UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
INSTITUTO DE ENSINO À DISTÂNCIA
Processos morfológicos de formação de palavra
Luisa Timoteo Massango, 708221772
Maputo, Maio de 2025
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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
INSTITUTO DE ENSINO À DISTÂNCIA
Tutor:
Licenciatura em ensino Lingua Portuguesa
4º Ano
Maputo, Maio 2025
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Índice
1 Introdução ........................................................................................................................... 4
2 Metodologia ........................................................................................................................ 4
3 Fundamentação Teórica ...................................................................................................... 5
4 Discussão ............................................................................................................................ 7
5 Considerações Finais........................................................................................................... 8
6 Referências .......................................................................................................................... 9
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1 Introdução
A formação de palavras é um processo fundamental na dinâmica de qualquer língua, refletindo
a capacidade comunicativa dos seus falantes e a constante evolução do vocabulário (Bechara,
2009). Em particular, a língua portuguesa apresenta diversos mecanismos morfológicos que
permitem a criação de novas palavras a partir de unidades já existentes, através da combinação
e modificação dos seus elementos constituintes (Cunha & Cintra, 2001).
Este estudo centra-se na análise dos principais processos morfológicos de formação de palavras,
com especial atenção para a composição — nomeadamente a aglutinação e a justaposição — e
para a derivação, tanto regular quanto irregular (Holanda, 2010). Compreender estes processos
é essencial para aprofundar o conhecimento sobre a estrutura e funcionamento da língua, bem
como para valorizar a sua riqueza semântica e morfológica (Mateus & d’Andrade, 2000).
Ao longo deste trabalho, serão explorados conceitos-chave como a formação por composição,
a derivação regular (incluindo refixação, sufixação e parassíntese) e a derivação irregular, que
abrange fenómenos como amálgama, empréstimos linguísticos, truncação, neologismos,
acrónimos, extensão semântica, abreviaturas, hibridismo e siglas (Bechara, 2009; Cunha &
Cintra, 2001). Para cada processo, serão apresentados exemplos ilustrativos, visando
proporcionar uma compreensão clara e abrangente.
2 Metodologia
Para a realização deste estudo, adotou-se uma abordagem qualitativa, baseada na análise
bibliográfica e descritiva dos principais processos morfológicos da língua portuguesa. O
procedimento metodológico consistiu nas seguintes etapas:
Pesquisa Bibliográfica:
Foi realizada uma revisão sistemática da literatura especializada em morfologia e linguística,
incluindo gramáticas tradicionais e contemporâneas, artigos científicos e obras de referência
reconhecidas, tais como Bechara (2009), Cunha e Cintra (2001) e Mateus e d’Andrade (2000).
Seleção dos Processos Morfológicos:
Foram identificados e selecionados os principais processos morfológicos relevantes para o
estudo, nomeadamente a composição (aglutinação e justaposição), a derivação regular
(refixação, sufixação e parassíntese) e a derivação irregular (amálgama, empréstimo, truncação,
neologismo, acrónimo, extensão semântica, abreviatura, hibridismo e sigla).
Análise Descritiva:
Cada processo foi descrito em termos teóricos, sendo acompanhada de exemplos significativos
retirados da literatura e do uso corrente da língua portuguesa, para facilitar a compreensão e
exemplificação dos fenómenos morfológicos.
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Os dados coletados foram organizados de forma sistemática, permitindo uma comparação entre
os diferentes processos e a apresentação clara das suas características específicas.
Esta metodologia permitiu aprofundar o conhecimento sobre a formação de palavras,
evidenciando as particularidades de cada processo e contribuindo para uma compreensão
abrangente da morfologia do português.
3 Fundamentação Teórica
A formação de palavras é um processo essencial na morfologia da língua portuguesa,
permitindo a criação de novas unidades lexicais que ampliam e enriquecem o vocabulário
(Bechara, 2009). Este processo ocorre principalmente por meio da composição e da derivação,
que se apresentam em diversas formas e com características específicas.
3.1 Formação de Palavras por Composição
A composição é um mecanismo pelo qual duas ou mais palavras ou radicais se unem para
formar uma nova palavra, com um significado resultante da combinação dos seus elementos
constituintes (Cunha & Cintra, 2001). Existem dois tipos principais de composição:
Justaposição: Neste tipo, os radicais são simplesmente colocados lado a lado, sem alteração
fonética ou morfológica. Exemplos típicos são guarda-roupa e beija-flor, onde os elementos
mantêm as suas formas originais.
Aglutinação: Aqui ocorre uma fusão dos radicais, com perda ou alteração de sons para facilitar
a pronúncia. Um exemplo clássico é a palavra planalto, derivada da junção dos radicais plano
e alto, em que a vogal final de plano é suprimida (Holanda, 2010).
3.2 Derivação Regular
A derivação regular consiste na formação de palavras através da adição sistemática de afixos
ao radical, alterando o significado ou a classe gramatical da palavra original (Bechara, 2009).
Este processo subdivide-se em:
Refixação (Prefixação): Consiste na adição de um prefixo no início da palavra, modificando o
seu sentido. Por exemplo, o prefixo in- em infeliz indica negação do estado de felicidade.
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Sufixação: Envolve a colocação de um sufixo no final da palavra para formar um novo termo.
Exemplos incluem cantor (do verbo cantar + sufixo agente -or) e felicidade (do adjetivo feliz +
sufixo -dade).
Parassíntese: Processo simultâneo de prefixação e sufixação, onde a palavra resultante não
existe se apenas um dos afixos for adicionado isoladamente. Por exemplo, envelhecer (prefixo
en- + radical velho + sufixo -ecer) (Mateus & d’Andrade, 2000).
3.3 Derivação Irregular
A derivação irregular agrupa processos diversos que não seguem o padrão tradicional de
afixação e que frequentemente envolvem modificações mais complexas (Cunha & Cintra,
2001):
Amálgama: Combinação parcial de duas palavras para formar uma nova, como em planalto.
Empréstimo: Incorporação de palavras provenientes de outras línguas, como futebol do inglês
football.
Truncação: Processo de redução da palavra original, por exemplo, foto (de fotografia).
Neologismo: Criação de palavras novas para designar conceitos recentes, como selfie.
Acrónimo: Formação de uma palavra a partir das letras iniciais de uma expressão, pronunciada
como palavra, por exemplo, ONU (Organização das Nações Unidas).
Extensão Semântica: Ampliação do significado original da palavra, como o uso de mouse para
o dispositivo de computador.
Abreviatura: Redução gráfica da palavra, geralmente acompanhada de ponto, como Sr.
(Senhor).
Hibridismo: Combinação de elementos de diferentes línguas na formação da palavra, como
automóvel (grego auto- + latim mobilis).
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Sigla: Formação a partir das letras iniciais de uma expressão, pronunciada letra a letra, como
BBC (British Broadcasting Corporation).
4 Discussão
A análise dos processos morfológicos de formação de palavras evidencia a complexidade e a
riqueza do léxico da língua portuguesa, refletindo a sua capacidade de adaptação e inovação
linguística. A composição, tanto na forma de justaposição quanto na aglutinação, revela como
elementos lexicalmente completos podem unir-se para gerar palavras com significados precisos
e contextualizados, mantendo ou alterando levemente as características fonéticas, conforme
ilustrado em exemplos como guarda-chuva e planalto.
A derivação regular, por sua vez, mostra um mecanismo sistemático e produtivo para a
expansão vocabular, permitindo a criação de palavras novas a partir de radicais por meio da
adição de prefixos e sufixos. Os processos de refixação, sufixação e parassíntese são
fundamentais para a formação de diferentes categorias gramaticais e para a modulação
semântica, como em infeliz, cantor e envelhecer, respetivamente.
Por outro lado, a derivação irregular engloba fenómenos morfológicos que desafiam as regras
tradicionais, evidenciando a flexibilidade e a dinâmica da língua. A presença de amálgamas,
empréstimos e neologismos reflete a interação da língua portuguesa com outras línguas e
culturas, bem como a necessidade de incorporar novos conceitos e realidades sociais. Além
disso, processos como truncação, acrónimos, siglas e hibridismo demonstram estratégias
variadas para a formação de palavras, atendendo a critérios de economia linguística e adaptação
fonética.
Esta diversidade de processos morfológicos contribui para a vitalidade e evolução constante da
língua, permitindo que os falantes expressem novas ideias e contextos de forma eficiente e
criativa. A compreensão aprofundada desses mecanismos é essencial não só para os estudos
linguísticos, mas também para o ensino da língua, o desenvolvimento de dicionários e a
elaboração de ferramentas de processamento automático da linguagem natural.
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5 Considerações Finais
O estudo dos processos morfológicos de formação de palavras revela a complexidade intrínseca
da língua portuguesa e a sua capacidade de adaptação às necessidades comunicativas dos
falantes. Através da composição e da derivação, tanto regular como irregular, a língua renova-
se constantemente, incorporando novos significados, conceitos e formas.
A compreensão dos mecanismos de aglutinação e justaposição na composição, assim como dos
processos de refixação, sufixação e parassíntese na derivação regular, permite uma melhor
apreensão da estrutura lexical e dos padrões que regem a formação de palavras. Por outro lado,
a análise dos processos irregulares, como empréstimos, neologismos e hibridismos, evidencia
a dinâmica da língua face às influências culturais e tecnológicas contemporâneas.
Este conhecimento é fundamental para a prática linguística, para o ensino da língua portuguesa
e para áreas aplicadas, como a lexicografia e a linguística computacional. A investigação
contínua sobre a morfologia contribui para o enriquecimento do património linguístico e para a
valorização da língua enquanto instrumento vivo de comunicação e expressão cultural.
Assim, ressalta-se a importância de aprofundar estes estudos, ampliando a análise a contextos
variados e incorporando novas abordagens teóricas e metodológicas, garantindo uma
compreensão mais abrangente e atualizada da formação de palavras na língua portuguesa.
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6 Referências
Bechara, E. (2009). Moderna gramática portuguesa (37.ª ed.). Rio de Janeiro: Lucerna.
Cunha, C., & Cintra, L. F. (2001). Nova gramática do português contemporâneo. Lisboa:
Edições João Sá.
Holanda, S. B. C. (2010). Gramática portuguesa: Morfologia. São Paulo: Contexto.
Mateus, M. H., & d’Andrade, E. (2000). Gramática da língua portuguesa. Lisboa: Fundação
Calouste Gulbenkian.