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Competência Linguística na Criança

O Módulo 3 apresenta estratégias para ajudar alunos com defasagem na aprendizagem, focando na estimulação das habilidades de linguagem oral e auditiva. O desenvolvimento da linguagem é essencial para a aprendizagem e envolve interação social, compreensão e uso de regras linguísticas. O módulo também sugere atividades práticas para melhorar a escuta e a fala dos alunos, preparando-os para a alfabetização e o sucesso acadêmico.

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Competência Linguística na Criança

O Módulo 3 apresenta estratégias para ajudar alunos com defasagem na aprendizagem, focando na estimulação das habilidades de linguagem oral e auditiva. O desenvolvimento da linguagem é essencial para a aprendizagem e envolve interação social, compreensão e uso de regras linguísticas. O módulo também sugere atividades práticas para melhorar a escuta e a fala dos alunos, preparando-os para a alfabetização e o sucesso acadêmico.

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Módulo 3

Como ajudar o aluno


a ouvir, a entender e a falar melhor?
“Os limites da minha linguagem
são os limites do meu mundo.”

Ludwig Wittgenstein
1889 – 1951
4
Apresentação

Nos próximos três módulos, serão apresentadas estratégias a serem uti-


lizadas em sala de aula, com o intuito de ajudar o aluno com defasagem
na aprendizagem. Neste módulo, começaremos dando maior importância
à estimulação das habilidades de linguagem oral, incluindo as habilidades
auditivas, que são primordiais para uma aprendizagem com sucesso.

Conteúdo

• A linguagem e a aprendizagem.
• O desenvolvimento da linguagem.
• A importância do ouvir e falar para a aprendizagem.
• Estratégias de escuta de sons.
• Estratégias de comunicação.

5
A linguagem
e a aprendizagem
Como vimos nos módulos anteriores, a linguagem é um dos aspectos mais
importantes no desenvolvimento da criança e sua aquisição mantém uma
estreita relação com vários fatores, entre os quais, o biológico, o afetivo e
o social. Nesse sentido, a interação da criança com o mundo que a cerca,
particularmente as pessoas que cuidam dela, tem um importante papel no
processo de aquisição de linguagem.

Desde antes do primeiro ano de vida, a criança participa de situações de


comunicação com o adulto e aprende maneiras de manifestar seus desejos
e necessidades. Para que a criança possa se comunicar de forma intencional
e para que seu comportamento seja compreendido pelo outro, ela faz uso
de ações como erguer os braços, gesticular com as mãos, sorrir e chorar.

Antes mesmo de completar 1 ano, a criança desenvolve o gesto de apon-


tar, identificando sua clara intenção de se comunicar. Quando as primeiras
palavras surgem, muitos outros aspectos da linguagem já se desenvolve-
ram (gestos, expressões, ações e linguagem receptiva). O uso das palavras
permite o exercício da função expressiva e revela o processo de linguagem
que até aquele momento se desenvolveu e continua em desenvolvimento.

É possível perceber que algumas crianças apresentam uma boa compreen-


são para enunciados relacionados ao contexto imediato, mas demonstram
dificuldades quando a tarefa ou diálogo exige dados não relacionados ao
contexto situacional. Isso pode indicar uma alteração ou comprometimen-
to no desenvolvimento da linguagem.

A competência comunicativa da criança também depende do conhecimen-


to das regras de uso da língua, ou seja, das regras pragmáticas dessa língua.
Este aprendizado se inicia na infância através da apropriação das regras de
conversação. Primeiro, manifesta-se por trocas comunicativas sonoras, por
meio do processo de troca de turnos na conversa e, à medida que a criança
cresce, se aperfeiçoa em outras funções comunicativas, como fazer pedi-
dos, dar ordens, perguntar, negar, exclamar.

Conforme a criança interage com seu meio, ela amplia seu repertório lin-
guístico (vocabulário), estabelece relações, generaliza e abstrai fatos. Isso
favorece o desenvolvimento de sua inteligência e capacidades de aprendi-
zagem.

6
O que é
linguagem?
É uma forma de comunicação que obedece a um código, seja gestual, oral ou
escrito. O desenvolvimento da linguagem é fundamental para o desenvolvi-
mento cognitivo global da criança.

Crianças menores têm compreensão literal do que é


dito, pois a função pragmática da linguagem ainda
está se desenvolvendo. Por isso, é importante explicar
o significado de algumas expressões que podem não
fazer sentido para elas!
Exemplo: “de pernas para o ar”

7
O desenvolvimento da linguagem segue um continuum ao longo de nossa
vida, começando com a comunicação não verbal, quando ainda somos bebês,
até a vida adulta, quando dominamos a expressão (seja por meio da fala ou da
escrita) e a compreensão da linguagem (seja por meio da escuta ou leitura).

Além da linguagem seguir esse continuum em termos de complexidade, ela


também se desenvolve em 5 domínios:

Domínios Definição
Linguísticos
Fonológico Estrutura dos sons da língua: capacidade de usar
as regras referentes aos sons e suas respectivas
combinações.

Domínio do significado das palavras: capacidade


Semântico de uso e aquisição de novas palavras, estabele-
cimento de relações entre elas e dos respectivos
significados, formando uma rede de conceitos.

Aquisição e uso das regras morfológicas: compre-


Morfológico ensão da formação, estrutura interna e padrões
das palavras da língua. Percepção das partes das
palavras, como as bases, raízes, prefixos e sufixos.

Sintático Regras sintáticas: aquisição e uso das regras de


organização e ordem das palavras em frases.

Metalinguagem Domínio das propriedades da língua: capacidade


de pensar sobre a língua de forma explícita.

8
Orientações ao professor
para estimular a
comunicação oral

9
Qual é a importância
do ouvir e do falar para
a leitura e a escrita?

Para que o aluno se torne um leitor proficiente, antes mesmo de iniciar o


processo de alfabetização, devemos promover o desenvolvimento de suas
habilidades de linguagem oral. Isso ajudará a prepará-lo para o ingresso no
Ensino Fundamental, além de diminuir o risco de dificuldades no processo
de alfabetização nos anos seguintes.

A criança deve ter bastante oportunidades para ouvir, falar, expandir o voca-
bulário e aprender as regras gramaticais de sua língua. Assim, mais tarde ela
terá mais chances de ter sucesso na leitura e na escrita.

Para compreendermos o que estamos lendo, precisamos saber o significado


das palavras e, para isso, ter tido oportunidade de ouvi-las com atenção. Da
mesma forma, para produzirmos bons textos, precisamos organizar nossas
ideias em uma sequência de palavras, frases e parágrafos que façam sentido.
Para tal, precisamos ter desenvolvido estas habilidades através da fala.

As habilidades de ouvir e falar são formas que usamos para nos comunicar-
mos, mas muito antes disso, desde a tenra infância, já nos comunicamos e
nos relacionamos com o meio através da linguagem.

10
O quadro abaixo descreve as habilidades de ouvir e falar:

Ouvir Falar
Comunicar para dar informações,
Ouvir, identificar e reconhecer fazer pedidos, recusar, manifestar
os sons da língua materna. sentimentos, cumprimentar, dar
ordens, escolher, partilhar ideias,
comentar situações.

Compreender a conversa Expressar-se com vocabulário


de adultos em diferentes variado produzindo corretamente
contextos de comunicação. os sons da língua.

Seguir e participar Usar frases respeitando a estrutura


de uma conversa. sintática e regras de concordância.

Entender instruções cada vez Narrar acontecimentos vividos


mais complexas. recentemente.

Ouvir e compreender histórias Adequar-se ao ouvinte e


lidas em voz alta, com ou sem à situação (desde falar com
apoio de imagens. um bebê até um adulto).

Compreender questões abertas: Tomar a vez na conversação,


Como? Onde? Por quê? introduzir tópicos, usar pistas
Quem? O quê? não verbais.

Identificar o contexto da conversa Usar a linguagem para resolver


para fazer uso da pragmática. problemas.

Aos 5 anos, as habilidades de ouvir e de falar já


devem estar bastante desenvolvidas.

11
Sobre as estratégias

A seguir, sugerimos atividades para serem realizadas em sala de aula.


Antes de apresentá-las, seguem algumas considerações gerais:

1. Algumas atividades estão associadas a uma instrução, mas esta é apenas


uma sugestão que serve de modelo e pode ser adequada ao estilo de
cada grupo.

2. Procuramos deixar pelo menos uma possibilidade de adaptação das


atividades, mas todas podem ser repensadas para se tornarem mais
ou menos difíceis. Também deve haver adaptação para atividades apre-
sentadas individualmente ou em grupo.

3. É importante salientar que as estratégias devem ser adequadas à idade


e/ou ao nível de desempenho das crianças.

4. Converse com outros professores com os quais você tenha mais afini-
dade e sugira parcerias. Por exemplo, os alunos dos anos mais adian-
tados podem ser responsáveis pela elaboração das tarefas que serão
usadas pelos menores. Na prática, todos são beneficiados, uma vez que
os mais proficientes vão treinar articulação de ideias e escrita e os mais
novos aprenderão conceitos novos.

5. Sempre que possível, envolva também os “professores especialistas”,


como os de Educação Física, Arte e Música, a fim de favorecer uma
aprendizagem mais interdisciplinar.

12
Estratégias para
incentivar a escuta de sons

A escuta atenta é uma peça-chave


para o desenvolvimento da linguagem

Prestando atenção ao mundo dos sons


Estratégias para
Estas atividades têm o objetivo de estimular os alunos a:
estimular a escuta
• prestar atenção aos diferentes sons aos quais somos expostos no nos- de sons
so dia a dia;
• identificar o som: Qual a localização (direita/esquerda, perto/longe)?
Quais as características (agudo/grave, verbal/não verbal)?

Identificando sons: Apresentar diferentes sons (som de buzina, pássaro


cantando, pessoas conversando, sirene, entre outros) e solicitar que os alu-
nos descrevam as características deles. O som pode ter sido previamente
gravado pelo professor ou encontrado na internet. Essa atividade pode ser
feita com a turma toda ou como uma competição entre grupos de alunos.

Identificando e localizando sons: Pedir para os alunos sentarem em círculo


no centro da sala com os olhos vendados. Escolher algumas crianças para
se espalharem pela sala e produzirem sons que terão de ser identificados e
localizados por aquelas que estão no centro da sala.

Radionovela na sala de aula: Dividir os alunos em grupos e dar uma história


a eles. Cada grupo deverá apresentar sua história para a sala, incluindo to-
dos os sons e efeitos sonoros.

Reprodução de sons em sequência: O professor (ou um aluno) produz


uma sequência de sons e os alunos devem reproduzir o som correto na
mesma sequência.

13
Distribua folhas para os alunos com desenhos (todas as cópias devem ser
Atividade 1: iguais) e diga em voz alta as instruções a seguir:

seguindo instruções I Cada um de vocês tem um desenho de um cachorro. Eu vou dizer um lugar e uma
cor para vocês pintarem, mas é importante que prestem bastante atenção porque
não vou repetir, vou dizer apenas uma vez. Por exemplo, vou dizer “rabo-verde”,
então vocês devem achar o rabo e pintá-lo de verde. Todos entenderam? Alguém
tem dúvida?

Os desenhos podem ser escolhidos de acordo com a demanda pedagógica do


Adaptação trabalho realizado pelo professor e as instruções podem seguir uma hierar-
quia de complexidade. Por exemplo: quando estiver trabalhando com figuras
geométricas, os desenhos podem ser formados por círculos, quadrados, en-
tre outros. Um exemplo de uma instrução verbal mais complexa, com quatro
informações (forma, tamanho, localização, cor): pinte o quadrado grande a
sua direita de verde claro.

Em vez de distribuir desenhos já feitos, o professor pode distribuir folhas em


branco e dar instruções verbais dos passos que os alunos devem desenhar,
sem contar como será a imagem final. Exemplo (alvo: rosto de palhaço): Faça
um círculo no centro da folha; agora faça um triângulo em cima do círculo...

14
Escreva alguns “comandos” em um papel e leia-os em voz alta:
Atividade 2:
Neste jogo, vou dizer para vocês um “comando” e quero ver quem consegue
segui-lo exatamente como eu disser. Começa mais fácil e depois vai ficando
seguindo instruções II
cada vez mais difícil. Prontos?

Selecione algumas palavras e frases de diferentes complexidades. Os alunos


podem sentar nas carteiras ou em círculo e repetir todos juntos ou um de Atividade 3:
cada vez.
repetição de palavras
Vou ler para vocês uma palavra ou frase. Assim que terminar, vou apontar ou frases
para um de vocês e quero que repitam exatamente o que eu disser. Prestem
bastante atenção porque uma das regras é que não posso repetir. Podemos
começar? O gato foi passear (apontar para um aluno, aguardar que ele repita
a frase). O pato cinza está no lago (apontar para outro aluno).

Esta atividade pode ser feita como “telefone sem fio”. O professor formula Adaptação
uma frase (que pode variar em relação a quantidade e complexidade de
palavras) e cada aluno deve transmitir a informação a outro.

15
Dê exemplos de frases e sinalize sua importância comunicativa, enfatizan-
Atividade 4: do que, através delas, transmitimos ideias a alguém. Essas frases podem ser

percebendo as frases formuladas com os nomes dos alunos e com características observáveis para
que haja mais envolvimento e engajamento na tarefa.

Vou falar para vocês algumas frases e quando terminar quero que batam palma
para cada palavra. Mas é importante que seja só uma palma por palavra. Por
exemplo: “Julia está de botas marrom”. Quantas palmas vocês devem bater nes-
se exemplo? Isso, muito bom, cinco. Entenderam? Vamos começar?

Em vez de bater palmas, sugira que os alunos façam um “batuque” ou um


Adaptação som diferente para cada palavra. Em vez do som pode ser um movimento
(exemplo: levantar o braço).

Escolha uma história curta que tenha uma palavra que se repete com
Atividade 5: frequência. Os alunos podem estar sentados nas carteiras ou em círculo.

identificando Eu vou ler para vocês a história do Pato José. Toda vez que falar a palavra “pato”
palavras-alvo nas quero que vocês coloquem a mão na cabeça.

histórias

Para aumentar a dificuldade da tarefa, aumente a demanda de informações


Adaptação que os alunos deverão prestar atenção: Agora vamos deixar esse jogo um pou-
co mais difícil. Quero que vocês coloquem a mão na cabeça toda vez que ouvi-
rem a palavra “pato”, mas só se depois de “pato” eu disser a palavra “correu”.

16
Escreva algumas frases em uma folha e apresente a atividade:
Atividade 6:
Vou ler para vocês algumas frases e quero que prestem atenção, pois depois vou
repeti-las apenas uma vez, mas com uma palavra faltando. O desafio de vocês
percebendo
é completar a frase com a mesma palavra que eu usei. Por exemplo, eu digo: Eu as palavras I
passeio de bicicleta, aí aponto para um de vocês e repito: Eu passeio de .
Qual a palavra que está faltando? “Bicicleta”, muito bem. Prontos?

Para deixar a atividade mais difícil, aumente o tamanho da frase, e inclua


palavras menos frequentes ou recém-aprendidas pelos alunos. Adaptação

Hoje vamos fazer jogos com frases e palavras. Eu vou falar uma frase e vocês vão
dividi-la em palavras. Cada um de vocês vai falar as palavras de uma frase. Por Atividade 7:
exemplo, se eu falar: /Mauricio deitou/. Aquele que eu escolher tem de dizer as
palavras separadas, assim: /Mauricio – deitou/.
percebendo
as palavras II

Utilize frases mais longas, por exemplo:


Adaptação
1. A menina gostou do sorvete.
2. Mamãe foi ao supermercado.
3. Amanhã vai fazer sol.
4. O gato fugiu do cachorro.

17
Fale palavras para os alunos e pergunte se eles conhecem outras palavras que
Atividade 8: têm partes iguais. Por exemplo:

percebendo
a formação
das palavras

Esta atividade é semelhante à atividade de escuta para palavras, mas agora os


Atividade 9: alunos devem ficar atentos às sílabas.

percebendo Vamos fazer um jogo de desenhos. Em cada carta dessas tem um desenho (as
as sílabas cartas devem estar viradas para baixo formando uma pilha). Cada um de nós
vai pegar uma carta, ver o desenho, dizer o nome dele e bater palmas para
cada sílaba. Depois nós vamos todos bater palmas juntos para cada sílaba da
palavra. Então, eu começo. (Pegar uma carta, por exemplo, a figura de prato):
/prato/, depois repetir devagar batendo palmas a cada sílaba pra - to. Agora
vamos lá, todos comigo pra – to (bater palmas para cada sílaba).

18
O objetivo é o mesmo da atividade anterior, mas agora a palavra é apresen-
tada oralmente. Atividade 10:
Vou falar para vocês algumas palavras e, quando terminar, quero que batam pal-
percebendo
ma para cada “pedaço da palavra”. É importante baterem só uma palma para as sílabas II
cada pedaço. Por exemplo: “Maçã”. Quantas palmas vocês devem bater nesse
exemplo? Muito bom, duas. Entenderam? Vamos começar?

Para as crianças que já têm familiaridade com palavras escritas: escrever


palavras em tiras de cartolina e deixar algumas tesouras disponíveis. Cada Adaptação
criança deverá cortar as palavras em “pedaços” e achar uma dupla (ou trio)
para formar uma nova palavra.

Nestas atividades, o objetivo é garantir que todas as crianças saibam dizer


o nome de todas as letras de forma rápida e automatizada. Atividade 11:
Aqui tenho todas as letras do alfabeto, vou apontar para algum de vocês e em
percebendo
seguida para uma letra. Só quem eu apontar deverá falar o nome da letra. as letras
Vamos começar.

Recorte quadrados de cartolina, separe algumas canetinhas coloridas e mon-


te um “alfabeto personalizado” com a turma. Adaptação

19
Separe figuras/desenhos de palavras que começam com a mesma letra ou com
Atividade 12: o mesmo som. Por exemplo, F: foca, folha, faca, fogão. Em um primeiro mo-

percebendo os sons mento, evite palavras que comecem com encontros consonantais como FL em
“flor” ou FR em “frio’”, pois essa estrutura de sílaba dificulta a percepção.
das letras
Agora nós vamos brincar com os sons que começam as palavras. Aqui tenho
algumas figuras e quero que vocês descubram qual é som que elas têm igual
(falar todas as palavras em voz alta, enfatizando o começo do som). Aqui
nós temos a figura de uma “fff-oca”, aqui de uma “fff-olha”, uma “fff-aca” e
um“fff-ogão”.

Estimule que todos repitam o som, prestando bastante atenção em como ele
Adaptação é produzido.
• Para facilitar a percepção dos sons produzidos por cada letra, você
pode desenhar com os alunos como os lábios e a língua ficam posiciona-
dos para produzir os sons das letras.
• Apresente uma folha com desenhos para que a criança pinte aqueles que
começam com o mesmo som (por exemplo: abacaxi, anel, balão, cadeira).

20
Monte um jogo de dominó, mas, em vez de números, os estímulos serão figuras.
Atividade 13:
Vamos jogar dominó. Só que esse dominó não é de números, mas de desenhos.
Nós vamos separar as peças que tenham desenhos com o mesmo som no começo.
percebendo os sons
Eu vou falar os nomes das figuras para vocês (nomear todas as figuras). Então, se das palavras
na mesa tiver essa carta (maçã/flor), eu vou ter de colocar uma carta que tenha
um desenho que comece com /m/, igual a /mmaçã/, ou com /f/, igual a /fflor/.
As figuras do dominó podem começar com um desses oito sons: /m/, /f/, /l/, /a/,
/v/, /p/, /r/, /s/. (coloque essas oito letras num lugar visível para as crianças,
nomeando as letras e os seus sons). Vamos começar!

Existem sons da Língua Portuguesa que são bastante


parecidos, e, por isso, são facilmente confundidos. Esses
sons (fonemas) são classificados como surdos ou so-
noros, sendo que os surdos não têm vibração das pregas
vocais, ao passo que os sonoros precisam dessa vibração.
Os pares de sons surdos e sonoros são:
/f/ e /v/, /s/ e /z/, /S/ e /Z/, /p/ - /b/, /t/-/d/, /k/ - /g/.

21
Escreva palavras em um papel ou em tiras de cartolina. Para dar ênfase às sílabas,
Atividade 14: escreva cada sílaba com uma cor diferente e recorte-as. Desenhe também o sinal

soma e subtração de soma e subtração em outro pedaço de papel.

de sílabas Agora vamos fazer um jogo de somar e subtrair, mas não são contas matemá-
ticas, vamos fazer com palavras. Vou falar uma palavra para vocês e mostrar
esse sinal “+” ou esse “-”. Então, se eu mostrar esse cartão (mostrar a cartolina
com o sinal de “+”) vocês deverão acrescentar uma sílaba, mas se eu mostrar
esse aqui (mostrar a cartolina com o sinal de “-“) vocês deverão retirar uma
sílaba. Por exemplo: se eu mostrar essa sílaba, “ma”, depois o sinal de “+” e a
sílaba “to”, forma a palavra MATO. Entenderam?

• Esse jogo pode ser feito em grupos (duplas ou trios).


Adaptação • Os alunos podem ser incentivados a criar palavras a partir da soma ou
subtração de partes de outras palavras.
• Acrescentar e somar sílabas no meio das palavras.

22
A instrução pode ser a mesma da atividade “Soma e subtração de sílabas”, a
única modificação é que para esta atividade será necessário um pedaço de Atividade 15:
cartolina com algum código para identificar que a tarefa agora é inverter.
invertendo
Vamos fazer um jogo parecido com aquele de somar e subtrair, mas agora, quan- sílabas
do mostrar esse cartão (mostre o cartão), vocês deverão inverter as sílabas. Por
exemplo: se disser “boca”, que palavra forma se eu inverter o som dessas sílabas?
/bo/ /ka/, fica /ka/ /bo/, “cabo”. Entenderam?

• Esse jogo pode ser feito em duplas ou trios.


• Substituir as sílabas por figuras geométricas. Por exemplo: Adaptação

23
O principal objetivo desta atividade é demonstrar os padrões da língua que
se repetem (como as rimas), a cadência e o ritmo da leitura, além de propor-
Atividade 16: cionar o contato com novas palavras e estimular o vocabulário. Escreva na

percebendo as rimas lousa e leia em voz alta a parlenda (ou entregue uma cópia impressa). Releia
algumas vezes e, depois, peça aos alunos tentarem ler junto com você.

• Solicite que os alunos pesquisem outras parlendas, poesias e trava-


Adaptação -línguas para apresentar à sala.
• Para os alunos mais velhos, apresente atividades-desafio para que eles
próprios criem um verso, uma música.

Separe imagens de palavras que terminam com o mesmo som. Por exemplo:
Atividade 17: gola, mola, enrola, sacola; e brincadeira, mamadeira, geladeira, cadeira.

brincando com Aqui tenho algumas figuras nas quais as palavras terminam com o mesmo som,
as rimas ou seja, rimam (dizer o nome de todas as figuras em voz alta, enfatizando a
rima). Qual é o som que se repete nessas primeiras palavras? Muito bem, OLA.
Alguém consegue pensar em outra palavra que também termina com OLA? Onde
nós estamos? Na escOLA, muito bem! Vou dizer três palavras, duas que rimam e
uma que não. Vocês deverão me dizer qual não rima. Por exemplo:

24
Estratégias de comunicação
Estimular as habilidades de linguagem utilizando diferentes meios, como:

• MÚSICA: é um recurso que pode ser utilizado em diferentes anos es-


colares, pois é lúdico e desperta o interesse dos alunos. Incentive-os a
marcar o ritmo da música batendo palmas ou fazendo batuque.

• HISTÓRIAS: ler e contar histórias são ótimas maneiras de estimular o


vocabulário, a atenção e a memória, além da imaginação e da fantasia.
Vejamos a atividade abaixo.

A prática de contar histórias é milenar e tem como principal objetivo compar-


tilhar acontecimentos ou fatos com terceiros.

• Missão: De onde vinham as histórias? Qual é a fonte de inspiração dos


contadores de histórias nas civilizações mais antigas?

• Corpo emocional da história: Quem as contava? Qual era o preparo e o


papel desses contadores dentro da sociedade?

• Processo, vitalidade da história: Como se dava a transmissão das histó-


rias, qual era o ambiente para ouvir?

• Corpo físico da história: Do TODO às PARTES da história – uma ima-


gem que se divide dentro de uma sequência que faz sentido; algum
sentido tem de ser encontrado, pois é o que une as partes.

25
Saber a história de cor significa poder contá-la do coração, com envolvimento
Sugestão de como real. Mas como colocar a história no coração?

decorar uma história

26
A atividade de sequenciamento lógico-temporal favorece que a criança com-
preenda as relações de tempo, espaço e causalidade. Ainda auxilia na per- Atividade 1:
cepção de sequência (início, meio e fim), que é facilitada pelo uso de figuras.
Selecione figuras de um livro sem texto ou desenhos ou tiras de gibi sem fala.
sequência
lógico-temporal
Tenho aqui três cartões, em cada cartão tem um desenho e, se colocarmos na
sequência correta, podemos criar uma história. Neste aqui, por exemplo, o que
vocês acham que está acontecendo? (salientar detalhes do desenho que indicam
o que aconteceu antes e depois).

• Caso seja possível, proponha parceria com o professor de Arte para que
os próprios alunos façam os cartões. Este material pode ser trocado Adaptação
entre as salas. Por exemplo: o 2o ano A utiliza os cartões preparados
pelo 2o ano B e vice-versa.

• Para aumentar a dificuldade: aumente a quantidade de cartões, apresen-


te aos alunos fora da sequência correta para que eles próprios tenham
de organizá-los.

• Disponibilize alguns gibis que possam ser recortados. Oriente os alunos


a recortar somente os personagens. Em uma folha branca, eles podem
colar as figuras, desenhar o cenário e contar a história.

27
Leve um saco com diversos objetos: lápis, celular, elástico, pulseira etc.

Atividade 2: Tenho aqui uma caixa com vários objetos e vocês não sabem o que são. Vou

inventando histórias apontar para um de vocês, que deve começar a contar uma história (se preferir
comece você ou sugira um tema). De repente, eu vou tirar algum objeto daqui
com objetos de dentro desse saco e você terá que encaixá-lo na história. É muito importante
que a história continue fazendo sentido. Entenderam?

• Em vez de utilizar o saco com objetos, usar figuras ou palavras escritas.


Adaptação • Para dificultar, apresentar tiras de cartolinas com frases escritas. Em certo
momento, o professor seleciona uma tira e o aluno deverá incluir a palavra ou
frase no enredo da história.

O principal objetivo é apresentar as perguntas-chave que são norteadoras do


Atividade 3: nosso discurso oral: quem, onde, quando, como, por quê, quanto, qual.

desenvolvendo Tenho aqui umas tiras com algumas perguntas, que são perguntas mágicas porque
a narrativa nos ajudam muito a organizar o pensamento. Vamos ver se todos aqui já conhe-
cem todas essas perguntas? Vou falar uma frase e vocês deverão achar onde está
a resposta da pergunta-mágica. À noite o cinema estava cheio. Onde? No cinema.
Quando? À noite, muito bem! Alguma dúvida? Podemos começar?

Caso não considere necessária a introdução das “perguntas-mágicas”, adapte


Adaptação a atividade anterior (“Inventando história com objetos”), substituindo as pa-
lavras e frases escritas em uma tira de papel por essas perguntas.

28
Peça aos alunos para se sentarem em círculo:
Atividade 4:
Agora vamos brincar de inventar histórias juntos. Eu vou começar dizendo uma
frase. Aí, o Fulano que está aqui do meu lado terá de continuar essa história, de-
construindo histórias
pois passa para o seguinte e assim por diante. Mas é muito importante prestar compartilhadas
atenção na história, porque, quando for sua vez, deverá lembrar-se do enredo para
continuar. Todos entenderam? Podemos começar? “Julia Gabriela era uma menina
que amava construir castelos de areia, mas, um dia, Julia chegou à praia e ...”

Proponha parcerias com professores de outras disciplinas, por exemplo com o


professor de História, e verifique qual o assunto está sendo trabalhado por ele. Adaptação

Apresente aos alunos situações diversas que deverão dizer o que vai acon-
tecer a seguir. Atividade 5:
Vou contar para vocês uma situação qualquer e vocês deverão me dizer o que fariam:
o que vem depois?
Aprendendo a fazer
predições

• Esta atividade pode ser elaborada com frases com conjunções:


Ana iria à festa, porém... Adaptação
• Ou situações que envolvem condições SE... ENTÃO. Se você esquecer
o bolo no forno, então...

29
• A fala do adulto é uma referência fundamental e serve
de modelo para a criança.

• Os adultos são estimuladores da cognição, pois auxiliam


na organização das atividades da criança/adolescente,
orientam sua atenção, fazem a mediação diante das difi-
culdades nas tarefas e oferecem instruções explícitas
e implícitas.
• É importante ressaltar que as atividades podem ser rea-
lizadas coletivamente, em duplas ou em pequenos gru-
pos, com as crianças sentadas em cadeiras, em forma
de círculo ou em pé. Mesmo nas atividades coletivas,
o professor deve incentivar a participação de todos.
• Nas tarefas em que há nomeação de um aluno que deve
responder à pergunta ou à solicitação do professor,
todos podem ajudar caso ele precise de ajuda.
• Nas ocasiões em que outro aluno responde à tarefa an-
tes do aluno solicitado, o professor pode pedir à criança
que espere o colega que foi chamado responder à próxi-
ma tarefa, de modo que todos possam participar.

30
Ao contar histórias, fique atento ao comportamento dos
alunos, incentivando que se concentrem na atividade.
Tente envolvê-los na história por meio de suas palavras e
expressão.

O trabalho com vocabulário é de suma importância para o


desenvolvimento da leitura e da escrita. Pesquisas demons-
tram que a aprendizagem de palavras novas se dá com maior
facilidade quando há exposição visual e gráfica da informa-
ção, para que tanto a forma como o som da palavra possam
ser registrados. Por isso, ao trabalhar com vocabulário é
importante oferecer imagens das palavras (ex: foto/desenho
de uma nave espacial) e sua forma escrita (ex: “nave espa-
cial”).

Essas duas informações combinadas ajudam as crianças a


lembrarem da pronúncia e do sentido das palavras, fazen-
do que elas aprendam com mais facilidade. Procedimentos
como esses se aplicam a todos os níveis de leitura (Ehri &
Rosenthal, 2007).

31
Conclusão

O desenvolvimento da linguagem é essencial para a aprendizagem. Ele per-


mite a expansão da representação simbólica do mundo e de suas relações, e
promove o desenvolvimento cognitivo da criança. Diversas pesquisas apon-
tam que as habilidades de linguagem receptiva (ouvir e entender) e expressi-
va (falar) na infância são indicadores de futuras habilidades de leitura, escrita
e compreensão do texto (Bishop, 2002).

Portanto, todo professor precisa criar situações para que a linguagem oral
(fala) seja desenvolvida, o vocabulário seja ampliado e os diferentes contex-
tos e usos da língua oral sejam praticados em sala de aula. A linguagem oral
é base para que as habilidades de leitura e escrita se desenvolvam adequada-
mente.

32
Bibliografia

BISHOP, D. V. & ADAMS, C. A Prospective Study of the Relationship


between Specific Language Impairment, Phonological Disorders
and Reading Retardation. J. Child Psychol. Psychiatry, v. 31, n. 7,
1990, pp. 1027-50.

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35, 2002, pp. 311-28.

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Escrita. São Paulo: Mennon, 2004.

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n. 5855, 2007, pp. 1387-8.

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Disponível em: <[Link]
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SIM, I. S.; SILVA, A. C. & NUNES, C. Linguagem e Comunicação


no Jardim de Infância – Textos Apoiadores para Educadores de
Infância. Lisboa: Ministério da Educação, 2008.

33
Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,


És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela
Amo-te assim, desconhecida e obscura
Tuba de algo clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac
1865 - 1918
Esta apostila foi elaborada pela equipe multidisciplinar do Comitê
de Educação do iABCD para servir de apoio ao curso de formação
de professores do Programa Todos Aprendem.

Comitê de Educação
Adriana Pizzo Nascimento Gabanini
Alfredo Rheingantz
Carolina Nikaedo
Carolina Toledo Piza
Julia Almeida Braga
Juliana Amorina
Roselaine Pontes de Almeida
Tacianny Lorena Freitas Do Vale

Coordenação Técnica
Carolina Toledo Piza
Monica Andrade Weinstein

Equipe Administrativa
Beatriz Garofalo
Irene Negreiros
Kelvin Gunji Araki
Monica Andrade Weinstein

Supervisão

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