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Agroecologia e Educação no Campo

O documento discute a importância da agroecologia nas escolas do campo, destacando sua abordagem sustentável e integrada que busca respeitar os conhecimentos locais e promover a biodiversidade. Além disso, aborda a formação de professores para atuar nesse contexto, enfatizando a necessidade de uma educação que valorize a cultura e as especificidades do meio rural. O objetivo é preparar educadores que possam contribuir para a transformação social e econômica das comunidades rurais, enfrentando as desigualdades educacionais.

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Agroecologia e Educação no Campo

O documento discute a importância da agroecologia nas escolas do campo, destacando sua abordagem sustentável e integrada que busca respeitar os conhecimentos locais e promover a biodiversidade. Além disso, aborda a formação de professores para atuar nesse contexto, enfatizando a necessidade de uma educação que valorize a cultura e as especificidades do meio rural. O objetivo é preparar educadores que possam contribuir para a transformação social e econômica das comunidades rurais, enfrentando as desigualdades educacionais.

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5º MÓDULO – AGROECOLOGIA NAS ESCOLAS DO CAMPO

A agroecologia se constitui em um novo paradigma na agricultura e nos modos


de vida estabelecidos, centrada na construção de modos sustentáveis de produção
agrícola e extrativista, em suas dimensões ecológico-produtiva, sociocultural,
econômico-financeira e energética.

Procura responder a demandas e anseios da sociedade por uma agricultura e


modos de vida sustentáveis, inserindo, dentre seus objetivos centrais, o uso
sustentável dos recursos naturais do planeta, no tempo e no espaço, e a equidade na
apropriação da riqueza gerada a partir da produção agrícola. Trata-se de área da
ciência que se situa na interface da ecologia e da agronomia clássica, que se pauta pela
busca do desenvolvimento rural sustentável (COSTA, 2017).

Foto: reprodução

Releva a observância e o respeito aos conhecimentos e acúmulos da ecologia


na orientação da produção agrícola, adotando uma abordagem que busca integrar os
“princípios agronômicos, ecológicos e socioeconômicos na compreensão e avaliação
do efeito das tecnologias sobre os sistemas agrícolas, e sobre a sociedade como um
todo” (ALTIERI, 2012, p.23).

O foco central da agroecologia são os agroecossistemas, e a análise de suas


características e esquemas de funcionamento, em todas suas dimensões, o que
permite ultrapassar a visão unidimensional e fragmentada da ciência agrícola
convencional. A preocupação da ciência agroecológica não se restringe apenas a

1
problemas como pragas e doenças, ou à recuperação e proteção do solo, mas sim a
busca da eficiência e da resiliência do agrossistema como um todo. Por exemplo, se a
causa dos problemas do sistema for entendida como um desequilíbrio (doença, praga
e/ou degradação do solo), a solução para resolver o mesmo é uma orientação que se
pauta por um conjunto de princípios de preservação e ampliação da biodiversidade
dos agroecossistemas, justamente para produzir a estabilidade, a autorregulação e a
sustentabilidade (ALTIERI, 2012).

A agroecologia lança mão do enfoque sistêmico no entendimento do


funcionamento e na orientação das unidades produtivas, o que tem implicações com a
pesquisa e a extensão rural. Além de relevar os conhecimentos acumulados pelos
agricultores na orientação, organização e gestão dos sistemas produtivos, se atém
também à adequação da agricultura a cada realidade ecológica, no tocante à estrutura
dos sistemas produtivos, à seleção das distintas atividades produtivas vegetais e
animais, à definição das espécies, raças, cultivares e variedades a explorar, e sua
adequação e compatibilidade à realidade ecológica local (ALTIERI; NICHOLLS, 1989;
COSTA, 2004).

O papel da agroecologia como alternativa para a viabilização econômica e social


da agricultura familiar tem sido demonstrado e reconhecido em estudos de casos
desenvolvidos internacionalmente, onde se inserem as atividades de extensão que o
Núcleo de Estudos e Extensão em Agroecologia (NEEA) da Universidade de Araraquara
(UNIARA), vem desenvolvendo nos assentamentos da região, com a perspectiva de
fornecer respostas às demandas produtivas e sociais destes territórios, e avançar com
alternativas de desenvolvimento rural que apontem para a sustentabilidade.

Práticas diferenciadas têm sido detectadas nas experiências de diversificação


agrícola encontradas nos assentamentos rurais do município de Araraquara e região.
Às vezes são sinais de uma diferenciação no manejo do solo, outras são expressões
evidentes de que as práticas convencionais não são as únicas existentes nos
assentamentos. Nestes sinais e nestas expressões contam os conhecimentos
tradicionais, a troca de experiências entre os próprios assentados e o acúmulo de toda
uma existência enquanto grupo familiar rural (LOPES, 2017).

A prática agroecológica, como tendência de produção, aponta para a


necessidade da construção e disseminação de novos conhecimentos para a formação
dos sujeitos do campo que compreendam as exigências dela derivadas, entre as quais,
uma nova relação entre o homem e a natureza, na busca da sustentabilidade
socioambiental e econômica dos estabelecimentos rurais. Neste sentido, a Educação
do Campo passa a assumir um papel de destaque na adoção dessa perspectiva, e seus

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processos educativos serão estratégicos na difusão e consolidação de um novo modelo
de desenvolvimento territorial.

Na busca de como se discutir a habilitação em agroecologia e questões ligadas


ao contexto agrícola, o ensino e sua relação com tal metodologia e a formação de
professores para atuação nesse contexto particular, torna-se indispensável o
rebuscamento de certas práticas estruturais que visam contribuir na consolidação de
um ensino comprometido com o contexto do campo e com a formação técnica na
perspectiva agroecológica. Tal afirmativa auxiliaria os estudantes nas dificuldades de
realização das atividades, forneceria material para o desenvolvimento das ações
dentro e no lote que o aluno mora e também, estabeleceria a aproximação dos pais
com a escola.

Foto: reprodução

No pressuposto seria necessário um estudo a respeito da agricultura num


aprofundamento sobre a educação no contexto rural brasileiro, buscar uma
configuração do ensino voltado aos aspectos relacionados à contextualização e
questões ambientais e outros aspectos dessa atividade produtiva, como:

- a planejar a rotação e consorciação de culturas, do cultivo de espécies


adaptadas ao local, a preparação de biofertilizantes e de caldas fitoprotetoras como: a
viçosa, a bordalesa e sulfocálcica, do controle integrado de pragas, questões
relacionadas aos temas solo, água, energia e biomassa, conhecer as características das
espécies de adubos verdes e saber utilizá-las aproveitando o potencial desta técnica
para produção de alimentos Agroecológicos;

3
- saber realizar o manejo Agroecológico de ervas espontâneas e plantas
indicadoras; conhecer as funções da utilização da compostagem e o banimento dos
agrotóxicos na produção.

A hipótese que nos leva a esse questionamento é que a adoção da perspectiva


agroecológica pressupõe uma ressignificação do Ensino e a necessidade da inserção da
dimensão dialógica e problematizadora como eixo político-pedagógico.

Torna-se fundamental conhecer a proposta agroecológica, entendendo


Agroecologia não apenas como um método de produção, mas como uma forma de
vida e manutenção da biodiversidade, tendo sempre como princípio o respeito à
natureza e ao ser humano. Neste caso, a Agroecologia é apresentada como uma forma
de favorecer a consolidação de uma agricultura que, além de considerar os sujeitos do
campo, respeite e preze por sua integridade física e suas relações sociais e culturais,
bem como auxilie na manutenção da propriedade conquistada.

Dado nosso entendimento de que o conhecimento deve ter retorno social, a


possibilidade de criação de espaços multiplicadores de princípios agroecológicos e as
experiências repassadas aos agricultores a partir da prática da Agroecologia tem
impacto significativo na esfera produtiva, ecológica, social, econômica e política
(FERRANTE, et al, 2017).

Cabe reiterar que a intenção de investigar e difundir nos espaços da agricultura


familiar as práticas agroecológicas não se restringe a uma conceituação rígida da
agroecologia. Há pequenas e muitas vezes invisíveis dimensões de outras práticas a
serem detectadas e pesquisadas, cuja investigação em torno dos sistemas de produção
não estará orientada pela visão convencional, mas incorporará outras dimensões dos
modos de uma proposta de transição para sistemas de vertente agroecológica.

Nos assentamentos rurais de Araraquara se identifica a carência de uma


abordagem sistêmica, que alie os conhecimentos empíricos das famílias agricultoras a
melhorias, e a práticas agrícolas em tais sistemas produtivos que contribua para a
sustentabilidade dos mesmos (NEEA, 2017).

As respostas positivas que os sistemas agroecológicos vêm apresentando dizem


respeito não só ao aspecto tecnológico, como também à revalorização da condição de
produtor e à recomposição da identidade cultural da agricultura familiar, essencial à
sua sobrevivência. As práticas agroecológicas e a diversificação agrícola aparecem
relacionadas como um contraponto às estratégias de produção da matriz tecnológica
convencional. No que se refere aos cursos de capacitação, centraram-se nos temas
relativos à transição agroecológica e formação em sistemas agrícolas saudáveis.

4
Por PAVINI, Gislaine Cristina. ADALBERTO, Joviro JR. RIBEIRO, Maria Lucia. AGROECOLOGIA NA
EDUCAÇÃO DO CAMPO: POSSIBILIDADES DE CONSTRUÇÃO ENTRE HOMEM E NATUREZA. Disponível em:
<[Link] Acesso em 20
set. 2023.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA ATUAÇÃO EM ESCOLAS DO CAMPO

No Brasil, a formação inicial de professores pautada na racionalidade técnica


configura-se como herança histórica que ganhou força a partir da Lei nº 5.692/71, que
fixou Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus. Essa concepção de formação
defende, como pressuposto, a ideia de que a realidade de ensino é imutável e os
alunos que frequentam a escola também o são, cabendo à escola ensiná-los segundo a
tradição. Assim, valorizam-se as práticas e os instrumentos consagrados
tradicionalmente como modelos eficientes e o papel da escola resume-se ao ensino,
responsabilizando o aluno pelo aprendizado (PIMENTA; LIMA, 2004).

Foto: reprodução

Nesse cenário, ancora o fato de muitos professores do meio rural costumarem


fazer parte de um círculo vicioso e perverso, em que são vítimas de um sistema
educacional que desvaloriza o seu trabalho, que coloca o meio rural como uma
5
penalização e não como uma escolha, que não valoriza a sua qualificação profissional,
que rebaixa a sua autoestima e sua confiança no futuro. Esses professores acabam por
realizar um trabalho desinteressado, desqualificado e que não leva em consideração o
contexto em que estão inseridos e os sujeitos que o constituem (ARROYO; CALDART;
MOLINA, 2004).

Na direção da crítica à concepção de formação tecnicista, é preciso a adoção de


uma postura investigativa e propositiva tanto por parte do professor formador quanto
dos estudantes, que terão contato não só com os problemas da atuação docente, bem
como com a construção de possibilidades que busquem a transformação do papel da
escola do campo em prol do compromisso ético/moral com os seus participantes, do
compromisso com a intervenção social – entendida como formação para o trabalho no
campo e como compromisso com a cultura do povo do campo.

Além disso, na formação de professores, é fundamental criar condições para


que o futuro profissional reflita sobre os problemas sociais, mas também é importante
que ele seja capaz de propor alternativas para a sociedade, desenvolvendo atividades
de ensino que possibilitem aos alunos perceber a construção de sua identidade
cultural e os processos socioculturais, chamando a atenção para o risco da
homogeneização e estereotipificação engendradas pela sociedade e reproduzidas
pelos sujeitos.

Por Educação do Campo entende-se uma educação específica e diferenciada,


uma educação no sentido de amplo processo de formação humana que constrói
referências culturais e políticas para a intervenção das pessoas e dos sujeitos sociais na
realidade. No campo, há uma variedade de experiências com significados muito
diferentes e faz-se necessário refletir sobre esses significados (ARROYO, 2004). As
comunidades do campo veem a educação para além da escola, como forjadora de
novas formas de relações, diferentes das vivenciadas na atual sociedade. Para os
movimentos do campo, a educação destaca-se como um importante instrumento de
luta pela terra e pela transformação social.

Compreende-se que a escola é um espaço que reproduz a sociedade geral, mas,


ao mesmo tempo, é capaz de resistir à lógica dominante dessa mesma sociedade. É
nesse espaço que o professor desenvolverá, junto aos alunos, um papel contra-
hegemônico, em favor da democracia e da emancipação dos educandos.

Por isso, o educador do campo ocupa na comunidade um papel fundamental no


fomento à cultura, na formação dos sujeitos e na organização político-social. Os
educadores têm a tarefa, como intelectuais da cultura, de promover a formação e
socializar o conhecimento. Decorre daí uma grande discussão sobre a especificidade da
formação do professor para a atuação em contexto campesino, dada a diversidade do

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sistema produtivo e a particularidade dos saberes e culturas das comunidades
campesinas.

Sobre a formação dos professores para atuação em escolas do campo, vale


indagar: como vêm se construindo, historicamente, as identidades dos professores do
campo? Como vem ocorrendo a formação desses professores cujo contexto de
atuação possui especificidades distintas daquelas encontradas em escolas urbanas?
Como as licenciaturas e os cursos de formação vêm pensando a preparação dos
professores para atuarem em escolas do campo? De que maneira os cursos de
formação de professores podem contribuir para o processo de desenvolvimento
crítico-emancipatório dos sujeitos do campo?

Em meio a essas questões, o que está amplamente elucidado é que a formação


de professores para atuação em escolas campesinas deve ser concebida abrangendo
preocupação com o campo social dos diferentes grupos que lutam pela sobrevivência
nesse espaço, ou seja, o conjunto dos trabalhadores e das trabalhadoras do campo,
sejam os camponeses, os quilombolas, os indígenas, sejam os diversos tipos de
assalariados vinculados à vida e ao trabalho no meio rural.

Busca-se, com essa perspectiva formativa, contribuir para a transformação


social, econômica, cultural e educativa, considerando-se a educação como prática
social, como um espaço de contradições e sínteses culturais, feito por professores e
alunos; contribuir para que professores e alunos assumam um papel de reflexão
constante e empenhando-se para o trabalho e seleção do conteúdo de forma
compartilhada, vendo-os como produtos históricos e espacialmente construídos e
situados.

Essa proposta vai de encontro à expectativa de se repensar os cursos de


formação, instituídos em contextos distintos, de modo que venham a preparar os
professores para que sejam capazes de desenvolver pedagogias contra-hegemônicas e
que consigam fortalecer os educandos das escolas do campo ao dar-lhes o
conhecimento necessário para poderem funcionar como agentes críticos e
transformadores da realidade, pois, como bem argumenta Freire (1997), a escola não
transforma a realidade, mas pode ajudar a formar os sujeitos capazes de fazer a
transformação da sociedade, do mundo, de si mesmos.

Fonte: SIMÕES, Renata Duarte. Formação de professores para atuação em escolas do campo. Disponível
em: <[Link]
atuacao-em-escolas-do-campo/>. Acesso em 20 set. 2023.

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FORMAÇÃO PARA PROFESSORES NA EDUCAÇÃO DO CAMPO

Objetivo do curso é formar educadores que trabalhem ou residam na zona


rural, diminuindo as desvantagens educacionais dessas localidades.

Ser professor na zona rural pode ser uma missão impossível para quem vive em
área urbana e teria de enfrentar distâncias desumanas para lecionar. Foi pensando
nisso que o Ministério da Educação (MEC) criou, em 2009, o Programa de Apoio à
Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo). O objetivo é
formar professores que já residam no campo. Além de atuar na educação formal, os
profissionais irão atuar para compensar as desvantagens educacionais sofridas pelas
populações rurais.

Foto: reprodução

A coordenadora do curso de licenciatura em Educação no Campo da


Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Jaqueline Durigon, explica que o educador
tem uma formação para docência e também para gestão de processos educativos
escolares e da comunidade.

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“O professor recebe uma formação pedagógico-social. Participa de articulações
sociais que venham a contribuir com a permanência dos estudantes na zona rural”,
explica.

O que faz

O profissional formado tem capacitação para atuar como educador nos anos
finais do ensino fundamental e no ensino médio, com destaque para a atuação em
escolas do campo. Sobretudo àquelas ligadas ao trabalho na terra, comunidades
camponesas, indígenas e quilombolas.

Onde atua

Em escolas da rede pública localizadas na zona rural dos municípios.

O curso

Dura, em média, quatro anos e apresenta em seu currículo disciplinas como


ciências sociais, humanas, biológicas, exatas e da terra. De forma geral, apresenta
atividades didático-pedagógicas, metodologias e conteúdos relacionados às bases
sociais, políticas e filosóficas da cultura do campo.

Também apresenta um regime diferenciado por alternância, com períodos de


aulas presenciais na universidade, chamado de Tempo Universidade ou Tempo Escola,
que se alternam com períodos de formação junto às comunidades locais, conhecido
como Tempo Comunidade.

Aptidões

É recomendável que quem quiser entrar na carreira tenha vinculação direta ou


indireta com as atividades do campo, de questões agrárias, práticas agrícolas e sociais
no campo. Uma das principais aptidões desse profissional é estar disposto à
articulação social e comunitária, bem como o envolvimento com atividades de cunho
interdisciplinar.

Faixa salarial

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O salário está de acordo à determinação dos estados e municípios que mantêm
a rede pública de ensino. No Brasil, cerca de 40 universidades públicas oferecem o
curso.

Fonte: Canal Rural. Quer ser professor na área rural? Educação no Campo é o curso para você.
Disponível em: <[Link]
curso-para-voce-63410/>. Acesso em 20 set. 2023.

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