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Feng Shui: Fundamentos e Princípios Chineses

O Feng Shui, que significa 'Vento e Água', é uma arte geomântica chinesa que busca alinhar o ser humano com os princípios celestes e os fluxos energéticos da Terra. A prática envolve a compreensão de conceitos como Yin e Yang, os Três Presentes e as Cinco Sortes, além de técnicas para captar o Qi vital e evitar o Qi nocivo. O documento explora também a cosmologia taoísta, os diagramas sagrados Ho Tu e Lo Shu, e os Cinco Elementos, que são fundamentais para a aplicação do Feng Shui na arquitetura e no design de ambientes.

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Feng Shui: Fundamentos e Princípios Chineses

O Feng Shui, que significa 'Vento e Água', é uma arte geomântica chinesa que busca alinhar o ser humano com os princípios celestes e os fluxos energéticos da Terra. A prática envolve a compreensão de conceitos como Yin e Yang, os Três Presentes e as Cinco Sortes, além de técnicas para captar o Qi vital e evitar o Qi nocivo. O documento explora também a cosmologia taoísta, os diagramas sagrados Ho Tu e Lo Shu, e os Cinco Elementos, que são fundamentais para a aplicação do Feng Shui na arquitetura e no design de ambientes.

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FENG SHUI – SEGREDOS DA GEOMANCIA CHINESA

Autor: Richard Creightmore


Parte 1 – Fundamentos Sagrados e Cosmovisão Tradicional

1. O que é Feng Shui (Kan Yu)


• Feng Shui significa literalmente “Vento e Água” — duas das forças naturais mais
móveis e invisíveis do mundo físico, que revelam os caminhos por onde flui o Qi, o
sopro vital da Terra.
• A prática não se limita à decoração de ambientes. Ela é, na verdade, a arte geomântica
milenar da China, que busca alinhar o ser humano (Ren) com os princípios celestes
(Tian) e os fluxos energéticos da Terra (Di).
• A expressão mais antiga usada para essa ciência era Kan Yu: Kan é o Céu, o Alto, as
forças invisíveis que regem o destino; Yu é a Terra, o mundo material, as formas físicas.
• O ser humano é o mediador entre essas duas potências. O objetivo do Feng Shui é
ordenar o espaço de modo que o homem viva em equilíbrio com o Céu e a Terra, o
visível e o invisível, o manifesto e o oculto.

O praticante tradicional de Feng Shui — chamado de Kan Yu shi — dominava


múltiplas áreas: astrologia, hidrologia, geologia, medicina, engenharia estrutural, design
de interiores, arquitetura, agricultura, sociologia e planejamento urbano. Ele era um
mestre cerimonial que lia o espírito do lugar (Shen Di) e sabia como dialogar com ele.

2. Origens e Desenvolvimento Histórico


• Já durante a dinastia Zhou (1046–256 a.C.), as pessoas consultavam a sorte de uma
habitação por Zhen Pu — uma forma de adivinhação feita com escápulas de boi
(escapulomancia).
• Durante o Período dos Estados Combatentes (475–221 a.C.), difundiram-se os pilares
filosóficos do Feng Shui: o Yi Jing (I Ching), o pensamento Taoísta e Confucionista, os
conceitos de Yin e Yang, os Cinco Elementos (Wu Xing) e os Oito Trigramas (Ba Gua).
• Na dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.), já havia registros escritos formais de consultas
de Feng Shui.
• A primeira menção ao nome Feng Shui foi feita por Guo Pu, no texto clássico Zang
Shu (Livro dos Sepultamentos), da dinastia Jin (265–420 d.C.):

“Os mortos devem repousar onde há Sheng Qi (Qi vital). O vento dispersa esse Qi. A
água o contém. O ideal é encontrar lugares onde o Qi se acumule sem se dispersar. A
isso se chama Feng Shui.”

Essa frase revela o princípio fundamental da prática: captar e preservar o Qi benéfico.


Como disse Fan Yu Bing:

“Sem água, o Qi se dispersa ao vento. Com água, o Qi se aquieta, e o vento desaparece.”

• A partir da dinastia Song (960–1279 d.C.), surgiram duas grandes escolas:


• Xing Shi Pai (Escola das Formas): baseada na observação física da paisagem —
montanhas, rios, ventos e curvas do terreno.
• Li Qi Pai (Escola do Compasso): baseada na análise invisível e sutil, com uso
do Luopan (bússola Feng Shui), astrologia e ciclos cósmicos.

Ambas as escolas são complementares, e um mestre completo deve utilizá-las juntas


para avaliar um local de forma plena.

3. Os Três Presentes e as Cinco Sortes (San Cai & Wu Yun)

San Cai – Os Três Presentes:


1. Céu (Tian) – Fonte dos desígnios, das ordens invisíveis e dos ciclos astrológicos.
2. Terra (Di) – A matéria, a paisagem, os contornos do mundo, os fluxos telúricos.
3. Ser Humano (Ren) – O ponto intermediário entre os dois, com livre-arbítrio para
alinhar-se ou resistir.

Essa tríade aparece em todos os níveis da arquitetura tradicional chinesa: templos com
três salões, casas com três portões, jardins com três níveis — representando sempre
Céu, Terra e Homem.

Wu Yun – As Cinco Sortes (ou Lucks):


1. Ming (Destino) – O destino herdado dos antepassados e o destino de um lugar. Cada
terreno tem um “dono legítimo”, que o ocupa em seu tempo apropriado.
2. Yun (Sorte ou Timing) – O fluxo de sorte pessoal e cíclica. Parte depende da ação
humana; parte, dos Céus.
3. Feng Shui – O ambiente molda a psique, e vice-versa. Uma mudança externa gera
mudanças internas.
4. Yin De (Virtude) – Mérito espiritual e ações justas. Boas obras modificam a sorte.
5. Du Shu (Estudo) – Educação, disciplina interior e cultivo das virtudes.

Obs.: Para a Medicina Tradicional Chinesa, o Feng Shui é um dos Oito Ramos da cura
— pois o ambiente influencia diretamente o estado físico e emocional do indivíduo.

4. Qi – O Sopro Vital
• Qi (pronuncia-se “tchi”) não é exatamente “energia”, mas sim a respiração viva do
Dao, o fluxo invisível que dá forma e vida a tudo.
• É uma força em constante movimento, que percorre os céus e a terra, animando
corpos, árvores, construções e cidades.
• O Sheng Qi é o Qi vital e harmonioso, que gera vida, fertilidade, bem-estar.
• O Sha Qi é o Qi agressivo, nocivo ou interrompido, que causa doenças, acidentes e
conflitos.

Existem diferentes tipos de Qi:


• Di Qi – Qi da Terra: influenciado pelo tipo de solo, minerais, umidade e campo
magnético.
• Qi Yun – O Qi no tempo: muda com as estações e com os ciclos astrais.
• Tian Qi – Qi Celeste: o clima, o movimento solar e lunar.
• Ren Qi – Qi humano: as emoções, intenções e padrões das pessoas no local.

A função do Feng Shui é captar o Sheng Qi no tempo certo e evitar o Sha Qi.

5. Shan Shui – Montanhas e Águas


• A topografia da Terra é lida como o corpo de um Dragão, com colunas vertebrais,
veias e sopros.
• As montanhas são os Dragões da Montanha (Shan Long) – portadoras do Qi Yang.
• Os rios são os Dragões de Água (Shui Long) – portadores do Qi Yin.
• O Long Mai (“veias do Dragão”) são os meridianos energéticos que atravessam o
solo.

O local ideal para uma construção é onde essas veias convergem em uma espécie de
ninho ou cova chamado Long Xue — a Cova do Dragão, onde o sopro da Terra é mais
fértil.

“Montanhas se condensam pelo Qi. O Qi se manifesta por meio das montanhas.” —


Zhao Jiu Feng (Di Li Wu Jue)

As grandes cidades crescem onde há um poderoso Long Mai. Vilarejos surgem nas
“patas” do dragão.

Excelente, Gibran. A seguir está a Parte 2, aprofundando os conceitos de Yin-Yang, os


Quatro Animais Celestes (Si Xiang), o Ba Gua, a cosmologia taoísta e suas aplicações
na paisagem e no espaço construído. Mantive o estilo técnico, simbólico e tradicional
conforme você solicitou:

FENG SHUI – SEGREDOS DA GEOMANCIA CHINESA

Autor: Richard Creightmore


Parte 2 – Yin-Yang, Si Xiang e o Coração Sagrado da Paisagem

6. Yin e Yang – O Fundamento de Tudo


• Yin e Yang não são apenas opostos: são complementares, interdependentes e cíclicos.
• O ideograma Yang significa “o lado ensolarado da montanha”; Yin, “o lado
sombreado”.
• Yin e Yang se alternam como o dia e a noite, o frio e o calor, a morte e a vida, o
feminino e o masculino.

Três princípios regem Yin e Yang:


1. Relacionamento – Não existem de forma isolada. Tudo é Yin em relação a algo mais
Yang, e vice-versa.
2. Transformação – Um se converte no outro continuamente. A semente Yin se
transforma em flor Yang.
3. Equilíbrio dinâmico – Excesso de um enfraquece o outro. A cura ocorre pelo
retorno ao centro.

O ideal de Feng Shui busca uma proporção de 60% Yang e 40% Yin — ou seja,
vitalidade com serenidade.

No símbolo do Tai Ji (Yin-Yang), cada força contém a semente da outra — o Yin


escuro contém o ponto branco Yang, e o Yang branco contém o ponto negro Yin. Isso
expressa o mistério do Dao, que se manifesta sempre em polaridades vivas.

7. Si Xiang – Os Quatro Espíritos Celestes

A partir do movimento de Yin e Yang, surgem quatro forças derivadas conhecidas


como Si Xiang (Quatro Imagens ou Espíritos Celestes), que governam os quatro
quadrantes do espaço e os quatro pilares da paisagem:
1. Dragão Verde (Qing Long) – Leste. Jovem Yang. Coragem, crescimento, vitalidade.
2. Pássaro Vermelho (Zhu Que) – Sul. Velho Yang. Expansão, visão, prosperidade.
3. Tigre Branco (Bai Hu) – Oeste. Jovem Yin. Força contida, instinto, estabilidade.
4. Tartaruga Negra (Xuan Wu) – Norte. Velho Yin. Proteção, profundidade,
ancestralidade.

O centro, que unifica todos, é simbolizado por uma serpente amarela (ou o
imperador/imperatriz).

8. Aplicação dos Si Xiang na Paisagem

A organização ideal de uma casa ou cidade respeita a disposição dos Quatro Espíritos
em torno do local central (Long Xue), permitindo que o Qi se acumule e circule
corretamente:
• Ao Norte (trás): uma montanha alta e sólida (Tartaruga Negra) — oferece proteção e
sustento.
• Ao Sul (frente): espaço aberto, com água visível ou estrada curva (Pássaro Vermelho)
— favorece a entrada de Qi e oportunidades.
• Ao Leste (esquerda): uma colina viva, com vegetação e movimento (Dragão Verde)
— representa o masculino ativo.
• Ao Oeste (direita): colinas arredondadas, estáveis e mais baixas (Tigre Branco) —
representa o feminino receptivo.

Se o Tigre domina o Dragão, há conflitos. Se o Dragão domina o Tigre com gentileza, a


harmonia reina.

Essa disposição pode ser aplicada em várias escalas:


• No terreno: colinas, rios, árvores.
• Na cidade: prédios altos (Tartaruga), avenidas (Pássaro), parques (Dragão), blocos
estáticos (Tigre).
• No corpo humano: costas (Tartaruga), rosto (Pássaro), braço esquerdo (Dragão), braço
direito (Tigre).
• Na cama: cabeceira contra a parede (Tartaruga), pés voltados à porta (Pássaro), lado
esquerdo aberto (Dragão), direito protegido (Tigre).

9. Ming Tang – O Salão da Luz


• O Ming Tang (“Salão Brilhante”) é o espaço vazio e fértil que se abre à frente do
Xue.
• Nele o Qi se acumula como luz num átrio. O Pássaro Vermelho voa livre ali, abrindo
caminhos e vitalidade.

O Ming Tang ideal deve:


• Ser aberto, mas circundado suavemente por colinas ou construções.
• Ter um rio lento, estrada curva ou espaço de contemplação.
• Oferecer visão ampla, mas protegida dos ventos agressivos.

Se esse espaço for obstruído, o Qi não penetra. Se for vazio demais, o Qi se dispersa. O
equilíbrio é sutil: acolher o Qi sem aprisioná-lo.

10. A Montanha e a Água – Os Dois Mestres

No Feng Shui, diz-se que:

“A montanha é o pai; a água é a mãe.”

• A montanha (Shan) é Yang: firme, alta, imóvel, traz estabilidade e proteção.


• A água (Shui) é Yin: flexível, profunda, móvel, traz riqueza e circulação.

Dragões Montanhosos (Shan Long):


• São cadeias montanhosas que carregam o Qi terrestre em suas “colunas”.
• Devem ser contínuas, suaves, serpenteantes — jamais abruptas ou cortadas.

Dragões de Água (Shui Long):


• São os rios, lagos, canais ou estradas que “abraçam” o local.
• O melhor fluxo é lento, meândrico, que entra sem pressa e sai sem ser visto.
• Água reta e rápida rouba o Qi. Água que curva, acumula e abraça, traz fortuna.

Se desejar, posso seguir com a Parte 3, aprofundando o Ba Gua, os Cinco Elementos,


a cosmologia taoísta, o Luopan (bússola Feng Shui), e os fluxos subterrâneos de
energia. Deseja que eu continue?
Excelente. Agora seguimos com a Parte 3, aprofundando os fundamentos cósmicos e
operacionais do Feng Shui tradicional: o Ba Gua, os Cinco Elementos, os diagramas
sagrados (Ho Tu e Lo Shu), a cosmologia taoísta e o uso do Luopan (bússola). Entramos
aqui no coração esotérico e simbólico do método.

FENG SHUI – SEGREDOS DA GEOMANCIA CHINESA

Autor: Richard Creightmore


Parte 3 – Cosmologia, Elementos e Instrumentos do Feng Shui

11. Cosmologia Taoísta – O Dao gera o Espaço e o Tempo

O Feng Shui tradicional é fundamentado na metafísica taoísta. Tudo começa com o Wu


Qi – o Vazio Absoluto, o Mistério.
Do Wu Qi surge o Tai Ji – o Grande Pólo: a origem da dualidade Yin-Yang.
Do Tai Ji brotam os Quatro Movimentos (Si Xiang):
• Yuan (Origem),
• Heng (Força penetrante),
• Li (Reunião fecunda),
• Zhen (Raiz geradora).

Esses princípios invisíveis estruturam o Céu e a Terra, o tempo e o espaço.


Do movimento desses princípios surgem os Cinco Planetas (Wu Xing), o Sol, a Lua e
os Oito Trigramas.
O centro da casa, chamado Tian Chi (Poço Celeste), representa o Tai Ji — o ponto de
equilíbrio onde o eixo do Céu toca a Terra.

12. Ho Tu e Lo Shu – Os Diagramas Sagrados

Ho Tu – Diagrama do Céu Anterior (Early Heaven)


• Recebido pelo sábio Fu Xi em 2943 a.C., no dorso de um cavalo-dragão saído do Rio
Amarelo.
• Representa a ordem arquetípica do Céu, o plano invisível do Dao.
• Os números e trigrama estão organizados em pares harmônicos que criam os
Elementos.
• Utilizado para diagnóstico espiritual e orientação externa.

Lo Shu – Quadrado Mágico do Céu Posterior (Later Heaven)


• Revelado ao imperador Da Yu em 2205 a.C., no casco de uma tartaruga sagrada.
• É uma matriz numérica de 3x3 onde todas as linhas somam 15.
• Reflete o plano da matéria, o fluxo cíclico do Qi no mundo visível.
• Forma a base do Ba Gua do Céu Posterior, usado na arquitetura, astrologia, design
interno e ativação de espaços.
O Ho Tu é o mapa da essência espiritual do lugar.
O Lo Shu é o mapa do tempo e da transformação.

13. Os Cinco Elementos (Wu Xing) – Ciclos da Vida

Mais do que “elementos”, são fases de mutação do Qi:


1. Madeira (Mu) – crescimento, expansão.
2. Fogo (Huo) – calor, brilho, expressão.
3. Terra (Tu) – nutrição, estabilidade.
4. Metal (Jin) – estrutura, corte, ordem.
5. Água (Shui) – profundidade, silêncio, potencial.

Ciclo Criativo (Sheng):


Madeira → Fogo → Terra → Metal → Água → Madeira…

Ciclo de Controle (Ko):


Fogo → Metal → Madeira → Terra → Água → Fogo…

Toda cura, ativação ou correção no Feng Shui ocorre introduzindo o Elemento que
equilibra os demais, conforme esses dois ciclos.

Cada Elemento rege:


• Órgãos do corpo (fígado, coração, etc.),
• Emoções (raiva, alegria, medo, etc.),
• Formas (triângulo, quadrado, círculo),
• Cores (verde, vermelho, amarelo, branco, preto),
• Sons, sabores, estações, movimentos e até tipos de caligrafia.

14. Ba Gua – Os Oito Trigramas

Cada Trigrama (Gua) é uma combinação de três linhas, Yin ou Yang, que representam:
• Céu, Terra, Relâmpago, Lago, Montanha, Água, Vento e Fogo.
• Associados a direções, estações, membros da família, emoções, órgãos e elementos.

Ba Gua do Céu Anterior (Fu Xi):


• Representa a ordem ideal do universo.
• Utilizado para harmonizar com o macrocosmo (templos, túmulos, jardins).

Ba Gua do Céu Posterior (Wen Wang):


• Representa o fluxo cíclico do tempo e das forças.
• Utilizado para design interno e diagnóstico da vida cotidiana (casas, salas, quartos).

A aplicação do Ba Gua no espaço revela o mapa energético da alma da casa.


15. O Luopan – A Bússola Geomântica
• Luo = rede universal; Pan = prato.
• O Luopan é o instrumento sagrado do geomante chinês.
• Composto por uma base quadrada e um disco giratório com dezenas de anéis
concêntricos.
• No centro está o Tian Chi – a “piscina celeste”, com a agulha magnética.

O que o Luopan mede:


• Direções astrológicas,
• Trigramas (Ba Gua),
• Estrelas voadoras (Nine Stars),
• Ramos e caules celestes (Stems & Branches),
• Hexagramas do Yi Jing,
• As 24 Montanhas e as 64 divisões do céu.

Como se usa:
• Coloca-se o Luopan no centro do imóvel ou na porta principal.
• Alinha-se o eixo norte-sul com o corpo do edifício.
• Gira-se o prato até a agulha magnética estabilizar.
• Lê-se a energia de cada direção de acordo com os anéis do disco.

O Luopan é como uma bússola cósmica que traduza o Céu para a Terra.
É usado para ler a alma do lugar e identificar correções ou ativações necessárias.

Se desejar, posso seguir com a Parte 4, que abrange:


• As energias subterrâneas (Long Mai e Sha Qi),
• Formas do terreno e da casa,
• Preceitos de design interior e de jardins clássicos,
• Aplicações práticas com mapas, rituais e simbologias.

Deseja que eu continue nesse mesmo estilo?

Perfeito. A seguir, apresento a Parte 4, com foco nas energias invisíveis da Terra, nas
formas do terreno e da casa, nas estruturas interiores e no design simbólico dos jardins
clássicos chineses. Este trecho une técnica, espiritualidade e sensibilidade estética:

FENG SHUI – SEGREDOS DA GEOMANCIA CHINESA

Autor: Richard Creightmore


Parte 4 – As Formas, os Fluxos Subterrâneos e a Arte Sagrada do Espaço

16. Energias Subterrâneas – O Corpo Oculto da Terra


A Terra não é morta. Ela respira e pulsa com canais invisíveis de Qi – são os Long
Mai, as “veias do Dragão”.
Sob a superfície, esses fluxos podem ser interrompidos por construções, mineração,
escavações, rodovias e aterros, gerando bloqueios energéticos.

Os antigos mestres ensinavam:

“O corpo da Terra é como o de um ser humano: com ossos, sangue, órgãos e sopros.”

As perturbações mais comuns:


• Veios d’água subterrâneos,
• Fraturas geológicas,
• Antigos cemitérios ou campos de batalha,
• Locais de sofrimento intenso (matadouros, prisões, ruínas).

Essas regiões emitem Sha Qi, energia nociva, que sobe à superfície e pode gerar:
• Doenças crônicas,
• Distúrbios emocionais,
• Dificuldade financeira,
• Pesadelos ou sensações de “peso” no ar.

As soluções tradicionais incluem:


• Evitar construir nesses locais,
• Oferecer rituais aos espíritos do lugar,
• Usar Acupuntura da Terra – inserir objetos de pedra, metal ou madeira em pontos
específicos para desbloquear o fluxo do Qi.

17. Sha Qi – A Energia Nociva e suas Causas

Sha significa “veneno”, “ataque”. No Feng Shui, é tudo aquilo que interrompe, corta
ou acelera o Qi de forma violenta.

Fontes comuns de Sha Qi:


• Estradas retas direcionadas à porta (flechas de Qi),
• Cantos vivos de muros ou edifícios apontando diretamente à casa,
• T-junctions (ruas em forma de “T”),
• Entradas de vales estreitos ou passagens de vento entre prédios,
• Torres elétricas, antenas, cabos suspensos,
• Objetos simbólica ou visualmente agressivos (lixeiras, chaminés, postes tortos).

Curas e neutralizações:
1. Físicas (Ru Shi) – mudar a porta, levantar uma parede, plantar uma árvore, colocar
uma fonte.
2. Simbólicas (Chu Shi) – instalar espelhos Ba Gua, pedras sagradas com inscrições,
estátuas de guardiões (leões de pedra, tartarugas, etc.).

“A pedra que ousa resistir” — inscrição comum em pedras colocadas diante de pontes
ou cruzamentos para desviar o Sha Qi.

18. Formas do Terreno e do Lote

Terrenos ideais:
• Quadrados ou retangulares, orientados segundo os pontos cardeais.
• Frente mais baixa que o fundo, permitindo que o Qi entre suavemente e se acumule.

Terrenos problemáticos:
• Triangulares – favorecem o Qi de Fogo: causam instabilidade e conflitos.
• Irregulares – geram Qi caótico, disperso, difícil de conter.
• Com quinas faltantes – indicam “ausências energéticas” em áreas da vida (família,
saúde, trabalho).

Curas:
• Acrescentar jardins ou estruturas simbólicas nas partes faltantes,
• Usar espelhos, luzes, árvores ou fontes para “completar” simbolicamente a forma,
• Evitar que áreas da casa fiquem fora do campo energético principal.

19. Preceitos de Design Interior – Fluxo e Contenção

A casa deve ser como um corpo saudável: com entrada (boca), áreas vitais (coração,
estômago) e órgãos internos protegidos (quartos e banheiros).

Regras principais:
• A porta de entrada não deve se alinhar diretamente com a dos fundos: o Qi entra e
escapa.
• Evite escadas ou banheiros logo na entrada.
• Cuidado com quartos sobre cozinhas ou banheiros sobre a porta principal.
• Cantos vivos (paredes com ângulos agudos) geram “cortes de Qi”: neutralize com
plantas, tecidos ou objetos redondos.

Disposição dos móveis (Si Xiang aplicado ao interior):


• Cama: cabeceira contra a parede (Tartaruga), vista para a porta (Fênix), lado esquerdo
com movimento (Dragão), lado direito protegido (Tigre).
• Sofá e mesa de trabalho: mesma lógica.
• O centro da casa (Tai Ji) deve estar livre e limpo — nunca ocupado por banheiros ou
entulho.

20. Jardins Clássicos – O Tao materializado

O jardim chinês é uma reprodução do cosmos em miniatura. Ele busca:


• Harmonizar o Céu e a Terra,
• Criar movimento dentro da quietude,
• Representar montanhas com rochas e rios com canais,
• Equilibrar retidão com curvas, rigidez com poesia.

Elementos simbólicos:
• Portais circulares (Moon gates): representam o Céu.
• Espelhos d’água com pedras: representam a união do Yin e do Yang.
• Pavilhões e corredores sinuosos: guiam o olhar e o espírito, sem jamais revelar tudo
de uma vez.
• Caminhos em ziguezague: evitam que o Sha Qi entre direto.

“O jardim é um poema habitável”, dizem os mestres de Suzhou.

A disposição das plantas, das pedras e dos pavilhões segue o Ba Gua, respeitando
direções, funções familiares, ciclos de estação e Elementos.

Se desejar, posso agora preparar a Parte 5 – Apêndices práticos e aplicações rituais,


com base nos anexos do livro:
• Design de Pequim segundo os Oito Trigramas,
• Estrelas Voadoras (Nine Stars),
• Doze Ramos e Dez Troncos Celestes,
• Símbolos animais, direções e pronúncia chinesa tradicional.

Deseja que eu continue?

Perfeito. Aqui está a Parte 5, com os apêndices mais ricos do livro, que detalham a
aplicação prática e ritual do Feng Shui tradicional. Esta seção reforça como o Feng Shui
é uma arte cósmica de planejamento, profundamente simbólica, espiritual e meticulosa.

FENG SHUI – SEGREDOS DA GEOMANCIA CHINESA

Autor: Richard Creightmore


Parte 5 – Rituais, Mapas Sagrados e Apêndices Técnicos

21. O Design de Pequim – A Capital como Mandala Imperial

Na tradição chinesa, o design da capital imperial influencia o destino de todo o


império. A cidade é construída como uma representação da ordem celeste na Terra.

Pequim foi posicionada:


• Na cabeça do Dragão Montanhoso do Norte, com as colinas ao norte e oeste
canalizando o Qi para o centro.
• Com base no Ba Gua do Céu Anterior (Fu Xi) e nos Cinco Elementos:
• Sul (Fogo): Portão principal da cidade, sede da autoridade imperial.
• Norte (Água): Torres de tambor e sino para marcar os ciclos — simbolizam a fluidez
e o tempo.
• Leste (Madeira): Plantado um bosque para alimentar o crescimento espiritual e
intelectual.
• Oeste (Metal): Três lagos suavizam a energia bélica e cortante desse setor.
• Centro (Terra): O Palácio Imperial como ponto de equilíbrio, o Tai Ji da cidade.

“Cada direção é um órgão do corpo do Império, e o centro é o Coração do Céu na


Terra.”

Pagodes, torres, templos e pavilhões foram estrategicamente posicionados para atrair,


conter ou pacificar o Qi.

22. Os Dez Troncos Celestes (Heavenly Stems – Tian Gan)

São 10 arquétipos do Céu, usados para:


• Calcular datas propícias,
• Medir direções energéticas no Luopan,
• Nomear os ciclos temporais de 60 anos (combinados com os 12 Ramos).

Exemplos de significado:
• Jia (1): proteção, broto envolto, princípio masculino firme.
• Yi (2): nascimento, criatividade flexível.
• Bing (3): fogo vital do lar, generosidade.
• Ren (9): carga suportada, humildade, fertilidade.
• Gui (10): o arco tensionado, água fértil, semente do invisível.

23. Os Doze Ramos Terrestres (Earthly Branches – Di Zhi)

Marcam:
• As direções do espaço,
• Os 12 meses e as 12 duplas-horas do dia,
• Os anos do zodíaco chinês,
• E os pontos de distribuição do Qi terrestre.

Alguns exemplos simbólicos:


• Zi (1): rato, Solstício de Inverno, Yin gestando o Yang.
• Mao (4): lebre, Equinócio da Primavera, abertura.
• Wu (7): cavalo, Solstício de Verão, auge do Fogo.
• Hai (12): porco, união Yin-Yang, concepção.

Esses Ramos indicam os melhores momentos e direções para construir, enterrar ou


reformar.

24. As Sessenta Combinações (Jia Zi)


• Cada ciclo de 60 anos combina um Tronco Celeste + um Ramo Terrestre.
• Representam personalidades, destinos e climas astrológicos, essenciais para
astrologia tradicional e para escolher datas propícias.
• Exemplo: 1984 foi o ano Jia Zi 1, que combina Jia (macho madeira) com Zi (rato,
início do ciclo) — ano de novas sementes.

25. As 24 Montanhas
• No Luopan, o círculo é dividido em 24 divisões de 15° cada.
• Cada uma representa uma direção específica com qualidade energética própria,
associada a Estações, Troncos, Ramos, Trigramas e Elementos.
• Serve para ajustar a direção de portas, janelas e prédios inteiros.

26. As Estrelas Voadoras (Nine Stars – Jiu Xing)


• Cada número de 1 a 9 representa uma estrela do Grande Carro (Ursa Maior).
• Elas se movem em ciclos anuais, mensais e diários, mudando de posição no quadrado
mágico Lo Shu.
• Cada estrela carrega:
• Um Elemento,
• Um aspecto da sorte (positiva ou negativa),
• Uma área da vida (relacionamentos, dinheiro, saúde, autoridade, etc.).

A técnica das Estrelas Voadoras permite identificar em que cômodo estará a energia
mais próspera ou perigosa de um determinado ano.

27. Oito Presságios da Casa (Eight House Portents)


• Técnica baseada no número gua pessoal (segundo a data de nascimento).
• Classifica cada direção como:
• Favorável (vida longa, riqueza, estabilidade, harmonia),
• ou Desfavorável (obstáculos, doenças, separações, ruína).
• Usada para ajustar a posição da cama, fogão e porta de entrada conforme a pessoa.

28. Simbolismo Animal

Cada animal usado no Feng Shui tradicional representa virtudes espirituais e forças
arquetípicas:

Animal Simbolismo Tradicional


Dragão Vitalidade yang, poder criador, nobreza
Tigre Instinto, coragem, proteção feminina
Fênix Renovação, elegância, boas novas
Tartaruga Sabedoria ancestral, proteção espiritual
Serpente Transmutação, visão oculta, conhecimento
Leão Guardião de portais, domador do caos
Cervo Longevidade e nobreza espiritual

Esses animais são frequentemente esculpidos em:


• Telhados,
• Portões,
• Pátios internos,
• Estátuas dianteiras (leões guardiões).

29. Pronúncia Tradicional Chinesa (Pinyin)

O livro também inclui um apêndice com a pronúncia correta dos principais termos
chineses, como:
• Qi – “tchi” (energia),
• Gua – “guá” (trigrama),
• Shui – “shuei” (água),
• Luopan – “lôu-pan” (bússola sagrada),
• Dao – “tau” (caminho, via sagrada),
• Ba Gua – “bá-guá” (oito imagens do cosmos).

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