Fundamentos da Tecnologia de Refratários
Fundamentos da Tecnologia de Refratários
Coordenação
FUNDAMENTOS À TECNOLOGIA
DE REFRATÁRIOS
Volume I
Todos os direitos reservados pela Editora Edgard Blücher Ltda. Índices para catálogo sistemático:
1. Siderurgia
seja, quantos quilos de refratários são necessários para se produzir certa quantida-
de daquele bem. A Figura 1.4 mostra a evolução do consumo específico de refratá-
rios na siderurgia de alguns países. No começo deste século, enquanto o Japão,
Estados Unidos e Brasil já tinham alcançado um consumo específico de 8kg/t de
aço em usinas integradas, resultado do grande avanço tecnológico ocorrido em
refratários e das melhorias operacionais havidas nos clientes, a China tinha núme-
ros superiores a 20kg/t, em função de que parte da sua siderurgia estava obsoleta.
50
Projeção
40
Produção de refratários, milhões de t
30
20
10
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
O Resto do mundo a China Ano
50
45
$ 42.41
$ 40.50
40 $ 38.70
$ 35.38 $ 36.99
35 $ 33.83
$ 32.36
$ 29.67 $ 30.95
30 $ 28.45
$ 27.26
US$, Bilhões
25
20
15
10
0
2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
América do Norte
3.700
Oeste Europeu
3.920
Leste Europeu
Ásia
3.920
31.015
Milhões de t
Uma indústria de cimento típica, por outro lado, tem consumo específico próximo
a 1kg/t, uma indústria de vidro tem 4kg/t e uma indústria de cobre, 3kg/t.
60
50
China
40
Kg/t de aço
30
Estados Unidos Brasil
20
Japão
10
0
1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2002 2004
Anos
50 1,100
45
Produção de aço
900
40
35
700
Produção de refratários (milhões de t)
25 500
20
Refratários moldados
300
15
10
100
Refratários monolíticos
5
0 -100
2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 2016 2018 2020
Ano
50
45
Pico
refratário Global
40 ~34-35Mt
35
30
Milhões de t
25 Outros países
~17Mt
20
15
10 China
~17Mt
0
2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030
Esses números variam para cada país, dependendo, na maioria das vezes, de suas
vantagens competitivas. A Tabela 1.1 mostra, por exemplo, para o ano de 2002,
como essa participação estava em países da América Latina em função de condi-
ções específicas locais, destacando os segmentos que mais demandam refratários
em cada país.
Outros; 5%
Química; 4%
Vidro; 4%
Não ferrosos; 5%
Cerâmica; 5%
Siderúrgica; 70%
Cimento; 7%
Figura 1.7 Percentual de consumo de refratários por segmento industrial na América Latina.
Fonte: Adaptada de (7).
Tabela 1.1 Percentual de consumo de refratários por segmento industrial na América Latina em 2002.
Argentina 75 12 6 2 1 4
Brasil 71 9 8 3 1 8
Chile 43 6 40 4 1 6
Colômbia 56 31 4 1 5 3
México 58 20 5 4 8 5
Perú 37 15 37 1 1 9
Venezuela 69 8 8 1 7 7
Tabela 1.3 Produção mundial de importantes bens industriais consumidores de refratários (t x 1000).
Bem industrial Aço Gusa Liga direta Cimento Cobre Alumínio Ferroliga
(Continua)
Tabela 1.3 Produção mundial de importantes bens industriais consumidores de refratários (t x 1000). (Continuação)
Bem industrial Aço Gusa Liga direta Cimento Cobre Alumínio Ferroliga
Congo 1.900
Finlândia 493
Peru 400
Zâmbia 380
refratários no País é de 450.000t anuais, sendo que desse total, 320.000t vão para a
indústria siderúrgica (71%) e 40.000t, para a indústria do cimento (9%), conforme
Tabela 1.1. Estima-se que o Brasil ainda exporte cerca de 50.000t de refratários por
ano, além de grande quantidade de matérias-primas refratárias, principalmente
sínter de MgO.
● Ferro-nióbio 79 68 90 96 92
Tabela 1.5 Consumo específico de refratários típico em uma usina integrada de produção de aço.
Alto-forno
5.000 100
Monilíticos x 1000t
4.500 90
Tijolos x 1000t
4.000 81,1 % Tijolos 80
% Monolíticos
68,3 69,7
3.500 70
701 66,2
Produção de refratários × 1.000t
65,1
58,9
3.000 60
56,5
% de Produção
52,7 55,0
2.500 47,3 50
878 45,0
43,5
907 41,1
2.000 40
34,9 33,8
31,7 30,3
1.500 3.010 868 30
836
845
1.000 1.888 782 20
18,9 1.693
712 698
1.129
500 932 10
692
545
364 304
0 0
1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010
1 2 3 4 5 6 7 8 9
14,2
10,2 21,7
1,6 4,5
50% 7,1
14,2 9,0
19,0
16,7 8,5
40% 59,8 18,0
8,0 8,6
53,1 19,2
30%
49,0 20,7
20,3
20% 37,7
34,9
28,9
24,2
10% 23,1 21,6
8,6 3,9
3,9 1,8 0,7 0,7 0,5 0,2 0,4
0%
1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010
100%
90%
26,5 27,6
35,2
80% 41,5 42,1
45,4 44,1 45,4 43,4
70% 4,9
10,4
13,0
% Produção de refratários monolíticos
60%
13,7
11,1
50% 17,6
19,1 12,6 17,3 22,3 24,4
24,2 24,7
40%
12,3
30% 10,6 14,7
16,2
16,5 19,7 22,9
20%
25,9
10%
0%
1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010
Ano
% Concretos % Plásticos
% Massas de projeção % Massas de socar
% Massas de cobertura % Outros monolíticos
(milhões de t)
Alumina calcinada 2%
Alumina tabular 2%
Minoritários
Dolamita 3%
Grafita ≤ 1%
Chamotes Cimento aluminato de cálcio
Alumina fundida marrom 3% refratários Grupo da silimanita (inclui andaluzita)
46% Cromita
Bauxito calcinado 2%
Alumina fundida branca
Zirconita
Reciclados refratários 7% Magnésia
Carbeto de silício
26%
Sílica
Espinélio
Olivina
Zirconita
SiC
Grafita
Espinélio
A. F. B.
Milhões de t
A. F. M.
Mulita
Sínter/EI.
Cianita
Andaluzita
Bauxito
Cromita
0 500 1000 1500
US$/t
Europa China
Aluminas Rússia Aluminas
Canadá Aluminas Bauxito
Grafita Andalusita
MgO MgO MgO
Estados Unidos Dolomita SiC Argilas Japão
Aluminas Olivina Grafita Aluminas
Dolomita SiC Chamotes MgO
Chamotes Espinélio SiC SiC
Cianita
Espinélio
SiC Mexico Zircônia
Espinélio MgO Índia
Zirconita Aluminas Vietnã
Guiana Grafita SiC
Bauxito
Perú
Andalusita Moçambique
Grafita; Zirconita
Austrália
Brasil Madagascar MgO
Aluminas África do Sul Grafita Zirconita
Bauxito Andaluzita
Mgo Cromita
Grafita Zirconita
SiC
A Figura 1.14 mostra a evolução das exportações da China das principais maté-
rias-primas refratárias e a Figura 1.15 mostra a projeção de produção e exportação
de produtos refratários pelo País. Será que a redução da demanda de produtos na
China não levará a um aumento nas exportações de refratários pela indústria
chinesa?
A Tabela 1.7 mostra como a produção de matérias-primas refratárias impacta a
emissão de CO2 na atmosfera, sendo, portanto, um grande desafio para a indústria
de refratários reduzir essa emissão. Um dos caminhos é, sem dúvida, a busca por
reciclagem de refratários.
(milhões de t)
4,500,000
4,000,000
3,500,000
3,000,000
2,500,000
2,000,000
1,500,000
1,000,000
500,000
0
2016 2017 2018 2019 2020 2021
Sínter MgO Bauxito Alumina fundida escuro MgO fundido SiC Grafita
30
7,5
15
1,6
7
10 6
15 13,1
5 9,6
7
0
2020 2030 2040 2050
Siderurgia Outros mercados Exportação
(Continua)
Alumina calcinada 0 1 1
Imposto;
20%
Matéria-prima;
40%
Transformação;
20%
Mão de obra;
15%
Anti-oxidantes Cromitas
3% 3%
Resinas Cimentos
9% 1%
Carbeto de solício
3% Sinter de MgO
Grafitas 25%
4%
Espinélios
5%
Chamotes sílico-aluminosos
5%
Outras
Bauxitos
16%
6%
Chamotes aluminosos
7%
MgO eletrofundido
Aluminas fundidas
10%
9%
REFERÊNCIAS
(1) FLOOK, R. Refractory evolution – implication for bauxite and alumina. In: 3rd Asian
Conference on Bauxite and Alumina, Singapore, October 2013.
(2) Internet: [Link].
(3) Internet: Freedonia Group; American Ceramic Society, 2012.
(4) SEMLER, C. E. The sleeping giant (China) has awakened. Refractories Application and
News, v. 11, n. 4, 2006.
(5) FLOOK, R. China refractories outlook. China Refractory Mineral Forum, 2022.
(6) FLOOK, R. [Link], 2017.
(7) DUARTE, A. K. Curso de Fundamentos em Refratários. Santiago do Chile, out. 2015.
(8) DUARTE, A. K.; TORRES, A. A.; TRAVASSOS, R.; BITTENCOURT, P. R. H. M. The
brazilian refractory industry: a market review. Ceramic News, v. 6, n. 3, p. 87-89, 1999.
(9) Internet: Minerals Yearbook USGS, 2022.
(10) DICKSON, T.; FLOOK, R. Refractory minerals overview. [Link], 2022.
(11) Internet: [Link], 2015.
(12) DRISCOLL, M. Global refractory mineral supply trends & outlook. In: Alafar Congress,
Foz do Iguaçu, Brasil, 2022.