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Liberdade de Circulação de Serviços e Capitais

O documento aborda a livre circulação de serviços e capitais dentro da União Europeia, destacando a liberdade de estabelecimento e a liberdade de prestação de serviços conforme os artigos do TFUE. A liberdade de estabelecimento permite que indivíduos e empresas se estabeleçam em outros Estados-Membros de forma duradoura, enquanto a liberdade de prestação de serviços refere-se à capacidade de prestar ou receber serviços temporariamente. Além disso, a livre circulação de capitais é discutida, enfatizando sua importância na liberalização de pagamentos e na atração de investimentos internacionais.

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Liberdade de Circulação de Serviços e Capitais

O documento aborda a livre circulação de serviços e capitais dentro da União Europeia, destacando a liberdade de estabelecimento e a liberdade de prestação de serviços conforme os artigos do TFUE. A liberdade de estabelecimento permite que indivíduos e empresas se estabeleçam em outros Estados-Membros de forma duradoura, enquanto a liberdade de prestação de serviços refere-se à capacidade de prestar ou receber serviços temporariamente. Além disso, a livre circulação de capitais é discutida, enfatizando sua importância na liberalização de pagamentos e na atração de investimentos internacionais.

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12 – SERVIÇOS E CAPITAIS

9.3 A LIVRE CIRCULAÇÃO DOS SERVIÇOS

Embora não emerja tão claramente do nome, esta liberdade tem a ver com a
circulação de trabalhadores por conta própria devendo distinguir-se entre:

- Liberdade de estabelecimento (art,º 49 a 55, TFUE)

- Liberdade de prestação de serviços (art.º 56 a 62, TFUE)

Ou seja:

Como afirma J. Machado (p. 334), no fundo continuamos na liberdade de circulação


de pessoas, só que neste caso não são nem trabalhadores assalariados, nem
pessoas economicamente não activas, mas sim:

- Pessoas que se deslocam para outro EM para se estabelecerem por conta própria

- Pessoas que se deslocam para outro EM para prestarem serviços, embora


permanecendo estabelecidas no seu país

O que se entende por liberdade de estabelecimento? (49.º, §§ 1e 2, TFUE) (v.


Gorjão-Henriques, pp. 594 ss.)

Antes de tudo, olhemos para o âmbito subjectivo desta liberdade. Não se confina
apenas às pessoas singulares, de facto, abrange também as pessoas colectivas (e,
de entre elas, não se restringe às sociedades), em virtude da equiparação
efectuada pelo art.º 54.º, §.1 e 2, TFUE

Mas em que esta liberdade consiste?

Exercício pelas pessoas singulares e colectivas de um EM de actividades não


assalariadas noutro EM com carácter de estabilidade e por um período de tempo
indefinido. Em suma, o elemento-chave desta liberdade, que a distingue da
liberdade de prestação de serviços, é o carácter duradouro da actividade a exercer,
como resulta do art.º 57.º, par. 3, TFUE e da jurisprudência do TJUE

Concretamente - Os nacionais de um EM poderão estabelecer-se noutro EM de duas


formas:

- exercendo neste uma actividade a título individual (ex: como comerciante a título
individual)

- criando neste uma sociedade nova ou, como diz o art.º 49.º, § 1, TFUE“ agências,
sucursais ou filiais” ligadas à empresa-mãe sediada no EM de origem

O art.º 49.º do TFUE proíbe:


- Tanto discriminações no EM de acolhimento (dificuldades à entrada)

- Quanto obstáculos a estabelecimento dos próprios nacionais noutro EM


(obstáculos à saída)

Restrição:

- O art.º 51.º do TFUE exclui actividades que estejam ligadas, mesmo


ocasionalmente, ao exercício da autoridade pública

- O TJ interpreta restritivamente esta cláusula. Já disse que não se aplica à profissão


de advogado (caso Reyners, 1974), revisor oficial de contas (caso Thijssen, de
1993) ou agentes de segurança (caso Comissão/Espanha, 1998)

Passemos agora à liberdade de prestação de serviços. Em que consiste?

Com base nessa liberdade, os cidadãos da um EM podem prestar/receber serviços


noutro EM, sem discriminações.

O que se entende por “ serviços”?

O art.º 57.º, §1, TFUE dá-nos uma definição residual e, a seguir (§ 2), fornece um
elenco exemplificativo.

Repara: por vezes quem se desloca não é o prestador do serviço, mas o serviço em
si

Âmbito subjectivo - Também neste caso, a liberdade aproveita tanto às pessoas


particulares quanto às colectivas (vide art.º 62.º, TFUE)

Para percebermos melhor, é necessário estabelecer fronteiras entre as liberdades.

Onde acaba a liberdade de circulação dos trabalhadores (assalariados) e começa a


de circulação de serviços?

Imaginemos o caso de um médico, se pretender exercer uma actividade assalariada


noutro EM, aplica-se-lhe o art.º 45.º do TFUE. Se pretender exercer a actividade
profissional por conta própria, suportando o risco económico da sua actividade,
aplicam-se-lhe os arts. 49.º ou 56.º do TFUE

E qual é a diferença entre a liberdade de estabelecimento e a de prestação de


serviços?

Segundo a jurisprudência do TJUE, a diferença residirá no carácter transitório ou


estável e contínuo da actividade

Repara: embora relevantes, nem a instalação noutro EM de um gabinete/escritório,


nem a duração da prestação serão elementos determinantes nesta qualificação

Imaginemos uma situação ligada a uma empresa portuguesa de construção civil.


Se a empresa ganhar um concurso e construir no Chipre uma ponte, está a prestar
um serviço, mesmo que a obra demore anos e seja preciso criar um escritório em
Portugal. Se decidir criar uma sociedade no Chipre ou uma sucursal ligada à
empresa-mãe em Portugal, e a partir do Chipre angarir novos clientes, entramos no
campo da liberdade de estabelecimento. A empresa participa de modo estável na
vida económica de Portugal

Podemos delimitar as duas liberdades de forma teórica e rígida? Não!

Como escreve Freire, citando os casos Gebhard (1995) e Schnitzer (2003) (p. 209),
a distinção deve ser feita casuisticamente, tendo em conta os seguintes factores:

- Duração

- Regularidade

- Periodicidade

- Continuidade

Porque é que é importante distinguir os âmbitos destas duas liberdades?

Porque os regimes jurídicos diferem.

9.4 – A LIVRE CIRCULAÇÃO DE CAPITAIS

Disposições relevantes - Art. 63.º e segs, TFUE.

Na realidade, o art.º 63.º TFUE, efectua uma destrinça importante:

- liberalização dos pagamentos transfronteiriços

- liberdade de circulação de capitais

Esta liberdade tem um conteúdo maior do que as demais, de facto, o art.º 63.º, n.º
1 e 2 estende-a também aos países terceiros, como forma de responder à crescente
globalização da nossa economia, promover o Euro como moeda internacional e
atrair os investimentos internacionais

Liberalização dos pagamentos transfronteiriços, V. art.º 63.º, n.º 2, TFUE

Como explica Mota de Campos (pp. 607 e ss.), não se trata somente de mais uma
liberdade, mas sim de uma condição para efectivação das liberdades anteriormente
estudadas!

Exemplo

O exportador de mercadorias pretende receber o valor dos bens que exportou para
outro EM, sem estar sujeito a entraves de qualquer tipo
Exemplo

O trabalhador migrante quer enviar para o seu país a parte do salário que consegue
economizar, para ajudar a família

O empresário que se estabelece noutro EM poderá querer repatriar os lucros

Liberalização dos movimentos de capitais (art.º 63.º, n.º 1, TFUE)

De que se trata?

O TFUE não nos dá uma definição

Mas o anexo I da Directiva 88/361/CEE nos dá uma ajuda, ao fornecer uma lista
indicativa de operações consideradas como movimento de capitais

Exemplos:

Investimentos directos

Investimentos sob a forma de participações que conferem a possibilidade de


participar na gestão e no controlo da empresa

Investimentos de carteira

Aquisição de títulos no mercado de capitais com o mero intuito de realizar uma


aplicação financeira (sem pretender influenciar a gestão da empresa)

O conteúdo desta liberdade foi especificado pelo TJ

Por exemplo, afirmou repetidas vezes que os EM não podem impedir ou limitar a
aquisição de acções nas empresas ou dissuadir os investidores dos outros EM

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