Funções de Forma em Elementos Finitos
Funções de Forma em Elementos Finitos
3.1 - Introdução
No capítulo anterior as funções de forma utilizadas eram polinómios de 1º grau dado que se
admitiu funções lineares para simular a distribuição de deslocamentos em elementos de barra
biarticulada de dois nós. Esta interpolação polinomial garante que o campo de deslocamentos
é contínuo dentro do elemento e entre elementos. Aos elementos que satisfazem estes
requisitos de continuidade denominam-se de elementos de classe C0. Em geral diz-se que um
elemento é de classe Cn se o campo de deslocamentos tem contínuas as n 1as derivadas.
u1 ( x1 ) = α1 + α 2 x1 . (3.2)
u1 ( x1 ) = u1,1 = α1 + α 2 x1,1
. (3.3)
u1 ( x2 ) = u1, 2 = α1 + α 2 x1, 2
( x1, 2 − x1 ) ( x1 − x1,1 )
u1 ( x1 ) = (e)
u1,1 + u1, 2 (3.4a)
L L( e )
ou
( x1, 2 − x1 ) ( x1 − x1,1 )
N1 ( x1 ) = (e)
; N 2 ( x1 ) = (3.5)
L L( e )
são as funções de forma do elemento de barra de dois nós, já obtidas na secção 2.3.
1 1
x1
u1,1 1 2 u1,2
x1,1
x1,2
1 1
x1
u1,1 s 1 = -1 s1 = 0 s 1 = +1
x1,1 s1
2
Figura 3.1 - Geometria real (a) e normalizada (b).
O procedimento acabado de expôr para obter funções de forma de um elemento finito pode
ser estendido a qualquer tipo de elemento. Todavia, este é um processo que recorre à
resolução de um sistema de equações, não sendo, por isso, o mais conveniente.
n x1 − x1, j
N i ( x1 ) = ∏
x − x
.
(3.6b)
j =1( j ≠ i ) 1,i 1, j
x1 − x1,C
s1 = 2 (3.8a)
L( e )
em que
x1,1 + x1, 2
x1,C = (3.8b)
2
é a coordenada, no referencial local da barra, x1, do ponto central da barra. No presente caso o
referencial local da barra coincide com o referencial global, dado que a estrutura é constituída
por uma barra. Assim,
Analisando (3.8a) constata-se que esta relação transforma a geometria real do elemento numa
geometria normalizada em que o comprimento da barra tem o valor de duas unidades (ver
Figura 3.1).
n s1 − s1, j
N i ( s1 ) = ∏
s − s
.
(3.9)
j =1( j ≠ i ) 1,i 1, j
Para um elemento Lagrangeano de dois nós, s1,1 = -1 e s1,2 = +1, pelo que, pela aplicação de
(3.9) obtém-se,
s1 − s1, 2 1
N1 ( s1 ) = = (1 − s1 ) (3.10a)
s1,1 − s1, 2 2
s1 − s1,1 1
N 2 ( s1 ) = = (1 + s1 ) . (3.10b)
s1, 2 − s1,1 2
Substituindo (3.8a) em (3.10) obtém-se (3.7), como não podia deixar de ser.
Para um elemento quadrático de três nós s1,1 = -1, s1,2 = 0 e s1,3 = +1. As funções de forma
deste elemento obtêm-se por intermédio de (3.9) e apresentam a configuração seguinte (ver
Figura 3.2),
( s1 − s1, 2 ) ( s1 − s1,3 ) 1
N1 ( s1 ) = = s1 ( s1 − 1) (3.11a)
( s1,1 − s1, 2 ) ( s1,1 − s1,3 ) 2
( s1 − s1,1 ) ( s1 − s1,3 )
N 2 ( s1 ) = = ( s1 + 1) (1 − s1 ) (3.11b)
( s1, 2 − s1,1 ) ( s1, 2 − s1,3 )
( s1 − s1,1 ) ( s1 − s1, 2 ) 1
N 3 ( s1 ) = = s1 (1 + s1 ) . (3.11c)
( s1,3 − s1,1 ) ( s1,3 − s1, 2 ) 2
Efectuando procedimento similar para o caso do elemento cúbico de quatro nós, s1,1 = -1,
s1,2 = -1/3, s1,3 = 1/3 e s1,4 = +1, obtêm-se as funções de forma seguintes (ver Figura 3.3),
s 1 = -1 s1 = 0 s 1 = +1
1 2 3
s1
N1 (s1)
1
N2 (s1)
N3 (s1)
s 1 = -1 s 1 = -1/3 s 1 = 1/3 s 1 = +1
1 2 3 4
s1
N1 (s1)
1
N2 (s1)
1
N3 (s1)
1
N4 (s1)
1
dN i ( s1 ) dN i ( s1 ) ds1
= . (3.13)
dx1 ds1 dx1
No capítulo anterior constatou-se que dN i ( s1 ) dx1 surge no cálculo das extensões. Assim,
para o caso de um elemento de dois nós,
dN1 ( s1 ) dN 2 ( s1 )
ε1 = u1,1 + u1, 2 . (3.14)
dx1 dx1
1 ds1 1 ds1
ε1 = − u1,1 + u1, 2 . (3.16)
2 dx1 2 dx1
É assim necessário calcular ds1 dx1 para determinar ε 1 . Para tal vai-se recorrer ao conceito
de formulação isoparamétrica que, para um elemento finito unidimensional de dois nós,
representa-se pela relação seguinte
sendo x1,1 e x1,2 as coordenadas cartesianas dos pontos nodais 1 e 2 do elemento. Assim,
dx1 ( s1 ) dN1 ( s1 ) dN 2 ( s1 )
= x1,1 + x1, 2
ds1 ds1 ds1
1 1
= − x1,1 + x1, 2 , (3.18)
2 2
(e)
L
=
2
pelo que,
L(e )
dx1 = ds1 (3.19a)
2
ds1 2
= (e) . (3.19b)
dx1 L
dN1 ( s1 ) 1 2 1
=− (e)
= − (e) (3.20a)
dx1 2L L
dN 2 ( s1 ) 1 2 1
= (e)
= (e) (3.20b)
dx1 2L L
pelo que,
dN ( s ) dN 2 ( s1 )
B= 1 1
dx1 dx1
. (3.21)
1 1
= − ( e ) (e)
L L
1 2 1 2
ε1 = − u +
( e ) 1,1
u1, 2
2L 2 L( e ) . (3.22)
1
= ( e ) (u1,1 − u1, 2 )
L
3
du1 dN i
ε1 =
dx1
= ∑
i =1 dx1
u1,i
u1,1
dN ds dN 2 ds1 dN 3 ds1
= 1 1 u1, 2 . (3.25)
ds1 dx1 ds1 dx1 ds1 dx1
u1,3
(e)
= BU
dN1 1 dN 2 dN 3 1
= s1 − ; = − 2s1 ; = s1 + (3.26)
ds1 2 ds1 ds1 2
pelo que
ds1 1 1
B= s1 − − 2s1 s1 + . (3.27)
dx1 2 2
dx1 dN1 dN 2 dN 3
= x1,1 + x1, 2 + x1,3
ds1 ds1 ds1 ds1
1 1
= s1 − x1,1 + (− 2 s1 ) x1, 2 + s1 + x1,3 (3.28)
2 2
(x − x1,1 ) + 2s1 (x1,1 − 2 x1,2 + x1,3 )
= 1,3
2
pelo que,
ds1 2
= (e) . (3.29)
dx1 L + 2 s1 ( x1,1 − 2 x1, 2 + x1,3 )
Repare-se que se o nó intermédio estiver no centro do elemento, x1, 2 = ( x1,1 + x1,3 ) 2 , que é a
situação mais corrente, então (3.29) reduz-se a,
ds1 2
= (e) . (3.30)
dx1 L
dx1 L( e )
= (3.31a)
ds1 2
L( e )
dx1 = ds1 (3.31b)
2
pelo que,
2 1 1
B= s1 − 2 − 2 s1 s1 + . (3.32)
L( e ) 2
Substituindo (3.32) em (2.96a) e sabendo que para o caso de barra biarticulada D=EA
obtém-se,
1
s −
2
1
2 2 1 1
∫
(e)
K = (e)
− 2s1 EA ( e ) s1 − − 2s1 s1 + dx1 . (3.33)
L( e ) L L 2 2
1
s1 +
2
1
2
1 1 1
s1 − − 2 s1 s1 − s1 − s1 +
2 2 2 2
2 EA 1 1 1
L( e ) ∫−1
(e)
K = − 2 s1 s1 − 2 4 s12 − 2 s1 s1 + ds1 . (3.34)
2
2
1 1 1 1
s1 − 2 s1 + 2 − 2 s1 s1 +
2
s1 +
2
(e) 14 − 16 2
(e) E A − 16 32 − 16 .
K =
(3.35)
6L 2 − 16 14
Substituindo no vector das forças nodais equivalentes, (2.96b), N pelas suas componentes
definidas em (3.11) obtém-se
1 1
2 s1 s1 − 2
∫
(e)
Q = (1 + s1 ) (1 − s1 ) q1 dx1 (3.36)
L( e )
1 s s + 1
2 1 1 2
1 1
2 s1 s1 − 2
1 L( e )
∫
(e)
Q = (1 + s1 ) (1 − s1 ) q1 ds1 . (3.37)
−1
2
1 s s + 1
2 1 1 2
(e) 1
(e) q L 4
Q = 1 (3.38)
6
1
pelo que o nó central absorve quatro vezes mais carga que os nós de extremidade. Esta
conclusão poderia ter sido obtida aplicando o princípio do trabalhos virtuais (PTV)
representado esquematicamente na Figura 3.4 (a força q e os correspondentes deslocamentos
foram considerados normais ao elemento, somente para simplificar a exposição).
Q2
q
L( e )
dx = ds1
δx 2
δu = N1 δu1,1 + N 2 δu1, 2 + N 3 δu1,3
δu 2
δu
1 2 3
Assim,
Q2 δu1, 2 = ∫
L( e )
q dx δu . (3.39)
Dado que
L( e )
dx = ds (3.40)
2
resulta
1 L( e )
Q2 δu2 = ∫
−1
q
2
ds δu . (3.41)
(3.41) reduz-se a,
L( e ) 1
Q2 δu2 = q
2 ∫
−1
N 2 ds δu2 (3.44)
ou
L( e ) 1
Q2 = q
2 ∫
−1
(1 − s2 ) ds
(c.q.d) (3.45)
4
= q L( e )
6
Nas anteriores secções verificou-se que o cálculo da matriz de rigidez e do vector das forças
nodais equivalentes dos elementos de uma estrutura passa pela resolução de integrais. Estes
integrais podem ser de difícil resolução, principalmente em estruturas bi- e tridimensionais.
Por este facto, a resolução dos integrais irá ser efectuada com recurso a técnicas de integração
numérica. No presente trabalho descrever-se-á somente a integração numérica de
Gauss-Legendre, dado que é a mais utilizada nos códigos computacionais de análise de
estruturas baseados no MEF (Álvaro e Barros 1998).
1
I = ∫ f ( x1 ) dx1 . (3.47)
−1
Segundo a regra da integração numérica de Gauss-Legendre, este integral é igual à soma dos
produtos dos valores que a função f ( x1 ) toma numa série de pontos conhecidos, no interior
do intervalo, f (x1 = x1, Pi ) , por uns determinados coeficientes, denominados de pesos, Wi , (ver
figura 3.5), isto é,
1
I = ∫
−1
f ( x1 ) dx1 = f ( x1, P1 ) W1 + f ( x1, P 2 ) W2 + f ( x1, P 3 ) W3 (3.48)
f(x1)
f(x1,P1 ) f(x1,P2 ) f(x1,P3 )
n
In = ∑i =1
f ( x1, Pi ) Wi (3.49)
∫ (C )
1
I = 1 + C2 x1 + C3 x12 + C4 x13 + C5 x14 + C6 x15 dx1
−1
+1 . (3.50)
x2 x3 x4 x5 x6
= C1 x1 + C2 1 + C3 1 + C4 1 + C5 1 + C6 1
2 3 4 5 6 −1
C C C C
I = C1 + 3 + 5 − − C1 − 3 − 5
3 5 3 5
(3.51)
2 2
= 2 C1 + C3 + C5
3 5
I = (W1 + W2 + W3 ) C1 +
( x1, P1 W1 + x1, P 2 W2 + x1, P 3 W3 ) C2 +
( x12,P1 W1 + x12,P 2 W2 + x12,P 3 W3 ) C3 +
( x13,P1 W1 + x13,P 2 W2 + x13,P 3 W3 ) C4 + . (3.53)
W1 + W2 + W3 = 2
x1, P1 W1 + x1, P 2 W2 + x1, P 3 W3 = 0
2
x12,P1 W1 + x12,P 2 W2 + x12,P 3 W3 =
3
. (3.54)
x1,P1 W1 + x1,P 2 W2 + x1,P 3 W3 = 0
3 3 3
2
x14,P1 W1 + x14,P 2 W2 + x14,P 3 W3 =
5
x1,P1 W1 + x1,P 2 W2 + x1,P 3 W3 = 0
5 5 5
Este sistema de equações não lineares tem como incógnitas os pesos W1, W2 e W3, e as
coordenadas x1, P1 , x1, P 2 e x1, P 3 . Resolvendo este sistema obtém-se,
ou,
W1=5/9 x1, p1 = − 3 5
W2=8/9 x1, p 2 = 0.0 (3.55b)
W3=5/9 x1, p 3 = 3 5 .
1
I = ∫
−1
f ( x1 ) dx1
2 2
= 2 C1 + C 2 + C5 + … (3.57)
3 5
m −1
2
= ∑ Cj
j =1( impar ) j
pode ser discretizado num sistema de m equações não lineares com m/2 incógnitas Wi e m/2
incógnitas x1, Pi :
2
m −1 n
, se j for par
∑∑ x j
1, Pi W i= j + 1 . (3.58)
j = 0 i =1 0, se j for impar
Exemplo
no intervalo [-1 +1] quer analiticamente quer pela integração numérica de Gauss-Legendre
utilizando ordens de integração crescentes até obter a solução exacta.
• Solução analítica
+1
+1 x2 x3 x4 x5
I = ∫ f ( x1 ) dx1 = x1 + 1 + 1 + 1 + 1 = 3.0666
−1
2 3 4 5 −1
• Quadratura de Gauss-Legendre
x1 = 0 ; W1=2.0 ⇒ I = f ( x1 = 0) W1 = 1×2.0=2.0
- Com dois pontos de Gauss (admitindo que se trata de um polinómio de 3º grau)
x1 = −1 / 3 ; x2 = 1 / 3 ; W1=1.0; W2=1.0 ⇒
⇒ I = f ( x1 = −1 / 3 ) W1 + f ( x1 = 1 / 3 ) W2 = 2.888
- Com três pontos de Gauss (admitindo que se trata de um polinómio de 5º grau)
Assim, três pontos de Gauss integram exactamente polinómios de grau cinco ou grau inferior.
n
∑ f ( x1, Pi , x2 ) Wi dx2
1
= ∫ −1
i =1
Admitindo
n
g ( x2 ) = ∑ i =1
f ( x1, Pi , x2 ) Wi (3.60)
1
I = ∫
−1
g ( x2 ) dx2
n (3.60)
= ∑ g(x
j =1
2 , Pj )W j
pelo que
n
n
I = ∑ j =1
∑ f ( x1, Pi , x2, Pj ) Wi W j
i =1
n n
. (3.61)
= ∑∑ j =1 i =1
f ( x1, Pi , x2, Pj ) Wi W j
1 1 1
I = ∫ ∫ ∫
−1 −1 −1
f ( x1 , x2 , x3 ) dx1 dx2 dx3
n n n (3.62)
= ∑∑∑
i =1 j =1 k =1
f ( x1, Pi , x2, Pj , x3, Pk ) Wi W j Wk
3.3.4 Etapas para o cálculo da matriz de rigidez e do vector das forças nodais
equivalentes de um elemento isoparamétrico de barra de n nós.
u1,1
. (3.63)
u1, 2
= [N1 N 2 … N n ]
u1,n
(e)
= NU
b) Interpolação da geometria
x1,1
. (3.64)
x1, 2
= [N1 N2 … N n ]
x1,n
(e)
=NX
c) Extensões
dN1 dN 2 dN n
ε1 ( x1 ) = u1,1 + u1, 2 + … + u1,n
dx1 dx1 dx1
n
dN i
= ∑
i =1 dx1
u1,i
u1,1 . (3.65)
dN dN 2 dN n u1, 2
= 1 …
dx1 dx1 dx1
u1,n
(e ) (e)
=B U
dN i ( s1 ) dN i ( s1 ) ds1
= . (3.66)
dx1 ds1 dx1
n
dx1 dN i
ds1
= ∑
i =1 ds1
x1,i
(3.67)
=J
pelo que
ds1 1
= (3.69)
dx1 J
dN i dN i 1
= (3.70)
dx1 ds1 J
(e )
pelo que a matriz B em (3.65) passa a apresentar a configuração seguinte
(e ) 1 dN1 dN 2 dN n
B = …
J ds1 ds1 ds1
(3.71a)
1 (e )
= Bˆ
J
em que
(e ) dN dN 2 dN n
Bˆ = 1 … . (3.71b)
ds1 ds1 ds1
d) Tensões e esforços
No caso unidimensional,
σ = Dε
(e ) (e)
(3.72)
= DB U
σ = N = D B (e ) U ( e ) (3.73)
em que
D = EA (3.74)
k
(e)
= ∫
L (e)
[B ( ) ] E A B ( ) dx .
e T e
1 (3.75)
T
1
Bˆ (e ) E A Bˆ (e ) J −1 ds .
∫−1
(e)
k = 1 (3.76)
Tendo em conta (3.71b) conclui-se que um coeficiente genérico da matriz de rigidez obtém-se
a partir da seguinte relação,
dN i dN j 1 1
∫
(e)
kij EA = ds1 . (3.77)
−1 ds ds1 J
1
Aplicando a integração Numérica de Gauss-Legendre obtém-se,
p
dN i dN j 1
∑ ds
(e)
kij = EA Wm (3.78)
m =1 1 ds1 J s
1 ,m
em que p é o número de pontos de Gauss. Se a barra for de secção variável a área A em (3.78)
deve ser substituída por A(s1,m), isto é, pela área na secção correspondente à ordenada s1,m, que
pode ser obtida pela condição de elemento isoparamétrico,
em que A1, A2,...,An são a área das secções correspondentes aos pontos nodais do elemento e
N1(s1,m), N2(s1,m),..., Nn(s1,m) são as funções de forma do elemento, utilizadas na interpolação
do campo de deslocamentos, e avaliadas no ponto de Gauss de ordenada s1,m.
Para uma força distribuída ao longo do eixo da barra, q1 , verificou-se em secções anteriores
que o vector das forças nodais equivalentes era determinado pela seguinte expressão,
∫
(e) T
Q = N q1 dx1 . (3.80)
L( e )
1
∫
(e) T
Q = N q1 J ds1 . (3.81)
−1
∑ [N ]
p
(e) T
Q = q1 J s1,m
Wm (3.82)
m =1
Se q1 for variável ao longo da barra, o valor de q1 no ponto de Gauss de ordenada s1,m pode
ser obtido recorrendo à condição de elemento isoparamétrico,
em que q1,1 q1, 2 ,..., q1,n são os valores que a função q1 assume nos nós do elemento.
∑ [N ]
p
- Métodos • (e) T
- Método directo de Gauss
Q = q1 J s1,m
m =1
- Método iterativo dos gradientes conjugados
E E
- Obtém-se os deslocamentos U e as reacções R • Espalhamento de Q
(e )
em Q
E
para cada caso de carga
(e) (E )
U ←U
Cálculo das
tensões/esforços em - Para cada PG
cada ponto de Gauss de • Cálculo de EA
(e )
• εs 1. m
= B s1,m U
(e)
(e )
• σs 1,m
= E B s1,m U
(e)
(e )
• σs 1,m = N s1,m = σ s1,m A = E A B s1,m U
(e)
2. É preferível usar malhas refinadas com elementos simples (poucos nós) do que malhas
grosseiras (poucos elementos) com elementos de muitos nós (economia em termos de
tempo de cálculo e de memória de computador).
Quando se pretende estudar uma estrutura segundo o MEF deve-se efectuar algumas análises
com malhas de diferente grau de refinamento, de forma a se garantir que a malha adoptada
conduz a solução com erro desprezável. A convergência da solução é garantida quando, com
o refinamento da malha, os resultados convergem para determinado valor.
Apresentam-se de seguida algumas das condições que devem ser cumpridas para se assegurar
a convergência da solução.
O campo de deslocamentos deve ser contínuo no interior de cada elemento. Esta condição é
satisfeita desde que se utilize funções polinomiais para as funções de forma.
Os polinómios associados às funções de forma devem ser deriváveis até pelo menos a ordem
das derivadas que surgem nos integrais da expressão relativa ao teorema dos trabalhos
virtuais (TTV). Por exemplo, no caso da barra biarticulada, na parcela afecta ao trabalho
interno de deformação, que conduz à matriz de rigidez do elemento, tem-se:
dN i
1 dN j 1
∫
(e)
K ij = EA ds1 (3.84)
−1 ds ds1 J
1
pelo que os coeficientes da matriz de rigidez incluem derivadas de 1ª ordem das funções de
forma. Assim, estas funções de forma devem ser funções polinomiais do1º grau, pelo menos.
As funções de forma devem ser tais que as funções a integrar na expressão do T.T.V tenham
primitiva. Na figura 3.7 a função f(x) é contínua pelo que é integrável,
1 2
Área = A1 + A2 = ∫ 0
f1 ( x) dx + ∫1
f 2 ( x) dx . (3.85)
A função f ′(x) (derivada de f (x)), apesar de não ser contínua é ainda integrável,
1 2
Área = A1′ + A2′ = ∫ 0
f1′ ( x) dx + ∫1
f 2′ ( x) dx . (3.86)
1 1
A1 A2 A'1
1 2 x 1 A'2 2 x 1 2 x
-1
-2
f 2' (x)
-∞
Figura 3.7 – Representação gráfica da função (a), sua primeira derivada (b) e sua segunda derivada (c).
A derivada de ordem m de uma função é integrável se forem contínuas as suas m-1 primeiras
derivadas.
Assim, a aproximação por elementos finitos depende do polinómio completo de maior grau
contido nas funções de forma. A aproximação será óptima se todos os termos formarem um
polinómio completo, e não o será em caso contrário.
Para deduzir os termos que intervêm num polinómio completo de mais do que uma variável é
útil utilizar o triângulo de Pascal (Zienkiewicz e Taylor 1989).
Em conclusão, pode-se afirmar que é desejável que as funções de forma do elemento sejam
polinómio completos e, no caso de tal não ser possível, o número de termos adicionais aos do
polinómio completo deve ser o menor possível.
Exemplo
1D: u1 ( x1 ) = a0 + a1 x1 + a2 x12
1D: u1 ( x1 ) = a0 + a1 x1 + a2 x13
2
2D: u1 ( x1 , x2 ) = a0 + a1 x1 + a2 x2 + a3 x1 + a4 x22 + a5 x13
A matriz de rigidez de um elemento deve ter um domínio correcto. O domínio de uma matriz
é igual ao número de valores próprios nulos que contém. O domínio correcto da matriz de
rigidez de um elemento isolado e sem ligações ao exterior deve ser igual ao número de
movimentos de corpo rígido do elemento (Oñate 1992).
Um elemento não deve ter direcções preferenciais, isto é, os elementos devem possuir o que
se denomina por "invariância geométrica" ou "isotropia geométrica ou espacial" (Oñate
1992).
2) a solução pode ser ou não ser compatível nas fronteiras entre elementos;
Considere-se que uma malha de elementos finitos de barra biarticulada de dois nós tem o
seguinte campo de deslocamentos
u1 = a1 + a2 x1 . (3.87)
No interior de um elemento,
2
u1 ( x1 ) = ∑Nui =1
i 1,i . (3.89)
2
x1 = ∑N i =1
i x1,i (3.91)
resulta que para que (3.90) seja igual a (3.87) se cumpra a seguinte relação,
2
∑ Ni = 1 (3.92)
i =1
que é uma característica das funções de forma deduzidas nas secções anteriores.
• Erros no cálculo dos integrais afectos à matriz de rigidez dos elementos, ao vector
solicitação e às tensões/esforços, devido a deficiente escolha do número de pontos
de Gauss utilizado no cálculo numérico destes integrais;
Demonstra-se que as tensões obtidas segundo o MEF podem considerar-se como uma
aproximação pelo método dos mínimos quadrados (MMQ) da solução exacta. Assim, nos
pontos de intersecção da curva correspondente à distribuição exacta de tensões com a curva
aproximada, que se ajusta à anterior pelo MMQ, os valores das tensões obtidas pelo MEF
coincidem com os exactos.
Contudo, na maior parte dos casos não se conhece a distribuição real do campo de tensões.
Para ultrapassar este problema recorre-se à seguinte propriedade da integração numérica de
Gauss-Legendre: nos pontos de uma quadratura de Gauss-Legendre de ordem n, um
polinómio de grau n e outro de grau n-1, obtido do anterior através do MMQ, tomam o
mesmo valor.
Exemplo 1
Demonstrar que um polinómio de segundo grau e outro de primeiro grau, obtido do anterior
pelo MMQ, se interceptam nos pontos de quadratura de Gauss-Legendre de segunda ordem.
Resolução
f ( x) = 1 + x + x 2 . (3.93)
g ( x) = a + bx . (3.94)
∫ [(1 − a) + (1 − b) x + x ] dx .
2 2
∫−1 [ f ( x) − g ( x)]
1 1
e= dx = 2
(3.95)
−1
∂e
∂a = 0 ⇒ ∫
1
−1
[ ]
− 2 (1 − a ) + (1 − b) x + x 2 dx = 0
(3.96)
∂e = 0 ⇒
∂b ∫−1
1
[ 2
]
− 2 x (1 − a ) + (1 − b) x + x dx = 0
resultando
4
a= e b = 1, (3.97)
3
pelo que
4
g ( x) = +x. (3.98)
3
f (x )
4
3
g (x )
0
-2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2
-1
Figura 3.8 – O polinómio de 2º grau, f(x), e o polinómio de 1º grau, g(x), obtido de f(x) por intermédio do
MMQ, interceptam-se nos pontos de Gauss da quadratura de Gauss-Legendre de 2ª ordem.
Exemplo 2
Demonstre que um polinómio de terceiro grau e outro de segundo grau, obtido do anterior
pelo MMQ, se interceptam nos pontos da quadratura de Gauss-Legendre de terceira ordem.
Resolução
f ( x) = 1 + x + x2 + x3 . (3.99)
g ( x ) = a + bx + cx 2 . (3.100)
∫ [(1 − a) + (1 − b) x + (1 − c) x ]
2 2
∫−1 [ f ( x) − g ( x)]
1 1
e= dx = 2
+ x 3 dx . (3.101)
−1
∂e 1− c
∂a = 0 ⇒ 1 − a + 3 = 0
∂e 1− b 1
=0⇒ + =0 (3.102)
∂b 3 5
∂e 1− a 1− c
∂c = 0 ⇒ 3 + 5 = 0
resultando
8
a =1 , b = e c = 1, (3.103)
5
pelo que
8
g ( x) = 1 + x + x 2 (3.104)
5
10
g (x)
f (x)
4
0
-2 -1.5 -1 3 -0.5 0 0.5 3 1 1.5 2
− +
5 5
-2
-4
Figura 3.9 – O polinómio de 3º grau, f(x), e o polinómio de 2º grau, g(x), obtido de f(x) por intermédio do
MMQ, interceptam-se nos pontos de Gauss da quadratura de Gauss-Legendre de 3ª ordem.
EI EII
i I II j
1 1
I II
-1 +1
s'1
Figura 3.10a – Extrapolação de grandezas em 2 PG para os nós de um elemento de dois nós.
( ) ( )
E s1' = N1' s1' EI + N 2' s1' EII ( ) (3.105)
em que s1' é a coordenada de um elemento “fictício” com nós nos PG I e II. Assim, s1' = −1
( ) ( )
para s1 = − 3 3 e s1' = 1 para s1 = 3 3 . Em (3.105) N1' s1' e N 2' s1' são as funções de forma
lineares do elemento “fictício”, definidas a partir das expressões (3.10), substituindo s1 por
( )
s1' . Assim, N1' s1' assume o valor unitário no PG I e o valor nulo no PG II. Por sua vez, a
( )
função N 2' s1' assume o valor nulo no PG I e o valor unitário no PG II. Para se extrapolar
para o nó i, o valor de s1' será,
3
s1' = − 1 ___________ s1 = −
3
s1' ,i = ? ___________ s1 = − 1 (3.106)
3
s1' ,i = −
3
pelo que substituindo esta coordenada em (3.105) obtém-se a grandeza no nó i. Para se obter a
grandeza no nó j determina-se a coordenada de s1' neste nó,
3
s1' = 1 ___________ s1 =
3
s1' , j = ? ___________ s1 = 1 , (3.107)
3
s1' , j =
3
i j k
i I j II k I II III
1 1 1 1 1
i j k
i I j II k
I II III
s'1 s'1
-1 0 +1 -1 0 +1
Figura 3.10b – Extrapolação de grandezas em 2 PG Figura 3.10c – Extrapolação de grandezas em 3 PG
para os nós de um elemento de três nós. para os nós de um elemento de três nós.
1 PG 2 PG
elemento de 2 nós Classe C1
2 PG 1 PG
elemento de 3 nós Classe C0
- Ponto nodal 2 PG
- Ponto de Gauss Classe C0
Figura 3.11 – Número de pontos de Gauss para elementos unidimensionais.
A barra biarticulada representada na Figura 3.12 está submetida a uma força distribuída de 10
kN/m. Discretizando a barra num elemento de três nós calcule:
q 1 = 10kN/m
3
1
u 1, 1
2
u 1, 2 u 1, 3
Resolução:
= ∫ ( e ) B EA Bdx1
(e) T
K
L
onde:
2
(e ) [s1 − 2 ] dx1 = L2 ds1
(e)
B ( s1 ) = 1
− 2 s1 s1 + 1
2
;
L
1
s1 − 12
− 2 s (EA )(e ) [s − 1 s1 + 12 ]ds1
∫B L( e ) ∫
(e) T
K = EA Bdx1 = 2
1 1 2 − 2 s1
L( e ) −1
s1 + 12
1
( s 1 − 12 ) 2 − 2 s 1 ( s 1 − 12 ) ( s 1 − 12 )( s 1 + 12 )
K
(e)
= ( 2 EA
L
)(e ) ∫ − 2 s 1 ( s 1 − 12 ) ( − 2 s1 ) 2
− 2 s 1 ( s 1 + 12 ) ds1
−1
( s 1 + 2 )( s 1 − 2 ) − 2 s1 ( s1 + ) ( s 1 + 12 ) 2
1 1 1
2
14 − 16 2
K (e)
= ( )EA ( e ) −
6L
16 32 − 16
2 − 16 14
12 s1 (s1 − 1) 1
12 s1 (s1 − 1)
Q = ∫ (1 + s1 )(1 − s1 )q x1 dx1 =
∫−1 (1 + s1 )(1 − s1 )q x1 ds1
(e ) 2
L( e )
2 s1 (1 + s1 ) 12 s1 (1 + s1 )
L( e ) 1
1
Q
(e )
= ( )
q x1 L
6
(e)
4
1
14 − 16 2 0 5 + R
66666.6667 − 16 32 − 16u1,2 = 20
2 − 16 14 u1,3 5
R = −30 KN
u1,2 = 0.000028125m
u1,3 = 0.0000375 m
1 – Descreva as etapas de análise de uma estrutura segundo o método dos elementos finitos.
4 - Na Figura 3.9 representa-se uma estrutura constituída por 3 barras biarticuladas. Discretize
as barras 1 e 3 por um elemento de 2 nós cada, e a barra 2 por um elemento de 3 nós.
a) Calcule a matriz de rigidez da estrutura correspondente aos graus de liberdade do nó 1.
b) Calcule as componentes do nó 1 das forças nodais equivalentes às acções que actuam na
estrutura, admitindo para acções na estrutura o peso próprio da barra 2 e a carga aplicada no
nó 1.
c) Sabendo que os deslocamentos segundo x2 dos nós 1 e 3 são –7.342e-04 m e –
4.898e-04 m, respectivamente, calcule os esforços instalados na barra 2.
Dados:
Barras 1 e 3: Área=100 cm2; módulo de elasticidade longitudinal=200 GPa.
Barra 2: Área=300 cm2; massa específica=7.85 t/m3; módulo de elasticidade
longitudinal=200 GPa.
x2
2 4 5
2
5m
3 3
1
x1
1
5m 5m
500 kN
Figura 3.9