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Pericardite: Causas e Sintomas

A pericardite é a inflamação do tecido pericárdico, podendo ser aguda ou crônica, e causada por fatores infecciosos, autoimunes, neoplásicos, entre outros. Os principais sintomas incluem dor torácica, atrito pericárdico e derrame pericárdico, com diagnóstico baseado em critérios clínicos e exames complementares. O tratamento geralmente é sintomático, envolvendo anti-inflamatórios e, em casos mais graves, drenagem do líquido acumulado.

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Pericardite: Causas e Sintomas

A pericardite é a inflamação do tecido pericárdico, podendo ser aguda ou crônica, e causada por fatores infecciosos, autoimunes, neoplásicos, entre outros. Os principais sintomas incluem dor torácica, atrito pericárdico e derrame pericárdico, com diagnóstico baseado em critérios clínicos e exames complementares. O tratamento geralmente é sintomático, envolvendo anti-inflamatórios e, em casos mais graves, drenagem do líquido acumulado.

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❤️‍🩹

Pericardite

PERICARDITE:

Inflamação do tecido pericárdico, que pode ser de etiologia infecciosa


(primária) ou secundária a uma patologia sistêmica (doenças autoimunes,
neoplasias, reações medicamentosas e outros).

Define-se como pericardite aguda, quando sua duração é < 6


semanas. Quando acomete também o miocárdio, é chamada de
miopericardite.

Pericardite 1
💡 As principais funções do pericárdio são: proteção mecânica do
coração contra agentes externos, estabilização do coração no
mediastino e restrição do volume cardíaco durante a diástole.

Folheto mais externo - FIBROSO: função de fixar o coração aos órgaos →


pulmões (pleura parietal), esterno (periocio) e diafragma.

O pericárdio fibroso protege o coração contra o superenchimento


súbito, porque é inflexível e intimamente relacionado aos grandes
vasos que o perfuram superiormente.

Folheto interno - SEROSO:

Lado interno → Parietal

Lado externo em contato com o miocardio→ Visceral (epicádio)

Entre as duas → Cavidade pericardica: permite ao coração se


movimentar e bater sem atrito.

Etiologia
• Infecciosa:

Viral (principal)- enterovírus, Echovirus tipo 8, Coxsackie B, influenza,


Epstein-Barr, citomegalovírus, vírus do sarampo, da caxumba, varicela-
zóster, rubéola, hepatite B e HIV → Diagnóstico: sorologia ou detecção
viral por PCR

bacteriana: Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae,


Streptococcus sp., E. coli, Klebsiella, Haemophilus influenzae e
Tuberculose → Diagnóstico: sorologia ou detecção viral por PCR

fúngica, por toxoplasmose ou por amebíase;


Reação imune: Doenças autoimunes (lúpus, espondilite anquilosante ,
esclerodermia , artrite reumatoide , vasculites e outras); febre reumática ;
sarcoidose , síndrome de Dressler (pós-IAM tardia); medicamentosa
(Procainamida, Hidralazina, Minoxidil, Isoniazida, Difenil-hidantoína,
anticoagulantes);

Pericardite 2

Toxinas: Uremia;

Traumática: Pós-traumática; pós-pericardiotomia;

Neoplásica: Neoplasias primárias e metastáticas;

Outras: Infarto agudo do miocárdio (IAM); mixedema ; doença de Whipple ;
pericardite familiar; idiopática, pós-vacinação.

Pericardite prolongada:

Pericardite subaguda: Duração de 6 semanas-6 meses;

Pericardite crônica: Duração > 6 meses.

Avaliação etiológica
Dosagem de hormônios tireoidianos.
Provas reumatológicas.
Função renal.
Hemoculturas (se suspeita de infecção bacteriana).
Observação: Sorologias virais não são indicadas, pois não possuem
correlação com achados no pericárdio.
FISIOPATOLOGIA E REPERCUSSÕES

O quadro inflamatório do pericárdio pode levar ao acúmulo de líquido no


espaço existente entre a membrana serosa e o coração, sendo essa
presença de líquido anômala no pericárdio denominada derrame
pericárdico.

grande acúmulo de coleção líquida pode comprimir o coração, em


decorrência da pressão exercida pelo líquido do derrame, ocasionando
um quadro mais grave denominado tamponamento cardíaco.

Apresentação Clínica

💡 Classicamente, a pericardite aguda manifesta-se com quadro de


dor torácica, atrito pericárdico e derrame pericárdico.

Pericardite 3
→ A dor torácica sugestiva de pericardite é precordial ou retroesternal,
contínua, perfurante ou em peso, de longa duração, com irradiação
cervical e para o músculo trapézio esquerdo, tipo pleurítica (piora com
inspiração, tosse e es-pirro), piorando em posição supina e em decúbito
dorsal e melhorando em posição sentada com inclinação do tronco para a
frente.

→ O atrito pericárdico é altamente específico para pericardite aguda,


sendo descrito como um som rude, estridente e superficial, variando com
a intensidade dos movimentos respiratórios e sendo maior no final da
expiração e com o paciente inclinado para a frente. A magnitude do atrito
é transitória, podendo variar sensivelmente durante um mesmo dia de
observação. Por isso, pacientes sob suspeita de pericardite devem ser
examinados com frequência.

→ Além desses sinais e sintomas, o paciente pode apresentar febre e


acometimento de vias aéreas superiores (sintomas gripais), que
geralmente representam pródromos de etiologia viral.

→ Podem estar associados, também, taquicardia, taquipneia e dispneia.

💡 A presença de disfunção ventricular esquerda ao exame físico


sugere miocardite associada, assim como sinais de disfunção
ventricular direita podem indicar tamponamento cardíaco.

■ Dor precordial ou retroesternal: De início súbito, contínua ou


intermitente, tipo pleurítica (ventilatório-dependente), piora com a
inspiração profunda e melhora em posição genupeitoral (tronco inclinado
para a frente) ou abraçado a um travesseiro (posição de Blechman). A dor
pode simular uma síndrome coronariana, que, sendo importante
diagnóstico diferencial, deve ser afastada.

Dispneia : Por restrição ventilatória antálgica, levando à hipoventilação.

Quadro viral inespecífico: Caso de pericardite viral – mais comum.

Atrito pericárdico (85% dos casos): Som trifásico em ruído de "couro
novo"; significa pequena quantidade de líquido inflamatório no pericárdio,
indicando pericardite aguda como provável causa da dor torácica. Ruído

Pericardite 4
tende a desaparecer com o aumento do derrame pericárdico.

Critérios Diagnósticos

Diagnóstico: Confirmado na presença de, pelo menos,


dois entre estes quatro critérios:
• Dor torácica típica;
• Atrito pericárdico;
• Alterações ao ECG compatíveis (
elevação difusa do segmento ST);
• Derrame pericárdico (novo ou com piora recente).

Abordagem Diagnóstica

A partir da suspeita clínica, exames complementares podem corroborar o


diagnóstico.

Exames de rotina: Eletrocardiograma; radiografia de tórax; marcadores de
necrose miocárdica- troponina; hemograma ; provas de atividade
inflamatória (VHS , PCR ); eletrólitos e marcadores de função renal;
ecocardiograma.

Pacientes com pericardite aguda apresentam marcadores de atividade


inflamatória aguda, como leucocitose, ve-locidade de
hemossedimentação (VHS) aumentada e ele-vação de proteína C
reativa (PCR). Marcadores de necrose miocárdica, como CPK total, CK-

Pericardite 5
MB e troponinas, podem estar alterados. A troponina I pode levar até 2
semanas para voltar ao normal.

■ Eletrocardiograma (ECG): O ECG deve ser o exame complementar


inicial diante de um caso de dor torácica. O ECG encontra-se alterado em
mais de 90% dos casos de pericardite aguda, e seus achados mais comuns
são:

• Supra de ST difuso com concavidade superior acompanhada de onda


T positiva e apiculada, exceto em V1 e aVR (em que se costuma
observar infra de ST);
• Intervalo PR:
infra ou supra de intervalo PR discordando com o desnível de ST;
• Derrame pericárdico volumoso/tamponamento cardíaco: QRS de baixa
amplitude (< 5 mm);

Achados Eletrocardiográficos
Aproximadamente 50% dos pacientes apresentam 4 estágios
eletrocardiográficos evolutivos na pericardite aguda:

Estágio 1 (horas a dias): Supra feliz de ST difuso, ondas T
concordantes com o segmento ST, infra de PR (principalmente em V5 e
V6), ausência de imagem em espelho do infra de ST; → poupa V1 e AVR

Estágio 2 (dias a semanas): Normalização do segmento ST e PR.
Achatamento da onda T;

Estágio 3 (final da 2a-3a semana): Inversão difusa da onda T,
geralmente após o segmento ST ter normalizado;

Estágio 4 (pode durar alguns meses): Normalização do ECG ou
persistência da onda T negativa.
A Taquicardia sinusal é comum na pericardite aguda devido à dor e/ou
derrame pericárdico.

Pericardite 6
■ Radiografia de tórax : Pode exibir cardiomegalia em paciente com
pulmão sem sinais de congestão.

Marcadores de lesão miocárdica: CK-MB e troponina podem estar
aumentados.

Ecocardiograma : Exame de alta sensibilidade e especificidade, não
invasivo e que pode ser feito à beira do leito. Pode confirmar a presença de
líquido, quantificar e localizar o mesmo. Pode exibir sinais de
espessamento do pericárdio, constrição e tamponamento. Entretanto, em
pacientes sem derrame pleural o exame pode não apresentar alterações.

Exames específicos: Caso haja suspeita de etiologia em especial, devem-
se solicitar exames direcionados para a patologia em questão (ex.:
pesquisa de tuberculose, sorologia para HIV , provas reumatológicas,
hemoculturas e, eventualmente, biópsia do miocárdio). A identificação
rotineira do agente viral causador, com a possível exceção do vírus da
hepatite C e do HIV, não é recomendada, uma vez que não afeta as
decisões terapêuticas e o prognóstico.
Acompanhamento
Internação hospitalar: Não é necessária em todos os casos → tratamento
ambulatorial e seguimento em 1 semana, sendo indicada em pacientes com
manifestações de alto risco de evolução desfavorável, como:

Quando internar? SINAL DE ALERTA →


• Febre > 38 oC e leucocitose;
• Evidências de
tamponamento cardíaco ou derrame pericárdico importante;
• Curso subagudo da doença (sem quadro agudo de dor torácica);
• Imunodeprimidos;

Pericardite 7
• Uso de antagonistas da vitamina K (Varfarina)- Anticoagulantes orais;
causa tamponamento hemorrágico;
• Trauma recente;

Falência terapêutica ao tratamento em 7 dias com anti-inflamatórios
não esterodais (AINEs) ou Colchicina;

Troponina elevada (sugere miocardite associada).

Abordagem Terapêutica
→ Em geral, o quadro é autolimitado e o tratamento é apenas sintomático,
além da retirada do fator desencadeante (medicamento suspeito =
suspender; uremia = diálise; tratamento específico das doenças
autoimunes).

→ RESTRINGIR ATIVIDADE FÍSICA até normalizar os sintomas e PCR →


atletas no minimo 3 meses.
O tratamento padrão envolve um AINE (até melhora dos sintomas e queda
da proteína C reativa, após reduzir a dose até completar 3 meses de
tratamento para evitar recorrência), associado à Colchicina.
Opções:

• Ácido acetilsalicílico 650-1.000 mg VO de 8/8 horas (dar preferência na


pericardite pós-infarto); 2 semanas.

• Ibuprofeno 600-800 mg VO de 8/8 horas; 2 semanas.

Associar Colchicina 0,5 mg VO de 12/12 horas, por 3-6 meses.

Se contraindicação a AINE ou indicações específicas (gestação,


insuficiência renal, autoimune, sintomas refratários) usar PCR para
desmame:

Substituir por corticoide e manter Colchicina (evitar em pacientes com


pericardite pós-infarto):
• Prednisona 0,25-0,5 mg/kg VO de 24/24 horas, por 2-4 semanas.

Pericardite recorrente 15 a 30% dos casos:

AINE + colchicina novamente

Pericardite 8
Costicoesteroide baixa dosagem

anakira, rilocancept: muito cara!!!!


Pericardite piogênica: Pericardiocentese (drenagem) + antibioticoterapia
empírica (Vancomicina + Ceftriaxona ou Cefepima):
• Vancomicina 25 mg/kg EV em dose de ataque + 15 mg/kg EV de 12/12
horas;
• Associar à Ceftriaxona 2 g EV de 24/24 horas ou Cefepima 2 g EV de
12/12 horas.

Pericardiocentese
→ Indicações:
• Tamponamento cardíaco;
• Derrame pericárdico > 20 mm (na diástole);
• Suspeita de pericardite purulenta ou tuberculosa.
■ Contraindicações:
• Suspeita de dissecção aórtica;
• Diagnóstico pode ser realizado por meios menos invasivos;
• Relativas: Coagulopatia não corrigida; trombocitopenia <
50.000/mm3.

Técnica de pericardiocentese:

■ DERRAME PERICÁRDICO
DEFINIÇÃO E ETIOLOGIA

Derrame pericárdico é o aumento da quantidade de líquido pericárdico.


As causas mais comuns são semelhantes às da pericardite aguda.

Pericardite 9
Uma vez que definimos que há indicação de drenagem
do derrame, o questionamento seguinte é: que procedimento indicaremos?
Existem três opções:
punção percutânea (pericardiocentese), cirurgia aberta (janela
pericárdica) e
videopericardioscopia.
QUADRO CLÍNICO
Os sintomas surgem em
decorrência da compressão de estruturas que circundam o coração
(pulmões, estômago e nervo frênico) e incluem dor torácica, dispneia,
disfagia e plenitude gástrica. Irritação do nervo frênico pode causar
soluços.

Nos derrames pequenos, o exame físico não tem alterações. Derrames


maiores causam abafamento de bulhas cardíacas e, em algumas
ocasiões, sinais e sintomas de tamponamento cardíaco.

EXAMES COMPLEMENTARES
■ ECG: observam-se baixa voltagem e alternância elétrica em derrames
pericárdicos grandes.

■ RX de tórax: cardiomegalia geralmente ocorre quando há mais de 250


mL de líquido pericárdico.

Pericardite 10
■ Ecocardiograma: permite a detecção do derrame pericárdico. Derrames
grandes podem produzir uma situação chamada swinging heart, que é o
movimento pendular que o coração faz, como se estivesse “nadando” no
derrame.

Quantifica em moderado, pequeno e sinal de instabilidades hemodinâmica.

■ TAMPONAMENTO PERICÁRDICO

DEFINIÇÃO E ETIOLOGIA
Um distúrbio primário que resulta do
aumento da pressão intrapericárdica comprime todas as câmaras
cardíacas e ocasiona diminuição do enchimento ventricular.
Ocorre quando uma quantidade de líquido se acumula e ultrapassa a
quantidade nornal (30-50ml) e ainda quando ultrapassa a capacidade de

Pericardite 11
distensão do tecido fibroblastico pericárdico→ compressão progressiva
das câmaras cardíacas → aumento de pressão intrapericárdica →
redução do volume de enchimento cardíaco.

O desenvolvimento do tamponamento depende da velocidade de


instalação e do fator causal
Agudo: ocorre em minutos (trauma, ruptura do coração e aorta,
complicação de procedimentos terapêuticos) → resulta em choque

Subagudo: ocorre entre dias e semanas, pode estar associado com


dispneia e fadiga.

Baixa pressão (oculto): em pacientes hipovolêmicos → redução da


pressão
intrapericárdica → favorece a compressão extrínseca do derrame
pericárdico.

Regional ocorre quando um derrame localizado ou um hematoma


produz compressão
regional em uma única câmara.
QUADRO CLÍNICO

💡 Denomina-se tríade de Beck a ocorrência de turgência jugular,


hipotensão arterial PAS <90 e abafamento das bulhas.

O abafamento das bulhas cardíacas ocorre porque o líquido pericárdico


em excesso funciona como um anteparo entre o coração e o estetoscópio.
A
turgência jugular fica evidente porque o coração perde complacência.
Logo, a pressão nas câmaras cardíacas aumenta e a drenagem de sangue
das jugulares para o átrio direito fica
prejudicada.

Já a
hipotensão arterial ocorre porque o colabamento das câmaras cardíacas
reduz o débito sistólico.

Pericardite 12
→ Taquicardia, pressão venosa elevada, hipotensão arterial e a presença
de pulso arterial paradoxal.
Os pacientes se apresentam bastante ansiosos, com dispneia e dor
torácica.

As bulhas cardíacas são tipicamente hipofonéticas, principalmente se o


derrame pericárdico for volumoso. O sinal de Kussmaul, caracterizado pelo
aumento ou pela não redução da pressão venosa (turgência jugular) com a
inspiração, também pode estar presente.
→ O principal achado no exame físico é a presença do pulso paradoxal
(queda na pressão sistólica durante a inspiração > 10 mmHg).

É importante lembrar que o pulso paradoxal não é patognomônico de


tamponamento, podendo estar presente nos pacientes com asma,
doença pulmonar obstrutiva crônica e choque hipovolêmico.

EXAMES COMPLEMENTARES
■ ECG:
são frequentes taquicardia sinusal e complexos QRS de baixa voltagem.
Alternância elétrica do eixo QRS também pode ser encontrada e possui boa
especificidade, porém baixa sensibilidade, para o diagnóstico de
tamponamento (Figura 7).
■ Ecocardiograma: embora o diagnóstico do tamponamento seja clínico, o
ecocardiograma pode identificar o derrame pericárdico e avaliar variáveis
hemodinâmicas.
Os achados ecocardiográficos de tamponamento são:
– colapso diastólico das câmaras direitas: acontece por causa da
compressão dessas cavidades de baixa pressão pelo derrame pericárdico.
– distensão da veia cava inferior e ausência da redução de seu diâmetro
com a inspiração: são manifestações do aumento da pressão venosa no
tamponamento.
TRATAMENTO
O tratamento do tamponamento cardíaco é a
drenagem do derrame pericárdico.
Pericardiocentese→ punção de MARFAN

■ PERICARDITE CONSTRITIVA

Pericardite 13
DEFINIÇÃO E ETIOLOGIA
→ A pericardite constritiva é uma complicação gerada por uma inflamação
crônica do pericárdio,
que evolui com
espessamento e calcificação.
A pericardite constritiva é uma alteração pós-inflamatória incomum do
pericárdio, caracterizada por pericárdio espesso, fibrótico e, muitas
vezes, calcificado, que frequentemente limita o enchimento diastólico
dos ventrículos. Ocorre uma síndrome congestiva restritiva.

QUADRO CLÍNICO

dispneia de esforço + fadiga + disfunção diastólica + ascite
desproporcional + edema de MMII.

A pericardite constritiva é a principal causa do sinal de Kussmaul

No pulso venoso jugular observamos colapso “Y” proeminente →


teremos descenso Y proeminente e não atenuado. O descenso Y
corresponde à queda da pressão atrial pela abertura da valva
tricúspide e drenagem para VD. Ocorre no momento do enchimento
rápido. Diferentemente do colapso x, o colapso y é diastólico.

Esse achado também é encontrado nas cardiomiopatias restritivas.

→ No pulso arterial podemos encontrar a presença de pulso paradoxal em


um terço dos casos.

Pericardite 14
→ No sinal de Kussmaul, observa-se um ingurgitamento do pulso venoso
jugular na inspiração. O pulso paradoxal é definido como uma queda da
PAS > 10 mmHg à inspiração profunda
Pode ocorrer virtualmente após qualquer doença pericárdica.

Os pacientes se apresentam tipicamente com sinais de sobrecarga de


volume e/ou baixo débito cardíaco. A sobrecarga de volume se
manifesta por turgência jugular, hepatomegalia congestiva, ascite e
edema periférico.

O baixo débito cardíaco se manifesta por dispneia aos esforços,


fadiga, astenia e, na fase terminal, caquexia significativa. Nos
estágios mais avançados, observam-se derrame pleural, anasarca e
disfunção hepática significativa. O derrame pleural, quando presente,
é mais comum à esquerda ou bilateral.

Na ausculta, o achado característico é o knock pericárdico, um ruído


protodiastólico, mais bem auscultado na borda esternal esquerda ou no
ápice cardíaco. Apresenta boa especificidade para o diagnóstico.
EXAMES COMPLEMENTARES
O ECG mostra a alteração "queridinha" das provas é a baixa amplitude do
QRS. Esse achado
aparece devido ao fato de haver um
anteparo à atividade elétrica do coração, que é a carapaça pericárdica.
■ ECG: alterações inespecíficas de onda T e segmento ST, taquicardia
sinusal e complexos QRS com baixa voltagem.
■ RX de tórax: a presença do anel de calcificação ao redor do coração,
mais bem visualizado na incidência lateral, é muito sugestiva de pericardite
constritiva, principalmente se o paciente apresentar sinais de insuficiência
cardíaca direita. A maioria dos pacientes, no entanto, não apresenta
calcificação pericárdica.
■ Ecocardiograma: pode mostrar o pericárdio espessado e calcificado,
sendo este mais bem visualizado no ETE. A fração de ejeção encontra-se
preservada, com aumento das dimensões atriais.
■ TC e RNM cardíacas: estes exames apresentam maior acurácia
diagnóstica quando comparados ao ecocardiograma. Podem medir a
espessura do pericárdio (normal < 2 mm). Espessamento pericárdico > 4
mm é muito sugestivo de constrição. É importante lembrar, entretanto, que

Pericardite 15
até 18% dos pacientes que apresentam pericardite constritiva confirmada
por cirurgia apresentam espessura pericárdica normal (< 2 mm). Nesses
casos, considera-se o diagnóstico de epicardite.
TRATAMENTO
Alguns pacientes com início recente de constrição podem apresentar
reversão com tratamento medicamentoso, com agentes anti-inflamatórios e
colchicina.
O tratamento da doença deve ser feito com a pericardiectomia (retirada
cirúrgica do pericárdio). Trata-se de operação de alto risco, com
mortalidade > 6% (mesmo nos centros com maior experiência).

■ MIOCARDITE

Miocardite é a inflamação do miocárdio com necrose dos miócitos


cardíacos. Miocardite pode ter várias causas (p. ex., infecção,
cardiotoxinas, fármacos e doenças sistêmicas como sarcoidose), mas com
frequência é idiopática.
Sintomas podem variar e incluem fadiga, dispneia, edema, palpitação e
morte súbita.

Nas formas agudas com dor torácica, pode se manifestar de modo similar à
dor anginosa, com achados semelhantes aos de uma síndrome coronariana
aguda, incluindo alterações no eletrocardiograma (ECG) e elevação dos
marcadores de necrose miocárdica, ou com características da pericardite,
no caso do envolvimento epimiocárdico.
→ Ao contrário da dor torácica isquêmica, a dor decorrente da pericardite
é, geralmente, agravada por movimentação torácica, tosse, respiração ou
ao engolir a comida, podendo ser aliviada ao sentar-se e inclinar-se para
frente. Pode-se auscultar atrito pericárdico em pacientes com derrame
pericárdico.
Certos achados clínicos podem ser indicativos de uma causa específica da
miocardite. Miocardite infecciosa pode ser precedida por sintomas de
febre, mialgias e outros sintomas, dependendo do patógeno exato.
Miocardite relacionada à hipersensibilidade ou fármacos pode ser
acompanhada por exantema. Linfonodos aumentados podem ser
indicativos de sarcoidose como etiologia de base. Insuficiência cardíaca e
arritmias fulminantes podem ser indicativos da miocardite de células
gigantes.

Pericardite 16
O diagnóstico baseia-se em sintomas e achados clínicos de
eletrocardiografia (ECG) anormal, biomarcadores cardíacos e imagens
cardíacas na ausência de fatores de risco cardiovasculares. Biópsia
endomiocárdica confirma o diagnóstico clínico da miocardite.
O tratamento depende da causa, mas as medidas gerais incluem fármacos
para tratar insuficiência cardíaca e arritmias e raramente cirurgia (p. ex.,
bomba com balão intra-aórtico, dispositivo de assistência ventricular
esquerda, transplante). Imunossupressão é útil em certos tipos de
miocardite (p. ex., miocardite por hipersensibilidade, miocardite de células
gigantes, miocardite causada por sarcoidose)

🫀 Insuficiência Cardíaca
ABORDAGEM DA DOR TORÁCICA NA EMERGÊNCIA

segunda maior causa de ida à emergência nos Estados Unidos,


correspondendo a mais de 6,5 milhões de visitas/ano.

principal enfoque é às síndromes coronarianas agudas (SCA) → 5 a


15% de todas as causas de dor torácica.

Pericardite 17
ABORDAGEM INICIAL DO PACIENTE
* Dor torácica → qualquer
sensação desagradável localiza abaixo do nariz e acima da cicatriz
umbilical.

Identificação de fatores de risco para doença aterosclerótica.

Avaliação da dor
A caracterização da dor é feita de forma objetiva, com base nas
seguintes variáveis:

■ Característica e localização:

– característica: aperto, queimação, opressão, peso;


– localização: retroesternal, precordial, epigástrica.
■ Irradiação e/ou sintomas associados:
– irradiação: dorso, mandíbula, membros superiores (principalmente
esquerdo), ombros, pescoço;
– sintomas associados: náuseas, dispneia, sudorese, vômitos, palidez.

■ Fatores de melhora e/ou piora:


– piora: esforço físico, estresse emocional;
– melhora: uso de nitrato, repouso.
Com base nesses grupos de variáveis, é possível proceder à
categorização da dor:

■ Tipo A (definitivamente anginosa): apresenta todas as


características dos 3 grupos.
■ Tipo B (provavelmente anginosa): apresenta características de 2 dos
3 grupos.
■ Tipo C (provavelmente não anginosa): apresenta características de
apenas 1 dos 3 grupos.

■ Tipo D (definitivamente não anginosa): não apresenta as


características descritas.
Uma vez categorizada a dor, é importante definir a intensidade de esforço
necessária para desencadeá-la, conforme classificação da Canadian
Cardiovascular Society (CCS):

Pericardite 18
■ CCS I: esforços extra-habituais (ex.: esforço extenuante, rápido ou
prolongado).

■ CCS II: esforços habituais (ex.: caminhar mais do que 2 quarteirões


em terreno plano ou subir mais de um lance de escada).
■ CCS III: esforços menores que os habituais (ex.: caminhada por 1 a 2
quarteirões em terreno plano ou ao subir um lance de escada).
■ CCS IV: mínimos esforços ou repouso.

A seguir, podemos conferir as principais formas de apresentação das


síndromes coronarianas agudas:
■ Desconforto torácico prolongado (> 20 minutos) em repouso.
■ Angina de início recente (< 2 meses), já em CCS 2 ou CCS 3.
■ Desestabilização recente de angina previamente estável (CCS 1 ou 2)
para CCS 3 ou 4 (angina em crescendo) de forma súbita.

■ Angina pós-infarto do miocárdio

Sintomas “atípicos”, quando valorizar?


Queixas isoladas como sudorese, náusea, dor epigástrica, dispepsia,
dispneia e síncope podem ser os primeiros/únicos sintomas referidos
por
pacientes idosos (>75 anos), mulheres, diabéticos, portadores de
doença renal crônica, demência ou transplantados cardíacos.
Eletrocardiograma (ECG)
O ECG é um dos pilares na avaliação da dor torácica na emergência,
junto da anamnese e do exame físico,
devendo ser realizado em até 10 minutos da chegada ao serviço de
emergência.

PROBABILIDADE DE SÍNDROME CORONARIANA AGUDA



Baixa probabilidade (< 15%): dor tipo D ou dor tipo C com ≤ 1 fator de
risco (exceto DM ou aterosclerose manifestada) com ECG normal e
exame físico normal.
■ Moderada probabilidade (15-85%): dor tipo C com DM ou
aterosclerose manifestada ou ≥ 2 dos demais fatores de risco ou com

Pericardite 19
ECG sugestivo de cardiopatia estrutural (onda Q antiga, bloqueio de
ramo antigo, sobrecarga ventricular esquerda significativa).

■ Alta probabilidade (> 85%): dor tipo A ou tipo B independentemente


dos demais itens, ou dor tipo C com exame físico com alterações
sugestivas de isquemia aguda (congestão pulmonar, 3ª bulha,
insuficiência mitral nova, hipotensão) ou ECG com alterações
isquêmicas agudas (supradesnivelamento, infradesnivelamento ou
alteração dinâmica do segmento ST, taquicardia ventricular, fibrilação
ventricular, bloqueio de ramo novo, onda Q nova).

ESCORE DE AVALIAÇÃO DE DOR TORÁCICA


Atualmente, as diretrizes de SCA→
Heart Score.

≥ 4, recomenda-se a internação e estratificação do paciente,

já um escore ≤ 3 reduz significativamente a possibilidade de


eventos cardiovasculares no seguimento do paciente, gerando
segurança relativa à alta hospitalar.

TROPONINA E OUTROS BIOMARCADORES


Desde a 4a Definição Universal de Infarto Agudo do Miocárdio, em 2018,
a troponina é o único biomarcador recomendado para o diagnóstico de
SCA na emergência.

Pericardite 20
❤️ Sistema Cardiovascular - 1.1

Pericardite 21

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