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Extensão Rural e Impactos na Renda Produtiva

O artigo discute os impactos da extensão rural na renda produtiva, destacando seu papel na promoção de habilidades gerenciais e técnicas dos produtores. A assistência técnica é vista como essencial para aumentar a produtividade e a renda, especialmente em países em desenvolvimento, mas enfrenta desafios como o acesso limitado para pequenos produtores. O documento também menciona a evolução da extensão rural no Brasil e a importância de políticas públicas para fortalecer esses serviços.

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Clarice Dutra
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Extensão Rural e Impactos na Renda Produtiva

O artigo discute os impactos da extensão rural na renda produtiva, destacando seu papel na promoção de habilidades gerenciais e técnicas dos produtores. A assistência técnica é vista como essencial para aumentar a produtividade e a renda, especialmente em países em desenvolvimento, mas enfrenta desafios como o acesso limitado para pequenos produtores. O documento também menciona a evolução da extensão rural no Brasil e a importância de políticas públicas para fortalecer esses serviços.

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ATIVIDADE II – N2 – SCOOPER – QUESTÕES/INDIVIDUAL – 24/05/2025

Após leitura do artigo “Impactos da extensão rural na renda produtiva”, responder


as questões e postar no Classrrom até o dia 30/05/2025.

Questões Objetivas

1. Qual é o principal objetivo da atividade extensionista, segundo o artigo?


A) Oferecer crédito rural subsidiado.
B) Transferir insumos e equipamentos diretamente aos produtores.
C) Promover o desenvolvimento das habilidades gerenciais e técnicas dos produtores
para aumento da produtividade e renda.
D) Regular os preços dos produtos agropecuários no mercado nacional.
_____________________________________________________________________
2. Segundo Christoplos (2010), qual fator dificulta o acesso dos pequenos
produtores à extensão rural privada?
A) A ausência de mão de obra qualificada.
B) A baixa rentabilidade das pequenas propriedades.
C) A impossibilidade ou inviabilidade econômica para acesso ao serviço privado.
D) A falta de programas educacionais no meio rural.
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3. Conforme Anderson e Feder (2004), o serviço de extensão rural pode elevar a
produtividade e renda dos estabelecimentos rurais principalmente:
A) Em grandes propriedades urbanas.
B) Em países em desenvolvimento.
C) Em regiões metropolitanas.
D) Na agroindústria exportadora.
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4. Qual foi a origem do primeiro serviço de extensão rural no Brasil, de acordo
com o artigo?
A) Criação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
B) Fundação da Associação de Crédito e Assistência Rural (ACAR) em Minas Gerais.
C) Lançamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
(Pronaf).
D) Criação da Embrapa.
5. A Lei nº 12.188/2010 define a Ater como:
A) Serviço de consultoria agroindustrial.
B) Serviço de educação não formal, continuada, no meio rural, para promover gestão,
produção e comercialização.
C) Programa emergencial de distribuição de alimentos.
D) Sistema de financiamento rural e agrícola.
_____________________________________________________________________
6. Qual metodologia foi utilizada no estudo para corrigir o viés de seleção na
avaliação do impacto da Ater?
A) Modelo Logit.
B) Propensity Score Matching.
C) Método de Balanceamento por Entropia.
D) Análise Fatorial Exploratória.
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7. De acordo com o estudo, qual grupo regional apresentou maior participação
na adoção da Ater?
A) Norte
B) Nordeste
C) Sul
D) Centro-Oeste
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8. Segundo os resultados, o capital humano (anos de estudo) teve qual efeito
sobre a probabilidade de adoção dos serviços da Ater?
A) Efeito negativo e significativo.
B) Nenhum efeito relevante.
C) Efeito positivo e significativo.
D) Efeito inverso nas regiões Norte e Sul.

9. O artigo aponta que a Ater privada teve, em média, qual impacto em


comparação com a Ater pública sobre a renda dos produtores?
A) Menor impacto.
B) Nenhuma diferença significativa.
C) Impacto superior.
D) Impacto negativo.
Questão Discursiva
EXPLIQUE como a extensão rural contribui para a redução da desigualdade de renda
no meio rural, e aponte os desafios enfrentados para que esse objetivo seja
plenamente alcançado no Brasil, segundo o artigo.
(No mínimo 10 linhas a resposta e bem fundamentada)!

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CAPÍTULO 5

IMPACTOS DA EXTENSÃO RURAL NA RENDA PRODUTIVA


Marcelo José Braga1
José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho2
Carlos Otávio de Freitas3

1 INTRODUÇÃO
Christoplos (2010) define o serviço de extensão rural como um sistema que busca
facilitar o acesso dos produtores a novas tecnologias, conhecimento e informações, e
proporcionar maior interação das descobertas das diferentes instituições de pesquisa
e educação, entre outras, e o meio rural. Além disso, é de grande importância para
promover o desenvolvimento econômico e social dos estabelecimentos agropecuários.
Um dos principais objetivos da atividade extensionista é o de ajudar os produtores
rurais a desenvolver suas próprias habilidades de gerenciamento e práticas técnicas,
visando a incrementos em produtividades e rendas, e, consequentemente, a ganhos
de bem-estar social das famílias rurais, melhorando as condições de saúde, a
alimentação, a educação e a gestão da atividade. Por tudo isso, tem recebido maior
atenção governamental como instrumento de apoio ao meio rural.
O principal escopo do relatório da Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura (Food and Agriculture Organization – FAO), elaborado
por Christoplos (2010), apresentou uma visão geral das oportunidades e dos
desafios enfrentados para o aumento do impacto dos serviços de extensão rural,
descrevendo diferentes formas de contribuição de tais serviços para incrementos na
lucratividade, sustentabilidade e equidade no setor agropecuário. Segundo esse autor,
de modo geral, tais objetivos seriam alcançados porque a ação extensionista facilita
o acesso dos produtores e de suas organizações ao conhecimento, à informação e à
tecnologia, representando um elo com parceiros na pesquisa, na educação e com
outras instituições relevantes, bem como contribuindo para que tais produtores

1. Professor titular e diretor no Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentado da Universidade Federal de
Viçosa (IPPDS/UFV); e pesquisador de produtividade na área de economia no Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq). E-mail: <[Link]@[Link]>.
2. Técnico de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur)
do Ipea; diretor de programa na Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(Mapa); e professor no Programa de Pós-Graduação em Agronegócios da Universidade de Brasília (Propaga/UnB).
E-mail: <[Link]@[Link]>.
3. Professor adjunto na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). E-mail: <carlos.freitas87@[Link]>.

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138 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

ampliem suas habilidades e práticas gerenciais, técnicas e organizacionais. Entre


os tópicos abordados, destacou-se a importância da participação de diferentes
entidades na oferta de serviços de extensão. Porém, com o fortalecimento da
extensão pública, principalmente nos países com presença significativa de pequenos
estabelecimentos, o acesso dos produtores à extensão de origem privada nem sempre
foi possível e/ou viável.
De acordo com Van den Ban e Hawkins (1996), uma das principais metas
da assistência técnica é a transferência de informações da base de conhecimento
global e de pesquisadores para os produtores rurais. Isso permite que os agentes
produtivos possam identificar seus próprios objetivos e possibilidades, além de
auxiliá-los no processo de tomada de decisão, de forma que tenham maiores chances
de alcançar um desenvolvimento agrícola desejável. Serviços de assistência técnica
também contribuem para a elevação do capital humano, bem como para o uso
mais eficiente dos recursos escassos da propriedade rural, incluindo melhorias nos
fluxos de informação (Feder e Slade, 1986).
Anderson e Feder (2004) argumentaram que os investimentos em extensão
rural poderiam elevar a produtividade e a renda dos estabelecimentos de forma
significativa, principalmente em países em desenvolvimento, os quais estariam
associados ao maior contingente populacional das áreas rurais. Isso ocorre dado o papel
de incentivo à adoção de novas tecnologias, o que permite o acesso dos produtores a
fatores de produção mais modernos, contribuindo para maior lucratividade, mesmo
que se considere determinado risco (Anderson e Feder, 2004). Além disso, o fluxo
de informações gerado pela extensão contribuiu para elevar o capital humano do
produtor, tendo impacto direto nas habilidades gerenciais. Os novos conhecimentos
permitiram, como resultado, ganhos de bem-estar no meio rural.
A contribuição da assistência técnica extensionista também foi analisada por
Landini (2016), ao verificar a qualidade dos serviços de extensão na Argentina rural
por meio de entrevistas realizadas com agentes de extensão do país. Entre outras
funções, o serviço extensionista de qualidade tinha como objetivo promover o
aumento do capital social em determinada região, incentivando, por exemplo, a
formação de organizações por parte dos produtores. Isso é relevante pois, ao se
organizarem, os produtores, principalmente os de menor porte, são capazes de
aumentar sua escala produtiva, elevando, desse modo, seu poder de negociação
junto aos fornecedores de insumos e compradores dos seus produtos, o que talvez
resulte em ganhos econômicos para os membros da organização.
Já Van den Ban (1999) destaca um importante papel da extensão rural para o
desenvolvimento econômico e produtivo da atividade agropecuária, indo além da
transmissão de informações acerca de novas tecnologias e práticas agrícolas. A extensão
rural atuaria diretamente no processo de tomada de decisão dos produtores rurais,

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Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 139

educando-os para se tornar mais ágeis na identificação de mudanças e ameaças do


ambiente em que estão inseridos. Além disso, esse serviço elevaria o conhecimento e a
capacidade de gestão do agricultor, ampliando assim a competitividade no mercado, e
também facilitaria sua interação com os outros elos da cadeia produtiva, especialmente
com os fornecedores de insumos e compradores do produto.
Alex, Zijp e Byerlee (2002) também destacaram os benefícios gerados pela
extensão rural relacionados à elevação do bem-estar social, tais como: i) os impactos
positivos no meio ambiente e na saúde (humana, animal e da planta), como resultado
do uso de tecnologia adequada;4 ii) a redução da pobreza como resultado de maior
equidade no acesso à informação; e iii) o maior desenvolvimento econômico
e segurança alimentar gerados pelo aumento da produtividade, competitividade e
sustentabilidade da atividade produtiva no meio rural.
No Brasil, a iniciativa de criação de um serviço de extensão rural teve origem
em 6 de dezembro de 1948, com a constituição da Associação de Crédito e
Assistência Rural (ACAR), em Minas Gerais (Fonseca, 1985). Segundo a autora,
além de conceder crédito aos produtores rurais, a ACAR prestava orientação técnica
e social às famílias rurais. Ao longo desses setenta anos, os serviços de Assistência
Técnica e Extensão Rural (Ater) passaram por muitas transformações, recebendo
apoio dos governos e enfrentando turbulências com incentivos e desincentivos
governamentais, principalmente na década de 1980.5
A partir da criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (Pronaf ), em 1996, a Ater passou novamente a ter destaque como
instrumento de políticas públicas. O Decreto no 5.033, de 5 de abril de 2004,
determinou que a coordenação da Ater, em nível federal, seria de responsabilidade
da então Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento
Agrário (SAF/MDA) (Peixoto, 2009). Nesse período, o MDA coordenou a
elaboração de uma Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural
(Pnater) (Peixoto, 2014), que formalizou o caráter plural da nova Ater conduzida
no país, dando importância similar às entidades estatais e não estatais, como
organizações não governamentais (ONGs).
Conforme a Lei no 12.188, promulgada em 11 de janeiro de 2010, a Ater é
definida como “serviço de educação não formal, de caráter continuado, no meio
rural, que promove processos de gestão, produção, beneficiamento e comercialização
das atividades e dos serviços agropecuários e não agropecuários, inclusive das
atividades agroextrativistas, florestais e artesanais” (Brasil, 2010).

4. Para uma revisão teórica do processo de inovação na agricultura, confira o capítulo 2 do livro de Vieira Filho e Fishlow
(2017), que faz uma extensa revisão da abordagem tradicional à teoria da mudança técnica e institucional.
5. Não é objetivo deste capítulo traçar um histórico da Ater no Brasil. Para os interessados, Peixoto (2009) e Pettan
(2010) apresentam uma análise detalhada dessa trajetória.

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140 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

Apesar de existir diferenças entre os termos extensão rural e assistência técnica,


este capítulo os tratará de forma agregada, conforme a referida lei. Nesse sentido,
dado o objetivo deste estudo, e em consonância com a literatura internacional,
ambos os termos6 serão utilizados como representativos do mesmo processo.
Posteriormente à promulgação da lei da Ater, houve ainda a criação, por parte
do governo federal, da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural
(Anater), com a edição do Decreto no 8.252, de 26 de maio de 2014. A agência
tem a forma de serviço social autônomo e apresenta como principais competências
promover, estimular, coordenar e implementar programas da Ater voltados para
a inovação tecnológica e à apropriação de conhecimentos técnicos, econômicos,
ambientais e sociais (Brasil, 2014).
Entre as novas finalidades para os serviços extensionistas definidos pela Pnater,
destacam-se: i) desenvolver o meio rural de forma sustentável, compatível com a
utilização adequada de recursos naturais e preservação do meio ambiente; ii) adotar
uma agricultura de base ecológica; iii) promover ações para garantir a segurança
alimentar e nutricional sustentável; e iv) viabilizar estratégias para gerar novos postos
de trabalhos agrícolas e não agrícolas, e outros (IBGE, 2018). Quanto à forma de
atuação, a Pnater, em 2004, incorporava a visão de que a Ater brasileira deveria
organizar-se como um Sistema Nacional Descentralizado de Ater Pública, do qual
deveriam participar, junto com as entidades governamentais, outras instituições,
como ONGs, empresas privadas, sindicatos e cooperativas, caracterizando o novo
sistema da Ater como uma "pluralidade de formas institucionais" (Peixoto, 2009,
p. 41). Entretanto, a Lei no 12.188, de 11 de janeiro de 2010,7 retirou essa ênfase
da organização do sistema.
Dado o exposto, verifica-se que os objetivos traçados pelos serviços de extensão
rural têm um papel fundamental para o desenvolvimento rural, podendo impactar o
desempenho dos domicílios rurais de formas diferentes. No entanto, informações do
Censo Agropecuário 2017 (IBGE, 2018) mostraram que apenas uma pequena parcela
das pessoas envolvidas em atividade agrícola teve acesso a tal serviço – aproximadamente
20%. Além disso, há evidências de que grande parte dos pequenos produtores, apesar
de ser o público que mais necessita de tais serviços, não teve acesso à extensão rural
(Plata e Fernandes, 2011; Alves, Souza e Rocha, 2013). Nesse sentido, faz-se importante
buscar um maior entendimento sobre os reais efeitos desse serviço na geração de renda
no setor agropecuário brasileiro.

6. A diferença conceitual entre extensão rural e assistência técnica adotada no Brasil está no caráter educativo da
primeira. A assistência técnica “visa somente resolver problemas específicos, pontuais, sem capacitar o produtor rural”
(Peixoto, 2008, p. 7). Por isso, não apresenta finalidade educativa. A literatura internacional não faz essa separação.
7. Disponível em: <[Link]

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Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 141

Um dos motivos da falta de apoio político e financeiro a esse tipo de política


se refere ao fato de que investimentos em extensão rural nem sempre apresentam
resultados e retornos visíveis (ao menos no curto prazo), se comparados a
investimentos em áreas alternativas como transporte, em que se pode verificar redução
de custos com a construção de melhores estradas (Feder, Willett e Zijp, 1999).
Essa questão evidencia ainda mais a necessidade de se obter medidas mais precisas
do retorno da assistência técnica, principalmente no sentido de buscar mais apoio
político e financeiro para esse serviço no setor rural, uma vez que investimentos
em assistência técnica podem melhorar a produtividade agrícola, bem como elevar
o rendimento da propriedade agropecuária. Embora diversos estudos apresentem
esforços nesse sentido, o impacto da assistência técnica ainda é variado e depende
ainda de como tais serviços são entregues e de como o ambiente produtivo dos
estabelecimentos os recebem (Anderson e Feder, 2004).8
Uma questão importante no debate acerca da assistência técnica no meio
rural é a dificuldade de mensurar seu impacto, uma vez que tal serviço pode afetar o
desempenho do estabelecimento agropecuário de maneiras diferentes e complexas.
Essa incerteza sobre o potencial da assistência, segundo Anderson e Feder (2004),
acaba contribuindo para o enfraquecimento do apoio político, podendo agravar, assim,
problemas relacionados à alocação de orçamento e à falta de incentivo da equipe,
entre outros aspectos. Desse modo, uma avaliação precisa do impacto da assistência
técnica pode levar a uma melhor compreensão da real importância dessa atividade,
o que justificaria um aumento do investimento e suporte governamental, visando
gerar crescimento econômico no meio rural brasileiro.
Neste capítulo, pretende-se identificar o efeito da extensão rural nos níveis
de rendimento no meio rural brasileiro. Busca-se verificar a sua contribuição para
uma melhoria do bem-estar social das famílias dos produtores rurais, no sentido
de promover elevação da renda. A avaliação mais detalhada sobre o retorno do
serviço extensionista, tanto em termos econômicos como sociais, contribui para um
melhor entendimento de seus efeitos. Isso pode ter importantes implicações para
aumentar a eficiência da Pnater no Brasil e, principalmente, identificar a contribuição
desses serviços para reverter o quadro de concentração de renda e pobreza no campo.
O capítulo está dividido em três seções, além desta introdução. A seção 2
apresenta a metodologia empregada no estudo, discutindo a abordagem empírica
e os dados utilizados. A seção 3 apresenta e discute os resultados. Por fim, seguem
as considerações finais.

8. Para os autores, a mensuração precisa do serviço de extensão rural, como da assistência técnica, e requer o uso
cauteloso de ferramentas quase-experimentais e métodos econométricos. Desse modo, tais ferramentas serão utilizadas
nesta pesquisa.

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142 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

2 METODOLOGIA
A estratégia empírica empregada para mensurar o impacto da extensão rural
sobre os níveis dos rendimentos dos domicílios rurais é composta por três etapas.
Na primeira, é estimado um modelo probit para identificar os determinantes que
levam um produtor rural a ser beneficiado pelos serviços da Ater. A seguir, verifica-se
a possibilidade de existir um viés de seleção na adoção da extensão rural, devido às
características observáveis pré-tratamento não permitirem a comparação direta entre
a renda dos produtores adotantes e a dos não adotantes (ou dos adotantes de extensão
pública e extensão privada). Desse modo, para encontrar um grupo de controle o
mais similar possível ao grupo de adotantes, de forma a eliminar o viés originado
por tais características observáveis, será utilizado o método de balanceamento por
entropia. A terceira etapa da estratégia adotada consiste na estimação da equação
de rendimento. Assim, ao combinar essas abordagens, torna-se possível obter a
contribuição dos serviços da Ater, cujos impactos são livres de vieses gerados por
características observáveis e não observáveis.

2.1 Determinantes que levam um produtor a ser beneficiado pelos


serviços da Ater
O modelo binário probit9 explica a probabilidade de o indivíduo ser atendido pela
extensão rural. Considerando uma variável binária que representa o critério de
seleção (não observável), e como função de um vetor de variáveis exógenas (zi), o
modelo pode ser definido como:

=a'zi + wi. (1)

Em que α é o vetor de parâmetros a serem estimados e wi o termo de erro


distribuído como N(0, ). A variável latente é observada e recebe o valor 1
quando a'zi + wi > 0, e 0 caso contrário:

= 1[α'zi + wi > 0], wi~N[0,1]. (2)

Desse modo, a equação de seleção (probit) estimada é:

= α0 + α1sexo + α2raça + α3idade + α3idade² + α4anosest + α5rural


+ α6sefinanc + α7tamanho + α7região + α8condiçãoprodutor + εi. (3)
Em que sexo é uma variável dummy que recebe valor 1 se o produtor rural
(indivíduo) é homem, e 0 caso contrário; raça, dummy que recebe o valor 1 se
o indivíduo for negro; anosest, que representa os anos de escolaridade do indivíduo;

9. Mais detalhes sobre o probit são encontrados em Cameron e Trivedi (2005).

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Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 143

rural, que recebe o valor 1 se o indivíduo reside no meio rural; sefinanc, que leva
o valor 1 se o indivíduo recebeu financiamento de algum programa de crédito;
e dummies para identificar a condição do produtor em relação à terra, isto é, se
o produtor for parceiro, arrendatário, posseiro, proprietário ou apresentar outra
condição. Para indicar as diferentes regiões brasileiras, foram criadas quatro dummies,
tendo como categoria de controle a região Sul. Com base na variável referente à
área do domicílio rural, foram construídas ainda quatro dummies para representar
o tamanho do estabelecimento do produtor, sendo classificado como: i) muito
pequeno (com área de até 10 ha); ii) pequeno (área de 10 ha a 100 ha); iii) médio
(área de 100 ha a 1.000 ha); e iv) grande (área superior a 1.000 ha).

2.2 Balanceamento por entropia e equação de rendimentos


Para obter uma amostra “pareada” equilibrada, isto é, uma amostra com unidades
de controle mais próximas possíveis das unidades de tratamento (estabelecimentos
atendidos pela extensão rural), com base em um vetor de características observáveis,
utilizou-se o método do balanceamento por entropia, proposto por Hainmueller
(2012). Diferentemente dos métodos de pareamento tradicionais, o balanceamento
por entropia envolve um esquema de reponderação que incorpora diretamente o
equilíbrio da covariável na função de peso aplicada às unidades de amostra.
O balanceamento por entropia consiste em um método não paramétrico
que permite ponderar um conjunto de informações (covariadas), de modo que as
distribuições das variáveis nas observações reponderadas satisfaçam um conjunto
de condições especiais de momentos, para que exista equilíbrio perfeito, mesmo
considerando diferentes momentos das distribuições das covariadas. Nesse esquema,
em vez de especificar um modelo paramétrico que explique a probabilidade de
participação no tratamento (a exemplo do propensity score), são designados pesos
a cada unidade de controle – de tal modo que os grupos de tratamento e controle,
ponderados, satisfaçam um conjunto de restrições de equilíbrio e, ao mesmo tempo,
permaneçam tão perto quanto possível de um conjunto de pesos uniformes iniciais.
Tais restrições são impostas sobre os momentos amostrais das distribuições das
covariadas e asseguram que os grupos ponderados tenham os mesmos momentos
especificados. Essa ponderação garante o equilíbrio e a similaridade entre os grupos
de controle e tratamento.
De modo a demonstrar o procedimento de ponderamento proposto por
Hainmueller (2012), considere uma amostra aleatória com n 1 observações
pertencentes ao grupo dos tratados e n0 unidades de controle, as quais foram
selecionadas em uma população total de tamanho N = N1 + N2, em que n1 ≤ N1
e n0 ≤ N0. Seja Di ∈ {1, 0} uma variável de tratamento binária (acesso à extensão
rural, por exemplo), a qual assumirá o valor igual a 1 se a unidade i for exposta ao
tratamento, e 0 se pertencer ao grupo de controle. Considere ainda X uma matriz que

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144 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

contém as observações de J variáveis exógenas de pré-tratamento, e Xi,j o valor da j-ésima


covariada da unidade i, tais que Xi = [Xi1, Xi2, …, XiJ] refere-se ao vetor de características
observáveis da unidade i e Xj refere-se ao vetor coluna com j-ésima covariada.
Especificamente, o peso do balanceamento por entropia escolhido para cada
unidade de controle, wi, é determinado pelo seguinte esquema de reponderação,
o qual minimiza a distância métrica de entropia:

(w) = ∑{i|D = 0}wi log (wi /qi ). (4)

Sujeito às restrições de equilíbrio e normalização:

∑{i|D = 0}wi cri (Xi ) = mr. (5)

Com r ∈ 1, …, R.

∑ wi = 1.
{i|D = 0}
(6)

De modo que wi ≥ 0 para todo i, tal que D = 0. Em que qi = 1/n0 é um peso


base e cri (Xi) = mr descreve um conjunto de R restrições impostas aos momentos das
covariadas no grupo de controle reponderados. Inicialmente, escolhe-se a covariada
que será incluída na reponderação, e para cada uma especifica-se um conjunto de
restrições de balanceamento (equação 4) para equiparar os momentos das distribuições
das covariadas entre os grupos de tratamento e controles reponderados. Há três
possíveis restrições de momento: a média (primeiro momento), a variância (segundo
momento) e a assimetria (terceiro momento).Uma restrição típica do balanceamento
é formulada de tal forma que mr contenha o momento de uma covariada específica
Xj para o grupo de tratamento, e a função de momento para o grupo de controle é
especificada como cri(Xij ) = ou cri(Xij ) = (Xij - μj )r, com média μj.
Assim, o balanceamento por entropia procura, para um conjunto de unidades,
pesos W = [wi, …, wn0]' no qual minimiza a equação (4), distância de entropia entre W e
o vetor base de pesos Q = [qi, ..., qn0]' sujeita às restrições de balanceamento (equação 2),
restrição de normalização (equação 6) e restrição de não negatividade (equação 4).
Nesta pesquisa, a restrição de momento aplicada refere-se à imposição de
que o primeiro momento das covariadas seja ajustado. Desse modo, para todas as
variáveis explicativas (selecionadas com base em sua influência no fato de o produtor
ser atendido pelo serviço da extensão rural), o método calcula as médias no grupo
de tratamento e busca um conjunto de pesos de entropia de forma que as médias

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Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 145

ponderadas do grupo de controle sejam similares. Tais pesos são utilizados nas etapas
seguintes, de modo a obter estimativas livres do viés de seleção causado por observáveis.
Após o balanceamento por entropia, busca-se definir regressões de rendimentos,
incorporando a variável representativa da extensão rural. O modelo pode ser
especificado da seguinte forma:

LnYi = α + fERi + εi. (7)

Em que a variável dependente LnYi representa o logaritmo do rendimento;


αi é o intercepto da regressão; ERi representa a adoção do serviço de extensão rural
pelo domicílio i; e f é o parâmetro que representa a porcentagem de aumento na
renda mediana devido à adoção da extensão rural. Além disso, o modelo (7) pode
ser ampliado ao desagregar a variável representativa da extensão rural (ERi), de
acordo com a origem do serviço extensionista (extensão rural pública e extensão
rural privada), o tamanho e a renda do produtor.
Para variável dependente representativa dos níveis de rendimentos dos produtores,
foram estimados dois modelos, um com a renda produtiva domiciliar mensal e outro
considerando somente a atividade agrícola, conforme será mostrado a seguir.

2.3 Fonte e tratamento dos dados


Os dados utilizados foram obtidos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD) referente a 2014 (IBGE, 2015), disponibilizada pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).10 Esta PNAD foi escolhida por apresentar de
forma direta, no questionário suplementar acerca da inclusão produtiva, questões
relacionadas ao acesso à extensão rural. Especificamente, foi questionado aos indivíduos
classificados como empregadores ou trabalhadores por conta própria na atividade
principal se estes receberam alguma assistência técnica para a realização do trabalho.
Além disso, questionou-se ainda a origem dessa assistência, sendo consideradas quatro
possibilidades: Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), outra
agência do governo (federal, estadual ou municipal), empresa privada ou outra fonte.
Com base nesses questionamentos, foram construídas dummies para representar
o acesso à extensão rural, bem como para representar a desagregação do serviço
extensionista em extensão rural pública (realizada pela EMATER ou outro órgão
governamental) e extensão rural privada (realizada por empresa privada ou outras).
Para a construção da base de dados da pesquisa, considera-se como produtores
rurais: i) pessoas economicamente ativas; ii) empregadores ou trabalhadores por

10. Como argumentado por Araújo, Feitosa e Barreto (2008), a PNAD representa uma pesquisa única, realizada anualmente
e de abrangência nacional, levantando diversas informações sobre o bem-estar da população e configurando-se como
uma das principais fontes de dados sobre o ambiente social brasileiro.

LV_191426_Diagnostico_COMPLETO.indb 145 04/11/2019 15:35:37


146 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

conta própria (sendo estes os indivíduos entrevistados no questionário sobre inclusão


produtiva); e iii) aqueles cuja atividade principal do empreendimento é agrícola.
A amostra não foi limitada a indivíduos residindo em áreas rurais, visto que existe, no
meio rural brasileiro, uma pequena parcela de dirigentes das propriedades agrícolas
residindo em área urbana, como apontado pelos microdados do Censo Agropecuário
2006 (IBGE, 2009). Após a remoção de missings e outliers, a amostra final foi
constituída por 13.080 pessoas. O quadro 1 apresenta a descrição das variáveis.

QUADRO 1
Descrição das variáveis empregadas no estudo
Variáveis Descrição
Rendimento produtivo mensal (em reais) para todas as unidades domiciliares (exclusive o rendimento das
rend total pessoas cuja condição na unidade domiciliar é de pensionista, empregado doméstico ou parente do empregado
doméstico, e das pessoas de menos de 10 anos de idade)
rend princ Rendimento mensal (em reais) do trabalho principal (agricultura) para pessoas de 10 anos ou mais
baixa renda Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo está abaixo do percentil 25 da distribuição de renda total
média renda Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo está entre os percentis 25 e 75 da distribuição de renda total
alta renda Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo está acima do percentil 75 da distribuição de renda total
sexo Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo for do sexo masculino e 0 se for do feminino
raça Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo for negro e 0 caso contrário
anosestudo Número de anos em que o indivíduo frequentou a escola
idade Anos de idade
idade2 Anos de idade elevado ao quadrado
rural Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo reside no meio rural
sefinanc Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo recebeu financiamento de programas de crédito
proprietário Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo é proprietário
parceiro Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo é parceiro
arrendatário Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo é arrendatário
posseiro Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo é posseiro
outracondição Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo tem outra condição de posse da terra
Sul Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo está localizado na região Sul
Norte Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo está localizado na região Norte
Nordeste Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo está localizado na região Nordeste
Sudeste Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo está localizado na região Sudeste
Centro-Oeste Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo está localizado na região Centro-Oeste
mpequeno Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo possui área de até 10 ha
pequeno Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo possui área de 10 ha a 100 ha
médio Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo possui área de 100 ha a 1.000 ha
grande Variável dummy que recebe o valor 1 se o indivíduo possui área superior a 1.000 ha

Elaboração dos autores.

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Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 147

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Esta seção apresenta, inicialmente, uma caracterização dos adotantes dos serviços
extensionistas com o intuito de identificar as características da população selecionada.
A seguir, são discutidos os impactos da Ater na renda dos produtores rurais.

3.1 Análise descritiva do perfil dos beneficiários dos serviços da Ater


Apesar das vantagens oferecidas pela assistência técnica, observa-se que, no Brasil,
a parcela de estabelecimentos que usufruem dessa política é relativamente baixa
(tabela 1). Ressalta-se que, dos 13.080 produtores rurais considerados, apenas
13,7% receberam apoio da extensão rural em 2014. Ademais, a extensão pública
foi responsável por atender 7,9% desses produtores, enquanto 5,8% foram
atendidos pelo serviço privado.

TABELA 1
Média das variáveis utilizadas, para amostra total e por grupo de extensão rural considerado
Variáveis Amostra total Recebe Ater Sem Ater Ater pública Ater privada
sexo 0,8540 0,8650 0,8520 0,8890 0,8330
raça 0,0742 0,0481 0,0783 0,0736 0,0132
anosestudo 5,3690 6,8280 5,1380 6,2580 7,6070
idade 48,1500 48,0500 48,1600 49,6600 45,8600
rural 0,7390 0,8190 0,7260 0,8360 0,7950
sefinanc 0,1240 0,4360 0,0744 0,4150 0,4650
proprietário 0,7510 0,8170 0,7410 0,8320 0,7970
parceiro 0,0589 0,0509 0,0602 0,0436 0,0609
arrendatário 0,0526 0,0554 0,0522 0,0378 0,0795
posseiro 0,0466 0,0336 0,0487 0,0378 0,0278
outracondição 0,0906 0,0431 0,0981 0,0494 0,0344
Sul 0,1590 0,4650 0,1100 0,2980 0,6930
Norte 0,2640 0,1770 0,2770 0,2760 0,0424
Nordeste 0,3870 0,1440 0,4250 0,2110 0,0530
Sudeste 0,1140 0,1340 0,1110 0,1580 0,1020
Centro-Oeste 0,0767 0,0794 0,0763 0,0570 0,1099
mpequeno 0,6080 0,4810 0,6280 0,5430 0,3960
pequeno 0,2610 0,3940 0,2400 0,3470 0,4580
médio 0,0648 0,0565 0,0662 0,0445 0,0728
grande 0,0463 0,0537 0,0451 0,0571 0,0490
Em R$
rend_mensal 2.345 3.644 2.139 3.049 4.457
rend princ 1.060 1.995 912 1.451 2.739
Número de observações 13.080 1.788 11.292 1.033 755
(%) (100) (13,67) (86,33) (7,90) (5,77)

Elaboração dos autores.

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148 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

As porcentagens diferem daquelas obtidas por meio do Censo Agropecuário


2017, em que cerca de 20% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros
receberam assistência técnica regular ou ocasionalmente. Deve-se destacar que
a PNAD e o censo agropecuário adotam metodologias diferentes quanto à
unidade de análise – a primeira considera o domicílio, e o segundo considera o
estabelecimento agropecuário.
A baixa participação dos produtores nessa política pode ser em parte explicada
pelos entraves encontrados no setor. De acordo com Anderson e Feder (2004),
entre os principais desafios enfrentados pelos serviços de assistência técnica no país
tem-se a busca por maior organização e transmissão de informação aos produtores.
Ademais, a persistente dificuldade de financiamento público contribui para redução
do impacto de tal política. Dependendo da origem da assistência técnica adotada
pelo produtor rural, o alto investimento realizado pode dificultar a recuperação desse
gasto, uma vez que a dependência do financiamento decorre do baixo compromisso
político com esse tipo de serviço.
De acordo com os dados da tabela 1, verifica-se que, em média, os produtores
atendidos pelos serviços de extensão rural receberam uma renda total de R$ 3.644,
enquanto a renda média daqueles não atendidos foi de R$ 2.139. Já em relação à
renda obtida com a atividade agrícola, os beneficiários da Ater receberam R$ 1.995,
enquanto os não beneficiários tiveram rendimentos de R$ 912. Observa-se a grande
disparidade de renda entre os dois grupos. Para a finalidade de mensuração de
impacto, não é adequado realizar a comparação direta entre a renda dos adotantes e
a dos não adotantes devido à possibilidade de viés de seleção na adoção da extensão
rural, explicadas as características observáveis pré-tratamento (ou dos adotantes de
extensão pública e extensão privada). (A próxima subseção apresenta o balanceamento
por entropia, que permite corrigir esse viés.) Quanto à escolaridade, o grupo referente
aos indivíduos que contam com o serviço extensionista apresentou maior participação
nas classes de escolaridades mais elevadas, se comparado com os demais. De fato, tais
produtores apresentaram em média 6,8 anos de estudo, enquanto a média observada
para os produtores não atendidos foi de 5,1 anos.
É interessante notar a grande diferença entre o grupo atendido pela extensão
rural e os não atendidos no que tange ao recebimento de financiamento no
domicílio. Os dados evidenciam que 43,6% dos produtores que receberam o serviço
extensionista também obtiveram financiamento, sendo a porcentagem para os não
atendidos de apenas 7,4%. Além disso, as variáveis representativas do tamanho
do estabelecimento mostram que a proporção de produtores muito pequenos é
superior, aproximadamente 14,7 pontos percentuais (p.p.), para o grupo sem o
apoio extensionista.

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Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 149

Quanto às demais características da amostra, observa-se que não há diferenças


significativas para a variável referente à idade dos produtores entre os grupos de
beneficiários e não beneficiários da extensão (48 anos). Além disso, os produtores
considerados são predominantemente indivíduos do sexo masculino (média superior
a 85%) e que residem no próprio estabelecimento rural. No que tange à condição
do produtor em relação à terra, destaca-se a grande proporção de produtores
proprietários do estabelecimento.
Já em relação à distribuição da porcentagem de beneficiários nas diferentes
regiões brasileiras, observa-se uma grande heterogeneidade, com a região Sul
concentrando a maior parcela. Enquanto a região Nordeste conta com 39% dos
produtores rurais da amostra, apenas 14% recebem os serviços da Ater. Já a região
Sul possui 16% dos produtores, e 47% recebem Ater. De um lado, os números
mostram que as regiões mais prósperas, em termos de renda, são aquelas com os
melhores indicadores de adoção da assistência técnica. De outro, as regiões mais
pobres são aquelas com maior porcentagem de produtores rurais, as quais receberam
menos assistência técnica, percentualmente. Os dados do Censo Agropecuário 2017
também refletem realidade semelhante.
É importante enfatizar que os dados da PNAD se referem ao número de
indivíduos reponsáveis pela família, não ao número de pessoas beneficiadas pela
Ater, o que inclui produtores e trabalhadores rurais assistidos.
Considerando especificamente as diferenças relativas ao tipo de extensão
rural, se o serviço foi realizado por instituição pública ou privada, verifica-se grande
discrepância entre os rendimentos dos dois grupos. Em média, a renda total alcançada
pelos estabelecimentos atendidos pela extensão rural privada (R$ 4.457) é cerca de
46% superior à média obtida por aqueles atendidos pelo serviço público (R$ 3.049).
O serviço privado ainda está relacionado a produtores com níveis mais elevados de
escolaridade e maior participação quanto ao recebimento de financiamento. Quanto ao
tamanho do estabelecimento, nota-se a grande participação de produtores classificados
como muito pequenos na extensão rural pública (54,3%), o que era esperado, visto
que tais indivíduos são o foco principal da política.

3.2 Determinantes da adoção de extensão rural pelos produtores rurais


A tabela 2 apresenta os resultados da estimação do modelo de seleção (probit) na
decisão de adotar os serviços da Ater no meio rural brasileiro. Foram estimados três
modelos. O primeiro (1) agrega os serviços públicos e privados; já os dois modelos
seguintes, (2) e (3), mostram esses serviços separadamente. Com isso, pode-se
analisar as associações entre as variáveis para cada modelo da Ater. A hipótese nula
de insignificância conjunta das variáveis foi rejeitada em nível de 1% em todos os
três modelos considerados, pelo teste chi². Assim, estes foram validados para análise.

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150 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

TABELA 2
Coeficientes estimados da equação probit para participação nos serviços de extensão rural
(1) (2) (3)
Variáveis
Ater Ater pública Ater privada
-0,0226 0,0566 -0,111*
sexo
(0,0462) (0,0527) (0,0622)
0,112* 0,149** -0,0860
raça
(0,0651) (0,0670) (0,131)
0,0454*** 0,0358*** 0,0450***
anosestudo
(0,00477) (0,00527) (0,00683)
0,0243*** 0,0260*** 0,0223**
idade
(0,00703) (0,00773) (0,0107)
-0,000238*** -0,000185** -0,000350***
idade2
(7,08e-05) (7,66e-05) (0,000111)
0,251*** 0,291*** 0,0689
rural
(0,0398) (0,0448) (0,0562)
1,114*** 0,919*** 0,732***
Sefinanc
(0,0381) (0,0413) (0,0487)
-0,0196 -0,107 0,111
parceiro
(0,0715) (0,0817) (0,0958)
-0,0123 -0,0975 0,0146
arrendatário
(0,0708) (0,0855) (0,0899)
0,279*** 0,170** 0,433***
posseiro
(0,0778) (0,0857) (0,120)
-0,217*** -0,148** -0,218**
outracondição
(0,0691) (0,0746) (0,108)
-0,855*** -0,0801 -1,644***
Norte
(0,0457) (0,0512) (0,0828)
-1,121*** -0,391*** -1,578***
Nordeste
(0,0458) (0,0517) (0,0734)
-0,575*** -0,00866 -0,854***
Sudeste
(0,0513) (0,0583) (0,0671)
-0,741*** -0,395*** -0,715***
Centro-Oeste
(0,0621) (0,0769) (0,0734)
0,161*** -0,0106 0,344***
pequeno
(0,0360) (0,0401) (0,0495)
-0,0784 -0,280*** 0,305***
médio
(0,0677) (0,0792) (0,0909)
0,0936 0,0418 0,120
grande
(0,0729) (0,0791) (0,105)
-1,712*** -2,689*** -1,542***
Constante
(0,193) (0,217) (0,278)
Teste chi² 2.510 896,6 1.906
Nível de significância (%) 1 1 1
Pseudo-R² 0,240 0,124 0,330
Número de observações 13.080 13.080 13.080

Elaboração dos autores.


Obs.: 1. Significância estatística: *** significativo a 1%; ** significativo a 5%; * significativo a 10%.
2. Erros-padrão entre parênteses.

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Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 151

Os determinantes da adoção do serviço da Ater podem ser agrupados em


dois grupos, a saber: características do indivíduo responsável pelo estabelecimento
(sexo, idade, raça e escolaridade) e aspectos da propriedade (tamanho, localização,
se recebe financiamento e condição do produtor).
Quanto às características do dirigente do estabelecimento, observou-se
que o fato de o indivíduo ser do sexo masculino não está associado a uma maior
probabilidade de participar do serviço de extensão, exceto no caso da Ater privada,
em que há um decréscimo dessa probabilidade.
Já em relação à cor da pele, os indivíduos negros apresentaram maior
probabilidade de receber Ater, principalmente o serviço ofertado pelos órgãos
públicos. Esse resultado encontra-se em consonância com as diretrizes da Pnater.
Para os serviços privados, esse efeito não foi identificado.
O capital humano, representado pela variável anos de estudo, em todos
os modelos considerados, apresentou efeito positivo sobre a probabilidade de
participação do produtor nos serviços de extensão. Em média, o aumento de um
ano na escolaridade do indivíduo está associado ao acréscimo de 0,74, 0,42 e
0,18 p.p. na probabilidade de participação nos serviços de Ater, Ater pública e Ater
privada, respectivamente.
Lapple e Hennessy (2014) também identificaram importante impacto da
educação na adoção de tais serviços ao analisar os determinantes da participação
de propriedades leiteiras em programas de extensão nos Estados Unidos.
Como argumentado pelas autoras, esse resultado demonstra a importância de
investimentos em educação no meio rural, visto que podem facilitar o acesso à
extensão rural, seja devido à motivação inerente ao agricultor em obter informações
e conhecimentos externos sobre a atividade, seja pelo fato de que os próprios
serviços de extensão são promovidos pela educação agrícola.
Segundo os estudos de Foster e Rosenzweig (2010) e Villano et al. (2015),
os agricultores com níveis educacionais mais elevados têm maior capacidade de
processar as informações obtidas e buscar tecnologias apropriadas às suas restrições
de produção quando comparados aos produtores com níveis educacionais mais
baixos. Desse modo, o resultado demonstra a importância de investimentos em
educação no meio rural, visto que podem auxiliar no acesso à adoção de práticas
recomendadas pelos extensionistas.
Para Anderson e Feder (2004), o serviço da Ater se relaciona ao capital
humano pelo intenso fluxo gerado de informações, as quais teriam impacto
direto nas habilidades gerenciais dos produtores, podendo, como resultado, gerar
ganhos nos níveis de produtividade e renda. Apesar de a adoção e a difusão de
tecnologias modernas continuarem sendo os principais objetivos da extensão rural,

LV_191426_Diagnostico_COMPLETO.indb 151 04/11/2019 15:35:38


152 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

Rodrigues (1997) salientou o papel educacional desse serviço, de forma a alcançar o


aperfeiçoamento gerencial e o progresso técnico dos estabelecimentos – principalmente
no caso de pequenos produtores –, em busca de melhorias nas condições de vida
do meio rural, ao viabilizá-los econômica e tecnologicamente. Entretanto, é
impossível atribuir ao serviço extensionista grande parte dos gargalos relacionados
aos investimentos em capital humano no meio rural.
O resultado encontrado para a idade indicou um efeito não linear dessa
variável na probabilidade de o produtor participar de serviços de extensão, isto
é, tal probabilidade aumentaria com a idade até certo ponto máximo, a partir do
qual o efeito seria adverso.
O fato de o dirigente residir no meio rural está associado ao aumento da
probabilidade da participação na extensão rural, exceto para o caso da Ater privada.
Resultado similar foi encontrado por Genius, Pantzios e Tzouvelekas (2006).
Esse resultado pode estar relacionado ao fato de que parte significativa dos serviços
privados de extensão é realizada por empresas fornecedoras de insumos e/ou empresas
de processamento e distribuição de alimentos, sendo frutos de acordos estabelecidos
por contratos entre as partes, como argumentado por Swinnen e Maertens (2007).
Os produtores que recebem financiamento (via Pronaf ou outra fonte)
apresentam maior chance de ser beneficiados pela extensão rural. É algo esperado,
tendo em vista que o crédito rural permite a ampliação da capacidade produtiva
das fazendas via aquisição de insumos e novas tecnologias.
Já em relação à condição do produtor no que se refere à posse da terra,
verificou-se que os produtores posseiros apresentaram maior probabilidade de
participação em tais serviços, se comparados com a categoria de proprietários.
Provavelmente, isso está associado ao Programa Nacional de Crédito Fundiário
(PNCF), apoiado pela rede da Ater.
No tocante à localização do produtor nas diferentes regiões do país, os
resultados mostraram que o indivíduo localizado na região Sul apresenta maior
probabilidade de receber Ater, tanto pública quanto privada, em relação às demais
regiões. Esses dados reforçam o aspecto da heterogeneidade do alcance da política
pública no território nacional.
Quanto ao tamanho do estabelecimento, considerando que a categoria
de controle estabelecida foi “muito pequeno”, os resultados encontrados foram
conforme o esperado. As pequenas propriedades têm maior probabilidade de ser
atendidas pela extensão pública, enquanto grandes fazendas têm maiores chances de
receber o apoio do serviço privado. Os produtores de estabelecimentos de tamanho
pequeno (10 ha a 100 ha) apresentaram maior probabilidade de participar dos
serviços da Ater em relação às demais categorias. Já os produtores de estabelecimentos

LV_191426_Diagnostico_COMPLETO.indb 152 04/11/2019 15:35:38


Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 153

médios (100 ha a 1.000 ha) apresentaram menor probabilidade de receber extensão


pública. Estes, em sentido oposto, apresentaram maior probabilidade de receber
a extensão privada.

3.3 Impactos da extensão rural sobre a renda dos produtores rurais


A tabela 3 apresenta os resultados do balanceamento da amostra pelo método da
entropia, sendo esta a segunda etapa da estratégia empírica adotada. As colunas
referentes à amostra balanceada apresentaram o resultado do balanceamento para o
primeiro momento da amostra, isto é, para a média das covariadas.

TABELA 3
Balanceamento da amostra pelo método da entropia
Amostra não pareada Amostra pareada
Variáveis Recebe Sem Ater Ater Recebe Sem Ater Ater Ater
Controle Controle
Ater Ater pública privada Ater (controle) pública privada
sexo 0,8651 0,852 0,889*** 0,833*** 0,86521 0,8652 0,88871 0,8887 0,83311 0,8331
raça 0,0481*** 0,0783 0,07361 0,0132*** 0,04811 0,0481 0,073571 0,07357 0,013251 0,01325
anosestudo 6,828*** 5,138 6,258*** 7,607*** 6,8281 6,828 6,2581 6,258 7,6071 7,607
idade 48,051
48,16 49,66*** 45,86*** 48,05 1
48,05 49,66 1
49,66 45,861 45,86
idade2 24711 2521 2631*** 2252*** 24711 2471 26311 2631 22521 2252
rural 0,819*** 0,726 0,836*** 0,795*** 0,8188 1
0,8188 0,8364 1
0,8364 0,7947 1
0,7947
sefinanc 0,436*** 0,0744 0,415*** 0,465*** 0,43621 0,4362 0,41531 0,4153 0,46491 0,4649
parceiro 0,0509 1
0,0602 0,0436*** 0,0609 1
0,05089 1
0,05089 0,04356 1
0,04356 0,06093 1
0,06093
arrendatário 0,05541 0,0522 0,0378*** 0,0795*** 0,055371 0,05537 0,037751 0,03776 0,079471 0,07947
posseiro 0,0336*** 0,0487 0,0378*** 0,0278*** 0,033561 0,03356 0,037751 0,03775 0,027811 0,02782
outracondição 0,0431*** 0,0981 0,0494*** 0,0344*** 0,043061 0,04308 0,049371 0,04938 0,034441 0,03444
Norte 0,177*** 0,277 0,276*** 0,0424*** 0,1773 1
0,1773 0,2759 1
0,2759 0,042381 0,04239
Nordeste 0,144*** 0,425 0,211*** 0,053*** 0,1443 1
0,1444 0,211 1
0,211 0,052981 0,05301
Sudeste 0,134*** 0,111 0,158*** 0,1021 0,13421 0,1342 0,15781 0,1578 0,1021 0,102
Centro-Oeste 0,0794 1
0,0763 0,0571*** 0,1099*** 0,0794 1
0,0794 0,0571 1
0,0571 0,1099 1
0,1099
pequeno 0,394*** 0,24 0,347*** 0,458*** 0,39371 0,3937 0,34661 0,3466 0,45831 0,4583
médio 0,0565 1
0,0662 0,0445*** 0,0728 1
0,05649 1
0,05649 0,04453 1
0,04453 0,07285 1
0,07285
grande 0,05371 0,0451 0,0571*** 0,0491 0,053691 0,05369 0,057121 0,05711 0,049011 0,04901

Fonte: PNAD/IBGE, 2014.


Elaboração dos autores.
Nota: 1 Não significativo (média estatisticamente igual ao grupo de controle a 1%).
Obs.: *** média estatisticamente diferente do grupo de controle (sem Ater) a 1%.

Nota-se que, antes do balanceamento, as médias entre os grupos de tratados


e controles apresentavam diferenças significativas. Contudo, depois de realizado
o ajustamento pelo método da entropia, observou-se um equilíbrio entre as

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154 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

médias observadas, confirmado pela não significância da hipótese nula do teste


de igualdade de médias (tabela 3). Isso implica que, para cada grupo de tratados,
há um contrafactual bastante similar, diferenciando-se apenas pelo recebimento
ou não do serviço de extensão rural.
A tabela 4 apresenta os efeitos dos serviços da Ater sobre o rendimento dos
produtores rurais. São analisados os efeitos agregados e separados por grupos de
área e percentis de rendas. Para tanto, são considerados dois tipos de rendimentos
produtivos, o rendimento total (que incorpora todas as atividades produtivas) e o
da atividade principal (que considera somente a agricultura).

TABELA 4
Efeitos da Ater sobre os rendimentos dos produtores rurais
Rendimento total Rendimento com a agricultura
0,1891*** 0,2287***
Ater
(0,0156) (0,0221)
0,0877*** 0,0226***
Ater pública
(0,0157) 0,0226)
0,2446*** 0,3787***
Ater privada
(0,0148) (0,0205)
Grupos de tamanho do estabelecimento
0,1689*** 0,1978***
Muito pequeno (0 ha a 10 ha)
(0,1689) (0,0282)
0,2253*** 0,2178***
Pequeno (10 ha a 100 ha)
(0,0276) (0,0390 )
-0,05151 0,2198**
Médio (100 ha a 1.000 ha)
(0,0746) (0,0929)
0,4499*** 0,4027***
Grande (acima de 1.000 ha)
(0,0669) (0,0811)
Grupos de renda
0,0354** -0,0998**
Baixa renda (abaixo do percentil 25)
(0,0152) (0,0436)
0,01041 0,0997**
Média renda (entre percentis 25 e 75)
(0,0080) 0,0239
0,0879*** 0,1946***
Alta renda (acima do percentil 75)
(0,0164) (0,0360)

Elaboração dos autores.


Nota: 1 Não significativo.
Obs.: 1. Significância estatística: *** significativo a 1%; ** significativo a 5%.
2. Erros-padrão entre parênteses.

Os resultados estimados indicaram o efeito significativo do serviço extensionista


sobre a renda dos produtores rurais em todas as categorias analisadas, excetuando-se
o rendimento total no grupo de tamanho do estabelecimento médio e no percentil
de alta renda. Além disso, no caso do rendimento agrícola, a Ater contribuiu para
um aumento de renda em todas as categorias, exceto na categoria de baixa renda

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Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 155

(abaixo do percentil 25). Entretanto, nessa categoria, a extensão rural contribuiu


para aumentar a renda produtiva total em 3,5%, apesar da redução de cerca de
10% na renda agrícola.
Os impactos encontrados estão de acordo com a literatura internacional que
trata do tema. Deribew (2016) investigou o feito da extensão rural sobre as rendas
dos domicílios e a desigualdade de renda utilizando dados de 734 domicílios
rurais localizados no norte da Etiópia. De modo geral, identificou-se um efeito
positivo sobre a renda dos domicílios rurais. Já Akpan, Patrick e Amama (2016)
analisaram os determinantes da pobreza e da desigualdade de renda entre os
trezentos jovens produtores rurais selecionados do estado de Akwa Ibom, no sul
da Nigéria. Para tanto, identificaram quais fatores afetariam a probabilidade de o
produtor estar na condição de pobreza. Entre os resultados obtidos, constatou-se
que produtores com maiores níveis de escolaridade e com acesso à extensão rural
apresentavam menor probabilidade de estar abaixo da linha de pobreza, sendo,
portanto, variáveis relevantes para reduzir a desigualdade de renda.
Akobundu et al. (2004) investigaram o impacto de um programa de extensão
rural no estado da Virgínia, ao mensurar os ganhos na renda resultantes da
participação no programa. O método utilizado consistiu em duas etapas: modelo
binário (probit e Poisson), para identificar os determinantes da participação; e
modelo de regressão, para identificar o efeito do programa extensionista sobre os
níveis de renda. Os resultados indicaram que uma única visita do extensionista
não era suficiente para gerar resultados significativos, porém os ganhos de renda
aumentaram com a intensidade de participação.
Deve-se observar que a Ater privada apresenta maior impacto sobre o
rendimento em relação à pública. Esse efeito já era esperado, dada a natureza
mais educativa dos serviços públicos. Parte dos serviços privados é realizada pelas
empresas produtoras e vendedoras de insumos e equipamentos, cooperativas,
agroindústrias, entre outras. Estes são mais direcionados aos aspectos da produção.
Destaca-se que os serviços da Ater não contribuem somente para o aumento
da renda da atividade agrícola. Considerando os serviços extensionistas de maneira
geral, conforme a primeira linha da tabela 4, estes estão associados a um incremento
de 18,91% e 22,87% nos rendimentos mensais e com agricultura, respectivamente.
É importante destacar que entre os objetivos da Pnater está o auxílio na viabilização
de estratégias que levem à geração de novos postos de trabalho agrícola e não
agrícola, acarretando em uma elevação do bem-estar no meio rural (IBGE, 2018).
A partir dos dados apresentados na tabela 4, observa-se que os serviços da
Ater impactaram de forma negativa, em 9,98%, os rendimentos agrícolas no
grupo de baixa renda. Os resultados estão de acordo com a literatura que destaca
o papel relevante da parcela da renda oriunda de atividades não agrícolas como

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156 | Diagnóstico e Desafios da Agricultura Brasileira

forma de melhorar o desempenho econômico dos domicílios rurais (Schneider,


2001; Urgessa, 2015).
Para Reardon, Berdegué e Escobar (2001), a decisão de ingresso em atividades
não agrícolas dependeria principalmente de dois fatores: dos incentivos encontrados
na atividade não agrícola, como rentabilidade e risco; e das capacidades gerais, como
educação, conhecimento e habilidades, acesso ao crédito, acesso à extensão rural, e
outros. Quanto à extensão rural, de fato a sua atuação vai além da assistência técnica
na produção agropecuária em si. Nesse sentido, o extensionista, ao verificar que
o estabelecimento rural não consegue gerar um nível de renda mínimo que possa
proporcionar um bem-estar necessário, pode sugerir atividades complementares
(agrícolas e não agrícolas) para promover incrementos na renda.
Entretanto, a renda agrícola tem outro importante papel no meio rural.
Mariano e Neder (2006) examinaram indicadores da desigualdade de renda e
pobreza entre 1999 e 2001, com base nos dados da PNAD e foco no Nordeste
rural. De modo geral, identificaram que a renda oriunda da atividade agrícola
contribuiu para reduzir a desigualdade de renda, enquanto a renda oriunda de
fontes não agrícolas esteve associada à maior desigualdade.
Como argumentado por Alves, Souza e Rocha (2013), são parte dos principais
objetivos da extensão rural a adoção e a difusão de novas tecnologias, além da
contribuição para redução dos efeitos negativos das imperfeições de mercado
enfrentadas pelos produtores rurais, gerando incrementos substanciais na renda rural.
No entanto, o maior acesso a esse serviço por parte das grandes e mais rentáveis
propriedades acaba contribuindo para a manutenção e até ampliação do padrão
concentrador de renda. Resultado semelhante foi encontrado por Deribew (2016)
ao analisar o efeito da extensão rural sobre a desigualdade de renda na Etiópia.
Apesar da identificação de um efeito positivo sobre a renda dos domicílios rurais
etíopes, os resultados apontaram para um aumento da desigualdade da renda obtida
pela atividade agrícola.11

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados encontrados no estudo sugerem o desempenho satisfatório dos serviços
extensionistas no Brasil rural, em que maiores investimentos na política pública
da Ater podem resultar em maior desenvolvimento no meio rural como um todo.
No entanto, nota-se que, apesar de os pequenos produtores serem o foco principal
do serviço extensionista, os grandes estabelecimentos são os mais beneficiados,
mesmo considerando apenas o serviço público. Esse resultado indica que, para a
extensão rural ser mais bem-sucedida entre os pequenos produtores, é necessário o

11. No entanto, ao considerar diferentes fontes de renda, oriundas da pecuária e outras não agrícolas, Deribew (2016)
encontra um efeito negativo da extensão rural sobre a desigualdade de rendimentos.

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Impactos da Extensão Rural na Renda Produtiva | 157

desenvolvimento de uma ação conjunta com outros mecanismos governamentais,


como o maior acesso à política de crédito rural, facilitando a incorporação de novos
conhecimentos oriundos da pesquisa e de novas tecnologias produtivas, a maior
parte já utilizada pelos grandes estabelecimentos.
Entre os resultados alcançados pelo balanceamento por entropia, verificou-se
que a extensão rural contribuiu para a obtenção de maiores rendimentos em todos
os grupos analisados, excetuando-se o rendimento total nos grupos de tamanho
do estabelecimento médio e de alta renda. No entanto, o maior efeito identificado
para os rendimentos oriundos da agricultura nos percentis mais elevados de renda
evidenciou que a política contribuiu para um aumento da desigualdade de renda no
meio rural. Além disso, ao desagregar a extensão rural de acordo com a sua origem,
se realizada por instituição pública ou privada, observou-se que o serviço privado
apresentou maior impacto sobre a renda dos produtores considerados.
É evidenciada uma questão importante no papel das políticas públicas no
meio rural. Maiores níveis de capital humano, em conjunto com o maior acesso
à política de crédito rural e ao próprio serviço extensionista por parte dos grandes
e mais rentáveis domicílios rurais, contribuem para o agravamento do quadro de
desigualdade de renda no meio rural brasileiro.
Nesse cenário, apenas o acesso à extensão rural por parte dos produtores
mais pobres não será suficiente para elevar os níveis de bem-estar social, visto
que o baixo desempenho da política para esses produtores pode estar atrelado às
fortes restrições orçamentárias e à carência de outras políticas complementares.
É necessária a ação conjunta com outros instrumentos governamentais de forma a
promover o desenvolvimento do capital humano e o aumento da oferta de crédito
para esse público.

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