INTRODUÇÃO
Ao longo da história, diferentes sociedades desenvolveram sistemas
numéricos para organizar, medir e comparar quantidades, atendendo às
necessidades do comércio, da construção e da ciência. O conceito de número
surgiu como uma ferramenta essencial para representar quantidades e facilitar
cálculos, tornando-se a base para operações matemáticas mais complexas.
Com a evolução desses sistemas, a necessidade de estabelecer
comparações levou ao desenvolvimento da razão, que expressa a relação entre
dois valores. Esse conceito permitiu análises quantitativas mais precisas,
fundamentais para diversas áreas do conhecimento. Posteriormente, a
proporção foi introduzida para estabelecer igualdade entre razões,
possibilitando cálculos que envolvem escalas, ajustes e relações matemáticas
equilibradas.
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DESENVOLVIMENTO
CONCEITO DE NÚMEROS
Número é uma entidade matemática fundamental e abstrata, utilizado para
caracterizar a contagem, a ordenação, medição ou identificação. Os números
possuem uma relação com elementos quaisquer, sejam reais ou não. Cada
número descreve uma única característica para um dado elemento ou conjunto
de elementos:
Sua ordem;
A medida de uma de suas grandezas como: massa, comprimento… ;
A quantidade;
Sua identificação.
Por exemplo, considere três maçãs. Há apenas um número que representa
a quantidade destas frutas, o número 3.
Ainda em relação ao exemplo anterior, considere pedir a um feirante três
maçãs. O número caracteriza uma única quantidade possível e o feirante não
terá dúvida alguma em lhe servir 3 maçãs.
Assim, o número 3 caracteriza uma única quantidade existente possível,
assim como, três unidades só podem ser caracterizadas por um único número
existente, o próprio número 3.
Números são, portanto, dispositivos que criam uma relação de “mão dupla”
entre eles e as coisas do mundo (real ou imaginado). Na matemática essa
relação recebe o nome de biunívoca.
A representação dos números é feita por um numeral, expresso por sons,
que podem ser representados por símbolos chamados de algarismos. Os
algarismos correspondem à simbologia numérica, ou seja, os caracteres que
identificam um número.
Para Pitágoras, filósofo e matemático da Grécia Antiga, os números
constituem o princípio de todas as coisas.
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HISTÓRIA DOS NÚMEROS
A ideia de número surgiu na pré-história com métodos rudimentares de
contagem, como pedras e riscos. Os egípcios desenvolveram um sistema
decimal por volta de 3500 a.C., e outras civilizações criaram sistemas numéricos
para tributação e agricultura. No século VI, os hindus inventaram o sistema indo-
arábico, difundido na Europa pelos árabes. O matemático Al-Khowarizmi
descreveu a representação numérica usando 10 símbolos, incluindo o zero. Os
números evoluíram conforme as necessidades sociais, resultando em diferentes
sistemas ao longo da história.
CONJUNTOS NUMÉRICOS
Os números com características semelhantes são agrupados em conjuntos
numéricos. São eles:
Números naturais (N)
Números inteiros (Z)
Números racionais (Q)
Números irracionais (I)
Números reais (R)
Números Naturais (N)
Trata-se de um conjunto infinito de números, que são inteiros e positivos,
utilizados na contagem.
O conjunto dos números naturais é representado por: N = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8,
9, 10, 11, 12, ... }
Os números que fazem parte desse conjunto são utilizados para contar e
ordenar. Os números naturais podem ser obtidos adicionando uma unidade ao
número anterior da sequência.
Números Inteiros (Z)
Esse conjunto infinito abrange os números que são positivos e negativos. Sendo
assim, ele reúne os números naturais e seus opostos.
O conjunto dos números inteiros é representado por: ℤ = {..., - 4, - 3, - 2, - 1, 0, 1, 2, 3, 4, ...}
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Na representação dos elementos do conjunto, os inteiros negativos são escritos
com o sinal (–) e os inteiros positivos apresentam o sinal (+). Esses números são
utilizados, por exemplo, para indicar grandezas, como a temperatura.
Números racionais (Q)
Esse conjunto apresenta os números que podem ser escritos na forma de fração.
Sendo , com b ≠ 0, temos os seguintes elementos desse conjunto:
Todos os números são inteiros, mas b representa os inteiros não nulos. Portanto,
Z é um subconjunto de Q.
São exemplos de números racionais: 0, ± 1, ± 1/2, ± 1/3, ±2, ± 2/3, ± 2/5, ± 3, ±
3/2, etc.
Os números racionais podem ser números inteiros, decimais exatos ou dízimas
periódicas.
Números irracionais (I)
O conjunto dos números irracionais reúne os números decimais infinitos e não
periódicos. Portanto, esses números não podem ser representados por frações
irredutíveis.
Alguns exemplos de números irracionais:
√2 = 1,414213562373...
√3 = 1,732050807568...
√5 = 2,236067977499...
√7 = 2,645751311064...
Números reais (R)
Os números reais correspondem a união dos conjuntos de números: naturais
(N), inteiros (Z), racionais (Q) e irracionais (I).
O conjunto dos números reais pode ser representado da seguinte forma: R = Q
U (R – Q), pois se um número real é racional ele não pode ser também irracional
e vice-versa.
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RAZÃO E PROPORÇÃO
RAZÃO
Conhecemos como razão a comparação entre dois números por meio de
um quociente. Sabendo o que é razão, definimos como proporção a igualdade
entre duas razões, ou seja, são razões que possuem o mesmo resultado.
Se a e b são números reais, então ab, com b≠0, é a razão entre a e b.
Exemplo:
Qual a razão entre 1 e 2?
A razão entre 1 e 2 é 12. Além da representação fracionária, a razão pode ser
indicada pela representação decimal (0,5) ou percentual (50%).
É importante destacar que a razão pode indicar uma divisão entre grandezas de
mesma espécie (e, portanto, é apenas um número, sem unidade) ou entre
grandezas de espécies diferentes. Alguns casos são:
O número π é um exemplo de razão entre grandezas de mesma espécie,
pois é a razão entre o comprimento de uma circunferência e seu diâmetro.
Uma medida de probabilidade é um exemplo de razão entre grandezas
de mesma espécie, pois indica a razão entre casos favoráveis e casos
possíveis de um espaço amostral.
A velocidade média de um corpo é um exemplo de razão entre grandezas
de espécies diferentes, pois corresponde à razão entre o deslocamento
(medido em centímetros, metros, quilômetros etc.) e o tempo (medido em
segundos, minutos, horas etc.). Algumas unidades de medida de
velocidade média são o m/s (metros por segundo) e o km/h (quilômetros
por hora).
A densidade demográfica é um exemplo de razão entre grandezas de
espécies diferentes, pois indica a razão entre o número de habitantes de
uma região e a área que esses habitantes ocupam. A unidade de medida
mais utilizada para densidade demográfica é hab/km² (habitantes por
quilômetro quadrado).
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Perceba que, nas razões entre grandezas de espécies diferentes, as próprias
unidades de medida indicam uma razão pelo sinal de /.
Uma das aplicações mais importantes da ideia de razão é a escala
cartográfica.
PROPORÇÃO
Quando há a igualdade entre duas razões, podemos encontrar a
proporção entre elas. Ou seja, se duas razões possuem o mesmo resultado,
então, elas são proporcionais. Dessa forma, se a razão entre os números a e b
for igual à razão entre os números c e d, teremos que a/b = c/d, que é uma
proporção.
Dizemos que a sobre b é proporcional a c sobre d ou que a está
para b assim como c está para d.
A proporção é a estrutura matemática que relaciona grandezas direta e
inversamente proporcionais.
PROPRIEDADES DA PROPORÇÃO
As propriedades mais importantes da proporção são:
1. O produto dos meios é igual ao produto dos extremos.
Também conhecida como multiplicação cruzada ou regra de três, essa
propriedade estabelece que:
ab=cd→a⋅d=c⋅b
Podemos utilizar essa propriedade para encontrar um termo desconhecido
de uma proporção.
2. A soma (ou diferença) dos numeradores e denominadores de razões
proporcionais é proporcional a cada uma.
Em notação matemática, isso significa que:
ab=cd=a+cb+d
e
ab=cd=a−cb−d
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MÉTODOS DE PARA CALCULAR A RAZÃO E A PROPORÇÃO
Em muitos casos, os conceitos de razão e proporção estão implícitos na
resolução de um problema. Vejamos alguns exemplos.
Exemplo 1: João precisa comprar um caderno novo para o início das aulas. Ele
está na dúvida entre um caderno que custa R$ 9 e outro que custa R$ 13,50.
Qual a relação entre o caderno mais caro e o mais barato?
a) 73
b) 52
c) 32
d) 12
e) 13
A relação entre o caderno mais caro e o mais barato é expressa como uma razão.
Assim,
R$ 13,50R$ 9=32
Alternativa C
Exemplo 2: Pedro está seguindo uma receita que encontrou na internet, mas
precisará adaptar as medidas, pois está cozinhando para toda a família.
Sabendo que 3 xícaras de farinha produzem 20 porções, quantas xícaras ele
deve utilizar para conseguir 30 porções?
A relação entre a quantidade de xícaras e as porções produzidas é proporcional:
quanto mais xícaras, mais porções, e, por exemplo, se Pedro dobrar a
quantidade de xícaras, dobrará a quantidade de porções recebidas (mas, neste
caso, teria 40 porções).
Para resolver esse problema, podemos montar a proporção relacionada:
\frac{3\ xícaras}{20\ porções}=\frac{n\ xícaras}{30\ porções}
Utilizando a propriedade 1, concluímos que n = 4,5, ou seja, Pedro precisará de
4 xícaras e meia.
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DIFERÊNÇA ENTRE RAZÃO E PROPORÇÃO
Razão e proporção são conceitos matemáticos relacionados, mas possuem
diferenças fundamentais. A Razão é a comparação entre dois valores, expressa
como uma fração ou divisão. Por exemplo, a razão entre 8 e 4 pode ser escrita
como Ela indica quantas vezes um número contém o outro e é usada
para analisar relações quantitativas. Por outro lado, a Proporção ocorre quando
duas razões são equivalentes. Se temos as razões 8:4 e 6:3, podemos dizer que
estão em proporção porque . A proporção estabelece igualdade entre
duas razões, sendo muito usada em escalas e comparações matemáticas.
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CONCLUSÃO
Os números são fundamentais para a matemática e a vida cotidiana,
permitindo a contagem, medição e organização de informações. Ao longo da
história, diversas civilizações desenvolveram sistemas numéricos para facilitar o
comércio, tributação e cálculos científicos, até chegarmos ao sistema indo-
arábico utilizado atualmente.
Os conjuntos numéricos agrupam números com características
semelhantes, abrangendo desde os naturais até os reais. Além disso, os
conceitos de razão e proporção são essenciais para diversas aplicações
matemáticas, garantindo comparações precisas entre grandezas e facilitando
cálculos em diferentes áreas do conhecimento.
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REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS
A History of Mathematics. Princeton University Press.
An Introduction to the History of Mathematics. Saunders
College Publishing.
Mathematical Thought from Ancient to Modern Times. Oxford
University Press.
Significant Figures: The Lives and Work of Great
Mathematicians. Basic Books.
What is Mathematics? An Elementary
Approach to Ideas and Methods. Oxford University Press.
D. J. (1967). A Concise History of Mathematics. Dover Publications.
Men of Mathematics. Simon & Schuster.
A History of Mathematics: An Introduction. Pearson.
The History of Mathematics: An Introduction. McGraw-
Hill Education.
History of Mathematics. Dover Publications.
A Tour of the Calculus. Vintage.
Mathematics and Its History. Springer.
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