Para o dia seguinte, meu pai
ficou de me levar novamente
à escola. Ele costumava fazer
isso na primeira semana de
aula, principalmente quando
começava em uma nova
instituição. Fui dormir
intrigada com a folha que
tinha encontrado na minha
agenda. Quem havia colocado
aquele papel lá? E que
pergunta sem sentido era
aquela “Quem é você?".
Como assim: quem sou eu?
Nada se compara ao primeiro dia quando se trata de emoções e
ansiedade. Na semana que se seguiu me sentia mais calma e aos
poucos conseguia perceber melhor todo ambiente.
No carro, meu pai ficou perguntando o motivo do meu silêncio. Mas
eu não estava com vontade de conversar. Eu disse que não queria
trocar de escola novamente. Além disso, ele não me entende. Vive
dando conselhos, mas não sabe o que acontece comigo.
• As mudanças me incomodavam e
esta era a terceira escola em
menos de um ano. Além das
mudanças de escola por causa do
trabalho de meu pai, não me
adaptei nas duas ultimas escolas.
Bem, na última foram eles que não
se adaptaram a mim...
• Estava olhando a rua sem me fixar
em nada... só pensando naquela
pergunta "Quem sou eu?". Foi
quando vi caminhando na calçada
uma das colegas que conheci na
primeira aula. Avisei meu pai e ele
parou o carro para oferecer carona.
• Fiquei sem graça, pois nem
lembrava o nome dela. Foi meu pai
quem tomou a iniciativa:
• - Você não é da sala da Sophie?
Quer uma carona?
• - Oiii ... sim, quero sim... Meu nome
é Alice. Bom dia...
• Meu pai então como de costume,
começou a conversar com Alice.
• - Oi Alice, prazer conhece-la. A
Sophie está em sua sala. Você
conhece bem essa escola? Conhece
os alunos?
- Ahhh eu não sou muito popular não, mas conheço bastante gente. Meus
amigos mais próximos são a Marina, o Miguel e o Lucas, mas me relaciono
bem com a maioria dos alunos.
Alice desatou a falar da escola e de sua vida. Curiosamente a cada relato
ela levantava questionamentos respondendo-os de imediato. Engraçado foi
que dessa vez meu pai nem teve tempo de ficar falando.
Quando chegamos na escola, eu
esperei que Alice saísse na frente
a fim de conversar com meu pai
sem que ela percebesse minha
insatisfação:
- Nossa, pai, você fica puxando
assuntos com meus colegas
dando a impressão de querer me
arrumar amigos novos, e isso me
desagrada porque sei que
mudarei de escola e aquela
amizade não vai durar.
No intervalo da aula, Alice veio conversar comigo. Acho que ela já
se sentia íntima só por causa da carona. Junto com ela veio uma
outra menina. E eu já não gostei dela de cara. Ficou me encarando
de uma forma estranha, parecia estar com ciúme. E o pior é que eu
conversava com a Alice e ela ao mesmo tempo ia cochichando no
ouvido da Alice. De repente Alice solta uma pergunta bombástica:
- Você já pensou em se matar?