Teste de Aprendizagem Auditivo – Verbal de Rey –
RAVLT
Leandro Fernandes Malloy-Diniz, Jonas Jardim de Paula
Idade: 06 a 92 anos com capacidade linguística preservada
Escolaridade: Crianças do primeiro ao sexto anos escolar
do Ensino Fundamental
Aplicação: Individual
Tempo: sem limite de tempo, em média 40 minutos
considerando as etapas de evocação tardia e
reconhecimento. Entre as primeiras etapas e as últimas
tem um intervalo de 20 minutos, que pode ser utilizada
para outros procedimentos
Indicação: Avaliar a memória declarativa episódica e
fornecer informações sobre as medidas de aprendizagem
auditivo-verbal, índices de interferência e de retenção de
informações e memória de reconhecimento. O teste é
particularmente útil na detecção de dificuldades
relacionadas à memória em transtornos mentais e
síndromes neurológicas, incluindo epilepsia, demência,
transtorno bipolar, depressão maior, dentre outros.
Descrição: É um teste neuropsicológico que utiliza uma
lista de palavras simples, de alta frequência no português
brasileiro, com etapas de evocação imediata, evocação
tardia e tarefa de reconhecimento. O instrumento possui
padrões de aplicação, registro, pontuação e interpretação e
normas de desempenho por idade.
Recuperação de memória deliberada = ou conscientes,
processos explícitos; sistema declarativo, depende de um
esforço voluntário; Testagem envolve tarefas de demanda
direta;
Recuperação de memória não deliberada = não
conscientes, processos implícitos; memória não
declarativa, a evocação não é voluntária; Testagem envolve
medidas indiretas como tarefas de priming positivo ou
negativo
A classificação de memória é um pouco mais didática do
que prática, porque na realidade mais de um tipo de
memória está sendo utilizado para uma mesma situação.
1. A exposição sucessiva de uma lista de palavras
contendo 15 substantivos. A cada exposição, o sujeito
deveria lembrar das palavras da lista
2. Após a 5 evocação das palavras dessa lista, era
apresentado ao sujeito uma nova lista de palavras
contendo também 15 substantivos, que igualmente
deveriam ser lembrados em seguida;
3. Após esta lista de interferência, cabia ao sujeito
lembrar novamente as palavras da primeira lista,
agora, sem apresentação
4. Por fim, o examinador lia uma história ao participante
na qual estavam embutidas as palavras anteriormente
aprendidas. Cabia agora, ao participante, identificar
corretamente as palavras que havia ouvido
anteriormente enquanto o examinador lia a história.
Adicionadas posteriormente:
5. Da tarefa de evocação tardia (após 30 min), usando a
lista de 15 substantivos
6. Inserção da tarefa da memória de reconhecimento em
que o sujeito deve identificar as palavras
anteriormente aprendidas em uma lista que contém
tais palavras e alguns distratores
VERSÃO BRASILEIRA – APLICAÇÃO
- Lista A (15 substantivos) é lida em voz alta para o sujeito
com um intervalo de 1 segundo entre as palavras, por 5
vezes consecutivas – tentativas de A1 a A5 – cada leitura é
seguida por um teste de evocação espontânea, devendo ele
falar o máximo de palavras que se lembrar (pode repetir
palavra e a ordem não importa, mas só pontua uma vez e
deve-se fazer as 5x)
A1:
Marcar um x na folha de aplicação a cada palavra acertada
na coluna da vez da tentativa – pode-se marcar a ordem de
acerto, caso queira avaliar qualitativamente a estratégia,
assim como as palavras ditas não listadas pelo sujeito,
assim como as faladas que não estavam na lista.
Falsos positivos são importantes para parafasias
semânticas e literais.
- Não dar dica de número de respostas corretas, repetições
ou erros
- Quando informar que não se lembra mais ou ficar 10
segundos sem dizer uma palavra da lista, deve falar que vai
ler novamente
A2:
A3 a A5:
A ordem de apresentação das palavras é fixa em todas as
tentativas
Depois de A5, uma lista de inteferencia (lista B) é lida pro
sujeito sendo seguida de evocação (B1)
Após B1 pede pro sujeito evocar a lista de palavras A, sem
apresenta-las (A6)
Após um intervalo de 20 minutos – preenchido de outras
atividades que não demandem raciocínio verbal – pede-se
que o sujeito evoque a lista A novamente sem apresentação
(A7)
Não avisar que ele deve guardar as palavras!
Após A7 é aplicado o teste de memória de reconhecimento,
onde é lida uma lista com as 30 palavras das duas listas,
mais 20 distratores e o sujeito deve indicar aquelas que
pertencem ou não a lista A
Marcar as respostas com S- sim ou N-não na folha de
aplicação
CORREÇÃO
A1 – A7 + B1 = Total de pontos é o número de palavras
ditas corretamente. Sem contar repetições
Memória de reconhecimento: Soma de todos os acertos
(palavras da lista A e palavras não pertencentes a A
identificadas corretamente que são 35 (distratores)
Falsos negativos (distratores)
Falsos positivos (lista A não identificados)
Índices de Aprendizagem: quanto mais alto o resultado
melhor foi
Escore Total – soma das 5 tentativas de aprendizagem.
Representa de forma geral a capacidade do individuo de
reter e recuperar o conteúdo
ES= A1+A2+A3+A4+A5
Aprendizagem ao Longo das Tentativas (ALT) – O quanto o
sujeito conseguiu aprender ao longo do teste controlando-
se o efeito da tentativa A1 (capacidade de repetição
independentemente de estímulos sucessivos)
ALT= ES – (5 x A1)
Índice de retenção: Índice de velocidade de esquecimento,
que estima quanto conteúdo se mantém entre evocações de
curto e longo prazo – vulnerabilidade do conteúdo evocado
em curto prazo – quanto menor o valor mais conteúdo se
perdeu entre as etapas A6 e A7
VR = A7/A6
Índice de interferências=
Índice de interferência proativa – quanto o conteúdo
aprendido anteriormente influencia a aprendizagem de
novo conteúdo – escore mais elevado indica que o conteúdo
aprendido ao longo da tarefa facilita aquisição de novas
informações
IP= B1/A1
Índice de interferência retroativa – quanto o contato com
novas informações interfere na recuperação de um
conteúdo previamente aprendido- escores mais elevados
sugere que novo conteúdo interfere na recuperação de
informações previas aprendidas
IR= A6/A5
GUIA DE INTERPRETAÇÃO DOS PERCENTIS
A nomenclatura e faixa de interpretação depende de cada
autor e de área.
Após pontuação utilizar a tabela normativa da faixa etária
e transformar os valores brutos em percentil. Caso não
haja o valor bruto, deve considerar a faixa de percentil.
Também utilizar escores-padrão com base na média e no
desvio padrão esperado para idade. O escore Z pode ser
calculado subtraindo a média esperada da idade
do desempenho do individuo, dividindo o
resultado pelo desvio-padrão, o resultado
representa a distância em desvios-padrão do paciente com
a amostra normativa.
- No Brasil, a interferência proativa (medida de atividade
hipocampal, CA3 e girodentado) tem sido constatada em
jovens com binge driking (consumo excessivo de álcool em
um curto período de tempo pra alcançar o estado de
embriaguez) e em casos de uso de meta, cannabis e
inalantes;
- Retroativa: Pacientes com Alzheimer e esquizofrenia
(CA3, CA1, circuito frontoestriatais)
NORMAS BRASILEIRAS
O esperado é que o desempenho aumente conforme a
idade, alcançando o auge em jovens adultos e demonstrar
declínio com a velhice. Efeito polinomial (quadrático)