Tribunal de Justiça do Piauí
PJe - Processo Judicial Eletrônico
27/05/2025
Número: 0830295-16.2019.8.18.0140
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL
Órgão julgador: 6ª Vara Cível da Comarca de Teresina
Última distribuição : 18/10/2019
Valor da causa: R$ 100,00
Assuntos: Obrigação de Fazer / Não Fazer
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
LUAUTO RENT A CAR LTDA (AUTOR) JOSE COELHO registrado(a) civilmente como JOSE
COELHO (ADVOGADO)
JOAQUIM MENDES DE SOUSA NETO (ADVOGADO)
RENATO LOPES AMORIM (ADVOGADO)
LUAUTO CAR LTDA (AUTOR) JOSE COELHO registrado(a) civilmente como JOSE
COELHO (ADVOGADO)
JOAQUIM MENDES DE SOUSA NETO (ADVOGADO)
RENATO LOPES AMORIM (ADVOGADO)
FRANCISCO PEREIRA DE SOUSA NETO (REU)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
69251 17/01/2025 13:08 Sentença Sentença
378
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ DA SEXTA Vara Cível da
Comarca de Teresina
Rua Josefa Lopes de Araújo, s/n, Fórum Cível e Criminal, 3.° Andar,
Bairro Cabral, TERESINA - PIAUÍ - CEP: 64.000-515
PROCESSO N.º 0830295-16.2019.8.18.0140
CLASSE: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7)
ASSUNTO(S): [Obrigação de Fazer / Não Fazer]
AUTOR: LUAUTO RENT A CAR LTDA, LUAUTO CAR LTDA
RÉ: FRANCISCO PEREIRA DE SOUSA NETO
SENTENÇA
RELATÓRIO
Trata-se de ação de Obrigação de Fazer ajuizada por LUAUTO RENT A CAR LTDA e
LUATO CAR LTDA em face de Francisco Pereira de Sousa Neto.
A parte autora alega que realizou a venda de um veículo marca VW, modelo AMAROK
CD 4x4, tipo caminhonete, ano fabricação 2014/2015, chassi WV1DD42HXFA011130,
cor cinza, placa PIJ-2731/PI., código RENAVAN nº 01041775943, a parte ré em
29/08/2018 e que desde então tenta convencer que a requerida transfira o veículo para
sua titularidade nos órgãos de trânsito, o que não teria ocorrido até o presente
momento, requereu concessão de tutela de urgência e ao final a condenação da parte
ré em obrigação de fazer com o fito de que transfira a propriedade do bem discutido ao
seu nome (Id. 6798395).
Regularmente citada (Id. 20445783), a parte ré permaneceu silente (Id. 21306039).
Intimada as partes para apresentarem provas (Id. 54623700), a parte autora anexou
aos autos, documento no qual consta a titularidade do veículo em seu nome (Id.
56254178) e extrato de multas datadas após a assinatura do contrato de compra e
venda (Id. 56254179) e requereu o julgamento antecipado da lide.
É o relatório decido.
TUTELA DE URGÊNCIA
Trata-se de pedido de tutela de urgência, na qual as Requerentes pretendem compelir o
Requerido a transferir para seu nome a propriedade do veículo marca VW, modelo
AMAROK CD 4x4, tipo caminhonete, ano fabricação 2014/2015, chassi
WV1DD42HXFA011130, cor cinza, placa PIJ-2731/PI, código RENAVAN nº
01041775943, adquirido pela parte ré em 29/08/2018, conforme contrato de compra e
venda firmado entre as partes.
A tutela de urgência encontra fundamento no art. 300 do CPC, que exige a presença
dos requisitos da probabilidade do direito e do perigo de dano ou risco ao resultado útil
do processo.
No caso concreto, verifica-se a probabilidade do direito alegado, tendo em vista que o
contrato de compra e venda (Id. 67983399) juntado aos autos e os demais documentos
comprovam a venda do veículo pelas requerentes à parte requerida, bem como a parte
autora comprovou que o veículo ainda encontra-se em seu nome (Id. 56254179), nesse
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sentido, nos termos do art. 123, §1.º, do Código de Trânsito Brasileiro, cabe ao
adquirente adotar as providências necessárias à transferência da propriedade no prazo
de 30 dias, o que não foi observado pelo Requerido, conforme alegado pelas
Requerentes.
O perigo de dano também está presente, pois a manutenção da propriedade do veículo
em nome da parte requerida pode ocasionar-lhe prejuízos, como a responsabilidade por
multas e eventuais débitos vinculados ao bem, o que já vem sendo relatado pela parte
autora (Id. 56254179).
Além disso, não vislumbro o perigo de irreversibilidade do provimento, uma vez que a
presente decisão tem o condão de apenas impedir que a parte autora sofra constrições
e danos relativos ao bem do qual já não é mais proprietária de fato.
Assim, presentes os requisitos legais, defiro o pedido de tutela de urgência para
determinar que a parte ré seja intimada para, promover, no prazo de 30 (trinta) dias
corridos, a transferência do veículo marca VW, modelo AMAROK CD 4x4, tipo
caminhonete, ano fabricação 2014/2015, chassi WV1DD42HXFA011130, cor cinza,
placa PIJ-2731/PI, código RENAVAN nº 01041775943, para seu nome junto aos órgãos
de trânsito, conforme o art.123, §1.°, do CTB, sob pena de multa diária no valor de R$
300,00 (duzentos reais), limitada inicialmente a R$ 6.000,00 (seis mil reais), com fulcro
no art. 497, do CPC.
FUNDAMENTAÇÃO
O julgamento deve ocorrer na situação em que se encontra o feito, dada a natureza da
matéria. Definitivamente, a produção de prova testemunhal e de colheita de depoimento
pessoal das partes em audiência seria inócua no presente caso, uma vez que a ré
sequer dignou-se a apresentar o contrato objeto da presente ação.
Assim, à míngua de tais elementos, conclui-se que a controvérsia é unicamente de
direito, razão pela qual o processo comporta julgamento imediato, na forma dos arts.
355 e 370, ambos do CPC, ausente preliminares passo ao julgamento do mérito.
DO MÉRITO
No caso em análise, verifica-se que as requerentes venderam ao Requerido o veículo
marca VW, modelo AMAROK CD 4x4, tipo caminhonete, ano fabricação 2014/2015,
chassi WV1DD42HXFA011130, cor cinza, placa PIJ-2731/PI, código RENAVAN nº
01041775943, em 29 de agosto de 2018, conforme contrato de compra e venda
anexado aos autos, todavia, a parte ré deixou de cumprir com o determinado no art.
123, §1.º, do CTB, deixando de transferir a titularidade do veículo para seu nome no
prazo de 30 (trinta) dias.
Art. 123. Será obrigatória a expedição de novo Certificado de Registro de Veículo
quando:
(...)
§ 1º No caso de transferência de propriedade, o prazo para o proprietário adotar as
providências necessárias à efetivação da expedição do novo Certificado de Registro de
Veículo é de trinta dias, sendo que nos demais casos as providências deverão ser
imediatas.
A ausência de transferência da propriedade do veículo ocasiona diversos prejuízos à
parte autora, uma vez que a manutenção do bem em seu nome a mantém suscetível a
cobranças de multas e outros encargos decorrentes do uso do veículo, conforme já
demonstrado nos autos.
Constato que a parte ré foi regularmente citada e permaneceu inerte, de modo que
operam-se os efeitos da revelia, nos termos do art. 344 do CPC, de modo que a
presunção de veracidade somada aos contrato de compra e venda (Id. 6798399), as
multas autuadas após a data do negócio firmado (Id. 56254178) e o comprovante de
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titularidade ainda no nome da parte autora (Id. 56254179), comprova de fato que a
parte ré não cumpriu com sua obrigação.
Dessa forma, haja vista a comprovação de que a parte ré adquiriu o veículo referido nos
autos e até o presente momento, não cumpriu a obrigação legal de transferir a
propriedade do bem para seu nome, assiste razão à parte autora.
Além disso, observa-se que a obrigação aqui discutida trata de prestação de fazer, e o
art. 497 do CPC assegura que, em tais hipóteses, o juiz deve conceder a tutela
específica ou determinar providências que assegurem a obtenção do resultado prático
equivalente, portanto, a tutela concedida deve ser mantida em sua integralidade.
DISPOSITIVO
Diante do exposto, JULGO TOTALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO AUTORAL, e
assim o faço com resolução do mérito, nos termos do art. 487, I, do CPC, para
condenar a requerida a obrigação de fazer para que transfira o veículo marca VW,
modelo AMAROK CD 4x4, tipo caminhonete, ano fabricação 2014/2015, chassi
WV1DD42HXFA011130, cor cinza, placa PIJ-2731/PI, código RENAVAN nº
01041775943, com fulcro no art. 123, §1.º, do CTB, de modo que confirmo a tutela
antecipada concedida e preservo o prazo de 30 (trinta) dias corridos, para que a parte
ré realize a transferência do veículo sob pena de multa diária no valor de R$ 300,00
(duzentos reais), limitada inicialmente a R$ 6.000,00 (seis mil reais), com fulcro no art.
497, do CPC.
Destaco que a secretaria deve realizar a intimação da parte ré nos moldes do art.346,
tendo em conta a revelia.
Diante da sucumbência, condeno a parte ré no pagamento das custas processuais e
dos honorários advocatícios da parte autora, que fixo por equidade em R$1.200,00 (mil
e duzentos reais), tendo em vista o valor irrisório e simbólico da causa, bem como o
trabalho e tempo despedido pelo representante da parte autora.
Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Cumpra-se.
Após o trânsito em julgado, pagas as custas, arquivem-se os autos com as cautelas de
praxe.
TERESINA/PI, 16 de janeiro de 2025.
Édison Rogério Leitão Rodrigues
Juiz de Direito da 6.ª Vara Cível da Comarca de Teresina
j.g.c.s
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