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Consolidação Óssea e Complicações em Fraturas

O documento descreve o processo de consolidação óssea, incluindo as fases de hematoma, calo mole, calo duro e remodelação, além de discutir complicações como pseudoartroses e consolidações viciosas. Também aborda a avaliação clínica e radiológica em traumatologia e a importância do exame radiográfico no diagnóstico de fraturas. Por fim, apresenta diretrizes para a prescrição de exercícios terapêuticos em cada fase de cicatrização óssea.

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Consolidação Óssea e Complicações em Fraturas

O documento descreve o processo de consolidação óssea, incluindo as fases de hematoma, calo mole, calo duro e remodelação, além de discutir complicações como pseudoartroses e consolidações viciosas. Também aborda a avaliação clínica e radiológica em traumatologia e a importância do exame radiográfico no diagnóstico de fraturas. Por fim, apresenta diretrizes para a prescrição de exercícios terapêuticos em cada fase de cicatrização óssea.

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FECHAMENTO 2

1. Descrever como funciona o processo de consolidação óssea?


Avaliação radiográfica da influência do enxerto omental livre autógeno sobre falhas ósseas
do terço médio da diáfise do rádio de coelhos

A maioria das fraturas esqueléticas se consolidam em média durante 8 semanas sem


grandes preocupações clínicas, salvo se não houverem fatores que comprometam este
restabelecimento tecidual, como neoplasias (MARSELL; EINHORN, 2011; SICCO;
TASSO, 2017).

3.1.1 Tipos de consolidação óssea

[Link] Consolidação Primária:

Também chamada de Endocondral, ocorre no osso tipo esponjoso, peculiar a alguns ossos ou na região
metafisária dos ossos longos. Neste tipo de consolidação, não há formação de calo ósseo. Para que ocorra
no osso do tipo cortical, necessita que o método utilizado para estabilização óssea não permita mobilidade
no foco de fratura (estabilidade absoluta ) (2,3).

[Link] Consolidação Secundária:

Recebe também a denominação de Intermembranosa, acontece, exclusivamente, no osso cortical. Neste


tipo de consolidação sempre há formação de calo ósseo. Necessita que o método utilizado para
estabilização óssea permita mobilidade no foco de fratura (estabilidade relativa) (2,3).

HEMATOMA
1. Hematoma: o sangramento quando ocorre a fratura leva a cascata de
coagulação que forma um hematoma. Há liberação de citocinas que estimulam
a fase inflamatória. Quando ocorre a fratura o médico busca aproximar as
extremidades que se fraturaram para estabilizar o osso e obter uma melhor
consolidação.
2. Inflamatório: No processo inflamatório nosso corpo irá reagir a estímulos que
podem ser danosos e afetem a homeostase. No caso das fraturas, ocorre o
hematoma e no processo de inflamação é como se ele fosse limpo por células do
sistema imune, como neutrófilos e monócitos. Essa resposta é gerada pela
liberação de algumas substâncias proveniente dos tecidos. O processo de
hematoma e inflamação dura em média 2 semanas.

CALO MOLE

osteoclastos e fibroblastos convertem o hematoma em tecido de granulação. Nessa


fase é iniciada a formação de tecidos conjuntivos, como a cartilagem, e formação
de capilares (angiogênese). Esse estágio ocorre aproximadamente três semanas após
a fratura, onde há início de formação do calo ósseo, que é o tecido que vai permitir a
união e dar consistência à zona fraturada. A dor e o edema diminuem e os fragmentos
não conseguem se mover. Ao final desse estágio a estabilidade presente no local
afetado já é adequada para se prevenir o encurtamento. Deve-se tomar cuidado extra
pois ainda é possível que haja angulação no local da fratura.

Essa fase é importante porque o tecido fibrocartilaginoso vai servir como uma cola
biológica que vai aproximar as extremidades ósseas e aumentar a estabilidade do
segmento. Além disso, como falamos anteriormente, neoformação vascular vai estar
dando suporte com substâncias importantes para as próximas fases, como o cálcio.
Importante ressaltar que nesse estágio ainda NÃO há a consolidação de fraturas, já que
para ser consolidado é necessário que o tecido fibrocartilaginoso seja substituído por
tecido ósseo.

CALO DURO

Nessa fase ocorre a consolidação de fraturas, com a formação do calo ósseo, que
é como uma estrutura anelar em volta da fratura que está consolidando.

Nessa fase, o tecido ósseo ainda não é maduro, pois será feito o processo de
remodelação. O calo mole é convertido em um tecido calcificado e rígido por meio
de ossificação intramembranosa e da ossificação endocondral de aparecimento
mais tardio, na fase final de formação do calo ósseo a partir de condrócitos que se
diferenciam das células indiferenciadas. A ação dos osteoblastos (células
responsáveis pela produção de tecido ósseo) é muito importante nessa fase, já que
produzem uma nova matriz óssea. Inicialmente essa matriz é desordenada e irregular,
provocando a formação de um calo ósseo calcificado.

REMODELAÇÃO

A cartilagem é substituída por osso e o osso esponjoso é convertido em osso compacto,


e assim o calo é remodelado, devido a ação conjunta de reabsorção de osso pelos
osteoclastos e formação de ossos pelos osteoblastos. A remodelação depende de
vários fatores, como idade, sexo, região da fratura, osso fraturado
Alguns fatores podem atrasar ou mesmo impedir a união dos fragmentos ósseos, como
a severidade e a localização da fratura, a natureza do suprimento sanguíneo para o osso,
a extensão da lesão em tecidos moles, perda óssea, contato com o ar e contaminação,
ou mesmo presença de tumor. Outros fatores sistêmicos podem estar envolvidos,
como alcoolismo, fumo, idade e diabetes.

2. Esclarecer como é feita a avaliação clínica, física e radiológica


em traumatologia?

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a. Testes de Amplitude de Movimento (ADM):

Avaliação da extensão e limitações dos movimentos articulares em diferentes articulações.

b. Testes de Força Muscular:

Avaliação da força muscular em grupos musculares específicos relacionados à condição do paciente.

c. Testes Neurovasculares:

Avaliação da função neurológica e vascular para garantir a integridade do sistema nervoso periférico e
do suprimento sanguíneo.

d. Escala de Dor:

Utilização de escalas de avaliação da dor para quantificar a intensidade da dor relatada pelo paciente.

e. Testes Funcionais Específicos:

Realização de testes que reproduzem atividades específicas para avaliar a capacidade funcional do
paciente em situações práticas.

A IMPORTÂNCIA DO EXAME RADIOGRÁFICO PARA O DIAGNÓSTICO DE FRATURAS


RADICULARES

radiologia é ainda uma forma eficaz, após diagnóstico, de controlar e acompanhar a


evolução do paciente no durante e pós-tratamento.
3. Identificar possíveis complicações em casos de fratura? (
Pseudoartroses, consolidação viciosa e consolidação retardada)
Avaliação radiográfica da influência do enxerto omental livre autógeno sobre falhas ósseas
do terço médio da diáfise do rádio de coelhos

• Convencionalmente, se a cura da fratura não for detectável a 4 meses, a


fratura pode ser considerada como uma união tardia. Se a falha na
consolidação da fratura persistir por mais de 6 meses, ela pode ser
considerada como não sindicalizada. A ocorrência de fraturas pode
desencadear diversas complicações no tocante às estruturas adjacentes ao
local acometido e à sua consolidação.

Fatores de risco para o desenvolvimento de pseudoartrose: uma revisão


integrativa

A pseudoartrose, complicação relativamente comum das fraturas, consiste em


uma falha na consolidação e é caracterizada pela persistência da fratura e
cessamento do processo de restauração óssea (REIS;HUNGRIA NETO; PIRES,
2005).

A etiologia dessa doença é multifatorial e fatores como vascularização


prejudicada e instabilidade mecânica são enxergados como importantes
desencadeadores da mesma, aliado a não adesão adequada ao tratamento e a
existência de neuropatia. Nesse contexto, os traumas geradores de fraturas
causam danos ao sistema de aporte sanguíneo, já o fator de instabilidade
mecânica, o qual refere a redução da fratura, pode gerar micromovimentos
prejudiciais ao processo de restauração do osso. Outro fator contribuinte para
a consolidação óssea é o grau de acometimento neurológico da região -
resultante do trauma ou de comorbidades preexistentes, como diabetes e
hanseníase -, bem como deve-se levar em consideração o pós-operatório, sendo
importante avaliar fatores do estilo de vida do indivíduo (RÜEDI; BUCKLEY;
MORAN, 2009). Assim, a correlação entre a pseudoartrose e a inabilidade
orgânica em proceder com a consolidação óssea de forma exclusiva é errônea,
destacando-se como um dos principais fatores que prejudicam o tratamento
adequado da situação (REIS;HUNGRIA NETO; PIRES, 2005).

A pseudoartrose é dividida em quatro tipos, sendo eles: hipertrófica, avascular


com ou sem perda óssea, atrófica e sinovial. Hipertrófica caracteriza-se
principalmente pela instabilidade mecânica que impede a restauração
adequada do osso, já a avascular é gerada pela desvascularização dos
fragmentos ósseos próximos ao local acometido. A classificação em atrófica se
dá pela reabsorção óssea gerada pela instabilidade, impossibilitando a formação
do calo ósseo apesar da vascularização estar íntegra, enquanto a sinovial ocorre
quando há movimento na região da fratura, gerando a criação de uma articulação
fibrocartilaginosa falsa (RUEDI, BUCLEY, MORAN, 2009).

O tratamento dessa complicação deve cessar a dor do paciente, promover a


adequada consolidação óssea com alinhamento correto e devolver a
funcionalidade do membro afetado, sobretudo, proporcionando
estabilização para a fratura (RÜEDI; BUCKLEY; MORAN, 2009).

Vários fatores locais podem levar a anomalias de consolidação, tais como


imobilização inadequada(1,5,13,27), perda de substância óssea(16), infecção
óssea(12), suprimento sanguíneo deficiente dos fragmentos(22,23,24) e
osteossíntese mal efetuada(17), além de fatores gerais, como: idade, tipo de
osso, localização da fratura no osso e a própria constituição do paciente(25).

Tratamento da pseudartrose diafisária do úmero com placa de compressão


AO 3,5 mm e aparelho gessado toracobraquial

CONSOLIDAÇÃO VICIOSA DA FRATURA DO RÁDIO DISTAL: OSTEOTOMIA CORRETIVA


POR MEIO DE PLANEJAMENTO PROTOTIPAGEM EM IMPRESSÃO 3D.
• Em geral, consolidações viciosas são causadas por redução imprecisa ou por
imobilização ineficaz durante o processo de consolidação. Na maioria das
vezes, esses problemas podem ser prevenidos pelo tratamento competente de
fraturas recentes; contudo, em alguns casos ocorre consolidação viciosa,
apesar do tratamento mais especializado.

Fratura com consolidação viciosa é aquela que consolidou com os fragmentos em uma
posição não-anatômica. Se a deformidade tem má aparência ou não, ela pode
comprometer a função de diversos modos.

A consolidação viciosa do rádio distal pode causar limitações funcionais em variados


graus, dependendo do tipo de deformidade. A 3 Introdução perda da inclinação radial
do rádio distal (valor normal de 22 graus) (HAASE & CHUNG, 2012) leva a deformidade
cosmética do punho, além de uma correlação direta com a perda da força de preensão
(JENKINS & MINTOWT-CZYZ, 1988). A diminuição da inclinação palmar (valor normal
de 11 graus) (HAASE & CHUNG, 2012) está associada à diminuição do arco de flexo-
extensão do punho, além de instabilidade radiocarpal ou mediocarpal e incongruência
da articulação radioulnar distal (DELCLAUX et al., 2016). Tanto a diminuição do
comprimento radial quanto o aumento da variância ulnar são medidas relacionadas ao
encurtamento do rádio distal, o que leva ao impacto ulnocarpal e à incongruência da
articulação radioulnar distal, com consequente limitação de rotação do antebraço, e
dor na borda ulnar do punho (ADAMS, 1993).Nos casos em que há incongruência
articular radiocarpal, há tendência para o desenvolvimento degenerativo precoce
(KNIRK & JUPITER, 1986).

Reconsiderações sobre o tempo de consolidação das fraturas na picnodisostose


• Em ossos normais, uma união é considerada atrasada quando a consolidação
não ocorreu na média hábil para o local e tipo de fratura (normalmente de três a
seis meses). O diagnóstico de não-união é injustificado até evidência clínica
ou radiológica mostrar que a consolidação parou e que a união é altamente
improvável. O status final de uma fratura não-unida é a formação de uma
pseudartrose. Judet e Judet diferenciaram dois tipos básicos de pseudartroses:
as hipertróficas (capazes de uma reação biológica) e as atróficas (incapazes
desta reação)(9).

Apesar das causas do retardo de consolidação e da pseudartrose serem


desconhecidas, vários fatores sistêmicos e locais contribuem para o seu
desenvolvimento, a saber: tipo e local de fratura, se há infecção, tipo de fixação, tempo
de imobilização, uso de álcool e tabaco, estado metabólico e nutricional do paciente,
osso irradiado ou com alguma alteração constitucional.

4. Explicar como é feita a prescrição adequada de exercício


terapêutico na consolidação óssea de acordo com as fases de
cicatrização e tipos de osteossíntese?
1. Fases de cicatrização óssea
A cicatrização óssea ocorre em três fases principais:
🟡 Fase inflamatória (1 a 7 dias)

• Características: formação de hematoma, início da resposta inflamatória,


recrutamento celular.
• Objetivos terapêuticos:
o Controle da dor e edema.
o Preservação da amplitude de movimento (ADM) das articulações
vizinhas.
o Prevenção de atrofia muscular.
• Exercícios indicados:
o Isométricos suaves do membro afetado (quando tolerado).
o Ativos e ativos-assistidos dos segmentos não imobilizados.
o Mobilização precoce de articulações adjacentes.

🟠 Fase de reparo (7 a 21 dias até 6 semanas)

• Características: formação do calo mole → calo duro → início da ossificação.


• Objetivos terapêuticos:
o Estimular formação óssea sem romper o calo.
o Manter ou recuperar a ADM.
o Estimular força e função de forma progressiva.
• Exercícios indicados:
o Ativos assistidos → ativos do segmento lesionado, conforme dor e
estabilidade.
o Mobilizações passivas graduais (se autorizado pelo médico).
o Exercícios isométricos de maior intensidade.
o Exercícios resistidos leves para musculatura ao redor (sem carga direta
na fratura).

🟢 Fase de remodelamento (6 semanas a 6 meses ou mais)

• Características: reorganização do calo ósseo em osso lamelar, retorno da


resistência mecânica.
• Objetivos terapêuticos:
o Restaurar força, função e resistência completa.
o Prevenir rigidez articular e perda funcional.
• Exercícios indicados:
o Resistidos progressivos (peso livre, elásticos, máquinas).
o Propriocepção e equilíbrio (membros inferiores).
o Treino funcional (andar, agachar, correr, etc.).
o Retorno gradual à atividade ocupacional e esportiva.

🔩 2. Influência do tipo de osteossíntese


O tipo de fixação da fratura (placas, parafusos, hastes, fixadores externos) influencia a
estabilidade e, portanto, quando e como iniciar o movimento e a carga:

✔️ Osteossíntese estável (rigidez suficiente)

Exemplos: placas com parafusos bloqueados, hastes intramedulares com travamento.

• Permite mobilização precoce e carga parcial conforme tolerância.


• Exercícios podem ser iniciados ainda na fase inflamatória, com progressão mais
rápida.

⚠️ Osteossíntese instável (sem bloqueio rígido)

Exemplos: fixadores externos simples, fios de Kirschner.

• Requer mais cautela.


• Mobilização ativa e carga devem ser postergadas até início da formação de calo
ósseo.
• A progressão é mais lenta e supervisionada.

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