaquim Barros 3.24


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

A derivada de ordem m de uma função é integrável se forem contínuas as suas m-1 primeiras
derivadas.

No caso do MEF, se na expressão do T.T.V aparecer derivadas de ordem m dos


deslocamentos, o campo de deslocamentos e, por conseguinte, as funções de forma que o
simulam, devem ter continuidade de classe Cm-1, isto é, as m-1 primeiras derivadas devem ser
contínuas.

No caso do elemento de barra biarticulada aparecem derivadas do 1º grau nos integrais da


expressão do TTV associadas ao cálculo da matriz de rigidez do elemento (trabalho interno –
ver expressão (2.26)). Neste caso, para assegurar a condição de integrabilidade é suficiente
que o campo de deslocamentos seja contínuo. Ao adoptar-se funções de forma polinomiais de
1º grau está-se a garantir a continuidade do campo de deslocamento no interior dos elementos.
Além disto, como nos nós de ligação entre elementos os deslocamentos são unívocos, então
também se garante a continuidade dos deslocamentos nas fronteiras dos elementos.

3.7 - Outros requisitos para os elementos finitos

3.7.1 - Condições de compatibilidade

Os elementos devem ser compatíveis. Os elementos são compatíveis, ou conformes, quando o


campo de deslocamentos é contínuo nas fronteiras dos elementos. Se tal não ocorrer diz-se
que os elementos são incompatíveis ou não conformes.

Se o requisito de continuidade do campo de deslocamentos for cumprido, a condição de


compatibilidade é garantida, normalmente. Por sua vez, a continuidade do campo de
deslocamentos é garantida desde que se utilize funções de forma polinomiais com valor
unitário em cada nó e nulo nos restantes nós.

3.7.2 - Condição de polinómio completo

A solução polinomial de elementos finitos equivale a aproximar a solução exacta por um


certo número de termos do desenvolvimento em série de Taylor.

O campo de deslocamentos previsto pelo MEF aproximará até ao m-ésimo termo de


desenvolvimento em série de Taylor da solução exacta (campo de deslocamentos) sempre e
quando a expressão do campo de deslocamentos aproximada do MEF contenha todos os
termos do polinómio de grau m (polinómio completo de grau m). Neste caso o erro da
aproximação por elementos finitos é da ordem do 1º termo que se despreza no
desenvolvimento de série de Taylor do campo de deslocamentos.

Assim, a aproximação por elementos finitos depende do polinómio completo de maior grau
contido nas funções de forma. A aproximação será óptima se todos os termos formarem um
polinómio completo, e não o será em caso contrário.
Para deduzir os termos que intervêm num polinómio completo de mais do que uma variável é
útil utilizar o triângulo de Pascal (Zienkiewicz e Taylor 1989).

Joaquim Barros 3.25


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

Em conclusão, pode-se afirmar que é desejável que as funções de forma do elemento sejam
polinómio completos e, no caso de tal não ser possível, o número de termos adicionais aos do
polinómio completo deve ser o menor possível.

Exemplo

1) Polinómio completo de 2º grau


Aproximação completa de 2º grau

1D: u1 ( x1 ) = a0 + a1 x1 + a2 x12

2D: u1 ( x1 , x2 ) = a0 + a1 x1 + a2 x2 + a3 x1 x2 + a4 x12 + a5 x22

2) Polinómio incompleto de terceiro grau


Aproximação incompleta de terceiro grau

1D: u1 ( x1 ) = a0 + a1 x1 + a2 x13

2
2D: u1 ( x1 , x2 ) = a0 + a1 x1 + a2 x2 + a3 x1 + a4 x22 + a5 x13

3.7.3 - Condição de estabilidade

A matriz de rigidez de um elemento deve ter um domínio correcto. O domínio de uma matriz
é igual ao número de valores próprios nulos que contém. O domínio correcto da matriz de
rigidez de um elemento isolado e sem ligações ao exterior deve ser igual ao número de
movimentos de corpo rígido do elemento (Oñate 1992).

3.7.4 - Condição de invariância

Um elemento não deve ter direcções preferenciais, isto é, os elementos devem possuir o que
se denomina por "invariância geométrica" ou "isotropia geométrica ou espacial" (Oñate
1992).

3.8 - Considerações sobre compatibilidade e equilíbrio da solução

A solução de elementos finitos é aproximada e, por conseguinte, em geral não satisfaz os


requisitos de equilíbrio e compatibilidade, característicos de uma solução exacta. Assim,
numa análise por elementos finitos verifica-se usualmente que :

1) a solução é compatível dentro dos elementos;

2) a solução pode ser ou não ser compatível nas fronteiras entre elementos;

3) A compatibilidade é sempre satisfeita nos nós;


4) O equilíbrio de forças generalizadas é sempre satisfeito nos nós;

Joaquim Barros 3.26


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

5) Normalmente não existe equilíbrio de tensões entre elementos;

6) As tensões não estão em equilíbrio no interior do elemento.

3.9 - Condições para convergência dos elementos isoparamétricos

Considere-se que uma malha de elementos finitos de barra biarticulada de dois nós tem o
seguinte campo de deslocamentos

u1 = a1 + a2 x1 . (3.87)

Desta forma, os deslocamentos dos nós de um elementos são

u1,i = a1 + a2 x1,i com i = 1,2 . (3.88)

No interior de um elemento,

2
u1 ( x1 ) = ∑Nui =1
i 1,i . (3.89)

Substituindo (3.88) em (3.89) obtém-se


2
u1 ( x1 ) = ∑ N (a
i =1
i 1 + a2 x1,i )
2 2
. (3.90)
= a1 ∑ N i + a2 ∑ N i x1,i
i =1 i =1

Como por definição de elemento isoparamétrico,

2
x1 = ∑N i =1
i x1,i (3.91)

resulta que para que (3.90) seja igual a (3.87) se cumpra a seguinte relação,

2
∑ Ni = 1 (3.92)
i =1

que é uma característica das funções de forma deduzidas nas secções anteriores.

Joaquim Barros 3.27


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

3.10 - Tipos de erros na solução por elementos finitos

De seguida enumeram-se os erros mais correntes no MEF.

• Erros de discretização da estrutura;

• Erros na aproximação da geometria;

• Erros no cálculo dos integrais afectos à matriz de rigidez dos elementos, ao vector
solicitação e às tensões/esforços, devido a deficiente escolha do número de pontos
de Gauss utilizado no cálculo numérico destes integrais;

• Erros na resolução do sistema de equações;

• Erros associados à lei constitutiva do material.

3.11 - Pontos óptimos para o cálculo das tensões/extensões

Em geral, se as funções de forma são polinómios completos de grau p, a aproximação das


tensões/esforços será polinomial de grau p-1 ou p-2, se forem obtidos em função da primeira
ou da segunda derivada do campo de deslocamentos, respectivamente.

Demonstra-se que as tensões obtidas segundo o MEF podem considerar-se como uma
aproximação pelo método dos mínimos quadrados (MMQ) da solução exacta. Assim, nos
pontos de intersecção da curva correspondente à distribuição exacta de tensões com a curva
aproximada, que se ajusta à anterior pelo MMQ, os valores das tensões obtidas pelo MEF
coincidem com os exactos.

Contudo, na maior parte dos casos não se conhece a distribuição real do campo de tensões.
Para ultrapassar este problema recorre-se à seguinte propriedade da integração numérica de
Gauss-Legendre: nos pontos de uma quadratura de Gauss-Legendre de ordem n, um
polinómio de grau n e outro de grau n-1, obtido do anterior através do MMQ, tomam o
mesmo valor.

Nos exemplos que se seguem pretende-se esclarecer este assunto.

Exemplo 1

Demonstrar que um polinómio de segundo grau e outro de primeiro grau, obtido do anterior
pelo MMQ, se interceptam nos pontos de quadratura de Gauss-Legendre de segunda ordem.

Resolução

Polinómio de segundo grau

f ( x) = 1 + x + x 2 . (3.93)

Joaquim Barros 3.28


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

Polinómio de primeiro grau

g ( x) = a + bx . (3.94)

Aproxime-se g (x) a f (x) pelo MMQ:

∫ [(1 − a) + (1 − b) x + x ] dx .
2 2

∫−1 [ f ( x) − g ( x)]
1 1
e= dx = 2
(3.95)
−1

Para que o erro e seja mínimo ter-se-á que

 ∂e
 ∂a = 0 ⇒ ∫
1

−1
[ ]
− 2 (1 − a ) + (1 − b) x + x 2 dx = 0
 (3.96)
 ∂e = 0 ⇒
 ∂b ∫−1
1
[ 2
]
− 2 x (1 − a ) + (1 − b) x + x dx = 0

resultando

4
a= e b = 1, (3.97)
3

pelo que

4
g ( x) = +x. (3.98)
3

que intercepta f (x) nos pontos x1 = −1 3 e x2 = 1 3 , que são os pontos da quadratura de


Gauss-Legendre de segunda ordem ( ver Figura 3.8 e Quadro 3.1)

Joaquim Barros 3.29


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

f (x )
4

3
g (x )

0
-2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2

-1

Figura 3.8 – O polinómio de 2º grau, f(x), e o polinómio de 1º grau, g(x), obtido de f(x) por intermédio do
MMQ, interceptam-se nos pontos de Gauss da quadratura de Gauss-Legendre de 2ª ordem.

Exemplo 2

Demonstre que um polinómio de terceiro grau e outro de segundo grau, obtido do anterior
pelo MMQ, se interceptam nos pontos da quadratura de Gauss-Legendre de terceira ordem.

Resolução

Polinómio de terceiro grau

f ( x) = 1 + x + x2 + x3 . (3.99)

Polinómio de segundo grau

g ( x ) = a + bx + cx 2 . (3.100)

Aproxime-se g (x) a f (x) pelo MMQ:

∫ [(1 − a) + (1 − b) x + (1 − c) x ]
2 2

∫−1 [ f ( x) − g ( x)]
1 1
e= dx = 2
+ x 3 dx . (3.101)
−1

Para que o erro e seja mínimo ter-se-á que,

Joaquim Barros 3.30


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

 ∂e 1− c
 ∂a = 0 ⇒ 1 − a + 3 = 0

 ∂e 1− b 1
 =0⇒ + =0 (3.102)
 ∂b 3 5
 ∂e 1− a 1− c
 ∂c = 0 ⇒ 3 + 5 = 0

resultando

8
a =1 , b = e c = 1, (3.103)
5

pelo que

8
g ( x) = 1 + x + x 2 (3.104)
5

que intercepta f(x) nos pontos x1 = − 3 5 , x2 = 0 e x3 = 3 5 que são os pontos da


quadratura de Gauss-Legendre de terceira ordem ( ver Figura 3.9 e Quadro 3.1)

10

g (x)

f (x)
4

0
-2 -1.5 -1 3 -0.5 0 0.5 3 1 1.5 2
− +
5 5

-2

-4

Figura 3.9 – O polinómio de 3º grau, f(x), e o polinómio de 2º grau, g(x), obtido de f(x) por intermédio do
MMQ, interceptam-se nos pontos de Gauss da quadratura de Gauss-Legendre de 3ª ordem.

Pode-se então apresentar as conclusões seguintes:

1) Se a distribuição exacta de tensões/esforços σ σ (ou das extensões ε ) é um


polinómio de grau n, e a aproximação obtida pelo MEF é de grau n-1, a

Joaquim Barros 3.31


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

determinação de σ σ (ou ε ) nos pontos de quadratura de Gauss-Legendre de


ordem n é exacta;
2) Se os polinómios que representam as soluções exactas e do MEF para σ σ ou ε
diferem em mais do que um grau, a determinação de σ σ ou ε nos pontos da
quadratura de Gauss-Legendre aproxima um termo mais o desenvolvimento em
série de Taylor a solução exacta, que em qualquer outro ponto do elemento.

Resumindo, as tensões/esforços e as extensões devem ser determinadas nos pontos de Gauss.


Se houver interesse em obter estas grandezas nos pontos nodais deve-se efectuar uma
extrapolação dos pontos de Gauss para os pontos nodais.

Na Figura 3.10a representa-se, esquematicamente, a extrapolação num elemento de dois nós,


com dois pontos de Gauss (PG).

EI EII

i I II j

1 1

I II
-1 +1
s'1
Figura 3.10a – Extrapolação de grandezas em 2 PG para os nós de um elemento de dois nós.

Se EI e EII são as grandezas (tensões, esforços ou extensões) determinadas nos PG I e II do


elemento, a extrapolação para os pontos nodais efectua-se por intermédio da expressão
seguinte,

( ) ( )
E s1' = N1' s1' EI + N 2' s1' EII ( ) (3.105)

em que s1' é a coordenada de um elemento “fictício” com nós nos PG I e II. Assim, s1' = −1
( ) ( )
para s1 = − 3 3 e s1' = 1 para s1 = 3 3 . Em (3.105) N1' s1' e N 2' s1' são as funções de forma
lineares do elemento “fictício”, definidas a partir das expressões (3.10), substituindo s1 por
( )
s1' . Assim, N1' s1' assume o valor unitário no PG I e o valor nulo no PG II. Por sua vez, a
( )
função N 2' s1' assume o valor nulo no PG I e o valor unitário no PG II. Para se extrapolar
para o nó i, o valor de s1' será,

Joaquim Barros 3.32


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

3
s1' = − 1 ___________ s1 = −
3
s1' ,i = ? ___________ s1 = − 1 (3.106)
3
s1' ,i = −
3

pelo que substituindo esta coordenada em (3.105) obtém-se a grandeza no nó i. Para se obter a
grandeza no nó j determina-se a coordenada de s1' neste nó,

3
s1' = 1 ___________ s1 =
3
s1' , j = ? ___________ s1 = 1 , (3.107)
3
s1' , j =
3

sendo esta substituída em (3.105). Nas Figuras 3.10b e 3.10c representa-se,


esquematicamente, a extrapolação num elemento de 3 nós com 2 PG e num elemento de 3 nós
com 3 PG, respectivamente. Note-se que no caso de um elemento com 3 PG, as funções de
( )
forma N i' s1' c/i=1,2,3, são os polinómios definidos em 3.11, substituindo s1 por s1' .

EI EII EI EII EIII

i j k
i I j II k I II III

N'1 (s'1) N'2 (s'1) N'1 (s'1) N'3 (s'1)


N'2 (s'1)

1 1 1 1 1

i j k
i I j II k
I II III

s'1 s'1
-1 0 +1 -1 0 +1
Figura 3.10b – Extrapolação de grandezas em 2 PG Figura 3.10c – Extrapolação de grandezas em 3 PG
para os nós de um elemento de três nós. para os nós de um elemento de três nós.

Na figura 3.11 representa-se o número de pontos de Gauss para os elementos finitos 1D


(unidimensionais) de um grau de liberdade (apenas a deformação axial – caso das barras
biarticuladas).

Joaquim Barros 3.33


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

1 PG 2 PG
elemento de 2 nós Classe C1
2 PG 1 PG
elemento de 3 nós Classe C0
- Ponto nodal 2 PG
- Ponto de Gauss Classe C0
Figura 3.11 – Número de pontos de Gauss para elementos unidimensionais.

3.12 – Exercícios resolvidos

A barra biarticulada representada na Figura 3.12 está submetida a uma força distribuída de 10
kN/m. Discretizando a barra num elemento de três nós calcule:

a) A matriz de rigidez da estrutura;


b) O vector solicitação da estrutura;
c) Os deslocamentos e reacções.

• Ec = 30 GPa ; A = 0.2 × 0.2 m2

q 1 = 10kN/m

3
1
u 1, 1
2
u 1, 2 u 1, 3

x1= 0m x1= 2m x1= 3.5m x1= 5m x1

Figura 3.12 – Barra biarticulada submetida a uma força distribuída de 10 kN/m.

Resolução:

a) Calculo da matriz de rigidez da estrutura:

= ∫ ( e ) B EA Bdx1
(e) T
K
L

onde:

2
(e ) [s1 − 2 ] dx1 = L2 ds1
(e)
B ( s1 ) = 1
− 2 s1 s1 + 1
2
;
L

Joaquim Barros 3.34


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

1
 s1 − 12 
 − 2 s  (EA )(e ) [s − 1 s1 + 12 ]ds1
∫B L( e ) ∫ 
(e) T
K = EA Bdx1 = 2
1 1 2 − 2 s1
L( e ) −1
 s1 + 12 


1
( s 1 − 12 ) 2 − 2 s 1 ( s 1 − 12 ) ( s 1 − 12 )( s 1 + 12 ) 
K
(e)
= ( 2 EA
L
)(e ) ∫  − 2 s 1 ( s 1 − 12 ) ( − 2 s1 ) 2

− 2 s 1 ( s 1 + 12 )  ds1
−1  
 ( s 1 + 2 )( s 1 − 2 ) − 2 s1 ( s1 + ) ( s 1 + 12 ) 2
1 1 1
2 

 14 − 16 2 
K (e)
= ( )EA ( e )  −
6L 
16 32 − 16 

 2 − 16 14 

b) Cálculo do vector solicitação da estrutura

 12 s1 (s1 − 1)  1
 12 s1 (s1 − 1) 
Q = ∫ (1 + s1 )(1 − s1 )q x1 dx1 =  
∫−1 (1 + s1 )(1 − s1 )q x1 ds1
(e ) 2
L( e )

 2 s1 (1 + s1 )   12 s1 (1 + s1 ) 
L( e )  1

1 
Q
(e )
= ( )
q x1 L
6
(e)
4
 
 1 

c) Cálculo dos deslocamentos e das reacções:

(E) (E) (E) (e) (e) (e)


K U =Q ⇔ K U =Q

 14 − 16 2  0  5 + R
 
66666.6667 − 16 32 − 16u1,2  =  20 
   
 2 − 16 14 u1,3   5 

Resolvendo este sistema de equações de equilíbrio obtém-se:

R = −30 KN

u1,2 = 0.000028125m

u1,3 = 0.0000375 m

3.13 – Exercícios para resolver

1 – Descreva as etapas de análise de uma estrutura segundo o método dos elementos finitos.

Joaquim Barros 3.35


Método dos elementos finitos aplicado a estruturas reticuladas Capítulo 3

2 – Calcule o coeficiente K 22 da matriz de rigidez de um elemento de barra biarticulada de 3


nós, de comprimento L, secção constante de área A e módulo de elasticidade E.

3 – Qual o significado de formulação isoparamétrica.

4 - Na Figura 3.9 representa-se uma estrutura constituída por 3 barras biarticuladas. Discretize
as barras 1 e 3 por um elemento de 2 nós cada, e a barra 2 por um elemento de 3 nós.
a) Calcule a matriz de rigidez da estrutura correspondente aos graus de liberdade do nó 1.
b) Calcule as componentes do nó 1 das forças nodais equivalentes às acções que actuam na
estrutura, admitindo para acções na estrutura o peso próprio da barra 2 e a carga aplicada no
nó 1.
c) Sabendo que os deslocamentos segundo x2 dos nós 1 e 3 são –7.342e-04 m e –
4.898e-04 m, respectivamente, calcule os esforços instalados na barra 2.

Dados:
Barras 1 e 3: Área=100 cm2; módulo de elasticidade longitudinal=200 GPa.
Barra 2: Área=300 cm2; massa específica=7.85 t/m3; módulo de elasticidade
longitudinal=200 GPa.

x2

2 4 5

2
5m
3 3
1

x1
1
5m 5m
500 kN

Figura 3.9

Joaquim Barros 3.36

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