COLÉGIO ESTADUAL DE TEMPO INTEGRAL JOSÉ MALTA MAIA
RELATÓRIO SOBRE A ALEGORIA DA CAVERNA E MATRIX
JIQUIRIÇÁ – BAHIA
2025
Daniel Cerqueira
Gishele de Jesus
João Pedro
Laiane de Jesus
Maria Fernanda
Matheus dos Santos
Sheila Kaylane
Tunain Mota
RELATÓRIO SOBRE O MUNDO DAS IDEIAS (A ALEGORIA DA
CAVERNA) E O FILME MATRIX
Relatório apresentado ao professor
Erivaldo Alcântara Freitas como requisito
avaliativo da I Unidade referente a
Disciplina de Filosofia.
JIQUIRIÇÁ – BAHIA
2025
O livro VII da República de Platão, escrito entre os anos 385 e 380 a.c., reforça
o papel central da Filosofia na busca pela verdade, destacando o conhecimento
sensível e aparente, ou seja, o mundo dos sentidos e o conhecimento inteligível que
é, neste caso, o mundo real. Séculos depois, o filme Matrix, lançado em 1999, trouxe
uma abordagem semelhante ao que Platão queria nos levar a refletir usando a
“Alegoria da Caverna”. Através deste relatório, procura-se entender a relação
existente entre essas ideias, com o intuito de responder questões que aprimorem a
análise desse debate filosófico.
Deste modo, podemos ver que a realidade verdadeira pode ser encontrada no
Mundo das Ideias, fora do mundo sensível. O mundo material é apenas uma cópia
imperfeita das ideias perfeitas. De tal forma que o conhecimento verdadeiro deve ser
alcançado através da razão. Na Alegoria Platônica, Platão descreve os prisioneiros
que vivem acorrentados em uma caverna desde o nascimento vendo as sombras
projetadas na parede, sendo essa a única realidade que conheciam. Até que um deles
se liberta, sai da caverna e descobre a realidade no exterior da caverna, a verdadeira
luz do sol que simboliza o conhecimento verdadeiro. Ele percebe que as sombras da
caverna eram apenas ilusões. Então o prisioneiro ao ser libertado representa a pessoa
que busca a verdade em um mundo eterno e imutável.
O filme Matrix traz conceitos semelhantes ao Mito da Caverna, apresentando
uma realidade simulada em que os humanos vivem sem saber que estão presos em
um mundo artificial. Os prisioneiros acreditam que a única realidade existente são as
sombras projetadas na parede da caverna, assim como os personagens de Matrix
aceitam o mundo virtual como real.
Em Matrix, Neo, ao tomar a pílula vermelha oferecida por Morpheus, desperta
para a realidade. Em vista disso, representa o libertador aquele que revela a verdade
e guia os outros para o conhecimento. Tal como Platão, o filme desafia nossa
compreensão da realidade. A Matrix, o mundo ilusório que controla os sentidos,
remete às sombras da caverna. O filme não apenas se apropria do Mito da Caverna,
mas o desenvolve em um contexto moderno, explorando tecnologia, percepção e
liberdade. Diante disto, o filme nos leva a questionar: O que nos permite distinguir a
realidade da ilusão?
A distinção entre realidade e ilusão é um tema central na filosofia,
especialmente para Descartes, que argumentava que a razão é a chave para discernir
a verdade. Sua famosa afirmação “Penso, logo existo”, destaca que a única certeza
que temos é a existência do pensamento. Nossos sentidos, muitas vezes, nos
enganam, como em sonhos ou alucinações, e tendemos a confiar no que vemos e
sentimos. No entanto, a razão nos capacita a questionar essas percepções e buscar
certezas objetivas. Essa busca por uma realidade tangível ecoa nas palavras de
Morpheus, que nos lembra que se a realidade fosse limitada apenas ao que
percebemos pelos sentidos ela não passaria de pulsos eletromagnéticos.
Com base nesses argumentos e reflexão filosófica, podemos analisar como os
personagens de Matrix, assim como os prisioneiros do Mito da Caverna, vivem em
uma realidade controlada e manipulada, até que alguém os liberta e os leva a
questionar tudo o que acreditavam ser verdadeiro. Se trouxermos essa ideia para o
mundo atual, veremos que não há muita diferença já que muitas vezes aceitamos
informações sem questionar. É notório a falta de um certo pensamento crítico, de
analisar uma situação e se posicionar para buscar a melhor decisão.
Muitas vezes nos encontramos acostumados a viver de acordo com a
sociedade, mas e se a sociedade estiver vivendo errado? Essa pergunta nos faz
questionar o fato de procurar sempre a verdade em vez de se contentar com a ilusão.
Em última análise, a compreensão da relação entre realidade e ilusão nos permite
questionar sobre nossas próprias crenças, aprimorar o nosso pensamento crítico e
viver a vida no mundo real com maior discernimento. Afinal, a busca pela verdade é
uma realidade contínua, onde a capacidade de discernir a realidade da ilusão é uma
ferramenta essencial.