Universidade Licungo
Faculdade de Ciências Agrárias
Licenciatura em Agro-Processamento com Habilitações em Agro-Negócios
4º Ano
Deolinda João Eduardo
Iranete Jacinto Valter
Menor Isequiel Ângelo
Lainess Carlos Alfândega
René Chico Estefane
RISCO DO PREÇO NO MERCADO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS
Quelimane
2025
Deolinda João Eduardo
Iranete Jacinto Valter
Menor Isequiel Ângelo
Lainess Carlos Alfândega
René Chico Estefane
RISCO DO PREÇO NO MERCADO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS
Trabalho de carácter avaliativo, a ser
apresentado no Curso de Licenciatura em
Agro˗processamento com Habilitação em
Agronegócio, da Faculdade de Ciências Agrárias, na
cadeira de Comercialização e Marketing, sob
orientação do docenteꓽ
Dr. Roberto Português.
Quelimane
2025
Índice
Paginas
CAPITULO I: INTRODUÇÃO ....................................................................................... 4
1.1 Introdução ................................................................................................................. 4
1.2 Objetivos ................................................................................................................... 5
1.2.1 Geral ...................................................................................................................... 5
1.2.2 Específicos ............................................................................................................. 5
1.3 METODOLOGIAS .................................................................................................... 5
CAPITULO IV: CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................. 5
4.1 Conclusão ................................................................. Erro! Marcador não definido.
4.2 Referências bibliográficas ........................................ Erro! Marcador não definido.
CAPITULO I: INTRODUÇÃO
1.1 Introdução
O presente trabalho ira abordar sobre Riscos Do Preço No Mercado De Produtos
Agrícolas. O mercado de produtos agrícolas é caracterizado por uma elevada volatilidade de
preços, influenciada por diversos factores como clima, políticas governamentais, condições
económicas globais e oscilações na oferta e demanda. Esses factores tornam os riscos de
preço uma preocupação constante para produtores, distribuidores e investidores do sector.
Entender os riscos associados às variações de preço no mercado agrícola é fundamental para a
tomada de decisões estratégicas, a protecção de receitas e a garantia da estabilidade financeira
ao longo do ciclo produtivo. Neste contexto, este trabalho analisa as principais causas da
instabilidade dos preços agrícolas, suas consequências e as estratégias utilizadas para
gerenciar esses riscos.
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1.2 Objetivos
1.2.1 Geral
Estudar os riscos de preço no mercado de produtos agrícolas, analisando suas
principais causas, consequências e estratégias de mitigação para os agentes da cadeia
produtiva.
1.2.2 Específicos
Definir os conceitos básicos;
Descrever o comportamento dos preços dos produtos agrícolas, apresentando suas
definições e principais características;
Identificar os impactos dos riscos de preço nos diferentes sectores da cadeia produtiva
de commodities agrícolas;
Analisar os principais factores que influenciam a volatilidade dos preços agrícolas,
como condições climáticas, políticas de mercado e variações de oferta e demanda;
Apontar estratégias de gestão e mitigação dos riscos de preço adoptadas pelos agentes
da cadeia produtiva.
1.3 METODOLOGIAS
Segundo Lakatos (1985) metodologia é o conjunto de procedimentos
sistemáticos e racionais que permitem alcançar os objetivos. Portanto, como forma de auxílio
para a realização do presente trabalho, recorreu-se à pesquisa bibliográfica, consultando
livros, artigos e publicações especializadas que abordam os riscos de preço no mercado de
produtos agrícolas.
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CAPITULO II: REVISÃO DA LITERATURA
2 CONCEITOS BÁSICOS
2.1 Risco
O risco refere-se à probabilidade de ocorrência de eventos indesejados ou
incertos que podem causar prejuízos. Historicamente, o conceito era neutro, relacionado
apenas à possibilidade de um evento ocorrer (Mendes, 2002). Na agricultura, o risco de preço
é um dos mais críticos, pois oscilações imprevisíveis nos valores das commodities podem
impactar directamente a renda dos produtores.
2.2 Preço
Preço é o valor monetário atribuído a um bem ou serviço, sendo determinado
principalmente pelas forças de oferta e demanda no mercado (Kotler & Keller, 2012). No
contexto agrícola, o preço das commodities é altamente volátil, sujeito a mudanças rápidas
por factores climáticos, políticos e de mercado. As flutuações de preços constituem um risco
para os produtores e detentores de commodities, confrontando-se com a decisão de se
comercializar ou armazenar o produto até chegar aos melhores preços (MARQUES et. al,
1999).
2.3 Valor
Valor é o julgamento que o consumidor faz sobre os benefícios recebidos em
troca do preço pago, considerando utilidade e satisfação (Zeithaml, 1988). No mercado
agrícola, valor é percebido pela qualidade, origem, certificação, entre outros aspectos que
podem influenciar os preços acima da média de commodities.
2.4 Oferta E Demanda
Oferta é a quantidade de um bem que os produtores estão dispostos a vender a
determinado preço, enquanto demanda é a quantidade que os consumidores desejam comprar
(Mankiw, 2020). No Agroprocessamento, variações sazonais, desastres naturais ou políticas
públicas alteram rapidamente a oferta e a demanda, afectando o risco de preço.
2.5 Produtos Agrícolas
Produtos agrícolas são bens produzidos nas actividades da agricultura e da
pecuária, destinados ao consumo humano, animal, à industrialização ou ao comércio. Podem
incluir alimentos, fibras, matérias-primas e produtos in natura ou processados. Esses produtos
possuem características específicas como origem biológica, perecibilidade, sensibilidade ao
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clima e sazonalidade de produção, o que influencia directamente sua oferta e precificação no
mercado.
Dentro desse grupo, destacam-se as commodities agrícolas, que são produtos
primários de origem agropecuária, homogéneos e negociados em mercados internacionais. De
acordo com Sanders & Irwin (2010), as principais commodities agrícolas incluem grãos como
milho, soja e trigo, além de álcool, algodão e carnes (meia carcaça e cortes congelados). A
precificação dessas commodities é particularmente sensível a riscos climáticos, políticos e
económicos, tornando o risco de preço um factor crítico para os agentes da cadeia produtiva.
2.6 Mercado
Mercado é o ambiente físico ou virtual onde compradores e vendedores
interagem para trocar bens e serviços (Kotler & Armstrong, 2018). No mercado agrícola, o
funcionamento eficiente depende da transparência de informações, segurança das transacções
e gestão dos riscos, especialmente os de preço.
2.7 Formação de Preços e Volatilidade no Mercado Agrícola Moçambicano
A formação de preços no sector agrícola moçambicano é um processo
complexo, determinado por factores locais, regionais e internacionais, que afectam
directamente a renda dos produtores, o acesso aos alimentos pelas populações e a estabilidade
dos mercados. Compreender essa dinâmica é essencial para o desenho de políticas agrícolas
eficazes e estratégias de gestão de risco de preços.
De modo geral, os preços dos produtos agrícolas resultam da interacção entre
oferta e demanda, como afirma Aguiar (1993). No entanto, essa relação pode ser distorcida ou
amplificada por variáveis microeconómicas, macroeconómicas, institucionais, climáticas e até
relacionadas com crises políticas ou sanitárias, como mostrou o estudo de Aiuba (2024)
realizado na cidade de Maputo.
No contexto moçambicano, os produtores em especial os pequenos são
geralmente tomadores de preço. Isso ocorre devido à fraca capacidade de armazenamento,
necessidade imediata de liquidez, fraco acesso à informação e alto poder dos intermediários.
Conforme Silva (1995), esses agentes intermediários são os que mais se beneficiam da
variação de preços: mantêm suas margens mesmo em cenários de queda e capturam boa parte
dos ganhos em momentos de alta.
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A sazonalidade da produção agrícola, fortemente influenciada pelas chuvas, é
outro factor central. Em épocas de colheita, a oferta se eleva, os preços caem, e os mercados
assumem características de concorrência perfeita. Já na entressafra, com menor número de
produtores no mercado, observa-se estrutura próxima ao oligopólio, com preços mais altos e
voláteis (Sarkar, 1993; Nova, 2018).
A volatilidade é agravada por choques climáticos extremos. Moçambique, por
ser altamente vulnerável a ciclones, inundações e secas, como os ciclones Idai e Kenneth em
2019, sofre grandes quebras de produção que reduzem a oferta e fazem os preços subirem
abruptamente tanto para os consumidores quanto para os produtores (Eckstein et al., 2021;
Feijó & Aiuba, 2019).
Em termos macroeconómicos, factores como taxa de câmbio, política fiscal e
monetária, inflação e custo dos combustíveis têm impacto directo nos preços. Por exemplo,
uma desvalorização do metical encarece produtos importados (como arroz e fertilizantes),
pressionando os preços domésticos para cima. Essa relação é reforçada pelas conexões
comerciais com a África do Sul, principal origem de vários alimentos processados
consumidos na região sul do país (Chongo, 2017; Aiuba, 2024).
Além disso, a ausência de políticas públicas consistentes de preços para a
maioria das culturas alimentares com excepção do algodão e do caju faz com que os
produtores fiquem mais vulneráveis. Segundo Aiuba (2024), os preços de cereais, vegetais e
tubérculos, embora essenciais para a segurança alimentar, frequentemente ficam abaixo dos
custos de produção, pois não recebem apoio estatal na forma de preços mínimos ou subsídios
significativos.
Outro aspecto relevante é a informação de mercado. Moçambique possui o
SIMA Sistema de Informação de Mercado Agrícola que divulga cotações nacionais e
internacionais. Porém, apenas cerca de 40% dos pequenos e médios produtores afirmam
receber essas informações (MADER, 2021), o que dificulta a tomada de decisões estratégicas.
Por fim, o estudo econométrico de Aiuba (2024) confirma, com dados entre
2017 e 2021, que os preços do arroz, farinha de milho e tomate na cidade de Maputo foram
sensíveis a variáveis como pluviosidade, taxas de câmbio, preços internacionais, custo do
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combustível e oferta de moeda revelando o carácter multidimensional da formação de preços
e da sua volatilidade.
A importância da formação de preços nesse contexto está relacionada
directamente à viabilidade económica da actividade agro-pecuária. Preços previsíveis e
estáveis permitem que o agricultor:
Faça planeamento financeiro de médio e longo prazo;
Decida quanto e o que plantar ou produzir;
Determine qual tecnologia utilizar e qual canal de comercialização escolher;
Avalie a necessidade de protecção contra riscos financeiros, como contratos futuros ou
seguros de preço mínimo.
Quando os preços se formam de maneira ineficiente, distorcida ou manipulada,
o produtor rural pode tomar decisões com base em sinais incorrectos do mercado. Isso pode
levar a desequilíbrios como superprodução (e queda de preços generalizada) ou
desabastecimento (com aumento dos preços para o consumidor final).
Além disso, o papel dos custos de produção também é crucial na formação de
preços. Mesmo que os preços de mercado estejam em alta, o aumento paralelo no custo dos
insumos como fertilizantes, ração ou combustíveis — pode anular os ganhos esperados.
Assim, a margem líquida (e não apenas o preço bruto) torna-se o principal indicativo da
sustentabilidade económica da produção agrícola.
Por fim, a transparência e o acesso a informações de mercado (preços médios,
tendências de consumo, relatórios climáticos e balanço de oferta e demanda) são
fundamentais para a formação de preços justos. Instrumentos como leilões electrónicos,
cotações públicas e plataformas de comércio digital têm-se mostrado cada vez mais relevantes
nesse processo, reduzindo assimetrias de informação e fortalecendo o poder de negociação
dos pequenos e médios produtores.
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11
CAPITULO III: RISCOS DE PREÇOS NO MERCADO DE PRODUTOS
AGRÍCOLAS
Os produtos agrícolas estão sujeitos a uma série de riscos e incertezas,
características intrínsecas da actividade rural, que impactam directamente tanto os custos de
produção quanto a lucratividade dos negócios. Esses riscos não afectam apenas as
propriedades agro-pecuárias, mas também todos os agentes da cadeia produtiva, incluindo
fornecedores de insumos, indústria, atacado e varejo (Silva, 2020). A volatilidade dos preços
e outros factores de risco têm um efeito em cadeia, que repercute em toda a economia
vinculada ao sector agrícola.
Esses riscos podem ser classificados em três tipos principais:
Riscos Relacionados à Produção:
Os riscos relacionados à produção envolvem questões próprias da actividade
agrícola, como as condições climáticas adversas, a incidência de pragas e doenças nas
lavouras e nos rebanhos, além de práticas inadequadas de manejo agrícola (Costa, 2018).
Um exemplo comum desses riscos são as secas prolongadas, que reduzem a
produtividade das lavouras, comprometendo a oferta de produtos e, consequentemente,
impactando os preços de mercado (Silva et al., 2021). A vulnerabilidade das culturas a
fenómenos climáticos imprevisíveis é um risco constante para os produtores.
Riscos Relacionados ao Crédito:
Este tipo de risco está relacionado ao acesso limitado a financiamentos
adequados para sustentar a produção. Entre os factores que contribuem para esses riscos estão
a ausência de linhas de crédito específicas, juros elevados e valores insuficientes para cobrir
os custos operacionais da actividade rural (Santos, 2019).
Por exemplo, a dificuldade de obter crédito a custos baixos pode forçar o
produtor a recorrer a empréstimos com taxas de juros altas, comprometendo sua capacidade
de pagamento e prejudicando sua rentabilidade. Isso gera um ciclo negativo, impactando toda
a cadeia produtiva (Silva, 2020).
Riscos Relacionados aos Preços:
Os riscos de preços são uma das maiores fontes de incerteza no sector agrícola, devido
às flutuações nos preços de mercado, que podem ser influenciadas por movimentos de oferta e
demanda, políticas governamentais ou até mesmo pela dinâmica internacional (Fernandes,
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2022). Esses movimentos podem resultar em preços elevados ou baixos, afectando a
capacidade dos produtores de obter lucro.
Por exemplo, uma sobrecarga na oferta de um determinado produto agrícola
pode reduzir significativamente seu preço no mercado. Isso gera perdas financeiras para os
agricultores que não conseguem vender seus produtos a preços satisfatórios, mesmo com uma
boa colheita (Lima, 2021). A insegurança nos preços torna o planeamento financeiro mais
complexo para todos os agentes da cadeia produtiva.
3 Impactos dos Riscos de Preço nos Diferentes Sectores da Cadeia Produtiva de
Commodities Agrícolas
O risco de preço é uma das principais fontes de instabilidade no agronegócio,
afectando todos os elos da cadeia produtiva de commodities agrícolas. As oscilações nos
preços de mercado impactam directamente a rentabilidade, a competitividade e a capacidade
de investimento dos agentes económicos (Tomek & Kaiser, 2014).
No sector de produção primária (agricultores):
Os produtores são os mais vulneráveis às flutuações de preço, pois seus custos
de produção são elevados e pouco flexíveis. Quando os preços das commodities caem, muitos
agricultores enfrentam prejuízos significativos, redução da margem de lucro e, em casos
extremos, abandono da actividade agrícola.
No sector de processamento (agro-indústrias):
As indústrias que transformam produtos agrícolas também são afectadas, uma
vez que o custo da matéria-prima pode sofrer grandes variações. Essa volatilidade prejudica o
planeamento financeiro, reduz margens de lucro e pode comprometer a estabilidade das
operações.
No sector de comercialização:
Empresas comercializadoras enfrentam riscos tanto nas oscilações de preços das
commodities quanto nas variações cambiais. Como a maioria das commodities agrícolas é
negociada no mercado internacional, mudanças repentinas nos preços globais ou nas taxas de
câmbio podem impactar contratos de exportação e receitas.
No sector de consumo (mercado interno e externo):
Embora em menor escala, o consumidor final também sente os efeitos da volatilidade
de preços, reflectidos nos preços de alimentos processados e industrializados.
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De acordo com Buainain, Batalha e Souza Filho (2014), a vulnerabilidade da
cadeia produtiva agrícola aos riscos de preço é um dos maiores desafios para a estabilidade e
para o desenvolvimento do agronegócio. Esses riscos, se não adequadamente geridos, podem
provocar redução da oferta de produtos, concentração de mercado e perda de competitividade.
3.2 Comportamento dos Preços dos Produtos Agrícolas (Definição e Principais
Características)
O comportamento dos preços agrícolas refere-se às variações e tendências
observadas nos valores de mercado dos produtos provenientes da agricultura ao longo do
tempo. Essas flutuações são influenciadas por uma série de factores que tornam o mercado
agrícola particularmente volátil e imprevisível em comparação com outros sectores
económicos (Mankiw, 2020).
De acordo com o mesmo autor, o comportamento dos preços agrícolas é
caracterizado pela forte sensibilidade a eventos climáticos, sazonalidade da produção,
variações na demanda global, políticas agrícolas e barreiras comerciais. Esses factores
interagem de maneira dinâmica, provocando oscilações que podem ser de curto, médio ou
longo prazo.
Entre as principais características dos preços agrícolas, destacam-se:
Alta volatilidadeꓽ
Os preços dos produtos agrícolas estão sujeitos a mudanças rápidas e intensas.
Eventos como secas, enchentes, pragas ou mudanças abruptas na demanda internacional
podem fazer com que os preços subam ou caiam significativamente em curtos períodos.
Sazonalidade:
A produção agrícola depende dos ciclos naturais das plantas e das condições
climáticas específicas de cada estação. Como consequência, os preços tendem a apresentar
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padrões sazonais, com quedas durante períodos de colheita e aumentos em épocas de
escassez.
Sensibilidade a choques externos:
Factores como crises económicas, pandemias, conflitos geopolíticos ou
alterações nas políticas de subsídios agrícolas podem impactar directa ou indirectamente os
preços agrícolas. A globalização dos mercados aumentou essa sensibilidade.
Inelasticidade da oferta no curto prazo:
A produção agrícola não pode ser ajustada de maneira rápida. Mesmo que os
preços aumentem consideravelmente, o agricultor não consegue, imediatamente, plantar mais
para atender à nova demanda. Esse atraso contribui para amplificar as flutuações de preços.
Influência dos mercados internacionais:
Grande parte dos produtos agrícolas são classificados como commodities e,
portanto, seus preços são definidos em mercados internacionais. Isso significa que os
produtores locais, mesmo produzindo para o mercado interno, estão sujeitos às variações
globais.
3.2 Factores que Influenciam a Volatilidade dos Preços Agrícolas
A volatilidade dos preços agrícolas é resultado de uma combinação de factores
que atuam tanto no âmbito da produção quanto do mercado consumidor. Diferentemente de
outros sectores económicos, o agronegócio é fortemente exposto a variáveis externas e
incontroláveis, o que torna os preços das commodities agrícolas particularmente instáveis ao
longo do tempo (Tomek & Kaiser, 2014).
Entre os principais factores que influenciam a volatilidade dos preços agrícolas,
destacam-se:
Condições climáticas:
O clima exerce um papel central na produção agrícola. Eventos como secas,
enchentes, geadas e furacões podem afectar drasticamente a quantidade e a qualidade da
produção, reduzindo a oferta no mercado e pressionando os preços para cima. Da mesma
forma, safras abundantes, decorrentes de condições climáticas favoráveis, podem gerar
excesso de oferta e, consequentemente, queda nos preços.
Políticas de mercado:
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As intervenções governamentais, como subsídios agrícolas, tarifas de
importação e políticas de estoques reguladores, têm grande impacto sobre os preços. A
criação de barreiras comerciais ou a concessão de subsídios em grandes produtores agrícolas,
como os Estados Unidos ou a União Europeia, pode distorcer o mercado global, afectando a
competitividade dos produtores de outros países (Buainain, Batalha & Souza Filho, 2014).
Variações de oferta e demanda:
Oscilações naturais na oferta e demanda também provocam mudanças nos
preços. Um crescimento económico robusto em países consumidores de commodities, como a
China ou a Índia, pode aumentar a demanda e elevar os preços. Por outro lado, crises
económicas ou sanitárias, como a pandemia de COVID-19, reduzem o consumo e provocam
quedas de preços.
Factores cambiais e financeiros:
A precificação internacional das commodities agrícolas geralmente é feita em
dólares. Portanto, a valorização ou desvalorização da moeda local em relação ao dólar
impacta directamente os preços recebidos pelos produtores e os custos para os importadores.
Além disso, a actuação de fundos de investimento nos mercados futuros de commodities pode
amplificar a volatilidade dos preços, desconectando-os, em alguns momentos, dos
fundamentos básicos de oferta e demanda.
Tecnologia e inovação:
Embora menos imediato, o avanço tecnológico no campo, como o uso de
sementes geneticamente modificadas e sistemas de irrigação avançados, também influencia a
volatilidade ao aumentar a produtividade em algumas regiões, impactando a oferta mundial.
A combinação desses factores cria um ambiente de constante incerteza para os
agentes da cadeia produtiva agrícola. A análise e o monitoramento desses elementos tornam-
se, portanto, essenciais para a tomada de decisão e para o planeamento estratégico dos
produtores, das agro-indústrias e dos comerciantes.
3.3 Estratégias de Gestão e Mitigação dos Riscos de Preço na Cadeia Produtiva
de Commodities Agrícolas
A volatilidade dos preços agrícolas representa um grande desafio para a
sustentabilidade dos negócios ao longo da cadeia produtiva. Para minimizar os impactos
económicos das oscilações de preços, produtores, agro-indústrias e agentes comerciais
adoptam diferentes estratégias de gestão e mitigação de riscos.
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Segundo Vilela e Zylbersztajn (2015), a gestão de riscos de preço no
agronegócio envolve tanto práticas de mercado quanto acções institucionais que visam
aumentar a previsibilidade e a estabilidade das receitas.
Entre as principais estratégias adoptadas destacam-se:
Contratos a termo:
São acordos firmados entre produtor e comprador que estabelecem, de forma
antecipada, o preço, a quantidade e as condições de entrega do produto. Esses contratos
protegem ambas as partes contra as oscilações adversas do mercado futuro (Miranda &
Glauber, 1997).
Diversificação de culturas:
A diversificação da produção agrícola é uma estratégia importante para reduzir a
exposição a riscos específicos de uma única commodity. Ao cultivar diferentes produtos, o
produtor pode compensar perdas em um mercado com ganhos em outro (Buainain et al.,
2014).
Seguros agrícolas:
A contratação de seguros agrícolas é outra ferramenta relevante. Esses seguros
cobrem perdas de produção e, em alguns casos, variações adversas de preço, oferecendo ao
produtor uma rede de segurança financeira. Contudo, é importante frisar que nem todos os
riscos são seguráveis.
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CAPITULO IV: CONSIDERAÇÕES FINAIS
4 Conclusão
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5 Referências Bibliográficas
Mendes, F. (2002). Risco: um conceito do passado que colonizou o presente. Revista
Portuguesa de Saúde Pública, 20(2), 53-62.
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20