Estratégias para Ler e Escrever Melhor
Estratégias para Ler e Escrever Melhor
Émile-Auguste Chartier
1868-1951
Apresentação
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Conteúdo
• A importância da leitura.
• O desenvolvimento da leitura.
• Estratégias para estimular e desenvolver as habilidades de leitura.
• A importância da escrita.
• O desenvolvimento da escrita.
• Estratégias para estimular e desenvolver as habilidades de escrita.
• Orientações gerais.
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A importância da leitura
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O que é ler?
Quando dizemos que uma pessoa consegue ler, será que isso quer dizer
que ela compreende o que foi lido? Vamos fazer uma experiência antes de
respondermos essa pergunta. Leia o trecho abaixo:
Foi possível transformar as letras em sons, ou seja, decodificar o que está escrito?
Sim. Mas, foi possível compreender o conteúdo desse trecho? Vamos agora
então tentar este outro trecho, com palavras que existem na Língua Portuguesa:
Nesse trecho, a decodificação provavelmente foi mais fácil, mas foi possível
compreender o conteúdo? Agora, a última etapa dessa experiência:
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Agora a leitura deve ter sido mais fluida, prazerosa e associada à compreen-
são. Depois dessa experiência com os três fragmentos de textos – inicialmen-
te com leitura de palavras que não existem (pseudopalavras), depois leitura
de palavras que existem, mas são pouco familiares, e a leitura de um texto
com palavras familiares – você acha que é possível ler sem compreender?
Portanto, ler não é o mesmo que compreender, porque podemos ler sem
compreender. Ler consiste na capacidade de decifrar o código escrito de
maneira eficaz, ou seja, reconhecer uma palavra. Para que a leitura ocorra
com compreensão, precisamos conhecer e acessar o significado das pala-
vras, e esse processo se torna mais fácil se tivermos familiaridade com o
contexto. Assim, quando falamos de um leitor proficiente, além de reco-
nhecer as palavras, também esperamos que ele consiga compreendê-las.
De forma resumida:
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Os caminhos para
aprendizagem da leitura
Compreender como se dá o processo de aquisição de leitura e escrita, bem
como o reconhecimento de palavras, é importante, pois amplia nosso en-
tendimento sobre as várias etapas envolvidas na aprendizagem. Ao enten-
dermos esse processo, teremos melhores condições de buscar estratégias
facilitadoras para remediar os problemas de leitura e escrita.
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Por exemplo, se virmos a palavra EXÉRCITO, acessamos o processador or-
tográfico para reconhecer a forma escrita da palavra. Paralelamente, ativa-
mos os sons que vamos produzir ao ler as unidades gráficas que compõem
a palavra e, simultaneamente, associamos sua forma aos seus possíveis sig-
nificados: “conjunto das forças militares de uma nação” ou “grande quanti-
dade, multidão: um exército de empregados”.
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(vestimenta) seja o mais adequado. Portanto, o trabalho do processador
contextual é o de escolher e enfatizar os aspectos do significado da palavra
que são mais importantes ao lermos um texto. Além disso, ele nos ajudará
a esclarecer as ambiguidades que vão surgindo na compreensão do texto.
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Relação entre
fonologia e ortografia
O sistema de escrita da Língua Portuguesa é um sistema alfabético baseado
na representação de unidades fonológicas; ou seja, temos códigos (letras)
que usamos para representar os sons da fala. Em geral, os sistemas alfabé-
ticos são bastante úteis e econômicos: em nosso alfabeto, temos apenas 26
letras que, quando combinadas em diferentes sequências, formam milhares
de unidades fonológicas como os fonemas, as sílabas e as palavras.
Por exemplo, no Português temos palavras que são regulares, como bola,
rato, mas temos também palavras menos transparentes, como casa. Nesse
caso, para pronunciar corretamente devemos conhecer a regra ortográfica
da nossa língua, que diz que, quando a letra “s” estiver entre duas vogais, o
fonema correspondente é o /z/.
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Por que alguns alunos
apresentam dificuldades
para se tornarem leitores
proficientes?
A leitura proficiente, como já vimos, envolve tanto o desenvolvimento da
linguagem oral, o reconhecimento da palavra escrita, como também a com-
preensão. Esses dois últimos domínios são processos em que os alunos apre-
sentam dificuldades com mais frequência: baixa habilidade para decodificar a
palavra escrita e dificuldades na compreensão. Alguns alunos com atraso no
desenvolvimento podem apresentar dificuldades nos dois domínios. Assim,
as estratégias para sala de aula foram divididas em dois grupos:
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Além da capacidade de discriminação sonora, o reconhecimento da palavra
escrita também envolve:
• senso perceptivo;
• acuidade visual (em pessoas que enxergam);
• capacidade de discriminação de detalhes visuais;
• interiorização de símbolos.
Caso você suspeite que seu aluno não esteja enxergando e/ou ouvindo ade-
quadamente, solicite aos responsáveis que levem seu filho(a) ao serviço de
saúde para realização de avaliação com um oftalmologista (visão) ou otorri-
nolaringologista (audição).
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Estudos com crianças de diferentes países têm mostrado que uma das possí-
veis razões para a dificuldade em compreender o conteúdo lido são as dificul- Grupo II
dades gerais de linguagem (Snowling & Hulmes, 2011), como:
Dificuldades de
• Vocabulário: pouco conhecimento de palavras e seu significado. compreensão leitora
• Pouco conhecimento gramatical da língua: ordem das palavras em uma
frase (ex: sujeito, verbo), concordância, uso do “s” como indicativo de
plural.
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Memória operacional
A memória operacional é o termo usado para descrever a habilidade que te-
mos para armazenar mentalmente algumas informações e manipulá-las por
um curto período (Gathercole & Alloway, 2007). Um exemplo prático: tente
realizar mentalmente, sem usar papel e lápis, a conta 43 multiplicado por 27.
Nesse exemplo, o primeiro passo seria manter os números em sua memória,
para então aplicar as regras de multiplicação, adicionando novos números à
sua memória, até chegar ao resultado. Ou seja, podemos pensar a memória
operacional como uma área de trabalho mental em que armazenamos infor-
mações importantes enquanto operamos mentalmente outras informações.
Para a compreensão de texto, essa habilidade é essencial, uma vez que temos
de armazenar o início da frase enquanto novas informações são processadas
e, muitas vezes, precisamos ainda ativar alguma informação que já estava
armazenada na nossa memória de longa duração. Pessoas com dificuldades
nessas habilidades podem:
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Estratégias para
sala de aula
As atividades descritas a seguir são embasadas em pesquisas científicas, se-
guindo pressupostos teóricos do desenvolvimento dessas habilidades. Vale
lembrar que qualquer aluno será beneficiado pelas estratégias propostas,
mesmo aqueles que não apresentem nenhuma dificuldade de aprendizagem.
Estão divididas em:
Grupo I Grupo II
Reconhecimento Compreensão
de palavras leitora
Estratégias para estimular Estratégias para estimular
o reconhecimento de palavras. a linguagem.
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Estratégias
com foco no Grupo I:
Dificuldades de
reconhecimento de palavras
Estratégias O principal objetivo desta seção de atividades é favorecer que a criança com-
para estimular o preenda o princípio alfabético. Ou seja, compreenda que as palavras escritas
(símbolos) representam os sons da língua.
reconhecimento de
palavras
decifrando enigmas
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Recorte cada letra separadamente e monte uma palavra com as figuras.
Tenho aqui algumas figuras. Vamos lembrar o nome de todas: abelha, elefante,
igreja... Muito bom. Com estas figuras eu montei um enigma para que vocês
descubram.
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Escolha algumas sílabas, escreva em uma cartolina e recorte em quadrados
Atividade 2: para fazer os cartões. Distribua um cartão para cada aluno.
estimulando a Hoje nós vamos inventar palavras que não existem. Vocês vão ficar andando na
decodificação – sala, segurando o cartão e quando eu falar JÁ vocês deverão se juntar com a pri-
inventando palavras meira pessoa que estiver à sua frente para formar uma palavra. É importante
lembrar que vamos inventar palavras que não existem.
que não existem
(pseudopalavras) Quando todos os alunos tiverem formado sua dupla, estimule-os a ler em voz
alta as novas palavras.
Adaptação Entregue mais cartões aos alunos e peça para eles formarem mais palavras.
completando Eu vou fazer um desafio a vocês. Quero ver quem consegue formar mais palavras
palavras apenas trocando a primeira letra. Por exemplo: _ ORTA. Alguém sabe dizer uma
palavra? Muito bem, ORTA já é uma palavra, mas no Português colocamos aque-
la letra sem som no começo, aí fica HORTA. Entramos na sala e passamos pela ...
PORTA. E quando uma pessoa não está viva está ... MORTA. Muito bem !
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Deixe mais espaços em branco para que os alunos completem com a mesma
letra (ex: _A_EL, papel) ou letras diferentes (ex: S_TI_, sítio); Adaptação
Para os anos iniciais, selecione palavras que tenham letras que se repetem e
solicite que as circulem. Ex: DADO, DENTE, DIA.
Aqui por exemplo, se ligarmos o “li” com “te”, formamos “lite”. Existe esta
palavra em português? Não. Mas agora se ligarmos “li” com “vro”, formamos
“livro”, esta existe? Muito bem. Vamos tentar a última “li” com “ta”, forma-
mos “lita”, existe? Ótimo, então neste primeiro descobrimos a palavra “livro”.
Deixe a tarefa mais difícil dividindo palavras com três ou mais sílabas em três
ou quatro colunas. Adaptação
Divida as palavras em colunas de sílabas que podem formar mais de uma
palavra e especifique as palavras alvo, por exemplo, “é algo que podemos
comer” (bolo), ou “seguro nele quando estou usando uma vassoura” (cabo).
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Escreva na lousa algumas palavras:
Atividade 5:
identificando Escrevi na lousa as palavras amarelo, serpente, pato, gelo e avestruz. Vou fazer
perguntas e quero que vocês descubram qual é palavra-alvo.
palavras-alvo - Esta palavra começa com a primeira letra do alfabeto e termina com a última.
Alguém sabe? Avestruz, muito bem.
- O final desta palavra é um objeto que usamos para pentear o cabelo. Serpente.
- Se trocarmos a primeira letra desta palavra por “m”, formamos uma nova
palavra. Mato.
- Duas palavras desta lista têm as três letras finais iguais e estas letras formam
uma nova palavra. Amarelo e gelo.
Os próprios alunos podem elaborar perguntas para uma lista de palavras que
o professor apresentar.
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O principal objetivo dessa seção de atividades é estimular a leitura com
entonação, ritmo, cadência adequados. Estratégias para
estimular a fluência
em leitura
Agora, nesta segunda parte, vocês vão escolher um aluno de cada grupo que ficará
com os olhos vendados. Vocês que estão sem vendas deverão dar uma letra por vez
para o(a) colega com os olhos fechados para que ele(a) descubra qual é. Vocês que
estão sem vendas, terão de dizer se está certo ou errado (para que todos façam a
atividade com olhos vendados, separe seis ou sete letras para cada aluno).
Sugestão:
• Caso seja possível, proponha parceria com o professor de Arte para que
os alunos façam os moldes das letras nessa aula.
A segunda parte da atividade pode ser realizada com letras feitas com outros
materiais, como EVA. Ainda em relação à segunda parte: faça a atividade sem Adaptação
vendar os olhos, ou ainda sugira aos alunos que marquem tempo para esti-
mular a automatização do reconhecimento de letras.
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Em uma cartolina ou na lousa escreva algumas sílabas.
Atividade 2:
estimulando a Aqui estão algumas sílabas que usamos na nossa língua. Vamos ler todos juntos
o mais rápido que conseguirmos. É importante lembrar que além de ler rápido,
nomeação rápida também quero que prestem atenção para ler corretamente.
estimulando plas; caso seja possível, forme duplas entre um aluno com bom nível de leitu-
ra e um com mais dificuldades. Para esta atividade é necessário um relógio ou
a fluência de leitura cronômetro para marcar o tempo.
de palavras Em duplas vocês deverão ler em voz alta, sem gritar, para seu colega as palavras
que estão nesta folha como se fosse um texto. Eu vou marcar o tempo e cada vez
que completar um minuto vou falar a palavra PIM. Quem estiver ouvindo, deve
fazer um tracinho na folha que está com cada dupla. Também deverá prestar
atenção para grifar caso seu colega leia alguma palavra incorretamente.
Observações:
• O registro do desempenho de cada aluno é importante para termos pa-
râmetros da evolução ao longo do tempo. As mesmas listas de palavras
podem ser usadas outras vezes.
• Caso o professor deseje fazer um registro mais fidedigno, ele próprio
pode fazer esta atividade individualmente com cada aluno para ter o re-
gistro exato da quantidade de palavras lidas por minuto como também
os tipos de erros que o aluno comete.
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Selecione um pequeno trecho de um texto (dois parágrafos), preferencial-
mente um texto com uma escrita simples e com sentido explícito. Separe os Atividade 4:
alunos em duplas ou em trios. Para esta atividade é necessário um relógio ou
cronômetro para marcar o tempo.
estimulando a fluência
em leitura de texto
Vocês deverão ler para seu colega estes dois parágrafos. Vamos marcar o tempo
que cada um de vocês leva para ler. É importante que vocês leiam respeitando
a pontuação, a entonação. Quem estiver lendo deve se esforçar para manter
o ritmo e ler corretamente. Quem estiver ouvindo deve prestar atenção para
grifar caso seu colega leia alguma palavra incorretamente. Quando eu falar
VALENDO, vocês devem começar a marcar o tempo.
Quando o primeiro da dupla terminar de ler, o mesmo texto pode ser utiliza-
do para que a segunda pessoa o leia. Principalmente alunos com mais dificul-
dades são beneficiados pela repetição.
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Estratégias
com foco no Grupo II:
Dificuldades de compreensão leitora
para estimular a
linguagem
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Divida os alunos em grupos e apresente na lousa algumas categorias.
Atividade 2:
Escrevi na lousa três lugares: mercado, parque e fazenda. Cada grupo deve-
rá falar palavras que se encaixem nestas categorias, e eu vou escrevê-las na
agrupando palavras
lousa. Perde pontos se um grupo falar quando não for sua vez, falar alguma
palavra que os outros grupos já disseram, ou falar uma palavra que não se
encaixe na categoria, por exemplo, dizer “baleia” como um animal que posso
encontrar na fazenda. Entenderam?
Faça variações das categorias, desde as mais simples, como cores, animais ou
combinações, às mais complexas, como frutas que nascem em árvore, objetos Adaptação
que encontramos em casa e têm forma de quadrado ou retângulo.
Além dos alunos dizerem uma palavra que se encaixe na categoria, diga uma
letra-alvo. Por exemplo: alimentos que comecem com a letra “A”.
Esta atividade pode ser feita associada ao uso do dicionário, com palavras Adaptação
mais difíceis. Por exemplo: remediar.
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Esta atividade pode ser adaptada para qualquer situação em que o professor
Atividade 4: for introduzir uma nova palavra ou um novo conceito aos alunos. Uma boa
apresentando forma de começar é lendo uma história ou uma frase com um vocábulo para
que o ponto de partida seja apresentar essa palavra inserida em contexto.
novas palavras
Vou ler uma frase que tem uma palavra nova que quero apresentar a vocês.
Pedro gosta de jogar basquete e tinha como objetivo acertar a cesta de uma dis-
tância maior da que já conseguia. Ele tentou várias vezes, persistiu (enfatizar a
leitura) bastante e, após algumas tentativas, conseguiu acertar o alvo.
Vocês conhecem a palavra persistir? Pelo contexto desta frase, alguém tem
alguma ideia do que possa significar a palavra persistir? Vocês acham que é:
Observações:
• A memorização do significado de novas palavras é facilitado quando:
não sobrecarregamos as aulas com muitas palavras novas de uma só
vez, promovemos repetição em diferentes contextos, revisamos as
palavras após um período.
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Escreva as frases na lousa ou entregue uma cópia impressa aos alunos.
Atividade 5:
Quero que leiam estas frases. No final de cada uma delas, tem um ( ) onde
vocês devem colocar “V” se a frase for verdadeira ou “F” se for falsa.
compreensão
de frases
Exemplo: As televisões voam ( ). O que vocês acham?
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O principal objetivo desta seção de atividades é estimular a adoção de
Estratégias estratégias de controle e regulamento do próprio conhecimento a partir
metacognitivas da leitura.
imagens mentais parque lindo, cheio de árvores e flores, que tem um espaço enorme só para
cachorros.”
Agora fechem os olhos e imaginem a cena: como era o cachorro? Era grande ou
pequeno? Era peludo? Fofinho? Qual o cheiro dele? E o parque? Estava cheio?
Tinham outros cachorros? Se sim, como eles eram? Como o Boris se comportou?
Se não tinham outros cachorros, o que o Boris fez? E o Juca? Como estava o
tempo? Frio, calor? Era dia, era noite? Qual o cheiro do parque?
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Selecione algumas figuras e cole em uma folha sulfite ou cartolina. Leia um
texto em voz alta ou escreva na lousa para cada aluno copiar em seu caderno, Atividade 2:
ou entregue em uma folha o texto escrito.
compreensão
Ana Beatriz foi à feira com sua mãe comprar frutas para fazer uma deliciosa de parágrafo
salada de frutas de sobremesa. Ana pensou em algumas frutas que gostaria
de colocar na salada e fez uma lista em casa: maçã, pera, banana e laranja.
Chegando à feira, conseguiu comprar tudo, exceto a pera, pois não tinha. Mas,
em compensação, encontrou uma cereja supersaborosa e decidiu comprar para
usar como decoração.
Das figuras abaixo, pinte somente as frutas que Ana Beatriz comprou.
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Escolha um texto de qualquer modalidade literária.
Atividade 4:
estimulando o Vou ler para vocês um texto em voz alta, quero que vocês prestem bastante
atenção, porque depois vamos ter de encontrar as respostas para as perguntas
autoquestionamento mágicas:
Quantos ladrões existiam na história? O que eles furtaram? Por que eles bri-
garam? Quem surgiu no meio da história? O que ele fez?
Adaptação Entregue uma cópia da história para que leiam e respondam as “perguntas
mágicas”.
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Esta é uma ferramenta para estimular a leitura consciente que pode ser utili-
zada como uma forma de organizar o estudo de diversas disciplinas escolares. Atividade 5:
leitura guiada
• Com as crianças que não leem, o professor pode ler em voz alta e realizar
a atividade verbalmente. Adaptação
• Utilize as perguntas mágicas para orientar os alunos a identificar as palavras
mais importantes.
• Para os alunos mais proficientes, peça que escrevam uma frase que resuma
a ideia principal de cada parágrafo.
• Faça um dicionário personalizado. Palavras cujo significado o aluno
esquece com frequência e que interferem na compreensão do todo. Ele
escreve as palavras no seu dicionário que será utilizado para consulta
sempre que necessário.
33
A importância da escrita
A escrita surgiu por volta de 3000 a.C. no Egito Antigo e, em 3100 a.C., na
A escrita como Mesopotâmia ou Suméria. Os primeiros registros foram feitos em argila úmi-
Sua origem representou uma grande ferramenta para registrar ideias e acon-
tecimentos – o homem pôde transpor a barreira do tempo e do espaço e
passou a registrar suas relações comerciais.
Com o tempo, por volta de 2800 a.C., surgiram os sistemas silábicos. Os de-
senhos deixaram de ter apenas um valor semântico e passaram a ter um valor
fonético – escrita rébus. Em 1500 a.C., surge a escrita alfabética, em que cada
som era representado por um símbolo (sons consonantais). Em 1000 a.C., os
gregos introduzem as vogais.
Sistemas de escrita
34
Como vimos no último módulo, os processos de leitura e escrita são altamente
relacionados. Os sistemas de linguagem escrita:
35
Os caminhos
para aprendizagem e
desenvolvimento da escrita
36
No Módulo 3, vimos que existem alguns pares de sons na Língua Portuguesa
que são bastante parecidos no que se refere às características acústica e arti-
culatória, e, por este motivo, alguns alunos apresentam trocas envolvendo as
letras que representam esses sons. Esses são exemplos de erros que podem
ocorrer por causa das falhas no processamento fonológico, sendo esse tipo
de estimulação importante para todos os alunos. Na seção de estratégias
para sala de aula, vamos apresentar algumas atividades para estimular a dis-
criminação desses sons, além das atividades propostas no Módulo 3.
Também reforçamos que quanto mais a criança for exposta à escrita, mais
capacitada ela estará para compreender a estrutura e as finalidades da re-
presentação escrita. Além disso, para o processo de escrever, é importante
considerar os seguintes aspectos psicomotores:
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Novamente, como foi abordado na leitura, temos um novo esquema para a
escrita: o sinal de multiplicação indica a natureza interativa e não aditiva do
processo. Ou seja, o produto final, a escrita proficiente, será zero se um dos
fatores for zero.
das palavras palavras que fazem parte do nosso contexto; à medida que somos expostos
a novas informações, ampliamos nosso mundo e, consequentemente, nosso
repertório de escrita.
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• Regularidade de correspondência entre ortografia-fonologia: vimos que a
transparência das palavras tem relação com o reflexo de sua ortografia so-
bre a pronúncia e vice-versa. Por isso, palavras com relações consistentes de
ortografia-fonologia, como “pato”, são reconhecidas mais facilmente do que
palavras cujas relações entre ortografia-fonologia são inconsistentes, como
“boxe”.
Palavra Palavra
Palavra Palavra
Categoria de alta de baixa
regular irregular
frequência frequência
Partes do corpo Pé Tornozelo Boca Cabeça
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Algumas dessas características fazem parte do processo
de apropriação do sistema ortográfico da língua – fase
de aquisição da escrita –, por isso devem ser investiga-
das com cautela. Até a 4º ano, é comum que as crianças
façam confusões ortográficas, porque a relação com os
sons e palavras impressas ainda não está dominada por
completo. Porém, se as trocas ortográficas persistirem
sistematicamente, podemos estar diante de um transtorno
de aprendizagem, o que requer uma intervenção mais
dirigida.
Estratégias
para sala de aula
As atividades descritas a seguir são embasadas em pesquisas científicas, se-
guindo pressupostos teóricos do desenvolvimento dessas habilidades. Vale
lembrar que qualquer aluno será beneficiado pelas estratégias propostas,
mesmo aqueles que não apresentem nenhuma dificuldade de aprendizagem.
Grupo I Grupo II
Codificação no nível Elaboração
da palavra de texto
40
Estratégias
com foco no Grupo I:
Dificuldades de escrita
no nível da palavra
Um dicionário (que pode ser substituído por cartões com palavras do cotidia-
no do aluno, previamente selecionadas pelo professor). Atividade 1:
Cartões com as “ordens“: Significado; Sinônimo; Antônimo; Frase.
Jogo de palavras
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Como podemos usar o ditado?
Atividade 2:
usando “ditados”
Escreva uma frase que contenha estas duas palavras representadas em imagens:
Atividade 3:
binômios ou trinômios
fantásticos
Escreva uma frase que contenha estas três palavras representadas em imagens:
42
Escreva da cruzadinha palavras com duas sílabas e três sílabas.
Atividade 4:
palavras cruzadas
43
Troque as sílabas de lugar e descubra uma palavra nova:
Atividade 6:
descubra a
palavra nova
44
Descubra as palavras de acordo com os símbolos:
Atividade 7:
palavras em códigos
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Estratégias
com foco no Grupo II:
Dificuldades de elaboração de texto
Atividade 1:
tudo sobre Maria
46
Materiais: tesouras, papel, anúncios de venda em jornais e cartolinas.
Atividade 3:
Atividade: Selecione os anúncios de venda em jornais/ sites de venda. Os anún-
cios devem ser variados (venda de casas, serviços, objetos). Organize categoria
anúncios de jornal
para os anúncios (exemplos: casa, alimentação, roupa) e separe um cartolina
para cada uma.
Os alunos devem separar os anúncios nestas categorias e colar na cartolina
correspondente.
Após esta primeira etapa, os alunos podem ser orientados a criar e escrever um
anúncio para cada uma das categorias organizadas.
Essa atividade pode ser realizada em grupo para que alunos com diferentes
níveis funcionais de leitura e escrita possam participar.
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Peça para os alunos escolherem um texto, como um livro infantil ou um ca-
Atividade 5: pítulo, e transformá-lo em uma história em quadrinhos. Outra opção seria
gibi sem balão dar sequência a uma história que terminou, imaginando, por exemplo, como
seria a continuação de um conto de fadas. O que acontece depois dos “felizes
para sempre”?
O aluno pode criar um final humorístico para uma história ou notícia. Ou, ain-
da, selecionar um evento recente, como os Jogos Olímpicos ou o Carnaval, e
criar histórias sobre esse evento. Outra possibilidade seria criar uma história
a partir de uma música. A depender do objetivo da atividade, podemos dispo-
nibilizar textos de gibis aos alunos (abaixo) como recurso auxiliar.
48
Orientações Gerais
Autoavaliação:
49
• O professor também deve se monitorar e criar um checklist:
o Foram usados pequenos passos?
o As frases estão mais curtas?
o O vocabulário está compreensível?
o As pistas visuais foram usadas?
o Um texto maior (aumento) foi usado?
o O estilo de fonte está adequado?
o A apresentação foi valorizada?
o O aluno tem chances de se automonitorar e se autocorrigir?
o As tarefas abordam temas “simples” (dentro da zona de conforto)?
CEALE – UFMG
<[Link]
CEEL – UFPE
<[Link]
50
Conclusão
51
Bibliografia
52
GOMBERT, J. Atividades metalinguística e aquisição da leitura. In:
MALUF, M. R. (Org.). Metalinguagem e aquisição da escrita. São
Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. pp. 19-64.
53
WEINSTEIN, M. C. A. Transtorno específico das habilidades
matemáticas e discalculia do desenvolvimento. In: ZORZI, J. L.
(org.). Falando e escrevendo: desenvolvimento e distúrbios da
linguagem oral e escrita. 1a ed. Curitiba: Editora Melo, 2010.
Letramento em leitura
Disponível em <[Link]
pisa-marcos_referenciais>.
54
55
“Chega mais perto e contempla as palavras
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?”
Comitê de Educação
Adriana Pizzo Nascimento Gabanini
Alfredo Rheingantz
Carolina Nikaedo
Carolina Toledo Piza
Julia Almeida Braga
Juliana Amorina
Roselaine Pontes de Almeida
Tacianny Lorena Freitas Do Vale
Coordenação Técnica
Carolina Toledo Piza
Monica Andrade Weinstein
Equipe Administrativa
Beatriz Garofalo
Irene Negreiros
Kelvin Gunji Araki
Monica Andrade Weinstein
Supervisão