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Variação Linguística do Português em Moçambique

O documento analisa a variação linguística do português entre o Português Europeu (PE) e o Português Moçambicano (PM) na sintaxe, focando em alunos da 8ª classe da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba. A pesquisa busca entender as motivações subconscientes por trás dessa variação, que é influenciada por fatores sociais e culturais, e propõe melhorias no ensino da língua. Os resultados indicam que a falta de conhecimento sobre a variação linguística e a influência de línguas bantu afetam negativamente a comunicação formal dos alunos.

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Variação Linguística do Português em Moçambique

O documento analisa a variação linguística do português entre o Português Europeu (PE) e o Português Moçambicano (PM) na sintaxe, focando em alunos da 8ª classe da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba. A pesquisa busca entender as motivações subconscientes por trás dessa variação, que é influenciada por fatores sociais e culturais, e propõe melhorias no ensino da língua. Os resultados indicam que a falta de conhecimento sobre a variação linguística e a influência de línguas bantu afetam negativamente a comunicação formal dos alunos.

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Arcina Raul

Fenómenos de Variação Linguística do português entre PE e o PM na Área Sintáctica,


caso alunos da 8ª Classe da escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba.
(Licenciatura em Ensino de Português)

Universidade Rovuma

Lichinga
1

2024

Arcina Raul

Fenómenos de Variação Linguística do português entre PE e o PM na Área Sintáctica,


caso alunos da 8ª Classe da escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba.
Trabalho de Pesquisa, a ser entregue ao docente da
cadeira de Sintaxe, Semántica e Pragmática do
Português II, para fins avaliativos sob orientação de
Msc. António Chicumba Cuatuacha.

Universidade Rovuma
2

Lichinga

2024

Índic

e
1. CAPITILO I: INTRODUÇAO............................................................................................3
1.1. Delimitação do Tema.......................................................................................................3
1.2. Objectivos........................................................................................................................3
1.2.1. Objectivo Geral............................................................................................................3
1.2.2. Objectivos Específicos.................................................................................................3
1.3. Problematização...............................................................................................................4
1.4. Hipóteses..........................................................................................................................4
1.5. Justificativa......................................................................................................................4
2. CAPITULO II: REVISAO DA LITERATURA.................................................................5
2.1. Variação sintática.............................................................................................................5
2.2. Variação do português europeu e português moçambicano na área sintáctica................5
3. CAPITULO III: METODOLOGIA.....................................................................................6
3.1. Tipo de pesquisa..............................................................................................................6
3.2. Método.............................................................................................................................6
3.3. Técnica da Pesquisa Instrumentos de Recolha de Dados................................................6
3.4. Grupo Alvo e Amostra.....................................................................................................6
4. CAPITULO IV: DESCRIÇAO, ANALISE E INTERPRETAÇAO DE DADOS..............7
5. Conclusão............................................................................................................................8
6. Bibliografia..........................................................................................................................9
3

1. CAPITILO I: INTRODUÇAO

É bastante comum uma língua ter que variar de região para região, dependendo dos contextos
sociais, linguísticos e culturais que com ela coabitam, no caso concreto de Moçambique, o
português tem variado quase em todas vertentes, sendo a diversidade linguística e influências
de línguas bantu como principais motivações registadas. Embora tenha se verificado tais
factores, é notório que Moçambique ainda compartilha a norma padrão do português nos seus
contextos educacionais, formais e oficiais do seu uso, assim sendo considerado português
moçambicano aquele falado do lado informal e ou agramaticalmente, entretanto o que tem se
verificado nas escolas formais tal como é caso dos alunos da 8ª classe da Escola Secundária
Paulo Samuel Kankhomba têm levado tal português ainda não formalizado para contextos
formais de forma inconsciente podendo ser o objecto de estudo da presente pesquisa de modo
a descobrirmos as principais motivações deste fenómeno.

1.1. Delimitação do Tema

Nesta pesquisa desenvolvemos o tema relativo ao Fenómenos de Variação Linguística do


português entre PE e o PM na Área Sintáctica, caso alunos da 8ª Classe da escola
Secundária Paulo Samuel Kankhomba. Um estudo realizado na Província do Niassa, Cidade
de Lichinga nos alunos da 8ª classe da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba num
intervalo compreendido entre 2023 – 2024.

1.2. Objectivos
1.2.1. Objectivo Geral
Compreender as razões que motivam a variação linguística do português de forma
subconsciente ao nível sintáctico nos alunos da 8ª Classe da Escola Secundária Paulo
Samuel Kankhomba.
4

1.2.2. Objectivos Específicos

Identificar as principais motivações que motivam a variação linguística do português


ao nível sintáctico nos alunos da 8ª classe da Escola Secundária Paulo Samuel
Kankhomba;
Descrever os fenómenos que motivam a variação linguística do português nos alunos
da 8ª classe da Escola Secundaria Paulo Samuel Kankhomba;
Propor mecanismos de ensino e de tratamento da língua portuguesa em contextos
educacionais

1.3. Problematização

O estudo sobre a questão da variação linguística foi motivado pelo registo de casos concretos
de certos alunos cujo suas comunicações orais e escritas demonstraram a variação desta língua
ao nível sintáctico numa aula da disciplina de português acompanhada pelo pesquisador,
assim notou-se que a variação linguística a este nível foi uma acção subconsciente e contínua
por parte de muitos alunos tendo motivado o avanço duma pesquisa científica e construtiva.
Ao se notar esta circunstancia linguística, o pesquisador propôs a seguinte questão de
pesquisa,

Por que razão os alunos da 8ª classe da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba
demonstravam a variação linguística ao nível sintáctico?

1.4. Hipóteses
Os alunos não têm noção sobre a variação linguística do português;
Os alunos não fazem comparação entre o português europeu (PE) com o português
moçambicano (PM);
O professor não corrige as variações inseridas no português perante as aulas.

1.5. Justificativa
Para que o ensino da língua portuguesa em Moçambique tenha mais relevância é necessário
que se esclareçam princípios linguísticos da utilidade da mesma para diferentes contextos
comunicativos, esta tarefa é eminentemente do professor que serve como moderador das aulas
da disciplina de português, assim ao se normalizar os desvios linguísticos do português para
contextos formais e ou educacionais, contribuem directa ou indirectamente no abandono
parcial da norma padrão da língua portuguesa que ainda está em vigor no panorama
linguístico de Moçambique. Com esta pesquisa espera-se um conhecimento e reconhecimento
5

do parcelamento da língua portuguesa em diversas áreas e necessidades do seu uso, sendo do


uso como língua oficial, educacional e como língua da unidade nacional;
Com o conhecimento destas vertentes do uso da língua portuguesa, espera-se que os
alunos da 8ª classe e de todos níveis existentes naquela escola e no país inteiro, tenha em
consciência o seu grau de uso da língua portuguesa, (em quais contextos se encontram) e que
tipos de discurso carecem sua utilidade e enquadramento para tais contextos. Envolvendo o
uso da língua cuidada, discursos controlados e com todos os códigos ou recursos linguísticos
obrigatórios e ou adequados para cada contexto comunicativo, (o que podemos considerar
como consciência ou responsabilidade comunicativa activa nos falantes).

2. CAPITULO II: REVISAO DA LITERATURA

2.1. Variação sintática.

Os estudos provam que o PM é uma variante diferente do PE e precisa ser mais aprofundado
procurando cada vez mais espaço da sua afirmação legal- a padronização. “Falar de uma
variedade é apenas reconhecer a existência de um ou de vários conjuntos de diferenças, de
uma ou de várias variedade e recusar estabelecer entre essas variedades numa hierarquia.”
(Garmadi, 1983, p.29).

Esses fenômenos linguísticos são causados pelo contato entre línguas, pelo surgimento de
realidades sociais, culturais, políticas e econômicas bem diferentes ou mesmo pela diferença
de classes sociais. Entendemos por variação linguística a forma como uma determinada
comunidade linguística se diferencia de outra, sistemática e coerentemente tendo em conta os
contextos sociais.
2.2. Variação do português europeu e português moçambicano na área sintáctica

Para além da variação, o PM apresenta variação a nível sintático. Estudos em recentes


apresentados numa obra organizada por Dias (2009) mostram que há vários casos de variação
se compararmos com o PE. É importante deixar claro que a referência para todas as análises é
o PE.

PM: Eles elogiaram a uma pessoa. PE: Eles elogiaram uma pessoa
PM: Elogiaram-lhe muito. PE: Elogiaram-na muito. Gonçalves (2005a, p.55)

Os exemplos de Gonçalves apresentados nestes exemplos provêm de um corpus oral, fato que
nos leva a crer que há diferenças entre a escrita e a fala. O que acontece em muitos casos é a
6

transferência da fala para escrito fato que leva ao distanciamento à norma-padrão. Vejamos
outros exemplos de Gonçalves (2001, p.986).

PM: “Recebi ϕ telefonema” PE: “Recebi um telefonema.”

PM: “Todas ϕ pessoas chegaram” PE: “Todas as pessoas chegaram”.

Aqui nota-se a ausência de artigos nas frases do PM que é exigido pela Norma europeia.

3. CAPITULO III: METODOLOGIA

3.1. Tipo de pesquisa

 Quanto à Natureza
A pesquisa teve como natureza aplicada. Nesta vertente o pesquisador teve o privilegio de
colectar os dados presencialmente analisando o comportamento de todos sobretudo o nível de
domínio da matéria relacionada com a variação linguística do português.

 Quanto à abordagem
Esta pesquisa teve como abordagem mista. Que consistiu em colectar os dados qualitativos e
quantitativos simultaneamente para um estudo completo.

3.2. Método

A pesquisa recorreu ao método hipotético-dedutivo, que partindo de foi identificado na


minoria incluiu a maioria dos alunos.

3.3. Técnica da Pesquisa Instrumentos de Recolha de Dados.

Para a colecta de dados usamos como técnica de questionário cujo mesmo serviu como
instrumento de colecta dos mesmos dados. Este questionário foi elaborado com o intuito de
investigar o nível de reconhecimento da variação linguística do português ao nível sintáctico.

3.4. Grupo Alvo e Amostra.

O nosso grupo alvo são alunos da 8ª classe da Escola secundária Paulo Samuel Kankhomba,
com uma população de 80 alunos da 8ª classe turma A, daquela escola. A selecção feita nestes
alunos foi de apenas 10 alunos de modo a participar a pesquisa.
7

4. CAPITULO IV: DESCRIÇAO, ANALISE E INTERPRETAÇAO DE DADOS

Neste capítulo, iremos analisar e discutir os dados colectados no campo de estudo de modo a
julga-los por algumas razoes, e assim foram colocadas as actividades:

O pesquisador propôs algumas questões que visavam distinguir a linguagem do


português padrão ou simplesmente europeu ou por outro lado a linguagem do português
tipicamente moçambicano. Esta actividade tinha como objectivo principal entender o nível de
domínio da linguagem e reconhecimento do português falado em diversos pontos geográficos
em comparando suas adversidades.

Tabela 1: Actividades propostas

[Link] enunciados que se Eles Eles Elogiaram- Elogiaram-na Comeu


seguem identifique as do elogiaram a elogiaram lhe muito. muito. maçã o
português moçambicano e as uma pessoa. uma pessoa João.
do português europeu.

Inquiridos que acertaram 4 4 3 5 4

Inquiridos que não acertaram 6 6 7 5 6

Percentagem total (%) Certos – 40% Não certos – 60%

Fonte: autora, 2024.

 Tabela 2: Correcção final

[Link] enunciados que se Eles elogiaram Eles Elogiaram- Elogiaram-na Comeu


seguem identifique as do a uma pessoa. elogiaram lhe muito. muito. maçã o
português moçambicano e as uma pessoa João.
do português europeu.
8

Correcção PM PE PM PE PM
Fonte: autora, 2024.

5. Conclusão

O estudo realizado no campo de estudo mostrou que o ponto fraco associado ao fenómeno de
variação linguística do português ao nível sintáctico é por influência de línguas bantu,
diversidade cultural e o não conhecimento da variação linguística na qual estão executando
nas suas comunicações orais. Estes factores contribuem negativamente no desenvolvimento
linguístico formal e organização dos diversos tipos de discursos para diferentes contextos de
comunicação. Com isso, recomenda-se os professores da disciplina de português da Escola
Secundaria Paulo Samuel Kankhomba a acompanhar pacientemente suas aulas diárias no
nível oral dos seus alunos a deixar feedback’s relacionados com a selecção do tipo de discurso
para diversos contextos de comunicação dentro da sala de aulas.
9

6. Bibliografia

Dias, H. N. (2009). A norma padrão e as mudanças linguísticas na Língua Portuguesa


nos meios de comunicação de massas em Moçambique. In ___.(org.) Português
Moçambicano: Estudos e reflexões. Maputo: Imprensa Universitária.
Garmadi, J. (1983, Introdução à Sociolinguística. Lisboa: Publicações Dom Quixote.
Gonçalves, P. (2005a) Dinâmicas do Português em Moçambique: Afinal, o que são erros do
português. In Primeiras Jornadas de Língua Portuguesa. Maputo: UEM.
_____________. Panorama do português de Moçambique. In Revue belge de philologie
et d’histoire. v.79, nº79, nº3, 2001.

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