PATRÍCIA DE BRITO CAMPOS
ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Dourados
2018
PATRÍCIA DE BRITO CAMPOS
ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Faculdade Anhanguera
de Dourados, como requisito parcial para
obtenção do título de graduado em
Ciências Contábeis.
Orientador: Jéssica Azevedo.
Dourados
2018
PATRÍCIA DE BRITO CAMPOS
ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Faculdade Anhanguera
de Dourados, como requisito parcial para
obtenção do título de graduado em
Ciências Contábeis.
Orientador: Jéssica Azevedo
BANCA EXAMINADORA
Prof. (ª). Titulação Nome do Professor (a)
Prof. (ª). Titulação Nome do Professor (a)
Prof. (ª). Titulação Nome do Professor (a)
Dourados, 20 de abril de 2018.
Dedico esta monografia à minha família que
me deu muito apoio nos momentos mais
difíceis da minha vida e também, a todos
que de alguma forma tornaram esse
caminho mais fácil de ser percorrido.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus, Aquele que está ao meu lado em toda
minha jornada e que sabe melhor que qualquer outro ser o tamanho da minha
capacidade.
A todos os professores que passaram pela minha vida nessa caminhada em
busca de um conhecimento mais amplo.
Aos amigos de turma que participaram desse maravilhoso, e as vezes
complicado caminho.
E finalmente, mas não menos importante, agradeço a minha família, amigos,
pelo apoio incondicional em todos os momentos e principalmente na conclusão
deste trabalho.
CAMPOS, Patrícia de Brito. ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS.
2018. Número total de folhas: 55. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Ciências Contábeis) – Faculdade Anhanguera de Dourados, Dourados, 2018.
RESUMO
No mundo dos negócios muitas decisões são tomadas, podendo determinar o
sucesso ou o fracasso de uma empresa. Para que tais decisões sejam tomadas de
forma mais acertada é imprescindível que os tomadores da decisão tenham à
disposição as informações necessárias, dando mais racionalidade ao processo. A
tomada de decisões no âmbito das empresas é uma tarefa complexa que necessita
ser orientada por informações confiáveis e úteis. A contabilidade pode, através das
demonstrações financeiras e da aplicação das técnicas de análise, proporcionar tais
informações que auxiliam na busca pelo aumento da eficiência e competitividade
das empresas. A análise das demonstrações contábeis agrega valor às informações,
e, com isso, possibilita confrontar elementos patrimoniais, indicando fatos ocorridos,
determinando a situação, e permitindo uma visão das tendências futuras, por isso
sua importância nas organizações. Este trabalho é um estudo de caso em um clube-
empresa, que tem como atividade a prática esportiva, e objetivou aplicar a análise
das demonstrações financeiras, e através dela mostrar a real situação econômica e
financeira da empresa. Na conclusão deste trabalho perceberemos que a empresa
mesmo não apresentando uma boa liquidez, consegue se tornar rentável, e que com
a Análise das Demonstrações fica mais compreensiva e confiável a tomada de
decisões por parte dos gestores, e consequentemente a melhora nos negócios da
empresa.
Palavras chave: Contabilidade; Demonstrações Financeiras; Análise.
CAMPOS, Patrícia de Brito. ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS.
2018. Número total de folhas: 55. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Ciências Contábeis) – Faculdade Anhanguera de Dourados, Dourados, 2018.
ABSTRACT
In the business world many decisions are made and may determine the success or
failure of a company. To ensure that such decisions are taken in a way to do it is
essential that decision makers have the information needed, giving more rationality to
the process. Decision-making within companies is a complex task that needs to be
guided by reliable and useful information. The accounts can, through the financial
statements and the application of techniques of analysis, to provide such information
to assist in the search for increased efficiency and competitiveness of businesses.
The analysis of financial statements adds value to information, and thus makes it
possible to confront assets, indicating facts, determining the current state of affairs,
and allowing a vision of future trends, so its importance in organizations. This work is
a case study in a club-company, which is the practice of sports activity, and aimed to
apply the analysis of financial statements, and through her show the actual economic
and financial situation of the company. At the conclusion of this work we realized that
the same company not showing a good liquidity, can become profitable, and that with
the analysis of the Demonstrations is more understanding and reliable decision-
making on the part of managers, and consequently the improvement in the
company's business.
Key words: Accounting; Financial Statements; Analysis.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Representação gráfica do balanço patrimonial .....................................15
Figura 2: Estrutura do DRE...................................................................................22
Figura 3: Fonte Osni Moura Ribeiro......................................................................31
Figura 4: Fonte Osni Moura Ribeiro......................................................................32
Figura 5: Fonte Osni Moura Ribeiro......................................................................34
Figura 6: Fonte Osni Moura Ribeiro......................................................................34
Figura 7: Fonte Osni Moura Ribeiro......................................................................35
Figura 8: Fonte Osni Moura Ribeiro......................................................................35
Figura 9: Fonte Osni Moura Ribeiro......................................................................37
Figura 10: Fonte Osni Moura Ribeiro....................................................................37
Figura 11: Fonte Osni Moura Ribeiro....................................................................38
Figura 12: Fonte Osni Moura Ribeiro....................................................................39
Figura 13: Fonte Osni Moura Ribeiro....................................................................40
Figura 14: Fonte Osni Moura Ribeiro....................................................................41
Figura 15: Fonte Osni Moura Ribeiro....................................................................42
Figura 16: Fonte Osni Moura Ribeiro....................................................................43
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Liquidez Geral...................................................................................... 46
Quadro 2: Liquidez Corrente.................................................................................46
Quadro 3: Liquidez Seca.......................................................................................47
Quadro 4: Liquidez Imediata.................................................................................48
Quadro 5: Giro do Ativo.........................................................................................48
Quadro 6: Margem Líquida....................................................................................49
Quadro 7: Rentabilidade de Ativo..........................................................................49
Quadro 8: Rentabilidade do Patrimônio Líquido....................................................50
Quadro 9: Participação de Terceiros em Relação ao Capital Próprio...................50
Quadro 10: Composição de Endividamento..........................................................51
Quadro 11: Imobilização do Patrimônio Líquido....................................................51
Quadro 12 Imobilização dos Recursos Não Correntes.........................................52
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................12
2 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E O BALANÇO PATRIMONIAL................14
2.1 Demonstrações financeiras.............................................................................14
2.2 Balanço patrimonial ........................................................................................14
2.3 Ativo circulante ...............................................................................................15
2.4 Ativo não circulante ........................................................................................16
2.5 Ativo intangível ...............................................................................................17
2.6 Passivo circulante ...........................................................................................18
2.7 Passivo não circulante.....................................................................................18
2.8 Patrimônio líquido............................................................................................19
2.8.1 Capital social................................................................................................20
2.8.2 Reservas de capital......................................................................................20
2.8.3 Ajuste de avaliação patrimonial....................................................................20
2.8.4 Reservas de lucro.........................................................................................20
2.8.5 Ações em tesouraria.....................................................................................21
2.8.6 Prejuízo acumulado......................................................................................21
2.9 Demonstração do Resultado do Exercício......................................................21
2.10 Estrutura da DRE.......................................................................................... 22
2.11 Componentes do DRE...................................................................................23
3 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS.................................................................................25
3.1 Princípios da Entidade.....................................................................................25
3.2 Princípio da Prudência.................................................................................... 25
3.3 Princípio pelo Valor Original............................................................................26
3.4 Princípio da Competência............................................................................... 27
3.5 Princípio da Oportunidade...............................................................................27
3.6 Princípio da Continuidade............................................................................... 28
3.7 Introdução a Análise de Balanços...................................................................29
3.7.1 Processo de Análise.....................................................................................29
3.7.2 Exame e Padronização das Demonstrações................................................30
3.7.3 Análise Horizontal e Vertical.........................................................................31
3.8 Análise por Quocientes: Índices de Liquidez...................................................32
3.8.1 Liquidez Geral.............................................................................................. 33
3.8.2 Liquidez Corrente.........................................................................................34
3.8.3 Liquidez Seca...............................................................................................34
3.8.4 Liquidez Imediata......................................................................................... 35
3.9 Índices de Rentabilidade.................................................................................36
3.9.1 Giro de Ativo.................................................................................................36
3.9.2 Margem Líquida............................................................................................37
3.9.3 Rentabilidade de Ativo..................................................................................38
3.9.4 Rentabilidade de Patrimônio Líquido............................................................38
3.10 Estrutura de Capitais.....................................................................................39
3.11 Relação de Terceiros em Relação ao Capital Próprio...................................40
3.12 Composição do Endividamento.....................................................................41
3.13 Imobilização do Patrimônio Líquido...............................................................42
3.14 Imobilização dos Recursos Não Correntes...................................................43
4- CONSIDERAÇÕES FINAIS ...............................................................................44
REFERÊNCIAS ....................................................................................................45
12
1 INTRODUÇÃO
A contabilidade pode, através das demonstrações financeiras e da aplicação das
técnicas de análise, proporcionar tais informações que auxiliam na busca pelo
aumento da eficiência e competitividade das empresas. A análise das
demonstrações contábeis agrega valor às informações, e, com isso, possibilita
confrontar elementos patrimoniais, indicando fatos ocorridos, determinando a
situação, e permitindo uma visão das tendências futuras, por isso sua importância
nas organizações.
A pesquisa desse tema é justificada pela necessidade de analisar o
desempenho da organização. Desta forma a empresa, irá avaliar suas
demonstrações para verificar como está utilizando seus recursos, e onde estão
sendo aplicados tais recursos, analisando também sua liquidez, rentabilidade e
endividamento, dando uma melhor visão aos gestores para a tomada de decisão,
apontando através dos índices a situação financeira, econômica e patrimonial das
empresas, assim como a variação dos componentes patrimoniais através da análise
horizontal.
A pesquisa tem como intuito mostrar que a Técnica em Análise das
Demonstrações é um importante instrumento que os administradores devem utilizar
visando melhorar os resultados e criar novas situações para a empresa. Com base
nessa técnica os analistas conseguem verificar se a empresa é rentável e lucrativa,
e como está composto seu endividamento. Portanto, este estudo servirá de roteiro
oferecendo os resultados e estruturas das demonstrações, para que os interessados
possam avaliar e tomar decisões.
Como objetivo geral o trabalho abordará como a Técnica da Análise das
Demonstrações influência no gerenciamento de uma organização e como ela atua
frente aos sócios e a sociedade quando investidora, comparando os índices e
analisando os resultados deles obtidos, evidenciando qual o papel da Análise das
Demonstrações Contábeis nas organizações, além de calcular a liquidez,
lucratividade e a composição do endividamento das sociedades analisadas,
apresentar as causas que interferem na liquidez, lucratividade e composição do
13
endividamento e também, demonstrar por meio de um estudo de caso a situação
financeira, econômica e patrimonial da sociedade.
O estudo refere-se a um clube-empresa, que tem como principal atividade a
exploração do futebol profissional, situada no Município de Santos, no Estado de
São Paulo, foram analisadas as demonstrações publicadas do período de 01 de
janeiro a 31 de dezembro do ano de 2010 e de 01 de janeiro a 31 de dezembro do
ano de 2011.
O trabalho será direcionado aos aspectos técnicos da Análise, procurando
verificar como está o andamento do clube-empresa, se ela é uma empresa rentável,
se tem uma boa lucratividade e onde estão sendo investidos seus recursos. Essa
verificação se dará por meio de análise de tabelas que indicarão a real situação
econômica, financeira e patrimonial do clube-empresa. A metodologia utilizada será
a dedutiva, partindo do conceito geral dos autores para uma explicação particular
acerca do tema desenvolvido.
14
2 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E O BALANÇO PATRIMONIAL
2.1 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
Demonstrações financeiras são relatórios contábeis que exprimem todos os
principais fatos registrados pela contabilidade e expõem de forma significativa todos
os resultados, sejam positivos ou negativos das empresas.
Através de uma abordagem resumida, apresenta-se o que revelam as
demonstrações financeiras e cada uma das principais contas que nela
aparecem quando publicadas. A Análise das demonstrações financeiras
exige noções do seu conteúdo, significado, origens e limitações.
(MATARAZZO, 1998, p 41).
De acordo com a Lei 6.404/76 denominada Leis das Sociedades por Ações
todas as empresas devem divulgar seus relatórios de forma ordenada e resumida.
Ludícibus (1998, p. 39) coloca que “a Lei das Sociedades por Ações estabelece que
ao fim de cada exercício social (ano), a diretoria fará elaborar, com base na
escrituração contábil as Demonstrações Financeiras ou Demonstrações Contábeis”.
Assim, aliado as demonstrações, é necessário possuir um conhecimento abrangente
sobre esses relatórios, para que haja a sua análise e assim se consiga extrair todas
as informações necessárias para a tomada de decisões.
2.2 BALANÇO PATRIMONIAL
15
Em sentido amplo Balanço Patrimonial é o conjunto de bens, direitos e
obrigações que a empresa possui, sendo que a diferença entre esses bens/direitos e
obrigações é denominada Patrimônio Líquido, que nada mais é que o capital
investido pelos sócios da empresa. Segundo Savytzky (2010, p.15), balanço
patrimonial significa: “Os bens, os direitos e as obrigações que formam, no conjunto,
o patrimônio das empresas, que é demonstrado pela contabilidade sob a forma de
Balanço Patrimonial.” Do ponto de vista de Matarazzo, balanço patrimonial:
É a demonstração que apresenta todos os bens e direitos da empresa –
Ativo, assim como as obrigações – Passivo Exigível – em determinada data.
A diferença entre Ativo e Passivo é chamada Patrimônio Líquido e
representa o capital investido pelos proprietários da empresa.
(MATARAZZO, 1998, p.43)
Essa demonstração evidencia os recursos utilizados e investidos pelos
proprietários da empresa e de onde provêm esses recursos para sua operação. Vale
ressaltar que o Balanço Patrimonial mostra apenas os fatos registrados pela
Contabilidade, segundo os princípios contábeis. Ludícibus (1998, p.40) diz que o
Balanço Patrimonial “reflete a posição das contas patrimoniais em determinado
momento, normalmente no fim do ano ou de um período prefixado.” Assim, em
determinado período as empresas devem apresentar o balanço patrimonial que de
acordo com Ludícibus (1998, p.40) “é constituído de duas colunas: do lado direito é
denominada Passivo e Patrimônio Líquido. A coluna do lado esquerdo é
denominada Ativo.” De acordo com a figura a seguir.
Figura 1: Representação gráfica do balanço patrimonial. Fonte: Sergio Ludícibus.
2.3 ATIVO CIRCULANTE
16
São as disponibilidades financeiras, e outros bens e direitos, que se espera
que se transformem em dinheiro, vendidos ou usados no decorrer do ano, ou, num
determinado ciclo operacional. Savytzky (2010, p.27) define Ativo Circulante como
“os recursos financeiros aplicados no giro dos negócios da empresa, fazendo parte,
portanto, do chamado ciclo operacional ou capital de giro”. Sérgio Ludícibus
caracteriza ativo circulante como:
O dinheiro (caixa ou banco), que é o item mais líquido, é agrupado com
outros itens que são transformados em dinheiro, consumidos e vendidos a
curto prazo, ou seja, menos de um ano: contas a receber, estoques,
investimentos temporários. (LUDÍCIBUS, 1998, P.45)
Essas disponibilidades devem ser suficientes para financiar a
operacionalização da empresa durante o seu exercício. Nas empresas mercantis,
esse ciclo operacional compreende a aquisição das mercadorias, o financiamento da
empresa até a venda das mercadorias adquiridas e o recebimento do dinheiro que,
quando recebido, retorna novamente a produção, dando continuidade ao ciclo
econômico-operacional da empresa.
2.4 ATIVO NÃO CIRCULANTE
São os bens de natureza mais duradoura, ou seja, aqueles que tem menos
liquidez, se transformam em dinheiro mais lentamente, que o Circulante. É composto
por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e ativo intangível.
Segundo Franco, ativo realizável a longo prazo se define por:
[...] valores de conversão demorada, considerados pela Lei nº 6.604/76
como aqueles realizáveis em prazo que ultrapassa o do exercício seguinte,
tais como: empréstimos a terceiros, títulos a receber de terceiros, duplicatas
a receber, debêntures e outros investimentos por prazo superior a um ano.
(FRANCO, 1992, P.65)
17
Os investimentos são todas as aplicações de recursos que não tem por
finalidade o objetivo principal da entidade. Savytzky (2010, p. 28) diz que: “Nas
operações financeiras, “investimentos” significam aplicações de recursos nos mais
variados negócios: investimentos em imóveis, em ações, em fundos, poupança e
etc., enfim aplicações financeiras”. Esse sentido de “Investimentos” no Balanço
Patrimonial é o de registrar o valor das participações por meio de ações ou quotas
de capital que a empresa tem em outras sociedades, bem como aplicações
financeiras em bens ou direitos não necessários a manutenção de suas atividades.
O Imobilizado representa as aplicações de recursos em bens instrumentais
que servem de meios para que a entidade alcance seus objetivos. Para Ludícibus,
imobilizado são:
Os bens tangíveis, que com o passar do tempo sofrem deterioração física
ou tecnológica. Dessa forma, perdem a sua eficiência funcional. Tal perda é
acumulada . (LUDÍCIBUS, 1998, P.46)
De acordo com o autor Ribeiro,
“Neste subgrupo são classificadas as contas que representam aplicações de
recursos em bens de uso da entidade. Essas aplicações poderão ocorrer
em bens materiais (tangíveis), como: Computadores e Periféricos; Móveis e
Utensílios; Veículos; Equipamentos e Recursos Naturais. Figuram ainda as
contas representativas de aplicações de recursos em bens imateriais
(intangíveis), como: Benfeitorias em Bens de Terceiros; Patentes de
Invenção; Direitos de Uso”. (RIBEIRO, 2002, P.49)
2.5 ATIVO INTANGIVEL
São os ativos que compreendem um leque de bens incorpóreos, ou seja, que
não podem ser tocados, que não tem existência física. Savytzky dispõe que,
Trata-se de grupo um que por si só se define como termo contábil.
Simplesmente é em ativo intocável. Foi criado para registrar os direitos de
marcas e patentes da empresa, em geral de valores inexpressivos, e fundos
18
de comércio raramente contabilizado, contas que eram arroladas no grupo
Imobilizado. (SAVYTZKY, 2010, P28)
Trata-se de um desmembramento do ativo imobilizado, que, a partir da
vigência da Lei 11.638/207, ou seja, a partir de 01.01.2008, passa a contar apenas
com bens intangíveis. Deve ser ressaltado que, para as companhias abertas, a
existência desse subgrupo “Intangível” já se encontra regulada pela Deliberação
CVM nº 488/05.
2.6 PASSIVO CIRCULANTE
Representa o registro das dívidas e obrigações da empresa, a curto e a longo
prazo. O passivo caracteriza a origem dos recursos de terceiros que estão aplicados
no ativo que podem estar em circulação ou imobilizados. Segundo Franco, passivo
circulante constitui,
[...] todas as contas representativas de créditos de terceiros, de exigibilidade
imediata ou quase imediata, resultantes de operações de funcionamento da
empresa, vencíveis em prazos geralmente inferiores ao do ciclo operacional
da empresa. (FRANCO, 1992, P.75)
Neste, são classificadas todas as contas representativas de obrigações
assumidas pela empresa para a liquidação dentro do exercício seguinte, tais como
as resultantes de aquisição de mercadorias, de operações financeiras à curto prazo,
de responsabilidade fiscais e outras inerentes às suas atividades operacionais.
O Passivo Circulante registra a origem dos recursos, enquanto o Ativo
Circulante demonstra a aplicação deles, portanto no Ativo Circulante aparecem às
contas que serão convertidas mais rapidamente em dinheiro e o Passivo Circulante
são destacadas as contas que deverão ser pagas mais rapidamente.
19
2.7 PASSIVO NÃO CIRCULANTE
Representa as obrigações com prazo de vencimento após 12 (doze) meses,
ou seja, após o exercício seguinte. Este grupo foi criado para registrar as
exigibilidades à longo prazo, e que por essa razão são tidas como não circulantes,
por exemplo, empréstimos bancários e financiamentos. Neste grupo também são
classificadas as seguintes contas: adiantamentos de sócios, adiantamentos de
acionistas, empréstimos de coligadas e empréstimos de controladas. De acordo com
Franco,
Este grupo reúne todas as contas representativas de créditos de terceiros,
de exigibilidades remota, sujeitos a planos de amortização lenta, geralmente
originados de operações de financiamento ou suprimento, tais como os
empréstimos por debêntures, os hipotecários e todas as dívidas com
vencimento além dos prazos normais ou de praxe nos meios econômicos.
(FRANCO, 1992, P.77)
Portanto o Passivo Circulante registra todas as obrigações que serão pagas a
terceiros num espaço de tempo maior do que o exercício seguinte e advêm de
operações financeiras de crédito de terceiros que por sua natureza são mais longas
do que as operações financeiras de crédito de terceiros rotineiras que as empresas
costumam fazer.
2.8 PATRIMONIO LIQUIDO
Representa os valores que os sócios ou acionistas têm na empresa em um
determinado momento. No Balanço Patrimonial, a diferença entre o valor dos Ativos
e dos Passivos representa o PL (Patrimônio Líquido), que é o valor contábil devido
pela pessoa jurídica aos sócios ou acionistas, baseado no Princípio da Entidade.
Para Ludícibus, o patrimônio líquido
Representa os investimentos dos proprietários (capital) mais o lucro
acumulado, no decorrer dos anos, retido na empresa, não distribuído. É
20
formado pelo grupo de contas que registra o valor contábil pertencente aos
acionistas ou quotistas. (LUDÍCIBUS 1998, P.47)
2.8.1 CAPITAL SOCIAL
Representa os recursos iniciais disponibilizados e integralizados pelos
acionistas ou gerados pela empresa, podendo ser em moeda corrente ou em bens e
direitos.
2.8.2 REVERSAS DE CAPITAL
São constituídas pelos lucros que não transitaram pela receita e que tem uma
finalidade específica, sendo elas: Reserva de Correção Monetária do Capital,
Reserva de Ágio na Emissão de Ações, Reserva de Alienação de Partes
Beneficiárias, Reserva de Alienação de Bônus de Subscrição, Reserva de Prêmio na
Emissão de Debêntures (excluída desde 01.01.2008, excluída desde 01.01.2008,
por força da Lei 11.638/2207), Reserva de Doações e Subvenções para
Investimento (excluída desde 01.01.2008, por força da Lei 11.638/2007) Até
31.12.2007 e a Reserva de Incentivo Fiscal, ao qual a partir de 01.01.2008,
respectiva reserva passa a fazer parte do grupo de Reservas de Lucros.
2.8.3 AJUSTE DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL
É a reavaliação dos ativos e passivos em relação ao seu valor justo. Com
base no Art. 183 da Lei 6.404/76, todas as aplicações em instrumentos financeiros e
em direitos e títulos de créditos deverão ser avaliadas pelo seu valor justo, quando
se tratar de aplicações destinadas a negociação ou disponíveis para venda.
21
2.8.4 RESERVAS DE LUCRO
São contas constituídas por transferência de lucros da empresa, sendo as
principais: Reserva Legal, que dispõe de 5% do lucro líquido do exercício, Reservas
Estatutárias, que são constituídas por meio de estatutos com finalidades específicas
e absorvem uma parcela do lucro do exercício, Reservas para Contingências que
são formuladas a fim de minimizar prejuízos futuros, decorrentes de acontecimentos
fortuitos (aquele que não pode ser previsto ou planejado).
2.8.5 AÇÕES EM TESOURARIA
São aquelas adquiridas pela própria empresa, tendo como objetivo operações
de resgate, reembolso ou amortização de ações e diminuição de capital, esta na
classificação de contas do Patrimônio liquido.
2.8.6 PREJUIZO ACUMULADO
É o saldo restante do prejuízo, após as destinações para as reservas de
lucros e dividendos distribuídos.
2.9 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO (DRE)
Compreende a demonstração que expõe o resultado apurado com relação ao
conjunto de operações em um determinado período, geralmente em doze meses.
Franco dispõe que:
22
As variações positivas (receitas) aumentam a situação líquida
positiva, ao passo que as variações negativas (despesas) diminuem essa
situação. Quando as variações positivas são maiores que as negativas, o
resultado econômico é positivo (lucro). Quando as negativas são maiores, o
resultado econômico é negativo (prejuízo). (FRANCO, 1992, P.83)
Para o controle gerencial da empresa não é interessante apenas conhecer a
situação econômica da organização, mas também saber quais foram os motivos que
levaram a um resultado positivo ou negativo durante apuração das operações num
determinado período de tempo, daí a importância da DRE (Demonstração do
Resultado do Exercício).
2.10 ESTRUTURAS DE DRE
Para as empresas brasileiras, a demonstração de resultado de exercício é
obrigatória, de acordo com a lei n° 11.638/07, publicada em 27 de dezembro de
2007. Resumidamente, a DRE de uma empresa se estrutura da seguinte maneira:
23
Figura 2: Estrutura do DRE. Fonte: Relatório da Empresa (2010 e 2011)
2.11 COMPONENTES DA DRE
Essa demonstração deve ser elaborada de forma a facilitar a interpretação
dos componentes dos resultados e deve-se apresentar de forma sintética, não
podendo evidenciar particularidades das receitas e dos gastos. São as seguintes
contas que compõem essa Demonstração:
A receita bruta com vendas representa o ingresso bruto decorrente das
atividades operacionais da empresa e está subdivida em Venda a Vista e Venda a
Prazo; Deduções da receita, que compreende a contas que reduzem o valor bruto
das receitas e estão divididas em Impostos sobre Vendas, Devoluções de Vendas e
Abatimentos; O custo das mercadorias vendidas trata-se da conta que registram os
custos diretos de cada uma das operações que representam a receita bruta da
empresa; Despesas operacionais aos quais compreendem todas as despesas
24
necessárias à operacionalização da empresa e estão subdivididas em Despesas
com Vendas como Salários e Ordenadas e Encargos, Despesas Administrativas
como Impostos e Taxas Diversas e Honorários de Diretoria e Conselheiros; Outras
Despesas Operacionais que compreendem contas como Prejuízo na Venda de
Imobilizado e Supervenientes; Despesas Extras Operacionais são aquelas que não
estão ligadas diretamente com a operação da empresa como Resultado da
Equivalência Patrimonial; Resultado Antes do IRPJ e da CSSL, é o valor obtido pela
empresa antes da dedução das provisões do Imposto Renda Pessoa Jurídica e da
Contribuição Social Sobre o Lucro; Resultado Líquido do Período, que é o valor
demonstrado depois de todas as aplicações de cada conta, podendo ser positivo
(Lucro) ou negativo (Prejuízo).
Essa demonstração tem importância tamanha, pois evidência o fluxo
econômico e não o fluxo monetário da empresa no curso de sua operacionalização
num determinado período, para ela não importa se a receita ou a despesa tem
reflexos em dinheiro, basta apenas que impacte o Patrimônio Líquido, fazendo com
que a DRE se torne um instrumento de análise para as tomadas de decisões que
irão afetar a movimentação da organização.
25
3 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS
Esses princípios são as doutrinas que regem a Contabilidade tanto no âmbito
científico quanto no profissional, surgiram das respostas graduais que os contadores
foram desenvolvendo, ao longo dos séculos, a problemas e desafios formulados
pelas necessidades práticas. Ludícibus (1998, p. 26) diz que “Um princípio para se
tornar “geralmente aceito” precisa ser reconhecido pelo consenso profissional como
útil (relevante), objetivo e praticável.” A utilidade de qualquer princípio tem que estar
em grande parte relacionada aos objetivos que se pretendem alcançar com os
relatórios financeiros e com a respectiva perspectiva dos usuários da informação
contábil.
3.1PRINCIPIOS DA ENTIDADE
Este princípio diz que se deve haver plena e total separação, distinção de
pessoa física e pessoa jurídica. O patrimônio da empresa jamais se confunde com o
patrimônio dos sócios. Segundo Ludícibus,
[...] configura-se que a Contabilidade e os registros respectivos são
mantidos para as entidades, como pessoas distintas dos sócios, sejam
pessoas físicas ou jurídicas. Nesta concepção, o ativo, o passivo e o
patrimônio líquido pertencem à Entidade. (LUDÍCIBUS, 1998, P.27)
Assim, o princípio da entidade reconhece o Patrimônio como objeto da
contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de
um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente
26
de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição
de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência,
nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou
proprietários, no caso de sociedade ou instituição.
3.2 PRINCIPIO DA PRUDENCIA
Esse princípio especifica que diante de duas alternativas, igualmente válidas,
para a quantificação da variação patrimonial, será adotado o menor valor para os
bens ou direitos e o maior valor para as obrigações ou exigibilidades. Assim, quando
se apresentarem opções igualmente aceitáveis diante dos outros princípios
fundamentais de contabilidade será escolhida a opção que diminui ou acrescenta
menos valor ao Patrimônio Líquido. Baseia-se na em nunca antecipar lucros e sim
prever possíveis prejuízos. Para Ludícibus o princípio da prudência significa que:
[...] quando o contador se defrontar com duas alternativas de avaliação de
ativos, igualmente válidas do ponto de vista dos princípios contábeis
geralmente aceitos, registrará o evento de forma tal que o patrimônio líquido
resultante seja menor. (LUDÍCIBUS 1998, P.36)
Desse modo, a aplicação do princípio da prudência resulta na obtenção do
menor Patrimônio Líquido, entre aqueles possíveis diante de procedimentos
alternativos de avaliação de fatos contabilizáveis. Esse princípio tem por objetivo
não registrar antecipadamente nenhum lucro e, de outro lado, registrar todas as
despesas e perdas que forem possíveis. Ou seja, nunca permitir que a contabilidade
da empresa indique a existência de lucros que possam estar superestimados pela
adoção de um critério, entre dois ou mais possíveis, que eventualmente venha a não
corresponder à realidade.
3.3 PRIMCIPIO DE REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL
Os elementos patrimoniais devem ser registrados pela contabilidade por seus
valores originais, expressos em moeda corrente do país. Assim, os registros da
27
contabilidade são efetuados com embasamento no valor de aquisição do bem ou
pelo custo de fabricação, incluindo-se, ainda, todos os gastos que foram necessários
para colocar o bem em condições de gerar benefícios presentes ou futuros para a
empresa. Ludícibus dispõe:
Um ativo é incorporado nos registros contábeis pelo preço pago para
adquiri-lo (mais os desembolsos necessários para colocá-lo em condições
de funcionamento ou de venda) ou pelo custo dos insumos utilizados para
fabricá-lo; este valor é a base para todas as contabilizações subsequentes
relativas ao uso do ativo. (LUDICÍBUS, 1998, P.30).
Portanto esse princípio visa à avaliação dos componentes patrimoniais com
base no valor de entrada e uma vez integrado no patrimônio os bens, direitos ou
obrigações não poderão ter seus valores originais alterados.
3.4 PRINCÍPIO DE COMPETÊNCIA
Esse princípio determina que os efeitos das transações e outros eventos
sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do
recebimento ou pagamento. Segundo Ludícibus,
[...] desde que a receita tenha sido reconhecida, todas as despesas que
tenham contribuído para a realização daquela receita, independentemente
do período de desembolso, devem ser reconhecidas e confrontadas com as
mesmas. (LUDÍCIBUS, 1998, P.32)
O referente princípio está ligado ao registro de todas as receitas e despesas
de acordo com o fato gerador, no período de competência, independente de terem
sido recebidas as receitas ou pagas as despesas. Assim, é fácil observar que o
princípio da competência não está relacionado com recebimentos ou pagamentos,
mas com o reconhecimento das receitas obtidas e das despesas incorridas em
determinado período.
28
3.5 PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE
Este princípio refere-se ao momento em que devem ser registradas as
variações patrimoniais e devem ser feitas imediatamente e de forma integral,
independentemente das causas que as originaram, contemplando os aspectos
físicos e monetários.
A Contabilidade como sistema de mensuração, precisa escolher em cada
caso o ponto do processo mais adequado para o “reconhecimento” da
receita. No fundo, reconhecimento de receita implica reconhecimento de
lucro (ou prejuízo) e, portanto, receitas e despesas são duas facetas de um
mesmo problema geral, embora, no tempo, primeiro se reconheça a receita
e, em seguida, a despesa, direta ou indiretamente associada. (LUDÍCIBUS,
1998, P.31)
O registro deve evidenciar o reconhecimento total das variações ocorridas no
patrimônio da entidade, em um período de tempo determinado, para que seja um
fato necessário para gerar informações úteis ao processo decisório da gestão. O
referido registro deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir uma pequena
certeza de sua ocorrência.
3.6 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE
A continuidade significa que a Contabilidade efetua a avaliação do patrimônio
e o registro das suas mutações considerando que a entidade, até evidências em
contrário, terá sua vida continuada ao longo do tempo, ou seja, é a hipótese básica
de que a entidade cujo patrimônio está sendo contabilizado não está destinada a
liquidação ou a qualquer forma de extinção, mas, sim, a continuar operando por
tempo indeterminado.
A Continuidade das atividades operacionais de uma entidade deve ser
presumida indefinida pela Contabilidade, até que surjam evidências em
29
contrário bastante fortes, tais como: histórico de prejuízos, iminência de
liquidação judicial ou extrajudicial etc. (LUDÍCIBUS, 1998, P.29)
Como dito isso não significa que em nenhuma situação se abandone a ideia
da continuidade, é claro que quando existirem evidências de que a empresa irá se
descontinuar em decorrência de dificuldade financeira, de deliberação dos próprios
sócios ou de qualquer outra causa, esse fato terá então de ser necessariamente
considerado.
3.7 INTRODUÇÕES A ANÁLISE DE BALANÇOS
Para que seja realizado o processo de análise é necessário que se observem
algumas etapas desse processo. Segundo Savytzky,
A análise de balanços tem três fases distintas: Exame das contas quanto à
sua finalidade, qualidade e prazos de vencimentos, com a consequente
reclassificação nos grupamentos do balanço reestruturado; Apuração dos
índices; Interpretação. (SAVYTZKY, 2010, P.43)
As informações concedidas nessas etapas são importantes, pois auxiliam na
melhor verificação das modificações ocorridas em cada demonstração. Savytzky
(2010, p. 43), diz que “a apuração de índices tem por base fórmulas conhecidas, e
os cálculos são aritméticos”, assim dessa forma não se verificam a apresentação de
dúvidas. No que diz respeito à interpretação os profissionais devem acumular
experiência para uma correta interpretação e conhecimentos teóricos sólidos para
que possam consequentemente emitir um parecer conclusivo.
3.7.1 PROCESSO DE ANÁLISE
Recorreremos a análise quando desejaremos conhecer os diferentes
aspectos da situação patrimonial e de suas variações, pois as demonstrações
30
contábeis são sintéticas e não oferecem informações detalhadas, daí a necessidade
da técnica contábil denominada Análise das Demonstrações Contábeis.
Entenderemos que análise das demonstrações não é apenas a decomposição
dos componentes do patrimônio e de suas variações, mas também a comparação
das partes com o conjunto e também entre si, para que se dê a necessária
interpretação.
Segundo Franco (1992, p. 97) “a análise abrange, pois, não somente o
aspecto estático do patrimônio, mas também o dinâmico, tendo por objeto não
apenas as demonstrações contábeis da estática patrimonial, mas também as da
dinâmica patrimonial”.
A análise dos fatos é indispensável para a absorção dos elementos
formadores do patrimônio e das causas das variações patrimoniais, sua síntese é
muito importante para dar a ideia verdadeira do patrimônio e de suas variações.
Portanto, entenderemos que todo conhecimento de suas partes temos necessidade
de reunir as partes para compará-las entre si e conhecer suas relações mútuas.
3.7.2 EXAME E PADRONIZAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES
São técnicas utilizadas pelos analistas para obtenção de conclusões acerca
da situação econômica e financeira relacionadas com o patrimônio, de acordo com
os interesses dos usuários, por meio de interpretações de dados coletados das
demonstrações financeiras. Para se interpretar os quocientes, não se deve fazer
apenas de uma forma isolada, deve ser feita em conjunto com outras variáveis,
tendo em vista que cada organização possui características próprias, mesmo que os
problemas sejam aparentemente os mesmos. De acordo com Savytzky:
O exame das contas quanto a sua finalidade e qualidade e, ainda, quanto á
sua correta classificação exige bons conhecimentos de técnica contábil e o
analista deve inteirar-se do ramo de atividade, ciclo de produção, clientela,
concorrência e etc. (SAVYTZKY, 2010, P.43)
A análise deve ser feita de maneira equilibrada e ponderada, a observância
da sequência lógica é importante na interpretação, pois o conhecimento do
31
quociente completará a interpretação do anterior, dando assim, de maneira mais
racional, margem a conhecer com mais facilidade a capacidade econômica e
financeira da organização.
Ribeiro cita os principais ajustes efetuados para fins de análise:
Ativo: a) No grupo das disponibilidades, incluímos os saldos das contas
Caixas, Bancos conta Movimento e Aplicações de Liquidez Imediata; b) A
conta Contas a Receber de Clientes foi transcrita já subtraída do valor da
Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, porém não deduzida do
saldo das Duplicatas Descontadas; c) A conta Duplicatas Descontadas, foi
reclassificada no Passivo Circulante por apresentar característica de
empréstimo; d) Os grupos de contas do ativo Imobilizado e Ativo Diferido
foram transcritos já deduzidos dos respectivos valores das Depreciações e
Amortizações Acumuladas. Passivo: a) No Patrimônio Líquido, a conta
Capital foi transcrita já deduzida do valor do Capital a Realizar. (RIBEIRO,
2002, P.198)
Antes de iniciar a análise, devem-se examinar detalhadamente as
demonstrações financeiras, esse processo é chamado de Padronização que para
Matarazzo (2003, p. 135) “consiste numa crítica às contas das demonstrações
financeiras, bem como na transcrição delas para um modelo previamente definido.”
3.7.3 ANÁLICE HORIZONTAL E VERTICAL
Uma vez efetuada a avaliação geral da empresa, pode-se aprofundar a
análise com o uso de técnicas adicionas. A primeira delas é a Análise Vertical e
Horizontal, que por intermédio delas poderemos conhecer alguns detalhes das
demonstrações financeiras que escapam a análise genérica através de índices.
A análise vertical, considerado um dos principais instrumentos de análise de
estrutura patrimonial, consiste na determinação dos percentuais de cada conta ou
cada grupo de contas do balanço patrimonial, em relação ao valor total do Ativo ou
Passivo. Do mesmo modo, a análise vertical determina a proporcionalidade das
contas do demonstrativo de resultado em relação à Receita Líquida de Vendas,
considerado como sua base, assim como diz Matarazzo (2003, p. 243) “O percentual
32
de cada conta mostra sua real importância no conjunto.” Para se efetuar o cálculo da
análise vertical no balando patrimonial, poderemos apurar o percentual relativo a
cada item do demonstrativo da seguinte forma:
Figura 3: Fonte: Dante Carmim Matarazzo
Em relação ao balanço patrimonial, ela procura sempre mostrar, de um lado,
a proporção de cada uma das fontes de recursos e, de outro, a expressão
percentual de cada uma das várias aplicações de recursos efetuadas pela empresa.
A Análise Horizontal é uma técnica que parte da comparação do valor de
cada item do demonstrativo, em cada período, com o valor correspondente em um
determinado período anterior, considerado como base. Essa análise tem como
objetivo mostrar a evolução de cada conta (ou grupo de contas), quando
considerada de forma isolada. De acordo com Matarazzo,
Baseia-se na evolução de cada conta de uma série de demonstrações
financeiras em relação à demonstração anterior e/ou em relação a uma
demonstração financeira básica, geralmente a mais antiga da série.
(MATARAZZO, 2003, P.245)
Complementa a Análise Vertical, que nos informa o aumento ou diminuição da
proporção de uma determinada despesa em relação a um determinado total, mas
não nos diz se essa variação foi derivada do aumento ou da diminuição do valor
absoluto da verba considerada.
Por isto é importante frisar que análise vertical e a análise horizontal devem
ser elaboradas sempre em conjunto para verificar qual o grau de influência que uma
exerce sobre a outra e, consequentemente, sobre a conclusão da evolução dos
valores da empresa. Para se efetuar o cálculo da análise horizontal no balando
patrimonial, poderemos apurar o percentual relativo a cada item do demonstrativo da
seguinte forma:
33
Figura 4: Fonte: Dante Carmim Matarazzo
Os resultados obtidos por meio da análise horizontal devem ser interpretados
com certa reserva, porque nem sempre os maiores valores percentuais de aumento
são os mais significativos.
3.8 ANÁLISES POR QUOCIENTES: ÍNDICES DE LIQUIDEZ
Para que a empresa apresente bons resultados não basta que ela tenha apenas
solidez patrimonial, mas é necessário também que ela possua uma boa situação
financeira, para que assim possa saldar seus compromissos em dia e não entrar em
estado de insolvência. A seguir serão apresentados os índices responsáveis por
medir essa situação financeira e demonstrar a liquidez da empresa.
3.8.1 LIQUIDEZ GERAL
Esse índice procura evidenciar o equilíbrio entre os recebimentos e os
pagamentos, retratando de forma mais ampla a liquidez da empresa, levando em
consideração tanto o curto quanto o longo prazo. Para Savytzky,
Essa capacidade futura de pagamento deve ser entendida como a
possibilidade que a empresa tem ou venha a ter de gerar novos recursos,
por meio de lucros operacionais. Obtendo lucros condizentes e
capitalizando-os, todos, ou pelo menos a sua maior parte, cria a capacidade
de pagamento para as dívidas de longo prazo. (SAVYTZKY, 2010, P.81)
Na liquidez Geral o cálculo é feito observando o Ativo Circulante a Curto
Prazo junto do a Longo Prazo e o Passivo Circulante a curto Prazo do Exigível junto
do a Longo Prazo, da seguinte forma:
34
Figura 5: Fonte: Osni Moura Ribeiro
Analisando a fórmula acima se considera bons os resultados ≥ (maior ou
igual) a 1, ou seja, quando positivo significa que até que vença as dívidas a longo
prazo, a empresa terá condições de saldá-las normalmente, sem sacrificar o meio
circulante. Por outro lado, se o resultado for < (menor) que 1, entende-se que a
empresa não apresenta liquidez satisfatória e não terá condições de se livrar dos
financiamentos adquiridos, a não ser que aumente o capital com integralização em
dinheiro.
3.8.2 LIQUIDEZ CORRENTE
Este índice mostra se os ativos que a empresa possui à curto prazo, mais
especificamente em um ano, são suficientes para liquidar suas obrigações a curto
prazo. De acordo com Ludícibus:
Este quociente relaciona quantos reais dispomos, imediatamente
disponíveis e conversíveis em curto prazo em dinheiro, com relação as
dívidas de curto prazo. É um índice muito divulgado e frequentemente
considerado como o melhor indicador da situação de liquidez da empresa.
(LUDÍCIBUS, 1998, P.100)
Na Liquidez Corrente verifica a comparação entre o Ativo Circulante a Curto
Prazo e o Passivo Circulante a Curto Prazo, da seguinte maneira:
Figura 6: Fonte: Osni Moura Ribeiro
Se o resultado apresentado for ≥ (maior ou igual) a 1, significa que a empresa
possui ativos suficientes para saldar suas obrigações a curto prazo. No entanto, se o
resultado for < (menor) que 1, evidencia a existência de recursos financeiros
ociosos, ou seja, os recursos podem estar alocados de forma errônea, necessitando
assim de uma melhor averiguação. Para Franco,
35
Este quociente, que é a comparação do ativo circulante com o passivo
circulante, nos dá a possibilidade de solução dos compromissos em caso de
conversão total dos direitos a curto prazo. Trata-se, portanto, da relação
entre o total do ativo circulante e passivo circulante. (FRANCO, 1992,
P.149)
A boa situação financeira proporciona tranquilidade administrativa, pois
mostra o equilíbrio da empresa, facilita o gerenciamento e auxilia no bom andamento
dos negócios.
3.8.3 LIQUIDEZ SECA
Este mostra a capacidade de pagamento dos compromissos sem levar em
consideração os Estoques, já que esses são fonte de incertezas, como ressalta
Ludícibus (1998, p. 102) “Esta é uma variante muito adequada para se avaliar
conservadoramente a situação de liquidez da empresa. Eliminando- se os estoques
do numerador, estaremos eliminando uma fonte de incerteza.”
A Liquidez Seca é determinada pelo quociente da divisão do Ativo Circulante,
menos o Estoque, pelo Passivo Circulante, demonstrada assim:
Figura 7: Fonte: Osni Moura Ribeiro
A partir da fórmula se o resultado for ≥ (maior ou igual) a 1, quer dizer que a
empresa possui o equilíbrio perfeito diante das exigibilidades a curto prazo, o que na
prática dificilmente ocorre. Porém, se apresentar resultado < (menor) que 1, fica
evidente que a empresa enfrentará serias dificuldades financeiras, pois fica à mercê
da rotatividade dos estoques para cumprir com suas obrigações.
3.8.4 LIQUIDEZ IMEDIATA
36
Este índice evidencia a capacidade da empresa de honrar seus
compromissos à curto prazo com o que ela tem de disponibilidade, ou seja, é quanto
a empresa tem de disponível imediato para saldar suas obrigações, assim como
afirma Ludícibus (1998, p.99) “Este quociente representa o valor de quanto
disponhamos imediatamente para saldar nossas dívidas”. Tal índice é determinado
pelo quociente onde há o resultado da divisão entre as Disponibilidades com as
Exigibilidades à Curto Prazo, na seguinte fórmula:
Figura 8: Fonte: Osni Moura Ribeiro
A Liquidez Imediata varia de acorda com as circunstâncias do mercado
financeiro e da situação econômica do país, que podem ou não estimular
investimentos ou recomendar cuidado, para manter assim a liquidez elevada. Este
índice é geralmente baixo, pois a empresas não apresentam interesse em deixar
recursos monetários em caixa devido ao desenvolvimento do mercado de crédito.
3.9 ÍNDICES DE RENTABILIDADE
Estes índices mostram o lucro gerado pela empresa e é de interesse de seus
sócios, pois mostram a remuneração dos recursos aplicados. Nesse sentido pode-se
dizer que os recursos são investidos no empreendimento com o objetivo de obter
benefícios futuros, ou seja, lucros. Para Ribeiro (2011, p. 168) “Os Quocientes de
Rentabilidade servem para medir a capacidade econômica da empresa, isto é,
evidenciam o grau de êxito econômico obtido pelo Capital investido na empresa”,
nessa tentativa de identificar o sucesso ou fracasso de seu negócio as empresas
analisam a rentabilidade, e essa análise é feita com base no resultado econômico,
vendas e investimentos.
Segundo Matarazzo (2003), os índices
de rentabilidade mostram qual a rentabilidade dos capitais investidos, isto é quanto
renderam os investimentos e, portanto, qual o grau de êxito econômico da empresa.
37
3.9.1 GIRO DO ATIVO
O Giro do Ativo revela a proporção existente entre o volume das vendas e os
investimentos totais efetuados na empresa, isto é, quanto à empresa vendeu para
cada real de investimento total. Segundo Ribeiro:
Esse quociente serve para medir o volume das vendas em relação ao
Capital Total investido na empresa, é importante saber que o volume de
vendas ideal para cada empresa é o que permite a obtenção de
lucratividade suficiente para cobrir todos os gastos, oferecendo ainda boa
margem de Lucro. (RIBEIRO, 2011. P.169)
Este índice permite fazer avaliações sobre as vendas líquidas realizadas
levando em consideração a aplicação dos recursos, ativos totais. A rentabilidade da
empresa é conhecida por meio do confronto entre contas ou grupo de contas da
Demonstração do Resultado do Exercício ou associando-as com grupos de contas
do Balanço Patrimonial e sua fórmula é expressa da seguinte maneira:
Figura 9: Fonte: Osni Moura Ribeiro
Os gastos evidenciados pela empresa para o desenvolvimento normal de
suas atividades variam em função do ramo de atividade por ela exercido, assim
como o volume de vendas necessário para cada empresa dependerá de seu ramo
de negócio. O ideal é que este quociente seja superior a um, caso em que estará
indicando que o volume de vendas superou o valor investido na Entidade.
3.9.2 MARGEM LIQUIDA
38
Corresponde ao que sobra para os acionistas em relação às receitas com
vendas e prestação de serviços da empresa. Mostra qual o lucro líquido para cada
unidade de venda realizada na empresa, assim como enfatiza Ribeiro (2002, p. 147)
“Este quociente revela a margem de lucratividade obtida pela empresa em função do
seu faturamento, isto é, quanto à empresa obteve de lucro líquido para cada real
vendido”. É representado pela seguinte fórmula:
Figura 10: Fonte: Osni Moura Ribeiro
O importante a se considerar com relação a esse índice é que quanto maior
este for maiores serão os Lucros obtidos pela empresa e há a necessidade de se
levar em consideração também o índice descrito anteriormente, pois nem sempre
um volume de vendas alto significa lucratividade garantida e vice-versa, ou seja,
volume de vendas baixo também pode não significar prejuízo.
3.9.3 RENTABILIDADE DO ATIVO
Esse quociente mostra o potencial de geração de lucros por parte da
empresa, isto é, quanto à empresa obteve de lucro líquido para cada um real de
Investimentos totais. Para Ribeiro (2002, p. 149) “A interpretação deste quociente
deve ser direcionada para verificar o tempo necessário para que haja retorno dos
Capitais Totais (Próprios ou de Terceiros) investidos na empresa”. Este índice é
apresentado na seguinte fórmula:
Figura 11: Fonte: Osni Moura Ribeiro
Deve-se considerar que quanto maior for este quociente, maior será a
lucratividade obtida pela empresa. Ao se trabalhar com Capitais de Terceiros, à
empresa precisará remunerar esses capitais com a lucratividade apresentada por
39
ela, se isso for possível têm-se uma situação favorável; por outro lado se essa
lucratividade não for suficiente para remunerar esses Capitais de Terceiros, haverá a
necessidade de buscar outras formas de gerar recursos, assim consequentemente
aumentando o endividamento da empresa.
3.9.4 RENTABILIDADE DE PATRIMONIO LIQUIDO
Este índice revela qual foi a taxa de rentabilidade obtida pelo Capital Próprio
investido na empresa, ou seja, quanto a empresa ganhou de lucro líquido para cada
real de Capital Próprio investido. Segundo Ribeiro,
A interpretação deste quociente deve ser direcionada para verificar qual é o
tempo necessário para se obter o retorno do Capital Próprio investidos na
empresa, ou seja, quantos anos serão necessários para que os proprietários
obtenham de volta o valor do Capital que investiram na empresa. (RIBEIRO,
2011, P.172)
O quociente de Rentabilidade do Patrimônio Líquido é apresentado da
seguinte maneira:
Figura 12: Fonte: Osni Moura Ribeiro
É importante considerar que quanto maior for este índice, maior será o grau
de lucratividade obtido pela empresa em relação ao Capital de Próprio investido.
Para Ludícibus (1998, p. 116) “[...] O Quociente de Retorno sobre o Patrimônio
Líquido expressa os resultados globais auferidos pela gerência na gestão de
recursos próprios e de terceiros, em benefício dos acionistas.”
O grande desafio para o administrador financeiro é conseguir maximizar o
valor de mercado para o possuidor das ações e estabelecer um fluxo de dividendos
compensador.
40
3.10 ESTRUTURA DE CAPITAIS
A estrutura de capitais de uma empresa é o resultado da forma como a
mesma financia suas atividades. Segundo Ribeiro:
Os Quocientes de Estrutura de Capitais servem para evidenciar o grau de
endividamento da empresa em decorrência das origens dos capitais
investidos no Patrimônio. Eles mostram a proporção existente entre Capitais
Próprios e os Capitais de Terceiros. (RIBEIRO, 2002 P.133)
Antes de fazer qualquer investimento em bens e direitos, os quais constituem
o ativo da empresa, ela necessita obter os recursos, que ficam registrados no
passivo. Em qualquer investimento efetuado existe uma origem de recursos
mostrada pelo passivo. Essa origem constitui o financiamento. Para a obtenção
desse dinheiro necessário para pagar o investimento, a empresa pode lançar mão
de duas fontes bem distintas de financiamento: uma denominada como recursos
próprios e a outra de recursos de terceiros.
Ao confrontar esses recursos Próprios ou de Terceiros conseguiremos
verificar quem investiu mais na empresa: se foram os proprietários ou se foram
pessoas estranhas ao negócio.
3.11 PARTICIPAÇÃO DE TERCEIROS EM RELAÇÃO AO CAPITAL PROPRIO
Este índice revela qual a proporção existente entre Capitais de Terceiros e
Capitais Próprios, isto é, quanto à empresa utiliza de Recursos de Terceiros para
cada real de Recursos Próprios. Este quociente está representado pela seguinte
fórmula:
Figura 13: Fonte: Osni Moura Ribeiro
Para Ribeiro,
41
É importante considerar que este quociente está relacionado com o grau de
endividamento da empresa e que quanto menor for esse índice menos será
esse endividamento e maior será sua liberdade financeira para tomada de
decisões. (RIBEIRO, 2011, P.155)
Quando o grau de endividamento mostrado por esse quociente for elevado,
significa que a empresa encontrará dificuldades para obter recursos financeiros no
mercado, pois serão poucas as garantias disponíveis para oferecer em troca desses
recursos. Seguindo a mesma linha, Ribeiro dispõe:
Os Capitais de Terceiros sempre existirão, seja em forma de empréstimo
(débitos de financiamento), sejam para financiar o desenvolvimento normal
da empresa (débitos de funcionamento), como os débitos a fornecedores,
ao governo, aos trabalhadores etc. (RIBEIRO, 2002, P.135)
Cabe então a empresa saber administrar bem os recursos de Terceiros que
tiver nas mãos, para que possa com os lucros obtidos com a aplicação desses
recursos superar os juros que remunerarão esses Capitais.
3.12 COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO
Esse quociente mostra qual a proporção existente entre as obrigações de
curto prazo e as obrigações totais, isto é, quanto à empresa terá de pagar a curto
prazo para cada real do total das obrigações existentes.
Segundo Ribeiro (2002, p. 136) “A interpretação deste quociente deverá ser
direcionada a verificar a necessidade de a empresa ter ou não de gerar recursos a
curto prazo para saldar os seus compromissos”. Este índice está representado pela
seguinte fórmula:
Figura 14: Fonte: Osni Moura Ribeiro
É importante considerar que quanto menor for o valor a pagar a curto prazo
em relação as Obrigações totais, maior será o tempo que a empresa terá para obter
42
recursos para saldar todos os seus compromissos, como ressalta Ribeiro (2011, p.
157) “Quanto menor for este quociente, maiores serão os prazos que a empresa terá
para saldar seus compromissos; em consequência, melhor será sua situação
financeira”.
Para gerar recursos a curto prazo visando saldar compromissos do Passivo
Circulante, a empresa pode realizar várias operações, como levantar empréstimos
para pagamento a longo prazo, oferecer descontos especiais para promover vendas
entre outros, porém essas operações nem sempre apresentam resultados que
satisfaçam, pois elas dependem de fatores externos que fogem ao controle da
empresa, tornando assim a geração de recursos a curto prazo uma tarefa difícil para
a empresa.
3.13 IMOBILIZAÇÃO DP PATRIMONIO LIQUIDO
Esse índice revela qual a parcela do Patrimônio Líquido foi utilizada para
financiar a compra do Ativo Fixo, isto é, quanto a empresa imobilizou no Ativo Fixo
para cada um real de Patrimônio Líquido. Aqui considera Ativo Fixo o Ativo Não-
Circulante diminuído do Ativo Realizável a Longo Prazo que corresponde a soma
dos subgrupos Investimentos, Imobilizado e Intangível. Esse quociente está
representado pela fórmula:
Figura 15: Fonte: Osni Moura Ribeiro
Ao considerar que sempre que este quociente for menor que um, indicará que
a empresa não imobilizou todo seu Patrimônio Líquido. Segundo Ribeiro,
Quanto maior for a parcela do Patrimônio Líquido aplicada no Ativo
Imobilizado menos será a participação dos Capitais Próprios para financiar o
Ativo Circulante e maior será a dependência da empresa em relação aos
Capitais de Terceiros. (RIBEIRO, 2011, P.158)
43
Se houver a necessidade de utilizar recursos de Terceiros para financiar o
Ativo Imobilizado, como ocorre nas ocasiões onde há a ampliação da empresa,
esses recursos devem ser captados a longo prazo, para que a empresa possa gerar
receitas com esse imobilizado e consequentemente saldar seu compromisso.
3.14 IMOBILIZAÇÃO DOS RECURSOS NÃO CORRENTES
Este quociente revela qual a proporção existente entre o Ativo Fixo e os
Recursos Não Correntes, ou seja, quanto a empresa investiu no Ativo Fixo para
cada um real de Patrimônio Líquido mais Exigível a Longo Prazo. Sua fórmula é
representada da seguinte maneira:
Figura
16: Fonte:
Osni Moura Ribeiro
Esse índice deve ser interpretado de maneira a verificar se o Capital
Circulante Próprio Negativo foi compensado por empréstimos a longo prazo,
segundo Ribeiro (2011, p. 160) “O Capital Circulante Próprio Negativo ocorre
quando o Patrimônio Líquido é inferior ao Ativo Fixo”.
De qualquer forma, o correto é que o Patrimônio Líquido seja suficiente para
financiar o Ativo Fixo e ainda uma parte do Ativo Circulante. Esta “gordura” ou “folga”
garante mais liberdade à empresa na tomada de decisões e torna sua situação
financeira favorável. Segundo Ribeiro,
Quando o excesso das imobilizações sobre o Patrimônio Líquido for
financiado por Obrigações do Passivo Circulante, a empresa poderá
enfrentar sérios problemas de solvência. Por isso, este quociente não deve
ser superior a um, para que não haja Obrigações de curto prazo financiando
o Ativo Fixo. (RIBEIRO, 2002, P.139)
É importante considerar que se após a análise desses índices ficar
evidenciado uma tendência de desequilíbrio financeiro, para saber se a empresa
realmente se encontra em estado de insolvência, será necessário analisar os índices
de Liquidez para comprovar tal situação.
44
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho decorreu frente aos objetivos determinados; após a realização da
pesquisa, observa-se que o clube-empresa não apresenta uma boa liquidez, mas
consegue ter rentabilidade. Neste estudo de caso foram analisadas as tabelas
comparativas compreendendo os anos de 2010 e 2011, que teve por finalidade
demonstrar como se apresenta a situação financeira e econômica da empresa.
Verificando as análises percebemos que o clube-empresa mesmo
aumentando seu Ativo Circulante em relação ao ano anterior, teve também um
aumento de suas obrigações a curto prazo (Passivo Circulante) em 37,12%, ao
passo que o aumento desses Ativos se deu em direitos que só serão resgatados
futuramente, no caso das Despesas do Exercício Seguinte, que elevou sua
porcentagem consideravelmente em 295,65%. Com a utilização dos recursos nessa
conta, que não é conversível em dinheiro, e tem por característica principal a
concessão do direito sobre o serviço, o clube-empresa se encontrou em estado de
baixa liquidez, tendo assim que recorrer aos Capitais de Terceiros para conseguir
saldar seus compromissos, aumentando também o índice de Participação de
Terceiros em Relação ao Capital Próprio e o de Composição do Endividamento,
como vimos anteriormente.
Porém, mesmo se apresentando em estado de insolvência, o clube-empresa
consegue ser rentável, pois aumentou significativamente o total das suas receitas
em 62,32% no comparativo do ano de 2010 em relação ao ano de 2011 verificado
na análise horizontal da respectiva conta. Ainda que tenha apresentando aumento
nos seus custos operacionais, ela conseguiu diminuir suas despesas financeiras em
26,87% como se observa na análise horizontal da conta na DRE, nos mostrando
assim, que mesmo a empresa estando em estado de baixa liquidez ela pode suprir
os gastos gerados para sua operacionalização.
Como solução observamos que a empresa poderia ter utilizado seus recursos
e aplicado, por exemplo, na conta Créditos, que mesmo não tendo data certa de
recebimento se torna mais rápido sua conversibilidade em dinheiro, fazendo com
que a liquidez do clube-empresa melhorasse. Futuramente a empresa ira aumentar
sua liquidez se permanecer no mesmo patamar de dividas, pos já os pagou
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antecipadamente não necessitará pagá-los novamente, apenas utilizando-os para
geração de riqueza.
Em resposta à pergunta da pesquisa ficou evidente a importância da Análise
das Demonstrações no processo gerencial de qualquer empresa, pois ela auxilia na
interpretação dos quocientes, no diagnóstico quanto à situação econômica e
financeira da entidade, e, na tomada de decisões por parte dos gestores. Como
vimos no estudo de caso nem sempre uma empresa com baixa liquidez não pode
ser rentável, ou vice e versa, e o que nos faz compreender essa questão é o
processo de análise efetuado nesse trabalho.
Constatamos então, que a Análise dá veracidade às informações, ajuda no
entendimento dos resultados, e mostra para os gestores como criar novas situações
para a empresa, a fim de atrair novos recursos, e, principalmente futuros
investimentos.
Contudo, o processo de Análise serve como painel de controle entre as
variações das contas existente em uma empresa, trazendo aos interessados
facilidade na interpretação e automaticamente veracidade nessas informações,
constatou-se que diante de um processo de Análise pode-se localizar os aspectos
que mais interferem nos resultados de uma entidade, por fim conclui-se que, a
Analise é uma ferramenta indispensável as pessoas que possuem algum tipo de
interesse na entidade.
REFERÊNCIAS
________________________. Estrutura e Análise de Balanço Fácil. 9 ed. São
Paulo: Saraiva, 2011.
BRASIL (24 março de 1998). LEI N° 9.615, de 24 de março de 1998. Institui
normas gerais sobre desporto e dá outras providências. p.01.
FRANCO, Hilário. Estrutura, Análise e Interpretação de Balanços de Acordo
com a Lei das S.A (lei nº 6.404/76).15 ed. São Paulo: Atlas, 1992
MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis. São Paulo: Atlas,
2002.
MATARAZZO, Dante Carmim. Análise Financeira de Balanços. 6 ed. São Paulo:
Atlas, 2003.
RIBEIRO, Osni Moura. Estrutura e Análise de Balanços. 6 ed. São Paulo: Saraiva,
2002.
SITE OFICIAL DO SANTOS FUTEBOL CLUBE. Disponível em <
[Link] Acesso em 20 de abr. 2018.